Dr. Helve (vencedor da Finlândia em 2019): Secção de microbiota intestinal e cesariana

Para comemorar o Dia Mundial da Microbiota (#WorldMicrobiomeDay), o Biocodex Microbiota Institute passa a palavra aos beneficiários de Bolsas nacionais.

WMD_Foundation KOL Finland 2019

Dr. Otto Helve

É especialista em doenças infeciosas pediátricas e estuda o impacto do método de nascimento na microbiota intestinal do recém-nascido e se os eventuais efeitos desvantajosos podem ser combatidos mediante o transplante de microbiota fecal para o recém-nascido.

O que é que a bolsa nacional permitiu descobrir na sua área de investigação da microbiota?

Conseguimos, por exemplo, alargar a nossa triagem para incluir o SARS-CoV-2, sem o que teria sido impossível continuar a trabalhar em circunstâncias extremamente difíceis durante uma pandemia global. A segurança é a questão mais importante da nossa metodologia, e a bolsa nacional manteve-nos com o mais elevado nível de segurança.

Quais são as consequências para os pacientes?

Conseguimos minimizar os riscos no processo de transplante, o que foi demonstrado pela ausência de eventos adversos.

Deseja saber mais sobre o Dr. Helve

Do seu ponto de vista, qual foi o maior avanço dos últimos anos relacionado com a microbiota?

       O desenvolvimento da microbiota intestinal na infância e sua ligação com o desenvolvimento do sistema imunitário.
 

Pensa que existe recentemente um interesse crescente pela microbiota?

       Há um aumento evidente de interesse pela microbiota, o que é demonstrado pela atração pelos produtos de consumo alimentar relacionados com a microbiota.
 

Tem alguma sugestão para cuidarmos da nossa microbiota?

      Comer refeições bem equilibradas!
 

Há alguma situação curiosa ou facto/história surpreendente que possa partilhar sobre a sua investigação?

       Nós selecionámos as mães grávidas antes de as incluirmos no estudo. É bastante surpreendente até que ponto elas tinham conhecimento das questões da microbiota intestinal.
 

Qual é, para si, a bactéria mais fascinante?

       Sou médico infeciologista. Gostaria de optar pelo Staph. aureus…
 

Lembra-se de alguém que lhe sirva de exemplo? (na área de investigação? / na medicina? / em geral?)

       Hans Rosling, é claro!

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Artigo Pediatria

Pr. Volynets (vencedor russo em 2021): Microbiota intestinal e doenças hepatobiliares crónicas

Para comemorar o Dia Mundial da Microbiota (#WorldMicrobiomeDay), o Biocodex Microbiota Institute passa a palavra aos beneficiários de Bolsas nacionais.

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Pr. Galina Volynets

Investigadora Chefe e Chefe do Departamento de Gastroenterologia, Instituto Clínico e de Investigação em Pediatria Veltishchev da Universidade de Investigação Clínica Nacional Russa Pirogov do Ministério da Saúde da Rússia, Moscovo Trata problemas do sistema digestivo em crianças há 40 anos. Interessa-se em particular pelas doenças hepáticas e pelos desequilíbrios da microbiota intestinal.

O que é que a bolsa nacional permitiu descobrir na sua área de investigação da microbiota?

A opinião existente de que a microbiota é mais outro órgão do corpo humano que requer atenção especial foi confirmada. O estudo da microbiota intestinal é um processo complexo que requer não apenas estandardização para uma avaliação objetiva dos resultados do estudo, mas também o desenvolvimento de métodos de pesquisa, incluindo os genéticos, que possibilitem isolar e diferenciar não apenas cepas de microrganismos, mas também os seus produtos metabólicos. Uma das questões mais difíceis é o transplante de microbiota para efeitos de terapia direcionada de doenças.

Quais são as consequências para os pacientes?

O estudo da microbiota intestinal e dos seus produtos metabólicos permitirá no futuro a utilização direcionada de métodos para sua correção, no sentido de se otimizar o tratamento de várias doenças.

