Osteoporose: a microbiota intestinal digere mal a vitamina D

Quando se fala de osteoporose, pensa-se imediatamente na vitamina D. E com razão! É que ela promove a absorção intestinal do cálcio, a qual é indispensável para a manutenção da saúde dos nossos ossos. Uma das primeiras coisas que vêm à ideia é consumi-la mais, mas será que chega? A resposta poderá estar na nossa microbiota intestinal.

A microbiota intestinal Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal

É uma enfermidade progressiva relacionada com o envelhecimento e afeta mais de 200 milhões de pessoas em todo o mundo. Um dos principais conselhos dados por especialistas durante o seu diagnóstico é que se complemente a dieta com vitamina D. Mas, uma vez consumida, a vitamina D tem ainda de ser absorvida pelos nossos intestinos para ser útil aos ossos: uma equipa de investigadores chineses analisou essa etapa crucial e formulou uma hipótese: a microbiota intestinal (MI) desempenhará neste processo um papel fundamental.

Osteoporose

Doença que se carateriza pela deterioração da estrutura interna dos ossos e por uma diminuição progressiva da densidade óssea.

Estudo sobre a relação entre a osteoporose, a microbiota intestinal e a vitamina D: uma estreia!

Tudo resultou de uma simples constatação: os pacientes com osteoporose grave apresentam baixos níveis sanguíneos de vitamina D, frequentemente associados a distúrbios gastrointestinais, o que sugere um envolvimento da microbiota intestinal. Além disso, houve estudos anteriores avaliaram seu potencial valor como ferramenta de diagnóstico. Para dar resposta a essa hipótese, 36 pacientes receberam a mesma alimentação durante todo o estudo. Foram divididos em 2 grupos de acordo com o estadio da doença (precoce ou grave), e procedeu-se a uma análise da sua microbiota intestinal e dos seus níveis sanguíneos de vitamina D. Esta foi a primeira vez que se estudou a relação entre a gravidade da osteoporose, a flora intestinal e o nível de vitamina D.

200 milhões A osteoporose afeta mais de 200 milhões de pessoas em todo o mundo.

Uma microbiota diferente de acordo com a gravidade…

Primeira observação: os pacientes com osteoporose grave possuem uma flora intestinal mais diversificada do que aqueles que apresentam uma forma menos avançada. Houve uma constatação importante neste estudo: a diminuição na abundância de Bifidobacterium nos pacientes com osteoporose grave, bactérias estas já conhecidas por participarem na absorção intestinal de certas gorduras e vitaminas.

21,2% Em todo o mundo, 21,2% das mulheres com 50 anos ou mais sofrem de osteoporose,

6,3% em comparação com apenas 6,3% dos homens da mesma faixa etária.

(sidenote: Epidemiology of osteoporosis and fragility fractures_International Osteoporosis Foundation
Kanis, J.A. et al., A reference standard for the description of osteoporosis. Bone 2008. 42: p. 467-75
)

…e níveis sanguíneos de vitamina D que variam de acordo com a gravidade da osteoporose

E esta foi a segunda conclusão: os pacientes com osteoporose grave têm níveis sanguíneos significativamente mais baixos de vitamina D do que pacientes em estadio inicial. Como ambos os grupos de pacientes receberam a mesma dieta (e, portanto, a mesma quantidade de vitamina D) ao longo de todo o estudo, é provável que a diferença se situe, portanto, ao nível da sua absorção intestinal. 

O conjunto destes resultados sugere, portanto, um potencial envolvimento da MI na absorção de vitamina D.

O mecanismo através do qual a MI influencia a absorção intestinal de vitamina D continua por descobrir, mas falamos de um grande avanço que abre perspetivas interessantes no acompanhamento terapêutico da osteoporose através da microbiota.

A microbiota intestinal

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"Muito obrigado" Comentário traduzido de Michelle Zirkle (Da My health, my microbiota)

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Septicémia neonatal: a microbiota paga um tributo pesado aos antibióticos

Quais os efeitos na microbiota intestinal do recém-nascido do tratamento neonatal com antibióticos? E, se forem necessários, quais os antibióticos que causam menos danos? As respostas estão neste ensaio clínico aleatório.

Photo: Neonatal sepsis: the microbiota pays a heavy price for antibiotic use

Cólicas, alergias, obesidade, desenvolvimento imunitário... as disbioses intestinais nos primeiros dias de vida estão associadas a um vasto leque de problemas de saúde na primeira infância que podem mesmo persistir ao longo da vida. No entanto, os antibióticos de largo espectro continuam a ser amplamente prescritos a recém-nascidos (até 10% deles) nos casos de suspeita de septicémia neonatal precoce (EONS).

