Brasil 2026: conhecimentos e comportamentos sobre a microbiota
A pesquisa foi realizada pela Ipsos com 7.500 pessoas em 11 países (Brasil, França, Portugal, Polônia, Finlândia, Itália, Alemanha, Estados Unidos, México, China e Vietnã).
Brasil e microbiota: forte envolvimento dos profissionais de saúde, mudanças comportamentais moderadas e espaço para avanços na conscientização sobre os primeiros 1.000 dias.
Resumo dos resultados da pesquisa brasileira
Em 2026, o Brasil apresenta um perfil equilibrado e acima da média. Com 70% de conscientização, índices de capacitação dos profissionais de saúde acima da média e 53% de mudança comportamental, o Brasil apresenta desempenho consistentemente próximo ou acima da média global na maioria dos indicadores. Os profissionais de saúde brasileiros estão entre os educadores mais engajados do estudo, significativamente mais do que seus colegas europeus. Uma área com espaço para melhorias é a ampliação da capacitação dos profissionais de saúde sobre o conceito dos primeiros 1.000 dias.
1. Os brasileiros demonstram um bom conhecimento sobre a microbiota, em linha com a média global
70% dos entrevistados brasileiros já ouviram falar da microbiota, um número próximo à média global de 72% e estável em relação a 2025. O Brasil apresenta um nível de conhecimento acima da média sobre vários tipos específicos de microbiota, principalmente a microbiota vaginal.
dos brasileiros já ouviram falar do termo microbiota
(estável vs. 2025)
1 em cada 4 deles sabe exatamente o que é a microbiota
(em comparação com 24% em nível global)
mais da metade conhece a microbiota intestinal
(em comparação com 63% em nível global)
Alto nível de conhecimento sobre os diferentes tipos de microbiota
Os entrevistados brasileiros demonstram um nível de conhecimento acima da média sobre vários tipos de microbiota:
- 56% conhecem a microbiota vaginal, um percentual acima da média global (51%);
- 54% conhecem a microbiota oral, um percentual acima da média global (52%);
- 49% conhecem a microbiota da pele (contra 50% globalmente);
- 48% conhecem a microbiota pulmonar, um percentual acima da média global (44%).
Saiba mais
Saiba tudo sobre a microbiotaConhecimento sólido sobre a microbiota, apesar de algumas lacunas
Os entrevistados brasileiros demonstram compreensão sólida dos conceitos gerais:
- 74% sabem que a alimentação tem consequências significativas no equilíbrio da microbiota;
- 68% sabem que os antibióticos afetam a microbiota;
- 66% associam corretamente a síndrome do intestino irritável (SII), a obesidade e a vaginose à microbiota.
Mas, assim como na maioria dos países, surgem lacunas em temas mais específicos:
2. Os brasileiros mudam seus hábitos para proteger sua microbiota
53% dos entrevistados brasileiros mudaram seus hábitos para proteger o equilíbrio da microbiota, o que está exatamente em linha com a média global. O perfil comportamental do Brasil é amplamente consistente entre os indicadores, com alguns destaques notáveis:
dos brasileiros mudaram seus hábitos para proteger sua microbiota
(em comparação com 53% em nível global)
mais da metade considera que sua microbiota intestinal está bem equilibrada
(em comparação com 59% em nível global)
dentre eles, há quem não fume ou tenha parado de fumar
(em comparação com 52% em nível global)
Onde os hábitos brasileiros são fortes
Os entrevistados brasileiros apresentam consistentemente um bom desempenho em hábitos básicos de saúde que contribuem indiretamente para o equilíbrio da microbiota:
Hábitos que poderiam ser reforçados
Apesar dessas bases sólidas, os hábitos de suplementação e alimentação voltados para a microbiota poderiam ser aprimorados:
Apenas metade dos brasileiros afirma consumir alimentos fermentados regularmente (51% contra 67% no mundo), e 3 em cada 4 consomem alimentos ultraprocessados pelo menos uma vez por mês (74% contra 66% no total).
No que diz respeito à suplementação, 41% dos brasileiros consomem probióticos e 37% consomem prebióticos — ambos os índices ficam abaixo das médias globais de 42% e 38%, respectivamente.
No entanto, persiste um comportamento notável: 60% adotam o hábito de se lavar duas vezes por dia ou mais — bem acima da média global de 30% —, um hábito que pode afetar negativamente a microbiota da pele.
Como manter uma microbiota saudável?