Deseja saber mais sobre o Pr. Galina Volynets

Do seu ponto de vista, qual foi o maior avanço dos últimos anos relacionado com a microbiota?

       A possibilidade de um estudo e diferenciação mais precisos das cepas de microrganismos e dos seus produtos metabólicos.
 

Pensa que existe recentemente um interesse crescente pela microbiota?

       O interesse pela microbiota é efetivamente crescente, especialmente devido à introdução de novos métodos para o seu estudo e à possibilidade de se corrigir os desequilíbrios da microbiota.
 

Tem alguma sugestão para cuidarmos da nossa microbiota?

        É necessário ter muito cuidado ao recorrer a medicamentos que possam causar um desequilíbrio na microbiota.
       É necessário minimizar a presença nos alimentos de produtos químicos que possam causar um desequilíbrio na microbiota intestinal.
      É necessário prevenir a ocorrência de várias doenças, especialmente as infeciosas, que frequentemente são acompanhadas por um desequilíbrio na microbiota intestinal .

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Artigo Pediatria Gastroenterologia

Pr. Shifrin (vencedor russo em 2020): Microbiota intestinal e antibióticos

Para comemorar o Dia Mundial da Microbiota (#WorldMicrobiomeDay), o Biocodex Microbiota Institute passa a palavra aos beneficiários de Bolsas nacionais.

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Pr. Oleg Shifrin

Gastroenterologista da mais elevada categoria de qualificação, Chefe do departamento de doenças crónicas dos intestinos e pâncreas do Hospital Clínico Universitário n.º 2, Doutor em Ciências Médicas, professor do departamento de propedêutica de doenças internas, gastroenterologia e hepatologia da Primeira Universidade Médica do Estado de Moscovo (Universidade Sechenov, Rússia).

Membro do grupo para o desenvolvimento de diretivas clínicas nacionais. Áreas de interesse: conceito diagnóstico de "esteatose pancreática" e "esteatopancreatite", relação clínica entre esteatose pancreática e síndrome metabólica; relação clínica entre o aparecimento de DII e a evolução posterior da doença para o desenvolvimento de planos de tratamento personalizado do paciente; prevalência e características clínicas das infeções por Helicobacter pylori e por Clostridium em pacientes com colite ulcerosa.

O que é que a bolsa nacional permitiu descobrir na sua área de investigação da microbiota?

A Bolsa nacional possibilitou estudar detalhadamente os efeitos da antibioticoterapia sobre as mudanças qualitativas e quantitativas na composição da microbiota intestinal, bem como sobre a concentração e o espectro dos metabolitos bacterianos - ácidos gordos de cadeia curta. Foi estudado pela primeira vez o efeito da antibioticoterapia na permeabilidade intestinal seletiva. Foi estabelecida uma relação entre a antibioticoterapia e a ocorrência de sintomas caraterísticos de doenças funcionais do trato gastrointestinal.

Os antibióticos são uma descoberta científica extraordinária que salva milhões de vidas, mas a sua utilização excessiva e inapropriada tem agora suscitado sérias preocupações para a saúde, nomeadamente com a resistência aos antibióticos e a disbiose. Vejamos a sua página dedicada.

O papel ambivalente dos antibióticos

Ao destruírem as bactérias responsáveis pelas infeções, também têm impacto na m…

O que é a Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM?

Todos os anos, desde 2015, a OMS organiza a Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM (WAAW), que tem como objetivo aumentar a sensibilização para a resistência aos antimicrobianos a nível global. Realizada entre 18 e 24 de novembro, esta campanha incentiva o público em geral, os profissionais de saúde e os decisores a utilizarem cuidadosamente os antimicrobianos, a fim de evitar o surgimento de uma maior resistência aos antimicrobianos. 

Quais são as consequências para os pacientes?

