Preocupados em oferecer a melhor experiência possível a todos os nossos usuários, o Biocodex Microbiota Institute torna a navegação do seu site acessível para pessoas com deficiência.
Estamos firmemente convencidos de que a web deve ser disponível e acessível atodos, e estamos comprometidos em fornecer um site acessível ao maior número possível de pessoas, independentemente das circunstâncias e habilidades. Em um esforço de otimização contínua que faz parte da política geral do grupo em prol da diversidade, nos associamos à AccessiWay. Consultar o site da AccessiWay
Com essa colaboração, desejamos nos envolver nesse esforço cidadão e solidário a longo prazo. Durante essa transição digital e com o apoio da AccessiWay, estamos comprometidos, nos anos vindouros, a melhorar a acessibilidade digital do nosso site.
Na data de 22/09/2023, o site www.biocodexmicrobiotainstitute.com tem uma taxa de conformidade com o RGAA 4.1 de 70,77% e está Parcialmente em conformidade.
A acessibilidade digital significa que pessoas com deficiência podem usar a Web. Mais especificamente, que podem perceber, entender, navegar e interagir com a Web, e que podem contribuir para a Web. A acessibilidade digital também beneficia outros, incluindo idosos cujas habilidades mudam com a idade. A acessibilidade da Web abrange todas as deficiências que afetam o acesso, sejam elas visuais, cognitivas ou motoras
Um site acessível permite, por exemplo:
Navegar com um sintetizador de voz e/ou uma linha Braille (usadosespecialmente por pessoas cegas e com baixa visão);
personalizar a exibição do site de acordo com suas necessidades (ampliação de caracteres, alteração de cores, etc.);
navegar sem usar o mouse (apenas com o teclado, via tela sensível ao toque, por comando de voz ou qualquer outro dispositivo adaptado).
Para isso, o site deve cumprir as normas vigentes durante sua criação e atualizações subsequentes.
Ajuda à navegação com o AccessWidget
O AccessWidget melhora a acessibilidade dos sites para usuários com uma ampla gama de deficiências (cegos e deficientes visuais, pessoas com deficiências cognitivas, motoras, epilepsia, etc.), em conformidade com as diretrizes WCAG 2.2, regulamentações europeias e francesas (RGAA 4.1).
Para isso, a AccessiWay combina serviços de consultoria em acessibilidade digital e uma aplicação baseada em inteligência artificial que opera em segundo plano para otimizar constantemente o nível de acessibilidade.
As melhorias notáveis são:
Navegação com leitor de tela e teclado:
Implementação da técnica de atributos WAI-ARIA (Accessible Rich Internet Applications), bem como várias modificações comportamentais, para garantir que usuários cegos que visitam o site com leitores de tela possam ler, entender e aproveitar todas as funções do site.
Otimização da navegação com teclado:
O processo em segundo plano também ajusta o código HTML do site e adiciona vários comportamentos usando JavaScript para tornar o site utilizável com um teclado. Assim, é possível navegar no site usando as teclas Tab e Shift+Tab, usar listas suspensas com as teclas de seta, fechá-las com Esc e acionar botões e links usando a tecla Enter.
Perfis ativáveis:
Perfil de segurança para pessoas com epilepsia: este perfil permite que pessoas com epilepsia usem o site com segurança, eliminando o risco de convulsões causadas por animações piscantes e combinações de cores arriscadas.
Perfil para pessoas com deficiência visual: este perfil adapta o site para ser acessível à maioria das deficiências visuais, como deterioração da visão, visão em túnel, catarata, glaucoma, etc.
Perfil adequado para distúrbios cognitivos: este perfil oferece várias funções de assistência para ajudar usuários com deficiências cognitivas, como autismo, dislexia, AVC, entre outros, a se concentrarem mais facilmente nos elementos essenciais.
Perfil adequado para pessoas hiperativas: este perfil reduz significativamente distrações e ruídos, para ajudar pessoas com TDAH e distúrbios do desenvolvimento neurológico a navegar, ler e focar nos elementos essenciais mais facilmente.
Perfil adequado para cegos (leitor de tela): este perfil adapta o site para ser compatível com leitores de tela como JAWS, NVDA, VoiceOver e TalkBack.
Perfil adequado para deficiências motoras (navegação por teclado): este perfil permite que pessoas com mobilidade reduzida usem o site com o teclado e as teclas Tab, Shift + Tab e Enter. Os usuários também podem usar atalhos como “M” (menus), “H” (cabeçalhos), “F” (formulários), “B” (botões) e “G” (gráficos) para acessar elementos específicos.
Ajustes adicionais na interface do usuário, design e legibilidade:
Ajustes de fonte: os usuários podem aumentar e diminuir o tamanho da fonte, mudar sua família (tipo), ajustar o espaçamento, o alinhamento, a altura da linha, etc.
Ajustes de cor: os usuários podem selecionar diferentes perfis de contraste de cores, como claro, escuro, invertido e monocromático. Além disso, os usuários podem trocar os esquemas de cores dos títulos, textos e fundos, com mais de 7 opções diferentes de coloração.
Animações: usuários com epilepsia podem parar todas as animações em execução clicando em um botão. As animações controladas pela interface incluem vídeos, GIFs e transições CSS piscantes.
Distúrbios cognitivos: a AccessiWay usa um mecanismo de pesquisa vinculado à Wikipédia e ao Wiktionary, permitindo que pessoas com deficiências cognitivas decifrem o significado de frases, iniciais, gírias, etc.
Destaque de conteúdo: os usuários podem optar por destacar elementos importantes como links e títulos. Eles também podem escolher destacar apenas os elementos focados ou passados com o mouse.
Silenciamento de áudio: usuários com aparelhos auditivos podem sofrer de dores de cabeça ou outros problemas devido à reprodução automática de áudio. Essa opção permite aos usuários silenciar instantaneamente todo o áudio do site.
Funções adicionais: a AccessiWay oferece aos usuários a opção de modificar a
cor e o tamanho do cursor, usar um modo de impressão, ativar um teclado
virtual, e muitas outras funções.
Comentários e contato
Se você não consegue acessar um conteúdo ou um serviço, pode enviar uma mensagem para contact@biocodexmicrobiotainstitute.com para ser direcionado a uma alternativa acessível ou para obter o conteúdo em outro formato.
Caminhos de recurso
Use este procedimento no seguinte caso:
Você notificou o responsável pelo site sobre uma falha de acessibilidade que o impede de acessar um conteúdo ou um dos serviços do portal e não obteve uma resposta satisfatória.
Escreva uma mensagem para o Defensor dos Direitos: https://formulaire.defenseurdesdroits.fr/
Contate o delegado do Defensor dos Direitos em sua região: https://www.defenseurdesdroits.fr/saisir/delegues
Envie uma carta pelo correio (gratuito, não é necessário selo)
Defensor dos Direitos
Resposta Livre 71120
75342 Paris CEDEX 07
O Biocodex Microbiota Institute compromete-se a tornar seus sites de internet, intranet, extranet e seus programas de software acessíveis (bem como suas aplicações móveis e mobiliário urbano digital) de acordo com o artigo 47 da lei no 2005-102 de 11 de fevereiro de 2005. Valorizamos a inclusão e a diversidade e garantimos que nosso site web: https://www.biocodexmicrobiotainstitute.com seja acessível a todos, especialmente às pessoas com deficiência.
Nesta abordagem de acessibilidade digital, estamos orgulhosos de colaborar com a Accessiway.
Estamos firmemente comprometidos com uma web para todos. Aspiramos, com uma
visão de longo prazo e responsável, a atender plenamente aos requisitos
regulamentares, incluindo o RGAA 4.1.
