Cancro do pâncreas: a microbiota oral poderá ajudar a prever o risco
Um extenso estudo americano revela que um desequilíbrio nas populações microbianas que vivem na boca pode triplicar o risco da ocorrência de cancro no pâncreas. Uma importante descoberta que poderá possibilitar uma deteção mais precoce e não invasiva da doença.
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Sobre este artigo
Será que num futuro próximo vai ser possível prever o risco de cancro no pâncreas a partir de uma simples amostra obtida na boca? É provável que sim, de acordo com um novo estudo publicado na revista JAMA Oncology 1. Esse estudo levanta a hipótese de uma possível relação entre um desequilíbrio nos fungos e bactérias que vivem na boca e o surgimento desse tipo de cancro.
Para o demonstrar, os autores basearam-se nos registos clínicos e nas amostras de microbiota oral de 122.000 pessoas seguidas durante 9 anos, 445 das quais vieram a contrair cancro do pâncreas.
Determinadas bactérias associadas a um risco acrescido
Em primeiro lugar, descobriram que a presença na boca de três bactérias associadas à gengivite e à periodontite (Porphyromonas gingivalis, Eubacterium nodatum e Parvimonas micra) surgia associada a um risco mais elevado de cancro do pâncreas.
Graças à sequenciação completa do genoma dos micróbios bucais, a equipa identificou um total de 13 espécies bacterianas associadas a um aumento do risco, enquanto há oito que aparentemente exercem um efeito protetor.
O papel fundamental dos fungos Candida
O estudo não se limitou às bactérias: a microbiota fúngica, há muito negligenciada, também foi analisada. Os cálculos dos investigadores demonstram que uma maior abundância de Candida, o fungo com maior presença na cavidade oral, apresenta uma relação significativa com um risco acrescido de cancro do pâncreas.
Os investigadores constataram também a presença de fungos Candida nos tecidos tumorais, o que corrobora a hipótese de uma possível migração deste microrganismo da boca para o pâncreas.
Rumo a um biomarcador preditivo
Combinando todas as espécies microbianas identificadas, os investigadores conceberam um “microbial risk score” (índice de risco microbiano). Resultado: Cada aumento de um desvio padrão neste índice está associado a um risco quase 3,5 vezes maior de cancro do pâncreas.
Em conjunto, estes dados indicam claramente que a microbiota oral contribui efetivamente para o surgimento do cancro do pâncreas.
Será que uma melhor saúde orodentária permitirá a sua prevenção? Será necessário realizar mais estudos para se chegar a uma conclusão.
De qualquer forma, a microbiota oral poderá um dia servir como biomarcador simples e não invasivo para identificar precocemente as pessoas com maior risco de contrair esse temido cancro.
Sabia que...
- A taxa de sobrevivência em 5 anos para o cancro mortal é de 13%.
- O número de mortes em todo o mundo em 2020 é de 495,773 2.
- A incidência triplicou entre as mulheres em 30 anos (e duplicou entre os homens) 3.