Espera-se que os resultados do projeto possibilitem determinar um mecanismo patogenético adicional para a formação de sintomas das doenças gastrointestinais funcionais e se tornem numa base para se desenvolver a forma ideal de preveni-los.

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Artigo Gastroenterologia

Pr. Maslennikov (vencedor russo em 2019): Probióticos e cirrose

Para comemorar o Dia Mundial da Microbiota (#WorldMicrobiomeDay), o Biocodex Microbiota Institute passa a palavra aos beneficiários de Bolsas nacionais.

Pr. Roman Maslennikov

Clínico geral, gastroenterologista e reumatologista em clínicas de Moscovo e professor assistente na Universidade Sechenov, o Dr. Maslennikov combina o ensino da medicina interna com atividades científicas. As suas áreas de investigação são as doenças dos órgãos internos, em particular os órgãos do sistema digestivo e o tecido conjuntivo, bem como a microbiota humana.

O que é que a bolsa nacional permitiu descobrir na sua área de investigação da microbiota?

A bolsa permitiu-nos uma melhor compreensão da patogénese da cirrose e a possibilidade de impacto de probióticos em alguns trechos da mesma.1,2

Quais são as consequências para os pacientes? 

Os resultados do nosso estudo podem demonstrar as vantagens da utilização de probióticos para o tratamento da cirrose, o que pode melhorar a qualidade de vida e o prognóstico desses pacientes.

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Artigo Medicina geral Gastroenterologia Reumatologia

Dr. Faria e Pr. Pimentel-Santos (vencedor de Portugal em 2020): Microbiota e espondiloartrose e terapia de artrite reumatóide

Para comemorar o Dia Mundial da Microbiota (#WorldMicrobiomeDay), o Biocodex Microbiota Institute passa a palavra aos beneficiários de Bolsas nacionais.

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Dr. Ana Faria & Pr. Fernando Pimentel-Santos

Dr. Ana Faria
Investigadora e professora da Faculdade de Medicina da Universidade Nova. As suas áreas de investigação são as estratégias para a modulação da microbiota com impacto na saúde e na doença, e em especial enquanto possível agente de prognóstico da evolução das doenças e da eficácia terapêutica.

Pr. Fernando Pimentel-Santos
Investigador Principal do Laboratório de Doenças Reumáticas e Professor de Reumatologia da Faculdade de Medicina da NOVA. A identificação de biomarcadores clínicos, genéticos, proteicos e da microbiota para fins diagnósticos e terapêuticos é o principal tema da sua investigação.

O que é que a bolsa nacional permitiu descobrir na sua área de investigação da microbiota?

A espondiloartrite (SpA) e a artrite reumatoide (AR) estão entre as doenças reumáticas inflamatórias crónicas mais vulgares e a progressão dessas doenças pode levar a danos ósseos e articulares irreversíveis. A SpA e a AR são causa importante de incapacidade funcional, com graves consequências para as atividades diárias, a saúde mental e a qualidade de vida dos pacientes.
A introdução de fármacos biológicos antirreumáticos modificadores da doença (bDMARDs), como os inibidores de TNF (TNFi), iniciou uma nova era no tratamento da SpA e da AR, com notável eficácia. No entanto, uma percentagem significativa de pacientes apresenta efeitos secundários graves ou continua a não responder ou a responder de forma incompleta a esses dispendiosos tratamentos.
A Bolsa do Biocodex Microbiota Foundation permite-nos a caraterização da microbiota em pacientes que iniciam o tratamento por bDMARDs e após 14 semanas. Isso representa a possibilidade de identificarmos biomarcadores na linha de base, contribuindo para o reconhecimento de pacientes com maior potencial de resposta à terapia por TNFi.

Quais são as consequências para os pacientes?

A identificação antes do tratamento de perfis de microbiota que possam estar relacionados com a eficácia terapêutica dos bDMARDs é crucial para orientar a decisão terapêutica. Os doentes beneficiarão de um tratamento mais preciso. Num futuro próximo, esperamos promover ações corretivas direcionadas para a microbiota e com essas ações melhorar a eficácia terapêutica dos bDMARDs.