Para esse fim, o Biocodex Microbiota Institute implementa a seguinte estratégia e ações:
Esquema plurianual de acessibilidade 2023-2024: Em processo de redação.
Plano de ações 2023-2024: Em processo de redação.
Estado de Conformidade
O site web: https://www.biocodexmicrobiotainstitute.com tem uma taxa de acessibilidade de 70,77%
portanto, é Parcialmente conforme com o referencial geral de melhoria da acessibilidade (RGAA), versão 4, devido às não conformidades e isenções listadas abaixo.
Resultados dos Testes
A auditoria de conformidade realizada em 20 de setembro de 2023 pela AccessiWay revela que 70,77% dos critérios do RGAA versão 4 são atendidos;
Detalhes dos resultados:
Número de critérios em conformidade: 41
Número de critérios não conformes: 24
Número de critérios não aplicáveis: 41
Conteúdos não acessíveis
Critérios
1.1: Cada imagem que carrega informação possui uma alternativa textual?
1.2: Cada imagem de decoração é corretamente ignorada pelas tecnologias de assistência
1.3: Para cada imagem que carrega informação com uma alternativa textual, essa alternativa é relevante (exceto em casos especiais)?
1.8: Cada imagem de texto que carrega informação, na ausência de um mecanismo de substituição, deve ser, se possível, substituída por texto estilizado. Esta regra é respeitada (exceto em casos especiais)?
2.1: Cada quadro possui um título?
3.1: Em cada página da web, a informação não é dada apenas pela cor. Esta regra é respeitada?
3.2: Em cada página da web, o contraste entre a cor do texto e a cor do seu fundo é suficientemente alto (exceto em casos especiais)?
3.3: Em cada página da web, as cores usadas nos componentes da interface ou nos elementos gráficos que carregam informação são suficientemente contrastantes (exceto em casos especiais)?
6.1: Cada link é explícito (exceto em casos especiais)?
7.1: Cada script é, se necessário, compatível com as tecnologias de assistência?
7.3: Cada script pode ser controlado pelo teclado e por qualquer dispositivo
apontador (exceto em casos especiais)?
7.5: Em cada página da web, as mensagens de status são corretamente
apresentadas pelas tecnologias de assistência?
8.2: Para cada página da web, o código-fonte gerado é válido de acordo com o tipo de documento especificado (exceto em casos especiais)?
8.8: Em cada página da web, o código de língua para cada mudança de língua é válido e relevante?
9.1: Em cada página da web, a informação é estruturada pelo uso apropriado de
títulos?
9.2: Em cada página da web, a estrutura do documento é consistente (exceto em casos especiais)?
9.4: Em cada página da web, cada citação é corretamente indicada?
10.4: Em cada página da web, o texto permanece legível quando o tamanho dos caracteres é aumentado até 200%, pelo menos (exceto em casos especiais)?
10.7: Em cada página da web, para cada elemento que recebe o foco, o foco é
visível?
11.1: Cada campo do formulário possui uma etiqueta?
12.2: Em cada conjunto de páginas, o menu e as barras de navegação estão
sempre no mesmo lugar (exceto em casos especiais)?
12.8: Em cada página da web, a ordem de tabulação é consistente?
13.2: Em cada página da web, a abertura de uma nova janela não é acionada semação do usuário. Esta regra é respeitada?
13.4: Para cada documento de escritório com uma versão acessível, essa versão oferece a mesma informação?
Isenções devido a carga desproporcional
Nenhum conteúdo a mencionar
Conteúdos não sujeitos à obrigação de acessibilidade
Nenhum conteúdo a mencionar
Elaboração desta declaração de acessibilidade
Esta declaração foi estabelecida em 20 de setembro de 2023.
Tecnologias utilizadas para a criação do site
HTML5
CSS
Javascript
Ambiente de teste
Sistemas Operativos
Apple Mac Os X 13.4
Microsoft Windows 11
Apple Ios 16
Google Android 13
Navegadores e softwares
Nas últimas versões disponíveis nos diferentes sistemas operativos:
Google Chrome
Windows Edge
Safari
Brave
Adobe Acrobat Reader / Preview on Mac (apenas para PDFs)
Ferramentas para avaliar a acessibilidade
Tools
Emulações de mouse, lentes de aumento e teclados na tela dos diferentes
sistemas.
Voiceover (apenas sistemas Apple)
Talkback (apenas Android)
NVDA 2023 e Freedom Scientific Jaws 2022 (apenas sistemas PC)
Tanaguru webext RGAA4
Assistente RGAA
Ferramentas de avaliação gráfica presentes nos diferentes sistemas (cores, contrastes, legendas, etc.)
Páginas do site que foram verificadas quanto à conformidade
Se você não conseguir acessar um conteúdo ou serviço, pode entrar em contato com o responsável do Biocodex Microbiota Institute para ser direcionado a uma alternativa acessível ou obter o conteúdo em outro formato.
Se você identificar uma falha de acessibilidade que o impeça de acessar um conteúdo ou funcionalidade do site, e após nos informar não obtiver uma resposta satisfatória, tem o direito de enviar suas reclamações ou um pedido de intervenção ao Defensor dos Direitos.
Vários meios estão à sua disposição:
Escreva uma mensagem para o Defensor dos Direitos
Contacte o delegado do Defensor dos Direitos na sua região
Envie uma carta pelo correio (grátis, não coloque selo)
Defensor dos Direitos
Resposta Livre 71120 75342 Paris CEDEX 07
E se a endometriose, que deixa raparigas e mulheres jovens acamadas em cada ciclo menstrual, fosse em breve uma memória distante (e má) para algumas delas? Esta é a esperança suscitada por um estudo japonês 1 publicado em 2023...
Há uma enorme esperança para todas as mulheres que sofrem de (sidenote:
Endometriose
A endometriose é uma doença ginecológica crónica ligada à presença de um tecido semelhante à mucosa uterina que se desenvolve fora da cavidade uterina, nomeadamente no peritoneu e nos ovários.
): uma bactéria do género (sidenote:
Fusobacterium
Género de bactérias filamentosas que vivem na boca (placa dentária), no sistema digestivo, na vagina e, em menor grau, na cavidade uterina. Esta bactéria patogénica está implicada na periodontite (inflamação na base do dente) e no cancro colorretal.
) pode estar envolvida e, por isso, ser visada. Em particular, um simples tratamento com antibióticos poderá reduzir esta bactéria patogénica e diminuir as lesões dolorosas.
1 em cada 10
mulheres ou mesmo 1/7 ou 1/5 das mesmas em idade fértil são afetadas pela endometriose.
Cerca de 1 em cada 2 mulheres
não sabe exatamente o que é a flora vaginal.
Investigadores japoneses da Universidade de Nagoia 2 demonstraram que, em ratos de laboratório utilizados como modelos, a inoculação da vagina dos roedores com bactérias do género Fusobacterium induziu lesões típicas da endometriose, que eram mais numerosas e mais graves do que nos ratos de controlo. Isto implica a bactéria na génese da doença..., mas também aponta para possíveis soluções: um tratamento antibiótico dirigido a esta bactéria reduziu o tamanho e o número de lesões nestes ratinhos! Esta descoberta faz-nos esperar que este tratamento antibiótico possa também ser eficaz nas mulheres.
“A erradicação desta bactéria através de um tratamento antibiótico poderá representar uma abordagem terapêutica para a endometriose em mulheres infetadas com Fusobacterium, que podem ser facilmente identificadas por uma zaragatoa vaginal ou uterina.”
