Covid-19 e perda do olfato: reabilitação olfativa e microbiota nasal, duas pistas para se reencontrar o faro?

A perda do olfato é um dos sintomas clássicos da Covid-19. Particularmente penalizante, este transtorno é também muito incapacitante para as pessoas afetadas. Estão em curso ações que combinam uma reabilitação olfativa diária com uma investigação da microbiota nasal para se ajudar os pacientes a recuperarem o olfato. 

Publicado em 27 Abril 2021
Atualizado em 01 Dezembro 2021

Sobre este artigo

Publicado em 27 Abril 2021
Atualizado em 01 Dezembro 2021

Perdas de olfato (anosmia ou hiposmia), de paladar (ageusia)... a Covid-19 dá cabo dos nossos sentidos. Quase um paciente sintomático em cada dois apresentará tais sintomas1, com grandes variações em função da origem étnica, uma vez que os caucasianos são 3 vezes mais afetados por distúrbios sensoriais que os asiáticos2. Entre esses pacientes, as alterações sensoriais revelam-se graves. De acordo com uma sondagem multilingue realizada junto de 4.039 pacientes de Covid-19 em todo o mundo, estes declaram ter perdido, em média, 80% do olfato e 70% do paladar3.

Treinar diariamente para reencontrar o olfato

No entanto, a anosmia não se limita infelizmente aos casos, frequentemente transitórios, relacionados com a Covid-19. Os traumatismos cranianos, as inflamações nasais, as alergias ou até mesmo a idade avançada podem provocar a perda do olfato. Razão? Uma deterioração das células sensoriais que revestem as cavidades nasais e que são responsáveis pela deteção dos odores. Para tentarem combater a anosmia, investigadores austríacos pedem aos pacientes não só para cheirarem, mas também para visualizarem diferentes odores (limão, rosa, etc.) 2 vezes por dia. E os resultados são positivos: os pacientes reencontram o "faro" após 6 meses de treino e formação. Além disso, as imagens por ressonância magnética mostram que as áreas do cérebro dedicadas ao olfato se encontram parcialmente restauradas.

A microbiota nasal passada a pente fino

Além dessa reabilitação, os cientistas procuraram determinar a influência dos microrganismos que habitam as fossas nasais. E demonstraram ter faro apurado! Observaram uma maior diversidade de bactérias no nariz dos pacientes cujo olfato se apresenta menos eficiente do que o normal. Entre elas, há mesmo uma bactéria que se suspeita que altere o desempenho olfativo. Encorajada por estes resultados, a equipa monitoriza à lupa se a reabilitação dos pacientes também modifica o equilíbrio da sua microbiota nasal. Os resultados ainda não são conhecidos, mas despertam as mais elevadas expectativas: a possibilidade de serem encontrados microrganismos capitais capazes de restaurar o olfato ou mesmo de indicar o tratamento mais adequado para fazer cessar a anosmia.

Fontes

1. Dysfonctionnement olfactif (43,0%), dysfonctionnement gustatif (44,6%) et dysfonctionnement chimiosensoriel global (47,4%).

2. von Bartheld CS, Hagen MM, Butowt R. Prevalence of Chemosensory Dysfunction in COVID-19 Patients: A Systematic Review and Meta-analysis Reveals Significant Ethnic Differences. ACS Chem Neurosci. 2020 Oct 7;11(19):2944-2961. 

3. Parma V, Ohla K, Veldhuizen MG et al. More Than Smell—COVID-19 Is Associated With Severe Impairment of Smell, Taste, and Chemesthesis. Chem Senses. 2020 Oct 9;45(7):609-622. 

Scilog. Training can help recover from lost sense of smell. 11 Jan 2021. 

https://scilog.fwf.ac.at/en/biology-and-medicine/12982/training-can-help-recover-lost-sense-smell

Christine Moissl-Eichinger :

https://forschung.medunigraz.at/fodok/suchen.person_uebersicht?sprache_in=en&menue_id_in=101&id_in=20068

Florian Ph. S. Fischmeister :

https://online.uni-graz.at/kfu_online/wbForschungsportal.cbShowPortal?pPersonNr=119322 ​​​​​​​

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