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Diabetes

A diabetes tipo 2 não para de progredir no mundo e as medidas de prevenção higieno-dietéticas são insuficientes. Modular a microbiota intestinal poderá tornar-se num utilitário de diagnóstico e/ou terapêutico.

Uma prevalência crescente

Em 1980, os doentes diabéticos representavam 4,7% da população mundial adulta. Este número quase duplicou desde então particularmente nos países mais pobres e em desenvolvimento1,2. Em 90% dos casos, trata-se da diabetes tipo 2 (DT2). A OMS prevê que esta doença venha a ser a sétima causa de morte no mundo em 20301.


A microbiota implicada


A DT2 está mais frequentemente relacionada com um excesso de peso e sedentarismo que provoca alterações metabólicas, associadas a uma inflamação e à perda de sensibilidade das células da insulina1,3. Vários estudos sugerem que esta patologia esteja associada a disbioses3-9. Nos animais um perfil bacteriano particular da microbiota intestinal poderá estar na origem desta alteração metabólica6.  A abundância de Akkermansia muciniphila está inversamente associada à massa gorda e à intolerância à glucose nos ratos10. Estes desequilíbrio da microbiota intestinal poderão participar em fenómenos inflamatórios e ter um papel importante no desenvolvimento da doença e da sua gravidade4,5. De modo geral, a microbiota intestinal de pessoas com diabetes é menos diversificada que a das pessoas não diabéticas11 como por exemplo11, uma diminuição de estirpes bacterianas produtoras de butirato9,11,12  e o aumento dos Lactobacillus em alguns doentes12-14.

Despistagem e tratamento: papel da microbiota

A gestão da diabetes recai em primeiro lugar na tomada de medidas higieno-dietéticas e se necessário, na toma de hipoglicemiantes ou de insulina. Além disso, a descoberta de uma assinatura bacterina específica, ligada às anomalias metabólicas poderá ser utilizada para identificar doentes em risco. Em paralelo, tratar estas disbioses por modulação da microbiota através da utilização de probióticos e de prebióticos, poderia também fazer parte do arsenal terapêutico para lutar contra a DT2. É com este objetivo que vários ensaios foram realizados em doentes obesos e diabéticos que seguiram um regime hipocalórico. Os autores demonstraram que a presença de Akkermansia muciniphila está associada a um melhor estado metabólico e a uma melhoria da sensibilidade à insulina15.

Referências : 

1. OMS, Diabète avril 2016. http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs312/fr/
2. IDF Diabetes Atlas http://www.diabetesatlas.org/ 
3. Jin C, Henao-Mejia J, Flavell RA. Innate immune receptors: key regulators of metabolic disease progression. Cell Metab 2013; 17: 873-82 http://www.cell.com/cell-metabolism/fulltext/S1550-4131(13)00201-5
4. Cani PD et al. Metabolic endotoxemia initiates obesity and insulin resistance. Diabetes 2007; 56: 1761-72.

5. Cani PD et al. Selective increases of bifidobacteria in gut microflora improve high-fat-diet induced diabetes in mice through a mechanism associated with endotoxaemia. Diabetologia 2007; 50: 2374-83. https://link.springer.com/article/10.1007%2Fs00125-007-0791-0
6. Matteo S et al. Metabolic adaptation to a high-fat diet is associated with a change in the gut microbiota. Gut, BMJ Publishing Group, 2012, 61 (4), pp.543-53.
7. Backhed F et al. The gut microbiota as an environmental factor that regulates fat storage. Proc Natl Acad SciUSA 2004; 101: 15718-23.

8. Serino M et al. Metabolic adaptation to a high-fat diet is associated with a change in the gut microbiota. Gut 2012; 61: 543-53.
9. Turnbaugh PJ, Backhed F, Fulton L, Gordon JI. Diet-induced obesity is linked to marked but reversible alterations in the mouse distal gut microbiome. Cell Host Microbe 2008; 3: 213-23.
10. Le Chatelier E et al. Richness of human gut microbiome correlates with metabolic markers. Nature 2013; 500: 541-6.
11. Everard A et al. Cross-talk between Akkermansia muciniphila and intestinal epithelium controls diet-induced obesity. Proc Natl Acad Sci USA 2013;110:9066-71
12. Qin J et al. A metagenome-wide association study of gut microbiota in type 2 diabetes. Nature 2012; 490: 55-60.

13. Karlsson FH et al. Gut metagenome in European women with normal, impaired and diabetic glucose control. Nature 2013; 498: 99-103.
14. Sato J et al. Gut dysbiosis and detection of “live gut bacteria” in blood of Japanese patients with type 2 diabetes. Diabetes Care 2014; 37: 2343-50.

15. Dao MC et al. Akkermansia muciniphila and improved metabolic health during a dietary intervention in obesity: relationship with gut microbiome richness and ecology. Gut 2016; 65: 426-36.

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