Sarcopenia: a microbiota intestinal participa na perda funcional e de massa dos músculos esqueléticos?

Alterações estruturais e funcionais da microbiota intestinal serão responsáveis pelo declínio muscular nos idosos (sarcopenia)? É mais do que provável, revela um estudo recente que incidiu sobre a pista pouco investigada do eixo intestino-músculo, junto de uma população chinesa em idade avançada. Uma direção promissora para um envelhecimento saudável?

A microbiota intestinal Doença de alzheimer: confirmado o envolvimento da microbiota oral Doença de alzheimer: a influência da disbiose intestinal na patologia amiloide Artrite reumatóide: a microbiota intestinal é alterada desde as fases iniciais

Com a esperança de vida a aumentar, a investigação científica dedica-se cada vez mais às doenças relacionadas com a velhice. Entre estas destaca-se a sarcopenia, (sidenote: Martin FC, Ranhoff AH. Frailty and Sarcopenia. 2020 Aug 21. In: Falaschi P, Marsh D, editors. Orthogeriatrics: The Management of Older Patients with Fragility Fractures [Internet]. Cham (CH): Springer; 2021. Chapter 4 )  . Esta patologia surge em resultado de vários mecanismos fisiopatológicos, onde se destacam a dieta e a atividade física inadequadas, a inflamação, a imunossenescência, a resistência anabólica e o stress oxidativo. Esses processos, especialmente os relacionados com a inflamação e com o sistema imunitário, são em grande parte influenciados pela microbiota intestinal (MI). Vários estudos têm descrito alterações da MI nos idosos, mas esta é a primeira investigação desse tipo a debruçar-se sobre o papel do eixo intestino-músculo nos casos de sarcopenia.

Doentes sarcopénicos: redução da diversidade intestinal...

A microbiota intestinal de 3 grupos de pacientes foi analisada por sequenciação do gene do ARN ribossómico 16S: 60 elementos saudáveis de um grupo de controlo (média de idades: 68,38 ± 5,79), 11 indivíduos sarcopénicos (com alteração da função muscular e massa muscular reduzida) cuja média de idades correspondia a 76,45 ± 8,58 anos, e 16 indivíduos pré-sarcopénicos (idade média: 74,00 ± 6,94) apenas com a função muscular alterada. Acontece que a diversidade alfa (estimadores Chao1, número de espécies observadas), surge significativamente reduzida nos indivíduos sarcopénicos e pré-sarcopénicos face ao grupo de controlo. Existe, nestes pacientes, uma redução de determinadas espécies que produzem butirato (Lachnospira, Fusicantenibacter, Roseburia, Eubacterium, Lachnoclostridium). O butirato, molécula essencial através da qual a MI pode influenciar a fisiologia do hospedeiro, tem um papel duplamente importante: é conhecido por reduzir a inflamação, e alguns estudos têm demonstrado que os ácidos gordos de cadeia curta (de que o butirato faz parte) contribuem para a manutenção da massa dos músculos esqueléticos. O género Lactobacillus aparece, por sua vez, em maior abundância nos indivíduos afetados, e a família Lactobacillaceae surge como biomarcador do grupo pré-sarcopénico. A família Porphyromonadaceae parece constituir um biomarcador de identificação dos pacientes sarcopénicos.

...E vias funcionais alteradas

Visando compreender o impacto funcional da composição da MI nos pacientes, os investigadores identificaram determinado número de vias funcionais alteradas. Algumas surgiram sobre-representadas nos indivíduos sarcopénicos e pré-sarcopénicos (nomeadamente a biossíntese dos lipopolissacarídeos (LPS)), e outras sub-representadas (onde se destacam as vias biossintéticas da fenilalanina, tirosina e triptofano). Estes resultados implicam que as vias metabólicas associadas à produção de energia celular, ao processamento das proteínas e ao transporte de nutrientes, são reguladas diferencialmente no contexto patológico. Por outro lado, o enriquecimento da biossíntese dos LPS sugere que a sarcopenia está associada a um metagenoma pró-inflamatório. Estes resultados confirmam os de (sidenote: Volpi, E., Kobayashi, H., Sheffield-Moore, et al. Essential amino acids are primarily responsible for the amino acid stimulation of muscle protein anabolism in healthy elderly adults. Am. J. Clin. Nutr. 78, 250–258. https ://doi.org/10.1093/ajcn/78.2.250 (2003) )  que destacaram a importância das vias da biossíntese de fenilalanina, tirosina e triptofano na estimulação do anabolismo muscular nos idosos.

