A terapia antibiótica profilática no peri-parto diminui os níveis de bifidobacterium no leite materno

A antibioterapia preventiva no peri-parto altera a composição bacteriana do leite materno. Os níveis de Bifidobacterium, bactérias benéficas para o desenvolvimento de recém-nascidos, são significativamente reduzidos nos primeiros dias após o parto.

Publicado em 14 Julho 2020
Atualizado em 06 Outubro 2021
Actu PRO : Une antibiothérapie prophylactique péri-partum appauvrit le lait maternel en Bifidobacterium

Sobre este artigo

Publicado em 14 Julho 2020
Atualizado em 06 Outubro 2021

 

A antibioterapia profilática é necessária para reduzir os riscos de infeção peri-parto, que são a causa de 10% das mortes maternas e estão associadas à morte de quase 1 milhão de recém-nascidos por ano, segundo a (sidenote: WHO recommendations for prevention and treatment of maternal peripartum infections- 2015 ) . No entanto, estes tratamentos estão associados a eventos adversos, incluindo alterações na microbiota materna que provavelmente irão afetar a colonização precoce da criança. Isto levou uma equipa brasileira a estudar as alterações nas populações bacterianas do leite materno, concentrando-se nas bactérias do género Bifidobacterium. Os principais representantes deste género (B. breve, B. adolescentis, B. bifidum, B. longum, e B. dentium no leite materno) são conhecidos pelos seus benefícios para o homem, principalmente pela produção de ácidos gordos de cadeia curta.

Diminuição significativa em Bifidobacterium ao 7º dia

Os investigadores compararam amostras de leite de 55 mulheres que deram à luz por parto vaginal: 21 foram tratadas preventivamente com antibióticos de largo espetro (cefazolina, penicilina ou clindamicina) e 34 mulheres não foram tratadas. Foram determinadas a concentração bacteriana total, bem como a contagem detalhada de Bifidobacterium, por qPCR em amostras colhidas nos dias 7±3 e 30±4. Os resultados não apresentaram diferenças significativas relativamente ao número total de bactérias entre os grupos de estudo. Uma explicação para este achado poderá ser a recolonização por bactérias resistentes aos antibióticos usados no estudo. Pelo contrário, foi observada uma diminuição significativa dos níveis de Bifidobacterium no leite de mulheres tratadas profilaticamente. Esta disbiose encontra-se no seu auge no dia 7±3, mas volta ao normal com o passar do tempo e é impercetível passado um mês.

Melhoria gradual da disbiose: hipóteses

Os investigadores sugerem uma provável recolonização da microbiota intestinal, através da via entero-mamária endógena com envolvimento de células dendríticas maternas capazes de capturar bactérias comensais no lúmen. Outra hipótese: os oligossacarídeos presentes no leite materno podem servir como substrato e promover o crescimento de Bifidobacterium. Tudo o que podemos dizer com certeza é que, se a mãe está a amamentar, a antibioterapia profilática peri-parto reduz o aporte de bactérias benéficas à criança. Esta observação inicial exige que detalhemos o impacto desse déficit temporário no desenvolvimento da microbiota intestinal do recém-nascido e de funções corelacionadas, especialmente funções imunológicas e inflamatórias.

en_view en_sources