A nossa microbioita intestinal pode descender dos babuínos?

De acordo com um estudo que está a agitar as nossas convicções em termos de evolução da microbiota, a microbiota intestinal é significativamente influenciada pelo meio ambiente e pela dieta e não resulta da coevolução entre o ecossistema microbiano e seu hospedeiro.

A microbiota intestinal Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal

O estudo da evolução da microbiota intestinal levou muitos investigadores a compararem humanos com primatas. Os seus trabalhos, desenvolvidos num número limitado de espécies, indicaram que as bactérias encontradas na nossa microbiota intestinal descendem de bactérias que colonizaram o trato gastrointestinal dos nossos antepassados comuns e que co evoluíram. No entanto, embora os humanos estejam geneticamente próximos dos grandes primatas (bonobos, chimpanzés), o sistema digestivo é mais próximo do dos macacos do Velho Mundo (babuínos, macacos do género Macaca) cujo ambiente e hábitos alimentares são bastante semelhantes aos dos humanos.

Uma microbiota mais próxima da dos macacos do Velho Mundo

Para corroborar a hipótese de que estes dois parâmetros têm um impacto muito maior na composição da microbiota intestinal do que se acreditava, uma equipa americana comparou a flora bacteriana e as suas diferentes funções em populações humanas que viviam em países industrializados ou não industrializados com a de 18 espécies de primatas selvagens. Embora a microbiota intestinal das populações que viviam em países industrializados fosse muito diferente da dos primatas, a das populações que viviam em países não industrializados era, pelo contrário, muito semelhante. Havia, no entanto, diferenças: quando comparada à microbiota de outros primatas, a dos humanos tem características microbianas únicas (contém algumas espécies, mas outras estão em falta), vias funcionais específicas e uma maior variabilidade inter individual. Este último parâmetro pode explicar a adaptabilidade superior dos humanos a novos ambientes. Mais surpreendentemente, a microbiota intestinal dos humanos tem mais semelhanças com a dos babuínos do que com a dos seus antepassados macacos.

A influência do meio ambiente é subestimada

Estes resultados enfatizam a influência do ambiente, da dieta e das adaptações fisiológicas na composição da microbiota intestinal, especialmente nas suas capacidades funcionais e desmentem a ideia de que é, quase exclusivamente, o resultado da coevolução das bactérias e do seu hospedeiro. Os investigadores acreditam que estas descobertas fornecem uma nova perspetiva sobre o papel da microbiota intestinal na evolução da humanidade.

 

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Amato Katherine R., Mallott Elizabeth K., McDonald Daniel et al. Convergence of human and Old World monkey gut microbiomes demonstrates the importance of human ecology over phylogeny. Genome Biology. 20:201 2019

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Quando uma bactéria produz álcool, o fígado sofre!

A esteato-hepatite não alcoólica, ou doença hepática gordurosa não alcoólica, pode ocorrer parcialmente devido à produção de álcool por uma espécie bacteriana que invade a microbiota intestinal.

A microbiota intestinal Síndrome metabólica
Actu GP : Quand une bactérie produit de l’alcool, c’est votre foie qui trinque !

A esteato-hepatite não alcoólica é caracterizada pelo excesso de gordura no fígado, não estando relacionada com o consumo excessivo de álcool. Sem tratamento, o fígado fica inflamado e deteriora-se progressivamente: essa disfunção é então nomeada esteato-hepatite não alcoólica (NASH) e pode evoluir para fibrose, cirrose e, por fim, carcinoma hepatocelular. Está frequentemente associada a doenças metabólicas como a obesidade e a perturbações da microbiota intestinal. No entanto, não conhecemos os mecanismos exatos responsáveis pelo início desta doença.

