As águas dos poços, da torneira, filtradas ou engarrafadas não são iguais em termos de origem (lençóis freáticos, águas superficiais, etc.) e de tratamento (filtragem, desinfeção, etc.), possuindo, portanto, diferenças na composição química, mineral ou microbiana. Mas, embora a água represente o maior volume que ingerimos diariamente, muito à frente dos alimentos, ela é frequentemente o parente pobre dos estudos científicos sobre a alimentação e a microbiota: os efeitos dos alimentos (chocolate negro, abacate, chá, etc.) foi frequentemente analisado, e o de determinadas bebidas (refrigerantes, álcool, sumo de beterraba, etc.) visto à lupa, mas a água tem tido dificuldade em chamar a atenção dos laboratórios.
Efeitos qualitativos...
Resultados? A origem da água potável será um fator fundamental para explicar as variações da composição da microbiota intestinal. A sua influência será comparável à do consumo de álcool, ou mesmo à do tipo de regime alimentar. Assim, a cada tipo de água consumida corresponde uma assinatura da microbiota intestinal. Bebe sobretudo água do poço? A sua microbiota intestinal tem todas as possibilidades de ser mais diversificada do que se bebesse água da torneira, filtrada ou engarrafada. E o seu tubo digestivo sem dúvida que abriga mais bactérias Dorea e menos Bacteroides, Odoribacter e Streptococcus. Como se explica tal diferença? Talvez porque a água do poço contém, naturalmente, comunidades bacterianas mais diversificadas que a da torneira, devido à ausência de desinfeção sistemática.
... e quantitativos
Mas não se trata apenas da questão da origem da água que se bebe. A quantidade também é importante. De facto, a microbiota intestinal de quem bebe pouca água (independentemente da origem da mesma) difere da de quem bebe muita. Em quem bebe pouco observa-se, por exemplo, uma maior abundância de Campylobacter, uma bactéria associada às infeções intestinais. Eis o que nos deve incitar a beber mais, desde que nos limitemos a beber água!