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Por que é que que as mulheres com sangue do tipo A têm um risco menor de parto prematuro?

Parto prematuro
A microbiota vaginal

As mulheres com grupo de sangue A poderão estar melhor protegidas contra certas infeções. Porquê? Porque a vagina delas contém maior quantidade de uma bactéria benéfica chamada Lactobacillus crispatus.

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Sobre este artigo

Publicado em 09 Fevereiro 2026
Atualizado em 10 Fevereiro 2026

Mais de uma em cada 10 crianças em todo o mundo nasce de forma (sidenote: Prematuridade nascimento antes das 37 semanas de gravidez. Existem subcategorias de prematuridade, em função da idade gestacional:
- Extremos prematuros (menos de 28 semanas);
- Grandes prematuros (entre a 28.ª e a 32.ª semana);
- Prematuros intermédios e tardios (entre a 32.ª e a 37.ª semana). Fonte: OMS
)
. Uma equipa britânica, ao analisar os dados de milhares de mães jovens 1, descobriu que o grupo sanguíneo influencia a composição da microbiota vaginal materna e, por consequência, a imunidade e o resultado da gravidez: as mulheres do grupo A poderão estar mais protegidas contra determinados riscos de infeção devido à presença acrescida, na vagina, de uma bactéria benéfica, a Lactobacillus crispatus.

Como é que isso é possível?

Como provavelmente já sabe, os quatro principais grupos sanguíneos são A, B, AB e O. Estas letras indicam a presença, à superfície dos glóbulos vermelhos, de grandes moléculas de açúcar chamadas antigénios, do tipo A e/ou B (ou a sua ausência, no caso do tipo O). São grupos que determinam, por exemplo, a compatibilidade em caso de transfusão. 

Mas o que é pouco conhecido é que esses antigénios não são exclusivos do sangue: essas “marcas” também estão presentes noutras células (como as da vagina ou do colo do útero) e nos fluidos corporais (entre os quais as secreções vaginais e cervicais). Acontece que esses antigénios têm influência na sensibilidade às infeções, pois ajudam as bactérias a aderirem ou a se alimentarem: por exemplo, as pessoas do grupo O são estatisticamente mais vulneráveis à Helicobacter pylori, enquanto as do grupo B têm maior risco de infeções por certas bactérias, como a E. coli.

Actu GP : Endométriose : le microbiote vaginal comme outil prédictif de sévérité ? 15.01.2026 Sexualidade: a vida secreta da microbiota seminal-vaginal Mais informação

A cada grupo sanguíneo sua flora vaginal?

A investigação confirmou, portanto, que os antigénios A, B e O influenciam a composição da microbiota vaginal. De facto, as mulheres com sangue tipo A têm normalmente uma microbiota vaginal dominada pela L. crispatus, bactéria benéfica que se liga facilmente ao marcador A. O resultado direto dessa ligação é uma flora vaginal menos inflamatória e uma maior probabilidade de partos a termo. 

Pelo contrário, a L. crispatus encontra-se frequentemente em défice nas mulheres do tipo O, especialmente nas com alto risco devido a un parto prematura anterior, e nas mulheres do grupo sanguíneo B, que geralmente são mais propensas ao agente patogénico S. agalactiae, uma bactéria que se liga facilmente ao marcador B.

Alguns dados sobre o nascimento prematuro

  • Houve 13,4 milhões de bebés que nasceram prematuramente (antes das 37 semanas de gestação) em 2020 ².
     
  • A taxa de nascimentos prematuros em 2020 variou entre 4% e 16%, dependendo do país ².
     
  • Mais de 90% dos bebés prematuros extremos (com menos de 28 semanas de gestação) nascidos em países de baixos rendimentos morrem nos primeiros dias de vida, contra menos de 10% nos países com rendimentos elevados ².
     
  • Responsáveis por aproximadamente 900.000 óbitos em 2019, as complicações associadas à prematuridade são a principal causa de mortalidade nas crianças com menos de cinco anos ².
     
  • Três quartos dessas mortes seriam evitáveis com intervenções de rotina e dotadas de boa relação entre custo e eficácia ².

Nada de conclusões precipitadas

No entanto, não convém interpretar à letra estes resultados... nem negligenciar a flora vaginal só por que se pertence ao tipo A! O impacto do grupo sanguíneo no risco de parto prematuro não é grande, e está longe de ser tão importante quanto outros fatores, como a etnia (as mulheres africanas ou asiáticas estão mais expostas) ou os possíveis antecedentes. Esta descoberta deve ser interpretada, acima de tudo, como uma porta que se abre para possíveis terapias baseadas neste tipo de açúcares complexos, chamados antigénios, para prevenir os partos prematuros.

Parto prematuro: L. iners no banco dos réus Microbiota vaginal: indicador-chave do risco de prematuridade?

Leia o artigo
Fontes

1. Mountain KE, MacIntyre DA, Lee YS et al. ABO blood group antigens influence host-microbe interactions and risk of early spontaneous preterm birth. NPJ Biofilms Microbiomes. 2025 Sep 10;11(1):170.

2. https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/preterm-birth

Tags
Sangue Microbiota vaginal Gravidez Prematuridade Microbioma Flora Parto

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    Publicado em 09 Fevereiro 2026
    Atualizado em 10 Fevereiro 2026

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    Este conteúdo é referente a vários assuntos importantes. Descubra-os abaixo:

    Tópico principal

    Parto prematuro

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