Carne vermelha e doenças cardiovasculares: o papel da microbiota intestinal

Por que razão as pessoas que comem muita carne vermelha têm um risco cardiovascular mais elevado? Provavelmente devido aos seus níveis aumentados de TMAO no sangue, uma molécula produzida por bactérias da microbiota intestinal, de acordo com um estudo publicado no European Heart Journal.

Publicado em 07 Julho 2020
Atualizado em 29 Novembro 2021
Actu GP : Viande rouge et maladies cardiovasculaires : le rôle du microbiote intestinal

Sobre este artigo

Publicado em 07 Julho 2020
Atualizado em 29 Novembro 2021

 

A composição da microbiota intestinal já demonstrou, em modelos animais, poder estar associada a um risco aumentado de eventos cardíacos que podem ser fatais. Algumas bactérias intestinais têm a capacidade de degradar três substâncias (colina, fosfatidilcolina e carnitina) encontradas nos ovos e principalmente na carne vermelha. O produto dessa degradação é então transportado para o fígado, onde é transformado em N-óxido de trimetilamina (trimethylamine N oxide - TMAO), uma molécula altamente pró-inflamatória que acelera o desenvolvimento da (sidenote: aterosclerose Placas de gordura no revestimento interno das artérias, que levam à obstrução do fluxo sanguíneo e ao endurecimento dos vasos sanguíneos. ) , que é também um dos fatores de risco conhecidos para as doenças cardiovasculares. Ou seja, uma dieta rica em carne, ovos e mais geralmente em precursores de TMAO, pode, dessa forma, aumentar o risco cardiovascular.

Comparação de três dietas

Para avaliar esta hipótese, 113 voluntários foram submetidos a três tipos de regimes alimentares com o mesmo valor calórico, contendo um quarto de proteínas de três fontes diferentes: carne vermelha, carne branca (aves) ou alimentos vegetais (leguminosas, nozes, sementes). Cada participante seguiu as três dietas durante períodos de quatro semanas, separadas por períodos de “washout” com duração de 2 a 7 semanas, durante as quais seguiram uma dieta normal. Os níveis de TMAO no sangue e na urina foram medidos durante cada uma das três dietas.

Poupe a sua microbiota do excesso de carne vermelha

Após um mês, verificou-se que os níveis de TMAO no sangue estavam três vezes mais elevados no grupo da "carne vermelha" do que nos outros dois grupos. Esse aumento foi provocado pela maior produção de TMAO por parte das bactérias intestinais devido à carnitina presente na carne vermelha e devido à menor excreção de TMAO pelos rins. A boa notícia é que o aumento do TMAO é completamente reversível e desaparece rapidamente quando a carne vermelha é substituída por carne branca ou proteínas vegetais. Segundo os investigadores, estas descobertas explicam o aumento do risco de doenças cardiovasculares e morte prematura observada em pessoas que comem muita carne vermelha e as chamadas “carnes frias”, como o fiambre, o paio ou o chouriço. Modificar os hábitos alimentares pode contribuir para preservar a microbiota e evitar os riscos que podem ocorrer devido a este tipo de doenças.

 

Old sources

Fontes: 

Wang Z et Bergeron N, Levison BS et al. Impact of chronic dietary red meat, white meat, or non-meat protein on trimethylamine N-oxide metabolism and renal excretion in healthy men and women. European Heart Journal 2019 Feb 14;40(7):583-594.

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