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Doenças hepáticas

Altamente envolvida no desenvolvimento de certas doenças do fígado (hepáticas), a microbiota intestinal pode tornar-se um alvo terapêutico importante. 

Álcool e obesidade, causas de doença hepática 

As doenças do fígado apresentam diferentes níveis de gravidade, de um extremo, onde encontramos a esteatose, que é benigna e reversível, passando pela inflamação hepática (esteato-hepatite não-alcoólica, NASH), hepatite, fibrose, cirrose e, chegados ao outro extremo, carcinoma hepatocelular (cancro do fígado). Assintomáticas nas suas formas menos graves, as doenças do fígado podem manifestar-se com icterícia, náuseas e febre nas suas formas avançadas.

O excesso de consumo de álcool é uma causa conhecida de doença hepática resultante da dieta (doença hepática alcoólica ou DHA), sendo o excesso de peso e a obesidade menos conhecidas. A esteatose metabólica (fígado gordo não alcoólico) que estas causas originam é a principal causa das doenças crónicas do fígado nos países desenvolvidos. 

Disbiose intestinal, cofator na doença hepática

Parece que estes fatores de risco não são suficientes para induzir hepatopatias por si só. A existência de um desequilíbrio na microbiota intestinal também contribui. A evidência do mesmo está no facto de todos os doentes com doença hepática, independentemente da causa, apresentam disbiose e alterações na barreira intestinal. Quanto mais grave for a lesão do fígado, mais significativa a disbiose.

Probióticos, prebióticos e transplante fecal, três caminhos de investigação promissores

O tratamento atual para a doença hepática inclui alterações na dieta e estilo de vida (perda de peso e atividade física), com ou sem tratamento médico, que pode variar na complexidade (medicação, transplante hepático).

O papel da microbiota é agora claro, pelo que modificá-la com probióticos, prebióticos e transplante fecal constitui um caminho promissor para a investigação na prevenção e terapêutica. 

 

Fontes:
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