Prof. Yutaka Kondo, da Universidade de Nagoia, autor principal do estudo
Mas ainda não é tudo. A equipa japonesa realizou numerosas experiências para tentar compreender os mecanismos envolvidos. Na sequência do seu meticuloso trabalho, avançaram com a seguinte hipótese: em resposta à presença da bactéria Fusobacterium no útero, o sistema imunitário das mulheres será ativado, envolvendo uma cascata de reações que levam à produção de uma proteína chamada transgelina, que promove o desenvolvimento da endometriose.
Enquanto se aguardam resultados, não tome antibióticos sem receita e aconselhamento médicos. Se os utilizarmos de forma incorreta, corremos o risco de reduzir a sua eficácia para o dia em que realmente precisarmos deles!
Antibióticos
Os antibióticos devem ser utilizados com precaução e apenas mediante aconselhamento médico 4 .
E se amanhã um simples tratamento com antibióticos pudesse curar as mulheres que sofrem de endometriose? Esta é a sugestão de um estudo japonês publicado em 2023, que incrimina a Fusobacterium na génese da doença.
A endometriose afeta 10 a 15% das mulheres em idade fértil. Causa dor crónica, hipofertilidade e até infertilidade. Foram avançadas várias hipóteses para explicar a sua causa, onde se inclui a menstruação retrógrada. Mas suspeita-se da existência de outros mecanismos. De acordo com os trabalhos de uma equipa japonesa, a microbiota da cavidade uterina pode estar envolvida, em particular a bactéria Fusobacterium, um agente patogénico oportunista pró-inflamatório.
1 em cada 10 mulheres
Pensa-se que 1 em cada 10 mulheres é afetada pela endometriose.
49%
Apenas 1 em cada 2 mulheres sabe o que é exatamente a flora vaginal
Fusobacterium na origem de uma resposta inflamatória?
A análise de tecidos colhidos durante a histerectomia de 79 pacientes que sofriam de endometriose revelou uma presença mais frequente de bactérias do género Fusobacterium no endométrio uterino e nos fibroblastos dos ovários, em comparação com 76 controlos sem endometriose (amostras colhidas durante cirurgias por displasia endocervical, adenomiose, etc.). De facto, detetou-se Fusobacterium presente no endométrio de 64,3% das pacientes com a doença, em comparação com 7,1% dos controlos saudáveis.
Além disso, as amostras vaginais mostraram um aumento da presença desta bactéria na esfera vaginal das mulheres que sofriam de endometriose. O que reforça a hipótese já avançada da participação da microbiota vaginal na patogénese da doença, tendo em conta que a microbiota digestiva também parece estar implicada.
Acima de tudo, a inoculação vaginal de Fusobacterium num modelo de rato com endometriose resulta num aumento acentuado dos fibroblastos e num agravamento do número e do peso das lesões, ao contrário de outras bactérias como Lactobacillus iners ou Escherichia coli.
Estudos complementares permitem aos autores propor o seguinte cenário: a infeção das células endometriais por Fusobacterium leva à produção do fator de crescimento TGF-β1 pelos macrófagos, o que induz a transição dos fibroblastos de um estado de repouso para um estado ativado, no qual expressam uma proteína citoplasmática denominada transgelina (TAGLN), que promove a proliferação, migração e adesão destes fibroblastos fora do endométrio. Este mecanismo parece confirmar-se no ser humano: A TAGLN está também sobre expressa nos fibroblastos das pacientes, promovendo a sua proliferação e motilidade.
Tratamento por antibióticos?
Finalmente, os investigadores testaram um tratamento vaginal com antibióticos de amplo espetro (metronidazol e cloranfenicol) em animais durante 21 dias, com o objetivo de erradicar a F. nucleatum. Administrado no momento da inoculação dos ratinhos com Fusobacterium ou mais tarde (quando as lesões já cresceram), o tratamento limita a expressão de F. nucleatum, TGF-β1 e TAGLN e reduz o número e o peso das lesões. Que esperança existe para uma futura abordagem ao tratamento da endometriose? Há um ensaio clínico a decorrer em 2023 para investigar os efeitos dos antibióticos nas mulheres que sofrem de endometriose. Os seus resultados poderão um dia tornar possível a prescrição de um antibiótico a pacientes que sofram de endometriose e estejam infetadas por esta bactéria.
Considerado o “segundo cérebro”, o nosso intestino dialoga constantemente com o nosso cérebro e vice-versa. É a isso que chamamos eixo intestino-cérebro. A disfunção deste eixo poderá estar implicada em grande número de perturbações gastrointestinais, doenças metabólicas, doenças neurodegenerativas e doenças neuropsiquiátricas, bem como em certas doenças de pele...
Nesta página, contamos tudo sobre o eixo intestino-cérebro, a sua descoberta, o papel da microbiota, como essa comunicação pode ser interrompida e quais as doenças associadas. E também como podemos intervir nele.
100 milhões
O sistema nervoso do intestino contém mais de 100 milhões de neurónios
O cérebro
Órgão complexo, o cérebro1,2 é capaz não só de integrar informações provenientes de todas as partes do corpo, mas também de controlar o pensamento, a memória, as emoções, o tato, a motricidade, a visão, a respiração, a temperatura, a fome e todos os restantes mecanismos que regulam o nosso corpo. Graças a uma rede interligada de 100 mil milhões de neurónios, o cérebro é o verdadeiro regente de orquestra do nosso corpo.
O que é o sistema nervoso?
O sistema nervoso3é composto por duas partes principais:
Sistema nervoso central, composto pelo cérebro e pela medula espinal.
Sistema nervoso periférico, constituído por nervos que vão da medula espinal a todas as partes do corpo.
O sistema nervoso transmite sinais entre o cérebro e o resto do corpo, incluindo os órgãos internos.
O sistema nervoso entérico (SNE), um "segundo cérebro" no seio dos nossos intestinos4,5
O sistema nervoso entérico (SNE) é o sistema nervoso específico do intestino. Constituído por uma rede de neurónios que revestem as paredes do trato gastrointestinal, controla a atividade sensorial, motora, secretora e imunitária do sistema digestivo.
Está com borboletas no estômago? Sente um nó nas tripas? Ou será que ler este artigo lhe dá dores de barriga? Existem estas e tantas outras expressões populares que fazem parte da nossa linguagem quotidiana e que refletem, sem que nos apercebamos, a existência de uma ligação entre o cérebro e a barriga.
Já sabia?
Diz-se que o intestino é o nosso segundo cérebro, mas sabe porquê?5,6
É porque o sistema nervoso do intestino contém mais de 100 milhões de neurónios e é muito semelhante ao cérebro em termos de complexidade e de funcionalidade (neurotransmissores e moléculas sinalizadoras).
Historicamente, o primeiro relato documentado de uma possível ligação entre o intestino e o cérebro remonta ao século XIX.7
Foi um comerciante de peles que, apesar de tudo, fez avançar a ciência, e cujas desventuras levaram à descoberta de uma ligação entre as emoções e a fisiologia intestinal8,9. Alexis St. Martin tinha sido acidentalmente baleado no estômago à queima-roupa. Foi tratado pelo cirurgião do exército americano Dr. William Beaumont. A cirurgia terminou por deixar esse paciente com uma (sidenote:
Fístula
Uma fístula é uma ligação anormal entre um órgão do sistema gastrointestinal e a pele.
)e o Dr. Beaumont aproveitou para observar o intestino: a digestão humana em tempo real!!
Foi no decurso dessas suas observações que ele se apercebeu que o processo digestivo do seu paciente era afetado pelo respetivo estado emocional, quando estava zangado ou irritado, e que existia, portanto, um eixo cérebro-intestino8. Seguiram-se outros estudos científicos, os quais demonstraram que a comunicação entre o intestino e o cérebro era um processo bidirecional – do intestino para o cérebro e do cérebro para o intestino – e que a microbiota intestinal desempenhava um papel fundamental nestas trocas8,10,11.