1 em cada 1.000

Atualmente, 4 a 10% de todos os recém-nascidos são tratados com antibióticos, quando apenas 1 em cada 1.000 dentre eles desenvolverá uma infeção comprovada, o que revela que esse tratamento é provavelmente desnecessário para mais de 90% das crianças a ele sujeitas. 

Um ensaio aleatório, três combinações de antibióticos 

No sentido de melhor detetar os seus efeitos, foi realizado um estudo aleatório com 147 lactentes tratados com antibióticos de largo espectro durante a primeira semana de vida. Nele receberam aleatoriamente uma das três combinações de antibióticos intravenosos habitualmente prescritos: penicilina + gentamicina; co-amoxiclav + gentamicina; ou amoxicilina + cefotaxima. 80 bebés saudáveis (sem terem recebido antibióticos) serviram de controlos.

Diversidade em baixa, resistências em alta

Embora a diversidade microbiana fosse comparável em todas as crianças antes do início do tratamento com antibióticos, a diversidade alfa entrou em colapso imediatamente após o mesmo, aumentando depois lentamente mas mantendo-se significativamente menor durante o primeiro ano de vida.

A composição da microbiota intestinal também foi afetada. Após a instalação de géneros anaeróbicos facultativos como Escherichia e Staphylococcus, rapidamente seguidos por Bifidobacterium, o que aconteceu posteriormente dependeu da presença ou não de um tratamento antibiótico: Bifidobacterium spp., e também Escherichia, Staphylococcus spp. e Bacteroides surgiram em menor abundância nos lactentes tratados, enquanto Klebsiella e Enterococcus spp. manifestaram um reforço da sua presença.

Finalmente, a equipa observou mais genes de resistência aos antibióticos nas crianças tratadas.

haverá mais de 90% dos bebés a serem tratados quando existe apenas a suspeita de EONS, mesmo que não formalmente comprovada.

Os antibióticos não são todos equivalentes

Foram observadas diferenças importantes entre os três tratamentos com antibióticos: a combinação “amoxicilina + cefotaxima” induziu os efeitos mais significativos sobre a composição da comunidade e as resistências microbianas, enquanto a combinação “penicilina + gentamicina” revelou os menos relevantes, pelo que, para os investigadores, mereceria ser reponderada a sua utilização nos serviços neonatais onde não é muito popular.

Em todos os casos, os efeitos dos antibióticos mostraram-se mais significativos e prolongados do que o esperado, sem dúvida porque a microbiota dos bebés se encontra em construção (enquanto os estudos anteriores se concentraram em crianças mais velhas). No entanto, atualmente, haverá mais de 90% dos bebés a serem tratados quando existe apenas a suspeita de EONS, mesmo que não formalmente comprovada. Daí a importância, segundo os autores, de se melhorar a precisão do diagnóstico da EONS, uma vez que as consequências dos tratamentos são graves e potencialmente duradouras

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Gonorreia: lactobacilos ao resgate?

As mulheres não são todas iguais perante a gonorreia: algumas não sentem qualquer sintoma, enquanto outras percebem à sua custa por que é que essa infeção também é designada esquentamento. Uma diferença, ou até mesmo uma injustiça, que pode estar ligada à sua microbiota vaginal.

A microbiota vaginal

37% Apenas 1 em cada 3 mulheres sabe que as bactérias da microbiota vaginal são seguras para a vagina das mulheres

Esquentamento, uretrite, gonorreia, blenorragia: não faltam sinónimos quando se fala da gonorreia, uma infeção sexualmente transmissível (IST). Este problema de saúde pública afeta ambos os sexos. Nas mulheres, pode permanecer impercetível (mais de 50% das mulheres serão assintomáticas) ou induzir sintomas como corrimento purulento, dor no baixo ventre e ardência ao urinar. Mas não se conhecem os motivos dessas diferenças.

Infeção sexualmente transmissível (IST)

As IST são transmitidas principalmente mediante contacto cutâneo durante as relações sexuais vaginais, anais ou orais, mas também de mãe para filho (gravidez, parto, amamentação). É possível ser-se portador da doença sem se apresentar sintomas.

De entre todas as bactérias, vírus e parasitas sexualmente transmissíveis, oito dos mesmos são os principais responsáveis pelas doenças sexualmente transmissíveis. 

Quatro são passíveis de cura: 

  • sífilis, 
  • gonorreia, 
  • clamídia, 
  • tricomoníase. 

Quatro são infeções virais incuráveis: 

  • hepatite B,
  • vírus do herpes (vírus de herpes simples ou HSV),
  • VIH, 
  • papilomavírus humano (PVH).

