Dia da Mulher na Ciência: quais são os seus temas de investigação em microbiota?

Elas exploram, procuram e sensibilizam para a importância da microbiota na saúde. Para celebrar o Dia Internacional da Mulher e da Rapariga na Ciência (11 de fevereiro), o Instituto Biocodex Microbiota está a dar a palavra às mulheres cientistas particularmente ativas na investigação da microbiota.

A microbiota intestinal A microbiota vaginal
Women in Science Day: let’s meet our inspiring microbiota scientists

Elas estudam a microbiota intestinal

Microbiota intestinal: ainda existem muitas coisas a descobrir

Por Dr. Deanna Gibson

Endometriose e microbiota: existe uma ligação?

Por Vanessa Gouyot, Dra. Laetitia Viaud Poubeau & Dr. Erick Petit

Covid-19: a microbiota é a chave que faltava?

Por Prof. Sarah Lebeer e Dra. Irina Spacova

Dia Internacional da Mulher e da Rapariga na Ciência

Lançado pelas Nações Unidas em 2015, o Dia Internacional da Mulher e Rapariga na Ciência (11 de fevereiro) pretende reconhecer o papel crítico que as mulheres e raparigas desempenham na ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM) e promover esforços para alcançar a igualdade de género na ciência.

Elas estudam a microbiota vaginal

Menopausa: novas perspetivas provenientes da microbiota?

Por Pr. Ina Schuppe Koistinen

Período menstrual e microbiota vaginal: o progresso da ciência...

Por Pr. Ina Schuppe Koistinen

1/3 das investigadores são mulheres

Segundo a UNESCO, as mulheres representam 33,3% dos investigadores em todo o mundo.

Microbiota e Cancro

Por Pr. Laurence Zitvogel

Para ainda mais conteúdo sobre as mulheres que ajudam a ciência e a microbiota, leia a pagina em ingles.

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Dia da Mulher na Ciência: elas investigam sobre a microbiota!

Elas são mulheres. Vêm da Finlândia, França, EUA, Canadá... Estão a fazer um grande sucesso na investigação da microbiota. Para celebrar o Dia Internacional da Mulher e da Rapariga na Ciência (11 de fevereiro), o Instituto Biocodex Microbiota está a dar a palavra a mulheres investigadoras e médicas particularmente ativas na investigação da microbiota.

Women in Science Day: they make microbiota research!

Mulheres investigadoras em microbiota

Endometriose e Microbiota: quais são as ligações?

Por Dr. Laetitia Viaud Poubeau, Vanessa Gouyot & Dr. Erick Petit

A resistência aos antibióticos é uma teia de diferentes problemas

Por Dr. Windi Muziasari & Pr. Christian G. Giske

O impacto da dieta ocidental na camada de muco

Por Dr. Larissa Celiberto

Dialogo entre a microbiota intestinal e as respostas imunitarias do hospedeiro para combater as infeções pela

Por Dr. Dorota Czerucka

Dia Internacional da Mulher e da Rapariga na Ciência

Lançado pelas Nações Unidas em 2015, o Dia Internacional da Mulher e Rapariga na Ciência (11 de fevereiro) pretende reconhecer o papel crítico que as mulheres e raparigas desempenham na ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM) e promover esforços para alcançar a igualdade de género na ciência.

Papel da microbiota na imunidade da pele e na dermatite atópica

Por Pr. Brigitte Dréno

Pode o microbioma intestinal ser visado de forma a otimizar a eficácia vacinal contra o sars-cov-2?

Por Dr. Genelle Healey

1/3 das investigadores são mulheres.

Segundo a UNESCO, as mulheres representam 33,3% dos investigadores em todo o mundo.

Amortecimento da inflamação gastrointestinal atraves da nutrição

Por Dr Deanna Gibson & Dr. Genelle Healey

Da diarreia às doenças crónicas: as consequências da disbiose da microbiota intestinal provocada por antibióticos

Por Lynne Mc Farland

Microbiota ORL: quando os antibióticos desafiam a nossa primeira linha de defesa

Por Pr. Natacha Teissier

Cursos acreditados pelas nossas especialista

Xpeer: Estabelecimento precoce da microbiota intestinal

Por Ericka Montijo

Xpeer: A lógica por detrás de porquê e como escolher um probiótico

Por Mary Ellen Sanders

Xpeer: A relação entre a microbiota intestinal e a doença metabólica

Por Pr. Karine Clément

Exploradoras da microbiota: Os projetos nacionais vencedores da Fundação Biocodex Microbiota

Para saber mais sobre as mulheres que impulsionam a pesquisa sobre microbiota, visite nossa página em inglês.

Recomendado pela nossa comunidade

"Que bela dedicação às mulheres e raparigas na ciência. Obrigado pela amável menção e parabéns a todas pelas vossas realizações." - Vanessa Carter (Do Biocodex Microbiota Institute no LinkedIn)

"Obrigada por este reconhecimento que reforça o meu empenho em promover a ciência do microbiota junto do público mais vasto para a prevenção da saúde. Parabéns a todos pelas suas realizações." - Anne-Sophie ALVAREZ (Do Biocodex Microbiota Institute no LinkedIn)

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Esquizofrenia e comportamento agressivo: o que é o envolvimento da microbiota intestinal?

Em adultos esquizofrénicos, um fenótipo pró-inflamatório, stress oxidativo, disbiose e permeabilidade intestinal estão associados a um comportamento agressivo. Poderá esta ser a base para futuras terapias microbianas ou anti-inflamatórias?

A esquizofrenia afecta 1% da população adulta, particularmente os adultos jovens. Pensa-se que esta doença psiquiátrica aumenta a propensão para a agressão, embora não saibamos realmente porquê. No entanto, estão a surgir algumas pistas, envolvendo a microbiota intestinal e uma possível translocação bacteriana quando a mucosa intestinal perde o seu selo. Seguindo esta hipótese, um estudo recente traçou o perfil da diversidade e composição da microbiota intestinal, certos (sidenote: Ácidos Gordos de Cadeia Curta (AGCC) Os Ácidos Gordos de Cadeia Curta são uma fonte de energia (carburante) das células do indivíduo, interagem com o sistema imunitário e estão envolvidos na comunicação entre o intestino e o cérebro. Silva YP, Bernardi A, Frozza RL. The Role of Short-Chain Fatty Acids From Gut Microbiota in Gut-Brain Communication. Front Endocrinol (Lausanne). 2020;11:25. ) fecais (ácidos gordos de cadeia curta) e neurotransmissores de 50 doentes esquizofrénicos, 25 dos quais tinham um comportamento agressivo. Objectivo: compreender a ligação entre inflamação, oxidação, permeabilidade intestinal e microbiota em doentes esquizofrénicos com comportamento agressivo.