O que é o eixo intestino-cérebro?
O eixo intestino-cérebro pode definir-se como uma rede de comunicação bidirecional entre o intestino e o cérebro, com o intestino a enviar mensagens para o cérebro e vice-versa. A comunicação efetua-se através de três canais diferentes8,12:
a via neuronal (neurónios), principalmente através do nervo vago e do sistema nervoso entérico,
a via endócrina por secreção de hormonas como o (sidenote:
Cortisol
O cortisol é conhecido como a hormona do stress. Participa na resposta ao stress, quer físico, quer emocional. O cortisol está igualmente envolvido na manutenção do equilíbrio de certas funções fisiológicas, como a tensão arterial, o sistema imunitário, o metabolismo das proteínas, dos glúcidos e das gorduras e a ação anti-inflamatória.
Katsu Y, Iguchi T, Subchapter 95D - Cortisol. In Ando H, Kazuyoshi U, and Shinji N, eds. Handbook of hormones: comparative endocrinology for basic and clinical research. Pages 533-e95D-2 Academic Press, 2021.
https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/B9780128010280002312), a (sidenote:
Adrenalina
A adrenalina, também conhecida como epinefrina, é uma hormona segregada pelas glândulas suprarrenais e libertada na corrente sanguínea em caso de stress intenso, perigo ou emoções fortes. Prepara o corpo para lutar ou fugir do perigo.
https://my.clevelandclinic.org/health/body/23038-adrenaline) ou a serotonina
a via do sistema imunitário, através da modulação das citocinas
O eixo intestino-cérebro afeta o nosso comportamento, a cognição (memória), as emoções, o humor, os desejos e a perceção, entre outras áreas.
90%
As células do intestino são responsáveis por mais de 90% da produção de serotonina do organismo
Já sabia?
As células do intestino são responsáveis por mais de 90% da produção de serotonina do organismo – a serotonina é um neurotransmissor que pode afetar o humor e as sensações de felicidade e prazer, bem como o apetite8,13,14.Os restantes 10% são produzidos no cérebro por determinados neurónios denominados "serotoninérgicos"15. Certas bactérias da microbiota intestinal podem afetar a produção de serotonina no intestino8,16.
Imagem
A microbiota desempenha um papel na comunicação entre o intestino e o cérebro?
Pode-se dizer que a microbiota é o terceiro interveniente no eixo intestino-cérebro, também conhecido como eixo Microbiota-Intestino-Cérebro (MIC)17.
O cérebro, o intestino e a microbiota intestinal compõem os três nós da rede Microbiota-Intestinal-Cérebro. Todos os nós estão interligados uns aos outros e interagem de forma bidirecional. A microbiota intestinal pode comunicar com o cérebro diretamente através da secreção de moléculas sinalizadoras como os (sidenote:
Neurotransmissores
Moléculas específicas que permitem uma comunicação entre os neurónios (as células nervosas do cérebro), mas também com as bactérias da microbiota. São produzidas tanto pelas células do indivíduo como pelas bactérias da microbiota.
Baj A, Moro E, Bistoletti M, Orlandi V, Crema F, Giaroni C. Glutamatergic Signaling Along The Microbiota-Gut-Brain Axis. Int J Mol Sci. 2019;20(6):1482.) ou os (sidenote:
Ácidos gordos de cadeia curta (AGCC)
Os ácidos gordos de cadeia curta são uma fontede energia (carburante) das células do indivíduo, interagem com o sistema imunitário e estão envolvidos na comunicação entre o intestino e o cérebro.
Silva YP, Bernardi A, Frozza RL. The Role of Short-Chain Fatty Acids From Gut Microbiota in Gut-Brain Communication. Front Endocrinol (Lausanne). 2020;11:25.), ou indiretamente como intermediárias, interagindo com as células intestinais para comunicar com o cérebro. Da mesma forma, o cérebro pode modular a microbiota direta ou indiretamente, modulando a fisiologia do intestino para modificar o ambiente microbiano.
Quais são os fatores que podem influenciar a comunicação entre o intestino e o cérebro?
Sabe-se que muitos fatores afetam o diálogo entre o intestino e o cérebro8:
- A alimentação e, em particular, certos alimentos como o chocolate, podem regular o nosso humor. A dieta mediterrânica também é conhecida pelos seus efeitos benéficos para a memória e para a saúde em geral. Por outro lado, deve-se ter cuidado com o que se põe no prato e limitar o consumo de alimentos processados ricos em aditivos. Um estudo recente em roedores sugere que estes podem estar na origem de certos transtornos psicocomportamentais (ansiedade, sociabilidade, etc.).
- A prática regular de atividade física tem abundantes efeitos positivos na saúde. A atividade física contribuirá igualmente para a boa saúde cerebral. Múltiplos estudos científicos já demonstraram que existe uma ligação entre o nosso sistema cognitivo e o nosso nível de atividade física
- O ambiente em que vivemos é também um dos fatores com maior impacto na nossa saúde e na nossa microbiota. Assim, a poluição conduzirá a um maior risco de doenças respiratórias, cancros e problemas cognitivos.
- Certos medicamentos, e os antibióticos em particular, poderão influenciar o desenvolvimento do sistema nervoso da criança e contribuir para certas doenças.
- Estudos científicos demonstraram que os primeiros anos de vida e o tipo de parto têm um grande impacto na microbiota dos nossos filhos e, consequentemente, no seu eixo intestino-cérebro. De facto, vários estudos mostram uma ligação entre o parto por cesariana e um risco acrescido de se vir a desenvolver várias afeções, incluindo a obesidade, bem como doenças do sistema imunitário, como a asma e outras alergias.8 O stress pré-natal terá também impacto, não só na microbiota da criança, na sua composição e no seu desenvolvimento neurológico, mas também na gravidez, aumentando o risco de parto prematuro.18
- O stress e o medo são também fatores comportamentais que afetam a nossa microbiota e no eixo intestino-cérebro.
- A forma como nos comportamos estará assim ligada à nossa microbiota? É isso o que alguns estudos sugerem... Ela será uma garantia de boa saúde emocional, responsável pela nossa libido e pelo nosso desejo. Mas também, em alguns casos, influenciará os nossos vícios e comportamentos de dependência.
- Tanto para jovens como para idosos, a microbiota intestinal também terá uma palavra a dizer no sono e no ritmo circadiano
O que é que acontece quando a comunicação entre o intestino e o cérebro é alterada?
Pensa-se que a perturbação do eixo intestino-cérebro estará envolvida em diversas doenças.
Por perturbação deste eixo, entende-se uma má comunicação entre o cérebro e o intestino: ou os sinais enviados são errados, ou as mensagens enviadas são mal compreendidas, ou são interpretadas de forma excessiva... Em suma, o par intestino-cérebro já não se entende. A investigação está a fazer progressos na compreensão do eixo intestino-cérebro e aponta para o envolvimento da microbiota intestinal numa lista crescente de doenças8,17
Segue-se uma lista não exaustiva de doenças em que se pensa estar envolvida uma perturbação do eixo intestino-cérebro.
Examinemos mais de perto algumas dessas patologias:
AFEÇÕES GASTROINTESTINAIS
Síndrome do cólon irritável (SCI)
A síndrome do cólon irritável (SCI) é a patologia mais frequente atribuível ao eixo intestino-cérebro, anteriormente conhecida por "doença funcional do intestino". Caracteriza-se por dores abdominais recorrentes, distensão abdominal, problemas do trânsito intestinal, etc.
