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Do seu ponto de vista, qual foi o maior avanço dos últimos anos relacionado com a microbiota?
Não podemos dizer que seja o maior avanço, mas achamos muito interessante a hipótese de a microbiota disbiótica ser um fator transmissível. Essa hipótese surgiu no artigo publicado na Science em 20201, o qual demonstra que a microbiota disbiótica cumpre os postulados de Koch e pode ser transmitida a outros indivíduos, alterando a respetiva microbiota e contribuindo para a suscetibilidade a doenças e para a disseminação de doenças não contagiosas.
Pensa que existe recentemente um interesse crescente pela microbiota?
A microbiota tem conquistado atenções nas últimas duas décadas porque se tornou evidente que o seu papel no hospedeiro vai além da fermentação. A associação de uma microbiota modificada, menos abundante e menos rica, com a doença, trouxe à tona e motivou estudos científicos que estabeleceram e destacaram a importância da microbiota, como no caso das doenças reumáticas.
Tem alguma sugestão para cuidarmos da nossa microbiota?
O fator modificável melhor conhecido para além dos antibióticos é a alimentação. Portanto, os hábitos alimentares saudáveis, como a dieta mediterrânea, podem ser uma maneira fácil de cuidarmos da nossa microbiota. Há também evidências crescentes da possibilidade de se modular a microbiota, o que representa uma opção terapêutica fantástica.