Dermatite atópica: salvar a pele do fungo Malassezia

Os fungos microscópicos que habitam a nossa pele contribuem também para a sua saúde. Assim, nos doentes que sofrem de dermatite atópica grave, o fungo Malassezia perdeu o brilho e cedeu (demasiado?) terreno outrora seu a outras espécies1.

A microbiota da pele Eczema alérgico
Photo: Dermatite atopique : il faut sauver la peau du champignon Malassezia

Pele seca, com prurido e manchas vermelhas - particularmente ao nível das dobras - que surgem por crises: a dermatite atópica (DA) é uma doença inflamatória da pele que afeta quase 1 em cada 5 bebés. Embora a idade favoreça uma evolução positiva, calcula-se que 1 em cada 10 adultos nos países desenvolvidos sofre de DA.

1 em cada 5 A dermatite atópica afecta quase 1 em cada 5 bebés.

Porquê o meu filho, porquê eu? A resposta é múltipla, envolvendo a hereditariedade (filhos de adultos afetados pela DA são também mais suscetíveis de sofrer dela) e o sistema imunitário. Mas não só. A microbiota da pele, comunidade complexa de (sidenote: Microrganismos Organismos vivos que são demasiado pequenos para serem vistos a olho nu. Incluem as bactérias, os vírus, os fungos, as arqueias, os protozoários, etc., e são vulgarmente designados "micróbios". What is microbiology? Microbiology Society. ) (bactérias, fungos, parasitas e vírus) que vivem na nossa pele, também se encontra sob escrutínio.

Prevalência

Estima-se que a dermatite atópica afete até 20% dos bebés e 3% dos adultos em todo o mundo2, e mesmo 10% dos adultos nos países desenvolvidos3.

Malassezia a meio mastro

Nos doentes com DA, algumas bactérias tendem a estar demasiado presentes, tais como os Staphylococcus aureus, enquanto outras se encontram em recuo, caso das Cutibacterium. Mas, e quanto aos fungos microscópicos? A resposta ainda não era muito clara até este recente estudo vir mostrar que, em casos de dermatite grave, a flora fúngica da pele difere. Por exemplo, o fungo Malassezia, que predomina na pele saudável, é menos proeminente na DA. O seu domínio esbate-se e outros fungos como Candida ou Debaryomyces aproveitam isso para se instalarem. Portanto, na dermatite grave, a Malassezia já não funciona como rainha suprema dos fungos da pele, o que resulta numa maior diversidade fúngica.

Além disso, é possível que a evolução das tropas bacterianas e fúngicas esteja ligada. Assim, uma maior presença de S. aureus poderá favorecer a proliferação de Candida, uma vez que estes dois microrganismos são capazes de estabelecer sinergias.

Em relação com a gravidade da DA

Finalmente, (sidenote: Disbiose A "disbiose" não é um fenómeno homogéneo – varia em função do estado de saúde de cada indivíduo. É geralmente definida como uma alteração da composição e do funcionamento da microbiota, causada por um conjunto de fatores ambientais e relacionados com o indivíduo que perturbam o ecossistema microbiano. Levy M, Kolodziejczyk AA, Thaiss CA, et al. Dysbiosis and the immune system. Nat Rev Immunol. 2017;17(4):219-232. ) cutânea parece estar ligado ao grau da DA. Com algumas exceções, a microbiota cutânea de um paciente com DA não grave revela-se bastante semelhante à de uma pele saudável. Em contrapartida, os investigadores demonstram existir uma forte divergência entre os pacientes com DA grave, por um lado, e aqueles com pele saudável ou com DA ligeira a moderada, por outro. Nomeadamente porque a Malassezia se vai reduzindo a um resquício insignificante...

A microbiota da pele

Saiba mais

Recomendado pela nossa comunidade

"Informações bastante úteis num só lugar!" - Comentário traduzido de Владимир Владимиров (Da My health, my microbiota)

Fontes

1. Schmid B, Künstner A, Fähnrich A et al. Dysbiosis of skin microbiota with increased fungal diversity is associated with severity of disease in atopic dermatitis. J Eur Acad Dermatol Venereol. 2022 Jun 21.

2. Ellis SR, Nguyen M, Vaughn AR, et al. The Skin and Gut Microbiome and Its Role in Common Dermatologic Conditions. Microorganisms. 2019;7(11):550.

3. Langan SM, Irvine AD, Weidinger S. Atopic dermatitis. Lancet. 2020 Aug 1;396(10247):345-360.

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Dermatite atópica: a micobiota cutânea ao microscópio

Declínio do fungo Malassezia, aumento da presença de estafilococos e de Candida: uma dermatite atópica grave anda de mãos dadas com uma disbiose pronunciada das microbiotas fúngica e bacteriana da pele.

Photo: Dermatite atopique : le mycobiote cutané à la loupe

Doença inflamatória da pele, a dermatite atópica (DA) é uma afeção complexa e multifatorial, possuindo caraterísticas genéticas (anomalias que afetam a codificação genética da filagrina, que participa na barreira cutânea), imunitárias e também  microbianas. Por exemplo, a pele dos pacientes com DA apresenta normalmente uma maior abundância de Staphylococcus aureus. Mas, e quanto às comunidades de fungos? Um estudo recente1 acaba de lançar luz sobre esta área cinzenta.

