100 anos e uma microbiota de jovenzinho!

Uma microbiota intestinal que nunca envelhece e cujo equilíbrio resiste ao teste do tempo: e se fosse este o segredo da longevidade das pessoas com mais de 100 anos, explicando a sua capacidade de desafiar os anos e as doenças? 1

A microbiota intestinal
Photo: 100 ans et un microbiote de jeune premier !

Há quem diga que o envelhecimento é uma questão mental. No entanto, um novo estudo realizado por investigadores chineses sugere que o segredo para uma vida longa e saudável poderá encontrar-se oculto nas barrigas dos idosos com 100 anos ou mais. Ou, mais precisamente, na sua microbiota intestinal, nesses milhares de milhões de microrganismos (bactérias, vírus, fungos –incluindo leveduras – e parasitas) que vivem bem aconchegados no seio do nosso aparelho digestivo.

Nada a invejar face à flora da faixa etária dos 20 aos 44 anos

Há uma razão para isso: a diversidade da microbiota diminui ao longo do tempo durante a idade adulta. E quanto mais envelhecemos, menos rica se torna a nossa flora..., salvo nas pessoas com mais de 100 anos, cuja microbiota intestinal é insolitamente rica para a idade. E mesmo mais rica que a das pessoas das faixas dos 45 aos 65 anos e dos 66 aos 85 anos. Assim, embora os (sidenote: Centenaire Um centenário é quem atingiu a idade de 100 anos ou mais. ) and  (sidenote: Supercentenaire Um supercentenário é quem atingiu a idade de 110 anos ou mais. )  possam contar mais de 100 anos de vida, eles continuam a ter a microbiota de jovens adultos!

Outra particularidade da microbiota dos centenários é a elevada presença de determinadas bactérias denominadas  (sidenote: Bacteroïdetes Os Bacteroidetes são um dos 4 grupos bacterianos principais (filos) da microbiota intestinal, juntamente com as Actinobactérias, as Firmicutes e as Proteobactérias. Entre os Bacteroidetes encontra-se o género Bacteroides, um dos mais representados no âmbito da flora intestinal. Zafar H, Saier MH Jr. Gut Bacteroides species in health and disease. Gut Microbes. 2021 Jan-Dec;13(1):1-20. ) , em comparação com a dos idosos com idades compreendidas entre os 66 e os 85 anos e com a dos nonagenários. No entanto, estas bactérias benéficas são geralmente exclusivas das faixas etárias abaixo dos 40 anos, tendendo depois a regredir em favor de outras bactérias, as quais nem sempre são muito boas para a saúde. Inversamente, a flora dos centenários é relativamente pobre em bactérias potencialmente patogénicas, responsáveis por infeções. Mais bactérias benéficas e menos bactérias nocivas: será esta a poção mágica dos centenários para manterem as doenças afastadas? Talvez. Em todo o caso, trata-se de um conjunto de características específicas que parecem assinalar a sua longevidade excecional e o seu envelhecimento saudável.

Prevalência

O mundo tinha 593.000 centenários em 2021 :

  • incluindo 132.000 no Japão (0,11% da sua população),
  • 90.000 nos Estados Unidos (0,03%),
  • 29.000 na Tailândia (0,04%),
  • 27.000 em França (0,04%),
  • 20.000 na Alemanha (0,02%),
  • 18.000 na Itália (0,03%)
  • e 14.000 em Espanha (0,03%).

Enquanto em 2000 havia cerca de 170.000 pessoas com 100 anos ou mais, atualmente espera-se que esse número exceda os 20 milhões até 2100.2,3

Longevidade, uma questão de equilíbrio!

A última particularidade identificada pelos investigadores é o facto de, nos centenários, a microbiota intestinal ser muito equilibrada em termos de distribuição das espécies, não havendo uma única bactéria que assuma parte de leão em detrimento das outras. E, em vez de diminuir com o tempo, esta relativa uniformidade na abundância das várias bactérias presentes, já de si incrível quando se apagaram mais de 100 velas, parece tornar-se ainda mais consistente com o tempo. Poderá mesmo assegurar a estabilidade ao longo do tempo da flora intestinal e a sua riqueza em Bacteroidetes nas pessoas com mais de 100 anos. Será esta a chave para uma vida longa e saudável?

