Síndrome metabólica: alimentação, microbiota e sistema imunitário agem conjuntamente

Como é que o excesso de açúcares e de gorduras na dieta ocidental promove a síndrome metabólica, a obesidade e a diabetes tipo 2? Um estudo publicado em Cell1 revela a cascata de eventos moleculares envolvidos e, em particular, a participação da microbiota intestinal e dos linfócitos auxiliares Th17 do seu sistema imunitário.

Sabe-se atualmente que uma alimentação rica em açúcares e gorduras contribui para o aumento da inflamação intestinal e que o sistema imunitário intestinal desempenha um papel importante na homeostase metabólica. Sabe-se também que a microbiota intestinal é um importante modulador da imunidade intestinal e está envolvida em funções metabólicas. Por fim, sabe-se que certas células como as células linfoides inatas tipo 3 (ILCA3) e os linfócitos auxiliares Th17 (T helpers 17) podem participar, dependendo do contexto, na proteção contra a síndrome metabólica. Mas a cascata de mecanismos moleculares em ação entre a dieta ocidental rica em gorduras (High Fat Diet – HFD) e os seus efeitos metabólicos continua a ser mal compreendida.

Para esclarecer essas áreas cinzentas, os investigadores alimentaram ratos com HFD ou com uma dieta normal durante 4 semanas. O primeiro grupo desenvolveu uma síndrome metabólica típica com aumento de peso, resistência à insulina e intolerância à glicose, em comparação com o segundo. A análise da mucosa intestinal e das fezes destes ratos sobrealimentados revelou que a dieta HFD induziu uma rápida perda de bactérias filamentosas segmentadas (SFB) na microbiota intestinal, levando à perda de Th17, antes do início da síndrome metabólica.

Probióticos restauram a proteção contra a síndrome metabólica

Explorações sobre o envolvimento de outras células imunitárias como os linfócitos T ILCA3 ou CD4 permitiram aos investigadores afirmar que as células Th17 são necessárias para a proteção pela microbiota intestinal contra a síndrome metabólica. Tais investigações complementares mostraram também que a perda da homeostase de células Th17 pela eliminação de SFBs estava de facto implicada no efeito nocivo da dieta HFD. 

Os investigadores administraram então o SFB diretamente aos ratos por sonda esofágica durante 4 semanas, o que resultou em: 

  • Recuperação significativa das Th17 e da sua expressão nos intestinos
  • Diminuição da inflamação intestinal
  • Perda de peso
  • Proteção contra a resistência à insulina

Um regime microbiano que estimule as células Th17 poderá, portanto, melhorar a síndrome metabólica e a obesidade diabética através da recalibragem da homeostase imunitária intestinal.

Será o açúcar o principal culpado por detrás dos efeitos nocivos da dieta de tipo ocidental?

Entretanto, tendo em conta que a alimentação ocidental é rica não só em gorduras mas também em açúcares, os investigadores também compararam o efeito sobre os ratos da dieta HFD (25% de açúcares incluindo sacarose e maltodextrina, que são habituais nos doces e refrigerantes) com uma dieta muito pobre em açúcar (3 a 6%). Descobriram que o açúcar reduz indiretamente as células Th17 ao alterar a microbiota intestinal através de um aumento de bactérias como Faecalibaculum rodentium à custa dos SFBs que induzem as células Th17.

Uma dieta para a síndrome metabólica? Não é assim tão fácil...

Embora se tenha demonstrado que o açúcar é suficiente para uma perda concomitante de SFBs e de células Th17, a eliminação do açúcar alimentar só pode apresentar benefícios terapêuticos se as células imunitárias apropriadas estiverem presentes no intestino: uma simples mudança de dieta pode não ser suficiente para algumas pessoas. Os investigadores acreditam que o seu trabalho demonstra que a síndrome metabólica, a obesidade e a diabetes tipo 2 são reguladas por uma intrincada rede de interações entre alimentação, microbiota intestinal e células imunitárias. O tratamento destas doenças não pode, portanto, ser idêntico para todos os pacientes e, no futuro, as abordagens terapêuticas de precisão deverão ter em conta as variações interindividuais do sistema imunomodulador da microbiota intestinal.

Summary
Off
Sidebar
On
Migrated content
Désactivé
Updated content
Désactivé
Hide image
Off
Noticias Gastroenterologia

Osteoporose: como a microbiota pode fragilizar os ossos

Poderemos, um dia, prevenir e curar a osteoporose agindo sobre a microbiota intestinal? É o que sugerem os resultados de um estudo chinês publicado na revista Frontiers in Immunology.