Menos Malassezia em caso de dermatite atópica grave

Foram colhidos esfregaços de pele de 16 pacientes com DA (9 com DA ligeira a moderada e 7 com DA grave) e 16 indivíduos saudáveis, em 4 locais da pele (prega antecubital, pescoço dorsal, glabela e vértice). Para se acompanhar a evolução da doença por crise, foram recolhidas amostras em 3 datas (semanas 0, 2 e 4) no caso dos doentes e em 2 datas nos controlos (semanas 0 e 4).

Prevalência

Estima-se que a dermatite atópica afete até 20% dos bebés e 3% dos adultos em todo o mundo2, e mesmo 10% dos adultos nos países desenvolvidos3.

A análise dos 320 esfregaços revelou que o fungo Malassezia (especialmente as espécies M. restricta e M. globosa) predominava em todos os indivíduos, tanto saudáveis como doentes. No entanto, nos pacientes com DA grave, esta dominância esvai-se a favor de fungos como Candida ou Debaryomyces, resultando numa maior diversidade fúngica.

Quanto às bactérias, Cutibacterium surgem em baixa, enquanto os Staphylococcus, e em particular S. aureus e S. epidermidis, reforçam a sua presença. A maior abundância de S. aureus poderá favorecer a proliferação de Candida, numa atividade sinérgica entre os dois microrganismos que já foi anteriormente demonstrada.

Finalmente, durante as 4 semanas de observação, as microbiotas fúngica e bacteriana não se alteraram, independentemente do local da pele.

Em relação com a gravidade da DA

O estudo mostra também uma ligação entre a disbiose cutânea e o grau da DA: as comunidades bacterianas e fúngicas dos pacientes com DA grave diferiram significativamente das dos pacientes com sintomas ligeiros a moderados e das dos controlos. As comunidades cutâneas destes dois últimos grupos (formas ligeiras a moderadas e controlos) surgiram globalmente semelhantes, com algumas exceções bacterianas (mais estafilococos e menos Cutibacterium na DA ligeira a moderada contra nenhuns na ausência de DA). Assim, uma disbiose pronunciada da microbiota é característica das formas graves, mas não das formas menos pronunciadas de dermatite.

Fontes

1. Schmid B, Künstner A, Fähnrich A et al. Dysbiosis of skin microbiota with increased fungal diversity is associated with severity of disease in atopic dermatitis. J Eur Acad Dermatol Venereol. 2022 Jun 21.

2. Ellis SR, Nguyen M, Vaughn AR, et al. The Skin and Gut Microbiome and Its Role in Common Dermatologic Conditions. Microorganisms. 2019;7(11):550.

3. Langan SM, Irvine AD, Weidinger S. Atopic dermatitis. Lancet. 2020 Aug 1;396(10247):345-360.

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Menopausa: novas perspetivas provenientes da microbiota?

Publicações científicas recentes vieram fornecer novos dados que destacam o papel fundamental da microbiota na saúde das mulheres. O Instituto Biocodex Microbiota lança um conjunto de entrevistas com especialistas dedicado à microbiota, às mulheres e à saúde. O que já é que já se sabe sobre a microbiota e a saúde feminina? O que é que ainda falta descobrir?

Primeiro ato: menopausa e microbiota. A Prof. Ina Schuppe Koistinen, investigadora da microbiota, diz-nos tudo!

A microbiota vaginal A microbiota intestinal Probióticos
Menopause: new insights coming from microbiota?

O que é a menopausa? Quando ocorre? Quais são os principais sintomas?

Prof. Ina Schuppe Koistinen: A menopausa é o momento na vida da mulher que marca o fim do período reprodutivo, mesmo que para a maioria ainda restem muitos anos de vida. A menopausa define-se retrospetivamente após a mulher ter cessado a menstruação por 12 meses.

Menopausa: sinais e sintomas

Os sinais e sintomas da perimenopausa podem variar fortemente de mulher para mulher. Muitas mulheres enfrentam períodos irregulares antes destes terminarem. Outros sintomas incluem afrontamentos e calafrios, suores noturnos, problemas de sono e alterações de humor. Os baixos níveis de hormonas sexuais agravam os sinais da idade, como o enfraquecimento do cabelo, a pele seca e perda de volume do peito. Os sintomas geniturinários incluem atrofia e secura vaginal.

A transição da menopausa ocorre ao longo de um período de vários anos, com início na faixa etária entre 40 e 50 anos. Durante esse tempo, também conhecido como perimenopausa, os ovários diminuem a sua produção das hormonas sexuais femininas estradiol e progesterona. Após a menstruação final, os folículos dos ovários estão esgotados e os níveis de hormonas sexuais permanecem baixos. No entanto, é crucial lembrar que muitas mulheres testemunham que a vida após os 50 anos é o seu melhor momento, com mais liberdade, sem menstruação, sem (sidenote: Sintomas pré-menstruais Isto refere-se aos sintomas que as mulheres podem sentir nas semanas anteriores ao seu período (dor no peito, alterações de humor, irritabilidade, depressão, fadiga, etc.) Gudipally PR, Sharma GK. Premenstrual Syndrome. 2022 Jul 18. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2022 Jan ) e sem gravidez.

Como é que a microbiota vaginal evolui durante a menopausa?