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1.a edição do Observatório Internacional de Microbiotas

As microbiotas, essenciais para a saúde, mas pouco conhecidas no mundo

Photo Observatoire: CP HCPs - PT

A microbiota é composta por mil milhões de microrganismos (bactérias, vírus, fungos...) que vivem em simbiose com o nosso organismo. Temos uma microbiota intestinal, assim como uma microbiota da pele, uma microbiota oral, pulmonar, uma microbiota urinária, vaginal, ... Estas microbiotas desempenham um papel essencial para a nossa saúde. Mas o que sabem atualmente os nossos cidadãos sobre o papel da microbiota? O que conhecem quanto aos comportamentos a ter para cuidar das suas microbiotas? Sofrem atualmente de problemas de saúde que associam às suas microbiotas? Que papel desempenham atualmente os profissionais de saúde na informação aos pacientes?

É para responder a estas questões que o Biocodex Microbiota Institute confiou à Ipsos a tarefa de levar a cabo uma grande investigação internacional junto de cerca de 6500 pessoas em 7 países (França, Espanha, Portugal, Estados Unidos, Brasil, México e China): o Observatório Internacional de Microbiotas.

Esta investigação exclusiva revela um desconhecimento global do papel das microbiotas para a saúde e destaca a função fulcral dos profissionais de saúde para uma boa compreensão.

Os resultados foram apresentados no dia 27 de junho de 2023, por ocasião do Dia Mundial do Microbioma.

Observatório Internacional de Microbiotas

Descubra os resultados de 2023
Quote Murielle Escalmel

"Este observatório, o primeiro do tipo, fornece-nos abundantes lições sobre o conhecimento, os comportamentos, mas também as expetativas das populações mundiais sobre as microbiotas humanas. Devemos também recordar o papel fundamental desempenhado pelos profissionais de saúde na sensibilização para os bons comportamentos para cuidar das microbiotas."

Murielle Escalmel, Diretora do Biocodex Microbiota Institute

Sobre o Biocodex Microbiota Institute

O Biocodex Microbiota Institute é um centro internacional de conhecimento que visa promover uma saúde melhor através da divulgação de conhecimentos sobre a microbiota humana. Para o fazer, dirige-se aos profissionais de saúde e ao público em geral, no sentido de os consciencializar para o papel fundamental desse órgão ainda pouco conhecido.

Contacto de imprensa Biocodex Microbiota Institute

Olivier Valcke

Relações públicas e responsável editorial  
+33 6 43 61 32 58
o.valcke@biocodex.com

Contacto de imprensa Ipsos

Etienne Mercier

Diretor do polo de opinião e saúde – Ipsos 
+33 6 23 05 05 17
etienne.mercier@ipsos.com

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Observatório Internacional de Microbiotas: 1.a edição

As microbiotas, essenciais para a saúde, mas pouco conhecidas no mundo

Photo Observatoire: CP Lay Public - PT

A microbiota é composta por mil milhões de microrganismos (bactérias, vírus, fungos...) que vivem em simbiose com o nosso organismo. Temos uma microbiota intestinal, assim como uma microbiota da pele, uma microbiota oral, pulmonar, uma microbiota urinária, vaginal, ... Estas microbiotas desempenham um papel essencial para a nossa saúde. Mas o que sabem atualmente os nossos cidadãos sobre o papel da microbiota? O que conhecem quanto aos comportamentos a ter para cuidar das suas microbiotas? Sofrem atualmente de problemas de saúde que associam às suas microbiotas? Que papel desempenham atualmente os profissionais de saúde na informação aos pacientes?

É para responder a estas questões que o Biocodex Microbiota Institute confiou à Ipsos a tarefa de levar a cabo uma grande investigação internacional junto de cerca de 6500 pessoas em 7 países (França, Espanha, Portugal, Estados Unidos, Brasil, México e China), o Observatório Internacional de Microbiotas.

Esta investigação exclusiva revela um desconhecimento global do papel das microbiotas para a saúde e destaca a função fulcral dos profissionais de saúde para uma boa compreensão.

Os resultados foram apresentados no dia 27 de junho de 2023, por ocasião do Dia Mundial do Microbioma.

Observatório Internacional de Microbiotas

Descubra os resultados para 2023
Quote Murielle Escalmel

"Este observatório, o primeiro do tipo, fornece-nos abundantes lições sobre o conhecimento, os comportamentos, mas também as expetativas das populações mundiais sobre as microbiotas humanas. Devemos também recordar o papel fundamental desempenhado pelos profissionais de saúde na sensibilização para os bons comportamentos para cuidar das microbiotas."