A microbiota intestinal

Com cerca de 30% de mulheres de mais de 50 anos envolvidas, a osteoporose é um problema importante na saúde pública que se caracteriza por uma fraqueza óssea suscetível de provocar fraturas repetidas. Os mecanismos responsáveis por esta doença não são todos conhecidos porém, um número crescente de estudos sugere que a inflamação poderia aumentar os riscos.

Uma em cada três mulheres Sofre de osteoporose após a menopausa. Os homens não são poupados uma vez que um em cada cinco homens é vítima de fratura devido à osteoporose após os seus 50 anos.

A microbiota intestinal: uma pista ainda pouco explorada

É sabido que alguns microrganismos da microbiota intestinal e vaginal são capazes de modular a resposta imunitária e de ter impacto sobre o sistema inflamatório. Podem estar implicados na osteoporose? É o que os investigadores de Universidade de Zhengzhou na China tentaram descobrir.

Eles contaram com 132 mulheres com idades entre os 45 e os 70 anos, todas menopausa durante um ano e dividiram-nas em 3 grupos de acordo com a sua densidade óssea: “sem problemas ósseos”, “densidade óssea ligeiramente diminuída” e “osteoporose”. Os cientistas recolheram as fezes e as secreções vaginais do conjunto destas mulheres voluntárias para analisar e comparar as suas microbiotas vaginais e intestinais. 

Resultados: as microbiotas das mulheres com osteoporose possuem uma composição diferente daquelas das mulheres dos outros dois grupos e esta diferença é particularmente visível a nível intestinal (1).

A microbiota intestinal

Saiba mais

Bactérias propícias à inflamação

A flora intestinal das mulheres que sofrem de osteoporose era mais rica em bactérias cuja presença está associada a uma taxa mais baixa de interleucina IL-10, molécula com propriedades anti-inflamatórias, além de bactérias associadas à produção de citocinas “pró-inflamatórias”, que favorecem a destruição dos ossos. 

Ela, entretanto, era mais pobre do que as outras espécies de bactérias que produzem o butirato, um (sidenote: Ácidos Gordos de Cadeia Curta (AGCC) Os Ácidos Gordos de Cadeia Curta são uma fonte de energia (carburante) das células do indivíduo, interagem com o sistema imunitário e estão envolvidos na comunicação entre o intestino e o cérebro. Silva YP, Bernardi A, Frozza RL. The Role of Short-Chain Fatty Acids From Gut Microbiota in Gut-Brain Communication. Front Endocrinol (Lausanne). 2020;11:25. ) (AGCC) com propriedades anti-inflamatórias, e em bifidobactérias que melhoram a absorção do cálcio, indispensável para uma boa densidade óssea.

Em termos de microbiota vaginal, as mulheres com osteoporose tinham, em relação às outras, menos lactobactérias, conhecidas por diminuir a resposta inflamatória e os seus efeitos nocivos, e mais estreptococos que, ao contrário, a favorecem.

Os ossos, um tecido em contínua remodelação

Acha que os ossos, uma vez atingido o seu tamanho máximo não sofrem modificações? Engano seu! Os ossos estão em permanente remodelação, mesmo na idade adulta. Dois tipos de células são responsáveis por este fenómeno: os osteoclastos, que removem o osso antigo e os osteoblastos que formam o novo osso. Quando se está bem de saúde, as suas respetivas atividades estão equilibradas e os ossos regeneram-se de forma permanente. Entretanto, quando a menopausa chega, a falta de estrogénio favorece a ação dos osteoclastos e diminui a dos osteoblastos: os ossos são mais absorvidos e a sua estrutura torna-se frágil. É a osteoporose. (2)

Relativamente a terapias-alvo para melhor prevenir a osteoporose?

Para os investigadores, estas mudanças na composição são fundamentais. Elas podem um dia ser utilizadas para desenvolver terapias direcionadas ou então servir de biomarcadores para uma melhor prevenção da osteoporose.

Fontes

1. Yang X, Chang T, et al. Changes in the composition of gut and vaginal microbiota in patients with postmenopausal osteoporosis. Front Immunol. 2022 Aug 12;13:930244. 


2. Florencio-Silva R, Sasso GR, et al. Biology of Bone Tissue: Structure, Function, and Factors That Influence Bone Cells. Biomed Res Int. 2015;2015:421746.

Summary
Off
Sidebar
On
Migrated content
Désactivé
Updated content
Désactivé
Hide image
Off
Noticias

Antibióticos: Dr. Jekyll e Mr. Hyde

É sem dúvida uma das descobertas científicas mais importantes do século XX. Os antibióticos salvam milhões de vidas todos os anos, mas a sua eficácia está agora ameaçada pelo surgimento de múltiplas resistências. Ao destruírem as bactérias responsáveis pelas infeções, também têm impacto na microbiota ao induzirem uma disbiose. Uma análise sobre uma arma terapêutica que deve ser utilizada com discrição. 