Bactérias produtoras de álcool

Enquanto estudavam o caso de um doente com NASH e (sidenote: A síndrome da fermentação intestinal é caracterizada por um estado de intoxicação após uma refeição com alto teor de açúcar e sem o consumo de álcool. ) , investigadores chineses descobriram que as bactérias poderiam ser a sua causa, atribuída a leveduras até então. A análise das fezes revelou a presença de bactérias Klebsiella pneumoniae, capazes de produzir grandes quantidades de álcool, em valores até 900 vezes superiores ao normal. O estudo foi ampliado para incluir 43 doentes com esteato-hepatite não alcoólica e mostrou que 60% deles hospedavam esse tipo de bactérias na sua microbiota intestinal, versus apenas 6% dos indivíduos saudáveis. Para além de outros dados, os investigadores fizeram com que ratinhos saudáveis absorvessem essas bactérias: após 4 semanas, os ratinhos também desenvolveram doença hepática gordurosa. Os danos hepáticos foram tão pronunciados quanto os induzidos pelo consumo excessivo de álcool também em ratinhos. Finalmente, observaram que a administração de glicose a ratinhos doentes que hospedavam este tipo de bactéria poderia ser uma forma viável para a deteção de álcool no sangue. Com efeito, as bactérias precisam de açúcar para produzir álcool; e este é o principio base para a fermentação alcoólica!

Um teste à base de açúcar?

Estas descobertas podem levar ao desenvolvimento de testes de diagnóstico simples e eficazes baseado no açúcar. Os investigadores acreditam que detetar álcool no sangue após a absorção de glicose pode indicar a presença de quantidades excessivas desta bactéria e pode conduzir ao desenvolvimento de um tratamento antibiótico direcionado a K. pneumoniae.

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Yuan Jing, Chen Chen, Cui Jinghua et al. Fatty Liver Disease Caused by High-Alcohol-Producing Klebsiella pneumoniae. Cell Metab. 2019; Volume: 30(4):675-688.e7.

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Vaginose bacteriana: poderá haver em breve um transplante de microbiota vaginal?

O sucesso do transplante de microbiota fecal no tratamento de infeções recorrentes por Clostridium difficile poderá se estender ao transplante de microbiota vaginal no tratamento da vaginose bacteriana? Esse é o objetivo de uma equipa de investigadores americanos que espera conseguir explicar.

A microbiota vaginal Vaginose bacteriana - um desequilíbrio na microbiota vaginal
Actu GP : Vaginose bactérienne : bientôt une greffe de microbiote vaginal ?

35% Apenas 1 em cada 3 mulheres sabe que a vaginose bacteriana está associada a um desequilíbrio da microbiota vaginal

 

Uma microbiota vaginal saudável é caracterizada por uma diversidade bacteriana muito baixa e pela predominância de uma ou de algumas espécies de lactobacilos. Como se sabe, uma elevada diversidade e níveis reduzidos de lactobacilos desequilibram a microbiota, o que acontece no caso da vaginose bacteriana. Trata-se de uma infeção benigna, mas predispõe para infeções sexualmente transmissíveis, infeções do trato urinário, que aumentam o risco de parto prematuro. Embora eficazes a curto prazo, os antibióticos não previnem reincidências, que atingem uma taxa de 70% em 3 meses. Poderá o transplante de microbiota vaginal ser a solução?

Doadoras cuidadosamente selecionadas

Uma equipa americana pediu a 20 voluntárias que preenchessem um questionário-padrão com questões adicionais relacionadas com saúde e sexo: infeções vaginais, número de parceiros, uso de preservativos e método de contraceção. Após a conclusão de exames clínicos e biológicos que determinaram o seu estado infecioso, os investigadores analisaram a composição da sua microbiota vaginal. Este cuidadoso protocolo de seleção de doadoras permitiu-lhes determinar o “enxerto” ideal: secreções vaginais com um alto teor de lactobacilos, que levam a um pH ácido e garantem uma melhor proteção contra germes infeciosos.

Critérios de inclusão rigorosos

Os autores sugeriram estender o processo de seleção a muitas outras infeções, além das geralmente previstas em transplantes padrão e também recomendaram vários critérios de exclusão: exposição prévia ao vírus do herpes, historial de infeções recorrentes do trato urinário, presença de bactérias "estranhas" na microbiota vaginal. As doadoras também deveriam abster-se de relações sexuais durante pelo menos 30 dias antes da colheita da amostra, e não poderiam fazer nenhum tratamento hormonal. Assim, a proporção de mulheres elegíveis foi reduzida para 35% – um número que deveria ser ainda menor em condições reais. Além disso, as potenciais recetoras não devem ser dispensadas do despiste de IST, não como critério de exclusão, mas para garantir que recebem o acompanhamento pós-transplante mais seguro possível.