I. S.-K.: A microbiota vaginal nas mulheres saudáveis e durante os anos férteis é dominada por espécies de (sidenote: Lactobacilos Bactérias em forma de bastonete cuja característica principal é a de produzirem ácido láctico. É por essa razão que se fala em “bactérias do ácido láctico”. 
Estas bactérias estão presentes no ser humano ao nível das microbiotas oral, vaginal e intestinal, mas também nas plantas ou nos animais. Podem ser consumidas nos produtos fermentados: em produtos lácteos, como o iogurte e alguns queijos, e também em outros tipos de alimentos fermentados – picles, chucrute, etc..
Os lactobacilos são também consumidos em produtos que contêm probióticos, com algumas espécies a serem conhecidas pelas suas propriedades benéficas.   W. H. Holzapfel et B. J. Wood, The Genera of Lactic Acid Bacteria, 2, Springer-Verlag, 1st ed. 1995 (2012), 411 p. « The genus Lactobacillus par W. P. Hammes, R. F. Vogel Tannock GW. A special fondness for lactobacilli. Appl Environ Microbiol. 2004 Jun;70(6):3189-94. Smith TJ, Rigassio-Radler D, Denmark R, et al. Effect of Lactobacillus rhamnosus LGG® and Bifidobacterium animalis ssp. lactis BB-12® on health-related quality of life in college students affected by upper respiratory infections. Br J Nutr. 2013 Jun;109(11):1999-2007.
)
que protegem a vagina contra o aumento excessivo de outros organismos.

A composição da microbiota vaginal é influenciada pelo estrogénio, que promove a proliferação das células epiteliais vaginais e aumenta o armazenamento de glicogénio, principal nutriente para o crescimento dos lactobacilos. Com a diminuição dos níveis de estrogénio durante a perimenopausa, a diversidade da microbiota vaginal aumenta, enquanto os lactobacilos diminuem1,2.

Quais são as missões do Lactobacillus?

Os lactobacilos mantêm o pH vaginal baixo através da produção de ácido láctico, de agentes antimicrobianos como o H2O2 e de bacteriocinas. Além disso, competem por nutrientes, aderem firmemente à membrana mucosa e modulam o (sidenote: Imunidade inata e adaptativa O corpo humano garante a sua proteção graças a 2 tipos de mecanismos de defesa: a imunidade inata e a imunidade adaptativa. A imunidade inata é a primeira linha de defesa contra os agentes infeciosos, sendo uma reação imediata. Por sua vez, a imunidade adaptativa intervém mais tarde, mas visa uma proteção duradoura Janeway CA Jr, Travers P, Walport M, et al. Immunobiology: The Immune System in Health and Disease. 5th edition. New York: Garland Science; 2001. Principles of innate and adaptive immunity. ) local para protegerem a vagina de infeções.

A microbiota vaginal

Como tratar do assunto?

As infeções do trato urinário são vulgares entre as mulheres na menopausa. Qual é a relação com a microbiota?

I. S.-K.: As mulheres após a menopausa sofrem frequentemente de infeções do trato urinário. Os dados clínicos3 sugerem um impacto do estrogénio na patogénese dessas infeções. Os baixos níveis de estrogénio induzem alterações estruturais, como aumento do volume de urina residual e modificações na microbiota vaginal, conforme o descrito acima. Ambas as situações são fatores de risco bem documentados para infeções do trato urinário. A suplementação local com estrogénio pode, pelo menos parcialmente, inverter estas alterações através do restabelecimento de uma microbiota vaginal dominada por lactobacilos e da melhoria do crescimento de células epiteliais no trato urogenital4.

A menopausa pode afetar a microbiota intestinal?

I. S.-K.: Existem poucos estudos na literatura científica que descrevam as alterações da microbiota intestinal após a transição da menopausa. Até ao momento, só foram analisados dados5 de amostras incluindo menos de 200 mulheres para estudar o efeito da menopausa na microbiota intestinal, e poucas alterações foram detetadas. São necessários mais estudos de alta qualidade e com amostras de milhares de mulheres para se descrever e compreender o referido efeito.

A microbiota intestinal

Porque é tão importante para a sua saúde?

Há algum conselho para se cuidar da microbiota (vaginal e intestinal) durante este período?

I. S.-K.: O meu conselho é cuidar bem da saúde geral através de escolhas de estilo de vida que promovam uma microbiota saudável. Cuidar bem da microbiota intestinal irá ajudar a manter uma vagina saudável. Ter uma alimentação variada e rica em fibras e alimentos fermentados, manter a atividade física e passar tempo em contacto com a natureza. Não fumar e manter o consumo de álcool reduzido, evitar o uso de antibióticos, se possível.

Dieta

A diversidade e qualidade do nosso bolo alimentar contribui para o equilíbrio d…

Relativamente à microbiota vaginal, evitar lavar a vulva com sabão e antissépticos, nunca lavar a vagina com perfumes ou detergentes, uma vez que ela se limpa a si própria através da sua descarga contínua. Lavar com água morna ou com produtos de higiene íntima sem perfume e sem sabão. Usar um óleo vegetal neutro para manter lubrificadas as mucosas sensíveis da vulva. Praticar sexo seguro e, se sentir a vagina seca, utilizar lubrificantes quando tiver relações sexuais e pensar num tratamento local com um creme contendo estrogénio.

Não hesitar em contactar o ginecologista se sentir sintomas graves de transição da menopausa e a qualidade de vida for afetada.

A terapia hormonal é utilizada para tratar patologias e sintomas relacionados com a menopausa. Os prebióticos e probióticos podem complementar este tratamento?

I. S.-K.: Foi demonstrado que as mulheres que passaram pela menopausa e foram submetidas a terapia de reposição hormonal tinham uma composição da microbiota vaginal com predominância de lactobacilos, semelhante à das mulheres na pré-menopausa. Por outras palavras, a terapia de reposição hormonal tem um efeito positivo sobre a microbiota vaginal em si.