Por ocasião da Semana Mundial de Sensibilização para os Antimicrobianos organizada todos os anos pela OMS, o Biocodex Microbiota Institute faz um balanço.

O que é a Semana Mundial da Conscientização Antimicrobiana?

Todos os anos, desde 2015, a OMS organiza a Semana Mundial de Sensibilização para os Antimicrobianos (WAAW), que tem como objetivo aumentar a sensibilização para a resistência aos antimicrobianos a nível global. 

Realizada entre 18 e 24 de novembro, esta campanha incentiva o público em geral, os profissionais de saúde e os decisores a utilizarem cuidadosamente os antimicrobianos, a fim de evitar o surgimento de uma maior resistência aos antimicrobianos.

Ações de formação com acreditação sobre a disbiose e o impacto dos antibióticos 

Xpeer: Detecção, prevenção e tratamento da disbiose microbiana intestinal

1 crédito ECMEC

Xpeer: Interações entre fármacos e microbiota intestinal: quais as consequências de saúde?

1 crédito ECMEC

Um dossier dedicado ao impacto dos antibióticos sobre a microbiota 

A outra face dos antibióticos: desreguladores da microbiota

Apesar da sua utilidade inquestionável no combate a infeções, antibióticos prov…

Infografias para partilhar com os seus pacientes

Infográficos para partilhar com os seus pacientes

Documentos úteis

Sabia que aos desequilibrios da microbiota se chama disbiose?

Documentos úteis

Impacto dos antibióticos sobre a microbiota: cantinho dos especialistas 

Toda a actualidade sobre o impacto dos antibióticos na microbiota  

Resistência aos antibióticos: a microbiota em primeiro plano

O uso maciço e por vezes inadequado de antibióticos torna-os cada vez mais inef…

Antibióticos: quais os limites da resiliência da microbiota intestinal?

Mesmo em voluntários saudáveis, bastam curtos tratamentos por antibióticos para…

6 coisas a saber sobre os antibióticos

Os antibióticos destroem as espécies responsáveis pela infeções, mas também bac…

Antibiótico e cesariana: qual o impacto para a microbiota do recém-nascido?

Uma disbiose durante o mês seguinte ao nascimento por cesariana

Antibióticos e microbiota intestinal: quais são os impactos a longo prazo?

Impacto de antibióticos com alta atividade anti-anaeróbica

Menos antibióticos, menos disbiose, menos asma infantil

O declínio da asma infantil observada nos últimos anos, é considerado um efeito…
Summary
On
Sidebar
Off
Migrated content
Désactivé
Updated content
Désactivé
Hide image
Off
Noticias
Social media image
Social media title
O papel ambivalente dos antibióticos
Social media description
Os antibióticos destroem as espécies responsáveis pela infeções, mas também determinadas bactérias benéficas no seio da nossa microbiota. Explicações.
Off

Antibióticos: que impacto na microbiota e na saúde?

Apesar de sua inegável utilidade no combate às infecções, os antibióticos representam hoje sérios desafios de saúde pública: seu uso excessivo e inadequado leva ao surgimento de inúmeras resistências, que, a longo prazo, podem torná-los ineficazes. Por outro lado, os antibióticos também podem destruir certas bactérias benéficas dentro de nossa microbiota.

Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM (WAAW) organizada anualmente pela OMS, o Biocodex Microbiota Institute faz uma revisão completa.

A microbiota intestinal
Antibiotics: what impact on the microbiota and on our health?
Imagem
Antibióticos PT

Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM (WAAW) organizada anualmente pela OMS, o Biocodex Microbiota Institute faz uma revisão completa.

70 % das pessoas afirmam saber que os antibióticos afetam o microbioma

O que é a Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM?

Todos os anos, desde 2015, a OMS organiza a Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM (WAAW), que tem como objetivo aumentar a sensibilização para a resistência antimicrobiana mundial. 

A resistência antimicrobiana ocorre quando as bactérias, vírus, parasitas e fungos alteram-se com o tempo e já não respondem aos medicamentos. Como resultado da resistência aos medicamentos, os antibióticos e outros medicamentos antimicrobianos tornam-se ineficazes e as infeções tornam-se cada vez mais difíceis ou impossíveis de tratar, aumentando o risco de propagação de doenças, doenças graves e morte.