Murielle Escalmel, Diretora do Biocodex Microbiota Institute

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“Febre dos fenos”: a prova da presença da disbiose nasal mostra a ponta do nariz

Faz parte dos 25% de portugueses que ficam com o nariz entupido, a pingar e com comichão com a chegada do verão... ou de um gato? A sensibilização aos alergénios não é a única responsável pela rinite alérgica: a disbiose da microbiota nasal promove os sintomas de alergia. Un estudo sugere que, em particular, a bactéria Streptococcus salivarius atua como um estorvo pegajoso na mucosa nasal, provocando a inflamação em caso de alergia 1 . Quer saber mais sobre estas bactérias? Santinho!

A microbiota ORL Rinite alérgica
Photo: « Rhume des foins » : la preuve d’une dysbiose nasale pointe le bout de son nez

Estava no ar: há muito que se suspeitava do envolvimento da microbiota nasal na rinite alérgica. Mas o que é exatamente uma alergia? É uma doença crónica causada por uma reação exagerada das células do sistema imunitário em resposta a determinada substância estranha ao nosso corpo que normalmente é inofensiva, como pelos de animais, alimentos, pólen, etc.

Estudos já demonstraram existir uma redução da diversidade microbiana no nariz das pessoas afetadas, associada à produção de anticorpos típicos de uma alergia. Mas que géneros ou espécies de bactérias são responsáveis por esta disbiose nasal? Que papel desempenham nas doenças respiratórias causadas por alergias? Um grupo de investigadores decidiu analisar com toda a precisão a microbiota nasal de 55 pessoas com rinite alérgica, em comparação com a de 105 pessoas saudáveis. E tiveram faro para isso, pois os seus resultados são edificantes.

Streptococcus salivarius sente-se em casa nas narinas das pessoas alérgicas

Os investigadores puderam confirmar a redução da diversidade microbiana nos indivíduos com rinite alérgica em comparação com os indivíduos saudáveis. O género Streptococcus marcou toda a diferença, liderado pela espécie Streptococcus salivarius, que surgiu em grande abundância nos pacientes alérgicos. Em comparação, Staphylococcus epidermidis, uma espécie considerada benéfica para a microbiota nasal, era dominante nos indivíduos saudáveis. No entanto, S. salivarius é uma bactéria que se encontra normalmente na boca e na garganta. É mesmo considerada probiótica e, por conseguinte, boa para a saúde: segrega substâncias antimicrobianas chamadas bacteriocinas. Será que se encontra no nariz das pessoas alérgicas para combater os germes nocivos? Não, porque ao colocá-la em contacto com bactérias conhecidas por colonizarem o nariz, os investigadores verificaram que a S. salivarius dos doentes segregava apenas reduzidas quantidades de bacteriocinas.

Pegajosa, inflamatória... uma bactéria que se deve desalojar do nariz para aliviar as alergias?

Para compreenderem melhor o papel da S. salivarius, os cientistas administraram a ratinhos estas bactérias provenientes de doentes alérgicos, seguidas de Alternaria alternata, um alergénio responsável por esta doença, durante 3 dias. Resultado: os ratinhos sensibilizados reagiram segregando várias proteínas inflamatórias. Além disso, quando S. salivarius de pacientes e S. epidermidis de indivíduos saudáveis foram postas em contacto com células da mucosa nasal de ratinhos, apenas S. salivarius estimulou a inflamação e uma cascata bioquímica associada às reações alérgicas. O gene da mucina 5AC, uma substância "pegajosa" que protege as membranas mucosas, foi também sobrexpresso, um indício de hiper-responsividade respiratória. Finalmente, ao contrário da S. epidermidis, a S. salivarius aderiu mais fortemente às células da mucosa quando exposta ao alergénio, salvo quando os ratinhos tinham sido geneticamente modificados para não produzirem esta mucina. Essa adesão aumenta o contato entre as substâncias pró-inflamatórias da bactéria e os recetores de inflamação da mucosa nasal.

Em suma, a espécie S. salivarius contribuirá específica e diretamente para os ataques de rinite alérgica, provavelmente graças à sua capacidade de aderir à mucosa nasal em caso de alergia. Os investigadores sugerem que terapias antibacterianas visando a bactéria S. salivarius poderiam proporcionar alívio às muitas pessoas afetadas. Uma solução à vista? novos tratamentos? probióticos? Já respiramos melhor.