 

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DeLong K, Bensouda S, Zulfiqar F et al. Conceptual Design of a Universal Donor Screening Approach for Vaginal Microbiota Transplant. Front. Cell. Infect. Microbiol. 2019 Aug 28;9:306.

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Carne vermelha e doenças cardiovasculares: o papel da microbiota intestinal

Por que razão as pessoas que comem muita carne vermelha têm um risco cardiovascular mais elevado? Provavelmente devido aos seus níveis aumentados de TMAO no sangue, uma molécula produzida por bactérias da microbiota intestinal, de acordo com um estudo publicado no European Heart Journal.

A microbiota intestinal Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal
Actu GP : Viande rouge et maladies cardiovasculaires : le rôle du microbiote intestinal

 

A composição da microbiota intestinal já demonstrou, em modelos animais, poder estar associada a um risco aumentado de eventos cardíacos que podem ser fatais. Algumas bactérias intestinais têm a capacidade de degradar três substâncias (colina, fosfatidilcolina e carnitina) encontradas nos ovos e principalmente na carne vermelha. O produto dessa degradação é então transportado para o fígado, onde é transformado em N-óxido de trimetilamina (trimethylamine N oxide - TMAO), uma molécula altamente pró-inflamatória que acelera o desenvolvimento da (sidenote: aterosclerose Placas de gordura no revestimento interno das artérias, que levam à obstrução do fluxo sanguíneo e ao endurecimento dos vasos sanguíneos. ) , que é também um dos fatores de risco conhecidos para as doenças cardiovasculares. Ou seja, uma dieta rica em carne, ovos e mais geralmente em precursores de TMAO, pode, dessa forma, aumentar o risco cardiovascular.

Comparação de três dietas

Para avaliar esta hipótese, 113 voluntários foram submetidos a três tipos de regimes alimentares com o mesmo valor calórico, contendo um quarto de proteínas de três fontes diferentes: carne vermelha, carne branca (aves) ou alimentos vegetais (leguminosas, nozes, sementes). Cada participante seguiu as três dietas durante períodos de quatro semanas, separadas por períodos de “washout” com duração de 2 a 7 semanas, durante as quais seguiram uma dieta normal. Os níveis de TMAO no sangue e na urina foram medidos durante cada uma das três dietas.

Poupe a sua microbiota do excesso de carne vermelha

Após um mês, verificou-se que os níveis de TMAO no sangue estavam três vezes mais elevados no grupo da "carne vermelha" do que nos outros dois grupos. Esse aumento foi provocado pela maior produção de TMAO por parte das bactérias intestinais devido à carnitina presente na carne vermelha e devido à menor excreção de TMAO pelos rins. A boa notícia é que o aumento do TMAO é completamente reversível e desaparece rapidamente quando a carne vermelha é substituída por carne branca ou proteínas vegetais. Segundo os investigadores, estas descobertas explicam o aumento do risco de doenças cardiovasculares e morte prematura observada em pessoas que comem muita carne vermelha e as chamadas “carnes frias”, como o fiambre, o paio ou o chouriço. Modificar os hábitos alimentares pode contribuir para preservar a microbiota e evitar os riscos que podem ocorrer devido a este tipo de doenças.

 

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Wang Z et Bergeron N, Levison BS et al. Impact of chronic dietary red meat, white meat, or non-meat protein on trimethylamine N-oxide metabolism and renal excretion in healthy men and women. European Heart Journal 2019 Feb 14;40(7):583-594.

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A alergia ao leite de vaca e a microbiota intestinal estão relacionadas?

Poderíamos prevenir e / ou curar a alergia à proteína do leite de vaca restaurando a microbiota de crianças em risco? Essa hipótese parece ser confirmada por estudos publicados na revista Nature Medicine.

A microbiota intestinal Alergias alimentares Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal
Actu GP : Allergie au lait de vache et microbiote intestinal sont-ils liés ?

A alergia à proteína do leite de vaca é uma patologia que afeta muitos recém-nascidos que são alimentados com fórmula infantil. Esta alergia é normalmente caraterizada por sintomas gastrointestinais variáveis (dores abdominais, diarreia, vómitos), respiratórios (tosse, espirros) e cutâneos (urticária, eczema), mais ou menos específicos. O comprometimento da microbiota intestinal devido ao aumento de cesarianas e a diminuição do aleitamento materno podem explicar esse fenómeno cada vez mais frequente.