Dispepsia funcional
A dispepsia funcional é uma forma de indigestão crónica - dor de estômago, sensação de plenitude ou distensão abdominal durante e após as refeições. Também faz parte das perturbações da interação entre o intestino e o cérebro.19,20
Doenças inflamatórias crónicas do intestino (DICI)
Estudos recentes mostraram o envolvimento do eixo intestino-cérebro na DICI21,22, o que pode influenciar tanto o desenvolvimento da doença quanto a saúde mental.
DOENÇAS METABÓLICAS
Diabetes tipo 2
A diabetes tipo 2 caracteriza-se por um excesso crónico de açúcar no sangue (hiperglicemia) associado a um mau funcionamento da produção ou da utilização da insulina, a hormona que regula os níveis de açúcar no sangue (ou glicemia). O declínio cognitivo é uma das complicações da diabetes tipo 2 (DMT2)23
Obesidade, excesso de peso, síndrome metabólica...
Estas patologias (obesidade, excesso de peso, síndrome metabólica) são frequentemente acompanhadas de perturbações psicológicas como a ansiedade, a depressão e a perturbação bipolar, e de alterações do comportamento metabólico.8
A microbiota influencia também o que colocamos no nosso prato, a nossa sensação de saciedade24 e os nossos comportamentos alimentares. Estudos recentes demonstram o envolvimento da microbiota intestinal e do eixo intestino-cérebro nas perturbações alimentares (que envolvem alteração ao nível da dieta ou do comportamento relacionado com a alimentação)25,26
Anorexia nervosa
A anorexia nervosa27,28 (AN) é um distúrbio alimentar que afeta 1% da população, incluindo 95% de mulheres. O desequilíbrio do metabolismo intestinal contribuirá para a evolução e a manutenção das perturbações ligadas à doença, como as perdas de apetite e de peso, agindo sobre o eixo intestino- cérebro e sobre o metabolismo.
As doenças psiquiátricas englobam uma série de perturbações mentais que se manifestam sob uma grande multiplicidade de formas, tendo sido identificados desequilíbrios na microbiota intestinal em algumas destas doenças.
Perturbações da ansiedade
As perturbações de ansiedade29,30,31 são definidas pela OMS como medo e preocupação excessivos e perturbações comportamentais relacionadas. Os sintomas são suficientemente graves para causarem sofrimento significativo ou uma importante incapacidade funcional. Algumas perturbações de ansiedade estarão ligadas à atividade do microbiota intestinal através da regulação das hormonas do stress.
Perturbações do humor
Depressão, doença bipolar... As perturbações do humor8,32 são perturbações emocionais que consistem em longos períodos de tristeza excessiva (depressão) ou de alegria ou euforia excessivas (mania), ou ambas.
A depressão e a doença bipolar estarão ligadas à disbiose intestinal, por vezes correlacionada com o grau de gravidade dos sintomas.
Outros estudos foram ainda mais longe, utilizando a microbiota intestinal como ferramenta de diagnóstico.
Neurose obsessiva compulsiva (NOC)
A neurose obsessiva compulsiva (NOC)33,34,35 é uma perturbação neuropsiquiátrica que afeta 1,3% da população geral. A perturbação caracteriza-se por obsessões (ideias ou imagens repetidas, persistentes, indesejadas e frequentemente geradoras de ansiedade), que levam a compulsões e/ou esquivas repetitivas e demoradas destinadas a neutralizar a ansiedade e a angústia resultantes das obsessões. Alguns estudos sugeriram que certas bactérias produtoras de butirato são menos abundantes em pacientes com NOC.
Esquizofrenia
A esquizofrenia8,36,37 afeta cerca de 1 em cada 300 pessoas. Esta doença psiquiátrica caracteriza-se pela ocorrência de delírios e alucinações, isolamento social e perturbações da vida psíquica. Pensa-se que estarão envolvidas perturbações da microbiota intestinal e do sistema imunitário.
Perturbações do espetro do autismo
As perturbações do espetro do autismo38 (PEA) são um grupo de perturbações heterogéneas associadas a anomalias no desenvolvimento cerebral. Os sintomas incluem défices de comunicação e perturbações da interação social e do comportamento, bem como comportamentos repetitivos.
Alguns estudos demonstraram que os pacientes autistas têm frequentemente a flora intestinal alterada (disbiose) e que certos distúrbios intestinais (diarreia, constipação, etc.) estão frequentemente associados à doença.
Como vimos, a disbiose intestinal tem sido identificada em várias doenças psiquiátricas, como a esquizofrenia, a depressão e a neurose obsessiva compulsiva (NOC).
As doenças neurodegenerativas caracterizam-se pela destruição progressiva de determinados neurónios.
Doença de Alzheimer
A doença de Alzheimer39,40 é a doença neurodegenerativa mais comum e a principal causa de demência.
Desde há vários anos que a microbiota intestinal suscita interesse, nomeadamente no que se refere a certas proteínas (péptidos amiloides) produzidas por bactérias "nocivas", as quais poderão desencadear um mecanismo inflamatório e perturbar as funções de barreira do intestino e do cérebro no sentido de favorecer o desenvolvimento da doença.
Doença de Parkinson
A doença de Parkinson41 é uma patologia neurodegenerativa que destrói progressivamente os neurónios dopaminérgicos do cérebro. A doença é caracterizada por lentidão de movimentos, rigidez nos músculos e tremores.
Foi demonstrada a existência de uma sua associação com perturbações da microbiota intestinal e do eixo intestino-cérebro.
Esclerose múltipla
A esclerose múltipla42,43 é uma doença inflamatória do sistema nervoso central. Caracteriza-se pela existência de uma "resposta autoimune" do sistema imunitário contra a bainha protetora dos neurónios, a "mielina". Esta inflamação vai provocar a degeneração das células nervosas, os neurónios, com perda de comunicação entre o cérebro e os órgãos periféricos.
Estudos recentes sugerem associações específicas entre a microbiota intestinal e o risco, a evolução e a progressão da doença.44
Um eixo intestino-cérebro-pele?
Sabia que?
Talvez não o saiba, mas o intestino e a pele partilham um conjunto de características comuns45: ambos contêm numerosos vasos sanguíneos e ligações nervosas, ambos interagem com o sistema imunitário e, como é óbvio, ambos são maciçamente colonizados por comunidades microbianas. Mas isso não é tudo... já reparou como a sua pele reage às suas emoções? Música, medo, excitação... e o mesmo se aplica a certas doenças dermatológicas quando o intestino, a pele e o cérebro deixam de comunicar corretamente.
Já em 1930, os dermatologistas Stokes e Pillsbury46 acreditavam que os estados emocionais (ansiedade, depressão) podiam alterar a microbiota intestinal e levar a uma inflamação local e depois sistémica noutros órgãos, como a pele47. Eles recomendavam, nessa altura, a utilização de leite fermentado para se reintroduzir microrganismos benéficos.
Desde há alguns anos, têm vindo a acumular-se provas que sublinham a existência de uma ligação entre o intestino, o cérebro e a pele48. Mais especificamente, pensa-se que o stress levará à secreção de hormonas (serotonina, cortisol, etc.), o que provoca permeabilidade intestinal e uma inflamação local e sistémica através da corrente sanguínea11,23. Em última análise, isso terá impacto na barreira cutânea e na inflamação da pele25. Pensa-se que este eixo intestino-cérebro-pele está envolvido em determinadas patologias de pele: Acne, Dermatite atópica, Psoríase.
Como manter uma boa comunicação entre o intestino e o cérebro?
Existe um diálogo bidirecional: do intestino para o cérebro e do cérebro para o intestino, sendo a microbiota intestinal a sua pedra angular!