Um fenótipo inflamatório...

Os resultados mostram que os doentes esquizofrénicos com tendências agressivas tinham aumentado significativamente os níveis de biomarcadores séricos de ácido nucleico e oxidação lipídica em comparação com os doentes esquizofrénicos não agressivos. Estas respostas pró-oxidativas e pró-inflamatórias estavam relacionadas com a gravidade da agressão, sugerindo uma co-implicação da inflamação sistémica e da oxidação no desenvolvimento da agressão na esquizofrenia.

1% das populações globais são afectadas pela esquizofrenia.

quatro a sete A esquizofrenia pode aumentar a propensão para a incidência de agressão.

... associada a uma disbiose bacteriana

Os doentes esquizofrénicos com tendência a serem agressivos também mostraram uma diversidade bacteriana muito menor. Esta disbiose intestinal parece assim estar correlacionada com a etiologia ou a gravidade da agressividade em indivíduos esquizofrénicos, embora nenhuma relação causal possa ser concluída.

Além disso, a abundância do género Prevotella foi significativamente aumentada, enquanto Bacteroides, Faecalibacterium, Blautia, Bifidobacterium, Collinsella e Eubacterium coprostanoligenes foram grandemente esgotadas no grupo de pacientes com tendências agressivas. Esta alteração foi acompanhada de reduções significativas em alguns metabolitos, embora os autores não possam estabelecer um nexo causal: 6 SCFAs fecais (ácidos acético, propanóico, butírico, isobutírico, isovalérico e isohexanóico) e 6 neurotransmissores (5-hidroxitriptofano, levodopa, cloridrato de norepinefrina, cloridrato de adrenalina, ácido cinurénico e histidina) foram encontrados significativamente menos presentes em doentes com comportamento agressivo.

Uma hipótese a ser confirmada

Tendo em conta estes resultados como um todo, os autores fazem a hipótese de que o fenótipo sistémico pró-inflamatório anteriormente observado em esquizofrénicos com tendência agressiva envolve alterações na microbiota intestinal e nos seus metabolitos, hiper-permeabilidade da parede intestinal permitindo que as bactérias intestinais alcancem a circulação geral causando stress oxidativo, que está ligado à gravidade do carácter agressivo. Assim, a hiper-inflamação teria levado, através da microbiota intestinal, à hiper-oxidação e, em última análise, à agressividade. Esta hipótese tem ainda de ser validada em estudos de maior escala.

Recomendado pela nossa comunidade

"Ah, registado" - Comentário traduzido de Kamara Daniel (Da Biocodex Microbiota Institute em X)

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Legumes fermentados: boas razões para colocá-los no cardápio

Qual a relação entre a chucrute, o combucha, o pão com fermento ou o kefir1? Todos são alimentos fermentados e os seus benefícios para a saúde interessam cada vez mais aos cientistas. Um estudo americano2 revela que, com apenas 6 semanas, comer uma porção de legumes fermentados provocará benefícios na microbiota intestinal.

A microbiota intestinal

Segundo a definição científica oficial, os alimentos fermentados são “alimentos preparados com ajuda de um crescimento microbiano e conversões enzimáticas de compostos alimentares” 3. De modo mais simples, eles são transformados com microrganismos como os lactobacilos (agora fala-se de alimentos lactofermentados) e outras espécies de bactérias, fungos filamentosos ou leveduras3. Fontes de microrganismos benéficos, vitaminas, prebióticos e compostos bioativos de origem vegetal equilibradores da microbiota intestinal, estes alimentos não trariam benefícios digestivos e metabólicos, de acordo com diferentes estudos3,4.

5.000 alimentos fermentados Mais de 5.000 alimentos e bebidas fermentadas são conhecidas no mundo, que contribuem para entre 5 e 40% da alimentação humana.

Quando a fermentação chega aos nossos pratos

Então porque não integrar alimentos fermentados na nossa alimentação diária para melhorar a nossa forma? Investigadores decidiram avaliar a viabilidade e o efeito do consumo de vegetais fermentados (couve e pepinos pequenos de conserva) durante 6 semanas na composição da microbiota intestinal de 31 mulheres. As participantes foram divididas em três grupos: o primeiro a consumir 100 g de vegetais fermentados por dia, o segundo 100 g dos mesmos vegetais em salmoura (não fermentados mas conservados por acidificação3) por dia, e o terceiro grupo de controlo, a quem foi pedido que continuassem a sua dieta habitual. Foram recolhidas amostras de fezes no início e no fim do estudo para análise da microbiota intestinal.

Bactérias mais benéficas na microbiota intestinal

Resultados: a microbiota intestinal das mulheres que consumiram legumes fermentados era mais rica em bactérias Faecalibacterium prausnitzii, que, segundo o estudo, seriam abundantes em pessoas com boa saúde e protegeriam contra a inflamação, o stress oxidativo e os germes patogénicos. Haveria também menos Ruminococcus torques, bactérias que favorecem a inflamação e problemas metabólicos. Em geral, a sua microbiota apresentava uma maior diversidade microbiana, o que é benéfico para o seu equilíbrio.

Um trânsito favorecido pela couve/repolho fermentada(o)!

Quanto à digestão, as mulheres que consumiram legumes fermentados tinham mais gases do que aquelas que não consumiram, facto esperado pois a couve e o repolho são alimentos conhecidos pela produção de gás natural! Porém, elas tinham menos diarreia do que as que consumiam vegetais em salmoura, o que sugere que a fermentação dos vegetais melhora a consistência das fezes e provoca menos dores de estômago do que os outros dois grupos. Finalmente, em termos de aderência, enquanto 70 a 90% das mulheres dos grupos da couve/repolho em salmoura se agarraram à sua dieta, algumas começaram a achá-la custosa no final das 6 semanas...

