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Transplantes fecais

O transplante fecal consiste em implantar uma microbiota saudável através de entradas naturais num doente por forma a restabelecer o seu ecossistema microbiano.

O transplante fecal é uma intervenção conhecida e praticada há muito tempo, desde que os primeiros sinais da sua utilização apareceram na China no século IV. No entanto, foi apenas recentemente que um estudo validou por completo a sua prática para tratar infeções por Clostridium difficile, uma doença para a qual é agora recomendado por autoridades de saúde (na Europa e nos Estados Unidos2).
 
O procedimento tem por base uma suspensão de fezes líquidas frescas ou congeladas tiradas de um dador saudável, que é introduzida no trato digestivo do doente, primariamente através do trato GI inferior por enema, ou através do trato GI superior por sonda nasoduodenal (foi estudada a administração sob a forma de uma cápsula mais prática3).

Eficácia e indicações

O transplante fecal é eficaz em 80% a 90% dos casos para o tratamento da infeção por Clostridium difficile (neste caso, a eficácia é definida como o tratamento da diarreia sem recidiva em 10 semanas). Estes resultados são melhores do que com antibióticos4. Embora os mecanismos exatos desta terapia não sejam completamente compreendidos, parece que o implante de uma microbiota saudável via transplante dá-se pela competição ecológica por nutrientes com Clostridium difficile. A sua utilização noutras doenças está a ser estudada: foram relatados casos de doentes com doenças inflamatórias intestinais (DII) tratadas com este tipo de terapia5, bem como doentes com síndrome do intestino irritável6 e obesidade7. No entanto, a técnica foi desenvolvida demasiado recentemente para se poder avaliar adequadamente os efeitos secundários potenciais e a eficácia a longo prazo.

Microbiota

 

Fontes:

1. Debast SB et al. European Society of Clinical Microbiology and Infectious Diseases: update of the treatment guidance document for Clostridium difficile infection. Clin Microbiol Infect. 2014 ; 20 (Suppl 2) : 1-26. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24118601

2. Surawicz et al. Guidelines for diagnosis, treatment, and prevention of Clostridium difficile infections. Am J Gastroenterol 2013 ; 108 : 478-98 ; quiz 499. Guidelines for diagnosis, treatment, and prevention of Clostridium difficile infections. Am J Gastroenterol 2013 ; 108 : 478-98 ; quiz 499 https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23439232 

3.  Youngster I. et al. Oral, Capsulized, Frozen Fecal Microbiota Transplantation for Relapsing Clostridium difficile Infection. JAMA 2014 ; 312(17) : 1772-1778. http://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/1916296

4. Van Nood E. et al. Duodenal infusion of donor feces for recurrent Clostridium difficile. N Engl J Med 2013 ; 368 : 407-15. http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1205037

5. Colamn RJ et al. Fecal microbiota transplantation as therapy for inflammatory bowel disease: a systematic review and meta-analysis. J Crohns Colitis 2014 ; 8 : 1569-81. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25223604

6. Noortje G Rossen  et al. Fecal microbiota transplantation as novel therapy in gastroenterology: A systematic review. World J Gastroenterol. 2015 ; 21(17) : 5359–5371. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4419078/

7. Vrieze A. et al. Transfer of intestinal microbiota from lean donors increases insulin sensitivity in individuals with metabolic syndrome. Gastroenterology 2012 ; 143 : 913-6. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22728514

Fontes complementares :

La transplantation de microbiote fécale et son encadrement dans les essais cliniques – Mars 2014 – ANSM. http://ansm.sante.fr/var/ansm_site/storage/original/application/5e5e01018303790194275ded0e02353c.pdf

 

Biocodex Microbiota Institute

Biocodex Microbiota Institute: um lider internacional em Microbiota

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