(sidenote: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/sexually-transmitted-infections-(stis) )

A culpa é da Neisseria gonorrhoeae

A gonorreia é causada pela infeção por uma bactéria chamada Neisseria gonorrhoeae, que, contudo, se mantém muito discreta: representará, de acordo com um estudo recente, apenas 0,24% das bactérias presentes na vagina e no colo do útero das mulheres infetadas (e, claro, permanece ausente nas mulheres não infetadas). Quanto à presença de outras bactérias na vagina dessas mulheres, bom, de facto, tudo depende dos sintomas.

Mais de 50 % Mais de 50% das infeções do trato genital inferior feminino são assintomáticas.

Gonorreia: uma questão de lactobacilos?

Nas mulheres infetadas mas sem qualquer sintoma, os lactobacilos assumirão o comando. Essas bactérias em forma de bastão, bem conhecidas dos entusiastas do iogurte, representarão mais de 92% das bactérias que se encontram no colo do útero e na vagina das mulheres em causa. O que resultará numa acidificação adequeda da vagina que afastará os outros microrganismos.

E nas mulheres infetadas que apresentam sintomas? Os lactobacilos surgirão em quantidade reduzida, representando menos de um quarto das bactérias presentes (21,2%). Em substituição desses aliados, haverá uma grande diversidade e heterogeneidade de microrganismos presentes. No entanto, regra geral, tal retrato de família não constitui bom sinal para a microbiota vaginal: contrariamente a outras microbiotas do corpo (intestinal, cutânea, etc.), ela está de boa saúde quando serve de coutada aos lactobacilos. Por outro lado, as bactérias alojadas na vagina das mulheres sintomáticas revelam-se pouco recomendáveis e estão frequentemente associadas àquilo que chamamos vaginose bacteriana.

82,4 milhões Em 2020, registaram-se 82,4 milhões de novos casos de gonorreia em pessoas entre os 15 e os 49 anos em todo o mundo (OMS)

(sidenote: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/multi-drug-resistant-gonorrhoea )

Uso sistemático do preservativo

Daí até se dizer que os lactobacilos protegem as mulheres contra os sintomas da gonorreia vai apenas um passo… que, no entanto, ainda não podemos dar. Enquanto se aguardam estudos com um número maior de mulheres para se confirmar a observação, resta-nos, portanto, continuar a recordar a importância do uso sistemático do preservativo: em todo o mundo, estima-se que tenham surgido aproximadamente 87 milhões de novas infeções gonocócicas na faixa etária entre os 15 e os 49 anos em 2016, e os casos estão a aumentar em muitos países. 

A microbiota vaginal

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Aborto: a disbiose vaginal no banco dos réus?

Os abortos sem origem genética parecem estar associados a uma disbiose vaginal e a uma inflamação local. Resultados que poderiam abrir caminho para a prevenção nas mulheres cuja microbiota vaginal é pobre em lactobacilos.

27% Apenas 27% das mulheres pesquisadas afirmam saber que a microbiota vaginal está equilibrada quando a sua diversidade bacteriana é baixa

Uma em cada cinco gestações termina num aborto precoce (antes das 12 semanas), sendo que metade dos casos são provocados por anomalias cromossomiais (abortos aneuploides). Entre as 12 e as 24 semanas, podem ocorrer abortos euploides tardios, em geral com associados a uma infeção (2 em 3 casos). Embora os mecanismos em jogo continuem a ser mal compreendidos, suspeita-se que a microbiota vaginal está implicada.

Daí surge uma hipótese:

estes abortos euploides tardios poderiam ser causados por sinais inflamatórios ligados à composição da microbiota vaginal?

1/5 Uma em cada cinco gestações termina num aborto precoce

1/2 sendo que metade dos casos são provocados por anomalias cromossomiais

Abortos: uma questão de lactobacilos?

Para responder a esta pergunta, investigadores acompanharam 167 gestações: 74 gestações completas, 54 abortos não genéticos (gestações euploides) e 39 abortos genéticos (gestações aneuploides). A análise das suas microbiotas (ARN 16S) mostrou a existência de 2 tipos de microbiota vaginal: uma primeira dominada por 94,2% de Lactobacillus spp (75% das amostras) e uma segunda (25% das amostras) caracterizada por uma depleção de lactobacilos, com um teor médio de apenas 18,5%. 

Entretanto, em comparação com os abortos aneuploides, os abortos euploides estão associados à microbiota vaginal:

  • mais rica em bactérias e diversidade
  • pobre em Lactobacillus spp., 
  • rica em Streptoccus spp. (60% dos casos) e Prevotella spp (40% dos casos).