Este estudo piloto indica que consumir 100 g de vegetais fermentados por dia durante 6 semanas é viável e benéfico para a microbiota intestinal: é agora necessário realizar mais trabalho para determinar se os vegetais fermentados podem combater eficazmente as disbioses. Os seus autores sugerem propor aos participantes legumes mais variados para reduzir os efeitos indesejáveis e a fadiga.

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Uretrites idiopáticas masculinas: novas etiologias infecciosas identificadas?

Nos homens, as uretrites idiopáticas são largamente tratadas por antibioticoterapia probabilística. De modo a encontrar uma abordagem mais direcionada para estas infeções comuns, os investigadores1 analisaram a microbiota urinária e uretral de indivíduos sintomáticos tendo em consideração a sua orientação sexual. “Novas” bactérias potencialmente implicadas foram identificadas, entre elas Haemophilus influenzae.

A uretrite é uma doença sexualmente transmitida (DST), principalmente devido à Neisseria gonorrhoeae, como também à Chlamydia trachomatis ou ainda o Mycoplasma genitalium, e, menos comum, por um vírus como o herpes simples. Porém, até 50% das uretrites não gonocócicas são consideradas idiopáticas. Em casos raros, são não infecciosas e as suas etiologias são geralmente indeterminadas, o que provoca um desafio diagnóstico e terapêutico aos clínicos. A antibioterapia probabilista é largamente aplicada nestes casos mas pode chegar a tratamentos inadequados ou excessivos num contexto de risco de resistência a antibióticos. Aliás, recentes estudos sugerem que os agentes infecciosos responsáveis pelas uretrites não gonocócicas diferem entre homens que têm relações sexuais com mulheres (HSF) e homens que têm relações sexuais com homens (HSH).

Uma exploração da microbiota urinária e uretral em função da orientação sexual

Investigadores australianos desejaram determinar que agentes infecciosos, para além dos já conhecidos, poderiam contribuir para a uretrites gonocócicas no homem, tendo em conta as práticas sexuais e o género dos seus parceiros. Para isso, realizaram um estudo de casos incluindo 199 homens, entre os quais 96 apresentavam sintomas de uretrite idiopática e 103 que não apresentavam, que serviram de controlos. Com idade média de 31 anos, 73 tiveram relação com um homem nos meses anteriores, o que levou à inclusão na classe (HSH) e os outros na classe HSF. Para todos eles, os investigadores dispunham de amostras de microbiota urinária e uretral utilizáveis para uma análise de sequência.

Uretrites nem tão “idiopáticas” assim: em direção a tratamentos mais direcionados 

Os seus resultados mostraram que o Haemophilus influenzae, que coloniza naturalmente a microbiota da nasofaringe foi mais abundante nos HSH com uretrite idiopática. Além disso, o H. influenzae estava mais associado a certas características clínicas como queimadura uretral, disúria e corrimento purulento. Os investigadores estimam que o sexo oral sem preservativo poderia ser o principal modo de contaminação por esta bactéria. O género Corynebacterium estava, por sua vez, aumentada nos HSF afetados, o que surpreendeu os investigadores pois é considerado normal na microbiota genital masculina. Certas espécies específicas de Corynebacterium poderiam tornar-se patogénicas quando o seu número é elevado, segundo os investigadores. Ureaplasma, Staphylococcus haemolyticus, Streptococcus pyogenes, Escherichia e Streptococcus pneumoniae estavam também aumentados na microbiota urinária e uretral dos indivíduos sintomáticos, podendo, desta forma, favorecer a uretrite. 

Foram assim descobertas possíveis causas infecciosas de uretrites não gonocócicas, que variam segundo a orientação sexual. Se estes resultados forem confirmados, os médicos podem propor tratamentos mais específicos para os seus pacientes.

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Insónia em pessoas idosas: a microbiota intestinal implicada?

Mostre-me a sua microbiota e dir-lhe-ei como dorme (e cogita). Esta é basicamente a conclusão de um estudo que demonstra uma interrelação entre os distúrbios do sono, a cognição e a microbiota intestinal nos idosos com insónias.

A microbiota intestinal Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal
Insomnie chez les personnes âgées : le microbiote intestinal impliqué ?

Difícil dormir como um bebé quando já soprou 65 velinhas. Nesta idade, uma em cada duas pessoas sofre de (sidenote: Insónias Dificuldade em adormecer, de manter o sono, de um acordar precoce ou a sensação de um sono não reparador. A sua gravidade é medida em termos de frequência da ocorrência ou do impacto diurno sobre as atividades diárias e desempenho social e cognitivo. As insónias podem ser agudas, se duram menos de um mês ou crónicas se duram mais de 6 meses.  Amatéis, C., Büla, C., Insomnies chez les personnes âgées : quelle approche ?, Rev Med Suisse, 2007/132 (Vol.-7), p. 2537–2541. ) crónicas, que agravam os distúrbios (sidenote: Cognição Conjunto de processos mentais associados ao conhecimento, que atuam sobre a atenção, a aprendizagem, a inteligência, a linguagem, a memória, a perceção, a tomada de decisão, a resolução de problemas, o raciocínio, etc. Cognition_National Cancer Institute ) associados à idade. Mas fique tranquilo: os investigadores estão a trabalhar para decifrar os mecanismos subjacentes que ainda são mal compreendidos. Uma equipa que estudou a microbiota intestinal, identificou há vários anos como é capaz de influenciar o nosso cérebro1.

50% As insónias afetam cerca de 50% da população adulta com mais de 65 anos.

1 em cada 2 idosos As insónias afetam1 em cada 2 idosos, contra1 em cada 3 pessoas ou mesmo1 em cada 6 pessoas da população geral.

Assim, com o passar dos anos, a dentição, a função salivar, a digestão, o trânsito intestinal são afetados, provocando um desequilíbrio (disbiose) na microbiota intestinal: a sua composição e a diversidade dessa flora colorida de bactérias, fungos, vírus e outros pequenos (sidenote: Microrganismos Organismos vivos que são demasiado pequenos para serem vistos a olho nu. Incluem as bactérias, os vírus, os fungos, as arqueias, os protozoários, etc., e são vulgarmente designados "micróbios". What is microbiology? Microbiology Society. ) evoluem com o tempo, de modo que a microbiota dos idosos afasta-se progressivamente da dos adultos mais jovens.

