Pouco ou nenhum glúten: é realmente melhor para o nosso microbiota?

Um estudo europeu demonstrou que as crianças que comem queijo a partir dos 18 meses de idade são menos propensas a desenvolver alergias durante os primeiros seis anos de vida.

A microbiota intestinal Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal
Actu GP : Pas ou peu de gluten : vraiment mieux pour notre microbiote ?

Seja Cheddar, Stilton, queijo azul ou Camembert. Para evitar o aparecimento de alergias alimentares ou cutâneas, a dieta das crianças deve incluir porções significativas de queijo e desde na mais tenra idade. Foi o que sugeriu um estudo promovido pelo Institut National de la Recherche Agronomique (INRA) e pelo Hospital de Ensino de Besançon, em França. Pela primeira vez é estabelecida ligação entre o consumo precoce de queijo e a diminuição do risco de doenças alérgicas na infância. Esta conclusão foi publicada na revista científica Allergy e foi recebida com júbilo na França.

Diversificando os tipos de queijo

O estudo envolveu cerca de mil crianças de cinco países europeus diferentes, que viviam no campo, tendo sido monitorizadas desde o seu nascimento. Os seus pais relataram os hábitos alimentares da família, os estilos de vida e o estado de saúde dos jovens participantes. Os resultados revelaram que as crianças que ingeriram queijo regularmente e / ou em grandes quantidades a partir dos 18 meses de idade desenvolveram menos alergias alimentares e eczema (dermatite atópica) do que as demais nos primeiros seis anos de vida. Quanto mais variado for o queijo, mais benefícios parece trazer. No entanto, o estudo não revelou nenhum efeito protetor do queijo contra a rinite alérgica ou asma.

Microbiota mais rica

Os investigadores assumem que esse efeito protetor está relacionado com os diferentes microrganismos (bactérias, leveduras e bolores) presentes no queijo. Essa diversidade microbiana parece ter um impacto positivo na composição da microbiota intestinal humana, além de uma dieta variada e equilibrada durante o primeiro ano de vida (vegetais, frutas, iogurtes, leite...). Os cientistas consideram que "graças à sua rica composição microbiana, o queijo pode mudar a flora intestinal e promover sua diversidade", lembrando que muitos estudos já mostraram que a interrupção da maturação da microbiota ou o seu empobrecimento é um terreno fértil para alergias. Para entender melhor o impacto do queijo na microbiota, os cientistas pretendem agora analisar a microbiota intestinal dos amantes de queijo.

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Nicklaus S, Divaret‐Chauveau A, Chardon ML et al. Pasture Study Group. The protective effect of cheese consumption at 18 months on allergic diseases in the first 6 years. Allergy. 2018;00:1–11. https://doi.org/10.1111/all.13650

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Transpiração com odor: uma questão de bactérias

Antes da puberdade é possível “derramar” litros de suor e cheirar “relativamente” bem. Contudo, após a puberdade, tudo muda! Por que razão a transpiração começa a cheirar mal na adolescência? Investigadores asiáticos indagaram sobre esta questão que tanta insegurança gera entre os adolescentes.

A microbiota da pele Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal
Actu GP : L’odeur de la sueur, une affaire de microbes

 

Sabemos que o odor corporal se deve principalmente à decomposição bacteriana dos constituintes naturais do suor, produzidos pelas glândulas sudoríparas. Mas não sabemos quais as espécies que estão envolvidas e quais os mecanismos envolvidos no caso dos adolescentes. No estudo desenvolvido, analisaram-se amostras de suor das axilas, pescoço e couro cabeludo de crianças pré-adolescentes (5 aos 9 anos) e de adolescentes (15 aos 18 anos), uma hora após o banho, logo a seguir à prática de atividade física e sete horas depois.