A microbiota ORL

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A microbiota urogenital masculina sob a influência das relações sexuais vaginais

Pensa-se que a uretra masculina – uma área pouco descrita até agora – também alberga uma microbiota. As relações sexuais vaginais poderão remodelar a sua composição, tornando-a num reservatório para as bactérias responsáveis pela vaginose nas mulheres.

Photo: Le microbiote urogénital masculin sous l’influence des rapports sexuels vaginaux

Pouco se sabe sobre a microbiota da uretra peniana e a colheita de amostras – dolorosa – é frequentemente reservada a homens com infeções sexualmente transmissíveis (DSTs). No entanto, há cada vez mais provas que sugerem que há microrganismos a colonizarem esta mucosa, mesmo em pessoas saudáveis. Um estudo americano englobando 110 homens sem sintomas uretrais, infeções ou inflamações revelou finalmente a sua identidade.

Um "núcleo" microbiano...

A maioria dos participantes era heterossexual. Em cada homem foi recohida uma amostra nos primeiros 2 cm da uretra para analisar a microbiota (técnica shotgun). Foi detetado um total de 117 espécies diferentes de bactérias. A maioria das amostras continha bactérias do ácido láctico (por exemplo, Streptococcus mitis) e corinebactérias, que poderão representar um núcleo duro (a microbiota "nuclear") responsável pela saúde da uretra. Mas não só. Os cientistas também identificaram em alguns homens bactérias que estão associadas à vaginose bacteriana nas mulheres, em particular a Gardnerella vaginalis. O trato genital masculino poderá, portanto, ser colonizado por bactérias potencialmente patogénicas para a mulher, apesar de a sua microbiota ser globalmente muito diferente do da vagina.

10% da microbiota presente na uretra masculina é influenciada pelas relações sexuais, em particular pela penetração vaginal.

E dois uretrotipos

Assim, parecem distinguir-se dois tipos de microbiota uretral (ou uretrotipos, UT): uma microbiota de tipo 1 (UT1), de riqueza e diversidade reduzidas, dominada principalmente por S. mitis, e uma microbiota UT2, mais rica e diversificada, dominada por G. vaginalis e composta por 9 bactérias associadas a patologias vaginais (vaginose bacteriana, vaginites, etc.) e capazes de formar biofilmes com G. vaginalis. Dado o grau de afinidade das bactérias por oxigénio, os investigadores acreditam que estas duas microbiotas estão localizadas em nichos diferentes: a UT1 situa-se perto do meato urinário e a UT2 a um nível um pouco mais profundo. 

Além disso, a UT2 está relacionada com as relações sexuais vaginais, e certas bactérias associadas à vaginose bacteriana ainda são detetáveis nos 60 dias seguintes às relações sexuais e, em menor grau, no prazo de um ano ou mesmo durante toda a vida. O sexo vaginal durante os últimos 2 meses explica por si só 4,26% da variância na composição da microbiota uretral masculina. E as práticas sexuais como um todo (orais, vaginais e anais) são responsáveis por cerca de 10% dessa variância.

Finalmente, não foi encontrada nenhuma associação entre o uretrotipo e outra variável, quer se trate de sexo anal ou oral, idade, etnia ou historial de DST.

Vaginose bacteriana: uma DST?

A microbiota urogenital masculina estará, portanto, ligada ao comportamento sexual e a uretra masculina poderá, em alguns homens, abrigar uma ampla gama de agentes potencialmente patogénicos para a flora vaginal feminina. Até ao ponto de constituir um reservatório de microrganismos sexualmente transmissíveis e de correr o risco de contaminar as mulheres durante as relações sexuais não protegidas? Consequentemente, a vaginose bacteriana não deveria ser considerada uma DST? Atualmente não é considerada como tal, mas é uma hipótese que não é nova e que será explorada em novas investigações, desta vez envolvendo casais.

Recomendado pela nossa comunidade

"Sim. Especialistas que contribuem para o grupo de apoio aos pacientes com infecções urinárias incrustadas o crónicas no Facebook dizem o mesmo sobre o que costumava ser conhecido como cistite “intersticial”." - Comentário traduzido de Hazel Bowden (Da Biocodex Microbiota Institute em X)

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Noticias Urologia

Tudo o que Você sempre quis saber sobre a microbiota sexual masculina (mas tinha medo de perguntar)

Pouco estudada, a microbiota da uretra masculina pode, no entanto, perturbar o ecossistema bacteriano vaginal da mulher. Como? Ficará a saber ao ler este artigo.