Realizada entre 18 e 24 de novembro, esta campanha incentiva o público em geral, os profissionais de saúde e os decisores a utilizar cuidadosamente antibióticos, antivirais, antifúngicos e antiparasíticos, de forma a evitar o surgimento futuro de resistência antimicrobiana. 

Antibióticos: como eles afetam a nossa microbiota?

Os antibióticos nem sempre distinguem entre bactérias boas e más. Eles destroem não só as bactérias patogénicas, mas também as bactérias benéficas da microbiota intestinal. Essas perturbações reduzem a diversidade bacteriana, o que enfraquece as nossas defesas naturais e promove certos desequilíbrios.

Descubra os nossos artigos para entender melhor como os antibióticos influenciam a nossa microbiota:

Antibióticos: quais são os efeitos a longo prazo na nossa saúde?

A exposição precoce ou repetida a antibióticos pode ter um efeito duradouro na composição da microbiota e aumentar o risco de distúrbios imunológicos, digestivos ou alérgicos. Os seus efeitos nem sempre cessam no final do tratamento. A sua influência na microbiota pode deixar marcas significativas na nossa saúde. Esses distúrbios lembram-nos da importância do uso sensato para proteger a nossa saúde a longo prazo e limitar os desequilíbrios na microbiota, conhecidos como disbiose (link para a página sobre disbiose). 

Descubra como os antibióticos podem influenciar a nossa saúde desde tenra idade:

Antibióticos: por que a diarreia associada a antibióticos está em destaque?

A diarreia pós-antibiótica é uma consequência comum da microbiota intestinal perturbada pelo tratamento medicamentoso. Ao alterar a flora protetora, certos antibióticos abrem caminho para desequilíbrios ou a proliferação de bactérias oportunistas. Restaurar esse equilíbrio é essencial para manter a saúde digestiva.

Explore os nossos artigos para entender a ligação entre antibióticos, microbiota e diarreia:

Antibióticos: o que é «resistência aos antibióticos»?

A resistência aos antibióticos ocorre quando certas bactérias deixam de ser eliminadas pelos medicamentos. Os antibióticos destroem os micróbios responsáveis pelas infeções, mas também outras bactérias benéficas. As que resistem podem então multiplicar-se e transmitir a sua resistência a outras, tornando as infeções mais difíceis de tratar.

Descubra os nossos artigos para compreender melhor a resistência aos antibióticos:

Antibióticos: podemos proteger a nossa microbiota?

Em resposta à perturbação causada pelos antibióticos, existem soluções disponíveis para apoiar a microbiota: redução da exposição a tratamentos antibióticos, uma dieta variada e o uso de prebióticos e probióticos. Esses aliados ajudam a restaurar o equilíbrio bacteriano e a reduzir os efeitos da perturbação induzida pelo tratamento, levando a uma melhor saúde geral.

Descubra como preservar o equilíbrio da sua microbiota ao tomar antibióticos:

Observatório Internacional de Microbiotas

Descubra os resultados de 2023

Recomendado pela nossa comunidade

"Sim, é preciso usá-los com cuidado, caso contrário deixarão de funcionar, pois todos os germes e micróbios ficarão imunes!" - Comentário traduzido de Kathy Perratore

"Sabíamos que alguém já deveria ter dito isso há muito tempo" - Comentário traduzido de Daniel Matthew Covey

"Verdade." - Comentário traduzido de Connie Booth

"Verdade" - Comentário traduzido de Linda LeBlanc

(Da My health, my microbiota)

Summary
On
Sidebar
Off
Migrated content
Désactivé
Updated content
Désactivé
Hide image
Off
Noticias Off

Fibromialgia: os ácidos biliares microbianos associados à gravidade dos sintomas?

A disbiose intestinal e a variação da concentração de ácidos biliares secundários circulantes podem explicar a gravidade dos sintomas em mulheres com fibromialgia.

Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde, a fibromialgia rima com dor crónica generalizadas, fadiga e perturbações do sono. Esta patologia, que afeta na sua maioria mulheres, é frequentemente vivida com dificuldade devido à falta de diagnóstico ou de cuidados adaptados. Um estudo transversal recente pode, entretanto, trazer um pouco de esperança: ele analisou o papel da microbiota intestinal em pacientes com fibromialgia e, mais precisamente, certas bactérias que produzem ácidos biliares secundários (ABS).