A microbiota em questão

Depois de observar que a composição da microbiota de crianças alérgicas ao leite de vaca é muito diferente da das crianças não alérgicas, uma equipa de investigadores americana fez uma parceria com investigadores de Nápoles, na Itália, para investigar o papel da bactéria comensal (naturalmente presente no intestino) na prevenção das alergias alimentares. Os cientistas transplantaram a microbiota de recém-nascidos alérgicos ou saudáveis para ratinhos sem germes. Quando expostos ao alérgeno do leite de vaca (beta-lactoglobulina), todos os roedores do primeiro grupo desenvolveram uma reação anafilática (reação alérgica grave e generalizada), enquanto os do segundo grupo não apresentaram qualquer sintoma.

Uma espécie protetora foi identificada

Com base nas investigações, os cientistas identificaram as espécies bacterianas que parecem estar associadas a um menor risco de reação alérgica: Anaerostipes caccae, uma espécie produtora de butirato que garante uma boa saúde intestinal. No entanto, não chegaram a uma conclusão clara se o desequilíbrio da composição da microbiota ("disbiose") é causa ou consequência da alergia ao leite de vaca. Os resultados demonstraram que as bactérias comensais desempenharam um papel importante na prevenção de alergias alimentares, ou pelo menos na alergia ao leite de vaca, e confirmam os benefícios do desenvolvimento de estratégias inovadoras baseadas na modulação da microbiota para prevenir e / ou tratar essas doenças.

Recomendado pela nossa comunidade

"Adoro esta coisa!" - Joey Milliken (Da My health, my microbiota)

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Feehley T, Plunkett C, Bao R et al. Healthy infants harbor intestinal bacteria that protect against food allergy. Nature Medicine, Letters

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Açucares rápidos: desreguladores bacterianos dos nossos intestinos

Um estudo revela que se descobriu que novo efeito prejudicial da glicose e da frutose numa bactéria considerada benéfica para a nossa microbiota intestinal. Este é mais um argumento para reduzir os açúcares adicionados na nossa alimentação.

A microbiota intestinal Obesidade
Actu GP : Sucres rapides : des perturbateurs bactériens dans nos intestins

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que a quantidade de açúcares livres não exceda 10% da ingestão diária de energia para adultos e crianças*. São considerados açúcares livres a glicose, a frutose, a sacarose (açúcar branco) naturalmente presentes no mel, xaropes, nos sumos e concentrados de frutas, açúcar de mesa, etc., bem como adicionados a diversos alimentos processados. É sabido que, na ausência de fibra, contida em frutas e vegetais integrais, por exemplo, esses açúcares rápidos aumentam rapidamente os níveis de açúcar no sangue, bem como o risco de obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares.

Bactéria "impedida"

O impacto dos açúcares livres parece ir além da absorção no intestino delgado. Uma equipa de investigadores americanos descobriu que a glicose e a frutose, dois açúcares comuns na dieta ocidental, poderiam interromper o crescimento de uma bactéria abundantemente encontrada na microbiota intestinal de pessoas saudáveis e com um peso corporal equilibrado. Trata-se da Bacteroides thetaiotaomicron, assim denominada porque alguns de seus componentes parecem as letras gregas "teta", "iota" e "omicron". A frutose e a glicose são, portanto, capazes de inativar a produção de uma proteína secretada por B. thetaiotaomicron que promove o implante adequado da bactéria na microbiota intestinal.


Ação direta sobre genes

Este estudo foi realizado in vitro em ratinhos e confirmou o que outros estudos já tinham concluído anteriormente: A glicose e a frutose podem atingir o cólon, principal colonização da microbiota intestinal. A descoberta está, contudo, na forma como estes açucares podem desestabilizar a microbiota no cólon: não como fonte de energia para algumas bactérias nocivas, mas alterando diretamente alguns genes bacterianos, como o B. thetaiotaomicron. Esta evidência é mais uma que se junta às várias que comprovam os efeitos prejudiciais para a saúde, em que o açúcar adicionado, confirma a importância de ter uma ingestão suficiente e regular de fibras para amenizar os seus efeitos.