Probióticos

Informação essencial para a compreensão e escolha correcta dos mesmos

Os prebióticos e probióticos podem contribuir potencialmente para restaurar a microbiota vaginal ao estado anterior à menopausa. Para isso seriam necessários probióticos contendo as estirpes certas de Lactobacillus crispatus associadas a uma boa saúde vaginal.

Descubra a entrevista da Prof. Ina Schuppe Koistinen:

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É possível monitorizar a progressão da hepatite B através da análise de microbiota!

A progressão da hepatite B crónica para a cirrose e o temido carcinoma hepatocelular é acompanhada por uma disbiose intestinal específica do estádio, revela um estudo no Frontiers in Microbiology1. As assinaturas bacterianas associadas poderiam servir como biomarcadores para a monitorização não invasiva da doença.

Hoje fala-se do "eixo do intestino-fígado". Originários da mesma camada germinal, o fígado e os intestinos estão de facto ligados ao nível anatómico e funcional, em particular através da secreção biliar e do sistema de portal hepático. Além disso, existem provas crescentes de uma associação entre hepatite B e alterações na composição da microbiota intestinal. Contudo, nenhum estudo tinha explorado estas alterações à medida que a doença progride de doença crónica para cirrose e carcinoma hepatocelular.

Uma equipa realizou, portanto, uma meta-análise sistemática de 16S resultados de sequenciação (a partir de bases de dados públicas) de amostras fecais recolhidas de doentes infectados com HBV em todas as fases da doença hepática. As assinaturas da microbiota eventualmente identificadas foram então validadas em coortes independentes (23 pacientes com hepatite B crónica, 20 pacientes cirróticos, 22 pacientes com carcinoma hepatocelular e 15 controlos).

296 milhões de pessoas viviam com hepatite B crónica em todo o mundo em 2019.

820.000 mortes A progressão da doença resultou em 820.000 mortes. As regiões de África e do Pacífico Ocidental, incluindo a China, são particularmente afectadas por este flagelo.

(sidenote: Hepatitis B WHO (2017) )

Assinaturas de microbiota dependentes da progressão

Os investigadores identificaram 13 géneros bacterianos que diferiam em cada fase da doença hepática, consistentes entre os conjuntos de dados públicos e os coortes de validação. Enquanto os géneros Monoglobus e Colidextribacter estavam mais presentes nos controlos saudáveis, espécies pertencentes à família Lachnospiraceae foram especificamente aumentadas na hepatite crónica B enquanto que a Bilophia foi reduzida. Os géneros Prevotella e Oscillibacter foram diminuídos em cirrose, Coprococcus e Faecalibacterium em carcinoma hepatocelular. De acordo com os autores, estes resultados indicam uma diminuição dos principais taxa da microbiota intestinal em cada fase da doença, e uma disbiose cada vez mais pronunciada à medida que a doença se agrava. 


As suas análises corroboram os resultados de estudos anteriores: Monoglobus, Colidextribacter e Bilophila foram associados à protecção contra inflamação e/ou danos hepáticos e verificou-se que Prevotella e Oscillibacter foram diminuídos em hepatite alcoólica grave. Além disso, Coprococcus e Faecalibacterium produzem butirato, cuja depleção é pensada para alterar a permeabilidade intestinal e aumentar a translocação de bactérias promotoras de cancro.

Novos biomarcadores não invasivos?

A utilização destes 13 géneros bacterianos revela um poder de diagnóstico que permite distinguir todas as fases da doença, com diferentes graus de exactidão (confirmada em dados de bases de dados e coortes independentes). Estas assinaturas microbianas poderiam servir como biomarcadores para a monitorização não invasiva da hepatite B, segundo os investigadores, mas poderiam também contribuir para o desenvolvimento de terapias baseadas na microbiota intestinal.

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Noticias Gastroenterologia

Centenários: e se o segredo de sua longevidade estiver na microbiota intestinal?

Viver muito tempo e de boa saúde? Uma questão de genética, de ambiente e de estilo de vida. Mas também? A investigação científica está a tentar desvendar as complexas interações entre esses fatores para compreender o envelhecimento e eventualmente retardá-lo. Nessa busca, o estudo da microbiota intestinal dos felizes centenários do planeta fornece respostas valiosas. O exemplo da Sardenha.

A microbiota intestinal Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal
Centenarians: does the secret of their longevity lie in the gut microbiota?

Ao longo das nossas vidas, o nosso corpo modifica-se, inclusive a nossa microbiota intestinal, a tal ponto que as espécies que a compõem ajudam a estabelecer a nossa idade.. Sabe-se que a microbiota intestinal se deteriora com a idade, perdendo a sua diversidade ao desequilibrar-se (a situação a que se chama “disbiose”), o que poderá contribuir para o processo do envelhecimento. Pelo contrário, a manutenção de uma microbiota equilibrada poderá preservar o bom funcionamento do metabolismo e do sistema imunitário, mas também contribuir para o combate à inflamação e ao declínio da saúde cognitiva e óssea.

Desvio por uma “zona azul”, paraíso da longevidade


Tendo em conta que a microbiota intestinal tem participação no envelhecimento, não será possível aprendermos muito mais junto de pessoas com vidas muito longas e saudáveis? Para responder a esta pergunta, investigadores italianos1 deslocaram-se ao sul da Sardenha, região privilegiada para o estudo de centenários. Tal como nas outras “zonas azuis” do mundo, há lá homens cuja longevidade excede a média (enquanto as mulheres têm uma esperança de vida mais longa), mantendo-se em boas condições físicas2. Objetivos: determinar as particularidades da microbiota intestinal associadas à longevidade excepcional, e ainda avaliar a proporção de heritabilidade da microbiota para a descendência e o impacto de fatores ambientais como a alimentação.