Deseja saber mais sobre o Dr Ana Faria e Pr. Fernando Pimentel-Santos

Do seu ponto de vista, qual foi o maior avanço dos últimos anos relacionado com a microbiota?

       Não podemos dizer que seja o maior avanço, mas achamos muito interessante a hipótese de a microbiota disbiótica ser um fator transmissível. Essa hipótese surgiu no artigo publicado na Science em 20201, o qual demonstra que a microbiota disbiótica cumpre os postulados de Koch e pode ser transmitida a outros indivíduos, alterando a respetiva microbiota e contribuindo para a suscetibilidade a doenças e para a disseminação de doenças não contagiosas.
 

Pensa que existe recentemente um interesse crescente pela microbiota?

       A microbiota tem conquistado atenções nas últimas duas décadas porque se tornou evidente que o seu papel no hospedeiro vai além da fermentação. A associação de uma microbiota modificada, menos abundante e menos rica, com a doença, trouxe à tona e motivou estudos científicos que estabeleceram e destacaram a importância da microbiota, como no caso das doenças reumáticas.
 

Tem alguma sugestão para cuidarmos da nossa microbiota?

      O fator modificável melhor conhecido para além dos antibióticos é a alimentação. Portanto, os hábitos alimentares saudáveis, como a dieta mediterrânea, podem ser uma maneira fácil de cuidarmos da nossa microbiota. Há também evidências crescentes da possibilidade de se modular a microbiota, o que representa uma opção terapêutica fantástica.

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Artigo Reumatologia

Anorexia: a pista da microbiota intestinal?

E se a anorexia mental, que ainda mata entre 5 e 16% dos pacientes, estivesse ligada a uma bactéria da nossa microbiota intestinal: Roseburia? Ou, ao contrário, à ausência desta bactéria. Uma nova esperança terapêutica em estudo? 

A microbiota intestinal
Anorexie : la piste du microbiote intestinal ?

Ver-se enorme quando se é magra (dismorfofobia), experienciar um medo de pânico quando pensa em ganhar as mínimas gramas: estas são as principais características da anorexia mental. E se a microbiota intestinal estivesse envolvida? 

 

entre 5 e 16% anorexia mental, ainda mata entre 5 e 16% dos pacientes

Anorexia mental: um TCA muito feminino

Este transtorno da conduta alimentar (TCA), que aparece em geral na adolescência, afeta principalmente as mulheres (os homens são 10 vezes menos atingidos). Entre 0,9% e 3% de mulheres sofrem disto, infligindo ou criando restrições alimentares ou episódios de bulimia, seguidos de expulsão por vómito e/ou utilização de laxantes.

Roseburia: bactérias fora do alcance...

Muitos estudos tentaram avaliar a implicação da microbiota intestinal na patologia, levando a resultados divergentes. Para se ter uma ideia, uma equipa passou pela peneira os dados de 3 estudos precedentes, comparando a composição da microbiota intestinal de pacientes anoréxicas versus testemunhas saudáveis. Os resultados? Apenas as espécies bacterianas do género Roseburia estão em baixa nas pessoas anoréxicas. E nada parece poder mudar realmente este estado. Nem mesmo os cuidados hospitalares que originam a melhoria do estados das pacientes, nem mesmo o aumento de peso: estas bactérias continuam a ser menos abundantes e menos diversificadas nos pacientes anoréxicos. O que sugere que estas bactérias intestinais teriam um papel no estabelecimento da doença... Afastando a hipótese de que a sua diminuição poderia ser consequência da doença.

