Vaginose bacteriana: poderá haver em breve um transplante de microbiota vaginal?

O sucesso do transplante de microbiota fecal no tratamento de infeções recorrentes por Clostridium difficile poderá se estender ao transplante de microbiota vaginal no tratamento da vaginose bacteriana? Esse é o objetivo de uma equipa de investigadores americanos que espera conseguir explicar.

Publicado em 07 Julho 2020
Atualizado em 10 Novembro 2021
Actu GP : Vaginose bactérienne : bientôt une greffe de microbiote vaginal ?

Sobre este artigo

Publicado em 07 Julho 2020
Atualizado em 10 Novembro 2021

 

Uma microbiota vaginal saudável é caracterizada por uma diversidade bacteriana muito baixa e pela predominância de uma ou de algumas espécies de lactobacilos. Como se sabe, uma elevada diversidade e níveis reduzidos de lactobacilos desequilibram a microbiota, o que acontece no caso da vaginose bacteriana. Trata-se de uma infeção benigna, mas predispõe para infeções sexualmente transmissíveis, infeções do trato urinário, que aumentam o risco de parto prematuro. Embora eficazes a curto prazo, os antibióticos não previnem reincidências, que atingem uma taxa de 70% em 3 meses. Poderá o transplante de microbiota vaginal ser a solução?

Doadoras cuidadosamente selecionadas

Uma equipa americana pediu a 20 voluntárias que preenchessem um questionário-padrão com questões adicionais relacionadas com saúde e sexo: infeções vaginais, número de parceiros, uso de preservativos e método de contraceção. Após a conclusão de exames clínicos e biológicos que determinaram o seu estado infecioso, os investigadores analisaram a composição da sua microbiota vaginal. Este cuidadoso protocolo de seleção de doadoras permitiu-lhes determinar o “enxerto” ideal: secreções vaginais com um alto teor de lactobacilos, que levam a um pH ácido e garantem uma melhor proteção contra germes infeciosos.

Critérios de inclusão rigorosos

Os autores sugeriram estender o processo de seleção a muitas outras infeções, além das geralmente previstas em transplantes padrão e também recomendaram vários critérios de exclusão: exposição prévia ao vírus do herpes, historial de infeções recorrentes do trato urinário, presença de bactérias "estranhas" na microbiota vaginal. As doadoras também deveriam abster-se de relações sexuais durante pelo menos 30 dias antes da colheita da amostra, e não poderiam fazer nenhum tratamento hormonal. Assim, a proporção de mulheres elegíveis foi reduzida para 35% – um número que deveria ser ainda menor em condições reais. Além disso, as potenciais recetoras não devem ser dispensadas do despiste de IST, não como critério de exclusão, mas para garantir que recebem o acompanhamento pós-transplante mais seguro possível.

 

Old sources

Fontes

DeLong K, Bensouda S, Zulfiqar F et al. Conceptual Design of a Universal Donor Screening Approach for Vaginal Microbiota Transplant. Front. Cell. Infect. Microbiol. 2019 Aug 28;9:306.

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