A microbiota urinária Vaginose bacteriana - um desequilíbrio na microbiota vaginal A microbiota vaginal
Tout ce que vous avez toujours voulu savoir sur le microbiote du sexe des hommes (sans jamais oser le demander)

A uretra masculina – canal que atravessa o pénis e transporta a urina e o esperma – é como muitos outros elementos do corpo humano: abriga todo um mundo microscópico. Uma microbiota que, geralmente, só é notícia quando é invadida por bactérias patogénicas que provocam inflamações dolorosas, como o "esquentamento" no caso da infeção gonocócica.  Mal conhecida e pouco estudada (compreensivelmente, não há muita gente que se ofereça para fazer uma zaragatoa!), a microbiota da uretra masculina acaba de revelar alguns dos seus segredos, graças à coragem de 110 americanos saudáveis que aceitaram submeter-se a uma zaragatoa.

Definição

A uretra, pequeno canal que liga a bexiga à ponta do pénis, mede cerca de 15 cm nos homens, contra 3,5 cm nas mulheres.

Fontes.

Agentes patogénicos femininos em alguns homens

As amostras colhidas mostram que a maioria destes homens abriga uma comunidade relativamente simples de (sidenote: Microrganismos Organismos vivos que são demasiado pequenos para serem vistos a olho nu. Incluem as bactérias, os vírus, os fungos, as arqueias, os protozoários, etc., e são vulgarmente designados "micróbios". What is microbiology? Microbiology Society. ) , incluindo bactérias que gostam de oxigénio, as quais vivem provavelmente na ponta do pénis, perto do ar livre e cuja presença relativamente constante sugere que formam uma espécie de “núcleo duro” que garante a saúde da uretra peniana.

Mas alguns homens têm um conjunto mais complexo de microrganismos, incluindo bactérias conhecidas por perturbar o ecossistema bacteriano vaginal das mulheres e causar todo o tipo de perturbações (vaginoses, etc.). Essas bactérias poderão viver a um nível um pouco mais profundo na uretra do pénis, longe de qualquer fonte de oxigénio. Acima de tudo, apenas os homens que relatam ter tido relações sexuais vaginais são portadores destas bactérias patogénicas. Daí a poder-se concluir que as trouxeram de alguma "excursão" vaginal é um passo muito curto...

A uretra masculina, um reservatório de bactérias nocivas para as mulheres?

De acordo com os resultados dos investigadores, que examinaram as práticas sexuais declaradas dos 110 participantes, o comportamento sexual (ou seja, as relações sexuais vaginais, orais e anais e respetivas combinações) durante os últimos 2 meses justificou cerca de 10% da variação total da composição da microbiota da uretra peniana. 4,26% dessa variação eram apenas atribuíveis ao sexo vaginal. Portanto, os homens saudáveis parecem poder ser colonizados durante longos períodos por bactérias que podem transmitir às suas parceiras seguintes. O que constituirá risco de vaginose bacteriana para essas senhoras. Trata-se de uma questão de saúde pública que a equipa continua a investigar, com planos para estudar casais para saber mais sobre potenciais transmissões.

Vaginose bacteriana

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Fobia social: é na cabeça…, mas também é na microbiota!

A microbiota intestinal das pessoas com fobia social tem caraterísticas específicas que diferem da dos indivíduos saudáveis. É isto o que uma equipa de investigadores irlandeses acaba de descobrir 1. Uma novidade!

A microbiota intestinal Saúde mental
Social phobia is all in the head... and in the microbiota

Sabe-se que o intestino e o cérebro estão em constante diálogo. Estudos realizados a esse respeito sugerem que o “ eixo microbiota-intestino-cérebro ” desempenha um papel importante na ansiedade, no stress, no transtorno depressivo maior e no autismo.

Será que a microbiota das pessoas que sofrem de fobia social também apresenta caraterísticas que sugiram que ela desempenha um papel na doença através da comunicação com o cérebro?

Devido à falta de dados, tem sido difícil até agora responder a esta pergunta. No entanto, uma equipa de investigadores irlandeses do University College Cork (UCC) acaba de realizar um estudo que sugere que pode muito bem ser esse o caso.

