Mar de plástico: uma ameaça para as bactérias marinhas

Um estudo australiano descreve como os lixiviados de plástico podem contribuir para “sufocar” os oceanos e a atmosfera, impedindo que algumas bactérias oceânicas produzam oxigénio.

Publicado em 13 Julho 2020
Atualizado em 28 Dezembro 2021
Actu GP : Océan de plastique : menace sur les bactéries marines

Sobre este artigo

Publicado em 13 Julho 2020
Atualizado em 28 Dezembro 2021

 

A lista dos estragos ambientais causados por resíduos plásticos que poluem os nossos oceanos, seja à superfície, seja em grandes profundidades, é cada vez maior à medida que avançam as investigações. Uma equipa de cientistas australianos acabou de juntar outro item a esta extensa lista: lixiviados de plástico, ou seja, poluentes líquidos produzidos por resíduos de plástico sob o efeito de água da chuva, entre outros, que transportam solventes, metais, corantes, filtros UV ou retardadores de chamas para os oceanos.

Um cocktail de bactérias e plásticos

Para avaliar o impacto desses poluentes líquidos nos organismos aquáticos, os investigadores concentraram-se nos “segundos pulmões” do nosso planeta. Ou seja, na Prochlorococcus, a bactéria mais abundante nos oceanos, que desempenham um papel fundamental ao produzir uma grande parte do oxigénio necessário. A Prochlorococcus foi então “cultivada” em meio aquático durante 72 horas, juntamente com dois tipos de plásticos comuns, o PEAD (polietileno de alta densidade) encontrado nos sacos de compras e o PVC (cloreto de polivinil) usado em embalagens e na construção.

O PVC é mais nocivo que o PEAD

Os investigadores concluíram, logo após 24 horas, que além de o crescimento de bactérias ter sido reduzido por lixiviados de plástico, também é prejudicada a capacidade de produzir oxigénio a partir da água e da luz (fotossíntese). O PVC revelou que esta é uma matéria bastante prejudicial por libertar mais de o dobro das substâncias do PEAD (mais de 10.000 versus cerca de 6.000). Entre os quais estão metais como o zinco, usados para tornar o PVC resistente às chamas, mas também outros "componentes orgânicos" (feitos de carbono) que podem ser prejudiciais à Prochlorococcus. Os investigadores consideram que são necessários estudos adicionais para avaliar os estragos causados por esta cobertura plástica líquida que continua a crescer apontando que as estimativas das a quantidade dos resíduos de plástico irão aumentar dez vez mais nos próximos dez anos.

 

Old sources

Fontes:

Tetu SG, Sarker I, Schrameyer V et al. Plastic leachates impair growth and oxygen production in Prochlorococcus, the ocean’s most abundant photosynthetic bacteria. Commun Biol. 2019 May 14;2:184.

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