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GE Townsend, Dietary sugar silences a colonization factor in a mammalian gut symbiont, Proc Natl Acad Sci U S A. 2019 Jan 2;116(1):233-238

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Bactérias atuam como” restauradoras de obras de arte”: são estas bactérias futuras aliadas da conservação do património?

Uma equipa de investigadores italianos analisou os estragos provocados por fungos e bactérias num quadro barroco do século XVII. Foram também identificadas três espécies bacterianas que têm a capacidade de combater essa mesma deterioração.

Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal
Actu GP : Bactéries restauratrices : futures alliées du patrimoine ?

Quando se trata de arte, a biodegradabilidade raramente é compatível com a durabilidade. A deterioração de obras de arte e edifícios por microrganismos é uma ameaça temida pelos curadores de obras e locais históricos em todo o mundo. Na igreja de Santa Maria in Vado, em Ferrara, Itália, a pintura de 1620 (sidenote: A Coroação da Virgem ) do artista italiano Carlo Bononi, sofreu as devastações do tempo, desastres naturais (terremoto de 2012) e também dos micróbios.

O cocktail perfeito

Vários investigadores de Ferrara decidiram dar a sua contribuição para a restauração desta obra de arte, analisando a vida microbiana que, entretanto, se desenvolveu na pintura. Ao extrair amostras da pintura - que foi originalmente exibida no teto e agora está no chão de um nicho. A equipa italiana detetou dois tipos de bactérias: Staphylococcus na parte da frente, a seção mais corroída, e Bacillus nas costas do quadro. Esta pintura típica do século XVII é coberta com pigmentos naturais, que estas bactérias gostam especialmente, como laca vermelha, terra vermelha e terra amarela. Estes aspetos, associados à temperatura ideal, humidade e condições de luz, foi o cocktail perfeito para promover o crescimento deste género de bactérias que gostam de “comer” tinta.

Cada zona tem seus próprios fungos

Muito calor e humidade também atraem fungos. Por isso, os cientistas encontraram nas zonas mais escuras do quadro os fungos Aspergillus e Penicillium, espécies que também costumam ser encontradas em museus e bibliotecas que têm pinturas antigas. Já as zonas mais claras (azul-claro amarelado ou rosa) hospedavam Cladosporium e a parte apoiada no chão estava manchada por levedura de Alternaria.

Combate ao fogo com fogo: bactérias resgatadoras

Identificar agressores é benéfico, mas encontrar salvadores é muito mais útil. A mesma equipa italiana foi bem-sucedida na sua procura: os investigadores descobriram que três espécies de Bacillus poderiam impedir o crescimento e os efeitos nocivos dos microrganismos atraídos pelas cores. Segundo os autores, essas bactérias podem tornar-se aliadas na restauração de pinturas e obras de arte sujeitas a ataques microbianos.

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E caselli et al, Characterization of biodegradation in a 17th century easel painting and potential for a biological approach, PLoS One. 2018 Dec 5;13(12):e0207630

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Microbiota intestinal, um reflexo da nossa tireoide?

A microbiota intestinal pode refletir o estado da saúde da tiroide, de acordo com um estudo chinês que traz à discussão a ligação entre a composição da microbiota e o risco de vir a desenvolver nódulos e cancro da tiroide. Será este o primeiro passo para o desenvolvimento de probióticos potencialmente úteis para esta situação clínica?

A microbiota intestinal Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal
Actu GP : Le microbiote intestinal, miroir de notre thyroïde ?

 

A incidência das doenças da tiroide é cada vez maior, especialmente em mulheres. As alterações nos níveis dos estrogénios, o índice de massa corporal, a exposição à radioatividade, a etnia ou o elevado consumo de iodo são apenas alguns dos muitos fatores de risco. É sabido que as pessoas com alguma doença da tiroide apresentam um desequilíbrio hormonal e um mau funcionamento desta glândula. Aspetos podem ser detetados através de uma análise ao sangue. Sabe-se que essas hormonas podem afetar a composição da microbiota intestinal. Já esta última pode estar envolvida na troca de mensagens hormonais entre o intestino e o cérebro. Trabalhos anteriores já estabeleceram uma relação entre a microbiota intestinal, por um lado, e algumas doenças autoimunes da tiroide (como a (sidenote: tiroidite de Hashimoto e a doença de Graves Duas doenças autoimunes que são provocadas pelo “ataque” do sistema imunológico à glândula tiroideia, que a considera estranha ao organismo. A tiroidite de Hashimoto é caracterizada por hipotiroidismo e a doença de Graves por hipertiroidismo. ) ). E quanto aos nódulos e o cancro da tiroide?