Mas como se pode cuidar do seu próprio microbiota para que as mensagens sejam enviadas e recebidas alto e claro?
Numerosos estudos científicos analisaram a forma de evitar qualquer perturbação da composição microbiana e de preservar o equilíbrio da melhor forma possível.49
Aquilo que comemos irá contribuir para o equilíbrio da nossa microbiota intestinal50,51. É benéfica quando os alimentos são diversificados e de boa qualidade, mas uma dieta desequilibrada pode, por outro lado, afetar a composição da microbiota intestinal e causar certas doenças52. Portanto, é importante saber quais os tipos de alimentos que têm efeitos positivos para a nossa saúde,53 como, por exemplo, os alimentos fermentados ou naturalmente ricos em prebióticos e em microrganismos benéficos, alguns dos quais produzirão efeitos na nossa saúde mental. Esses alimentos representarão um apoio para o nosso moral, atuando no cérebro através da microbiota intestinal.54
=> Com uma entrevista com o professor Rémy Burcelin, que estuda os mecanismos implicados na comunicação entre o cérebro, o intestino e o resto do corpo.
O que é um psicobiótico?
Os psicobióticos são probióticos e prebióticos que, quando ingeridos, proporcionam benefícios para a saúde mental, atuando através da microbiota intestinal55.
Os investigadores da Universidade de Cork, na Irlanda, propõem alargar a definição de psicobióticos para além dos probióticos e prebióticos, de modo a incluir qualquer substância que exerça um efeito psicológico mediado pela flora intestinal56.
Os probióticos são microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, beneficiam a saúde do indivíduo57,58. Alguns estudos pré-clínicos e clínicos centraram-se na administração de probióticos para melhorar os sintomas de stress, ansiedade e depressão, com resultados que revelam efeitos benéficos promissores.8
Os prebióticos são fibras alimentares específicas não digeríveis que têm efeitos benéficos para a saúde. São utilizados seletivamente pelos microrganismos benéficos da microbiota do hospedeiro59,60. Estudos demonstraram que certos prebióticos têm efeitos benéficos nas perturbações relacionadas com o stress8.
No sentido de restabelecer o equilíbrio do ecossistema microbiano do intestino, pode ser efetuado, a partir de um dador saudável, um transplante de microbiota fecal (FMT) para outro indivíduo61. De momento, esta abordagem terapêutica só está autorizada para o tratamento de infeções recorrentes por Clostridioides difficile62, mas os investigadores estão muito interessados nela e tentam avaliar os seus efeitos contra as dependências, como a do álcool,63 ou contra as perturbações da interação intestino-cérebro, como a síndrome do cólon irritável64,65.
Não serão apenas as bactérias da microbiota intestinal a estar implicadas na depressão. Os fungos microscópicos que povoam o cólon também o estarão. Pelo menos, é o que sugere um estudo realizado com adolescentes chineses.
Estará a depressão ligada aos fungos microscópicos que povoam os nossos intestinos juntamente com bactérias e vírus?
É o que sugere um estudo realizado com pacientes adolescentes, cujos resultados acabam de ser publicados no Journal of Affective Disorders1. Mais uma prova da existência do eixo intestino-cérebro!
Os fungos intestinais de 300 adolescentes analisados a pente fino
Para chegarem a este resultado, os investigadores chineses recrutaram 145 adolescentes com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos que sofriam de depressão. Recolheram 2g de fezes de cada um deles e analisaram a composição de fungos (que constitui a "micobiota") e bactérias da sua microbiota intestinal. Em seguida, compararam estas análises com as das fezes de um grupo de 110 jovens sem problemas de saúde mental.
O que mostram os resultados
Em primeiro lugar, que existem diferenças significativas em termos de composição entre a micobiota dos adolescentes que sofrem de depressão e a dos adolescentes que não sofrem.
Quase 1 em cada 2 europeus não sabe que a microbiota contém fungos
Não sabia que, tal como vírus e bactérias, há fungos que fazem parte da microbiota? Não se envergonhe porque obviamente não é o único! De acordo com os resultados do Observatório Internacional da Microbiota, um vasto estudo realizado pela Ipsos junto de 6.500 pessoas em 7 países, quase 1 em cada 2 europeus não sabe que a microbiota é composta por bactérias, fungos e vírus (46%). Este é também o caso de 1 em cada 2 brasileiros e de 1 em cada 2 chineses.
“Disbiose fúngica”
Os autores apontam para a existência de uma “ (sidenote:
Disbiose
A "disbiose" não é um fenómeno homogéneo – varia em função do estado de saúde de cada indivíduo. É geralmente definida como uma alteração da composição e do funcionamento da microbiota, causada por um conjunto de fatores ambientais e relacionados com o indivíduo que perturbam o ecossistema microbiano.
Levy M, Kolodziejczyk AA, Thaiss CA, et al. Dysbiosis and the immune system. Nat Rev Immunol. 2017;17(4):219-232.) fúngica” no primeiro caso, com mais Saccharomyces e Apiotrichum e menos Aspergillus e Xeromyces do que no segundo. Este tipo de disbiose já foi demonstrado em crianças que sofrem de autismo ou de síndroma de Rett.
Porque é que este resultado é interessante? Porque estudos anteriores mostraram que os fungos são capazes de sintetizar moléculas que podem chegar ao cérebro e induzir comportamentos depressivos. Por exemplo, Aspergillus é capaz de modular indiretamente a inflamação do sistema nervoso central e alterar seu funcionamento.
A micobiota, chave da saúde humana
Menos numerosos do que as bactérias (apenas 0,1% dos microrganismos intestinais), menos conhecidos e menos estudados, os fungos microscópicos da microbiota – conhecidos como "micobiota" – são, no entanto, cruciais para a saúde.
De acordo com uma análise publicada em 2022 na revista The Lancet2 :
Desempenham um papel importante na regulação da homeostase e imunidade;
O seu desequilíbrio poderá ter repercussões em certas doenças: doenças inflamatórias intestinais, cancros colorretal e pancreático, obesidade, diabetes, autismo, Alzheimer, etc.;
A manutenção das suas interações com as bactérias da microbiota será uma garantia de boa saúde.
Influência nas bactérias da microbiota intestinal
Outra descoberta foi que, nas crianças deprimidas, a presença de certos fungos surgia associada a determinadas bactérias, sugerindo uma forte interação entre estes dois grandes grupos de microrganismos.
Além disso, estas ligações entre as populações fúngicas e bacterianas apresentaram-se claramente alteradas em comparação com adolescentes saudáveis. Sabe-se que a existência de fortes interações entre bactérias e fungos é a garantia de um ecossistema microbiano estável.
Por exemplo, na microbiota intestinal dos adolescentes deprimidos, o fungo Penicillium e a bactéria Faecalibacterium surgiram conjuntamente reduzidos, mas a bactéria Faecalibacterium prausnitzii é bem conhecida dos investigadores pelas suas propriedades anti-inflamatórias e pelo seu potencial efeito ansiolítico e antidepressivo (em animais). Por outro lado, o fungo Candida, conhecido pelos seus efeitos nocivos para a saúde, revelou-se positivamente associado a Bacteroides e Parasutterella, e esta "copresença" potencialmente associada à depressão.
Este estudo foi o primeiro a explorar as ligações entre micobiota e depressão nos adolescentes. Embora os resultados devam ser confirmados numa fase posterior, abrem novas perspetivas de que um dia se possa modular o micobiota intestinal – através da utilização de probióticos, prebióticos, medicamentos antifúngicos, transplante de micobiota fecal, etc. – para tratar a depressão, uma doença que continua a ser deficientemente tratada.
