Insónia crónica e risco cardiometabólico: há participação da microbiota intestinal e dos ácidos biliares?

A insónia crónica, que atinge 10 a 20% da população mundial, está associada a um risco agravado de doenças cardiometabólicas. Haverá particularidades na composição da microbiota intestinal e no metabolismo dos ácidos biliares que terão impacto na relação entre essas duas patologias, sugere um estudo publicado em Nature Communications1.

Chronic insomnia and cardiometabolic disease: gut microbiota and bile acids involved?

Atualmente, os ácidos biliares são alvo de interesse por parte dos investigadores: além da sua função na absorção de nutrientes, eles desempenham um papel importante nas interações entre a microbiota intestinal e o seu hospedeiro. Efetivamente, após a sua síntese hepática, os ácidos biliares são libertados no intestino e transformados por bactérias cuja atividade influencia a composição da microbiota intestinal. Reabsorvidos pelo cólon, esses ácidos biliares "secundários" poderão agir então como moléculas sinalizadoras em vários processos metabólicos e imunitários2.

Sequenciação, metabolómica e estatísticas 

Investigadores chineses aventaram a hipótese de a microbiota intestinal e os ácidos biliares estarem envolvidos na relação, ainda mal compreendida, entre a insónia crónica e as doenças cardiometabólicas. Várias descobertas recentes encaminharam-nos para essa via. Por exemplo, a microbiota intestinal possui ritmos circadianos próprios, diferentes dos do hospedeiro e sensíveis às insónias. Em ratinhos, as interrupções repetidas do sono provocam uma alteração da composição da microbiota intestinal e do metabolismo dos ácidos biliares. Por fim, a disbiose intestinal e a desregulação dos ácidos biliares prejudicam a saúde metabólica.

Para testarem esta hipótese, os cientistas recorreram a duas coortes, uma “ (sidenote: Coorte de descoberta A “coorte de descoberta” inclui 1.809 indivíduos oriundos do estudo prospetivo Guangzhou Nutrition and Health Study (GNHS) ) ” e uma “ (sidenote: Coorte de validação A “coorte de validação” reúne os 6.122 participantes do estudo transversal Guangdong Gut Microbiome Project (GGMP), dos quais sequenciaram a microbiota intestinal. ) ”. Reuniram igualmente informações detalhadas sobre o sono dos participantes, bem como os respetivos parâmetros cardiometabólicos, durante um período de 6 anos antes das amostras de fezes serem colhidas. Por fim, analisaram o metaboloma fecal dos ácidos biliares de 954 indivíduos da coorte GNHS.

Dois géneros bacterianos e ácidos biliares específicos em destaque

Os investigadores conseguiram demonstrar que a insónia crónica e os distúrbios cardiometabólicos estavam correlacionados com um nível mais reduzido de duas bactérias da família das Ruminococcaceae, e isto nas duas coortes avaliadas.

Ao analisarem mais detalhadamente a coorte GNHS, descobriram também que:

  • certos ácidos biliares como o ácido isolitocólico (isoLCA), o ácido murocólico (MCA) e o ácido norcólico (NorCA) funcionavam como mediadores nessas associações. 
  • o consumo de chá (verde, preto, Oolong, etc.) estava associado a níveis mais elevados de Ruminococcaceae e a níveis mais reduzidos de NorCA, bem como a uma diminuição do risco de insónia.

“Tea time” para reduzir o risco cardiometabólico de insónia crónica?

Os investigadores pensam que o eixo microbiota-ácidos biliares intestinais poderá representar um alvo de intervenção interessante para se reduzir o impacto da insónia crónica na saúde cardiometabólica. Quanto ao chá, permanecem cautelosos: as investigações devem continuar antes de se poder afirmar que seu consumo exerce um efeito benéfico sobre as bactérias da microbiota ligadas à saúde cardiometabólica.

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Com ou sem álcool, a cerveja, uma nova aliada do nosso intestino?

Uma cerveja por dia mantém o médico à distância… Este novo ditado, inspirado num estudo português que enaltece as virtudes das cervejas (com e sem álcool) para a microbiota intestinal e a saúde em geral, deve agradar aos amantes das “bejecas”!

