Beber uma grande quantidade de álcool para se ficar bêbado no espaço mínimo de tempo: é isso o “binge drinking”, a forma preferida de consumo de álcool pelos adolescentes. Mas a microbiota intestinal dos seus adeptos infelizmente não participa na festa: o seu desequilíbrio contribuirá até para uma transição para o alcoolismo mais tarde na vida, revela um estudo1.
O “Investigadores irlandeses decidiram explorar as ligações entre disbiose, inflamação, consumo compulsivo de álcool e défices de controlo emocional em jovens praticantes de “binge drinking”. Para isso, reuniram 71 pessoas de ambos os sexos entre os 18 e os 25 anos, não dependentes de álcool. Realizaram avaliações neuropsicológicas dos participantes e recolheram amostras dos seus fluidos biológicos para detetarem marcadores de inflamação, e também das suas fezes, o que possibilitou a análise das suas microbiotas intestinais. Ao longo 3 meses, os participantes registaram seu consumo de álcool e seus desejos compulsivos de o beberem.”, que se traduz em Portugal por “intoxicação alcoólica aguda” ou mais vulgarmente “pedrada rápida” corresponde a um estado de embriaguez agudo. É praticado principalmente por jovens entre os 15 e os 25 anos de idade, e acarreta consequências nefastas para a saúde na adolescência, uma vez que o organismo ainda se encontra em plena construção. Praticado repetidamente, o “binge drinking” altera a estrutura e o funcionamento do cérebro, ao mesmo tempo em que aumenta o risco de futuras perturbações relacionadas com o consumo de álcool, vulgarmente designadas “alcoolismo”.
O que é o “binge-drinking”?
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), um episódio de binge drinking define-se como a ingestão de pelo menos 60 g de álcool puro (cerca de 6 latas de cerveja) levando a um nível de alcoolemia de pelo menos 0,8 g por litro de sangue 2 .
Encontram-se nos alcoólicos crónicos desequilíbrios na microbiota intestinal, ou disbioses, tão acentuados quantoa respetiva necessidade compulsiva de consumirem álcool. Pensa-se que provocarão inflamação no cérebro, levando a problemas de gestão emocional e de (sidenote:
Cognição social
Capacidade de compreender e gerir as interações sociais.
Beaudoin C, Beauchamp MH. Social cognition. Handb Clin Neurol. 2020;173:255-264.). Mas há atualmente estudos que sugerem que a disbiose e perturbações do eixo intestino-cérebro poderão também estar envolvidas na transição para a dependência do álcool.
Identificar sinais de vulnerabilidade ao alcoolismo em jovens praticantes das “pedradas rápidfas”?
Investigadores irlandeses decidiram explorar as ligações entre disbiose, inflamação, consumo compulsivo de álcool e défices de controlo emocional em jovens praticantes de “binge drinking”. Para isso, reuniram 71 pessoas de ambos os sexos entre os 18 e os 25 anos, não dependentes de álcool. Realizaram avaliações neuropsicológicas dos participantes e recolheram amostras dos seus fluidos biológicos para detetarem marcadores de inflamação, e também das suas fezes, o que possibilitou a análise das suas microbiotas intestinais. Ao longo 3 meses, os participantes registaram seu consumo de álcool e seus desejos compulsivos de o beberem.
Um jovem em cada três
Também designado em português “intoxicação alcoólica aguda” ou mais vulgarmente “pedrada rápida”, o “binge drinking” é o distúrbio da ingestão de álcool mais comum nos países ocidentais: um em cada três jovens europeus e norte-americanos pratica-o regular
Perturbações cognitivas e transição para a dependência alcoólica
No final do estudo, os investigadores constataram que os jovens praticantes das “pedradas rápidas” desenvolviam disbioses especificamente relacionadas com problemas cognitivos. A alteração do (sidenote:
Reconhecimento das emoções
Capacidade de identificar e descrever os estados emocionais próprios e alheios.
Cabé N, Laniepce A, Boudehent C et al : Repérage des troubles cognitifs liés à l’alcool, La Revue du Praticien, 20/10/2019, 69(8);904-8) e a impulsividade surgiram ambas associadas a uma modificação da presença de grupos bacterianos específicos. Os desejos irresistíveis de consumir álcool foram também associados a uma redução noutra espécie bacteriana e a um aumento dos marcadores de inflamação. Como os investigadores esperavam, mais episódios de consumo excessivo de álcool aumentaram a impulsividade, que se sabe acelerar a transição para o alcoolismo.