Em 2023, clínicos dinamarqueses e americanos publicaram o caso de uma mulher na casa dos trinta anos com historial de abortos espontâneos tardios e que sofria de disbiose vaginal grave. O transplante de uma microbiota vaginal saudável eliminou a disbiose e respetivos sintomas. Seguiu-se uma gravidez a termo. Analisemos em pormenor este caso clínico.
A história tem um real interesse científico: uma mulher com historial de abortos tardios e disbiose vaginal grave recebeu um transplante de microbiota vaginal (TMV). Cinco meses depois, ela estava grávida, com uma flora vaginal saudável, tendo depois dado à luz uma criança a termo. No entanto, é importante salientar as limitações deste estudo: trata-se de apenas uma doente a quem foi diagnosticada síndrome dos anticorpos antifosfolipídicos (SAF, uma trombofilia associada a abortos espontâneos) e cujo tratamento durante a sua última gravidez poderá explicar (parcial ou totalmente) os resultados.
50%
Apenas uma em cada duas mulheres sabe exatamente o que é a flora vaginal
Disbiose vaginal, sintomas e abortos espontâneos recorrentes
Antes deste transplante, a paciente de 30 anos, mãe de uma criança, teve uma série de abortos espontâneos, por vezes tardios (semana 27 em 2019, semanas 17 e 23 em 2020). Há 9 anos que se queixava de comichão e de corrimento vaginal (corrimento vaginal abundante amarelo/verde e com odor fétido) que se agravou durante as suas tentativas de engravidar, apesar dos tratamentos. E por um bom motivo: em julho de 2021, a sua microbiota vaginal apresentava uma disbiose muito forte, com 91,3% de Gardnerella spp. Uma flora situada nos antípodas de uma microbiota vaginal saudável, ou seja, dominada por algumas espécies de lactobacilos vaginais (L. crispatus, L. gasseri, L. iners ou L. jensenii) cuja produção de ácido lático reduz o pH e assegura o bem-estar das mulheres.
Sob un protocolo de uso compassivo, foi-lhe realizado um TMV de uma dadora saudável em setembro de 2021, no 10.º dia do seu ciclo menstrual, sem pré-tratamento com antibióticos. De facto, embora o tratamento com antibióticos orais ou vaginais (metronidazol ou clindamicina) permita esperar uma taxa de cura da disbiose vaginal de 80 a 90% passado um mês, a taxa de recorrência pode atingir 60% ao fim de um ano, com o risco acrescido de resistência.
O TMV corrigiu rapidamente a disbiose e os seus sintomas, e estabeleceu uma dominância de Lactobacillus durante vários meses, com estirpes semelhantes às da dadora. Em fevereiro de 2022, a paciente engravidou naturalmente, (sidenote:
A paciente testou negativo para anticorpos antifosfolipídicos após o primeiro aborto espontâneo em 2019, e testou positivo em agosto de 2021, antes da sua quinta gravidez.
). A monitorização regular da sua microbiota vaginal revelou o regresso de Gardnerella spp. às 6 semanas de gestação (41,8%). Um segundo TMV foi inicialmente planeado para 2 semanas mais tarde..., mas, no dia previsto, L. crispatus já tinha mais uma vez reconquistado em grande medida a microbiota da paciente. No termo dessa gravidez, nasceu um menino perfeitamente saudável por cesariana planeada.
Estes resultados necessitam de ser confirmados por mais estudos clínicos, mas sugerem que o TMV possa ser um potencial tratamento para pacientes com disbiose vaginal grave, inclusivamente aquelas em risco de complicações após a fertilização in vitro. Para os autores, este estudo de caso serve como prova de conceito, mas também suscita a esperança de poder desenvolver terapias baseadas na modulação da microbiota vaginal.
Um estudo relaciona as mucinas intestinais da disbiose que se instalam ao longo da progressão do cancro gástrico e durante o prognóstio deste: promovem a colonização do estômago por bactérias orais pró-inflamatórias.
Devido à ausência de sintomas numa fase precoce da doença, a deteção da mesma é habitualmente tardia, fazendo com que o prognóstico do cancro gástrico continue a ser delicado. Se estiverem envolvidos fatores genéticos e ambientais, a causa mais frequente é a infeção por Helicobacterpylori, que favorece, posteriormente, a propagação de outros tipos de bactérias (de origem oral ou intestinal) envolvidas no desenvolvimento do tumor. As (sidenote:
Mucina
Glicoproteínas que constituem a maior parte do muco, este gel viscoelástico complexo que reveste os epitélios secretores, protege-os das partículas estranhas e dos organismos patogénicos.
Fontes : Demouveaux B, Gouyer V, Magnien M, et al. La structure des mucines conditionne les propriétés viscoélastiques des gels de mucus [Gel-forming mucins structure governs mucus gels viscoelasticity]. Med Sci (Paris). 2018 Oct;34(10):806-812. French.
) segregadas pelo muco digestivo também parecem ter influência: os fenótipos específicos das mucinas (gástricas em estados precoces, intestinais em estados avançados) são detetáveis nos adenocarcinomas. Ao ponto de supor que existem assinaturas mucinas-microbiota nos adenocarcinomas gástricos? Em todo o caso, é esta a hipótese de uma equipa belga.
5.º
O cancro gástrico é o 5.º tipo de cancro mais frequente.
4.ª
O cancro gástrico é a 4.ª causa de morte por cancro em todo o mundo.
A análise do tumor e dos tecidos não tumorais adjacentes de 108 pacientes operados a um cancro gástrico e as biópsias de 20 pacientes submetidos a uma gastroscopia na sequência de uma dispepsia funcional (sem tumor), permitiu avaliar a expressão relativa das mucinas gástricas (MUC1, MUC5AC, MUC6) e intestinais (MUC2, MUC4, MUC13). Os resultados demonstram que três das mucinas estão mais frequentemente presentes nos tecidos sem tumor (adjacentes ou biópsias). Em oposição, a sobre-expressão da mucina intestinal MUC13 revela-se típica em tumores e está correlacionada com um mau prognóstico da evolução do cancro.
Uma ligação mucinas-microbiota
As bactérias adjacentes (identificadas através de sequenciação do gene ARNr 16S), várias espécies previamente associadas a cancros gastrointestinais, mais especificamente a Corynebacterium, Fusobacterium, Streptococcus, Porphyromonas e Prevotella, diferem significativamente nos tecidos tumorais, nos tecidos adjacentes não cancerígenos e nos tecidos alvo de biópsia. Além disso, foram igualmente observadas as ligações entre as bactérias presentes e o fenótipo específico das mucinas em contacto com o ambiente do tumor: As Helicobacter estavam mais presentes nos tumores sem mucinas, as outras espécies (algumas descritas anteriormente como presentes nos patogénicos orais) Prevotella, Veillonella e Neisseria parecem desenvolver-se em maior número nos tumores supramencionados MUC13.
Perante um prognóstico de cancro gástrico?
As mucinas podem assim desempenhar um papel fundamental no prognóstico do cancro gástrico e na formação da microbiota tumoral. Um aumento de determinadas espécies de bactérias orais, associado a uma sobre expressão de MUC13, poderá significar a presença da doença. E a dupla mucinas-microbiota poderá ser utilizada na deteção precoce da doença? Poderá ser, mesmo que estas conclusões ainda sejam precoces, outros estudos prévios deverão apoiar estas primeiras conclusões.
As pessoas afetadas pela doença de Cushing parecem manter um desequilíbrio acentuado na sua microbiota intestinal durante vários anos após a sua cura. Esta disbiose poderá explicar porque é que, nessas pessoas, o risco de diabetes e de doenças cardiovasculares persiste.