Quais os ensinamentos a retirar deste estudo? Estes resultados preliminares indicam que as alterações estruturais e funcionais da MI podem contribuir potencialmente para a perda de massa muscular e para o respetivo funcionamento anómalo nas pessoas afetadas por sarcopenia. No entanto, serão necessários estudos futuros, abrangendo amostras mais vastas, no sentido de se confirmar esta hipótese.

Summary
Off
Sidebar
Off
Migrated content
Activé
Updated content
Désactivé
Old content type
pro_article
Hide image
Off
Noticias Gastroenterologia

Quando a taurina revigora a microbiota intestinal face aos agentes patogénicos

Perante uma infeção, o hospedeiro produzirá taurina, um nutriente que irá alimentar a microbiota e possibilitar a eliminação dos agentes patogénicos. A taurina promoverá assim a resistência a longo prazo a uma nova infeção.

A microbiota intestinal A microbiota intestinal tem uma assinatura específica para a fibromialgia Microbiota intestinal bloqueia os efeitos dos antidepressivos Exposição aos antibióticos entre os 0 e os 6 anos: microbiota intestinal alterada, desenvolvimento da criança perturbado

O que não mata engorda. O sistema imunitário segue à letra este provérbio. Ele dispõe de respostas adaptativas contra os agentes patogénicos, propiciando uma defesa mais rápida e mais intensa em caso de infeções posteriores. E se o mesmo se passar com a microbiota intestinal? Poderão as primeiras infeções permitir-lhe que desenvolva uma função antimicrobiana otimizada, aumentando assim a resistência do hospedeiro à colonização? Esta é a hipótese formulada por alguns investigadores.

Memória metaorganismo

As experiências foram realizados com Klebsiella pneumoniae (Kpn). Em ratos infetados oralmente, esta bactéria é transitoriamente detetada no lúmen do cólon e depois desaparece das fezes. A única exceção é quando os ratos recebem previamente um antibiótico de largo espectro (estreptomicina), situação em que a sua carga fecal de Kpn permanece elevada. A possibilidade de colonização do hospedeiro por este agente patogénico, por conseguinte, parece ser decidida pela microbiota. Após validado este ponto, uma longa série de experiências permitiu aos investigadores decifrarem gradualmente os mecanismos através dos quais uma infeção transitória conduz àquilo a que chamaram "memória metaorganismo" a longo prazo. Esta baseia-se em funções interdependentes e combinadas do hospedeiro e da sua microbiota.

Envolvimento dos ácidos biliares

Assim, após a infeção, o hospedeiro aumentará a sua produção hepática de ácidos biliares. Os grupos microbianos da microbiota intestinal capazes de usar esses ácidos através de respiração anaeróbica, em especial um deles, a taurina, multiplicar-se-ão. Ao fazê-lo, convertê-la-ão em sulfureto, um inibidor da respiração celular aeróbica. Ora, existem múltiplos agentes patogénicos que dependem da respiração aeróbica para sobreviverem. Portanto, essas bactérias indesejáveis morrerão, limitando assim a invasão do hospedeiro. De facto, se os sulfuretos forem sequestrados, promove-se a invasão por agentes patogénicos. De notar, ainda, que a ingestão de taurina exógena é suficiente para induzir os mesmos efeitos de uma infeção: multiplicação de bactérias capazes de metabolizá-la, reforço da resistência à colonização, etc.

Resistência à colonização: dúvidas, esperanças

No entanto, há muitas perguntas que ainda permanecem sem resposta: quais serão os sinais que desencadeiam o aumento da síntese de ácidos biliares após a infeção? O sistema imunitário do hospedeiro trabalhará em concertação com a microbiota para promover a resistência à colonização após a infeção? De qualquer forma, num contexto preocupante de aumento da resistência aos antibióticos, encontrar respostas para as infeções através dos metabolitos bacterianos (e não das próprias bactérias) é uma alternativa promissora. E com uma vantagem inegável: enquanto as terapias com base em bactérias (como o transplante fecal) esbarram no obstáculo da heterogeneidade interindividual, os metabolitos microbianos, mais "universais", deverão poder atingir alvos muito mais abrangentes e diversificados.

