“Cauda Suja”: os coalas estão a ser dizimados por bactérias

Actu GP Syndrome des « fesses humides » : les koalas décimés par des bactéries

Infeções por Chlamydia têm vindo a dizimar populações Australianas de coalas há vários anos. Mas outras bactérias poderão estar envolvidas.

 

A “cauda suja” conta como uma das mais sérias ameaças para os coalas. Apesar da designação parecer inofensiva, trata-se, na verdade, de uma doença fatal que já dizimou inúmeras populações de marsupiais. É urgente perceber melhor esta doença, se ainda quiserem que exista alguma esperança em salvar a espécie.

Chlamydia ilibada

Caudas húmidas e ruborizadas, cistite e incontinência urinária: são estes os sintomas da “cauda suja”, que mata os animais afetados em apenas alguns meses.
A investigação conduzida no início da epidemia descobriu rapidamente o culpado: Chlamydia pecorum (cuja presença é também responsável pela redução na diversidade da microbioma urogenital. No entanto, esta bactéria é diferente da Chlamydia responsável pelas doenças sexualmente transmissíveis (DST) nos humanos e, infelizmente, os antibióticos utilizados na medicina humana são ineficazes contra o C. pecorum.
Estudos publicados em 2015 reavivaram a pesquisa desta doença. De facto, a análise a uma amostra alargada de coalas demonstrou que muitos não são portadores de C. pecorum, apesar de apresentaram uma forma moderada da doença da “cauda suja”. Os cientistas sugeriram então que outros micróbios estivessem envolvidos no aparecimento da doença. Para comprovar esta informação, foram utilizadas amostras tiradas em 2011 de 10 coalas fêmea sem C. pecorum (metade não apresentava qualquer sinal clínico da doença) a viver numa ilha isolada perto de Melbourne, a French Island. Posteriormente, analisaram o ADN microbiótico extraído destes esfregaços e compararam as espécies observadas nos dois grupos.

Existe uma assinatura microbiótica nos coalas doentes?

No total, 254 espécies foram identificadas. Apenas 112 estavam presentes em ambos os coalas saudáveis e doentes, e 75 estavam presentes apenas nos coalas com a doença da “cauda suja”. Nos dois grupos, a família de bactérias presente em maior número foi a Aerococcaceae, com o género mais prevalente Aerococcus, que, no entanto, estava significativamente menos presente nos coalas doentes. Contrariamente, a família de bactérias Tissierellaceae é mais prevalente nos animais doentes. Estes resultados confirmam que em coalas fêmeas a doença da “cauda suja” é acompanhada de uma modificação do microbioma urogenital, mesmo na ausência de Chlamydia. Os autores realçam a importância de prosseguir com este estudo noutras populações de coalas para especificar os grupos bacterianos que poderão estar envolvidos nesta doença. 

 

Fontes:

Legione AR, Amery-Gale J, Lynch M, Haynes L, Gilkerson JR, Sansom FM, Devlin, JM. Variation in the microbiome of the urogenital tract of Chlamydia-free female koalas (Phascolarctos cinereus) with and without 'wet bottom'. PLoS One. 2018 Mar 26;13(3):e0194881. doi: 10.1371/journal.pone.0194881. eCollection 2018