Uma microbiota intestinal disbiótica

Os investigadores examinaram a microbiota intestinal (amostras de fezes) e o ABS (amostras de sangue) circulantes de 42 mulheres canadianas com fibromialgia e 42 controlos. Observaram, nas pacientes alterações na abundância relativa de várias espécies bacterianas envolvidas no metabolismo dos ABS: menor presença de Bacteroides uniformis e de B. thetaiotaomicron, conhecidas por sintetizar um ABS chamado ácido α-muricólico; também a depleção da Prevotella copri, bactéria que altera a síntese dos ABS e a expressão do FXR, um nociceptor hepático; o aumento da abundância deEscherichia bolteae e de Clostridium scindens capazes de afetar o metabolismo de outros ABS.

Definições

A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores crónicas generalizadas, fadiga e perturbações do sono.

Alterações dos ABS

Esta disbiose intestinal vem acompanhada de alterações significativas da concentração sérica de ABS, principalmente a do ácido α-muricólico, com taxas, em média, 5 vezes mais baixas em pacientes com fibromialgia. Para além disso, esta depleção está correlacionada com a intensidade da dor e da fadiga. Assim, a diminuição das taxas séricas dos ABS, sobretudo do ácido α-muricólico, pode perturbar os mecanismos normais de inibição da dor. Os autores sugerem um modo de ação: a diminuição dos níveis circulantes de ácido α-muricólico (inibidor do recetor FXR) e o possível aumento de ABS estimuladores poderiam originar a ativação do recetor FXR, provocando hipersensibilidade à dor.

0,2 a 6,6 % da população adulta poderá estar sujeita à fibromialgia.

Em breve um diagnóstico objetivo?

Consequência direta destas observações: a possibilidade de detetar pessoas que sofrem de fibromialgia baseando-se apenas na concentração destes ABS séricos. Ou seja, um avanço importante uma vez que o diagnóstico baseia-se apenas em medidas subjetivas. O modelo desenvolvido pelos autores apresenta uma precisão de 91,7%, uma especificidade de 90,5% e um sensibilidade de 92,9%. Bastante para alimentar a esperança de uma futura ferramenta de diagnóstico.

Recomendado pela nossa comunidade

"Interessante" - Comentário traduzido de Linds (Da Biocodex Microbiota Institute em X)

Summary
Off
Sidebar
On
Migrated content
Désactivé
Updated content
Désactivé
Hide image
Off
Noticias Gastroenterologia

Fibromialgia: em breve um diagnóstico fiável graças à microbiota?

Devido à falta de um método de diagnóstico fiável, o percurso dos pacientes que sofrem de fibromialgia é um longo calvário... e cheio de dores. Porém, recentes trabalhos1 deixam a esperança da possibilidade do desenvolvimento de um teste simples como uma colheita de sangue.

A microbiota intestinal
Photo: Fibromyalgie : bientôt un diagnostic fiable grâce au microbiote ?

Um recente artigo talvez determine o fim próximo destes diagnósticos sem fim para milhares de mulheres com fibromialgia, uma doença caracterizada por uma dor crónica difusa, associada à intensa fadiga e a numerosos distúrbios, sobretudo do sono e do humor. Na verdade, nenhum “marcador” permite estabelecer um diagnóstico, como por exemplo, uma lesão do organismo (que uma simples radiografia sirva par determinar uma fratura da tíbia) ou um parâmetro biológico (como uma glicemia permite determinar uma diabetes). Consequência direta: a qualidade de vida das pacientes com fibromialgia é particularmente deteriorada.

Fibromialgia: uma doença quase exclusivamente das mulheres

Apesar de uma predominância feminina, a fibromialgia também atinge os homens, numa proporção de 9:1.2

Fibromialgia: 5 bactérias na linha de mira

Os novos trabalhos poderão ser um marco decisivo de viragem. O seu ponto de partida: a pesquisa das diferenças de composição da microbiota intestinal de 42 pacientes que sofrem de fibromialgia e de outras 42 mulheres saudáveis. Resultado: entre as 16 famílias de bactérias que variam entre as mulheres doentes, a contagem de três bactérias encontrava-se reduzida enquanto duas outras pareciam predominar. Estas 5 espécies de bactérias têm um ponto comum: elas transformam as moléculas chamadas ácidos biliaires primários em (sidenote: Ácidos biliares Os ácidos biliares facilitam a digestão e a absorção dos lípidos no intestino. Também exercem funções de tipo hormonal e estão envolvidos em diversos processos metabólicos. A microbiota intestinal vai modificar os ácidos biliares que, por sua vez, vão afetar a composição da microbiota intestinal. Staels B, Fonseca VA. Bile acids and metabolic regulation: mechanisms and clinical responses to bile acid sequestration. Diabetes Care. 2009;32 Suppl 2(Suppl 2):S237-S245.  Li R, Andreu-Sánchez S, Kuipers F, Fu J. Gut microbiome and bile acids in obesity-related diseases. Best Pract Res Clin Endocrinol Metab. 2021;35(3):101493.  ) secundários (ABS).