Os cientistas incluíram 31 pessoas a quem tinha sido diagnosticada fobia social e 18 pessoas que não sofriam da doença (grupo de controlo). Recolheram as respetivas fezes para analisar e comparar a composição da sua microbiota. O que mostram as análises?

13% Esta será a percentagem da população afetada pela fobia social na Europa e nos Estados Unidos.

Diferenças significativas na composição bacteriana

Em comparação com o grupo de controlo, a microbiota do grupo “fobia social” continha mais bactérias Anaeromassilibacillus. De acordo com vários estudos, esse género bacteriano estará implicado no autismo e na depressão, duas doenças que partilham processos fisiológicos com a fobia social.

A sua microbiota também continha mais Gordonibacter, bactérias capazes de produzir urolitina, um metabolito derivado da decomposição de polifenóis e que, segundo vários estudos, tem impacto na saúde mental.

Além disso, apresentava menor abundância em Parasutterella excrementihominis. Vários estudos demonstraram que esta bactéria está presente em menor quantidade nas pessoas que sofrem de perturbações do espectro do autismo, mas também naquelas que têm um (sidenote: Índice de Massa Corporal Rácio entre o peso em kg e o quadrado da altura em m2 )  elevado ou alto consumo de açúcar – o que é vulgar nas pessoas com fobia e era o caso nas abrangidas pelo estudo.

Outra diferença notável era o facto de a sua microbiota apresentar um aumento significativo de uma via metabólica, em particular de uma proteína envolvida na degradação do aspartato. Segundo a análise dos autores, esta proteína é semelhante a uma outra que participa no metabolismo do triptofano, um dos mensageiros envolvidos no funcionamento do eixo intestino-cérebro.

Quando o receio de se ser julgado se torna numa doença

A fobia social, também conhecida por perturbação de ansiedade social, é um medo persistente e intenso:

  • De se ser julgado pelos outros,
  • De se sentir humilhado, ridículo ou envergonhado na presença de outras pessoas.

Esse medo é tão intenso e avassalador que é acompanhado de sintomas físicos particularmente desagradáveis: tremores, palpitações, sudorese excessiva, náuseas, etc., e por vezes ataques de pânico.
As pessoas com fobia acabam por ser incapazes de realizar coisas tão simples como ir a um restaurante, pedir indicações, fazer um exame ou participar numa reunião. Além disso, correm um maior risco de alcoolismo e de depressão.
Esta doença distingue-se da timidez ou do medo do palco pelo intenso sofrimento psicológico que provoca.
O tratamento baseia-se essencialmente em medicamentos (antidepressivos, betabloqueadores) e em terapias comportamentais e cognitivas (TCC).  2

Rumo a novos tratamentos e biomarcadores

Para os investigadores, este pequeno estudo é fundamental e lançará as bases para o arranque de estudos em maior escala para confirmar o envolvimento do eixo intestino-cérebro e de certas bactérias específicas na perturbação de ansiedade social.

O objetivo final

Será desenvolver novos tratamentos e identificar biomarcadores para a fobia social, uma patologia frequente e particularmente incapacitante que ainda hoje é deficientemente tratada.

A microbiota intestinal

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Tudo o que precisa de saber sobre o eixo microbiota-intestino-cérebro

Notícias, formação para acreditação, infografias, vídeo de especialistas, pasta temática…. Debrucemo-nos sobre os elementos do Biocodex Microbiota Institute dedicados ao eixo microbiota-intestino-cérebro. Ferramentas e conteúdos adaptados ao seu consultório para melhorar os seus conhecimentos e tornar-se facilmente num especialista no eixo intestino-cérebro!

Everything you need to know about the microbiota gut-brain axis

Infografia para partilhar com os seus pacientes

Eixo intestino-cérebro: como é que a sua microbiota conversa com o seu cérebro?

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Pr. Sampaio-Maia (vencedor em Portugal em 2021): Microbiota intestinal e obesidade

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Dr. Yang (vencedor dos EUA em 2018): Microbiota intestinal e eixo do cérebro intestinal

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Dr. Lajud (vencedora mexicana 2018): Microbiota e estresse

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Dr. Perez-Cruz (vencedora mexicana 2020): microbiota intestinal e disfunção cognitiva feminina

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Recomendado pela nossa comunidade

"Vou aprender mais sobre esta área." -@LiLNguyenVu (Da Biocodex Microbiota Institute em X)

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Noticias Gastroenterologia

Viciado em ameixas secas? A sua microbiota agradece e a sua saúde também!

