A microbiota intestinal

Microbiota intestinal: por que razão é tão importante para a nossa saúde?
Temos triliões1 de bactérias que povoam o nosso intestino, com poderes fascinantes para o corpo humano. Vamos perceber como funciona a nossa microbiota intestinal e porque temos de cuidar dela!

Publicado em 24 Agosto 2021
Atualizado em 06 Abril 2022

Sobre este artigo

Publicado em 24 Agosto 2021
Atualizado em 06 Abril 2022

Sumário

Sumário

O que é, exatamente, a microbiota intestinal humana?

Já provavelmente ouviu falar em “flora intestinal”. Pois bem, ela designa-se cientificamente “microbiota intestinal”. Consiste em triliões1 de (sidenote: Microrganismos Organismos vivos que são demasiado pequenos para serem vistos a olho nu. Incluem as bactérias, os vírus, os fungos, as arqueias, os protozoários, etc., e são vulgarmente designados "micróbios". What is microbiology? Microbiology Society. ) que habitam o nosso intestino, nomeadamente bactérias, vírus, fungos (incluindo leveduras) e até parasitas.

A propósito, microbiota e microbioma são duas palavras usadas frequentemente como sinónimas, mas que têm significado diferente: enquanto microbiota se utiliza para falar sobre os microrganismos e responder à pergunta “Quem está lá?”, basicamente ao nível dos “indivíduos”, microbioma aplica-se ao respetivo genoma, “ao que está dentro deles”2 para responder à pergunta “o que é que eles fazem”, referindo-se à sua função.

Cada um de nós tem uma microbiota única, como uma impressão digital.1 Quando nascemos, os microrganismos fecais e vaginais transmitidos pela nossa mãe durante o parto vaginal, ou os microrganismos ambientais no caso do parto por cesariana,3 induzem o início de colonização da nossa microbiota intestinal.4 Demora cerca de três anos até que a microbiota intestinal se constitua, diversifique e estabilize.5 Durante a idade adulta,6 a composição da mesma é relativamente estável até à velhice, altura em que atravessa de novo mutações profundas, tornando-se ligeiramente mais empobrecida.7

Porque é que a microbiota intestinal desempenha um papel importante para a nossa saúde?

A microbiota intestinal pode ser considerada um órgão funcional do corpo humano. Trabalha em estreita colaboração com os nossos intestinos e tem 4 papéis importantes:

Promove a digestão

ao ajudar à absorção pelas células intestinais dos nutrientes (açúcares, aminoácidos, vitaminas, etc.), ou à fermentação de uma pequena parte dos alimentos. Estes processos de fermentação produzem gases e vários metabolitos, incluindo ácidos gordos de cadeia curta, verdadeiro “combustível” para as células do nosso cólon.8

Desempenha um papel importante na maturação do aparelho digestivo,

ao ter intervenção ativa na produção do muco gastrointestinal, na irrigação das células intestinais e na atividade enzimática da mucosa.9

Funciona como barreira

contra os agentes patogénicos e as toxinas.10 Além disso, algumas bactérias libertam moléculas antimicrobianas que atacam as (sidenote: Agente patogénico Um agente patogénico é um microrganismo que provoca ou pode provocar uma doença Pirofski LA, Casadevall A. Q and A: What is a pathogen? A question that begs the point. BMC Biol. 2012 Jan 31;10:6. ) , enquanto outras estimulam a produção de muco para proteger as células intestinais de ataques e evitar os efeitos nocivos para o nosso corpo.11

Desempenha uma função defensiva

no desenvolvimento do sistema imunitário humano. As bactérias da flora intestinal participam na maturação e ativação das células do sistema imunitário do intestino, que por sua vez nos protege contra os ataques de agentes patogénicos como bactérias e vírus. O intestino é o principal reservatório de células imunitárias do nosso corpo. Por seu turno, o sistema imunitário influencia a composição e a diversidade da microbiota.12 

Quais são as doenças associadas a uma microbiota intestinal em desequilíbrio?

O que é uma microbiota intestinal desequilibrada?

A composição da microbiota intestinal caracteriza-se pela sua diversidade elevada (o número de espécies diferentes presentes em cada indivíduo) e pela sua abundância (o número total de microrganismos presentes). Quando a composição é alterada, o equilíbrio rompe-se e surge a (sidenote: Disbiose A "disbiose" não é um fenómeno homogéneo – varia em função do estado de saúde de cada indivíduo. É geralmente definida como uma alteração da composição e do funcionamento da microbiota, causada por um conjunto de fatores ambientais e relacionados com o indivíduo que perturbam o ecossistema microbiano. Levy M, Kolodziejczyk AA, Thaiss CA, et al. Dysbiosis and the immune system. Nat Rev Immunol. 2017;17(4):219-232. ) ,13 a qual pode ser associada a múltiplas doenças em todo o corpo. A disbiose é causa ou consequência dessas doenças? Esta pergunta ainda não recebeu resposta definitiva fornecida por estudos científicos.

 

    Vejamos algumas das doenças relacionadas com a disbiose intestinal: diarreia associada a antibióticos, cólica infantil, gastroenterite, síndrome do cólon irritável (SCI), ...

