A ansiedade crónica poderá ser influenciada pelas bactérias intestinais?
Afectariam mais de uma em cada cinco pessoas (com idades compreendidas entre os 18 e os 65 anos) pelo menos uma vez ao longo da vida.14 Os antecedentes familiares aumentam a vulnerabilidade, mas as pessoas sem predisposição também não estão a salvo. Pelo menos em parte, a ansiedade crónica está associada a processos inflamatórios possivelmente favorecidos pelas bactérias intestinais. Preocupação constante e excessiva, difícil de controlar, ataques de pânico imprevisíveis e recorrentes, perturbações obsessivo-compulsivas, síndrome de stress pós-traumático… As perturbações de ansiedade correspondem a diferentes doenças cujo denominador comum é o medo. Prisioneiros das suas angústias, os doentes adotam estratégias de evitação desproporcionadas.
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Sobre este artigo
Entre outras causas: mais uma vez, essa mesma disbiose intestinal! Esta provocaria um aumento da permeabilidade da parede intestinal, seguido de uma perturbação da resposta ao stress, bem como um aumento da atividade inflamatória.
Todos os caminhos conduzem à microbiota15
Neste processo, existe consenso quanto à influência das bactérias intestinais. Mas, de acordo com os estudos, a microbiota exerceria ou um efeito ansiogénico ou, pelo contrário, ansiolítico16. Com efeito, a administração de antibióticos — que perturba e empobrece a flora digestiva — estaria associada ao aparecimento de perturbações de ansiedade ou, inversamente, a uma diminuição da ansiedade nos animais.
Uma flora testada «à cega»
Nos animais, os antibióticos parecem atenuar a ansiedade durante o período de tratamento. O reverso da medalha: uma perturbação precoce da microbiota intestinal causada pelos antibióticos pode levar a uma alteração do comportamento que persiste na idade adulta17,18. Além disso, certas estirpes probióticas teriam um efeito ansiolítico. Por fim, o transplante de microbiota fecal permitiria reduzir o nível de ansiedade19. Todos estes resultados ainda têm de ser confirmados em humanos.
Como comer para manter a calma?
Os alimentos fermentados, como o queijo, os iogurtes, o kefir, o kombuchá ou ainda o molho de soja, são excelentes fontes ricas em probióticos e prebióticos. Parecem atuar como anti-inflamatórios, reforçando a integridade da barreira intestinal, melhorando a composição e as funções das bactérias intestinais e estimulando as células imunitárias ao nível digestivo. Os probióticos diminuem a frequência e a gravidade dos sintomas de ansiedade em ratos; nos seres humanos, reduzem os níveis de cortisol na urina21. O leite fermentado provoca alterações na atividade cerebral nas regiões responsáveis pelas emoções e pela dor em pessoas saudáveis e sem perturbações psiquiátricas.
Cuidar – O corpo e a mente20
Um psicobiótico é um organismo vivo (uma bactéria, por exemplo) cuja ingestão produz um efeito benéfico para a saúde de doentes que sofrem de doenças psiquiátricas, psíquicas ou neurológicas.
Em suma, trata-se de um probiótico que teria propriedades psicotrópicas e que regularia o eixo intestino-cérebro ao:
responsáveis por transmitir informação ao cérebro
entre o cérebro e o intestino
entre o consumo e o gasto energético
de bactérias patogénicas no estômago e no intestino
no trato digestivo
a barreira intestinal
14 www.anxiete.fr
15 Aslam H, et al. Fermented foods, the gut and mental health: a mechanistic overview with implications for depression and anxiety. Nutr Neurosci 2018
16 https://dumas.ccsd.cnrs.fr/dumas-01845349/document
17 Leclercq S, Mian FM, Stanisz AM, et al. Low-dose penicillin in early life induces longterm changes in murine gut microbiota, brain cytokines and behavior. Nat Commun 2017
18 Tochitani S, Ikeno T, Ito T, et al. Administration of non- absorbable antibiotics to pregnant mice to perturb the maternal gut microbiota is associated with alterations in offspring behaviour. PLoS One. 2016 Jan
19 Bercik P, et al. The intestinal microbiota affects central levels of brain-derived neurotropic factor and behavior in mice. Gastroenterology 2011
20 Misra S, Mohanty D. Psychobiotics: A new approach for treating mental illness? Critical Reviews in Food Science and Nutrition
21 Aslam H, et al. Fermented foods, the gut and mental health: a mechanistic overview with implications for depression and anxiety. Nutr Neurosci 2018
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