Cada microbiota tem um cheiro característico

Em todos os momentos analisados decorrentes do estudo, os adolescentes tinham um odor corporal mais forte do que as crianças, principalmente nas axilas. Após a atividade física, o suor das crianças era caracterizado por um cheiro bastante azedo, enquanto que o dos adolescentes tinha um odor predominante de enxofre. Já no couro cabeludo, qualquer que seja a idade, foi detetado um odor “oleoso”. Constata-se que as diferenças demonstram que a heterogeneidade das espécies de microbiota da pele causa odores desagradáveis.

O que causa esses maus cheiros?

Duas espécies predominam no pescoço e no couro cabeludo: uma é mais abundante em crianças e a outra em adolescentes. A diferença deve-se às mudanças na atividade das glândulas sudoríparas que ocorrem na puberdade. Mas a grande descoberta foi a enorme influência dos estafilococos no odor corporal de ambos, crianças e adolescentes - um papel desempenhado por bactérias do tipo Corynebacterium em adultos. E o cheiro de enxofre nas axilas dos adolescentes? Provavelmente estará relacionado com a produção de ácido da bactéria Staphylococcus epidermidis. Já quanto ao cheiro a azedo encontrado no pescoço das crianças, o Staphylococcus hominis é o culpado!

Desodorizantes especialmente concebidos para adolescentes?

Segundo os cientistas, a transição de um suor bastante “azedo” na infância para um cheiro “sulfúrico” na adolescência é o resultado da reorganização de espécies na microbiota da pele que acontece na puberdade. Essa descoberta pode ser útil para os fabricantes de desodorizantes, uma vez que estes são normalmente pensados para evitar o mau cheiro em adultos, mas não em adolescentes.

 

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Tze Hau Lam et al. Understanding the microbial basis of body odor in pre-pubescent children and teenagers. Microbiome 2018 Nov 29;6(1):213.

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Bactérias resistentes a múltiplos antimicrobianos e antibióticos viajaram pelo espaço

Em março de 2015, os astronautas descobriram 5 estirpes bacterianas resistentes a antibióticos nos duches e no ginásio da Estação Espacial Internacional (ISS).

Diarreia associada a antibióticos
Actu GP : Des bactéries multirésistantes ont voyagé dans l’espace

 

Embora a descoberta possa fazê-lo sorrir, os investigadores da NASA levam-na muito a sério. Num artigo publicado na revista BMC Microbiology, uma equipa do prestigiado do Centro de Investigação Aeroespacial explica que a presença dessas bactérias pode representar um perigo para os astronautas durante longas missões no espaço, nomeadamente durante os primeiros voos tripulados para Marte, pois seria realmente impossível voltar para Terra para tratar os infetados numa viagem de 260 milhões de quilómetros.

Estirpes resistentes

Ao estudar o DNA dessas 5 estirpes de bactérias, os cientistas descobriram que existiam fortes semelhanças com 3 estirpes de enterobactérias (presentes no intestino) recentemente isoladas na Terra, na Tanzânia e nos Estados Unidos. Estas são responsáveis por infeções graves adquiridas no hospital em pessoas imunocomprometidas e em recém-nascidos que fazem parte de uma espécie bacteriana conhecida por ser altamente patogénica e resistente a múltiplos antibióticos. Além disso, as estirpes encontradas na Estação Espacial Internacional também eram resistentes a muitos antimicrobianos (penicilina, por exemplo), "antibióticos tomados pelos astronautas durante mais de 20 anos", destacam os autores.

Inofensivas até agora!

Felizmente, verificou-se que aquelas estripes não eram virulentas, logo não constituíam uma ameaça para a saúde dos astronautas. Contudo, calcula-se que estas podem muito provavelmente tornar-se patogénicas (risco de 79%) sob determinadas condições (a serem determinadas), nomeadamente perante o nível muito baixo de gravidade na Estação Espacial Internacional. Aliás, vários estudos já sugeriram que a falta de gravidade pode aumentar a virulência de bactérias e a resistência aos antibióticos ou influenciar o crescimento ou tamanho dos microrganismos. Este estudo lembra igualmente que Estação Espacial Internacional não é estéril, ou seja, os astronautas entram a bordo com seus micróbios e outros germes podem também ser introduzidos através dos alimentos ou material expedido para a Estação.