A conclusão é que o “binge drinking” é acompanhado por alterações na microbiota intestinal que estão presentes mesmo antes do início da dependência do álcool. De um ponto de vista de copo meio cheio, os investigadores acreditam que as suas descobertas poderão contribuir para o desenvolvimento de novas intervenções dietéticas ou pré/probióticas para melhorar a disbiose relacionada com o álcool nos adolescentes.
Uma equipa americana propõe um modelo que destaca a influência da discriminação na sinalização bidirecional entre o cérebro e a microbiota intestinal. A inflamação seria o mediador.
Se é relativamente sabido que a discriminação representa um fator de risco para os distúrbios mentais e psíquicos, os mecanismos envolvidos permanecem obscuros. O eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal tem sido frequentemente implicado. Entretanto, alguns especialistas voltam-se, hoje, para a microbiota intestinal devido ao facto da sua sensibilidade ao stress, do seu papel na inflamação e na saúde a longo prazo e dos recentes resultados sobre o eixo intestino-cérebro. Assim, um trabalho publicado no final de 2022 estudou os efeitos da discriminação na desregulação do eixo intestino-cérebro.
Alterações de certas conexões cerebrais
Dos 154 participantes no estudo, 80 sentiam uma discriminação forte e 74 uma discriminação fraca associadas à cor da pele (participantes afro-americanos, hispânicos e asiáticos) ou ao sexo e à idade (caucasianos). Uma discriminação elevada correspondia a níveis mais altos de ansiedade, depressão, sensibilidade visceral,... Com as diferenças segundo as origens: as pessoas afro-americanas não mostravam nenhuma correspondência entre a discriminação e a saúde mental.
Psicologicamente, as ressonâncias magnéticas (IRM) dos participantes mostram que a discriminação está associada a alterações das vias cerebrais do stress, variáveis segundo a origem: por exemplo, observa-se uma estimulação aumentada de uma área cerebral associada ao tratamento intercetivo autónomo, sensorial, motor e de recompensa nos asiáticos, uma conectividade “caótica” de numerosas redes nervosas nas pessoas caucasianas; etc.
Disbiose da microbiota intestinal
Além destas alterações das redes cerebrais, a discriminação também aparece associada a uma disbiose intestinal e a níveis aumentados da bactéria pró-inflamatória Prevotella copri nos afro-americanos e hispânicos, em comparação com as pessoas caucasianas. Os metabólitos bacterianos também são influenciados pelas variações de acordo com a população: concentração menor de um subproduto da síntese da carnitina (anti-inflamatório) nos afro-americanos; aumento dos metabólitos implicados no metabolismo dos lipídios nos asiáticos; etc.
Uma discriminação com consequências variáveis de acordo com a origem ?
Segundo os autores, a discriminação alteraria o eixo intestino-cérebro, com consequências que variam de uma comunidade para a outra.
Nos afro-americanos, ela está associada ao aumento dos biomarcadores inflamatórios mas esta população parece estar menos sujeita à ansiedade e mostra pontuações de resiliência mais elevados.
Nos hispânicos, a discriminação está associada à inflamação mas com melhores estratégicas de adaptação.
Na população asiática, os resultados sugerem uma compensação do stress através de alimentos gordurosos.
Nas pessoas caucasianas, as perturbações cerebrais observadas poderiam refletir dificuldade em enfrentar.
"Este é um artigo interessante. Portanto, a discriminação não afecta apenas o cérebro, mas também influencia o equilíbrio das bactérias intestinais de uma pessoa. Diferentes grupos étnicos apresentam resultados diferentes. O próximo estudo deve utilizar uma amostra maior para verificar se estes resultados são consistentes." -Greenleaf (Do Biocodex Microbiota Institute em X)
Tratar uma pessoa de modo desfavorável devido às suas características pessoais (sexo, origem, religião...). Flagelo das nossas sociedades, a discriminação parece ter vários efeitos segundo a origem dos indivíduos. Estes efeitos poderiam ser explicados por alterações no eixo intestino-cérebro. Explicações.
Cor da pele, idade, sexo... : a discriminação pode assumir múltiplas formas mas todas com o mesmo objetivo: a rejeição, a exclusão de uma ou um grupo de pessoas. Segundo um estudo conduzido em diferentes populações americanas, a discriminação alteraria tanto o sistema digestivo (mais precisamente a microbiota intestinal), e o sistema cerebral, como o eixo de comunicação que os liga (ou seja, o eixo intestino-cérebro). O mais surpreendente é que os efeitos e os mecanismos em jogo dependeriam da origem das pessoas.
Efeito da discriminação: uma microbiota intestinal alterada nos afro-americanos.
Nos afro-americanos, uma forte discriminação, geralmente associada à cor da pele, pode até modificar as bactérias presentes na microbiota intestina: é o que se chama de disbiose.
