Resistência aos antibióticos: uma ameaça mundial, uma resposta global

No futuro, a resistência aos antibióticos pode comprometer um século de progresso médico.1 É uma verdadeira bomba-relógio sanitária, estando, desde 2015, na mira da OMS, que organiza todos os anos a Semana Mundial de Consciencialização sobre o Uso de Antibióticos (18–24 de novembro). O Microbiota Institute participa ativamente nesta iniciativa durante todo o mês de novembro com a difusão e partilha de conteúdos exclusivos sobre o impacto dos antimicrobianos na microbiota intestinal. Visão geral.  

Publicado em 29 Outubro 2021
Atualizado em 22 Fevereiro 2022

Sobre este artigo

Publicado em 29 Outubro 2021
Atualizado em 22 Fevereiro 2022

Por um lado, surge uma descoberta científica extraordinária que permite salvar milhões de vidas. Por outro lado, observa-se uma utilização excessiva e, por vezes, inadequada que pode fazer com que surjam muitas resistências nos micro-organismos (por exemplo, nas bactérias, nos vírus, nos parasitas e nos fungos). Isto faz com que os antimicrobianos, que foram concebidos para curar, sejam cada vez menos eficazes e com que haja o risco de estes deixarem de conseguir curar-nos de infeções, no futuro, se não se fizer nada para o evitar. 

A resistência aos antimicrobianos será, desta forma, responsável por cerca de 700 000 mortes a nível mundial todos os anos.2  Se nada mudar, as doenças infeciosas poderão tornar-se, em 2050, uma das principais causas de mortalidade no mundo, provocando até 10 milhões de mortes.2

700,000 A resistência antimicrobiana se tornaria responsável por quase 700.000 mortes anuais em todo o mundo

Perante este flagelo, a OMS organiza a resposta mundial. Desde 2015, entre os dias 18 e 24 de novembro, a OMS organiza a Semana Mundial de Consciencialização sobre o Uso de Antibióticos, com o objetivo de dar a conhecer melhor este fenómeno mundial e incentivar o público em geral, os profissionais de saúde e os decisores a utilizarem razoavelmente os antibióticos para evitar que a resistência aos antibióticos ganhe terreno. 

O Microbiota Institute, verdadeiro ponto de confluência de conhecimentos dedicado à microbiota, é um parceiro ativo do evento deste 2020. Ao longo de todo o mês de novembro, este instituto convida-o a descobrir as consequências a médio e longo prazo dos antibióticos para a microbiota humana através de artigos, notícias e vídeos de especialistas. Eis um exemplo. Vejamos o exemplo dos antibióticos. Apesar da eficácia reconhecida dos antibióticos contra as bactérias (são inúteis em caso de infeção viral)3, estes medicamentos afetam negativamente o equilíbrio da nossa microbiota intestinal. Este desequilíbrio, mais conhecido como disbiose, está associado a alguns problemas bem conhecidos, tais como a diarreia associada a antibióticos. Mas ainda há mais! Também se suspeita de que a toma de antibióticos aumenta o risco de desenvolvimento de muitas doenças crónicas (alergias, asma, obesidade, doenças inflamatórias crónicas do intestino, etc.), principalmente se os antibióticos forem prescritos numa fase precoce durante a infância. É possível resolver esta situação? Sim! Em primeiro lugar, é preciso privilegiar a utilização certa e adequada. Não tome estes medicamentos se não tiverem sido prescritos por um profissional de saúde. Respeite a dose, a posologia e a duração do tratamento e não os partilhe com outra pessoa.4

Além disso, lembre-se de que os antibióticos não são automáticos!

Fontes

1. No Time to Wait: Securing the future from drug-resistant infections. Report to the secretary-general of the united nations. Avril 2019. 

2. Tackling drug-resistant infections globally: final report and recommendations; May 2016. 

3. Improving Antibiotic Use. Material Developed by CDC Using CDC materials does not imply endorsement or recommendation by CDC, ATSDR, HHS or the United States Government

4. Taking your Antibiotics. Material Developed by CDC  Using CDC materials does not imply endorsement or recommendation by CDC, ATSDR, HHS or the United States Government 

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