0,2 a 6,6 % da população adulta poderá estar sujeita à fibromialgia.

E, justamente, os autores observam modificações na concentração de certos ABS no sangue de pacientes com fibromialgia: por exemplo, as taxas de ácido α-muricólico estão, em média, 5 vezes mais baixas do que nas mulheres doentes! E não é tudo: quanto mais baixo está o ácido α-muricólico, maior a dor, a fadiga e a intensidade da gravidade dos sintomas. Em resumo, um desequilíbrio intestinal está associado a uma taxa sanguínea de um ácido biliar específico e, este está associado à gravidade dos sintomas nas mulheres com fibromialgia.

A fibromialgia não é...

Pelo fato de ter um diagnóstico complexo, pois os sintomas (dores, fadiga, distúrbios do sono...) são às vezes similares a outras doenças3, a fibromialgia pode ser confundida com:

  • A cefaleia
  • A síndrome do intestino irritável
  • A síndrome da fadiga crónica

Em breve um teste de diagnóstico?

Consequência direta destas observações: bastava medir, através de uma colheita de sangue, a concentração destes pequenos ácidos para detetar com precisão as pessoas com fibromialgia. E assim, objetivar o diagnóstico desta doença. O modelo desenvolvido pelos autores parece promissor: ele mostra uma precisão de 91,7%. O bastante para alimentar uma esperança de um futuro diagnóstico fiável... e o fim do calvário para milhares de mulheres.

A microbiota intestinal

Saiba mais

Recomendado pela nossa comunidade

"Obrigado pela informação" - Comentário traduzido de Peggy Rhinelander (Da My health, my microbiota)

"Obrigado pelas informações..." - Comentário traduzido de Janis Loney (Da My health, my microbiota)

Summary
Off
Sidebar
On
Migrated content
Désactivé
Updated content
Désactivé
Hide image
Off
Noticias

Tudo o que necessita saber sobre a Microbiota e a Imunidade

Os primeiros 1000 dias de vida são cruciais para o crescimento e o desenvolvimento na primeira infância. Durante este período, a microbiota intestinal desempenha funções críticas no desenvolvimento e na educação dos componentes do sistema imunitário, enquanto o sistema imunitário coordena a manutenção das principais características da simbiose hospedeiro-micróbios. Vejamos agora ferramentas e conteúdos destinados a compreendermos melhor a complexa interação entre a microbiota intestinal e a imunidade.

Siga o guia.

Everything you need to know about Microbiota & Immunity

Últimas notícias sobre a microbiota e o sistema imunitário

Pasta Temática sobre microbiota e imunidade

Microbiota, uma imunidade diplomática?

Durante os 1000 primeiros dias de vida, o período crítico do crescimento e dese…

Conteúdo exclusivo da Revista Microbiota

Infográfico para partilhar com os seus pacientes

A importância dos primeiros 1000 dias de vida

Documentos úteis 

Uma ação de formação para acreditação sobre a importância dos primeiros 1.000 dias de vida

Xpeer: Estabelecimento precoce da microbiota intestinal

Os profissionais de saúde têm uma oportunidade única de receber formação sobre …

Recomendado pela nossa comunidade

"Bela lição"  -@LoveforSoil (Da Biocodex Microbiota Institute em X)

Summary
On
Sidebar
On
Migrated content
Désactivé
Updated content
Désactivé
Hide image
Off
Noticias Medicina geral Gastroenterologia Pediatria
Social media image
Everything you need to know about Microbiota & Immunity
Social media title
Tudo o que necessita saber sobre a Microbiota e a Imunidade
Social media description
Os primeiros 1000 dias de vida são cruciais para o crescimento e o desenvolvimento na primeira infância. Siga o guia.

Microbiota intestinal: a aliada do nosso sistema imunitário

100 000 mil milhões de bactérias “boas” habitam no nosso intestino. Essenciais durante a digestão, estas bactérias participam também no bom funcionamento do nosso sistema imunitário. Desde a gestação aos 1000 primeiros dias de vida, elas estabelecem as bases sólidas da nossa saúde.          

A microbiota intestinal
Gut microbiota: our immune system’s best friend

O que é a microbiota intestinal? Porque os 1000 primeiros dias de vida são decisivos para o seu bom desenvolvimento? Qual a ligação com a imunidade? Porque ela é um fator-chave para a nossa saúde? Como ela evolui ao longo da nossa vida?

Deseja saber mais? Venha consultar os artigos especializados.