 

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Singh NK, Bezdan D, Checinska Sielaff A, et al. Multi-drug resistant Enterobacter bugandensis species isolated from the International Space Station and comparative genomic analyses with human pathogenic strains. BMC Microbiol. 2018 Nov 23;18(1):175.

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Prematuridade: a amamentação pode fazer a diferença!

A amamentação desempenha um papel importante no desenvolvimento da microbiota intestinal e oral dos recém-nascidos. Especialmente para os bebés prematuros é fundamental iniciar a amamentação o mais cedo possível, de forma a promover o desenvolvimento de um ecossistema protetor.

A microbiota intestinal Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal
Actu GP : Prématurité : donner le sein changerait tout

A amamentação é uma prática recomendada pela Organização Mundial da Saúde, especialmente no caso dos bebés prematuros. E pensa-se que são casos raros, só em França, anualmente, nascem mais de 50 mil bebés prematuros. Um estudo italiano confirma os benefícios do aleitamento materno na microbiota intestinal e oral desses bebés que nascem prematuramente. Esses benefícios podem ser visíveis na sua saúde, a curto ou longo prazo.

Amamentação e seus benefícios

A equipa de investigadores concentrou-se na relação entre o leite materno, a amamentação e a composição das microbiotas orais e intestinais dos bebés. Para o efeito, 16 pares de mães e bebés foram monitorizados durante pelo menos um mês. Os bebés prematuros não conseguem sugar o leite da mama nos primeiros dias de vida. Este facto permitiu aos cientistas entender o impacto do leite humano, que é diferente quando é recebido diretamente da mama: a amamentação pode ter um impacto na composição microbiana do leite. Durante os dias seguintes ao nascimento, o leite materno extraído tem uma diversidade menor e hospeda mais bactérias da família Staphylococcus. A mesma observação foi feita no leite materno doado. Pelo contrário, concluíram que o leite recolhido quando os bebés foram amamentados diretamente da mama era muito mais rico em bactérias "boas", embora o motivo seja desconhecido.


Uma microbiota "equilibrada"

Esta descoberta poderá ter um impacto significativo no desenvolvimento da microbiota dos recém-nascidos. Durante a primeira semana de vida, os microbiomas intestinais e orais dos lactentes que recebem leite materno são muito diferentes dos de outros recém-nascidos e são dominados por estafilococos, como os da mãe. Quando são amamentados, as suas microbiotas orais e intestinais apresentam um conteúdo elevado de bactérias “boas”. A diversidade é, desta forma, semelhante à observada em crianças nascidas a termo, amamentadas pelas mães e com boa saúde. Embora o leite materno seja considerado essencial, este estudo sugere que a amamentação direta é pelo menos tão importante para a microbiota de bebés prematuros, que é considerada "equilibrada". Esse fato pode incentivar o desenvolvimento adequado do sistema imunológico, da função gastrointestinal ou mesmo proteger esses bebés de doenças infantis graves.

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Biagi E, Aceti A, Quercia S et al. Microbial community dynamics in mother’s milk and infant’s mouth and gut in moderately preterm infants Frontiers in Microbiology, 2 october 2018  https://www.who.int/topics/breastfeeding/fr/

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Alimentos assados, grelhados ou cozidos: como é que a sua microbiota intestinal diz?

Assar ou grelhar os alimentos parece ser mais benéfico para a microbiota intestinal do que os cozer, segundo um novo estudo publicado no Journal of Agriculture and Food Chemistry.