A evolução da microbiota intestinal associada às insónias

Nos idosos com insónias, os investigadores observaram que um ramo bacteriano (os Bacteroidetos) existia em maior quantidade enquanto que os Firmicutes e as Proteobacteria estavam menos presentes nos pacientes saudáveis. Mas sobretudo os investigadores mostraram, segundo um estudo anterior2 que nos idosos com insónias, o sono e a cognição explicam, por si só, o sono e a cognição 7,5 a 7,9% da variação da composição da microbiota intestinal), ou seja, um impacto importante comparável ao provocado pelos medicamentos, os parâmetros sanguíneos, o trânsito digestivo, o regime alimentar, o estado de saúde, o peso e a altura!

Envelhecer ou dormir: é preciso escolher!

A idade não é uma causa em si de insónias, porém representa um fator que a favorece derivada dos problemas de saúde associados ao avançar da idade3.

Bactérias típicas das pessoas com insónias

Outra descoberta: os séniores com insónias, que têm nos seus intestinos uma grande proporção de bactérias do género Lachnoclostridium têm um sono eficaz e desempenho cognitivo mais elevado. Inversamente, os desempenhos cognitivos mais fracos estão associados a uma maior presença de Blautia.
É inútil procurar uma relação causa e efeito: é impossível neste estado. Entretanto, a microbiota intestinal poderia, um dia, auxiliar no diagnóstico dos idosos que sofrem de insónias e de declínio cognitivo. E, se um dia, a relação causa-efeito for comprovada, poderá ser um alvo terapêutico no campo do envelhecimento... e do sono. Mas até lá, o senhor dos sonhos terá ido e vindo muitas vezes...

A microbiota intestinal

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Período menstrual e microbiota vaginal: o progresso da ciência...

Publicações científicas recentes vieram fornecer novos dados que destacam o papel fundamental da microbiota vaginal na saúde das mulheres. O Instituto Biocodex Microbiota lança um conjunto de entrevistas com especialistas dedicado à microbiota, às mulheres e à saúde. O que já é que já se sabe sobre a microbiota e a saúde feminina? O que é que ainda falta descobrir?

Segundo ato: o ciclo menstrual e a microbiota vaginal. A Prof. Ina Schuppe Koistinen, investigadora da microbiota, diz-nos tudo!

A microbiota vaginal Candidíase Vaginose bacteriana - um desequilíbrio na microbiota vaginal A microbiota intestinal Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal
Periods & vaginal microbiota: Science in progress…

52% Apenas 1 em cada 2 mulheres sabe que a microbiota vaginal tem uma função de autolimpeza

O que é exatamente a microbiota vaginal e qual é o seu papel?

Prof. Ina Schuppe Koistinen:  A microbiota vaginal define-se como o ecossistema complexo de (sidenote: Microrganismos Organismos vivos que são pequenos demais para serem vistos a olho nu. Eles incluem as bactérias, os vírus, os fungos, as arqueas, os protozoários, etc... E são comumente chamados de “micróbios” Fonte: What is microbiology? Microbiology Society.
 
)
, incluindo bactérias, vírus e fungos, que vivem no interior da vagina e que evoluiu biologicamente para ajudar a proteger o sistema reprodutivo feminino.

A microbiota vaginal

Saiba mais

Contrariamente à intestinal, uma microbiota vaginal saudável possui uma diversidade reduzida e é dominada por espécies de Lactobacillus. Os lactobacilos protegem a vagina contra a proliferação de outros organismos, mantendo o pH vaginal baixo através da produção de ácido láctico e agentes antimicrobianos como o H2O2 e de bacteriocinas. Além disso, competem por nutrientes, aderem firmemente à membrana mucosa e modulam o sistema imunitário local.

Como é que a microbiota vaginal se altera durante o ciclo menstrual?

I. S.-K.: Sabemos que uma microbiota vaginal saudável é resistente a alterações como as menstruações, a atividade sexual e as flutuações hormonais. Na maioria das mulheres, mas não em todas, a microbiota vaginal permanece relativamente estável durante o período menstrual. O sangue da menstruação aumenta o pH e proporciona nutrientes a bactérias vaginais como Gardnerella ou Prevotella, que se encontram associadas a uma microbiota vaginal desequilibrada (aquilo que chamamos uma (sidenote: Disbiose A "disbiose" não é um fenómeno homogéneo – varia em função do estado de saúde de cada indivíduo. É geralmente definida como uma alteração da composição e do funcionamento da microbiota, causada por um conjunto de fatores ambientais e relacionados com o indivíduo que perturbam o ecossistema microbiano. Levy M, Kolodziejczyk AA, Thaiss CA, et al. Dysbiosis and the immune system. Nat Rev Immunol. 2017;17(4):219-232. ) ).

Portanto, existe um efeito durante a hemorragia que faz com que a microbiota vaginal fique mais diversificada1, mas esta recupera normalmente quando a fase menstrual termina (e é o que chamamos "resiliência").

As proteções higiénicas têm impacto na minha microbiota vaginal?

I. S.-K.: Existem poucos dados científicos sobre a relação entre a menstruação, o método de proteção higiénica e a microbiota vaginal. Neste momento, não se sabe se as proteções higiénicas influenciam a sua composição. Trata-se de uma situação verdadeiramente crítica porque metade da população feminina (cerca de 26% da população mundial2) se encontra em idade reprodutiva e é abrangida, mas ainda não houve qualquer grande estudo de coorte que tivesse comparado a várias proteções higiénicas: tampão, penso, copo menstrual ou cuecas absorventes. Num estudo de investigação em curso, na Suécia, estamos a investigar o impacto da proteção higiénica na microbiota vaginal de 2.000 mulheres. Mal posso esperar para ver os resultados.

Período menstrual: não subestime o poder da sua alimentação!

Muitas mulheres descrevem ter sintomas gastrointestinais (GI) durante o período (inchaços, dores abdominais, diarreia, etc.). Sabia que uma dieta saudável pode aliviar as dores do sistema digestivo associadas à menstruação? Os legumes, os frutos e os alimentos fermentados ricos em bifidobactérias e lactobacilos, bem como os ricos em fibras e com propriedades anti-inflamatórias, podem ser benéficos para a sua microbiota intestinal. É a altura perfeita para experimentar o kimchi e a chucrute, se ainda não estiver convencida!

