Dr. Faria e Pr. Pimentel-Santos (vencedor de Portugal em 2020): Microbiota e espondiloartrose e terapia de artrite reumatóide

Para comemorar o Dia Mundial da Microbiota (#WorldMicrobiomeDay), o Biocodex Microbiota Institute passa a palavra aos beneficiários de Bolsas nacionais.

Publicado em 14 Junho 2022
Atualizado em 13 Julho 2022
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Sobre este artigo

Publicado em 14 Junho 2022
Atualizado em 13 Julho 2022

Dr. Ana Faria & Pr. Fernando Pimentel-Santos

Dr. Ana Faria
Investigadora e professora da Faculdade de Medicina da Universidade Nova. As suas áreas de investigação são as estratégias para a modulação da microbiota com impacto na saúde e na doença, e em especial enquanto possível agente de prognóstico da evolução das doenças e da eficácia terapêutica.

Pr. Fernando Pimentel-Santos
Investigador Principal do Laboratório de Doenças Reumáticas e Professor de Reumatologia da Faculdade de Medicina da NOVA. A identificação de biomarcadores clínicos, genéticos, proteicos e da microbiota para fins diagnósticos e terapêuticos é o principal tema da sua investigação.

O que é que a bolsa nacional permitiu descobrir na sua área de investigação da microbiota?

A espondiloartrite (SpA) e a artrite reumatoide (AR) estão entre as doenças reumáticas inflamatórias crónicas mais vulgares e a progressão dessas doenças pode levar a danos ósseos e articulares irreversíveis. A SpA e a AR são causa importante de incapacidade funcional, com graves consequências para as atividades diárias, a saúde mental e a qualidade de vida dos pacientes.
A introdução de fármacos biológicos antirreumáticos modificadores da doença (bDMARDs), como os inibidores de TNF (TNFi), iniciou uma nova era no tratamento da SpA e da AR, com notável eficácia. No entanto, uma percentagem significativa de pacientes apresenta efeitos secundários graves ou continua a não responder ou a responder de forma incompleta a esses dispendiosos tratamentos.
A Bolsa do Biocodex Microbiota Foundation permite-nos a caraterização da microbiota em pacientes que iniciam o tratamento por bDMARDs e após 14 semanas. Isso representa a possibilidade de identificarmos biomarcadores na linha de base, contribuindo para o reconhecimento de pacientes com maior potencial de resposta à terapia por TNFi.

Quais são as consequências para os pacientes?

A identificação antes do tratamento de perfis de microbiota que possam estar relacionados com a eficácia terapêutica dos bDMARDs é crucial para orientar a decisão terapêutica. Os doentes beneficiarão de um tratamento mais preciso. Num futuro próximo, esperamos promover ações corretivas direcionadas para a microbiota e com essas ações melhorar a eficácia terapêutica dos bDMARDs.

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Do seu ponto de vista, qual foi o maior avanço dos últimos anos relacionado com a microbiota?

       Não podemos dizer que seja o maior avanço, mas achamos muito interessante a hipótese de a microbiota disbiótica ser um fator transmissível. Essa hipótese surgiu no artigo publicado na Science em 20201, o qual demonstra que a microbiota disbiótica cumpre os postulados de Koch e pode ser transmitida a outros indivíduos, alterando a respetiva microbiota e contribuindo para a suscetibilidade a doenças e para a disseminação de doenças não contagiosas.
 

Pensa que existe recentemente um interesse crescente pela microbiota?

       A microbiota tem conquistado atenções nas últimas duas décadas porque se tornou evidente que o seu papel no hospedeiro vai além da fermentação. A associação de uma microbiota modificada, menos abundante e menos rica, com a doença, trouxe à tona e motivou estudos científicos que estabeleceram e destacaram a importância da microbiota, como no caso das doenças reumáticas.
 

Tem alguma sugestão para cuidarmos da nossa microbiota?

      O fator modificável melhor conhecido para além dos antibióticos é a alimentação. Portanto, os hábitos alimentares saudáveis, como a dieta mediterrânea, podem ser uma maneira fácil de cuidarmos da nossa microbiota. Há também evidências crescentes da possibilidade de se modular a microbiota, o que representa uma opção terapêutica fantástica.

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