Os 1000 primeiros dias de vida: definição

Informe-se sobre a imunidade intestinal

Saiba mais com a nossa seleção de artigos especializados

A microbiota intestinal

Porque a microbiota intestinal é tão importante para a saúde?

Descubra os fatores que moldam a microbiota intestinal e o sistema imunitário

Recomendado pela nossa comunidade

"Bem dito" -Mike Jolma (Da My health, my microbiota)

BMI 22.45
Fontes

Este vídeo provém do programa “Les pouvoirs extraordinaires du corps humain (Os poderes extraordinários do corpo humano)”:
https://www.france.tv/france-2/les-pouvoirs-extraordinaires-du-corps-humain/1507441-le-microbiote-intestinal-l-allie-de-notre-systeme-immunitaire.html

Summary
Off
Sidebar
Off
Migrated content
Désactivé
Updated content
Désactivé
Hide image
Off
Noticias Off

Dermatite atópica: salvar a pele do fungo Malassezia

Os fungos microscópicos que habitam a nossa pele contribuem também para a sua saúde. Assim, nos doentes que sofrem de dermatite atópica grave, o fungo Malassezia perdeu o brilho e cedeu (demasiado?) terreno outrora seu a outras espécies1.

A microbiota da pele Eczema alérgico
Photo: Dermatite atopique : il faut sauver la peau du champignon Malassezia

Pele seca, com prurido e manchas vermelhas - particularmente ao nível das dobras - que surgem por crises: a dermatite atópica (DA) é uma doença inflamatória da pele que afeta quase 1 em cada 5 bebés. Embora a idade favoreça uma evolução positiva, calcula-se que 1 em cada 10 adultos nos países desenvolvidos sofre de DA.

1 em cada 5 A dermatite atópica afecta quase 1 em cada 5 bebés.

Porquê o meu filho, porquê eu? A resposta é múltipla, envolvendo a hereditariedade (filhos de adultos afetados pela DA são também mais suscetíveis de sofrer dela) e o sistema imunitário. Mas não só. A microbiota da pele, comunidade complexa de (sidenote: Microrganismos Organismos vivos que são demasiado pequenos para serem vistos a olho nu. Incluem as bactérias, os vírus, os fungos, as arqueias, os protozoários, etc., e são vulgarmente designados "micróbios". What is microbiology? Microbiology Society. ) (bactérias, fungos, parasitas e vírus) que vivem na nossa pele, também se encontra sob escrutínio.

Prevalência

Estima-se que a dermatite atópica afete até 20% dos bebés e 3% dos adultos em todo o mundo2, e mesmo 10% dos adultos nos países desenvolvidos3.

Malassezia a meio mastro

Nos doentes com DA, algumas bactérias tendem a estar demasiado presentes, tais como os Staphylococcus aureus, enquanto outras se encontram em recuo, caso das Cutibacterium. Mas, e quanto aos fungos microscópicos? A resposta ainda não era muito clara até este recente estudo vir mostrar que, em casos de dermatite grave, a flora fúngica da pele difere. Por exemplo, o fungo Malassezia, que predomina na pele saudável, é menos proeminente na DA. O seu domínio esbate-se e outros fungos como Candida ou Debaryomyces aproveitam isso para se instalarem. Portanto, na dermatite grave, a Malassezia já não funciona como rainha suprema dos fungos da pele, o que resulta numa maior diversidade fúngica.

Além disso, é possível que a evolução das tropas bacterianas e fúngicas esteja ligada. Assim, uma maior presença de S. aureus poderá favorecer a proliferação de Candida, uma vez que estes dois microrganismos são capazes de estabelecer sinergias.

Em relação com a gravidade da DA

Finalmente, (sidenote: Disbiose A "disbiose" não é um fenómeno homogéneo – varia em função do estado de saúde de cada indivíduo. É geralmente definida como uma alteração da composição e do funcionamento da microbiota, causada por um conjunto de fatores ambientais e relacionados com o indivíduo que perturbam o ecossistema microbiano. Levy M, Kolodziejczyk AA, Thaiss CA, et al. Dysbiosis and the immune system. Nat Rev Immunol. 2017;17(4):219-232. ) cutânea parece estar ligado ao grau da DA. Com algumas exceções, a microbiota cutânea de um paciente com DA não grave revela-se bastante semelhante à de uma pele saudável. Em contrapartida, os investigadores demonstram existir uma forte divergência entre os pacientes com DA grave, por um lado, e aqueles com pele saudável ou com DA ligeira a moderada, por outro. Nomeadamente porque a Malassezia se vai reduzindo a um resquício insignificante...

