Transplante fecal: as cápsulas orais são uma alternativa bem-vinda

Actu GP Greffe fécale : l’alternative bienvenue des gélules orales

A via de administração de um transplante fecal afeta a sua eficácia? Para responder a esta pergunta e preparar o caminho para um tratamento menos invasivo, uma equipa de investigadores do Canadá comparou a eficácia das cápsulas orais com a da colonoscopia, que é o tratamento padrão para prevenir recidivas da infeção por Clostridium difficile.

 

Embora seja geralmente benigna, a infeção causada pela bactéria C. difficile pode tornar-se muito perigosa e até, nalguns casos, letal. Afeta mais comumente doentes imunodeprimidos, o que faz das instalações de saúde um local ideal para a disseminação da bactéria. Esta infeção causa diarreia, por vezes muito grave, e pode recidivar apesar dos tratamentos antibióticos, aos quais a bactéria se torna resistente.

Transplante fecal: como é administrado?

Felizmente, o transplante fecal de microbiota é aproximadamente 90% eficaz no tratamento destas infeções recidivantes. Essa técnica antiga, que acaba de ser validada cientificamente, é um procedimento no qual as fezes de um dador saudável são colocadas no trato digestivo de um receptor doente, de forma a restabelecer o equilíbrio da sua flora intestinal. Uma equipa de investigadores do Canadá da Universidade de Alberta queria ir mais longe, comparando o tratamento padrão de colonoscopia com as promissoras cápsulas orais. A sua intenção era desenvolver uma solução muito menos desagradável para os doentes e melhorar significativamente o seu conforto.

Eficácia comparável

105 doentes adultos com a forma recidivante da infeção foram incluídos no ensaio clínico. O objetivo foi medir a eficácia do transplante oral de fezes, na esperança de obter resultados não inferiores aos da colonoscopia. Os resultados foram excelentes para ambas as vias de administração: em 96,2% dos casos, as recidivas foram prevenidas no período de 12 semanas após a administração do transplante como tratamento único. Além disso, a taxa de eventos adversos minor diminuiu e o custo foi aproximadamente três vezes menor para a via de administração oral. Embora o estudo não tenha mostrado uma clara diferença em termos de qualidade de vida, dois terços dos pacientes tratados com cápsulas qualificaram a sua experiência como “nada desagradável” em comparação com dois em cada cinco para aqueles que foram submetidos à colonoscopia. Todas estas conclusões permitiram que os cientistas confirmassem que o transplante fecal por cápsulas pode agora fazer parte do arsenal terapêutico para combater as infeções recidivantes por Clostridium difficile e começar um novo caminho para a redução de custos.

 

 A única indicação validada para TMF é a infecção recorrente associada ao Clostridioides difficile. Esta prática pode apresentar riscos para a saúde e deve ser realizada sob supervisão médica, não se reproduzir em casa!

 

Fontes:

Kao D., Roach B., Silva M. et al. Effect of Oral Capsule– vs Colonoscopy-Delivered Fecal Microbiota Transplantation on Recurrent Clostridium difficile Infection / A Randomized Clinical Trial - JAMA November 28, 2017 Volume 318, Number 20