Saiba mais
3. Os profissionais da área da saúde são ativos e inspiram confiança, apresentando índices de conhecimento sobre a microbiota acima da média
96% dos entrevistados brasileiros confiam nos profissionais de saúde como uma de suas principais fontes de informação sobre a microbiota. E, ao contrário do que ocorre na maioria dos países europeus, os profissionais de saúde brasileiros parecem transformar essa confiança em ação: em todos os indicadores de educação transmitida, o Brasil apresenta desempenho acima da média global.
dos brasileiros confiam nos profissionais de saúde como uma de suas principais fontes de informação sobre a microbiota
(contra 94% em nível global)
deles receberam uma explicação sobre o que é a microbiota
(em comparação com 39% em nível global)
receberam todas as informações essenciais sobre a microbiota de seus profissionais de saúde
(em comparação com 23% em nível global)
O que os profissionais de saúde brasileiros sabem e compartilham com seus pacientes sobre a microbiota
Os profissionais de saúde brasileiros abordam uma gama mais ampla de temas relacionados à microbiota do que seus colegas europeus:
51% dos entrevistados foram orientados por seus profissionais de saúde sobre a importância de preservar o equilíbrio da microbiota (contra 43% globalmente). Da mesma forma, 52% receberam orientações sobre comportamentos a serem adotados (contra 43% globalmente). E 53% receberam prescrição de probióticos ou prebióticos de seus profissionais de saúde (contra 51% globalmente).
Antibióticos: que impacto na microbiota e na saúde?
Saiba maisA lacuna na prescrição de antibióticos
- 32% dos entrevistados foram informados por seus profissionais de saúde de que os antibióticos poderiam afetar negativamente o equilíbrio de sua microbiota (contra 39% globalmente);
- 42% foram informados sobre distúrbios digestivos associados aos antibióticos;
- 36% receberam prescrição conjunta de probióticos e antibióticos (contra 38% globalmente);
- Apenas 22% receberam todas as informações essenciais sobre a microbiota relacionadas aos antibióticos (contra 25% globalmente).
4. Os primeiros 1.000 dias: um tema ainda pouco conhecido entre os pais brasileiros
A análise sobre os primeiros 1.000 dias aponta que há espaço para melhorias na educação dos pais sobre a microbiota no Brasil. Cerca de 37% dos pais e mulheres grávidas brasileiros já ouviram falar do conceito (abaixo da média global de 43%), mas 31% dos pais receberam todas as informações essenciais do pediatra (em linha com a média global).
dos pais/mulheres grávidas brasileiros conhecem o conceito dos primeiros 1.000 dias
(contra 43% em nível global)
deles afirmaram saber exatamente o que isso signific
(contra 15% globalmente)
afirmaram ter recebido informações sobre o desenvolvimento precoce da microbiota por um profissional de saúd
(contra 39% globalmente)
Equívocos significativos entre os pais brasileiros
- Apenas 11% dos pais sabiam que a microbiota do bebê não começa a se desenvolver dentro do útero materno;
- 74% não sabem que, aos 5 anos de idade, a microbiota intestinal ainda não se assemelha à de um adulto;
- 39% não conhecem o impacto do uso precoce de antibióticos no desenvolvimento da microbiota intestinal infantil, um percentual ligeiramente superior à média global de 35%;
- Apenas 1 em cada 3 sabe que o contato com animais de estimação durante os primeiros anos de vida influencia a microbiota intestinal.
No Brasil, há um alto nível de confiança nos profissionais de saúde. Esses profissionais são muito ativos na educação dos pacientes sobre a microbiota. No entanto, no que diz respeito aos primeiros 1.000 dias, o Brasil está em linha com os padrões globais nesse indicador, com espaço para melhorias.
Metodologia
Esta quarta edição do Observatório Internacional da Microbiota foi realizada pela Ipsos com 7.500 pessoas em 11 países (França, Portugal, Polônia, Finlândia, Itália, Alemanha, EUA, Brasil, México, China e Vietnã), entre 3 de fevereiro e 13 de março de 2026. As amostras são representativas da população com 18 anos ou mais, por meio de amostragem por cotas (gênero, idade, região, categoria socioprofissional). A significância estatística é calculada com um nível de confiança de 95%. A pesquisa durou dez minutos.
O questionário abordou: a conscientização e o conhecimento sobre a microbiota; as informações recebidas dos profissionais de saúde; os comportamentos; o conhecimento das mulheres sobre a microbiota vaginal; o conhecimento dos pais sobre os primeiros 1.000 dias de vida; e dados de saúde.
BMI-26.32