Microbiota vaginal e inflamação

Em termos de inflamação, independentemente do desfecho da gestação, a pobreza em lactobacilos está relacionada com os altos níveis de citocinas no líquido cervovaginal. Mas sobretudo, os subgrupos dominados pela Prevotella ou pelo Streptococcus spp., apresentavam concentrações significativamente mais elevadas de TNF-α e de certas interleucinas pró-inflamatórias (IL-6, IL-8, IL-1β). É, então possível que o empobrecimento de Lactobacillus spp. esteja associado a um ambiente pró-inflamatório desfavorável ao bom desenvolvimento da gestação. O que estaria de acordo com a frequência mais alta de abortos observada quando a microbiota vaginal é pobre em lactobacilos.

Para além disso, a forte presença de Streptococcus seria o fator de risco mais significativo para abortos euploides e o principal fator responsável pelo aumento de mediadores pró-inflamatórios nestes pacientes.

Uma esperança para as mulheres

Observa-se uma diferença de composição da microbiota vaginal entre as gestações aneuploides e euploides. Parece, então, que a interrupção da gestação baseia-se em diferentes mecanismos: uma falha genética para os primeiros e interações com bactérias da microbiota vaginal e o hospedeiro para os segundos. Consequência direta: a microbiota vaginal poderia representar um alvo de escolha para a prevenção de abortos.

Recomendado pela nossa comunidade

"leitura importante" - Comentário traduzido de Legómena (Da Biocodex Microbiota Institute em X)

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Noticias Medicina geral

Microbiota vaginal: quanto mais lactobacilos menos abortos?

A saúde da microbiota vaginal está associada a uma predominância de bactérias chamadas lactobacilos.  A ponto de reduzir o risco de aborto?

A microbiota vaginal

27% Apenas 27% das mulheres pesquisadas afirmam saber que a microbiota vaginal está equilibrada quando a sua diversidade bacteriana é baixa

O aborto: o pesadelo de toda mulher grávida. 1 em cada 5 gestações é interrompida antes das 12 semanas devido a um aborto precoce, cuja metade está relacionada com anomalias cromossómicas (erros genéticos). Entre as 12 e as 24 semanas ainda podem ocorrer abortos tardios: 2 em 3 casos devem-se a uma infeção. Então, as bactérias da microbiota vaginal poderiam ser preciosas aliadas contra os abortos.

1/5 1 em cada 5 gestaçõesgra é interrompida antes das 12 semanas devido a aborto precoce.

Viva os lactobacilos

Vamos esclarecer as coisas: a microbiota vaginal não faz nada como as outras. Ao contrário das outras floras do corpo que beneficiam de diversidade, a vagina é, em geral, monogâmica: considera-se que a saúde vaginal combina com uma diversidade bastante fraca e uma elevada proporção de lactobacilos. É mesmo muito forte: num estudo recente, estas bactérias, facilmente reconhecíveis pela sua forma de bastão, representavam 94,2 % das bactérias da flora vaginal de 3/4 das 167 mulheres grávidas acompanhadas... E nas outras mulheres? Os seus lactobacilos representavam apenas uma porção da sua microbiota, ou seja, 18,5% das bactérias vaginais.  Assim, esta perda de dominância dos lactobacilos parece estar associada a graves consequências em termos de desfecho da gravidez.

10% a 15% Estima-se que haja entre 10 a 15% de abortos em mulheres grávidas.

Da microbiota vaginal ao aborto

Na verdade, os abortos sem explicação genética tornam-se mais frequentes quando as mulheres tem uma microbiota vaginal:

E esta perda de domínio dos lactobacilos parece estar ligada a uma inflamação vaginal mais frequente. Assim, parece que uma menor presença de lactobacilos corresponde a uma inflamação do sistema reprodutor feminino. Consequência direta: neste ambiente desfavorável para a implantação do feto, a gestação não consegue desenvolver-se normalmente. O que explica a maior frequência de abortos observada quando os lactobacilos desaparecem. Mas isto também cria uma esperança: a microbiota vaginal pode representar um alvo de escolha para reduzir o risco de abortos.

A microbiota vaginal

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Obesidade grave: o círculo vicioso do metabolismo da biotina

Trata-se de um paradoxo: as pessoas gravemente obesas são muitas vezes malnutridas, porque a quantidade da sua dieta não compensa a fraca qualidade da mesma. Especialmente porque se estabelece um círculo vicioso que envolve a microbiota intestinal e resulta em níveis muito reduzidos de vitamina B.