Existe alguma relação entre os períodos dolorosos e a microbiota?

I. S.-K.:  Mais uma vez, e infelizmente, existe muito pouca pesquisa sobre este tema. Segundo um estudo feito na Suécia3, 50% das jovens adolescentes relataram dor durante o período menstrual, e quase 40% dor intensa. As pesquisas têm mostrado que as mulheres com dor menstrual possuem níveis elevados de prostaglandinas, hormonas conhecidas por causarem cólicas abdominais.

50% das jovens adolescentes relataram dor durante o período menstrual.

Neste momento, não se sabe se existe envolvimento da microbiota. É necessário reforçar a investigação porque sempre foi dito às raparigas que é normal ter dores menstruais. Mas não é! É necessário investigar os fatores associados à dor menstrual no sentido de se aliviar as mulheres e de se melhorar o diagnóstico da endometriose. De acordo com a Forbes, apenas 4% do total do financiamento de I&D na indústria farmacêutica são dedicados a questões específicas da saúde feminina, o que é bastante desencorajador.... Estou convencida de que necessitamos de aumentar a consciencialização para este tema, é essa a minha missão!

Existe algum risco de aumento das infeções vaginais durante o ciclo menstrual? Isso está relacionado com a minha microbiota?

I. S.-K.: O risco de infeções vaginais (por Candida ou vaginose bacteriana) agrava-se durante o período e isso está relacionado com a microbiota vaginal. Como já expliquei, o sangue menstrual cria um ambiente que favorece o crescimento de bactérias patogénicas, gerando (sidenote: Disbiose A "disbiose" não é um fenómeno homogéneo – varia em função do estado de saúde de cada indivíduo. É geralmente definida como uma alteração da composição e do funcionamento da microbiota, causada por um conjunto de fatores ambientais e relacionados com o indivíduo que perturbam o ecossistema microbiano. Levy M, Kolodziejczyk AA, Thaiss CA, et al. Dysbiosis and the immune system. Nat Rev Immunol. 2017;17(4):219-232. ) .

72 million milhões de mulheres em todo o mundo que têm de enfrentar o período sem terem acesso a uma casa de banho decente.

De acordo com a (sidenote: Fontes ) , há 72 milhões de mulheres em todo o mundo que têm de enfrentar o período sem terem acesso a uma casa de banho decente. Além disso, há mulheres que podem não ter possibilidade de pagar a proteção higiénica e sofrem um maior risco de infeções. São necessários recursos e instrução para se melhorar esta situação.

Sexo durante o período: há algum impacto na microbiota vaginal e no risco de infeções?

I. S.-K.: Ter relações sexuais durante o período menstrual não causa quaisquer problemas, mas se a sua microbiota vaginal for mais suscetível à disbiose, é recomendável usar preservativo. Todas as práticas sexuais onde exista troca de fluidos corporais podem agravar a disbiose vaginal. Uma microbiota vaginal disbiótica torna-a mais suscetível a infeções sexualmente transmissíveis por bactérias como a clamídia e a gonorreia, e por vírus, como o do papiloma humano (HPV) ou o VIH4-6.

Tem algum conselho sobre como cuidar da microbiota vaginal durante o período menstrual?  

I. S.-K.:  O primeiro conselho que posso dar é que cada mulher deve escolher os produtos com os quais se sinta confortável. Isso ajudá-la-á a enfrentar o período menstrual da melhor forma, sentindo-se confortável e segura. É importante escolher um produto que corresponda ao seu fluxo de sangue.

Depois, há regras muito simples a seguir: trocar o seu tampão ou seu copo menstrual (terá de esterilizá-lo antes da inserção) a cada 4 a 6 horas para limitar o risco de (sidenote: Síndrome do choque tóxico: É uma patologia rara, mas que implica risco de vida, que é causada por bactérias que penetram no organismo e libertam toxinas nocivas, e que está associada ao uso de tampões e copos menstruais. Fontes. ) 7, lavar as mãos antes de inserir a proteção higiénica e evitar tampões ou pensos absorventes com perfume e outros tipos de produtos químicos. A vagina limpa-se com as respetivas descargas, pelo que a lavagem vaginal é desnecessária. Deve-se lavar a vulva com água morna, com uma solução de limpeza sem sabão ou com óleos isentos de perfume e não usar agentes antimicrobianos que possam perturbar a microbiota. Convém praticar sexo seguro, usar de brandura para com a vulva e a vagina e não utilizar demasiado sabão nem perfumes, este é o melhor conselho que eu posso dar!

Descubra a entrevista da Prof. Ina Schuppe Koistinen:

Imagem
Periods and vaginal microbiota_vignette PT
BMI 22.55

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"Penso que é uma boa ideia publicar este artigo porque pode lê-lo na privacidade da sua própria casa, sem ninguém por perto." - Louise Strong (From my health, my microbiota)

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Patients stories: viver com a Síndrome do Intestino Irritável (SII)

PATIENTS STORIES: o Biocodex Microbiota Institute dá voz aos pacientes para partilharem a sua história, a sua vida diária, mas também os seus conselhos para se aprender a viver com a doença.

A microbiota intestinal A síndrome do intestino irritável (SII) Doenças gastrointestinais funcionais
SII
Patients stories IBS

Este novo formato é dedicado à Síndrome do Intestino Irritável (SII): 75% das pessoas que sofrem de SCI não são diagnosticadas, apesar de a doença afetar 10% da população. A razão para isto é o facto de a doença não se poder explicar por qualquer anomalia anatómica detetável.

Os primeiros episódios da nossa série são realizados com o apoio da APSSII.

52% Apenas 1 em cada 2 pessoas que sofreram de uma patologia digestiva envolvendo a microbiota, associa os dois

Jennifer e a Sindrome do Colon Irritavel (SCI)

Leia o testemunho de Jennifer

Aos 32 anos, Jennifer é gestora de produto na indústria da moda. Foi-lhe diagnosticada Síndrome do Intestino Irritável aos 29 anos, após 21 anos a peregrinar para os médicos.

Imagem
Jennifer e a Sindrome do Colon Irritavel (SCI)
Jennifer e a Síndrome do Intestino Irritável

Chamo-me Jennifer, tenho 32 anos e sou gestora de produto no setor da moda.

