Microbiota: As Bactérias Que Perfumam As Axilas

As bactérias presentes na pele das nossas axilas podem influenciam o seu odor. Odores que se descreve como uma questão de quantidade em vez de qualidade. Ao que tudo indica a idade tem influência nesta microbiota, segundo um estudo japonês.

O cheiro que provém das axilas está diretamente relacionado com as bactérias presentes na microbiota daquela zona. Na realidade, a transpiração não tem odor: são as enzimas produzidas pelas bactérias que lá habitam que transformam várias substâncias do organismo (proteínas, ácidos gordos, ácido lático, lipídios na pele, etc.) em odores, por vezes pouco agradáveis.

Leite ou cominhos: duas classificações

Neste estudo, os investigadores decidiram caracterizar a microbiota axilar de cerca de vinte homens japoneses, com uma média de idades de 37 anos, tendo os mesmos sido divididos em dois grupos de acordo com o tipo de odor: O grupo “C” (de cominhos - um odor acentuado e picante) e “L” (de “leitoso” - um cheiro mais neutro, semelhante ao leite). De salientar que essa classificação foi realizada por quatro especialistas responsáveis por uma avaliação olfativa direta - a ciência é uma questão de entusiastas! Os participantes foram submetidos a um protocolo rigoroso: não usar qualquer desodorizante nos três dias anteriores à coleta de amostras de flora, não tomar banho e não comer nenhum prato condimentado ou bebida alcoólica no dia anterior. Não fumar no próprio dia.

Um caso particular

Os investigadores concluíram que a microbiota axilar dos dois grupos era semelhante, com predominância dos géneros Anaerococcus, Corynebacterium, Staphylococcus, Moraxella e Peptoniphilus. Contudo, houve uma exceção num dos indivíduos do grupo “C”, o mais jovem (com 18 anos), que apresentaram uma microbiota composta principalmente por Staphylococcus. Essa observação designa que a idade pode influenciar a composição microbiana - daí o odor - das axilas masculinas.

Uma questão de perfume público

Na realidade, os cientistas concluíram que as exalações axilares dependem mais do volume do que da composição bacteriana. Ou seja, os indivíduos com odor semelhante ao dos cominhos abrigavam mais bactérias do que indivíduos com odor mais neutro. Embora estes resultados sejam parcialmente concordantes com os de estudos recentes realizados na Alemanha, Bélgica e Suíça, os autores apelam para que mais investigações deste tipo sejam realizadas, de forma a poder identificar possíveis determinantes do odor axilar relacionados com a etnia ou sexo. Este é, sem dúvida, um tema de investigação importante para a indústria de produtos cosméticos e de higiene, em particular na terra do Sol Nascente, onde a “caça” ao odor é cada vez mais um desporto nacional.

 

Fontes:

Okamoto H et al., Characterization of the Axillary Microbiota of Japanese Male Subjects with Spicy and Milky Odor Types by Pyrosequencing, Biocontrol Sci 2018 ;23(1):1-5