Como se sabe, as vitaminas B, e especialmente a biotina (B8), produzidas pelas bactérias intestinais, influenciam tanto a função microbiana como o metabolismo do hospedeiro e a inflamação. São também responsáveis pela regulação da saúde metabólica desse mesmo hospedeiro. Mas o que é que sucede em caso de obesidade grave no ser humano? É uma questão que merecia ser colocada, uma vez que estudos anteriores (pré-clínicos e clínicos) tinham justamente destacado uma alteração do nível de biotina no soro e nos tecidos das pessoas obesas. 

 

x11 Entre 1975 e 2014, a frequência de obesidade grave aumentou em todo o mundo 11 vezes nos homens

x3 e 3 vezes nas mulheres.

Menos bactérias produtoras ou transportadoras de biotina

Para responder a esta pergunta, os investigadores analisaram os dados de 1.545 indivíduos do estudo multicêntrico europeu (sidenote: https://cordis.europa.eu/project/id/305312/fr ) , comparando 608 pacientes com obesidade grave (IMC>35), a 299 com excesso de peso ou obesidade (25<IMC<35) e a 638 controlos com IMC normal (IMC<25). 

Conclusão: a obesidade grave está associada a uma carência em bactérias produtoras e transportadoras de biotina. Isto tem consequências para o paciente obeso, uma vez que a abundância dessas bactérias está correlacionada com os estados inflamatórios e as respetivas perturbações do metabolismo. 

Além disso, nas pessoas gravemente obesas, a biotina circulante apresenta níveis subótimos e a expressão dos genes que codificam essa vitamina surge alterada no tecido adiposo.

As bactérias intestinais em causa?

A implantação de microbiota humana em ratinhos confirma a contribuição da microbiota intestinal para a quantidade de biotina circulante. Por outro lado, a alimentação também desempenhará um papel: o tipo de (sidenote: Regime ocidental Alimentação rica em alimentos transformados, em açúcar refinado, sal, gorduras saturadas (carnes vermelhas) e gorduras trans (produtos panificados) Zinöcker MK, Lindseth IA. The Western Diet-Microbiome-Host Interaction and Its Role in Metabolic Disease. Nutrients. 2018 Mar 17;10(3):365.  ) provoca uma diminuição das bactérias intestinais produtoras de biotina, bem como uma redução nos níveis de circulação sérica dessa vitamina. Além disso, a inflamação intestinal que se observa nos pacientes obesos limita, paradoxalmente, a respetiva absorção quando proveniente dos alimentos.

Em última análise, parece surgir um círculo vicioso em caso de obesidade grave: a sinalização molecular da microbiota disbiótica poderá contribuir para o agravamento da inflamação do hospedeiro e para a carência de biotina tecidular.

Pistas terapêuticas

Como furar este círculo vicioso? A cirurgia bariátrica, que melhora o metabolismo e a inflamação, promove as bactérias produtoras de biotina. O resultado é uma melhoria da biotina sistémica do hospedeiro. Outra pista: a suplementação alimentar com prebióticos (fibra) e biotina. Em ratos alimentados através de uma dieta rica em gordura, estas duas vias melhoram a diversidade da microbiota intestinal, aumentam a produção bacteriana de biotina e de outras vitaminas do complexo B, limitando o aumento de peso e a deterioração da glicemia. São duas formas de se transformar o círculo vicioso em virtuoso...

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Os AGCC: novos marcadores intestinais da doença de Parkinson?

Os ácidos gordos de cadeia curta (AGCC) são metabolitos da microbiota intestinal cuja implicação na doença de Parkinson já foi evocada, sobretudo nos roedores. O que acontece nos humanos?

O (sidenote: https://parkinsonscare.org.uk/worldparkinsonsday/ ) (11 de abril) é um momento anual em que as associações de pacientes e profissionais reveem o progresso da investigação sobre complexa doença neurodegenerativa ainda sem tratamento. Será, sem dúvida, o caso, este ano, de um novo estudo conduzido por uma equipa de investigadores de Taiwan. Eles pretenderam determinar se os AGCC permitem discriminar os pacientes com Parkinson de indivíduos saudáveis e se havia uma correlação com a gravidade da doença. Para isso, foram analisados os níveis plasmáticos e fecais de vários subtipos de AGCC assim como a microbiota intestinal de 181 participantes (96 pacientes e 85 controlos). Paralelamente, foi também estudado o impacto motor e cognitivo da doença. Os resultados do estudo foram objeto de publicação na revista Neurology no início de 2022.