A microbiota da pele

Saiba mais

Recomendado pela nossa comunidade

"Informações bastante úteis num só lugar!" - Comentário traduzido de Владимир Владимиров (Da My health, my microbiota)

Fontes

1. Schmid B, Künstner A, Fähnrich A et al. Dysbiosis of skin microbiota with increased fungal diversity is associated with severity of disease in atopic dermatitis. J Eur Acad Dermatol Venereol. 2022 Jun 21.

2. Ellis SR, Nguyen M, Vaughn AR, et al. The Skin and Gut Microbiome and Its Role in Common Dermatologic Conditions. Microorganisms. 2019;7(11):550.

3. Langan SM, Irvine AD, Weidinger S. Atopic dermatitis. Lancet. 2020 Aug 1;396(10247):345-360.

Summary
Off
Sidebar
On
Migrated content
Désactivé
Updated content
Désactivé
Hide image
Off
Noticias Off

Dermatite atópica: a micobiota cutânea ao microscópio

Declínio do fungo Malassezia, aumento da presença de estafilococos e de Candida: uma dermatite atópica grave anda de mãos dadas com uma disbiose pronunciada das microbiotas fúngica e bacteriana da pele.

Photo: Dermatite atopique : le mycobiote cutané à la loupe

Doença inflamatória da pele, a dermatite atópica (DA) é uma afeção complexa e multifatorial, possuindo caraterísticas genéticas (anomalias que afetam a codificação genética da filagrina, que participa na barreira cutânea), imunitárias e também  microbianas. Por exemplo, a pele dos pacientes com DA apresenta normalmente uma maior abundância de Staphylococcus aureus. Mas, e quanto às comunidades de fungos? Um estudo recente1 acaba de lançar luz sobre esta área cinzenta.

Menos Malassezia em caso de dermatite atópica grave

Foram colhidos esfregaços de pele de 16 pacientes com DA (9 com DA ligeira a moderada e 7 com DA grave) e 16 indivíduos saudáveis, em 4 locais da pele (prega antecubital, pescoço dorsal, glabela e vértice). Para se acompanhar a evolução da doença por crise, foram recolhidas amostras em 3 datas (semanas 0, 2 e 4) no caso dos doentes e em 2 datas nos controlos (semanas 0 e 4).

Prevalência

Estima-se que a dermatite atópica afete até 20% dos bebés e 3% dos adultos em todo o mundo2, e mesmo 10% dos adultos nos países desenvolvidos3.

A análise dos 320 esfregaços revelou que o fungo Malassezia (especialmente as espécies M. restricta e M. globosa) predominava em todos os indivíduos, tanto saudáveis como doentes. No entanto, nos pacientes com DA grave, esta dominância esvai-se a favor de fungos como Candida ou Debaryomyces, resultando numa maior diversidade fúngica.

Quanto às bactérias, Cutibacterium surgem em baixa, enquanto os Staphylococcus, e em particular S. aureus e S. epidermidis, reforçam a sua presença. A maior abundância de S. aureus poderá favorecer a proliferação de Candida, numa atividade sinérgica entre os dois microrganismos que já foi anteriormente demonstrada.

Finalmente, durante as 4 semanas de observação, as microbiotas fúngica e bacteriana não se alteraram, independentemente do local da pele.

Em relação com a gravidade da DA

O estudo mostra também uma ligação entre a disbiose cutânea e o grau da DA: as comunidades bacterianas e fúngicas dos pacientes com DA grave diferiram significativamente das dos pacientes com sintomas ligeiros a moderados e das dos controlos. As comunidades cutâneas destes dois últimos grupos (formas ligeiras a moderadas e controlos) surgiram globalmente semelhantes, com algumas exceções bacterianas (mais estafilococos e menos Cutibacterium na DA ligeira a moderada contra nenhuns na ausência de DA). Assim, uma disbiose pronunciada da microbiota é característica das formas graves, mas não das formas menos pronunciadas de dermatite.

Fontes

1. Schmid B, Künstner A, Fähnrich A et al. Dysbiosis of skin microbiota with increased fungal diversity is associated with severity of disease in atopic dermatitis. J Eur Acad Dermatol Venereol. 2022 Jun 21.

2. Ellis SR, Nguyen M, Vaughn AR, et al. The Skin and Gut Microbiome and Its Role in Common Dermatologic Conditions. Microorganisms. 2019;7(11):550.

3. Langan SM, Irvine AD, Weidinger S. Atopic dermatitis. Lancet. 2020 Aug 1;396(10247):345-360.

Summary
Off
Sidebar
On
Migrated content
Désactivé
Updated content
Désactivé
Hide image
Off
Noticias