Pode-nos descrever a Síndrome do Intestino Irritável?

A Síndrome do Intestino Irritável é uma doença digestiva crónica, invisível e incompreendida.

Quais eram os seus sintomas?

Eu tinha prisão de ventre, como que punhais no estômago, dores, espasmos, náuseas, diarreia de vez em quando e, além disso, também sentia fadiga crónica.

Os meus primeiros sintomas, surpreendentemente, foram alergias alimentares, e também desenvolvi a Síndrome de Raynaud, o que significa que tinha sempre as extremidades, mãos e pés, extremamente frias, uma vez que o sangue já não circula.

Tinha ainda dores nas costas de tal ordem que tive de usar um colete ortopédico aos 25 anos.

Quanto tempo foi preciso esperar pelo diagnóstico?

Tive os sintomas durante 21 anos, até ser diagnosticada aos 29.

Que evento a levou a consultar um médico?

Certa manhã, levantei-me extremamente cansada, demasiado atrasada para ir trabalhar. E aí desfaleci.

Onde procurou aconselhamento quanto aos seus sintomas?

De início, fui a médicos de clínica geral e a gastroenterologistas, mas as respostas eram sempre as mesmas: como à partida sofria bastante de obstipação, davam-me muitos laxantes e não procuravam mais nem iam mais longe. Também fui a reumatologistas e nunca obtive qualquer resposta até ao último gastroenterologista que me viu, que me falou sobre a Síndrome e os FODMAP.

O que são os FODMAP?

São um conjunto de açúcares fermentáveis dentro dos alimentos que podem causar problemas a que sofre de Síndrome do Intestino Irritável.

Sabia que a sua microbiota intestinal poderá desempenhar um papel na SII?

Soube do envolvimento da minha microbiota desde o momento em que o gastroenterologista me ajudou a perceber que era a minha alimentação que causava o problema. A partir do momento em que alterei a minha dieta, implementando um protocolo FODMAP e conseguindo cuidar de novo da minha microbiota, todos os meus sintomas desapareceram. Mas todos, de facto.

Como é viver com a SII no dia-a-dia?

Na minha vida quotidiana, lido com a doença adotando um estilo de vida saudável. Preciso realmente de dormir e de estar atenta ao que como. E tento também evitar o mais possível qualquer stress desnecessário que também possa afetar o meu estômago e, consequentemente, a minha cabeça.

O que nos pode dizer sobre a ligação intestino-cérebro na SII?

Para mim, o intestino irritável confirma o facto de a cabeça e o estômago estarem completamente ligados. Para mim, é até o intestino que funciona como primeiro cérebro. Quando há algo de errado no estômago, só pode piorar na cabeça.

E qual é a sua mensagem pessoas que sofram de SII?

Tenho imensos conselhos que posso dar às pessoas com intestino irritável, e por acaso até criei um blog, que se chama foodmapers.com, no qual reúno todos esses conselhos.

Já passei por lá. Não se pode continuar a fazer radiografias e ecografias ao longo de 20 anos e ainda assim continuar a dizer que não há nada. Claro que pode haver algo. E depois de haver esse diagnóstico, há muito que fazer em termos de nutrição, em termos de ansiedade, quanto a stress e quanto a períodos de sono.

Uma palavra final

É necessário permanecer positivo, mas acima de tudo, continuar a investigar, não baixar os braços até se encontrar os profissionais de saúde que nos possam apoiar e ajudar a descobrir o que está errado.

Siga o blog e o podcast de Jennifer dedicados à SII

Leia o testemunho de Mihai

Após um surto de apendicite aguda, Mihai, de 25 anos de idade, desenvolveu Síndrome do Colón Irritável. Conta-nos como o seu quotidiano ficou virado do avesso desde o diagnóstico e os constrangimentos que agora tem de enfrentar.

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Mihai e a Síndrome do Intestino Irritável

Olá, chamo-me Mihai, tenho 25 anos. Sou secretário numa casa de repouso e sofro de Síndrome do Cólon Irritável.

Pode-nos descrever a Síndrome do Cólon Irritável?

Trata-se de uma doença ao nível do sistema digestivo que não é maligna, é benigna.

Quais eram os seus sintomas?

Dores de barriga,inchaços, gases. Já não podia comer aquilo que gostava, nem beber. A barriga gorgoleja, vibra. Parece que tenho um telephone no bolso e perdi 35 quilos em seis ou sete meses.

Que evento o levou a consultar um médico?

Desenvolvi SCI após o meu surto de apendicite aguda. Contraí assim dores de barriga. Fiz bastantes exames, fui uma vez às urgências. Deram-me tratamentos, et cetera, mas não produziram efeitos.

Quanto tempo foi preciso esperar pelo diagnóstico?

Nesse período de 2016 a 2022, consultei seis gastroenterologistas e seguidamente voltei as urgências e um interno disse-me “Bom, eu sei o que você tem, você tem o intestino irritável”.

Onde procurou aconselhamento quanto aos seus sintomas?

Procurei informações ao nível das associações, na APSSII de que sou atualmente membro e também no Instagram e em outras redes sociais.
 

E a microbiota no meio disto tudo?

Sabia do envolvimento da microbiota devido a vídeos sobre a microbiota intestinal e depois pelas associações, daí a APSSII. Tive reuniões em vídeo com determinadas pessoas que têm o mesmo problema e elas falaram-me sobre a lora microbiana intestinal.
 
Como é viver com a SCI no dia-a-dia?

É uma doença com que é difícil viver no dia-a-dia. Não não posso andar nos transportes públicos. Tenho de cancelar as minhas saídas com os meus amigos porque isso me impede de viver. Há dias em que tenho vontade de fazer coisas, mas não posso porque a barriga decide o contrário. Apesar do facto de trabalhar,  de tentar ter uma vida decente para mim é complicado.

Qual é a sua mensagem pessoas que sofram de SCI? 

É à partida ir a consultas, alimentar-me da melhor forma em relação àquilo que tenho. Aprendi a viver com o stress. Sou mais calmo agora, mas basta apenas ouvirmos o nosso corpo e aquilo que sentimos também, é o mínimo que podemos fazer,
ouvirmos acima de tudo o nosso corpo.
 