Os investigadores revelaram, por exemplo, níveis elevados de bactérias e sobretudo, da bactéria pro-inflamatória Prevotella copri, nos indvíduos afro-americanos submetidos a uma forte discriminação. Uma imagem do seu cérebro (Imagem por Ressonância Magnética: RM) mostra a ativação das áreas implicadas na regulação das emoções negativas. No plano mental, a ansiedade e o stress aumentam no caso de forte discriminação (como em todas as outras populações) porém não foi encontrada qualquer associação entre a discriminação e a saúde mental (diferente das outras comunidades). Assim, segundo os autores, nos afro-americanos, a discriminação criaria uma forte inflamação mas esta população estaria menos sujeita à depressão, sendo mais resiliente.
Mecanismos diferentes para as outras comunidades
Análises similares da microbiota intestinal, dos marcadores sanguíneos, da atividade cerebral e do estado mental mostram respostas muito diferentes nas outras populações.
Nos hispânicos, a discriminação está também associada à inflamação mas melhores estratégicas de adaptação e controlo poderiam contrabalançar.
Na população asiática, os mecanismos parecem ser muito diferentes : uma discriminação elevada está associada ao aumento de metabólitos sanguíneos ligados ao colesterol e uma atividade cerebral que sugerem uma compensação do stress através de alimentos gordurosos.
Finalmente, nas pessoas de origem caucasiana, a discriminação está normalmente associada à idade e ao sexo. Ela está associada à ansiedade mas sem inflamação. Ao nível intestinal, observa-se uma taxa reduzida das bactérias P. Copri em comparação com as comunidades hispânicas e afro-americanass. A RM dessas pessoas mostrou também perturbações cerebrais que poderiam refletir dificuldade de enfrentar.
Publicações científicas recentes vieram fornecer novos dados que destacam o papel fundamental da microbiota vaginal na saúde das mulheres. O Biocodex Microbiota Institute lança um conjunto de entrevistas com especialistas dedicado à microbiota, às mulheres e à saúde. O que é que já se sabe sobre a microbiota e a saúde feminina? O que é que ainda falta descobrir?
Neste último episódio, a Prof. Ina Schuppe explora o papel da microbiota na infertilidade feminina.
Há cerca de 48 milhões de casais e 186 milhões de pessoas
que vivem em todo o mundo com infertilidade.
Para começar, uma pergunta frequente: o que é a infertilidade?
Prof. Ina Schuppe-Koistinen: Segundo a OMS, a infertilidade é uma doença do sistema reprodutivo masculino ou feminino que se define pela incapacidade em se alcançar uma gravidez após 12 meses ou mais de relações sexuais regulares desprotegidas 1. Os métodos utilizados para calcular a sua frequência variam entre os estudos de investigação, e essa variação torna difícil compreender e avaliar a magnitude do problema. Contudo, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que a infertilidade afete aproximadamente 15% de todos os casais em idade reprodutiva a nível mundial, o que tem impacto nas respetivas famílias e comunidades 1,2 – mas este número oculta variações consideráveis entre países e dentro de cada país. A infertilidade pode ser primária ou secundária. Há infertilidade primária quando nunca foi alcançada qualquer gravidez, e infertilidade secundária quando já houve pelo menos uma gravidez anterior.
Nos homens, a infertilidade é mais habitualmente causada por problemas de ejaculação, de ausência ou de baixos índices de espermatozoides, ou na forma e motilidade anormais dos mesmos.
Nas mulheres, a infertilidade pode ser causada por diferentes anomalias dos ovários, do útero, das trompas de Falópio ou do sistema endócrino.
Após exclusão desses problemas, aproximadamente 15% de todos os casos de infertilidade são inexplicáveis.
Estimativa da infertilidade
A Organização Mundial de Saúde estima que a infertilidade afete aproximadamente 15% de todos os casais em idade reprodutiva a nível mundial 1,2 e 15% de todos os casos de infertilidade são inexplicáveis.
Existe atualmente algum tratamento disponível para ajudar os casais?
I.S.-K.: A infertilidade é tratada através das (sidenote:
Técnicas de procriação medicamente assistida (ART)
As ART incluem todos os tratamentos de fertilidade em existe manipulação dos óvulos ou dos embriões. Em geral, os procedimentos de ART envolvem a remoção cirúrgica de óvulos dos ovários de uma mulher, a sua combinação com espermatozoides em laboratório e A sua implantação no corpo dessa mulher ou a sua doação a outra.
NÃO incluem os tratamentos em que sejam manipulados apenas os espermatozoides (ou seja, inseminação intrauterina ou artificial), nem os procedimentos em que a mulher tome medicamentos apenas para estimular a produção de óvulos sem o objetivo de que os mesmos sejam colhidos.