A microbiota intestinal Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal
Avec ou sans alcool, la bière, nouvelle alliée de notre intestin ?

O consumo excessivo de bebidas alcoólicas é responsável, todos os anos, por 3 milhões de mortes, e acredita-se ser o elemento que aciona mais de 200 doenças1. Em contrapartida, quando consumida (sidenote: Moderação Para adultos com idade legal para poderem beber alcool, as recomendações nutricionais americanas recomendam que se limite o consumo a 2 copos por dia para os homens e a 1 copo por dia para as mulheres. Mesmo em pequenas doses, o álcool pode ser perigoso. https://www.niaaa.nih.gov/alcohol-health/overview-alcohol-consumption/moderate-binge-drinking ) , a cerveja terá benefícios para a saúde (nomeadamente na prevenção dos riscos cardiovasculares). Trata-se de efeitos benéficos que se observam há décadas tanto com o vinho como com a cerveja, mas que se ignora se se devem ao consumo moderado ou a compostos que essas bebidas contêm, como os (sidenote: Polifenol Molécula orgânica presente nas matérias vegetais. https://www.medicalnewstoday.com/articles/319728 ) , presentes em grandes quantidades na cerveja.

Efeito benéfico… com ou sem álcool?

Para dissipar as dúvidas, uma equipa de investigadores portugueses2 realizou um estudo a comparar os efeitos da cerveja com e sem álcool na microbiota intestinal e em marcadores de saúde cardiometabólica (peso, índice de gordura corporal, nível de colesterol, resistência à insulina, etc.)

181 litros Este é o consumo anual de cerveja por habitante na República Checa.

Este torna este pequeno país europeu no maior consumidor mundial, muito à frente do segundo, a Áustria, que contabiliza “apenas” 97 litros/habitante.

10 homens beberam 33 cl de Lager (cerveja branca com teor alcoólico de 5,2%) a cada jantar durante quatro semanas, enquanto outros 9 beberam uma cerveja sem álcool, mantendo todos os seus hábitos alimentares.

Uma microbiota intestinal mais diversificada

E aqui está a boa (e surpreendente) notícia para quem gosta de cerveja: não se registaram quaisquer aumentos no peso nem nos níveis das enzimas hepáticas. Também é digno de nota que não surgiram variação importantes nos marcadores de saúde cardiometabólica. Quanto às análises das fezes, estas revelaram uma maior diversidade de microrganismos na microbiota intestinal (garantia de boa saúde), mas também uma tendência ascendente da atividade da fosfatase alcalina fecal, um marcador da função de barreira intestinal, independentemente do tipo de cerveja consumido. Portanto, os compostos presentes na cerveja parecem contrabalançar os efeitos nocivos do álcool na flora intestinal.

A microbiota intestinal

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Benefícios relacionados com os polifenóis

Segundo os cientistas, esses benefícios são atribuíveis aos polifenóis, bem como ao isoxantohumol, uma substância antioxidante que reduz o risco de doenças crónicas e da qual a cerveja é um importante veículo. Os referidos compostos encontram-se em quantidades muito mais importantes nas cervejas não filtradas, as quais poderão ter um impacto ainda maior na saúde da nossa flora intestinal, conforme sugerem os investigadores.

Serão necessários outros trabalhos para se poder confirmar estes resultados. Enquanto se aguarda, opte pela moderação.

Advertência

O abuso do álcool é perigoso para a sua saúde, consuma com moderação.

Recomendado pela nossa comunidade

"É um fermento menor. Faz sentido." Troubl Suzy (Da My health, my microbiota)

"Sim, claro." Paul Davis (Da My health, my microbiota)

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A água, fonte de vida… e de microrganismos

A água da torneira é uma fonte de microrganismos que, uma vez ingeridos, podem colonizar nosso intestino e influenciar a nossa microbiota intestinal. No entanto, a maioria deles permanece ainda desconhecida.

