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Doença de parkinson

A doença de Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais comum em França. A sua progressão destrói os neurónios dopaminérgicos do cérebro. Foi demonstrada ligação a uma desregulação da microbiota intestinal. 

A doença de Parkinson afeta 1 % das pessoas com mais de 65 anos em França, o que representa 100 000 pessoas. A substância nigra no cérebro, a área que controla o movimento, perde os neurónios que produzem dopamina. O resultado são sintomas motores progressivos: lentidão nos movimentos, rigidez muscular e tremores. Pessoas com Parkinson têm também problemas não-motores, como problemas de sono, episódios depressivos e problemas gastrointestinais incapacitantes (obstipação, inchaço, dor abdominal, náuseas). 

A idade está implicada

O principal fator de risco é, obviamente, a idade. Ainda que a predisposição genética tenha sido comprovada, nenhum é suficiente para explicar a doença. O ambiente é também um fator com os pesticidas a desempenhar um papel que está documentado. 

Comunicação do eixo cérebro-intestino

A microbiota intestinal participa na comunicação entre o intestino e o cérebro. Alguns investigadores têm colocado a hipótese de que a infeção crónica por Helicobacter pylori possa ser a origem da doença de Parkinson. Contudo, não foi determinado se é a infeção que despoleta a doença ou, pelo contrário, se a doença que promove a infeção. A disbiose, uma alteração na composição da microbiota, foi realçada nos doentes com doença de Parkinson. Estes têm menos bactérias “anti-inflamatórias” e mais bactérias “pró-inflamatórias” que as pessoas saudáveis. 

Controlando a progressão 

O tratamento foca-se em moderar os sintomas motores da doença (tremores, rigidez, etc.) através do uso de precursores da dopamina. Estes tratamentos não previnem a progressão da doença e as complicações reaparecem depois de 5 a 10 anos de tratamento. Hoje em dia, o objetivo principal é detetar a doença o mais cedo possível e abrandar a degeneração neuronal. A manipulação da microbiota é uma opção a ser estudada de momento.   

Fontes:
Dossier Inserm http://www.inserm.fr/thematiques/neurosciences-sciences-cognitives-neurologie-psychiatrie/dossiers-d-information/maladie-de-parkinson
Clairembault T, Leclair-Visonneau L, Coron E, et al. Structural alterations of the intestinal epithelial barrier in Parkinson's disease. Acta Neuropathol Commun. 2015;3:12. Published 2015 Mar 10.
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