) (ART), como a fertilização in vitro (FIV), que se encontram disponíveis há mais de três décadas, responsáveis por mais de 5 milhões de crianças nascidas em todo o mundo. No entanto, estas técnicas ainda estão em grande parte indisponíveis, inacessíveis e incomportáveis em muitas regiões do mundo, particularmente nos países de baixos e médios rendimentos.
5 milhões
de crianças nascidas em todo o mundo
Que papel desempenha a microbiota vaginal na infertilidade?
Há vários estudos que associam níveis elevados de células inflamatórias e marcadores de inflamação elevados na vagina e no útero das mulheres com infertilidade inexplicável. Múltiplos estudos apontam para a microbiota vaginal como fator de inflamação local mediante substâncias produzidas por micróbios vaginais e fatores de resposta inflamatória do hospedeiro 3,4. Por outras palavras, uma microbiota vaginal disbiótica contribui para um estado inflamatório que exerce impacto negativo na fertilidade.
Finalmente, já vários estudos demonstraram uma associação entre a microbiota e doenças e infeções que influenciam a fertilidade, como a vaginose bacteriana, o cancro do colo do útero, a síndrome do ovário poliquístico e a endometriose. É vital a existência de mais investigação sobre como a microbiota influencia a fertilidade 5.
E relativamente à vaginose bacteriana?
I.S.-K.: A vaginose bacteriana é uma causa vulgar de inflamação e de desconforto vaginal nas mulheres em idade reprodutiva. Na vaginose bacteriana, a microbiota vaginal saudável é subjugada por bactérias menos favoráveis. Embora na vaginose bacteriana a composição das bactérias varie de pessoa para pessoa, existem algumas espécies como Gardnerella, Atopobium, Sneathia, Megasphaera, Dialister e outras, que se encontram com mais frequência 6. A composição microbiana da vaginose bacteriana tem sido ligada a vários desfechos de gravidez, incluindo o nascimento pré-termo, e pode também afetar a microbiota do sémen após a relação sexual, o que, a prazo, pode ter impacto na qualidade ou na motilidade dos espermatozoides. A sua ligação à infertilidade não se encontra inteiramente estabelecida, mas os dados sugerem que a vaginose bacteriana levará a uma redução da fertilidade7.
"A vaginose bacteriana é uma causa comum da inflamação da vagina e a referida inflamação vaginal tem sido associada à redução da fertilidade."
Será que uma perturbação da flora vaginal tem impacto no resultado dos procedimentos das técnicas de procriação assistida?
I.S.-K.: Estudos têm demonstrado que uma microbiota vaginal saudável e com certas espécies de Lactobacillus durante as técnicas de procriação assistida pode ter um impacto positivo no sucesso, enquanto que as mulheres com vaginose bacteriana obtêm resultados inferiores.
É necessária mais investigação para se responder à pergunta sobre se a presença ou ausência de certas bactérias vaginais está ou não associada ao sucesso ou à incapacidade em engravidar após a FIV 8.
A saúde intestinal pode, através da microbiota intestinal, afetar a fertilidade?
I.S.-K.: A microbiota do aparelho reprodutivo feminino representa cerca de 10% da população microbiana total do organismo. A grande maioria dos micróbios humanos encontra-se nos intestinos. Esses micróbios estão altamente ligados à nossa saúde e não influenciam apenas o meio intestinal, mas também outros órgãos do corpo. Os micróbios vaginais derivam principalmente do intestino, embora os mecanismos em causa ainda não sejam bem compreendidos. Tendo em conta que os micróbios intestinais metabolizam o estrogénio, hormona sexual feminina, eles afetam diretamente a fisiologia e a saúde reprodutiva femininas. Por conseguinte, uma microbiota intestinal saudável é importante não só para a saúde, mas também para a fertilidade.
E quanto aos homens: a microbiota genital dos homens poderá desempenhar algum papel na fertilidade?
I.S.-K.: Uma vez mais, existem poucos estudos que tenham analisado a microbiota do sistema reprodutivo masculino9. A mucosa genital masculina contém uma composição bacteriana semelhante à das estructuras anatómicas adjacentes, com espécies bacterianas como Prevotella, Staphylococcus, Corynebacterium, e Anaerococcus, e é afetada pelas relações sexuais. A circuncisão masculina parece influenciar a microbiota peniana. São necessários mais estudos e mais investigação para se compreender o papel da microbiota genital masculina na fertilidade.
Tendo em conta o papel desempenhado pela microbiota, há algum conselho no sentido de se melhorar a fertilidade?
