O papel do Streptococcus anginosus no cancro gástrico
Menos conhecido do que o Helicobacter pylori, o Streptococcus anginosus poderá estar associado ao cancro gástrico, devido à sua produção de metionina.
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Sobre este artigo
No caso do cancro do estômago, há numerosos estudos de investigação que têm associado a bactéria Helicobacter pylori à doença. Contudo, nos últimos anos, têm sido também mencionadas outras bactérias da microbiota intestinal, por exemplo o Streptococcus anginosus, que parece contribuir para a carcinogénese gástrica em modelos murinos e poderá constituir um biomarcador para o rastreio.
Para obter mais informações, uma equipa 1 estudou, in vitro e in vivo, essa contribuição do S. anginosus através das suas interações metabólicas com o hospedeiro.
Top 5 A incidência e a mortalidade do cancro do estômago estão entre as cinco mais elevadas do mundo, no que se refere aos diferentes tipos de cancro. ¹
Top 3 Na China, o cancro gástrico surge entre as três principais causas de morte relacionadas com cancro entre 2005 e 2020. ¹
4.ª e 5.ª O cancro do estômago representa a 4.ª causa de mortalidade por cancro nos homens e a 5.ª nas mulheres. ²
O papel do Streptococcus anginosus no tumor gástrico
Uma análise metagenómica levada a cabo numa vasta coorte clínica (106 doentes com cancro gástrico e 106 controlos com gastrite crónica) revelou um aumento da presença de S. anginosus (e, em menor grau, de S. constellatus) e de metionina nas fezes e nas mucosas do sistema digestivo dos doentes com cancro do estômago.
Experiências complementares realizadas in vitro e in vivo revelam que o S. anginosus facilita o desenvolvimento do tumor gástrico através da metionina, um dos seus principais derivados metabólicos.
68%
A Ásia deverá suportar a parte mais significativa deste ónus, com mais de 10,6 milhões de casos (68% do total de novos casos), seguida das Américas (2,0 milhões; 13%), da África (1,7 milhões; 11%), da Europa (1,2 milhões; 8%) e da Oceânia (0,07 milhões; 0,4%). ³
Dessa forma, a bactéria parece desempenhar um papel nas perturbações do metabolismo da metionina envolvidas no desenvolvimento do cancro gástrico, fornecendo fontes não alimentares de aminoácidos essenciais necessários às células cancerosas.
968 784 Foram notificados 968.784 casos de cancro do estômago em 2022. ⁴
9,2 pour 100 000 A incidência mundial do cancro do estômago foi de 9,2 casos por cada 100.000 habitantes em 2022, mas atingiu 35,5 por cada 100.000 na Mongólia, 27,6 por cada 100.000 no Japão e 27,0 por cada 100.000 na Coreia do Sul. ⁴
660 175 660.175 pessoas morreram devido a cancro do estômago em 2022. ⁴
A ação fundamental do gene metE
Foram isoladas e cultivadas estirpes clínicas de S. anginosus a partir de tecidos tumorais, no intuito de se verificar a sua capacidade de contribuírem para o cancro do estômago através da produção de metionina, tendo-se estabelecido, simultaneamente, as bases para futuros trabalhos de subtipagem das subespécies daquela bactéria.
Os autores identificaram o gene metE como fator chave na biossíntese da metionina no S. anginosus: este gene apresentou maior abundância em doentes com cancro gástrico e surgiu fortemente associado à presença da bactéria.
Ao criarem uma estirpe mutante ΔmetE, na qual o gene metE foi inativado, demonstraram em ratos que a inativação desse gene:
- reduzia a produção de metionina,
- diminuía a proliferação das células cancerígenas
- e limitava a formação de tumores.
Isto confirma o papel essencial do metE no efeito carcinogénico da S. anginosus.
6,1 A mortalidade global mundial por cancro do estômago foi de 6,1 por 100.000 habitantes em 2022, mas atingiu 15,4 por 100.000 no Irão, 10,9 por 100.000 no Vietname e 9,4 por 100.000 habitantes na China. ⁴
15,6 Partindo do princípio de que as taxas de incidência futuras se vão manter estáveis, calcula-se que, ao longo da vida, surjam cerca de 15,6 milhões de novos casos de cancro gástrico entre as pessoas nascidas entre 2008 e 2017 em todo o mundo. ³
50 As taxas de incidência do cancro do estômago em pessoas com menos de 50 anos estão a aumentar, tanto nas regiões de elevada incidência como nas de baixa incidência. ³
Um futuro alvo terapêutico?
Uma melhor compreensão dos mecanismos através dos quais o agente patogénico S. anginosus promove o cancro gástrico poderá contribuir para a identificação de novos alvos terapêuticos ou de prevenção: será que a inibição da colonização ou do crescimento do S. anginosus poderá reduzir a produção de metionina e, assim, travar o crescimento dos tumores gástricos?
Será que também poderá aumentar a eficácia da imunoterapia ou da quimioterapia nos doentes com cancro gástrico?
São várias as linhas de investigação abertas por estes trabalhos.
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