Doentes com distúrbios da tiroide têm uma microbiota mais rica

Para testar essa hipótese, uma equipa de investigadores chineses analisou e comparou a composição das fezes de 74 participantes: 20 com cancro da tiroide, 18 com nódulos e 36 voluntários saudáveis. Os resultados demonstraram que existe uma maior abundância de bactérias intestinais nos doentes com distúrbios da tiroide em comparação com os indivíduos saudáveis. Os doentes também apresentaram um conteúdo mais baixo de Lactobacillus, bactéria envolvidas na retenção do selénio, um oligoelemento essencial para o funcionamento correto da tiroide, e de Butyricimonas, que produz uma substância com efeitos benéficos no trato gastrointestinal. Outras bactérias eram mais abundantes, nomeadamente a Neisseria e a Streptococcus no caso dos nódulos, bem como a Clostridiumem, no caso do cancro. Segundo os investigadores estas espécies parecem desempenhar um papel importante quer seja no bom funcionamento da tiroide quer seja no aparecimento desses distúrbios.

Biomarcadores bacterianos úteis

Os investigadores também observaram uma ligação entre a abundância de algumas espécies bacterianas e os níveis de TSH (tiroide stimulating hormone – hormona estimulante da tiroide) e T3 (triiodotironina), duas hormonas que indicam a presença potencial de doenças da tiroide. Contudo, ainda não é possível explicar se os distúrbios da tiroide observados estão associados a uma microbiota específica ou se algumas espécies bacterianas desencadeiam essas patologias. Todas essas descobertas podem facilitar o diagnóstico dos nódulos e cancro da tiroide e, como consequência, deve-se conduzir ao desenvolvimento de probióticos úteis para o seu tratamento.

 

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Zhang J et al. Dysbiosis of the gut microbiome is associated with thyroid cancer and thyroid nodules and correlated with clinical index of thyroid function. Endocrine 2019 Jun;64(3):564-574.

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Doença hepática (fígado gordo): quais são os benefícios da farinha integral?

Será que o trigo integral pode diminuir o risco de doença hepática gordurosa não alcoólica que resulta de uma alimentação rica em gorduras?

A microbiota intestinal Obesidade Doenças hepáticas Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal
Actu GP : Maladie du foie gras : qu’apporte la farine complète ?

O principal sintoma da (sidenote: Síndrome metabólica Combinação de vários distúrbios metabólicos: hipertensão, perímetro da circunferência abdominal aumentado, aumento dos níveis de triglicéridos e glicose no sangue associados a níveis de colesterol “bom” baixos. Alberti KG, Zimmet P, Shaw J. The metabolic syndrome--a new worldwide definition. Lancet. 2005 ; 366 (9491) : 1059-62. ) é a acumulação de gordura (triglicéridos) no fígado, que além de aumentar o risco de esteatose hepática não alcoólica (EHNA), também pode alterar todo o sistema digestivo, levando ao aumento de fatores de risco cardiometabólicos mais propriamente doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2. Será que a substituição da farinha refinada (branca) por farinha integral (mais rica em fibras, minerais e vitaminas) pode ajudar a limitar esses riscos? Estudos científicos tendem a confirmar essa hipótese. No entanto, os mecanismos subjacentes permanecem pouco compreendidos, ilustrando a complexidade das relações entre os órgãos envolvidos no metabolismo, especialmente intestino, tecido adiposo e fígado.

