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Doenças inflamatórias do intestino (DII)

As Doenças Inflamatórias do Intestino (DII) incluem a Doença de Crohn e a colite ulcerosa. Estas doenças não têm influência na esperança de vida, mas alteram significativamente a qualidade da mesma. Os planos terapêuticos estão a começar a visar a microbiota. 

A DII, a Doença de Crohn e a colite ulcerosa são caracterizadas por inflamação na parede de parte do trato digestivo, que está relacionada com hiperatividade do sistema imunitário digestivo. Durante as crises na DII, os sintomas mais comuns são a dor abdominal e a diarreia, que pode por vezes ser hemorrágica. Estas doenças podem ainda apresentar sinais em sistemas fora do trato digestivo, incluindo nas articulações e nos sistemas oftálmico, cutâneo e hepático.
 
As DII afetam 1 em cada 1000 pessoas na Europa Ocidental e aparecem mais frequentemente entre os 20 e os 40 anos. Estas doenças seguem percursos intermitentes, com alternância entre períodos de surto e remissão. Na Doença de Crohn, esta inflamação pode estar localizada em todas as porções do sistema digestivo, da boca ao ânus, ainda que seja mais comummente encontrada no intestino. A colite ulcerosa localiza-se no reto e no cólon. 

Doenças multifatoriais

As causas de DII incluem predisposição genética, fatores ambientais como a poluição e a dieta, o sistema imunitário e a microbiota intestinal. As DII podem ainda ser causadas por uma diminuição à exposição a microrganismos durante a infância, resultante de uma higiene excessiva, por exemplo.

Conteúdo intestinal modificado

A microbiota intestinal parece desempenhar um papel importante, ainda que pouco conhecido, na inflamação característica das DII. Numerosos estudos têm observado disbiose nestes doentes, i.e., uma alteração no equilíbrio da microbiota, relacionado com fatores genéticos e ambientais. As bactérias anti-inflamatórias, em particular, estão enfraquecidas. Esta desregulação altera o conteúdo microbiano do intestino e pode levar a inflamação crónica.

Esperança no tratament

Não há terapêutica que cure, mas os anti-inflamatórios podem ajudar nas crises dolorosas. Hoje em dia, o tratamento inclui terapêutica com corticosteroides, tratamento com chamados “imunomoduladores”, que consegue diminuir as reações do sistema imunitário, como os inibidores do TNFα, e cirurgia, em 80 % dos casos na Doença de Crohn e 20 % na colite ulcerosa. Raramente estas medidas promovem uma cura definitiva. Investigadores estão atualmente a tentar identificar o papel da microbiota nas DII, tentando reduzir a presença de agentes patogénicos e aumentar o crescimento de microrganismos bons.

 

Fontes:
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Dossier Inserm MICI http://www.inserm.fr/thematiques/physiopathologie-metabolisme-nutrition/dossiers-d-information/maladies-inflammatoires-chroniques-de-l-intestin-mici
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