Centenários que veem a vida a azul

As “zonas azuis” do mundo são4

  • As aldeias de montanha da Sardenha;
  • A ilha grega de Ikaria;
  • A península de Nicoya, na Costa Rica;
  • A ilha japonesa de Okinawa;
  • Loma Linda, na Califórnia, onde vive uma comunidade de adventistas.

A flora intestinal dos centenários na flor da juventude 

Os investigadores analisaram a microbiota intestinal de um grupo de 46 arrojados centenários e nonagenários, e compararam-na com a de um grupo de controlo de 46 pessoas saudáveis mais jovens (40 a 60 anos). Compararam também a microbiota intestinal de 7 centenários com a dos respetivos filhos. 

Descobriram que a microbiota intestinal dos centenários se caracterizava por uma grande abundância de bactérias da família Verrucomicrobia, em particular da espécie Akkermansia muciniphila. Esta bactéria é conhecida por contribuir – entre outras coisas – para a manutenção da integridade da barreira intestinal, da imunidade e da saúde metabólica. Enquanto a microbiota intestinal dos mais jovens era dominada pela família Bacteroidetes e, em particular, pelo gênero Bacteroides, a dos nonagenários encontrava-se associada às actinobactérias, nomeadamente às bifidobactérias. Além disso, a microbiota intestinal dos centenários era mais parecida com a dos mais jovens que a dos nonagenários.

Segundo os pesquisadores, a microbiota intestinal dos centenários apresenta uma comunidade microbiana harmoniosamente equilibrada. Ela inclui espécies associadas à saúde intestinal, as quais se opõem à ação dos agentes patogénicos e têm efeitos anti-inflamatórios que beneficiam todo o organismo. Além disso, a sua riqueza e a sua complexidade permitem-lhe adaptar-se às perturbações ambientais.

Genética e estilo de vida trabalham juntos


O estudo demonstrou, por fim, que a microbiota intestinal dos centenários era relativamente semelhante à dos respetivos filhos. Estes últimos poderão, portanto, herdar algumas caraterísticas da microbiota, mas também hábitos de vida familiar, em particular no domínio da alimentação, que predispõem para a longevidade. De facto, comprovou-se a relação existente entre a presença na microbiota intestinal de espécies ligadas à longevidade e a adesão a uma dieta de tipo mediterrânico. É mais uma demonstração das vantagens de uma dieta rica em fibras e antioxidantes!

Receita com três ingredientes para envelhecer melhor

A nossa forma de envelhecer depende do património genético que herdámos dos nossos pais, mas também do nosso ambiente e do nosso estilo de vida quotidiano: alimentação, tabaco, atividade física, condições de trabalho, etc.. Por exemplo, uma alimentação saudável desempenha um papel importante no equilíbrio da microbiota intestinal e na saúde: assim, nos idosos, a dieta mediterrânica diminui o risco de fragilidade e promove uma saúde melhor.

Recomendado pela nossa comunidade

"Interessante." Comentário traduzido de Bev Hansen (Da My health, my microbiota)

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Os irmãos, fator determinante importante do desenvolvimento da microbiota

O tipo de parto, a alimentação, o uso de antibióticos, etc.. Múltiplos fatores são conhecidos por influenciarem a saúde e o desenvolvimento da microbiota durante a primeira infância. Os irmãos desempenharão também um papel de primeiro plano, revela um estudo dinamarquês publicado em Microbiome1.

Desde o nascimento, a constituição da microbiota depende principalmente das fontes microbianas locais: especialmente a mãe, mas também o resto do círculo familiar, especialmente os irmãos e as irmãs. No entanto, a contribuição dos irmãos tem sido pouco estudada. Para preencherem essa lacuna, investigadores dinamarqueses sequenciaram amostras fecais (a 1 semana, 1 mês, 3 meses, 12 meses, 4 anos e 6 anos) e faríngeas (1 semana, 1 mês e 3 meses) de 686 crianças oriundas da coorte COPSAC2010 (Copenhagen Prospective Studies on Asthma in Childhood 2010). Em cada consulta, o seu lugar entre os irmãos era tido em consideração e atualizado. Quinze covariáveis foram entretanto registadas: peso ao nascer, uso de antibióticos, alimentação, presença de animais de estimação, etc. Os pesquisadores avaliaram depois a ligação entre a assinatura dos irmãos na microbiota das crianças e a presença de asma, rinite alérgica e sensibilização alérgica aos 6 anos de idade.

Diferenças na diversidade e abundância entre as crianças com irmãos mais velhos 

Os investigadores descobriram que os irmãos eram um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento da microbiota intestinal e das vias respiratórias da criança. Foram encontradas diferenças significativas na composição, tanto em termos de diversidade como de número de géneros bacterianos. O impacto dos irmãos foi particularmente evidente no primeiro ano de vida, e uma menor diferença de idade com os irmãos mais velhos demonstrou ter mais impacto do que o número de irmãos mais velhos.

A microbiota faríngea das crianças com irmão(s) mais velho(s) apresentou uma diminuição da diversidade alfa aos 3 meses, em comparação com a das crianças filhas únicas. Os géneros Moraxella e Neissera surgiram mais abundantes, enquanto os estafilococos tiveram tendência contrária. Nenhum outro fator, mesmo que importante, como a amamentação ou uso de antibióticos, mostrou exercer um impacto maior do que os irmãos na composição da microbiota faríngea.