Diferentes níveis de AGCC fecais e plasmáticos nos pacientes com Parkinson 

Nos pacientes com Parkinson, os resultados mostraram níveis fecais reduzidos de AGCC (ácido butírico, ácido valérico e ácido propiónico) enquanto que os níveis plasmáticos eram superiores relativamente aos indivíduos saudáveis. 
Outra descoberta: as quantidades fecais dos mesmos AGCC foram reduzidas nos pacientes com Parkinson no estado avançado em comparação com pacientes no estado precoce da doença.

Concentrações de AGCC correlacionadas com o grau de gravidade dos sintomas 

Medidas de concentração fecal e plasmática variam segundo a gravidade dos sintomas motores e cognitivos. 

Uma deficiência motora mais grave está correlacionada com uma baixa concentração fecal da maioria dos AGCC associada a uma concentração plasmática aumentada de ácido propiónico.

Os sintomas cognitivos mais importantes estão associados a uma baixa concentração de ácido butírico fecal assim como a concentrações plasmáticas mais elevadas dos ácidos butírico e valérico.

A composição da microbiota dos pacientes também está associada com os AGCC

O estudo mostrou que a diversidade da microbiota dos pacientes com Parkinson era diferente da dos pacientes saudáveis. Este estudo destaca o facto de que as concentrações de AGCC estão correlacionadas com a abundância de bactérias pró-inflamatórias (Clostridiales e Ruminococcus), particularmente para o ácido propiónico. Isto vem confirmar a hipótese de que a inflamação intestinal está positivamente associada com o agravamento da doença.

Concretamente, estes resultados sugerem que os AGCC podem servir de biomarcadores intestinais da doença de Parkinson para além de refletirem o seu grau de gravidade. Um avanço científico interessante que permite um diagnóstico mais preciso e um melhor tratamento dos pacientes.

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Obesidade. Cuidado com a carência das vitaminas B!

Ao contrário das ideias pré-concebidas, a obesidade não rima somente com excesso. A carência em vitamina B8 (biotina) pode provocar um círculo vicioso entre as bactérias intestinais e o paciente obeso. Explicação. 

A microbiota intestinal Obesidade Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal Prebióticos: o essencial para os compreender
Obesity isn't just excess

Apesar de necessárias em pequena quantidade, as vitaminas são fundamentais para a nossa saúde: a carência de vitamina C leva ao escorbuto, causa de morte de tantos marinheiros quando apenas um limão teria sido suficiente para os salvar. Em menor grau, as deficiências cognitivas, a dormência ou a fadiga persistente podem indicar falta de vitamina B. Aliás, esta “função vital” da vitamina encontra-se na sua própria etimologia: “vitamina” vem do latim “vita” que significa vida.

Um motor chamado B8

Na classificação das muito numerosas vitaminas indispensáveis ao bom funcionamento do nosso organismo, encontram-se as do grupo B, entre elas a célebre vitamina B8, também denominada de (sidenote: Biotina Chamada de vitamina B7, ou B8 segundo o país. Esta vitamina desempenha um papel-chave no metabolismo dos glícidos, dos lipídios e dos aminoácidos. Ela intervém também na biossíntese de outras vitaminas (B9 e B12). Diversos alimentos são boas fontes de biotina (cereais integrais, ovos, leite, avelãs...). Esta vitamina também é sintetizada pelas bactérias da flora intestinal. Biotin_NIH National Cancer Institut ) . Uma das principais fontes de biotina é a alimentação mas não só! As bactérias da microbiota intestinal também as fabricam... ou não. Isto tem consequências para a nossa saúde, sobretudo no caso da obesidade.

x11 A obesidade grave foi multiplicada por 11 nos homens

x3 e por 3 nas mulheres entre 1975 e 2014 no mundo.

O círculo vicioso da obesidade

Uma equipa de investigadores acaba de demonstrar que entre pacientes obesos graves ( (sidenote: Índice de Massa Corporal (IMC) IMC o Índice de Massa Corporal avalia a corpulência de uma pessoa, estimando a massa gorda do corpo com recurso ao cálculo da relação entre o peso (kg) e a altura elevada ao quadrado (m2) da pessoa. https://www.nhlbi.nih.gov/health/educational/lose_wt/BMI/bmicalc.htm https://www.euro.who.int/en/health-topics/disease-prevention/nutrition/a-healthy-lifestyle/body-mass-index-bmi ) >35), as bactérias intestinais produtoras e transportadoras de biotina estão ausentes. O seu hospedeiro obeso, cujas necessidades são, no entanto, aumentadas (a vitamina B é necessária para o equilíbrio do tecido adiposo), encontra-se privado desta fonte complementar à alimentação. As experiências em animais destacam que o (sidenote: Regime ocidental Alimentação rica em alimentos transformados, em açúcar refinado, sal, gorduras saturadas (carnes vermelhas) e gorduras trans (produtos panificados) Zinöcker MK, Lindseth IA. The Western Diet-Microbiome-Host Interaction and Its Role in Metabolic Disease. Nutrients. 2018 Mar 17;10(3):365.  ) , fator bem conhecido por favorecer a obesidade, provoca uma diminuição das bactérias intestinais produtoras de biotina, como uma redução dos níveis circulantes desta vitamina no soro. Por outro lado, a inflamação intestinal, observada nos pacientes obesos, limita paradoxalmente a sua absorção uma vez que a vitamina provém dos alimentos.