Os benefícios das ameixas secas para a saúde das mulheres na menopausa estariam ligados aos seus efeitos positivos na microbiota intestinal. É o que sugere um estudo realizado por investigadores americanos 1.

A microbiota intestinal Quais são os alimentos para uma microbiota equilibrada?
Addicted to prunes? Your microbiota and your health will thank you!

Deliciosas, ricas em fibras e antioxidantes, benéficas para o trânsito intestinal, o coração, os vasos sanguíneos, a saúde dos ossos, excelentes aliadas na perda de peso... em termos de benefícios para a saúde, as ameixas secas têm luz verde para tudo!

Ameixas secas: um modo de atuação ainda misterioso…

A incorporação destes frutos secos na alimentação das mulheres na menopausa não é exceção à regra. Os benefícios das ameixas secas para a saúde das mulheres na menopausa, em particular para a saúde óssea, estão bem documentados. Por outro lado, o seu modo de atuação, nomeadamente através da microbiota intestinal, ainda contém muitas zonas cinzentas.

Quais são exatamente os efeitos destes frutos secos nas bactérias intestinais durante a menopausa? Esta é a questão a que uma equipa de investigadores americanos tentou dar resposta.

Recrutaram 143 mulheres na menopausa com idades compreendidas entre os 55 e os 75 anos e distribuíram-nas aleatoriamente por 3 grupos diferentes:

  • um grupo em que tinham de comer 4 a 6 ameixas secas por dia (50 g),
  • outro em que tinham de comer 10 a 12 (100 g)
  • e um terceiro em que não comiam nada (grupo de controlo).

Antes e depois da experiência, os cientistas recolheram as fezes das voluntárias para analisar e comparar a evolução da sua microbiota.

Osteoporose: as ameixas secas são ideais!

Uma em cada 3 mulheres sofre de osteoporose após a menopausa. Poderão as ameixas secas ser um aliado na luta contra este flagelo? É o que sugere uma revisão dos estudos 2 efetuados sobre este assunto. De acordo com os autores, o consumo regular destes frutos secos poderia:

  • prevenir e diminuir a perda óssea,
  • melhorar a densidade mineral óssea e os biomarcadores ósseos,
  • exercer efeitos anti-inflamatórios (interessante quando se sabe que a inflamação é um fator de risco para a osteoporose!),
  • suprimir a produção de citocinas (os mensageiros pró-inflamatórios do organismo),
  • aumentar as enzimas antioxidantes (que combatem os efeitos oxidantes da inflamação).

Mais bactérias intestinais benéficas

Também recolheram amostras de sangue e urina para medir marcadores de inflamação (um fator de risco para muitas doenças) e "metabolitos fenólicos".

Os metabolitos fenólicos são compostos benéficos derivados da decomposição de antioxidantes (polifenóis). O nível de metabolitos fenólicos urinários reflete o nível de atividade das bactérias da microbiota capazes de degradar os polifenóis.

Após 12 meses de experimentação, os resultados indicam que as mulheres dos grupos "ameixa seca" apresentam modificações significativas na sua microbiota em comparação com as do grupo de controlo. Estas alterações diferem consoante a dose (50 ou 100 g). 

As análises dos investigadores revelam, nomeadamente, um enriquecimento em bactérias da família das Lachnospiraceae, já conhecidas pela sua capacidade de manter a barreira intestinal.

Efeitos anti-inflamatórios mediados pela microbiota

O estudo demonstra que as Lachnospiraceae são capazes de metabolizar os polifenóis da ameixa e fermentar as suas fibras para produzir (sidenote: Ácidos Gordos de Cadeia Curta (AGCC) Os Ácidos Gordos de Cadeia Curta são uma fonte de energia (carburante) das células do indivíduo, interagem com o sistema imunitário e estão envolvidos na comunicação entre o intestino e o cérebro. Silva YP, Bernardi A, Frozza RL. The Role of Short-Chain Fatty Acids From Gut Microbiota in Gut-Brain Communication. Front Endocrinol (Lausanne). 2020;11:25. ) ,que têm propriedades anti-inflamatórias. Os cálculos mostram que a presença de algumas destas bactérias está negativamente correlacionada com marcadores de inflamação e positivamente correlacionada com metabolitos fenólicos.

Segundo os investigadores, ao fornecer fibras e polifenóis, as ameixas secas exercem uma pressão de seleção que favorece as bactérias boas a longo prazo, o que poderia explicar os seus benefícios para a saúde.