A microbiota intestinal
L’eau potable, source de vie… et de micro-organismes

Contrariamente à crença popular, a água potável não é estéril: existem cerca de 10 a 100 milhões de (sidenote: Microrganismos Organismos vivos que são demasiado pequenos para serem vistos a olho nu. Incluem as bactérias, os vírus, os fungos, as arqueias, os protozoários, etc., e são vulgarmente designados "micróbios". What is microbiology? Microbiology Society. ) por litro! Mas não há nada a recear, muito pelo contrário: a presença dessas bactérias parece alimentar a nossa microbiota intestinal, como já tinha sido demonstrado por um estudo anglo-saxónico anterior. Desta vez, foram cientistas italianos que percorreram a cidade de Parma para recolher amostras de água de fontes públicas e de torneiras domésticas. Objetivo: analisar a biodiversidade microbiana das amostras de água da sua cidade e os seus efeitos na microbiota intestinal dos respetivos habitantes.

A água, veículo de uma grande diversidade bacteriana

Ao examinarem as referidas amostras, os investigadores descobriram que havia 5 bactérias que estavam mais amplamente representadas, com bastante variabilidade de uma amostra para outra: numa fonte, Acidovorax delafieldii representava mais de uma em cada duas bactérias; noutra fonte, a bactéria dominante era a Sphingomonas ursincola e representava um quarto das bactérias presentes. O grau de variação era igualmente elevado na água da torneira. As 5 espécies dominantes não apresentaram surpresas: são conhecidas por estarem frequentemente presentes na água potável. Mais surpreendente, porém, é que grande parte das bactérias presentes na água potável, tanto das fontes como das torneiras, era ainda desconhecida. Uma "caixa negra" que os cientistas terão de explorar.

2,5 % A água doce representa cerca de 2,5% da água da Terra, sendo o resto constituído pela água salgada dos mares e oceanos.

106-108 As concentrações bacterianas na água potável são estimadas em cerca de 106 a 108 células por litro.

Do copo de água à microbiota intestinal

Sabendo-se que bebemos cerca de 2 litros de água por dia, será que essas bactérias têm impacto na microbiota intestinal? Sim, respondem os investigadores, que detetam as bactérias ingeridas nas fezes dos consumidores regulares, com perfis semelhantes aos da composição da água consumida. Por outras palavras, ano após ano, a água da torneira contribui para forjar a nossa microbiota intestinal. Os investigadores conseguiram até demonstrar que certas bactérias parecem instalar-se de forma duradoura (e permanecerem mesmo que se comece a beber água engarrafada), enquanto a presença de outras parece estar intimamente ligada ao consumo regular (desaparecem quando se bebemos água engarrafada ao longo de vários dias).

A microbiota intestinal

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É certo que estes resultados preliminares permanecem ainda parcelares. Mas vêm abrir dois campos de pesquisa que ainda não foram totalmente explorados. Quais as bactérias que estão presentes na água potável? Qual é a influência da água que bebemos na nossa microbiota intestinal e na nossa saúde? A água ainda não revelou todos os seus segredos...

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Paredes vegetais: a natureza no escritório faz bem à pele

As plantas fazem bem à pele? E ao nosso sistema imunitário? Não, não falamos do creme de hamamélis ou do óleo de amêndoas doces, mas de paredes interiores de plantas! Um estudo demonstrou que sua instalação nos nossos locais de trabalho não possui apenas virtudes ecológicas. Tais paredes ajudarão a equilibrar a microbiota da pele e a regular o sistema imunitário das pessoas que lá trabalhem.

A microbiota da pele Eczema alérgico
Green walls: nature in the office is good for the skin

Ao longo de décadas, a urbanização e as suas infraestruturas modernas têm diminuído a nossa exposição aos microrganismos ambientais. A consequente melhoria das nossas condições de higiene, permitiu-nos protegermo-nos de muitas doenças infecciosas.

Mas a nossa microbiota definha sem o contacto com os ecossistemas bacterianos naturais das plantas, da terra, da água, etc.. E essa ausência do mundo vegetal tem consequências para a nossa saúde: segundo os cientistas, o estilo de vida citadino (rotina transportes-trabalho-casa) promoverá alergias e doenças com componentes autoimunes. A nossa pele não está ao abrigo disso: a urbanização modifica o equilíbrio microbiano da pele.