I.S.-K.: O mais importante é ter-se um estilo de vida saudável ao tentar engravidar. Fatores ambientais e de estilo de vida como o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e o stress podem afetar a fertilidade, tal como o excesso ou a carência de peso. Um estilo de vida saudável inclui também uma dieta que faça a microbiota prosperar, tanto no intestino como na vagina. O meu conselho é que se recorra a uma dieta rica em vegetais e em frutas, para se alimentar a microbiota com fibras. Alimentos fermentados como o iogurte, o kefir, o kimchi ou a chucrute proporcionam as importantes espécies de lactobacilos que promovem a fertilidade.
"O mais importante é ter-se um estilo de vida saudável ao tentar engravidar."
Pr. Ina Schuppe-Koistinen
As mulheres devem evitar hábitos de higiene que influenciem a pele sensível da vulva. Não devem usar sabão ou produtos que contenham perfumes, e não necessitam de lavar a vagina, uma vez que esta limpa-se a si própria através do corrimento natural. A lavagem apenas pode destruir a microbiota vaginal existente.
Uma alimentação pobre em FODMAPs induzirá uma diminuição das bifidobactérias intestinais nos pacientes com síndrome do intestino irritável (SII). A espécie Bifidobacterium adolescenteis poderá estar envolvida na perda de impermeabilidade da parede intestinal.
Pertencente aos "distúrbios da interação intestino-cérebro", (DGBI, ou Disorder of Gut Brain interaction), também designados “doenças gastrointestinais funcionais (DGF)” a síndrome do intestino irritável (SII) causa dor abdominal crónica e distúrbios do trânsito intestinal, levando a uma deterioração significativa da qualidade de vida. 1 Muitos pacientes associam as suas perturbações à alimentação, o que justifica abordagens dietéticas, por vezes empíricas, para tentar reduzir os sintomas. Uma revisão sistemática 2 concentrou-se em examinar o efeito de uma dessas abordagens, nomeadamente uma dieta pobre em oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis fermentáveis (FODMAPs).
Efeito limitado às bifidobactérias
Esta meta-análise de ensaios controlados aleatorizados incluiu 9 estudos com a participação de 403 doentes. Para além de uma clara redução das bifidobactérias, a abordagem dietética resultou em efeitos inconsistentes ou mínimos na composição e no metabolismo da microbiota. Assim, não comprovou um impacto claro na diversidade da microbiota, facto que os autores consideram tranquilizador, dado que se considera que uma maior diversidade indica saúde gastrointestinal, estando uma menor diversidade associada a estados patológicos.
Esta dieta também não teve efeitos claros sobre a carga bacteriana, apesar de se basear numa disponibilidade reduzida de hidratos de carbono fermentáveis no cólon, principais fontes de substratos para as bactérias.
As concentrações fecais de AGCC também não surgiram afetadas; contudo, como muitos dos AGCC produzidos são absorvidos ao nível do cólon, a concentração fecal pode não refletir a concentração luminal.
O único efeito real observado por vários ensaios
O único efeito real observado em vários ensaios foi uma diminuição da abundância de bifidobactérias, após a remoção dos hidratos de carbono fermentáveis da dieta. Este resultado sugere que os FODMAPs representam um substrato de escolha para as bifidobactérias, que se sabe serem capazes de metabolizar os (sidenote:
Frutanos
Polímeros constituídos por uma molécula de glicose ligada a várias frutoses.
).
Efeito antibifidogénico reversível
O efeito antibifidogénico da dieta FODMAPs levanta questões. De facto, as bifidobactérias têm propriedades imunomoduladoras e anticancerígenas (segundo estudos em animais) e a sua menor abundância foi associada a uma maior gravidade dos sintomas da SII no ser humano. Esta preocupação deve, no entanto, ser colocada em perspetiva, de acordo com os autores, pelo menos durante dietas de curto prazo (3 a 4 semanas): um estudo recente terá comprovado uma recuperação da abundância de bifidobactérias no fim de tal dieta, e bastará um suplemento de bifidobactérias para reduzir o efeito antibifidogénico.
Assim, 3 a 4 semanas de dieta FODMAPs induzirão uma disbiose limitada apenas às bifidobactérias, sem implicações na composição e no funcionamento da microbiota intestinal. Isto, de acordo com os autores, atenua os receios quanto à segurança de uma dieta curta baixa em FODMAPs relativamente à microbiota cólica. No entanto, os efeitos de intervenções de longo prazo restam ainda por elucidar.