Algo a ter em conta quando surge um desejo de açúcar!

A microbiota intestinal

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Obesidade: um ácido gordo bacteriano envolvido?

Uma espécie comensal da microbiota intestinal que produz ácidos gordos trans e saturados agravaria a obesidade induzida por uma dieta rica em gordura. Os seus metabolitos alterariam o metabolismo lipídico e a barreira intestinal do hospedeiro, de acordo com um estudo publicado na revista Cell metabolism.

Obesity: Is a bacterial fatty acid involved?

À medida que a prevalência da obesidade e das doenças metabólicas relacionadas aumenta em todo o mundo, a alteração da dieta não é suficiente para grande parte dos doentes. Compreender o impacto de outros fatores ambientais é crucial para desenvolver outras estratégias terapêuticas. Muitos estudos apontam para uma associação entre a disbiose da microbiota intestinal e a progressão da obesidade, o que poderia explicar, pelo menos em parte, as variações interindividuais na suscetibilidade às doenças metabólicas. No entanto, os mecanismos moleculares e nexo de causalidade entre as bactérias da microbiota intestinal, em particular os seus metabolitos, e o desenvolvimento da obesidade não estão totalmente elucidados.

Dieta rica em gordura e Fusimonas intestini : um efeito sinérgico no aumento de peso

Reconhece-se que uma dieta rica em gordura, especialmente gordura saturada, aumenta o risco de obesidade e as suas comorbilidades metabólicas. Contudo, não se sabe até que ponto certos metabolitos (como os ácidos gordos de cadeia longa) produzidos pelas bactérias da microbiota intestinal influenciam a patogénese destas doenças. Uma equipa japonesa tem vindo a estudar as Lachnospiraceae, uma família bacteriana da microbiota intestinal associada à obesidade e à diabetes tipo 2 em estudos anteriores. Demonstrou que uma das suas espécies comensais, Fusimonas intestini, está significativamente mais presente nos casos de obesidade e hiperglicemia, tanto nos ratos como no homem.

Para identificar uma potencial relação causal entre esta espécie e a obesidade, os investigadores compararam ratos cuja microbiota intestinal era colonizada par Escherichia coli e F. intestini ou apenas por E. coli, alimentados com uma dieta normal ou rica em gordura. Verificaram um aumento significativo do peso corporal e da gordura corporal apenas nos ratos alimentados com uma dieta rica em gordura e colonizados com F. intestini, mesmo em quantidades muito reduzidas. Além disso, os ratos apresentaram um aumento dos níveis plasmáticos de colesterol, bem como da expressão de TNF-α pro-inflamatório, de proteínas de ligação aos lipopolissacáridos e de genes codificadores da leptina. Ao colonizar ratos gnotobióticos com F. intestini e 9 espécies representativas da microbiota humana, os investigadores recuperaram este ganho de massa gorda. Estes resultados sugerem que o consumo elevado de gorduras alimentares e F. intestini atuam em sinergia para alterar o metabolismo do hospedeiro.

Alteração do metabolismo lipídico e da impermeabilidade intestinal

Os investigadores descobriram que a F. intestini produzia uma abundância de vários ácidos gordos de cadeia longa. Na dieta rica em gordura, a microbiota intestinal colonizada por estas bactérias continha duas vezes mais elaidato, um ácido gordo trans  conhecido por aumentar o risco de doenças cardiovasculares, obesidade e resistência à insulina. Continha também mais ácidos gordos saturados, como o palmitato, o estearato e o margarato. Segundo os investigadores, a dieta rica em gordura leva a uma sobre-expressão de genes microbianos envolvidos na produção de lípidos, nomeadamente FadR (Fatty acid metabolism regulator) que regula o metabolismo dos ácidos gordos. As suas análises do sangue e dos tecidos sugerem que os metabolitos de F. intestini degradam a barreira intestinal, conduzindo à endotoxemia que promove o desenvolvimento da obesidade.

Este estudo destaca um dos mecanismos moleculares que ligam a microbiota intestinal e a obesidade através da produção excessiva de metabolitos lipídicos. Segundo os autores, um maior conhecimento do metabolismo das bactérias da microbiota intestinal poderá abrir caminho a novas opções terapêuticas para a obesidade.

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"Isto é empolgante" - Comentário traduzido de Kamara Daniel (Da Biocodex Microbiota Institute em X)

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