No entanto, um pouco de vegetação pode ajudar a reequilibrar: a nossa microbiota cutânea enriquece-se quando passeamos nos espaços verdes urbanos e a das nossas crianças diversifica-se se elas frequentarem infantários com plantas. Mas como é que podemos aproveitar os benefícios das plantas se vivemos fechados 8 horas por dia num escritório?

Paredes vegetais: a microbiota da pele semeada de novo...

Investigadores finlandeses1 instalaram em gabinetes universitários separadores vegetais com circulação de ar. O princípio é básico: o ar interior é impulsionado através das plantas verdes (filodendros, Dracaena, fetos e outras) mediante o recurso a ventiladores. Compararam-se as amostras de pele e de sangue do pessoal que trabalha nesses gabinetes verdes com as de colaboradores que trabalhavam em salas sem vegetação.

Resultados: a abundância de lactobacilos e a diversidade de proteobactérias da pele, que se sabe participarem no equilíbrio da microbiota cutânea e na proteção contra microrganismos nocivos, aumentaram rapidamente nas pessoas que beneficiaram de instalações “verdes”. Os cientistas constataram também no sangue dessas pessoas uma diminuição da presença de uma citoquina pró-inflamatória e um aumento de outra (sidenote: Citoquina Pequena proteína que participa nas comunicações entre as células, em particular no sistema imunitário.  Cytokines: Introduction_British Society for Immunology   ) que participa na regulação da resposta imunitária.

...para uma vida profissional com melhor qualidade

De acordo com os autores do estudo, as paredes vegetais com circulação do ar equilibram a humidade da atmosfera e libertam esporos ou bactérias das plantas (inclusivamente proteobactérias), os quais se depositam na pele. A capacidade das plantas de filtrarem os poluentes atmosféricos terá também um efeito positivo na microbiota cutânea. De qualquer das formas, os separadores vegetais acabam por ser tão agradáveis à vista como potencialmente benéficos para a nossa saúde. Enquanto se aguardam novos resultados do estudo, será que devemos levar os nossos vasos com as plantas favoritas para o nosso local de trabalho?

Para acompanhar…

A microbiota da pele

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"Interessante" Comentário traduzido de Frances Elaine Babb Latone 

"Adoro esta ideia" - Comentário traduzido de Dianne Reid

"É bom que o tenham explicado melhor, pensei que só era preciso pintar as paredes de verde, mas obrigado pelo resto das informações" - Comentário traduzido de Paul Styrma

"Muito interessante. As cores criam estados de espírito, por isso soa bem à minha mente aberta." - Comentário traduzido de Carol Rench

(Da My health, my microbiota)

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Antibióticos: quais os limites da resiliência da microbiota intestinal?

Mesmo em voluntários saudáveis, bastam curtos tratamentos por antibióticos para causar distúrbios na microbiota intestinal. Esses tratamentos podem, assim, deixar “cicatrizes” a curto e a longo prazo, com resistências duradouras.

Do antibiotics make gut microbiota less resilient?

O que limita a investigação médica sobre o impacto dos antibióticos é o facto de os estudos serem geralmente realizados em pacientes doentes e hospitalizados sob polimedicação. Consequência direta: há múltiplos fatores de confusão (infeção, medicamentos, ambiente hospitalar, possível imunodepressão) que colocam em causa as observações.

E a única solução será realizar estudos prospetivos em adultos saudáveis e não hospitalizados, como o que se segue. Investigadores americanos avaliaram o impacto de 4 tratamentos com antibióticos (azitromicina AZM, levofloxacina LVX, cefpodoxima CPD ou uma combinação de CPD + AZM) na microbiota intestinal de 20 voluntários saudáveis randomizados em 4 grupos, mediante a colheita das respetivas fezes antes, durante e 2 meses após o término de tratamento (15 momentos de colheita no total).