Já se sabe que o desequilíbrio da microbiota está implicado na obesidade, na resistência à insulina e no excesso de triglicéridos ou de colesterol... todos estes constituindo fatores de risco de diabetes e de doenças cardiovasculares.
Se as pessoas que sofreram de doença de Cushing, uma patologia causada por um tumor benigno da glândula pituitária, têm um risco cardiometabólico mais elevado, mesmo vários anos depois de terem entrado em remissão, poderá isso dever-se também à disbiose?
Para responder a esta pergunta, uma equipa de investigadores espanhóis recrutou 28 mulheres com menos de 60 anos que tinham sofrido de doença de Cushing1. Todas elas se encontravam em remissão há mais de 5 anos.
Recolheram-lhes as fezes para analisar a respetiva microbiota e amostras de sangue para nelas medirem vários parâmetros de risco cardiovascular. Analisaram também a distribuição da gordura corporal nessas mulheres.
Estes dados foram comparados com os de um grupo de controlo de 25 mulheres saudáveis com a mesma idade e constituição física ( (sidenote:
Índice de Massa Corporal (IMC)
IMC o Índice de Massa Corporal avalia a corpulência de uma pessoa, estimando a massa gorda do corpo com recurso ao cálculo da relação entre o peso (kg) e a altura elevada ao quadrado (m2) da pessoa.
https://www.nhlbi.nih.gov/health/educational/lose_wt/BMI/bmicalc.htm
https://www.euro.who.int/en/health-topics/disease-prevention/nutrition/a-healthy-lifestyle/body-mass-index-bmi)).
O que mostram os resultados?
Diferenças evidentes o nível da microbiota
Como era de esperar, as mulheres em remissão apresentaram vários fatores de risco cardiovascular em comparação com as voluntárias saudáveis: mais gordura abdominal, níveis mais elevados de hemoglobina glicada, triglicéridos e glicose em jejum, menos colesterol "bom" (HDL), etc.
Paralelamente, todas apresentavam uma disbiose intestinal significativa. Não só a sua microbiota surgiu menos rica e diversificada, como também tinha uma estrutura muito diferente.
Por exemplo, a estirpe Suturella, que estava ausente no grupo de controlo, surgiu presente em abundância nas mulheres do grupo da doença de Cushing. Ora, há diversos estudos referem a presença desta bactéria em pessoas que sofrem de diabetes, obesidade, excesso de insulina, aterosclerose, etc.
O excesso de cortisol causa estragos na doença de Cushing
A doença de Cushing é uma patologia relativamente rara causada por um tumor benigno da glândula pituitária, uma pequena glândula no cérebro que gere muitas das funções do organismo2. Esta anomalia afeta mais as mulheres do que os homens. Ela causa uma sobre-estimulação das glândulas suprarrenais, que segregam cortisol.
A exposição dos órgãos a esse excesso de cortisol causa vários sintomas, alguns dos quais aumentam o risco cardiovascular:
Acumulação de gordura no tronco, nas vísceras e no rosto,
Excesso de glicose, triglicéridos e colesterol,
Resistência à insulina,
Aumento da tensão arterial,
Perda de massa muscular e osteoporose,
Aumento da pilosidade,
Infertilidade, problemas sexuais, etc.
O tratamento baseia-se em intervenção cirúrgica (remoção do tumor), medicação e radioterapia.
A persistência de perturbações metabólicas nas ex-doentes de Cushing pode estar ligada à disbiose
Facto surpreendente: nas antigas doentes, o índice que mede a diversidade bacteriana surgiu associado aos níveis de fibrinogénio, uma proteína envolvida na coagulação e, por conseguinte, ligada ao risco de acidente vascular. E esse índice mostrou-se inversamente correlacionado com os triglicéridos, a glicémia e os níveis de insulina.
Isto sugere que a persistência de perturbações metabólicas nas antigas doentes de Cushing está muito provavelmente ligada à disbiose.
Esta é a primeira vez que tal ligação foi cientificamente demonstrada.
Tais resultados têm ainda de ser confirmados por estudos de maior escala. No entanto, eles sugerem a possibilidade de um dia se poder vir a intervir especificamente – recorrendo a probióticos ou ao transplante de microbiota fecal (TMF) – para reequilibrar a microbiota de pessoas que sofrem da doença de Cushing.
Recompensa: a possibilidade de ganhar vários anos de vida saudável!
A bactéria intestinal Desulfovibrio poderá ser uma das causas prováveis da doença de Parkinson. Esta é, nem mais, nem menos, a conclusão de um estudo finlandês que sugere a possibilidade de se vir a despistar, ou mesmo a prevenir, a doença.
O que é que têm em comum o Papa S. João Paulo II, o ator Michael J. Fox (o Marty Mc Fly de Regresso ao Futuro) e o pugilista Muhammad Ali? Todos foram afetados pela doença de Parkinson, uma doença degenerativa cerebral reconhecível em particular pelos tremores que causa. Mas estas celebridades, tal como os quase 9 milhões de pessoas vítimas desta doença em todo o mundo, provavelmente têm também em comum uma bactéria chamada Desulfovibrio. Ou, mais precisamente, um excesso desta bactéria, que se pensa estar presente em quantidades (demasiado?) elevadas nas pessoas com a doença de Parkinson, sobretudo nas que desenvolvem formas graves da mesma.
Doença de Parkinson: Definição
A doença de Parkinson é uma doença degenerativa do cérebro que se encontra associada a perturbações motoras (movimentos lentos, tremores, rigidez e desequilíbrio) e a outras complicações, incluindo problemas cognitivos, problemas de saúde mental, perturbações do sono, dor e problemas sensoriais.A
A disfunção gastrointestinal constitui também uma caraterística importante da doença, tendo sido observada disbiose intestinal nestes pacientes. Numerosos estudos demonstram que, através do eixo intestino-cérebro, a microbiota intestinal desempenhará um papel importante no risco e na progressão da doença.B
Será que são essas bactérias as culpadas pela doença? Sim, a acreditar nos resultados publicados em 2023 por uma equipa finlandesa. Os seus trabalhos consistiram em sacrificar alguns nemátodos – vermes redondos e delgados – e, mais especificamente, dos designados C. elegans, que foram alimentados com bactérias Desulfovibrio extraídas quer das fezes de doentes de Parkinson quer das fezes dos respetivos cônjuges saudáveis. Conclusão: os vermes que ingeriram bactérias Desulfovibrio dos doentes de Parkinson desenvolveram mais (em termos numéricos) agregados proteicos típicos da doença nos seus cérebros, e agregados maiores (em termos de volume) do que os vermes alimentados com bactérias Desulfovibrio recolhidas das fezes dos respectivos cônjuges. Por outras palavras, as estirpes de bactérias Desulfovibrio, em particular as provenientes de doentes, favorecem a acumulação de agregados.
8,5 milhões
Em 2019, mais de 8,5 milhões de pessoas em todo o mundo sofriam da doença de Parkinson.
329.000 mortes
Em 2019, a doença de Parkinson causou 329.000 mortes, correspondentes a um aumento de mais de 100% desde 2000.
Mortalidade acrescida
E não é tudo! Os vermes alimentados com bactérias Desulfovibrio de pacientes morrem mais passados 4 dias. Esse excesso de mortalidade poderá ser explicado pela maior virulência das bactérias retiradas deles.
Esta descoberta suscita uma esperança imensa: não só os doentes de Parkinson poderão ser rastreados através do rastreio da bactéria em causa nas suas fezes, como também será provavelmente possível, um dia, controlar ou mesmo prevenir a doença, erradicando ou simplesmente limitando o número destas bactérias patogénicas.
A prevalência da doença duplicou nos últimos 25 anos.