A microbiota intestinal Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal

 

Entre todos os fatores que podem afetar os microrganismos hospedeiros no nosso trato gastrointestinal, o que comemos é de longe o mais importante. Os alimentos fornecem às bactérias e a outros microrganismos da flora intestinal substratos que estes precisam para se desenvolver, através de substâncias não digeridas, que são absorvidas pelo intestino (como fibras, amido, algumas proteínas e ácidos gordos). Essas substâncias são transformadas em compostos que podem ser benéficos ou prejudiciais.

Técnica de cozinhar: modulação

Partindo do pressuposto de que o nível de calor específico de cada técnica de cozinhar gera componentes químicos diferentes (e consequentemente modula a composição da microbiota à sua maneira), um estudo descreveu que foi usado cinco métodos diferentes de cozinhar (fritar, cozer, grelhar, assar ou tostar) para preparar cinco géneros alimentícios (frango, banana, pimenta vermelha, pão e grão de bico). Os alimentos foram submetidos a um processo de digestão e fermentação in vitro, imitando a ação do intestino delgado e do cólon. Para avaliar os efeitos de cada método, foi medido a quantidade de três substâncias produzidas durante a (sidenote: Reação química que ocorre quando açúcares e proteínas interagem após o aquecimento de um alimento a uma temperatura de 145 ° C ou mais. Furosina, furfural e hidroximetilfurfural (HMF) são componentes produzidos durante esta reação.. ) . Depois, analisaram a composição microbiana dos alimentos e mediram a produção de ácidos gordos de cadeia curta (AGCC), substâncias que são especialmente benéficas para a nossa saúde e que nos podem proteger da obesidade, da síndrome metabólica ou mesmo do cancro colorretal.

Efeitos diferentes dependendo dos alimentos

De uma forma geral, os investigadores concluíram que cozinhar os alimentos de uma forma intensa, como assar ou grelhar, aumenta a produção de ácidos gordos de cadeia curta e o conteúdo de bactérias protetoras nos alimentos. Contudo, verificaram, em sentido contrário, que em alguns alimentos, como pão e banana, o cozinhar de forma intensa pode diminuir o número de bactérias benéficas. Estes resultados demonstraram que, ao modificar a composição dos alimentos, cozinhar modula a composição da microbiota intestinal. O estudo conclui que existem diferenças entre as técnicas de cozinhar os alimentos e o seu impacto depende da natureza do alimento.

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Pérez-Burillo S, Pastoriza S, Jiménez-Hernández N, D'Auria G, Francino MP, Rufián-Henares JA. Effect of Food Thermal Processing on the Composition of the Gut Microbiota. J Agric Food Chem. 2018 Oct 31;66(43):11500-11509

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Podemos avaliar o risco da obesidade infantil com base na flora intestinal?

A composição da microbiota intestinal de uma criança de dois anos de idade pode prever o risco futuro de desenvolver obesidade. Um estudo norueguês foi desenvolvido e seguramente abre novas perspetivas sobre a prevenção desta doença que não para de aumentar em todo o mundo.

A microbiota intestinal Síndrome metabólica Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal

Embora uma má alimentação e níveis de atividade física reduzidos sejam fatores de risco inquestionáveis para o excesso de peso e obesidade, a microbiota intestinal também pode ter um papel importante. Segundo vários estudos, a composição da microbiota durante os primeiros dois anos de vida está relacionada com a progressão do peso durante no mesmo período. Um estudo recente analisa a composição da microbiota intestinal de 165 crianças norueguesas, bem como o (sidenote: Índice de Massa Corporal. Razão entre o peso em kg e o quadrado da altura em m. ) das suas mães durante a gravidez, e em seis momentos diferentes entre o nascimento e os dois anos de idade. A projeção do estudo quis relacionar os resultados com o IMC das mesmas crianças dez anos depois.