Disbiose intestinal específica de cada antibiótico 

Primeira conclusão: os antibióticos reduzem a carga e a riqueza bacterianas. De acordo com o tratamento recebido, a evolução da população de cada espécie foi diferente:

  • enriquecimento em Bacteroidetes e Clostridium para os pacientes que receberam CPD ou CPD + AZM no 6.º dia,
  • aumento de Firmicutes, como Eubacterium, Ruminococcus e Anaerostipes nos tratados com LVX ou AZM.

Além disso, em comparação com outros antibióticos, o AZM (isoladamente ou em combinação), biodisponível durante muito tempo no organismo, retarda a restauração da riqueza bacteriana, de 8 espécies bacterianas e de determinadas vias metabólicas associadas.

Um reservatório de genes de resistência

Outro efeito dos antibióticos: a formação de um reservatório duradouro de genes de resistência nos voluntários que receberam os tratamentos por CPD, AZM e CPD + AZM, contrariamente aos tratados com LVX. Mas e sobretudo, a remodelação do seu resistoma levará ao aumento de 3 genes (tetO, cfxA e tet40), 2 dos quais, contudo, a não transmitirem resistência aos antibióticos administrados. Assim, a interferência dos antibióticos parece criar oportunidades para bactérias dotadas de ampla resistência. Por exemplo, as Bacteroides ao sobreviverem ao tratamento por CPD, provavelmente através de um gene cfxA de resistência às β-lactaminas, criarão um ambiente de reduzida diversidade bacteriana e elevada presença de Bacteroides, favorável a agentes patogénicos como Enterobacter. Mesmo curtos períodos de utilização de antibióticos poderão, assim, desencadear a aquisição, ou mesmo o enraizamento, de vários genes de resistência.

Resiliência variável dependendo dos indivíduos

Finalmente, para 17 voluntários, a disbiose relacionada com os antibióticos foi apenas limitada e transitória, com a microbiota a recuperar o seu equilíbrio anterior ao tratamento em poucas semanas. Em contrapartida, em 3 voluntários cuja microbiota intestinal já era inicialmente pouco diversificada, o tratamento por antibióticos induziu uma disbiose mais profunda (a ponto de apresentar semelhanças com a de pacientes sob cuidados intensivos), estando alguns desses desequilíbrios ainda presentes no final do acompanhamento, ou seja, 2 meses após o tratamento. Daí a necessidade de uma utilização racional dos antibióticos.

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Antibióticos: micobiota dos lactentes sob a sua influência

Um único tratamento por antibióticos bastará para alterar permanentemente a micobiota dos lactentes. Como? Através da microbiota bacteriana, provavelmente. E isto com possíveis efeitos a longo prazo para a sua saúde. Explicações.

Antibiotiques : le mycobiote des nourrissons sous influence

Já se sabia que as bactérias intestinais pagavam o preço dos tratamentos com antibióticos. Mas parece que não são as únicas. Embora a maioria dos estudos se concentre no impacto dos antibióticos sobre as bactérias, são raros os que avaliam esse efeito sobre os outros microrganismos, fungos por exemplo, cujo papel não deve ser subestimado. A existência de uma disbiose da microbiota fúngica (ou micobiota) tem sido associada a várias patologias (doenças inflamatórias crónicas do intestino ou DICI, doença celíaca ou cancro colorretal). Ora, essa micobiota desenvolve-se gradualmente durante os primeiros anos de vida, da mesma forma que a colonização bacteriana, dependendo do tipo de parto, da alimentação ou mesmo dos eventuais tratamentos com antibióticos.

Um estudo com 37 lactentes sem tratamentos prévios por antibióticos  

Para saber mais, os investigadores acompanharam durante 9,5 meses 37 bebés com a idade média de 2 meses, os quais nunca tinham recebido antibióticos. Os lactentes em causa estavam hospitalizados devido a infeção por vírus sincicial respiratório (VSR). Foram colhidas amostras de fezes antes, durante e após os 1 a 4 tratamentos com por antibióticos (amoxicilina, macrólidos) que foram prescritos a 21 dessas crianças devido a complicações (otite, etc.). Os outros 16 bebés, não tratados, serviram como controlos.

