Podemos avaliar o risco da obesidade infantil com base na flora intestinal?

A composição da microbiota intestinal de uma criança de dois anos de idade pode prever o risco futuro de desenvolver obesidade. Um estudo norueguês foi desenvolvido e seguramente abre novas perspetivas sobre a prevenção desta doença que não para de aumentar em todo o mundo.

Publicado em 06 Julho 2020
Atualizado em 14 Maio 2024

Sobre este artigo

Publicado em 06 Julho 2020
Atualizado em 14 Maio 2024

Embora uma má alimentação e níveis de atividade física reduzidos sejam fatores de risco inquestionáveis para o excesso de peso e obesidade, a microbiota intestinal também pode ter um papel importante. Segundo vários estudos, a composição da microbiota durante os primeiros dois anos de vida está relacionada com a progressão do peso durante no mesmo período. Um estudo recente analisa a composição da microbiota intestinal de 165 crianças norueguesas, bem como o (sidenote: Índice de Massa Corporal. Razão entre o peso em kg e o quadrado da altura em m. ) das suas mães durante a gravidez, e em seis momentos diferentes entre o nascimento e os dois anos de idade. A projeção do estudo quis relacionar os resultados com o IMC das mesmas crianças dez anos depois.

Uma microbiota "obesogénica" apesar de um IMC "normal"

Sabe-se que crianças cujo peso seja normal, o IMC permanece igual durante toda a infância; enquanto que em crianças obesas, o IMC aumenta constantemente entre os 2 e 12 anos. Contudo, os autores verificaram que apenas uma minoria extremamente pequena dessas crianças apresentou um IMC aos 2 anos de idade que anunciasse uma futura obesidade. Já em sentido contrário, foi observada uma forte associação entre a composição da microbiota aos 2 anos e o IMC aos 12 anos. Segundo a análise dos investigadores, o impacto do ecossistema intestinal no IMC excede em grande parte o de outros fatores conhecidos, tais como o tipo de parto, a duração do período de amamentação, a exposição a antibióticos ou vários fatores maternos, como tabagismo, IMC antes da gravidez ou nível de escolaridade.

Identificação precoce para uma melhor prevenção

Segundo os autores, ter uma microbiota intestinal “obesogénica” é preditivo de um aumento de peso durante vários anos e parece ser, principalmente, o resultado da transmissão direta de mãe para filho (excesso de peso ou obesidade na mãe, aumento de peso excessivo durante a gravidez…). Os investigadores sugerem que estes achados são um passo importante na direção de novas estratégias e mais direcionadas para prevenir a obesidade infantil, baseadas na identificação de crianças de alto risco antes dos dois anos de idade, numa altura em que o seu peso ainda está dentro dos parâmetros normais.

Old sources

Fontes:

Stanislawski MA, Dabelea D, Wagner BD, Iszatt N, Dahl C, Sontag MK, Knight R, Lozupone CA, Eggesbø M. Gut Microbiota in the First 2 Years of Life and the Association with Body Mass Index at Age 12 in a Norwegian Birth Cohort. MBio. 2018 Oct 23;9(5).

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