Uma microbiota "obesogénica" apesar de um IMC "normal"

Sabe-se que crianças cujo peso seja normal, o IMC permanece igual durante toda a infância; enquanto que em crianças obesas, o IMC aumenta constantemente entre os 2 e 12 anos. Contudo, os autores verificaram que apenas uma minoria extremamente pequena dessas crianças apresentou um IMC aos 2 anos de idade que anunciasse uma futura obesidade. Já em sentido contrário, foi observada uma forte associação entre a composição da microbiota aos 2 anos e o IMC aos 12 anos. Segundo a análise dos investigadores, o impacto do ecossistema intestinal no IMC excede em grande parte o de outros fatores conhecidos, tais como o tipo de parto, a duração do período de amamentação, a exposição a antibióticos ou vários fatores maternos, como tabagismo, IMC antes da gravidez ou nível de escolaridade.

Identificação precoce para uma melhor prevenção

Segundo os autores, ter uma microbiota intestinal “obesogénica” é preditivo de um aumento de peso durante vários anos e parece ser, principalmente, o resultado da transmissão direta de mãe para filho (excesso de peso ou obesidade na mãe, aumento de peso excessivo durante a gravidez…). Os investigadores sugerem que estes achados são um passo importante na direção de novas estratégias e mais direcionadas para prevenir a obesidade infantil, baseadas na identificação de crianças de alto risco antes dos dois anos de idade, numa altura em que o seu peso ainda está dentro dos parâmetros normais.

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Stanislawski MA, Dabelea D, Wagner BD, Iszatt N, Dahl C, Sontag MK, Knight R, Lozupone CA, Eggesbø M. Gut Microbiota in the First 2 Years of Life and the Association with Body Mass Index at Age 12 in a Norwegian Birth Cohort. MBio. 2018 Oct 23;9(5).

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As três principais etapas de desenvolvimento da microbiota intestinal na primeira infância

Uma equipa internacional de investigadores revelou, na revista Nature, que o desenvolvimento da microbiota intestinal acontece entre os 3 e os 46 meses de idade. A amamentação, o tipo de parto e o ambiente contribuem para a composição dessa flora.

A microbiota intestinal Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal
Actu GP : Microbiote intestinal : les 3 étapes-clés de son développement dans l’enfance

Os primeiros quatro anos de vida são um período-chave para o desenvolvimento da microbiota intestinal, segundo o maior estudo já realizado em crianças. A investigação contou com a participação de 903 crianças americanas e europeias, tendo demonstrado que o nosso "segundo cérebro" se desenvolve seguindo três fases muito distintas. Entre os 3 e os 14 meses, as bactérias colonizam o trato gastrointestinal, estabelecem-se e proliferam durante a chamada “fase de desenvolvimento”. Nos 15 meses seguintes, a microbiota intestinal experimenta uma "fase de transição", na qual algumas bactérias presentes até então, desaparecem a favor de outras espécies. Finalmente, a partir do 31.º mês de vida, a microbiota das crianças “estabiliza” para alcançar seu estado final.

A amamentação parece ser um fator-chave

Segundo os autores, a amamentação, exclusiva ou parcial, é “o principal fator que afeta a composição da microbiota durante a fase de desenvolvimento”. Esta está associada à presença de bactérias intestinais benéficas (mesmo que as crianças também tenham bebido leite de fórmula ou alimentos sólidos), e a uma menor diversidade. No entanto, sabemos que a diversidade da microbiota é um sinal de maturidade. Aos 14 meses, a microbiota das crianças amamentadas deve, portanto, ser menos madura do que a de outras crianças. Por outro lado, quando a sua dieta deixa de conter leite materno, a microbiota fica mais rica e diversificada. Na opinião dos investigadores, "estes resultados parecem confirmar a ideia de que a maturação da microbiota intestinal é induzida pelo desmame, e não pela diversificação alimentar". Ou seja, quanto mais cedo a amamentação é interrompida, mais rapidamente a microbiota amadurece, embora não se saiba se o impacto na saúde da criança é positivo ou não.