No momento de sua hospitalização (portanto, antes do tratamento), a micobiota dos 37 lactentes encontrava-se amplamente dominada por Saccharomyces e, em menor grau, por Malassezia, Candida e Cladosporium

Mais de 1 criança em cada 4 Na Finlândia, em 2019, mais de 1 em cada 4 crianças já tinha recebido tratamento com antibióticos antes do seu 5.º aniversário.

10 10 dias Nos 10 dias após o nascimento, a microbiota intestinal do bebé é colonizada por fungos.

2 anos Aos 2 anos, a micobiota intestinal de uma criança apresenta já semelhanças com a de um adulto.

Quanto mais Candida, maior diversidade e riqueza

Um a 2 dias após o início do tratamento com antibióticos, a abundância de Candida aumentou muito nos lactentes que receberam amoxicilina, em detrimento das Saccharomyces. Continuou a observar-se sobreabundância de Candida 6 semanas após o início do tratamento.

Além disso, os antibióticos, que se sabe induzirem um colapso na diversidade e na riqueza da microbiota bacteriana, surgiram associados a um aumento da riqueza e da diversidade da micobiota, que surgiu nos 3 a 5 dias após o início do tratamento e persistiu até muito depois (> 6 semanas); a diferença manifestou-se mais acentuada no grupo tratado com macrólidos.

Os antibióticos são uma descoberta científica extraordinária que salva milhões de vidas, mas a sua utilização excessiva e inapropriada tem agora suscitado sérias preocupações para a saúde, nomeadamente com a resistência aos antibióticos e a disbiose. Vejamos a sua página dedicada.

O papel ambivalente dos antibióticos

Ao destruírem as bactérias responsáveis pelas infeções, também têm impacto na m…

Bactérias reguladoras?

Esses resultados sugerem fortemente a existência de uma regulação permanente da micobiota pelas bactérias intestinais.  Essa regulação assume a forma de competição por fontes de nutrientes, através da produção de compostos antifúngicos pelas bactérias e, inversamente, de compostos antibacterianos pelos fungos. Quando as bactérias sofrem os efeitos de um antibiótico, o seu papel regulador poderá será alterado e certos fungos, em particular Candida, poderão ter rédea solta para se desenvolverem. Assim, uma disbiose da micobiota intestinal após apenas um único tratamento antibiótico poderá, juntamente com uma alteração das bactérias intestinais, estar na origem dos efeitos a longo prazo dos antibióticos sobre a saúde humana.

O que é a Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM?

Todos os anos, desde 2015, a OMS organiza a Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM (WAAW), que tem como objetivo aumentar a sensibilização para a resistência aos antimicrobianos a nível global. 

Realizada entre 18 e 24 de novembro, esta campanha incentiva o público em geral, os profissionais de saúde e os decisores a utilizarem cuidadosamente os antimicrobianos, a fim de evitar o surgimento de uma maior resistência aos antimicrobianos.

Recomendado pela nossa comunidade

"Esta é uma perspetiva interessante" - Comentário traduzido de Jesús Jacinto (Da Biocodex Microbiota Institute em X)

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Tudo o que necessita de saber sobre disbiose

Notícias, formação com acreditação, infografias, vídeo de especialistas, pasta temática… passemos, este verão, uma vista de olhos às matérias do Biocodex Microbiota Institute dedicadas à disbiose da microbiota, incluindo a disbiose associada aos antibióticos. Ferramentas e conteúdos adequados ao seu consultório para melhorar os seus conhecimentos e ser (tornar-se) facilmente num especialista em disbiose!

Siga o guia.

Everything you need to know about Microbiota & Dysbiosis

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O que é a disbiose?
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A disbiose da microbiota intestinal está associada a várias doenças. Como é que a microbiota fica desequilibrada? Continue a ler para descobrir!

Síndrome do Intestino Irritável (SII), microbiota intestinal e depressão: um trio para se compreender melhor a doença.