Siga Mihai no Instagram
Aline POR

Leia o testemunho de Aline

Aline, de 50 anos, sofre de Síndrome do Colón Irritável desde a infância. Apesar das dificuldades do dia-a-dia, já aprendeu a viver com a doença para levar uma vida o mais normal possível.

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Aline POR
Aline e a Síndrome do Intestino Irritável

Chamo-me Aline, tenho 50 anos, na vida profissional, sou encarregada de missão ambiental e sofro efetivamente de Síndrome do Cólon Irritável.

Pode-nos descrever a Síndrome do Cólon Irritável?

A SCI é um conjunto de sintomas que afetam o intestino e, em particular, o cólon, que geram dores, inchaços, obstipação ou diarreia dependendo do paciente, ou alternância das duas, e especialmente uma hipersensibilidade visceral, no meu caso, em particular.

O que é que desencadeiam as suas crises?

Qualquer stress, qualquer angústia, qualquer mal-estar psicológico traduz-se muitas vezes em cólicas, cãibras ou dores às quais temos de nos adaptar, aprender a conviver o melhor possível com elas.

Algum episódio a partilhar connosco?

Episódio insólito, a operadora de caixa olha-me com uma certa desfaçatez, segura de si, e diz: "Bem, senhoras e senhores, por favor, deixem a senhora grávida passar”. A senhora grávida era eu.

Como se realizou o seu diagnóstico?

O médico avançava às apalpadelas quanto à designação, e também quanto ao tratamento. Em toda a infância e toda a adolescência, os médicos falavam sobretudo de fragilidade intestinal, de colopatia, de colite espasmódica. Mas a expressão Síndrome do Cólon Irritável surgiu, de facto, muito tardiamente. Devia já ter cerca de trinta anos de memórias.

Onde procurou aconselhamento quanto aos seus sintomas?

Aprendi muita coisa sozinha, através da APSSII, através das conferências organizadas pela APSSII, as Jornadas anuais. Efetivamente, tenho necessidade de perceber, mesmo que nem tudo se explique, mas eu preciso realmente de compreender, de ser protagonista em relação à doença.

E a microbiota no meio disto tudo?

A microbiota é todo um conjunto de 10 milhões de milhões de bactérias, fungos e archaea que desempenham múltiplas funções ao serviço dos intestinos, mas também do organismo como um todo, uma vez que contribui para a digestão. Sobretudo a digestão das fibras, para a produção de determinadas vitaminas, para a formação do sistema imunitário. O intestino e o cérebro comunicam através do nervo vago. no meu caso é uma autoestrada porque acho que as informações viajam muito, muito depressa. É, portanto, um interveniente importante na saúde intestinal e na saúde humana em geral.

Como é viver com a SCI no dia-a-dia?

Como gerir o dia a dia? Ora, não vos escondo que nem sempre é fácil. Tento viver a vida o mais normalmente possível. Eu não quero que isto me confine a uma vida restrita, sozinha em casa, em especial, é que não, seria pior.

Qual é a sua mensagem pessoas que sofram de SCI? 

Para concluir, aos pacientes que sofram de SCI, digo-lhes sobretudo, que não se isolem, falem nisso, recorram à ajuda de médicos e de médicos especialistas e vivam a vida o mais normalmente possível e, sobretudo, com o mínimo de interdições possível.

O que é a Síndrome do Intestino Irritável?

Saiba mais sobre a doença

Atenção

O Biocodex Microbiota Institute dedica-se à instrução sobre a microbiota humana junto do público em geral e dos profissionais de saúde, não presta conselhos médicos. Recomendamos-lhe que consulte um profissional de saúde para responder às suas perguntas e solicitações.

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Artigo

Insónia do idoso: uma relação com a microbiota intestinal

Estima-se que um em cada dois idosos sofre de insónia crónica. Um estudo recente1 destaca uma relação entre o sono, a cognição e a microbiota intestinal no idoso com insónia.

A dificuldade em adormecer ou dormir, acordar prematuramente... A insónia afeta um em cada dois adultos com mais de 65 anos. Com pesadas consequências para a saúde, uma vez que esta doença crónica acompanha geralmente um declínio cognitivo e um aumento da mortalidade. Se os mecanismos ainda são mal compreendidos, uma explicação da relação entre a insónia e o declínio cognitivo poderia residir no eixo microbiota intestinal-cérebro. Uma equipa de investigadores debruçou-se sobre as relações entre a microbiota intestinal e o desempenho cognitivo de 72 idosos com insónia crónica (dos quais 56 mulheres) com média de 73,2 anos. Dois fatores que mostram geralmente um declínio cognitivo acelerado durante o envelhecimento foram avaliados: a qualidade do sono (medida objetiva pela (sidenote: Actigrafia Método de medição objetiva do sono baseada num aparelho similar a um relógio, levado no pulso ou no tornozelo, que deteta os movimentos do corpo e, assim, a atividade acordada. Este aparelho mede o tempo para adormecer, os eventuais despertares e a sua duração, etc. ) em 2 semanas e subjetiva por autoquestionário) e os desempenhos cognitivos (15 variáveis medidas das quais 2 finalmente mantidas por serem mais discriminantes).

50% As insónias afetam cerca de 50% da população adulta com mais de 65 anos.

A qualidade do sono associado à disbiose intestinal

A análise por sequência do gene do RNA 16S das amostras de fezes dos pacientes mostrou 45 filos diferentes. As Bacteroidetes eram as predominantes (48%), seguidas pelos Firmicutes e, longe, por último, as Proteobacteria (6%), ou seja, um declínio dos Firmicutes e das Proteobacteria a favor das Bacteroidetes em comparação com os pacientes sem problemas de sono2.

Porém, nos 72 pacientes com insónia acompanhados, a eficácia do sono (seja o sono objetivo e não sentido) e a cognição explicavam 7,5 a 7,9% da variação total da composição da microbiota intestinal (em termos de (sidenote: Variante de sequência do amplicon Termo que designa sequências de DNA individuais recuperadas a partir de uma análise do gene marcador (as sequências “parasitas” induzidas pela amplificação do gene e a sequência são eliminados por esta técnica). Este método diferencia-se da contagem dos OTU (unidade taxonómica operacional, em inglês Operational Taxonomic Unit), mais habitualmente utilizada onde as bactérias são agrupadas com base na similaridades de um certo gene que serve de marcador taxonómico. ) ). Seja um impacto importante, comparável ao provocado pelos medicamentos, os parâmetros sanguíneos, o trânsito, o regime alimentar, o estado de saúde e os dados antropométricos segundo um estudo anterior3.