A microbiota intestinal

Saiba mais

... com saúde física, mental e social 

Ora, as Roseburia são os aliados da saúde da nossa microbiota intestinal: ao decompor as fibras que o nosso sistema digestivo não digeriu, elas fabricam os (sidenote: Ácidos Gordos de Cadeia Curta (AGCC) Os Ácidos Gordos de Cadeia Curta são uma fonte de energia (carburante) das células do indivíduo, interagem com o sistema imunitário e estão envolvidos na comunicação entre o intestino e o cérebro. Silva YP, Bernardi A, Frozza RL. The Role of Short-Chain Fatty Acids From Gut Microbiota in Gut-Brain Communication. Front Endocrinol (Lausanne). 2020;11:25. ) . Estes pequenos ácidos gordos são conhecidos por regular a inflamação e manter o equilíbrio das nossas funções intestinais: graças a eles, a nossa barreira epitelial é fortalecida e o trânsito do nosso cólon corretamente regulado. E isto não é tudo: o efeito benéfico da Roseburia vai para além da nossa saúde digestiva, uma vez que a sua presença parece andar a par da melhora de diversos marcadores de saúde do nosso organismo, como a concentração no nosso sangue de triglicéridos, pré-albumina ou ferro, por exemplo. Por fim, a cereja no topo do bolo, mesmo que este ponto ainda precise de ser confirmado: A Roseburia poderia assim ajudar-nos a ver a vida em tons cor-de-rosa, a sua depleção sendo associada a sintomas depressivos frequentemente observados em anoréxicos.

É o suficiente para dar alguma esperança frente a uma doença multifatorial, com frequentes recaídas e cujo resultado pode ser fatal, em detrimento das complicações e suicídios frequentemente associados.
Caso a acompanhar.

Recomendado pela nossa comunidade

"Finalmente alguém deu uma pista sobre isto..." Comentário traduzido de Dorathy Wasilewski (Da My health, my microbiota)

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Afecções urinárias

As infecções urinárias podem afetar tanto mulheres quanto homens. Quer aprofundar a conexão entre intestino e sistema urinário e entender como ela funciona? Isso não se trata apenas do seu intestino - o equilíbrio da microbiota do pénis, da microbiota vaginal e até da micorbiota intestinal podem estar envolvidos nesses distúrbios urinários, de acordo com pesquisas científicas. Descubra tudo o que você precisa saber sobre esses distúrbios de coceira e arranhões, e sua ligação com a microbiota.

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Pr. Sampaio-Maia (vencedor em Portugal em 2021): Microbiota intestinal e obesidade

Para comemorar o Dia Mundial da Microbiota (#WorldMicrobiomeDay), o Biocodex Microbiota Institute passa a palavra aos beneficiários de Bolsas nacionais.

Pr. Benedita Sampaio-Maia

Pr. Benedita Sampaio-Maia é Professora Assistente da Faculdade de Medicina Dentária e investigadora responsável do Grupo de Nefrologia e Doenças Infeciosas do I3S - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, ambos instituições da Universidade do Porto.

Dedica-se atualmente à investigação do papel da microbiota humana na saúde e na doença, nomeadamente nas doenças cardiometabólicas (obesidade, hipertensão, doença renal crónica), à compreensão do impacto dessas doenças (da mãe) na aquisição e maturação da microbiota no início da vida, e ao estudo da ação do eixo intestino-cérebro nas perturbações do desenvolvimento neurológico e nos traços de personalidade.

O que é que a bolsa nacional permitiu descobrir na sua área de investigação da microbiota?

A Bolsa Portuguesa Biocodex Microbiota Foundation permitiu-nos, num primeiro momento, compreender o impacto da obesidade materna na aquisição e maturação da microbiota intestinal da criança ao longo do primeiro ano de vida. No início da vida, o estabelecimento, desenvolvimento e maturação da microbiota são modelados por interações entre as comunidades microbianas e entre elas e o hospedeiro, nas quais a mãe desempenha um papel fundamental, pois representa a fonte mais importante de microrganismos. Tem sido sugerido que a transferência de microbiota obesogénica entre mãe e filho será uma possível via para a transmissão intergeracional da obesidade. Tendo em conta que o início da vida representa um período crítico para a estimulação imunitária, a disbiose intestinal pode comprometer o desenvolvimento de um fenótipo imunitário equilibrado. Portanto, a nosso segunda etapa irá desvendar o impacto de uma microbiota intestinal disbiótica e obesogénica adquirida da mãe no advento do sistema imunitário.