Uma segunda publicação 3 acrescenta dados a esta equação. Para sustentar a determinação de ligações causais entre táxons microbianos específicos e o seu impacto funcional nos tecidos do hospedeiro, uma equipa israelita infundiu culturas do trato digestivo do rato com soluções contendo amostras de microbiota recolhidas de pacientes com SII submetidos com sucesso a uma dieta FODMAPs durante 6 semanas. Nos doentes que beneficiaram desta dieta (3 em cada 10), as bifidobactérias, e mais especificamente a espécie Bifidobacterium adolescentis, tornaram-se menos presentes na microbiota intestinal à medida que a dieta avançou (às 3 semanas e depois às 6 semanas). Mas acima de tudo, as culturas ex vivo mostraram que a microbiota pós-dieta (mais pobre em bifidobactérias) modulava a expressão intestinal dos genes envolvidos em processos inflamatórios e neuromusculares e nas junções apertadas entre as células da parede intestinal. Além disso, a equipa identificou o B. adolescentis como um potente perturbador da integridade das junções apertadas do epitélio intestinal e da função de barreira do intestino. No caso das dietas FODMAP, a menor presença de B. adolescentis poderá resultar de uma menor disponibilidade de frutose. Este resultado levanta a questão da situação inversa, nomeadamente das dietas ocidentais ricas em frutose e associadas a danos na barreira intestinal, inflamação de baixo grau e endotoxemia: poderão as consequências patológicas observadas ser mediadas, pelo menos em parte, por um aumento disbiótico do B. adolescentis?
Este estudo não só representa um primeiro passo na identificação dos mecanismos em ação na mediação pela microbiota dos efeitos benéficos de uma dieta com baixo teor em FODMAPs, como também reforça a viabilidade potencial das terapias baseadas na microbiota para estes pacientes, quer se trate do transplante fecal ou de probióticos.
Afeta entre 5 a 10% da população mundial, a síndrome do intestino irritável (SII) é um dos maiscomuns distúrbios intestinais funcionais (DFI), agora chamado de “distúrbio da interação Intestino-Cérebro” (DGBI). O que sabemos sobre isto? Porque tudo aponta para a microbiota? Como viver com esta doença? Para marcar o mês de consciencialização da SII, a Biocodex Microbiota Institute oferece-lhe uma combinação de artigos, testemunhos e opiniões para aumentar a consciencialização relativamente a esta patologia.
O objetivo do Instituto Biocodex Microbiota é instruir o público geral e os profissionais de saúde sobre a microbiota humana. Isto não fornece aconselhamento médico. Consulte um profissional de saúde para quaisquer questões ou dúvidas que tenha.
Após um inverno aparentemente interminável e frio, a primavera está a chegar (finalmente!). Os dias estão a ficar mais longos, o sol que penetra as nuvens está a começar a fazer cócegas na sua pele e você não sabe porque está a sorrir... a felicidade é o segredo da boa saúde. Que tal melhorar as suas oportunidades e mimar a sua microbiota para mantê-la saudável? O Instituto Biocodex Microbiota dá-lhe todas as sugestões, atreva-se a encontrar-nos.
Pela primeira vez, os investigadores demonstraram os benefícios de uma corrida regular à microbiota intestinal e ao estado psicológico dos adolescentes que sofrem de perturbações depressivas.
A adolescência é uma época em que podem ocorrer várias perturbações do humor, incluindo uma grande desordem depressiva (MDD). Nos últimos anos, muitos estudos têm examinado a relação entre disbiose intestinal e depressão. O problema é que a maioria destes estudos tem sido realizada em adultos. Por conseguinte, uma equipa internacional de cientistas tem-se concentrado em adolescentes e, mais especificamente, nos efeitos do desporto na microbiota intestinal de adolescentes que sofrem de "depressão de subthreshold". Esta síndrome depressiva "limite" - que cumpre apenas parte dos critérios para uma síndrome depressiva grave - afectaria 20-30% dos adolescentes e reflectir-se-ia na presença de pelo menos 2 sintomas característicos da depressão, tal como descrito no manual de perturbações mentais (humor depressivo, fadiga, perda ou ganho de peso, agitação ou abrandamento psicomotor, sentimentos de culpa, etc.), durante pelo menos 15 dias. Estes indivíduos têm um risco de 40% de eventualmente desenvolverem DMD.
40 %
A depressão submental está associada a um risco de 40% de desenvolvimento de uma grande desordem depressiva
Crianças em idade escolar deprimidas postas à prova
Os investigadores recrutaram 25 crianças com idades compreendidas entre os 12 e os 14 anos com depressão submental e atribuíram-nas aleatoriamente a 2 grupos:
um grupo que funcionava a um ritmo moderado (50-70% do ritmo cardíaco máximo) 30 minutos por dia, 4 dias por semana;
un grupo placebo que realizaba actividades en grupo (lectura, canto y juegos) una vez por quincena.