O meio ambiente

Os cientistas concluíram igualmente que o parto vaginal promove o desenvolvimento da flora intestinal dos recém-nascidos. Da mesma forma, também o convívio e crescimento com irmãos e/ou animais de estimação afeta a composição da microbiota e parece acelerar a sua maturação. Estes diferentes resultados podem ser úteis em investigações futuras, pois permitirão analisar com mais precisão a ligação entre a microbiota e o aparecimento de algumas doenças, bem como favorecer a oportunidade de avaliar novas estratégias terapêuticas.

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Christopher J. Stewart et al, Temporal development of the gut microbiome in early childhood from the TEDDY study, Nature 2018 Oct;562(7728):583-588.

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Mostre-me a sua flora intestinal, dir-lhe-ei qual a sua origem

Um estudo publicado na revista Cell revela que a migração de um país não ocidental para os EUA pode estar associada a mudanças significativas na diversidade e funções da microbiota, que podem resultar, por sua vez, numa predisposição para perturbações metabólicas.

A microbiota intestinal Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal

Investigadores internacionais chegaram a essa conclusão ao estudar mais de 510 mulheres com idades compreendidas entre os 18 e os 78 anos pertencentes às tribos Hmong e Karen, minorias do sudeste asiático, cujos migrantes para os EUA são particularmente afetados pela obesidade. A literatura científica já mostrou anteriormente que há uma ligação entre o excesso de peso e as perturbações da microbiota. Para entender o impacto da migração na microbiota intestinal, os cientistas analisaram a flora intestinal de mulheres que ainda vivem na Tailândia, de mulheres que deixaram seu país de origem e de cerca de cinquenta voluntárias pertencentes à segunda geração de migrantes. Dezanove refugiados Karen também foram monitorizados antes de sua partida e depois de chegarem aos EUA, bem como 36 pessoas nascidas nos EUA ou na Europa.
Algumas bactérias nativas desaparecem

Essas diferentes análises revelaram que a microbiota é muito mais diversificada e abundante nas pessoas que vivem na Tailândia do que nos imigrantes. Além disso, as microbiotas de migrantes e americanos nativos foram semelhantes. Mais precisamente, os investigadores relataram o desaparecimento de algumas bactérias a favor de outras, sugerindo que a flora dos migrantes passa por um processo de "ocidentalização", bastando para o efeito alguns meses. Como consequência, os migrantes de primeira e segunda geração perderam uma enzima capaz de degradar açúcares complexos (especialmente fibras vegetais), que está naturalmente ausente nos americanos nativos, mas abundante nos tailandeses que ainda vivem no seu país de origem.

A dieta não pode explicar tudo

Os investigadores consideram que as mudanças na alimentação por si só não explicam essas variações. Os cientistas observam que "embora os filhos de imigrantes e americanos nativos seguissem uma dieta diferente, surpreendentemente, as suas microbiotas ainda eram semelhantes". Estes também referiram que a exposição a antibióticos, o stress ou o consumo de água potável diferente também podem induzir essas disrupções. Por fim, os investigadores advertiram, relativamente aos seus resultados, que ainda é muito precoce concluir que as mudanças observadas são provocadas pela migração ou afirmar que estas contribuem diretamente para a alta incidência de obesidade nos imigrantes dos EUA.

Recomendado pela nossa comunidade

"Essa diferença na microbiota é conhecida por nós, microbiologistas, há muito tempo. De facto, algumas das situações de turistas com problemas digestivos (diarreia, etc.) são muitas vezes devidas à entrada de novos micróbios na flora intestinal... Da mesma forma, os micróbios patogénicos também podem entrar através dos sistemas digestivo ou repiratório" - Comentário traduzido de Rudolph Di Girolamo (Da My health, my microbiota)

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Vangay et al. US Immigration Westernizes the Human Gut Microbiome. 2018, Cell 175, 962–972 November 1, 2018

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Covid-19: estarão os transtornos digestivos ligados à microbiota intestinal?

Embora ao dia de hoje não exista uma confirmação exata da ligação entre a infecção e a microbiota intestinal, vários sinais apontam para uma associação entre a doença e o sistema gastrointestinal. Algumas medidas de precaução são, portanto, justificadas.