Quanto à microbiota intestinal das crianças com irmãos mais velhos, ela apresentou uma maior diversidade alfa e uma diferença significativa na diversidade beta até aos 4 anos de idade. Aos 12 meses de idade, os irmãos surgiam como o fator determinante mais importante da diversidade beta após a forma de nascimento. A presença de irmãos mais velhos pôde ser associada a menos Escherichia/Shigella, outras Enterobacteriaceae e Veillonella, mas a mais Prevotella. Para este último género bacteriano, o aumento da abundância surgiu ainda mais pronunciado aos 4 anos de idade e persistiu até aos 6 anos. Finalmente, uma microbiota intestinal apresentando uma assinatura de irmãos aos 12 meses de idade pôde ser associada a um risco reduzido de asma aos 6 anos de idade.

Melhorar a integração dos irmãos nos estudos sobre o desenvolvimento da microbiota

Os investigadores acreditam, portanto, que o desenvolvimento da microbiota de uma criança é significativamente influenciado pelos seus irmãos, com consequências para a sua saúde. Sugerem por isso que os estudos sobre o desenvolvimento da microbiota em crianças devem ter em conta a presença de irmãos, especialmente dos mais velhos.

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Noticias Pediatria

O nosso irmão (ou irmã) mais velho ajuda a nossa microbiota bebé à crescer!

Conhecem-se muitos fatores que desempenham um papel no desenvolvimento da nossa microbiota e consequentemente na nossa saúde: o nascimento por parto vaginal ou cesariana, a alimentação, a ingestão de antibióticos, etc. O que é menos conhecido - e menos estudado - é que os irmãos também desempenham um papel importante. Investigadores dinamarqueses1 acabam de fornecer prova tangível disso.

A microbiota ORL A microbiota intestinal Asma e microbiota Rinite alérgica

Desde o momento em que nascemos, o pequeno universo que nos rodeia vai ajudar a moldar a composição única da nossa microbiota. Os microrganismos a que nos expõe serão diferentes consoante a nossa mãe nos deu à luz por cesariana, nos amamentou, nós crescemos no campo,  temos um cão… ou temos irmãos e irmãs! Para avaliar o impacto dos irmãos no desenvolvimento da microbiota, os investigadores analisaram a composição da flora intestinal (desde a idade de 1 semana até aos 6 anos) e da microbiota das vias respiratórias ao nível da faringe (desde 1 semana até aos 3 meses) de cerca de 700 crianças. Mediante a renovação regular das amostras, sequenciaram quase 4.500 das mesmas! Em cada etapa, tiveram em consideração o lugar relativo dos jovens participantes no seio dos irmãos - filho único, irmão(s) ou irmã(s) mais novos ou mais velhos. Além disso, registaram cerca de quinze fatores que também podem influenciar a microbiota das crianças, desde o peso ao nascer até à renda familiar. Por fim, compararam os dados recolhidos das crianças com a presença aos 6 anos de idade de asma, de rinite alérgica e de sensibilização a diversos alérgenos.

Os microrganismos da microbiota possuem espírito de família 


Os investigadores descobriram que, durante a primeira infância, o facto de se ter irmãos e irmãs era um dos fatores mais importantes para a composição da microbiota intestinal e da microbiota das vias respiratórias. Este efeito revelou-se mais forte nas crianças com um ou vários irmãos ou irmãs mais velhos durante o seu primeiro ano de vida. A sua microbiota intestinal revelou-se mais rica, mais diversificada e mais madura que a dos filhos únicos. Não era necessária a existência de uma família numerosa: ter um irmão ou irmã mais velho em idade próxima era mais importante do que ter vários. Elemento de consolação para os filhos únicos: a diferença entre sua microbiota e a das crianças com irmãos ou irmãs desaparecia aos 4 anos de idade.

A influência dos irmãos sobrepõe-se à da amamentação na microbiota respiratória dos lactentes

E quanto à microbiota das vias respiratórias? Durante os primeiros 3 meses de vida, também ela era modificada pela presença de irmãos, mais do que por outros fatores considerados fundamentais, como amamentação ou a toma de antibióticos. A dos bebés com irmãos era menos diversificada do que a dos que não os tinham. Mas atenção, ao contrário da microbiota intestinal, uma menor diversidade bacteriana nas vias aéreas parece ser mais favorável a uma boa saúde respiratória2


Que ilações é possível retirar deste estudo? Crescer durante a infância com irmãos tem impacto no desenvolvimento e na saúde da microbiota. Mas há necessariamente um reverso da medalha:  a existência de irmãos facilita a contaminação por germes das constipações e das diarreias. Mas os investigadores acreditam que a exposição precoce a micróbios relativamente inofensivos pode reduzir o risco de doenças alérgicas3.

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Xpeer: Estabelecimento precoce da microbiota intestinal

Aprenda sobre o estabelecimento precoce da microbiota intestinal neste curso gratuito, orientado pela Dra. Ericka Montijo. Neste curso, você aprenderá mais sobre a evolução e a importância da microbiota intestinal ao longo da vida. 

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Sinopse do curso:

Nos últimos anos, o interesse em investigar a complexa interacção entre a microbiota intestinal humana e a nossa saúde não tem parado. Além disso, os profissionais de saúde começaram a interrogar-se se o estabelecimento inicial da microbiota intestinal desempenha algum papel na nossa vida adulta. Como é que a microbiota se forma e se desenvolve na infância? Qual é a sua importância mais tarde na vida? Neste curso, aprenderá quais os factores que influenciam a nossa microbiota mesmo antes de nascermos, e quais as consequências de uma microbiota imatura mais tarde na vida adulta. Além disso, não perca as recomendações práticas sobre como melhorar uma microbiota saudável e madura em crianças!
Subvenção irrestrita do Biocodex Microbiota Institute

Quem é a Ericka Montijo?

