Doenças gastrointestinais funcionais

As Doenças Gastrointestinais Funcionais (DGF), são as perturbações intestinais mais comuns, e caracterizam-se um conjunto de sintomas digestivos crónicos que não são explicáveis por nenhuma anomalia anatómica detetável. 

Publicado em 02 Novembro 2020
Atualizado em 14 Maio 2024
Digestive disorder

Sobre este artigo

Publicado em 02 Novembro 2020
Atualizado em 14 Maio 2024

Síndrome do Intestino Irritável (SII), a mais comum DGF

As DGF abrangem um conjunto de sintomas como SII, obstipação, diarreia, distensão abdominal funcional, e DGF não específicas.

A SII sozinha afeta 10 % da população e distingue-se de outras DGF por dor abdominal associada a obstipação, diarreia ou alternações entre ambas. É frequente ocorrer inchaço abdominal e um nível de stress maior do que o da população em geral.

52% Apenas 1 em cada 2 pessoas que sofreram de uma patologia digestiva envolvendo a microbiota, associa os dois

A Síndrome do Intestino Irritável (SII)

A Síndrome do Intestino Irritável (SII) é uma perturbação gastrointestinal funcional caracterizada por dor abdominal recorrente, que está associada a alterações na frequência ou forma das fezes, na ausência de qualquer perturbação orgânica. Utilizando os critérios ROME IV, a SII é classificada em quatro subtipos:

  • SII com obstipação predominante (SII-C),
  • SII com diarreia predominante (SII-D),
  • SII com hábitos intestinais mistos (SII-M),
  • SII, não-subtipada (SII-U) que não cumpre os critérios para SII-C, D ou M.

Comorbilidades psiquiátricas, como ansiedade, depressão e somatização, são comuns em pacientes com SII.

A síndrome do intestino irritável (SII) é o distúrbio mais comum da interação intestino-cérebro, anteriormente conhecida como «  distúrbios funcionais intestinais.

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As DGF não poupam as crianças

Em crianças muito pequenas, as DGF representam a razão gastrointestinal mais comum para a consulta médica. Isto inclui as cólicas, regurgitação, obstipação, SII e outros problemas funcionais menos bem caracterizados. Dor de estômago, inchaço, diarreia e obstipação são comummente associados a DGF e podem ter consequências importantes no dia a dia da criança. O stress e a ansiedade podem ainda favorecer ou prolongar alguns sintomas, em particular a dor.

Interrupção na comunicação entre os intestinos e o cérebro

As causas da SII são ainda pouco entendidas. O risco de desenvolver SII aumenta cinco vezes depois de uma infeção bacteriana que provoque diarreia aguda. Tem vindo a ser sugerido que possa estar relacionado com uma interrupção na comunicação entre o cérebro e o intestino em conjunto com um desequilíbrio da flora intestinal. Na maioria dos casos, há (sidenote: Disbiose A "disbiose" não é um fenómeno homogéneo – varia em função do estado de saúde de cada indivíduo. É geralmente definida como uma alteração da composição e do funcionamento da microbiota, causada por um conjunto de fatores ambientais e relacionados com o indivíduo que perturbam o ecossistema microbiano. Levy M, Kolodziejczyk AA, Thaiss CA, et al. Dysbiosis and the immune system. Nat Rev Immunol. 2017;17(4):219-232. ) entre as espécies bacterianas que constituem a microbiota, com menos bactérias boas e mais bactérias prejudiciais. Este desequilíbrio provoca problemas de motilidade intestinal: o trânsito abranda, a barreira intestinal modifica-se e desenvolve-se uma ligeira inflamação. Causa ainda hipersensibilidade da mucosa que provoca fenómenos normais, como o movimento doloroso do gás intestin

Já ouviu falar de “disbiose”?

Trata-se de uma rutura do equilíbrio delicado entre os milhares de milhões de micro-organismos da microbiota e das suas boas relações com o nosso corpo. 

Dados promissores para os probióticos

Em adultos, juntamente com uma dieta controlada, as opções terapêuticas incluem antiespasmódicos, laxantes e antidiarreicos. Em crianças, são preferíveis as técnicas de relaxamento e hipnose, que podem aliviar a dor. Por vezes, os antiespasmódicos são também prescritos. Para modificar a microbiota, há dados promissores disponíveis acerca dos probióticos, particularmente (sidenote: Bifidobactérias Bactérias em forma de bastonete, em Y. A maioria das espécies são benéficas para os seres humanos. Encontram-se no intestino humano, e também em alguns iogurtes.  Estas bactérias:
- Protegem a barreira intestinal 
- Participam no desenvolvimento do sistema imunológico e ajudam a lutar contra a inflamação 
- Promovem a digestão e aliviam os sintomas gastrointestinais Sung V, D'Amico F, Cabana MD, et alLactobacillus reuteri to Treat Infant Colic: A Meta-analysis. Pediatrics. 2018 Jan;141(1):e20171811.  O'Callaghan A, van Sinderen D. Bifidobacteria and Their Role as Members of the Human Gut Microbiota. Front Microbiol. 2016 Jun 15;7:925. Ruiz L, Delgado S, Ruas-Madiedo P, et al. Bifidobacteria and Their Molecular Communication with the Immune System. Front Microbiol. 2017 Dec 4;8:2345.
)
e (sidenote: Lactobacilos Bactérias em forma de bastonete cuja característica principal é a de produzirem ácido láctico. É por essa razão que se fala em “bactérias do ácido láctico”. 
Estas bactérias estão presentes no ser humano ao nível das microbiotas oral, vaginal e intestinal, mas também nas plantas ou nos animais. Podem ser consumidas nos produtos fermentados: em produtos lácteos, como o iogurte e alguns queijos, e também em outros tipos de alimentos fermentados – picles, chucrute, etc..
Os lactobacilos são também consumidos em produtos que contêm probióticos, com algumas espécies a serem conhecidas pelas suas propriedades benéficas.   W. H. Holzapfel et B. J. Wood, The Genera of Lactic Acid Bacteria, 2, Springer-Verlag, 1st ed. 1995 (2012), 411 p. « The genus Lactobacillus par W. P. Hammes, R. F. Vogel Tannock GW. A special fondness for lactobacilli. Appl Environ Microbiol. 2004 Jun;70(6):3189-94. Smith TJ, Rigassio-Radler D, Denmark R, et al. Effect of Lactobacillus rhamnosus LGG® and Bifidobacterium animalis ssp. lactis BB-12® on health-related quality of life in college students affected by upper respiratory infections. Br J Nutr. 2013 Jun;109(11):1999-2007.
)
, e do transplante fecal. Contudo, ensaios clínicos em grande escala têm ainda de ser conduzidos para confirmar cada uma destas opções.

A microbiota intestinal

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Fontes