Assim, instala-se um círculo vicioso no caso da obesidade grave pois a disbiose intestinal agravaria a inflamação (e a obesidade) e a carência tissular da biotina.

Forçar a produção de biotina

Como sair deste círculo vicioso? A cirurgia da obesidade (ou bariátrica) que melhora o metabolismo e a inflamação, favorece as bactérias produtoras de biotina com um aumento - pelo menos durante o primeiro ano - das taxas de biotina circulantes no corpo. Outra pista: suplementos com pré-bióticos (fibras do tipo fruto-oligosacarídeos) e biotina. Testados em ratos alimentados com uma dieta rica em gordura, melhora a diversidade da microbiota intestinal, aumenta a produção bacteriana de biotina e outras vitaminas B, ao mesmo tempo que limita o ganho de peso e a deterioração da glicemia.

A microbiota intestinal

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"Interessante" - Comentário traduzido de Christine Lange (Da My health, my microbiota

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Esclerose em placas e microbiota: o consumo de carne tem impacto?

Doença neurodegenerativa autoimune, a esclerose em placas (EM) afeta 2,5 milhões de pessoas em todo o mundo. Um recente estudo publicado no eBioMedicine, destaca uma rede de associações entre o consumo de carne, o aumento de certos metabolitos no sangue, marcadores pró-inflamatórios e uma diminuição das bactérias digestoras de polissacarídeos nos pacientes com esta doença. Explicações. 

Se as últimas pesquisas recentemente revelaram uma implicação da microbiota intestinal (MI) na patogénese da EM, estes mecanismos ainda permanecem desconhecidos.

Uma abordagem multiómica inédita

Pela primeira vez, uma equipa de investigação interessou-se pelas interligações entre o regime alimentar, o sistema imunitário, o metabolismo e a microbiota intestinal no desenvolvimento e na progressão da EM. Para isso, foi utilizada uma metodologia multiómica.

Esta abordagem inédita foi objeto de um estudo de 6 meses. O sangue e as fezes de 49 participantes (24 pacientes com EM e não tratados e 25 indivíduos não doentes) foram colhidos no início do estudo e 6 meses mais tarde. Os perfis metabólicos como a MI de todos os pacientes mantiveram-se estáveis durante mais de 6 meses. Foi também solicitado que cada paciente registasse o que comiam em cada refeição.

Relações alteradas entre a microbiota intestinal e o sistema imunitário nos pacientes com EM

Estudos anteriores mostraram constatações similares, ou seja que a estrutura das comunidades bacterianas é globalmente similar entre os dois grupos. Entretanto, os pacientes com EM apresentavam uma abundância mais fraca de bactérias com propriedades imunomoduladoras. Para além disso, o grau de invalidez dos pacientes e as suas microbiotas eram diferentes sugerindo que algumas espécies poderiam estar associadas à gravidade da doença. 

Os resultados das análises multiómicas sugerem também disfunções na homeostasia das relações microbioma - sistema imunitário. De facto, uma dissociação das interações entre as células imunitárias e o microbioma como também uma modificação do perfil metabólico sanguíneo foram observadas no grupo de pacientes afetados pela EM.

Consumo de carne: é uma explicação possível? 

O estudo do diário alimentar dos participantes desempenhou um papel chave no processo.

Na realidade, verificou-se que o consumo de carne era superior nos pacientes afetados pela EM. Este consumo estava correlacionado com um aumento da quantidade de células Th17, implicadas no processo da autoimunidade e da S-adenosil-L-metionina (SAM), um metabolito produzido a partir da metionina (aminoácido enriquecido na carne) e implicado na ativação das células Th17. Em contrapartida, os pacientes com EM tinham uma proporção reduzida de B. thetaiotaomicron, uma bactéria conhecida pela sua grande capacidade de digerir polissacarídeos.

Uma potencial nova terapêutica? 