Após 3 meses de experimentação, as fezes foram recolhidas de todos os voluntários e analisadas pela sequenciação genética rRNA16S.
Os resultados publicados na Investigação Psiquiátrica mostram que os adolescentes do grupo de corrida tinham significativamente menos sintomas depressivos, enquanto os do grupo de leitura e de jogo não mostraram qualquer melhoria.
Uma assinatura da microbiota intestinal
A análise da microbiota mostra que, em comparação com o grupo dos placebo, os jovens corredores mostraram um aumento da abundância relativa de certas bactérias: Coprococcus e Blautia, bactérias produtoras de butirato, um (sidenote:
Ácidos Gordos de Cadeia Curta (AGCC)
Os Ácidos Gordos de Cadeia Curta são uma fonte de energia (carburante) das células do indivíduo, interagem com o sistema imunitário e estão envolvidos na comunicação entre o intestino e o cérebro.
Silva YP, Bernardi A, Frozza RL. The Role of Short-Chain Fatty Acids From Gut Microbiota in Gut-Brain Communication. Front Endocrinol (Lausanne). 2020;11:25.) (SCFA) conhecido pelos seus benefícios para a saúde, graças à sua acção anti-inflamatória, por exemplo Dorea e Tyzzerella: géneros bacterianos cuja ligação à depressão ainda não está totalmente estabelecida. No entanto, a Tyzzerella já foi identificada em menores quantidades em mulheres que sofrem de depressão pós-parto.
Enriquecimento de percursos metabólicos específicos
A análise das vias metabólicas dos corredores revelou que as relacionadas com os mecanismos de defesa e a transdução de sinal foram altamente enriquecidas, o que pode explicar em parte o efeito antidepressivo da corrida.
Os investigadores salientam também que as vias associadas às doenças neurodegenerativas - algumas das quais são conhecidas por serem semelhantes às da grande síndrome depressiva - estavam esgotadas nos corredores.
Embora os resultados deste estudo precisem de ser confirmados por um estudo mais amplo, representam um novo passo na compreensão da função do eixo intestinal-cérebro e do seu papel nas perturbações do humor.
Um estudo realizado em adolescentes com perturbações depressivas sugere mostrar que a corrida leva a uma melhoria dos seus sintomas e a alterações significativas na microbiota intestinal, sugerindo benefícios para a saúde.
Encorajar um adolescente com episódios depressivos a correr regularmente poderá muito bem impedir que um dia ele ou ela desenvolvam uma verdadeira depressão. E se este efeito protetor estiver associado a alterações na microbiota intestinal causadas pela atividade física? Isto é o que um novo estudo sugere.
Mobilizar o corpo para lutar contra a depressão
Para chegar a este resultado, os cientistas recrutaram 25 adolescentes com idades compreendidas entre os 12 e os 14 anos que sofriam de "depressão infraliminar", ou seja, "abaixo do limiar" da desordem depressiva maior. Este tipo de depressão é caracterizado pela presença, durante 2 semanas ou mais, de pelo menos 2 sintomas significativos de depressão descritos pelo manual de perturbações mentais :
humor depressivo,
fadiga,
perda ou ganho de peso,
agitação ou abrandamento psicomotor,
sentimentos de culpa,
etc.
Ela está associada a um risco 40% maior de desenvolver, um dia, um distúrbio depressivo maior (TDM).
Os colegiais do estudo foram separados ao acaso em dois grupos: o primeiro foi convidado a correr meia hora, a uma intensidade moderada, 4 dias por semana e o segundo grupo, a praticar, a cada 15 dias, sessões de jogos, de canto e de leitura. Antes do término de três meses do experiência, as fezes do conjunto de participantes foram recolhidas para análise da composição da microbiota intestinal.
Mexer-se, correr e modificar (positivamente) a sua microbiota intestinal
Os resultados indicaram que a melhora dos sintomas depressivos foi significativa no grupo da corrida e inexistente no grupo dos jogos e da leitura. A corrida, aliás, provocou modificações nítidas na microbiota intestinal dos adolescentes.
Aqueles que corriam tinham mais Coprococcus e Blautia, dois géneros que beneficiam bacterianos que produzem butirato, um (sidenote:
Ácidos Gordos de Cadeia Curta (AGCC)
Os Ácidos Gordos de Cadeia Curta são uma fonte de energia (carburante) das células do indivíduo, interagem com o sistema imunitário e estão envolvidos na comunicação entre o intestino e o cérebro.
Silva YP, Bernardi A, Frozza RL. The Role of Short-Chain Fatty Acids From Gut Microbiota in Gut-Brain Communication. Front Endocrinol (Lausanne). 2020;11:25.) (AGCC) conhecido pelos seus efeitos benéficos para a saúde (papel protetor anti-inflamatório nos intestinos, por exemplo).