Farinha de trigo integral vs. farinha refinada

Para avaliar os benefícios da farinha de trigo integral no sistema digestivo (incluindo fígado, tecido adiposo e microbiota), um grupo de investigadores holandeses compararam os efeitos com os da farinha refinada em 50 adultos com excesso de peso, cujos níveis totais de colesterol estavam ligeiramente elevados. Doze semanas depois, os resultados mostraram que o processo de refinação do trigo não afeta os níveis lipídicos (de gordura) do sangue, nem os níveis de açúcar, nem tão pouco a gordura abdominal subcutânea ou profunda. No entanto, os níveis de triglicéridos hepáticos aumentaram em 50%, elevando a quantidade de participantes com EHNA do grupo que consumiu farinha refinada de 33% para 44%. No sentido inverso, a taxa alcançada diminuiu de 35% para 25% no grupo que ingeriu farinha de grãos integrais. Observou-se uma diminuição na diversidade bacteriana e uma mudança na composição da microbiota intestinal no grupo da farinha refinada.

Um tratamento para EHNA?

Os resultados tendem a descrever que os benefícios dos produtos à base de trigo integral como uma via preventiva e terapêutica para a doença hepática gordurosa. Os efeitos protetores contra os distúrbios metabólicos podem ser atribuídos aos benefícios hepáticos de alguns componentes químicos presentes naturalmente no trigo integral ou à fermentação de fibras pelas bactérias da flora intestinal. A confirmar-se esta hipótese estamos perante uma variabilidade direta da comunicação bidirecional entre fígado e intestino.

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Sources :

Schutte S et al. A 12-wk whole-grain wheat intervention protects against hepatic fat: the Graandioos study, a randomized trial in overweight subjects. Am J Clin Nutr 2018;108:1264–1274

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Pode o queijo ser benéfico para proteção de alergias nas crianças?

Um estudo europeu demonstrou que as crianças que comem queijo a partir dos 18 meses de idade são menos propensas a desenvolver alergias durante os primeiros seis anos de vida.

A microbiota intestinal Alergias alimentares Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal
Actu GP : Donner du fromage à vos enfants pour prévenir leurs allergies ?

Seja Cheddar, Stilton, queijo azul ou Camembert. Para evitar o aparecimento de alergias alimentares ou cutâneas, a dieta das crianças deve incluir porções significativas de queijo e desde na mais tenra idade. Foi o que sugeriu um estudo promovido pelo Institut National de la Recherche Agronomique (INRA) e pelo Hospital de Ensino de Besançon, em França. Pela primeira vez é estabelecida ligação entre o consumo precoce de queijo e a diminuição do risco de doenças alérgicas na infância. Esta conclusão foi publicada na revista científica Allergy e foi recebida com júbilo na França.

Diversificando os tipos de queijo

O estudo envolveu cerca de mil crianças de cinco países europeus diferentes, que viviam no campo, tendo sido monitorizadas desde o seu nascimento. Os seus pais relataram os hábitos alimentares da família, os estilos de vida e o estado de saúde dos jovens participantes. Os resultados revelaram que as crianças que ingeriram queijo regularmente e / ou em grandes quantidades a partir dos 18 meses de idade desenvolveram menos alergias alimentares e eczema (dermatite atópica) do que as demais nos primeiros seis anos de vida. Quanto mais variado for o queijo, mais benefícios parece trazer. No entanto, o estudo não revelou nenhum efeito protetor do queijo contra a rinite alérgica ou asma.

Microbiota mais rica

Os investigadores assumem que esse efeito protetor está relacionado com os diferentes microrganismos (bactérias, leveduras e bolores) presentes no queijo. Essa diversidade microbiana parece ter um impacto positivo na composição da microbiota intestinal humana, além de uma dieta variada e equilibrada durante o primeiro ano de vida (vegetais, frutas, iogurtes, leite...). Os cientistas consideram que "graças à sua rica composição microbiana, o queijo pode mudar a flora intestinal e promover sua diversidade", lembrando que muitos estudos já mostraram que a interrupção da maturação da microbiota ou o seu empobrecimento é um terreno fértil para alergias. Para entender melhor o impacto do queijo na microbiota, os cientistas pretendem agora analisar a microbiota intestinal dos amantes de queijo.

 

Fontes:

Nicklaus S, Divaret‐Chauveau A, Chardon ML et al. Pasture Study Group. The protective effect of cheese consumption at 18 months on allergic diseases in the first 6 years. Allergy. 2019 Apr;74(4):788-798

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