A microbiota intestinal Covid-19: envolvimento da microbiota intestinal? Como é que a covid-19 afeta a microbiota intestinal?
Photo : COVID-19: are digestive disorders linked to the gut microbiota?

Os três sintomas da COVID-19 identificados como febre, tosse e dificuldade respiratórias não estão isolados, e sabe-se que não são os únicos. Contudo, um primeiro estudo descreveu que metade dos doentes com teste positivo para o coronavírus relatou distúrbios no sistema digestivo como perda de apetite, diarreia ou mesmo até e em menor grau, vómitos ou dor abdominal.

Sintomas Gastrointestinais

Excluindo a perda de apetite, que não é específica de distúrbios gastrointestinais, cerca de um em cada cinco doentes envolvidos neste estudo apresentou sintomas estritamente digestivos que pioraram com o agravamento da COVID-19a. A incidência de diarreia variou amplamente entre os estudos (2% -34%)a,b e o material genético viral - ou mesmo vírus ativo (capaz de se espalhar) - foi encontrado nas fezes dos doentes infetadosc-e, sugerindo que o vírus se pode multiplicar no sistema digestivo destes doentes. Outro estudo demonstrou um desequilíbrio da microbiota intestinal (disbiose) em dois doentes com idades entre 65 e 78 anos que posteriormente morreram de COVID-19f. No entanto, a ligação entre disbiose intestinal e a COVID-19 parece ter pouca relevância aqui, pois sabe-se que os idosos geralmente apresentam desequilíbrios da microbiota intestinalg. Por último, iniciou-se recentemente um debateh sobre o potencial papel desempenhado pela bactéria Prevotella na infeção, mas até o momento nenhuma evidência científica confirmou esse papel.

Doentes em risco

Certo é que esta investigação inicial está sujeita a algum ceticismo, uma vez que os estudos foram realizados num número limitado de doentesf, e alguns deles não foram submetidos a revisões por pares antes da publicaçãof. Apesar disso, os resultados justificam alguma cautela, por exemplo, a 16 de março de 2020, o (sidenote: ANSM Agência Francesa para a Segurança dos Medicamentos e Produtos de Saúde )  reforçou medidas de segurança nos transplantes fecais realizados para tratar a infeção por Clostridium difficile a fim de prevenir infeções intestinais devido à transmissão de outros agentes patogénicos. Precauções reforçadas devem ser também consideradas e serão certamente também aplicadas a doentes que sofrem de doença inflamatória intestinal (DII), particularmente aos doentes tratados com imunossupressores, mais suscetíveis a infeções virais, ainda que haja necessidade de dados mais específicosb. Embora não sejam aconselhados a interromper o tratamento com o imunossupressor devem assegurar o cumprimento cuidadoso das medidas de prevençãob.

 

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Covid-19: estarão os distúrbios digestivos ligados à microbiota intestinal?

Embora ao dia de hoje não exista uma confirmação exata da ligação entre a infecção e a microbiota intestinal, vários sinais apontam para uma associação entre a doença e o sistema gastrointestinal. Algumas medidas de precaução são, portanto, justificadas.

A microbiota intestinal Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal
Photo : COVID-19: are digestive disorders linked to the gut microbiota?

Os três sintomas da COVID-19 identificados como febre, tosse e dificuldade respiratórias não estão isolados, e sabe-se que não são os únicos. Contudo, um primeiro estudo descreveu que metade dos doentes com teste positivo para o coronavírus relatou distúrbios no sistema digestivo como perda de apetite, diarreia ou mesmo até e em menor grau, vómitos ou dor abdominal.

