Abra a boca e diga «ah»: o novo teste de diagnóstico para o autismo?

Actu GP Tirer La Langue Pour Diagnostiquer L’autisme

Uma equipa de investigadores chineses demonstrou pela primeira vez uma ligação entre os transtornos do espectro do autismo e as alterações na flora oral em crianças. Um simples teste de saliva poderá ser usado para diagnosticar o autismo.

 

Digestão de hidratos de carbono comprometida

Uma das diferenças significativas foi a evidente depleção de bactérias Prevotella na placa dentária de doentes autistas. Prevotella é uma bactéria «amigável» presente no nosso intestino e que ajuda a produzir vitaminas e a digerir certos tipos de sacarídeos presentes em cereais, frutas e vegetais. Esta observação pode explicar, em parte, a razão pela qual as pessoas com TEA apresentam frequentemente distúrbios intestinais associados a deficiências no metabolismo dos sacarídeos.

Bactéria Nocivas

Também descobriram que as bactérias patogénicas eram significativamente mais abundantes em crianças com TEA: mais bactérias do género Haemophilus, que inclui espécies conhecidas por causarem meningite; e também mais bactérias do género Streptococcus, responsáveis por dores de garganta e que podem estar envolvidas na síndrome de Tourette ou na doença de Parkinson, de acordo com vários estudos. Quando a microbiota oral é alterada, a lavagem dos dentes ou a mastigação podem permitir que essas bactérias «nocivas» sejam libertadas na corrente sanguínea, alcançando posteriormente o cérebro e desempenhando, potencialmente, um papel na progressão da doença. E é interessante notar que as crianças com TEA frequentemente têm uma má higiene oral, devido à falta de destreza manual ou às dificuldades encontradas pelos pais em estabelecer hábitos de higiene adequados.

Os testes de rastreio podem estar disponíveis em breve?

Por fim, esta análise detalhada permitiu que os investigadores desenvolvessem uma ferramenta de diagnóstico, associada à gravidade dos transtornos do espectro do autismo, cuja eficácia é superior a 96%. A amostragem da microbiota oral é mais prática e menos desagradável do que a recolha de fezes e pode ser usada como primeiro teste laboratorial para TEA, cujo diagnóstico se baseia atualmente em observações clínicas mais do que em testes científicos.

 

Sources :

Qiao et al. Alterations of oral microbiota distinguish children with autism spectrum disorders from healthy controls. Scientific reports 2018 ; 8 :1597