Magazine
Imagem

Microbiota 24 - Maio 2026

Caros leitores,

Quando a dor se instala: a microbiota e o eixo intestino-cérebro perante o enigma das dores pélvicas crónicas

A dor pélvica crónica é uma hóspede persistente. Profunda, difusa, por vezes sem lesões claramente identificáveis, confunde tanto os pacientes como os profissionais de saúde. A endometriose, a síndrome do intestino irritável ou a síndrome da bexiga dolorosa são diagnósticos distintos, mas partilham uma mesma realidade clínica: uma dor persistente, difícil de aliviar, que muitas vezes escapa às abordagens convencionais.

Durante muito tempo abordadas órgão a órgão, estas dores revelam hoje mecanismos comuns de sensibilização periférica e central. Remodelação neuronal, hipersensibilidade visceral, redução dos limiares de dor: a dor torna-se uma entidade por direito próprio, sustentada por interações complexas no eixo intestino-cérebro, para além das fronteiras anatómicas.

Neste contexto, a microbiota intestinal impõe-se como um modulador-chave da dor crónica. Através das suas interações estreitas com o sistema imunitário e o sistema nervoso, pode influenciar a inflamação e a perceção da dor. Os dados acumulam-se tanto na SII como na endometriose, convidando a uma leitura transversal das dores pélvicas crónicas e abrindo caminho a novas vias terapêuticas que visam a microbiota.

Ao esclarecer o diálogo subtil entre micróbios, nervos e dor, esta edição da Microbiota Mag propõe uma mudança de perspetiva. E se, para compreender melhor e aliviar as dores pélvicas crónicas, fosse também necessário aprender a ouvir a microbiota?

Boa leitura.

Publicado em 04 Junho 2026
Atualizado em 08 Junho 2026
Baixe este arquivo