O metaboloma pode ser usado para melhorar o diagnóstico das infeções por C. difficile?

Duas grandes famílias de metabolitos (a primeira derivada da leucina e a segunda de ácidos biliares) podem ter o potencial de conseguir diferenciar uma infeção por C. difficile de uma colonização assintomática por C. difficile.

Publicado em 14 Julho 2020
Atualizado em 03 Dezembro 2021

Sobre este artigo

Publicado em 14 Julho 2020
Atualizado em 03 Dezembro 2021

 

A infeção por (sidenote: Clostridioides difficile anteriormente Clostridium difficile )  (CDI) afeta cerca de 450000 pessoas e causa 30000 mortes por ano nos Estados Unidos. É responsável por uma proporção substancial das mortes atribuídas a bactérias resistentes a antibióticos. A ICD surge após a ingestão e adesão de esporos, que depois germinam e se tornam na forma vegetativa da bactéria que coloniza e toxinas responsáveis por um espetro alargado de sintomas, desde a diarreia a colite pseudomembranosa que pode pôr a vida em risco. No entanto, um portador pode ser completamente assintomático e a CDI apenas mostrar o seu potencial patogénico após a toma de antibióticos.

Estabelecendo uma lista de metabolitos

O C. difficile é considerado um colonizador oportunista que pode ser erradicado por uma microbiota intestinal saudável. Acredita-se que várias funções metabólicas contribuam para a sua erradicação. Por forma a compreender melhor a ligação entre os metabolitos intestinais e a ICD em humanos, uma equipa de investigadores estudou perfis metabolómicos fecais de 186 doentes hospitalizados com sintomas de diarreia: 62 doentes com CDI (cultura toxigénica positiva e imunoensaio enzimático positivo), 62 doentes com cultura toxigénica positiva, mas imunoensaio enzimático negativo e 62 controlos combinados não colonizados (cultura toxigénica negativa e imunoensaio enzimático negativo). Os metabolitos fecais foram caracterizados por cromatografia gasosa.

Duas assinaturas metabólicas

Entre os 2463 metabolitos detetados nas fezes, 43 podem ser usados para diferenciar doentes com ICD de indivíduos controlo não colonizados. Muitos deles derivam da (sidenote: via de fermentação Stickland reação redox acoplada de dois aminoácidos, um com o papel de aceitador de hidrogénio e o outro de dador. Ocorre em muitas espécies Clostridium. ) , para a qual as bactérias, como o C. difficile, usam aminoácidos como substratos. A associação mais marcada que foi encontrada ocorreu num ácido gordo de cadeira curta, resultante da fermentação da leucina, encontrado em quantidades significativamente maiores em doentes com ICD. A equipa também identificou alguns ácidos biliares secundários significativamente menos abundantes em doentes com CDI e derivados da desidroxilação feita pelas bactérias aos ácidos biliares primários, sintetizados e conjugados pelo hospedeiro. Permanece por averiguar se estes ácidos biliares desidroxilados são apenas marcadores de doentes CDI-negativos ou se a sua formação os protege de CDI pela inibição da germinação dos esporos, por exemplo.

Rumo a um diagnóstico mais preciso?

Eventualmente, estes resultados poderão conduzir à definição de um perfil metabólico específico da CDI e para aperfeiçoar o diagnóstico dos doentes, reduzindo os falsos positivos relativos à deteção de esporos inativos por cultura toxigénica e os falsos negativos causados pela fraca sensibilidade do imuno ensaio enzimático.
 

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