Lachnoclostridium e Blautia implicados?

Além disso, a análise da correlação mostrou que uma presença elevada do género Lachnoclostridium estava associada a um sono eficiente e a um desempenho cognitivo mais elevado (menor tempo de reação). Inversamente, desempenhos cognitivos menores estavam associados a uma abundância do género Blautia.

Este estudo traz mais uma contribuição à relação entre a insónia, cognição e a microbiota intestinal. Se ele não permite deduzir a menor causalidade que seja, ele sugere a microbiota intestinal como uma ajuda potencial ao diagnóstico dos idosos que sofrem de distúrbios do sono e declínio cognitivo e mesmo como um novo alvo terapêutico no campo do envelhecimento.

Recomendado pela nossa comunidade

"Verdade!" - Comentário traduzido de DOKI OF LAGOS (Da Biocodex Microbiota Institute em X)

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Esquizofrenia: quando a agressividade é visceral

A esquizofrenia afeta 1% da população adulta, principalmente os jovens adultos. Para além dos seus sintomas (ansiedade, delírios, alucinações, incapacidade de aproveitar a vida, etc.), que variam de paciente para paciente, diz-se que esta doença psiquiátrica aumenta a propensão para a agressividade. Como? Talvez através da microbiota intestinal e das substâncias que ela produz.

A microbiota intestinal Esquizofrenia e eixo intestino-cérebro Probióticos

A esquizofrenia, patologia psiquiátrica pertencente à classe das perturbações psicóticas, é frequentemente (e injustamente) reduzida ao comportamento agressivo dos pacientes afetados. Como se explica essa propensão para a agressividade? Uma equipa chinesa propõe uma explicação que envolve a microbiota intestinal1.

1% 1% da população mundial sofre de esquizofrenia.

Da inflamação à disbiose

Ponto de partida da sua hipótese: o organismo dos doentes esquizofrénicos com tendências agressivas é rico em moléculas inflamatórias. Segundo os autores, esse estado inflamatório generalizado terá implicações para a respetiva microbiota intestinal (embora a confirmação desse nexo causal ainda não tenha ocorrido). De facto, eles observaram que a flora intestinal de um doente esquizofrénico com tendência para a agressão nada tem a ver com a de outro doente esquizofrénico sem este tipo de comportamento: é menos diversificada, e há certas espécies que assumiram o controlo em detrimento de outras que desertaram. Como se sabe, as bactérias intestinais participam na produção de certas moléculas, em particular (sidenote: Ácidos Gordos de Cadeia Curta (AGCC) Os Ácidos Gordos de Cadeia Curta são uma fonte de energia (carburante) das células do indivíduo, interagem com o sistema imunitário e estão envolvidos na comunicação entre o intestino e o cérebro. Silva YP, Bernardi A, Frozza RL. The Role of Short-Chain Fatty Acids From Gut Microbiota in Gut-Brain Communication. Front Endocrinol (Lausanne). 2020;11:25. ) (AGCC) e (sidenote: Neurotransmissores Moléculas específicas que permitem uma comunicação entre os neurónios (as células nervosas do cérebro), mas também com as bactérias da microbiota. São produzidas tanto pelas células do indivíduo como pelas bactérias da microbiota.   Baj A, Moro E, Bistoletti M, Orlandi V, Crema F, Giaroni C. Glutamatergic Signaling Along The Microbiota-Gut-Brain Axis. Int J Mol Sci. 2019;20(6):1482. ) . Mas, nos doentes esquizofrénicos com tendência agressiva, 6 AGCC e 6 neurotransmissores surgem em baixa.

Esquizofrenia: heterogeneidade de sintomas

Os sintomas clínicos de esquizofrenia são muito heterogéneos de paciente para paciente, e podem ser muito variados2:

  • Sintomas produtivos (ou positivos), como delírios, alucinações, etc.; 
  • Sintomas negativos (ou deficitários) correspondentes a um depauperamento emocional e afetivo. Pode haver incapacidade para aproveitar a vida, retraimento social e relacional, sensação de vazio e disfunções cognitivas

Da disbiose à oxidação e à agressividade?

Como consequência direta desse desequilíbrio (ou disbiose), segundo a teoria dos investigadores, o intestino ficará menos estanque. Normalmente, a parede intestinal, constituída por uma camada de células intimamente ligadas umas à outras funciona como uma barreira entre o conteúdo do trato digestivo e a corrente sanguínea... Quando a microbiota intestinal se encontra desequilibrada (o que é o caso nos doentes esquizofrénicos com tendência agressiva), a barreira intestinal torna-se permeável e porosa, permitindo que as bactérias intestinais cheguem à corrente sanguínea. Os investigadores suspeitam que este mecanismo gera uma reação específica, designada de stress oxidativo, por seja, um excesso de produção de moléculas nocivas para o organismo (moléculas pró-oxidantes conhecidas como radicais livres), que se sabe danificarem as células. E demonstram também que o (sidenote: Stress oxidativo O stress oxidativo é uma situação em que a célula já não consegue controlar a presença excessiva de moléculas tóxicas (radicais livres). Estas podem danificar as células e o ADN. Pizzino G, Irrera N, Cucinotta M, et al. Oxidative Stress: Harms and Benefits for Human Health. Oxid Med Cell Longev. 2017;2017:8416763.  ) medido nos pacientes está relacionado com a gravidade do caráter agressivo. Será este o fechar do círculo: a hiperinflamação provocará, através da microbiota intestinal, a hiperoxidação e, por fim, a agressividade.

x 4 a x 7 A esquizofrenia pode multiplicar a propensão para a agressão por um fator de 4 a 7.

Furar o círculo vicioso

O estudo também sugere implicitamente uma saída possível: poderão alguns probióticos, ao reequilibrarem a flora intestinal dos esquizofrénicos, ou mesmo alguns anti-inflamatórios, ao bloquearem este mecanismo pernicioso, reduzir a agressividade dos doentes que sofrem de esquizofrenia? Não há dúvida de que a microbiota intestinal representa uma pista de pesquisa promissora.

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