    • A cólica infantil14  afeta 20 a 25% das crianças com idade entre 1 e 4 meses      

    • A diarreia associada a antibióticos15 surge em entre 5 e 35% dos pacientes que tomam antibióticos 

    • A diarreia do viajante é uma infeção causada pela ingestão de alimentos contaminados. Pode ocorrer síndrome do intestino irritável pós-infeciosa em 3% a 17% dos pacientes que tenham sofrido esta infeção16

    • A gastroenterite, geralmente benigna e com mais frequência viral, é responsável por mais de 200.000 mortes de crianças por ano em todo o mundo17  

    • A obesidade é uma doença crónica vulgar, dispendiosa e grave, e afetava 13% da população adulta do mundo (11% dos homens e 15% das mulheres) em 201618.

    • A SCI (síndrome do cólon irritável) é uma das afeções gastrointestinais mais funcionais, sendo caraterizada por dor abdominal e alterações nos hábitos intestinais do hospedeiro (obstipação, diarreia ou alternância entre ambas). A sua prevalência varia bastante de país para país19.

    • A doença de Crohn é uma doença inflamatória do intestino, na qual a inflamação pode atingir todo o sistema digestivo, desde a boca até ao ânus. Estudos recentes comprovam que a microbiota intestinal desempenha uma função importante na etiopatogenia dessa doença20.

    • O cancro do estômago21  e o cancro colorretal22  são dois cancros gastrointestinais associados com a disbiose da microbiota intestinal. 

    Mas o papel da microbiota intestinal humana não se esgota no intestino: estudos recentes indicam que a microbiota intestinal pode ter um papel a desempenhar muito para além do trato gastrointestinal. De facto, a microbiota intestinal tem sido associada a várias doenças externas ao trato intestinal, por exemplo: acne,23 alergias24, obesidade,25, perturbações de ansiedade,26 perturbações do espectro autístico,26 etc., e ainda não é tudo. Parece que a microbiota intestinal poderá também estar associada a alterações neurodegenerativas, como as doenças de Alzheimer,27 ou de Parkinson.28 Efetivamente, existe comunicação bidirecional entre o intestino e o cérebro, o chamado “eixo intestino-cérebro”, e a microbiota intestinal poderá influenciar estas interações. É por isso que há por vezes quem chame ao intestino o nosso segundo cérebro.

    Como podemos cuidar da nossa microbiota intestinal? Podemos exercer influência direta sobre ela

    Agora já conhece o papel fulcral da microbiota intestinal na saúde humana. Então, como poderá cuidar da sua microbiota intestinal? Muitos estudos científicos suscitaram a questão de se saber como evitar qualquer perturbação na sua composição e mantê-la o mais equilibrada possível.29 A resposta é mais difícil do que introduzir simplesmente as bactérias ou leveduras boas para preencher ou enriquecer a microbiota existente, ou substituir as más. De facto, a ideia será influenciar a microbiota para ajudá-la a funcionar sem problemas, melhorando assim a saúde do hospedeiro.30

    Como? Há várias formas de se afetar positivamente o equilíbrio e a diversidade da microbiota intestinal, e cada uma delas tem as suas próprias características específicas:

    Dieta: a diversidade e qualidade daquilo que comemos contribui para o equilíbrio da nossa microbiota intestinal.31,32 Por outro lado, uma dieta mal equilibrada pode afetar a composição do nosso intestino e provocar várias doenças.33 É importante sabermos quais os tipos de alimentos que têm efeitos benéficos ou prejudiciais para mantermos o nosso intestino em forma!34

    Probióticos: os probióticos são microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, oferecem benefícios para a saúde do hospedeiro.35,36 Consulte aqui mais informações sobre como funcionam na nossa microbiota para melhorarem a nossa saúde

    Prebióticos: os prebióticos são fibras alimentares não digeríveis específicas que protegem a saúde e que são utilizadas seletivamente pelos microrganismos benéficos na microbiota do hospedeiro.37,38 Alguns alimentos são particularmente ricos em prebióticos, e é por isso que é importante prestarmos atenção à nossa dieta. Quando aos prebióticos são adicionados probióticos em alguns produtos específicos, designamo-los simbióticos.39

    Transplante: como no caso dos órgãos, a microbiota intestinal pode ser transferida para outra pessoa numa tentativa de restaurar o equilíbrio no seio do respetivo ecossistema microbiano intestinal.32 Conhecida por transplante de micobiota fecal (FMT), esta abordagem terapêutica só está homologada para a cura da Clostridioides difficile recorrente associada a doença,32 encontrando-se ainda sob investigação ativa para se avaliar seu efeito em outras afeções de saúde específicas, como a doença de Crohn, a colite ulcerosa, a síndrome do cólon irritável ou as doenças metabólicas,32 etc.. Consulte aqui mais informações

    Oh! E mais uma coisa...

    Agora que já leu tudo o que necessita de saber sobre a microbiota intestinal, temos também de lhe dizer que há microrganismos em todo o nosso corpo: na nossa pele,40 no trato urinário,41 na vagina,42 na boca,43 nos ouvidos,44 nos pulmões,45 e que, como no caso do intestino, esses microrganismos lá residentes desempenham um papel vital na manutenção do respetivo funcionamento, contribuindo para que nos mantenhamos saudáveis.

    Todas as informações neste artigo são provenientes de fontes cientificamente aprovadas. Informamos que não são exaustivas.

    BMI-21.10
    Fontes

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