  • Ericka Montijo, MD, é gastroenterologista a trabalha no Instituto Nacional de Pediatria no México DF.
     
  • Possui um mestrado em nutrição pediátrica e é especializada em endoscopias pediátricas. 
     
  • Declaração de Conflitos de Interesses: Ericka Montijo declara receber taxas de consulta da Biocodex México/Reckit Mead Johnson e ter participado como orador num gabinete patrocinado pela empresa, organizado pela Biocodex México e Reckit Mead Johnson.

A respeito da Xpeer

Xpeer Medical Education é a primeira aplicação de formação clínica acreditada do mercado, com cativantes vídeos de microaprendizagem de apenas 5 minutos.

Com um poderoso algoritmo para personalização da experiência do utilizador e dos conteúdos, inspirado no das mais populares plataformas de vídeo em streaming, oferece uma experiência totalmente renovada para a formação contínua e o desenvolvimento profissional dos profissionais de saúde.

Credenciada pela União Europeia de Médicos Especialistas, oferece componentes de formação clínica de elevada qualidade científica. Na Xpeer poderá encontrar este programa sobre a Microbiota e 500 horas de formação clínica de 2021 na sua especialidade, tecnologias, e competências profissionais e pessoais.

Mais informações sobre as acreditações:

A aplicação Xpeer é credenciada pelo European Accreditation Council for Continuing Medical Education (EACCME®) e atribui créditos ECMEC oficialmente reconhecidos em 26 países.

Os participantes do módulo obtêm 1 crédito FMF Europeu (ECMEC) por cada hora de formação (60 minutos úteis de e-learning, excluindo as introduções...). Este crédito é atribuído após a conclusão do módulo e a avaliação correspondente validada pelos participantes.

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Artigo

Microbiota intestinal, responsável pela variabilidade da resposta às estatinas

Cerca de 25% a 30% das pessoas com mais de 40-50 anos, na Europa e nos Estados Unidos, tomam atualmente estatinas. No entanto, a variabilidade na resposta ao tratamento entre os pacientes continua a constituir um desafio para os médicos. E se fosse possível prever essa resposta e geri-la em função das caraterísticas da microbiota intestinal dos pacientes?

Le microbiote intestinal, clé de la variabilité de la réponse aux statines

As estatinas reduzem o risco de doença cardiovascular aterosclerótica ao inibirem a atividade da enzima HMG-CoA redutase que participa na síntese hepática de LDL (lipoproteínas de baixa densidade). Infelizmente, a sua eficácia nos níveis de LDL varia consideravelmente entre os pacientes e podem ocorrer efeitos secundários, em particular resistência à insulina, o que aumenta o risco de diabetes tipo 2. Para os médicos, a determinação da "dose máxima tolerada" adequada a cada paciente de acordo com as recomendações1 é muitas vezes feita por tentativa e erro. Essas tentativas e erros fazem perder tempo e podem prejudicar a adesão do paciente ao tratamento.

Um marcador sanguíneo para quantificar a resposta às estatinas


Estudos recentes destacaram já a existência de relação entre a microbiota intestinal e o risco cardiovascular aterosclerótico, e também entre a microbiota e a utilização de estatinas. Investigadores americanos2 decidiram desta vez analisar o papel da flora intestinal na resposta às estatinas. Ao metabolizarem as estatinas, as bactérias da microbiota poderão, efetivamente, modular a biodisponibilidade e a atividade dessas moléculas, ou mesmo contribuir para os seus efeitos secundários. Os cientistas, para começar, validaram um marcador da resposta às estatinas, a concentração plasmática do substrato HMG-CoA redutase (HMG), numa coorte americana de 1.848 adultos que incluía 244 tratados com estatinas. O nível de HMG surgiu, de facto, mais elevado nos indivíduos tratados do que nos não tratados, e revelou-se negativamente correlacionado com o nível de LDL no sangue apenas nos indivíduos tratados. Refletiu, também, tanto a intensidade da terapia com estatinas como a presença de variantes genéticas que afetam a resposta ao tratamento em pacientes.

O perfil da microbiota influencia a eficácia e o risco metabólico do tratamento


Os investigadores estudaram depois a associação entre a eficácia das estatinas, medida pela concentração de HMG, o seu efeito no controlo da glicose medido através do índice HOMA-IR (Homeostatic Model Assessment for Insulin Resistance) e a composição da microbiota intestinal analisada por sequenciação do gene do RNA ribossomal 16S. Descobriram que, associada a um aumento da resposta às estatinas, tanto em termos de eficácia como de efeito prejudicial para o controlo da glicose, estava uma microbiota menos diversificada e mais rica em Bacteroides. Por outro lado, uma flora mais rica em Ruminococcaceae exercerá aparentemente proteção contra esse risco metabólico. Estes resultados foram confirmados numa coorte europeia de 991 indivíduos cuja microbiota intestinal foi sequenciada usando um método diferente.

A caminho de tratamentos por estatina de precisão? 