Eles posssuem também uma maior quantidade de Dorea e de Tyzzerella, géneros de bactérias cuja relação com a depressão ainda não foi totalmente estabelecida.
Intestino-cérebro: está tudo ligado!
Os resultados deste pequeno estudo, o primeiro do género realizado em adolescentes, devem ainda ser confirmados. Entretanto, eles trazem uma excelente novidade: incita o adolescente a se mexer, o que é 100% gratuito e benéfico para a sua microbiota intestinal e o seu bem-estar mental.
Introduction (200 to 250 characters) Com diarreia, com obstipação, sem distúrbios de trânsito: as SII são frequentes no consultório médico... e não são parecidas. Um estudo1 revela especificidades da microbiota intestinal para três subtipos de SII assim como as suas relações com a depressão e a alimentação. Ela abre uma via para uma estratificação mais precisa dos doentes com SII e para uma otimização do seu tratamento.
A Síndrome do intestino irritável (SII) é um distúrbio funcional de origem multifatorial no qual uma disbiose da microbiota intestinal tem um papel psicopatológico importante. Ela está associada a uma prevalência mais elevada de depressão, destacando a alteração do eixo intestino-cérebro na sua patogénese. A classificação Roma IV distingue 4 subtipos de SII: com diarreia (SII-D), com obstipação (SII-C), mista (SII-M) e indeterminada (SII-I). Se os fatores alimentares parecem agravar os sintomas da SII, as intervenções dietéticas que modulam a microbiota intestinal como o regime pobre em FODMAPs, podem, ao contrário, aliviá-los. Entretanto, as relações entre a microbiota intestinal, depressão e alimentação nos diferentes subtipos de SII precisam de ser mais bem compreendidas.
Uma assinatura própria para cada subtipo de SII
Para isso, investigadores chineses basearam-se nos dados do American Gut Project para equiparar 942 indivíduos com os diferentes subtipos de SII (SII-D, SII-C, SII-I) com 942 indivíduos-controlo com idade, género, IMC, origem geográfica e alimentação similares. Ao comparar as suas microbiotas intestinais, constataram que a diversidade bacteriana dos indivíduos com SII-D ou SII-I era menor do que a dos controlos. Enquanto certos géneros como o Bifidobacterium e o Faecalibacterium estavam diminuídos em todos os indivíduos SII, outros mostravam tendências opostas em função do subtipo. Por exemplo, o Subdoligranulum, o Dorea ou o Eubacterium hallii estavam aumentados no caso de SII-D, mas diminuídos no caso de SII-C. Certos agentes patogénicos oportunistas, mais abundantes nos indivíduos SII em relação aos controlos, também mostravam diferenças segundo o subtipo. No total, foram identificados 101 géneros de bactérias associados aos diferentes subtipos de SII.
101
géneros de bactérias associados aos diferentes subtipos de SII.
Alterações metabólicas relacionadas com os sintomas
Os cientistas também observaram alterações funcionais da microbiota intestinal nos indivíduos SII segundo o subtipo: nos SII-D, um aumento da produção de sulfato de hidrogénio, conhecido por induzir a diarreia e no SII-C um aumento da biossíntese do palmitoleato, cujo produto associado ao cálcio favorece o endurecimento das fezes. Aliás, a microbiota intestinal dos indivíduos com SII e depressão era mais pobre em bactérias benéficas Bifidobacterium, Sutterella e Butyricimonas mas rico em Proteus, que provoca lesões nos neurónios em estudos no animal. A via de produção de ácidos gordos de cadeia curta (AGCC), cuja redução da taxa já foi correlacionada com a depressão, estava diminuída em relação à dos indivíduos SII sem depressão.
Idade, sexo, alimentação: um conjunto de influenciadores da SII
Neste estudo, as mulheres, os indivíduos mais jovens com IBS-D e os indivíduos mais velhos com IBS-C apresentavam disbiose intestinal mais grave. Alguns fatores alimentares tiveram também um impacto significativo na microbiota intestinal e nos sintomas associados à SII. A lactose agravou os sintomas e o vinho tinto melhorou os sintomas em todos os indivíduos com SII, mas os alimentos que tendiam a normalizar a sua microbiota intestinal eram, por exemplo, o queijo e os grãos em indivíduos com SII-C, frutas em indivíduos com SII-D e SII-C e ovos em indivíduos com SII-D.
No conjunto de casos, estas análises revelam a singularidade da microbiota intestinal nos diferentes subtipos de SII. Ele destaca a importância de uma estratégia de modulação da microbiota intestinal personalizada para otimizar os resultados terapêuticos.