Rumo ao rejuvenescimento bacteriano?

Foram identificadas bactérias intestinais específicas que indicam a idade de uma pessoa com relativa precisão. Devemos esperar a criação de um cocktail de rejuvenescimento bacteriano num futuro próximo?

 

A microbiota intestinal esconde informações muito preciosas, tais como doenças, inflamação, uso de antibióticos, forma de alimentação. Mas será que também reflete a nossa idade? Uma equipa de investigadores ingleses procurou uma resposta analisando a composição da microbiota intestinal de 1.165 pessoas saudáveis. Os cientistas obtiveram uma lista de 39 espécies bacterianas que permitiram classificar cada amostra em três categorias de idade, com uma precisão de 3,94 anos. Esse nível de precisão excede o dos modelos desenvolvidos até agora, porque não é a primeira vez que alguém investiga o “relógio de envelhecimento microbiótico".

Nem envelhecimento, nem rejuvenescimento

Pode isto significar que algumas bactérias são rejuvenescedoras enquanto outras estão associadas a um envelhecimento precoce? A conclusão não é automática: as bactérias patogénicas não parecem estar necessariamente correlacionadas com o envelhecimento e a abundância de bactérias consideradas benéficas para a nossa saúde parece prolongar a juventude. Por exemplo, são encontradas na microbiota intestinal de indivíduos mais jovens maiores quantidades de Campylobacter jejuni, uma bactéria que causa diarreia. Contudo, o mesmo já não acontece em idosos, levando a crer que possam ter adquirido imunidade protetora ao longo do tempo.

Diferença geracional significativa

Outro fator-chave a considerar são as principais mudanças nos modos de vida (dieta, estilo de vida sedentário, fatores ambientais ...) no último século. Nesse contexto, é difícil dizer se a composição da flora dos jovens de hoje sofrerá as mesmas mudanças do que nos mais velhos. Por outras palavras, está em causa o próprio princípio do relógio do envelhecimento microbiótico. Os investigadores que também são os fundadores de uma empresa de biotecnologia especializada no tratamento de doenças relacionadas com o envelhecimento e o prolongamento da vida humana, reconhecem esse viés. Um “elixir da juventude” bacteriano ainda não está ao alcance de nossa flora - ou das prateleiras dos supermercados, pelo menos por enquanto.

 

Fontes:

Galkin F, Aliper A, Putin E et al. Human microbiome aging clocks based on deep learning and tandem of permutation feature importance and accumulated local effects. bioRxiv, décembre 2018

https://www.legifrance.gouv.fr/affichTexte.do?cidTexte=JORFTEXT000037783813