Estes trabalhos fornecem não apenas uma explicação da variabilidade da resposta às estatinas, mas também uma perspetiva da existência de ferramentas clínicas para a gerir. Efetivamente, a concentração de HMG no plasma pode representar uma fonte de informação adicional à de LDL para se avaliar a eficácia do tratamento. A tomada em consideração da microbiota intestinal dos pacientes poderá igualmente permitir que se preveja a resposta às estatinas, que se melhore essa resposta através de probióticos caso isso seja necessário e, por fim, que se apresente aos pacientes uma estratégia mais personalizada de tratamento das doenças cardiovasculares.

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Noticias Gastroenterologia

A orchata, uma “super bebida” para a microbiota intestinal

Um copo grande de orchata todas as manhãs durante 3 dias é suficiente para melhorar o equilíbrio bacteriano da microbiota intestinal. É isso que sugere um estudo realizado em Espanha por investigadores de Valência.

A microbiota intestinal Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal
“Super drink” horchata and its effects on the gut microbiota

Tem a cor do leite e a textura do leite, mas não é leite. Preparada a partir dos tubérculos da juncinha, a horchata de chufa é uma bebida típica espanhola de Valência. Esta bebida não possuirá apenas virtudes refrescantes. Promoverá também a proliferação de bactérias intestinais benéficas para a saúde.

Beber orchata, sim, mas não qualquer uma!

Em Espanha, a orchata é frequentemente vendida engarrafada sob a forma esterilizada, adoçada e com adição de agentes emulsionantes, estabilizantes e aromatizantes. Não se pode contar com este tipo de produto ultraprocessado para melhorar o estado da nossa microbiota! Para se poder tirar proveito das virtudes da orchata – e da juncinha – ela tem de ser fresca (nem esterilizada nem pasteurizada), sem açúcar e sem aditivos. Os agentes emulsionantes, em particular, são suspeitos de aumentarem o poder patogénico de determinadas bactérias e de promoverem a inflamação nos intestinos.1 Portanto, antes de beber orchata, convém verificar atentamente a receita e preferir a de origem caseira!

Para chegarem a esta conclusão, investigadores do Conselho Superior de Investigação Científica de Espanha (CSIC) pediram a 31 adultos saudáveis que bebessem um copo de orchata, correspondente a 300 ml, todas as manhãs durante 3 dias ao pequeno-almoço. Os cientistas recolheram amostras de fezes dos voluntários antes e depois da experiência.
Objetivo: analisar os efeitos da orchata sobre as bactérias da microbiota intestinal.

Efeitos semelhantes aos de uma dieta rica em fibras

Os resultados mostram que a microbiota intestinal de todos os voluntários sofreu alterações positivas provenientes da orchata2

De uma forma geral, os novos perfis bacterianos surgiram semelhantes aos das pessoas com uma alimentação rica em vegetais ou próxima da (sidenote: Dieta mediterrânea Rica em frutas, vegetais, cereais, oleaginosas (nozes) e peixe, e com baixo teor de carne vermelha, gorduras saturadas e laticínios. Lăcătușu CM, Grigorescu ED, Floria M, et al. The Mediterranean Diet: From an Environment-Driven Food Culture to an Emerging Medical Prescription. Int J Environ Res Public Health. 2019 Mar 15;16(6):942. ) . No seio da microbiota intestinal dos voluntários, os investigadores detetaram uma abundante presença de bactérias que produzem butirato, um (sidenote: Ácidos Gordos de Cadeia Curta (AGCC) Os Ácidos Gordos de Cadeia Curta são uma fonte de energia (carburante) das células do indivíduo, interagem com o sistema imunitário e estão envolvidos na comunicação entre o intestino e o cérebro. Silva YP, Bernardi A, Frozza RL. The Role of Short-Chain Fatty Acids From Gut Microbiota in Gut-Brain Communication. Front Endocrinol (Lausanne). 2020;11:25. ) (AGCC) conhecido pelos seus múltiplos benefícios para a saúde. 

Uma bebida real

Reza a lenda que o nome lhe foi dado por Jaime I de Aragão no século XIII que, ao provar a famosa bebida oferecida por uma jovem valenciana, teria declarado “açò no és ilet, açò és or, xata!” (isto não é leite, é ouro!).

Fontes.

México e Espanha, cada um tem a sua receita

Numa próxima viagem, aqui estão algumas pistas para se evitar um incidente diplomático... e pedir uma orchata com total tranquilidade. A “horchata de chufa” é uma bebida tradicional de Valência feita a partir de tubérculos reidratados de juncinha. Não confundir com a orchata mexicana, que é feita de arroz, leite e canela.

Fontes.

Foi igualmente possível constatar que as mudanças observadas dependiam bastante do perfil bacteriano inicial. Assim, surgiram dois grandes grupos de microbiota após o consumo da bebida: um enriquecido com Akkermansia, Christenellaceae e Clostridiales e o outro com a presença marcante de Faecalibacterium, Bifidobacterium e Lachnospira. Algumas destas bactérias são já conhecidas pelos seus efeitos benéficos:

Elevado teor de amido resistente e de polifenóis: viva la chufa!

Como se explicam tais mudanças? 

Os tubérculos de juncinha (Cyperus esculentus ou junça-de-conta, chufa em espanhol), a partir dos quais se fabrica a orchata, possuem um teor de amido resistente relativamente elevado. Esse composto poderá, segundo os investigadores, “alimentar” certas bactérias benéficas, como Akkermansia, Lactobacillus ou Bifidobacterium, e assim promover o seu desenvolvimento. 

A juncinha contém também muitos polifenóis, os quais ajudam a conter a proliferação de outras espécies bacterianas graças à sua ação antimicrobiana.

A microbiota intestinal

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