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Nutrição entérica

A nutrição entérica está associada a uma disbiose da microbiota que provoca frequentemente diarreias. Os probióticos demonstraram ser eficazes na sua prevenção.

Cerca de 10% das pessoas hospitalizadas são alimentadas por via entérica1 e este número tem vindo a aumentar.2

Uma disbiose da microbiota intestinal

A nutrição entérica (NE) causa uma mudança drástica no suprimento de nutrientes. Este fenómeno, associado ao stress metabólico e aos medicamentos administrados, provoca uma disbiose marcada da microbiota intestinal.3,4,5,6 Ela é caracterizada por uma diminuição dos microrganismos que possuem propriedades anti-inflamatórias (por exemplo, Faecalibacterium), um aumento dos microrganismos potencialmente patogénicos (por exemplo, Enterobacter e Staphylococcus) e uma redução do número de estirpes bacterianas individuais. A disbiose é acompanhada frequentemente do aumento de sensibilidade para as infeções nosocomiais, de uma septicémia e de uma falência de um ou mais órgãos.7-8 A principal complicação, a diarreia9, pode ter variadas consequências clínicas negativas e ser um motivo de redução ou interrupção da NE nas pessoas hospitalizadas.10 

Os probióticos eficazes na prevenção

Estes distúrbios bacterianos levaram a ensaios com prebióticos e probióticos para tentar reduzir a frequência e gravidade das diarreias. Alguns probióticos demonstraram uma melhoria da tolerância da NE em recém-nascidos prematuros ou de baixo peso à nascença.11 Variados estudos clínicos e meta-análises sobre a administração entérica de probióticos (Saccharomyces boulardii), de simbióticos ou de produtos ricos em fibras solúveis demonstraram uma redução significativa das diarreias, das complicações infeciosas globais e da duração da utilização de antibióticos sistémicos.12-16 E em caso de diarreia, é possível alterar o produto, atrasar e regular o débito e/ou prescrever retardadores do trânsito intestinal.17


Maximizar a eficácia da NE pela microbiota


Outro desafio na modulação da microbiota é aumentar a eficácia nutricional da NE fazendo o seu complemento com probióticos. Eles poderiam aumentar a capacidade de extração energética dos nutrientes, controlar o metabolismo dos triglicéridos ou até participar no controlo da inflamação.18 Vantagens significativas em caso de desnutrição.

Referências : 


1. nutritionDay. National reports. Vienna2015 [25/10/2015]; Available from : http://www.nutritionday.org/en/about-nday/ national-reports/index.html.
2. Bouteloup C, Thibault R. Arbre décisionnel du soin nutritionnel. Nutr Clin Métabol 2013; 28: 52-6.
3. Schneider SM et al. Total artificial nutrition is associated with major changes in the fecal flora. Eur J Nutr 2000; 39: 248-55.
4. Whelan K et al. Fructooligosaccharides and fiber partially prevent the alterations in fecal microbiota and short-chain fatty acid concentrations caused by standard enteral formula in healthy humans. J Nutr 2005; 135: 1896-902.
5. Benus RF et al. Association between Faecalibacterium prausnitzii and dietary fibre in colonic fermentation in healthy human subjects. Br J Nutr 2010; 104: 693-700.
6. Schneider SM. Microbiota and enteral nutrition. Gastroenterol Clin Biol. 2010 Sep;34 Suppl 1:S57-61
7. McDonald D, Ackermann G, Khailova L. Extreme dysbiosis of the microbiome in critical illness. mSphere 2016; 31:1
8. Koekkoek. Nutrition in the critically ill patient. Curr Opin Anaesthesiol. 2017 Apr;30(2):178-185.
9. Whelan K. Enteral-tube-feeding diarrhoea: manipulating the colonic microbiota with probiotics and prebiotics. Proc Nutr Soc 2007; 66: 299-306.
10. Martins JR et al. Factors leading to discrepancies between prescription and intake of enteral nutrition therapy in hospitalized patients. Nutrition 2012; 28: 864-7.
11. Athalye-Jape G et al. Benefits of probiotics on enteral nutrition in preterm neonates: a systematic review. Am J Clin Nutr 2014; 100: 1508-19.
12. Bleichner G et al. Saccharomyces boulardii prevents diarrhea in critically ill tube-fed patients. A multicenter, randomized, double-blind placebo-controlled trial. Intensive Care Med 1997; 23: 517-23.
13. Schlotterer M et al. Intérêt de Saccharomyces boulardii dans la tolérance digestive de la nutrition entérale à débit continu chez le brûlé. Nutr Clin Metabol 1987; 1: 31-4.
14. Tempé JD et al. Prévention par Saccharomyces boulardii des diarrhées de l’alimentation entérale à débit continu. Sem Hop Paris 1983; 59: 1409-12.
15. Wang C, Chaudhary R, Berg S. Using probiotics in the critically ill: a metaanalysis of 2808 patients. Crit Care Med 2016; 44 (12 Suppl 1):191.
16. Manzanares et al. Restoring the Microbiome in Critically Ill Patients: Are Probiotics Our True Friends When We Are Seriously Ill? JPEN J Parenter Enteral Nutr. 2017 May;41(4):530-533.
17. Razungles-Ducasse F et al. Aspects pratiques de la nutrition entérale en réanimation. 52e congrès national d’anesthésie et de réanimation
18. Cani PD et al. Gut microflora as a target for energy and metabolic homeostasis. Curr Opin Clin Nutr Metab Care 2007; 10: 729-34.

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