Quais são as consequências para os pacientes?

Com o apoio da Biocodex Microbiota Foundation, prevemos poder compreender o impacto da obesidade materna na microbiota intestinal da criança e desvendar o impacto de uma microbiota disbiótica no início da vida na estimulação e regulação do sistema imunitário até um ano após o parto. A compreensão de como a microbiota intestinal disbiótica adquirida da mãe exerce impacto sobre o advento do sistema imunitário pode revelar novas estratégias de prevenção de doenças por meio da manipulação da microbiota intestinal no início da vida, abrindo novos caminhos para o desenvolvimento de ferramentas de diagnóstico e de terapêuticas inovadoras e personalizadas.

Deseja saber mais sobre o Pr. Sampaio-Maia

Do seu ponto de vista, qual foi o maior avanço dos últimos anos relacionado com a microbiota?

       A descoberta do eixo intestino-cérebro.
 

Pensa que existe recentemente um interesse crescente pela microbiota?

       Claro.
 

Tem alguma sugestão para cuidarmos da nossa microbiota?

      Comer uma grande variedade de alimentos para se poder ter também uma grande diversidade nos micróbios que vivem no nosso intestino.
 

Há alguma situação curiosa ou facto/história surpreendente que possa partilhar sobre a sua investigação?

       Lidar com fezes é sempre a tarefa “maravilhosa”.
 

Qual é, para si, a bactéria mais fascinante?

       Para mim, não se trata de uma bactéria em particular, o que mais me fascina é a relação simbiótica que as bactérias desenvolvem entre elas e o hospedeiro.
 

Lembra-se de alguém que lhe sirva de exemplo? (na área de investigação? / na medicina? / em geral?)

       Anton van Leeuwenhoek pela sua curiosidade, e por desvendar este gigantesco mundo invisível.

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Artigo Pediatria Nefrologia Rim

Exploram a microbiota: descobrem os projectos vencedores nacionais da Biocodex Microbiota Foundation

Desde 2017, Biocodex Microbiota Foundation premeia iniciativas nacionais de investigação que visem compreender a interação entre a microbiota e várias doenças. Para comemorar o Dia Mundial da Microbiota (#WorldMicrobiomeDay), o Biocodex Microbiota Institute passa a palavra aos beneficiários de Bolsas nacionais.

O que é que a Bolsa de investigação nacional da Biocodex Microbiota Foundation lhes permitiu fazer? Qual o impacto dos resultados da sua investigação na assistência aos pacientes? Descubram as respostas deles.

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Artigo

O que me está a deixar de tão bom humor hoje?

Considerado o “segundo cérebro", o nosso intestino dialoga permanentemente com o nosso cérebro e vice-versa. É o que chamamos de eixo intestino-cérebro. Uma disfunção deste eixo pode estar envolvido em alguns distúrbios neuropsiquiátricos: ansiedade, depressão, distúrbio de atenção... Ainda está em estudo: adaptar a microbiota intestinal pela alimentação ou administração de probióticos permitia prevenir, até mesmo tratar estes distúrbios.

Além disso, alguns alimentos serão mesmo suscetíveis de provocar um “feel good effect”.

Então, qual é a ligação entre a sua flora intestinal e o seu humor? Resposta abaixo!

A microbiota intestinal Perturbações de humor Perturbações de ansiedade Já ouviu falar de “disbiose”? Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal

O diálogo entre o nosso cérebro e o nosso intestino regula o nosso humor

Com os seus 200 milhões de neurónios e os seus milhares de milhões de bactérias intestinais, o nosso intestino não desmerece o seu apelido de “segundo cérebro”. Particularmente ativo, ele participa na nossa saúde tanto física como mental.1

O nosso tubo digestivo e o nosso cérebro conversam constantemente, mas a comunicação entre os dois pode ser perturbada quando a nossa microbiota intestinal está alterada e se instala um processo inflamatório.