Haverá entre 4 a 10%1,2 da população mundial afetada pela Síndrome do Intestino Irritável (SII), que continua a ser uma doença cujos mecanismos fisiopatológicos se mantêm por explicar. A participação da microbiota intestinal já foi estudada sem necessariamente proporcionar correlações firmes. Uma equipa de investigadores chineses pretendeu saber mais…

SII
SII, microbiote intestinal et dépression : un triptyque pour mieux comprendre la maladie

A Síndrome do Intestino Irritável (SII) é um conjunto funcional de sintomas gastrointestinais, apresentando a depressão como uma das comorbilidades psiquiátricas mais frequentes. Um estudo multiómico veio recentemente esclarecer o papel da microbiota intestinal e dos seus metabolitos na SII e na depressão associada.

52% Apenas 1 em cada 2 pessoas que sofreram de uma patologia digestiva envolvendo a microbiota, associa os dois

O referido estudo3 abrangeu 431 pacientes de 2 coortes :

  • uma de descoberta (n=330 pacientes, 264 vítimas de SII e 66 controlos)
  • e outra de validação (n=101 pacientes, incluindo 86 SII e 15 controlos).

Foram em seguida realizadas análises metagenómicas e metabolómicas em amostras de fezes e de soro para identificar potenciais biomarcadores da doença.

4 a 10% Haverá entre 4 a 10% da população mundial afetada pela Síndroma do Intestino Irritável (SII)

Metabolitos séricos como potenciais marcadores de SII

A análise das fezes revelou apenas uma disbiose moderada. A composição da microbiota fecal, tal como os metabolitos fecais, não parecem permitir distinguir os pacientes com SII dos indivíduos saudáveis. 

Em contrapartida, os metabolitos séricos identificados nos pacientes da doença permitem distingui-los com um forte nível de precisão relativamente aos indivíduos saudáveis. Um total de 726 metabolitos séricos foram assim identificados (contra apenas 8 metabolitos fecais), e entre eles um grupo de ácidos gordos acil-CoA enriquecidos nos pacientes com SII.

 

1 pessoa em cada 10 Embora as taxas de prevalência da SII pareçam variar de país para país, calcula-se que a doença afete aproximadamente 1 em cada 10 pessoas em todo o mundo.

Bactérias intestinais fortemente associadas aos metabolitos fecais

Foram também encontradas numerosas associações (522) entre metabolitos fecais e bactérias intestinais. Em particular, há 3 espécies (Odoribacter splanchnicus, Escherichia coli e Ruminococcus gnavus) que estão fortemente associadas a uma reduzida abundância de ácido dihidropteróico, um intermediário do ácido fólico, que por sua vez surge em quantidades muito baixas nos pacientes com SII. Além disso, entre os marcadores séricos mais significativos nos pacientes com SII surgem os ácidos gordos acil-CoA, sugerindo uma desregulação do metabolismo dos ácidos gordos na pessoas portadoras de SII.

A desregulação do metabolismo do triptofano e da serotonina correlaciona-se com a gravidade da depressão 

Os resultados sugerem uma relação entre o metabolismo do triptofano e da serotonina e a comorbilidade da depressão na SII. Algumas espécies, como Clostridium nexile ou Roseburia inulinivorans, surgem sobre-representadas nos pacientes com SII vítimas de depressão, e associadas à presença no soro de certos metabolitos de triptofano. A via de síntese do L-triptofano também se apresenta fortemente ligada à gravidade da depressão.

À semelhança de publicações recentes, este novo estudo parece confirmar o papel essencial desempenhado pela microbiota intestinal na SII. Os resultados obtidos levantam gradualmente o véu sobre mecanismos fisiopatológicos ainda não completamente elucidados e abrem caminho a novas orientações terapêuticas visando a microbiota e/ou os seus metabolitos.
Assunto a acompanhar com o maior interesse.

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Prepare-se para o seu regresso ao trabalho através da sua microbiota

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Microbiota durante o verão: quais os efeitos para a sua saúde?

Embora “verão” faça lembrar “descanso”, a sua microbiota não tira férias e pode até ter um papel importante no momento em goza a sua pausa anual.
Quais são os efeitos (positivos e negativos) do sol para a sua saúde? Está curioso em saber porque é que os mosquitos o picam mais do que ao seu vizinho? Com o calor, transpiramos. É normal. Mas já se interrogou sobre a razão do suor se tornar malcheiroso a partir da adolescência?

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(Da My health, my microbiota)

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