Sintomas Gastrointestinais

Excluindo a perda de apetite, que não é específica de distúrbios gastrointestinais, cerca de um em cada cinco doentes envolvidos neste estudo apresentou sintomas estritamente digestivos que pioraram com o agravamento da COVID-19a. A incidência de diarreia variou amplamente entre os estudos (2% -34%)a,b e o material genético viral - ou mesmo vírus ativo (capaz de se espalhar) - foi encontrado nas fezes dos doentes infetadosc-e, sugerindo que o vírus se pode multiplicar no sistema digestivo destes doentes. Outro estudo demonstrou um desequilíbrio da microbiota intestinal (disbiose) em dois doentes com idades entre 65 e 78 anos que posteriormente morreram de COVID-19f. No entanto, a ligação entre disbiose intestinal e a COVID-19 parece ter pouca relevância aqui, pois sabe-se que os idosos geralmente apresentam desequilíbrios da microbiota intestinalg. Por último, iniciou-se recentemente um debateh sobre o potencial papel desempenhado pela bactéria Prevotella na infeção, mas até o momento nenhuma evidência científica confirmou esse papel.

Doentes em risco

Certo é que esta investigação inicial está sujeita a algum ceticismo, uma vez que os estudos foram realizados num número limitado de doentesf, e alguns deles não foram submetidos a revisões por pares antes da publicaçãof. Apesar disso, os resultados justificam alguma cautela, por exemplo, a 16 de março de 2020, o (sidenote: ANSM French Agency for the Safety of Medicines and Health Products )  reforçou medidas de segurança nos transplantes fecais realizados para tratar a infeção por Clostridium difficile a fim de prevenir infeções intestinais devido à transmissão de outros agentes patogénicos. Precauções reforçadas devem ser também consideradas e serão certamente também aplicadas a doentes que sofrem de doença inflamatória intestinal (DII), particularmente aos doentes tratados com imunossupressores, mais suscetíveis a infeções virais, ainda que haja necessidade de dados mais específicosb. Embora não sejam aconselhados a interromper o tratamento com o imunossupressor devem assegurar o cumprimento cuidadoso das medidas de prevençãob.

Fontes

a. Lei Pan, Mi Mu, Pengcheng Yang et al. Clinical characteristics of COVID-19 patients with digestive symptoms in Hubei, China: a descriptive, cross-sectional, multicenter study.Preproof version. https://journals.lww.com/ajg/Documents/COVID_Digestive_Symptoms_AJG_Preproof.pdf [last consult: 14 april 2020]

b. Ungaro RC, Sullivan T, Colombel JF et al. What Should Gastroenterologists and Patients Know About COVID-19? Clin Gastroenterol Hepatol. 2020 Mar 17. doi: 10.1016/j.cgh.2020.03.020.

c. Gu J, Han B, Wang J. COVID-19: Gastrointestinal Manifestations and Potential Fecal-Oral Transmission [published online ahead of print, 2020 Mar 3]. Gastroenterology. 2020;. doi:10.1053/j.gastro.2020.02.054

d. Holshue ML, DeBolt C, Lindquist S, et al.; Washington State 2019-nCoV Case Investigation Team. First Case of 2019 Novel Coronavirus in the United States. N Engl J Med. 2020 Mar 5;382(10):929-936. doi: 10.1056/NEJMoa2001191.

e. Fei Xiao, Meiwen Tang, Xiaobin Zheng et al. Evidence for Gastrointestinal Infection of SARS-CoV-2. Gastroenterology. 2020 Mar 3 doi: 10.1053/j.gastro.2020.02.055

f. Lilei Yu, Yongqing Tong, Gaigai Shen et al. Immunodepletion with Hypoxemia: A Potential High Risk Subtype of Coronavirus Disease 2019. Unreviewed prepint published on medRxiv. https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.03.03.20030650v1 [last consult: 14 april 2020]

g. O'Toole PW, Jeffery IB. Gut microbiota and aging. Science. 2015;350(6265):1214–1215. doi:10.1126/science.aac8469

h. https://blogs.mediapart.fr/igaal/blog/210420/la-folle-histoire-de-la-premiere-theorie-globale-sur-le-coronavirus

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