Estes dados destacam as vias de interação entre a alimentação, a microbiota intestinal, a resposta imunitária e o metaboloma sanguíneo através da B. thetaiotaomicron, Th17 e SAM. Para os autores, estes resultados podem sugerir que uma restrição alimentar em carne ou metionina poderia fazer diminuir o número de células inflamatórias circulantes Th17 nos pacientes com EM

Compreender melhor as vias de regulação entre a alimentação, os metabolitos, a resposta imunitária e a microbiota pode permitir o agravamento da esclerose em placas. Aqui estão todas as questões deste estudo com resultados promissores que poderiam o caminho a novos alvos terapêuticos. Este estudo, que tem sido divulgado na imprensa médica, é de particular interesse clínico e será discutido no Dia Mundial da EM, no próximo dia 30 de maio.

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Noticias Gastroenterologia

Xpeer: Microbiota intestinal na Gestão dos Sintomas Gastrointestinais

Junte-se ao Dr. Eamonn Quigley, neste curso gratuito de educação médica contínua, enquanto ele analisa os dados mais recentes e interessantes sobre a "interação entre a microbiota e os sintomas gastrointestinais".

SII
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Eamonn Quigley - Gut microbiota in the management of gastrointestinal symptoms

VERSÃO ACTUALIZADA DE 2025

Este curso foi totalmente atualizado em 2025! Veja-o! 

44% Apenas 2 em cada 5 pessoas dizem ter sido informadas pelo seu médico sobre os comportamentos corretos a adotar para manter uma microbiota equilibrada

Sinopse do curso:

A microbiota afecta os sintomas da IG? A resposta é sim, como amplamente demonstrado na literatura. Mas então, podemos utilizar a microbiota para tratar os sintomas de IG? Junte-se ao Dr. Eamonn Quigley nesta revisão dos dados mais recentes e interessantes sobre a interacção entre a microbiota e os sintomas da IG. Iremos rever os efeitos do microbioma nos sintomas GI superiores e inferiores (concentrando-nos na SII), hábito intestinal, inchaço, flatulência e distensão, e receberemos algumas dicas práticas para prestar os melhores cuidados aos nossos pacientes com sintomas GI. Você vai perder isto? Subvenção irrestrita da Biocodex

Quem é o Eamonn Quigley?

  • Eamonn Quigley, MD, FRCP, FACP, MACG, FRCPI, MWGO, gastroenterologista, David M. Underwood Chair of Medicine in Digestive Disorders, chefe da Divisão de Gastroenterologia e Hepatologia, e um Professor de Medicina no Weill Cornell Medical College do Hospital Metodista de Houston.
  • Foi Presidente da Organização Mundial de Gastroenterologia de 2005 a 2009 e Presidente do Colégio Americano de Gastroenterologia de 2008 a 2009. Foi editor-chefe do The American Journal of Gastroenterology de 1997 a 2003. Publicou mais de 800 artigos revistos por pares, críticas, editoriais, capítulos de livros e relatos de casos, principalmente nas áreas de motilidade intestinal, perturbações gastrointestinais funcionais, e GERD.
  • Declaração de Conflitos de Interesses: O autor relata ter recebido subsídios/apoios de investigação da 4D Pharma, Biomerica, e Vibrant, ter recebido honorários ou taxas de consulta da Novozymes, Biocodex, Preciosionbiotics, e Salix, e ter participado num gabinete de oradores patrocinado pela Biocodex.

A respeito da Xpeer

Xpeer Medical Education é a primeira aplicação de formação clínica acreditada do mercado, com cativantes vídeos de microaprendizagem de apenas 5 minutos.

Com um poderoso algoritmo para personalização da experiência do utilizador e dos conteúdos, inspirado no das mais populares plataformas de vídeo em streaming, oferece uma experiência totalmente renovada para a formação contínua e o desenvolvimento profissional dos profissionais de saúde.

Credenciada pela União Europeia de Médicos Especialistas, oferece componentes de formação clínica de elevada qualidade científica. Na Xpeer poderá encontrar este programa sobre a Microbiota e 500 horas de formação clínica de 2021 na sua especialidade, tecnologias, e competências profissionais e pessoais.

Mais informações sobre as acreditações:

A aplicação Xpeer é credenciada pelo European Accreditation Council for Continuing Medical Education (EACCME®) e atribui créditos ECMEC oficialmente reconhecidos em 26 países.

Os participantes do módulo obtêm 1 crédito FMF Europeu (ECMEC) por cada hora de formação (60 minutos úteis de e-learning, excluindo as introduções...). Este crédito é atribuído após a conclusão do módulo e a avaliação correspondente validada pelos participantes.

Recomendado pela nossa comunidade

"Bom trabalho"  -@SnHQuang2 (Da Biocodex Microbiota Institute em X)

"Eu gosto disso"  -@CnBalinh (Da Biocodex Microbiota Institute em X)

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