 

200 milhões de neurónios nos intestinos

1 milhares de milhões de bactérias intestinais

A perturbação da microbiota intestinal, também chamada de “disbiose”, está envolvida em diversos transtornos da saúde mental (depressão, ansiedade...).2 De facto, alguns estudos realizados no homem (ainda que pouco numerosos) parecem destacar uma diminuição significativa da riqueza da microbiota intestinal nos pacientes afetados por transtornos mentais.3

Eixo intestino-cérebro: como funciona?

As bactérias intestinais dialogam com o nosso cérebro produzindo moléculas chamadas “neurotransmissores”: as mais conhecidas, a serotonina e a dopamina, regulam o nosso humor.4 Segundo os cientistas, estes (sidenote: Neurotransmissores Moléculas específicas que permitem uma comunicação entre os neurónios (as células nervosas do cérebro), mas também com as bactérias da microbiota. São produzidas tanto pelas células do indivíduo como pelas bactérias da microbiota.   Baj A, Moro E, Bistoletti M, Orlandi V, Crema F, Giaroni C. Glutamatergic Signaling Along The Microbiota-Gut-Brain Axis. Int J Mol Sci. 2019;20(6):1482. ) atuam nas células da parede do nosso intestino. A mensagem chega assim ao cérebro através dos neurónios do tubo digestivo.5

Outro facilitador de informação: os (sidenote: Ácidos gordos de cadeia curta (AGCC) Os ácidos gordos de cadeia curta são uma fonte de energia (carburante) das células do indivíduo, interagem com o sistema imunitário e estão envolvidos na comunicação entre o intestino e o cérebro.   Silva YP, Bernardi A, Frozza RL. The Role of Short-Chain Fatty Acids From Gut Microbiota in Gut-Brain Communication. Front Endocrinol (Lausanne). 2020;11:25. ) (AGCC). Estas substâncias biológicas, das quais algumas são benéficas para o nosso organismo, são produzidas pelas bactérias do nosso cólon durante a fermentação das fibras alimentares. Elas também têm um papel central nas conexões entre os dois órgãos ao agir diretamente sobre o cérebro.6

Microbiota intestinal: ainda existem muitas coisas a descobrir

Descubra a entrevista da Dra. Deanna Gibson

Bom humor e chocolate amargo: um casamento 85% confiável!

Sabia disso? Alguns alimentos, como o chocolate, podem regular o nosso humor.

Um estudo7 mostrou recentemente que os polifenóis presentes em grande quantidade no cacau teriam uma ação positiva na flora intestinal, impedindo o crescimento de bactérias (sidenote: Agente patogénico Um agente patogénico é um microrganismo que provoca ou pode provocar uma doença. Pirofski LA, Casadevall A. Q and A: What is a pathogen? A question that begs the point. BMC Biol. 2012 Jan 31;10:6. ) e promovendo o desenvolvimento das benéficas.

É principalmente o consumo de chocolate amargo de 85% que aumenta a diversidade microbiana intestinal e provoca um eficiente retorno no nosso cérebro, que será traduzido por um efeito positivo e duradouro no nosso humor.

Comilões, não tem mais nenhum motivo para se culpar!

Outras informações surpreendentes sobre a sua saúde com os nossos testes!

No Dia Mundial do Microbioma (World Microbiome Day), o Biocodex Microbiota Institute está a desvendar os segredos dos fascinantes microrganismos que habitam os nossos corpos. Saiba mais sobre o papel essencial da microbiota na sua saúde!

É normal que os antibióticos dêem diarreia ao meu filho?
O que poderia prevenir as alergias respiratórias do meu filho?
Qual o melhor conselho para envelhecer bem?
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