Summary
Off
Sidebar
Off
Migrated content
Activé
Updated content
Désactivé
Old content type
pro_article
Hide image
Off
Noticias Gastroenterologia

Covid-19 e perda do olfato: reabilitação olfativa e microbiota nasal, duas pistas para se reencontrar o faro?

A perda do olfato é um dos sintomas clássicos da Covid-19. Particularmente penalizante, este transtorno é também muito incapacitante para as pessoas afetadas. Estão em curso ações que combinam uma reabilitação olfativa diária com uma investigação da microbiota nasal para se ajudar os pacientes a recuperarem o olfato. 

A microbiota ORL Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal

Perdas de olfato (anosmia ou hiposmia), de paladar (ageusia)... a Covid-19 dá cabo dos nossos sentidos. Quase um paciente sintomático em cada dois apresentará tais sintomas1, com grandes variações em função da origem étnica, uma vez que os caucasianos são 3 vezes mais afetados por distúrbios sensoriais que os asiáticos2. Entre esses pacientes, as alterações sensoriais revelam-se graves. De acordo com uma sondagem multilingue realizada junto de 4.039 pacientes de Covid-19 em todo o mundo, estes declaram ter perdido, em média, 80% do olfato e 70% do paladar3.

Treinar diariamente para reencontrar o olfato

No entanto, a anosmia não se limita infelizmente aos casos, frequentemente transitórios, relacionados com a Covid-19. Os traumatismos cranianos, as inflamações nasais, as alergias ou até mesmo a idade avançada podem provocar a perda do olfato. Razão? Uma deterioração das células sensoriais que revestem as cavidades nasais e que são responsáveis pela deteção dos odores. Para tentarem combater a anosmia, investigadores austríacos pedem aos pacientes não só para cheirarem, mas também para visualizarem diferentes odores (limão, rosa, etc.) 2 vezes por dia. E os resultados são positivos: os pacientes reencontram o "faro" após 6 meses de treino e formação. Além disso, as imagens por ressonância magnética mostram que as áreas do cérebro dedicadas ao olfato se encontram parcialmente restauradas.

A microbiota nasal passada a pente fino

Além dessa reabilitação, os cientistas procuraram determinar a influência dos microrganismos que habitam as fossas nasais. E demonstraram ter faro apurado! Observaram uma maior diversidade de bactérias no nariz dos pacientes cujo olfato se apresenta menos eficiente do que o normal. Entre elas, há mesmo uma bactéria que se suspeita que altere o desempenho olfativo. Encorajada por estes resultados, a equipa monitoriza à lupa se a reabilitação dos pacientes também modifica o equilíbrio da sua microbiota nasal. Os resultados ainda não são conhecidos, mas despertam as mais elevadas expectativas: a possibilidade de serem encontrados microrganismos capitais capazes de restaurar o olfato ou mesmo de indicar o tratamento mais adequado para fazer cessar a anosmia.

Fontes

1. Dysfonctionnement olfactif (43,0%), dysfonctionnement gustatif (44,6%) et dysfonctionnement chimiosensoriel global (47,4%).

2. von Bartheld CS, Hagen MM, Butowt R. Prevalence of Chemosensory Dysfunction in COVID-19 Patients: A Systematic Review and Meta-analysis Reveals Significant Ethnic Differences. ACS Chem Neurosci. 2020 Oct 7;11(19):2944-2961. 

3. Parma V, Ohla K, Veldhuizen MG et al. More Than Smell—COVID-19 Is Associated With Severe Impairment of Smell, Taste, and Chemesthesis. Chem Senses. 2020 Oct 9;45(7):609-622. 

Scilog. Training can help recover from lost sense of smell. 11 Jan 2021. 

https://scilog.fwf.ac.at/en/biology-and-medicine/12982/training-can-help-recover-lost-sense-smell

Christine Moissl-Eichinger :

https://forschung.medunigraz.at/fodok/suchen.person_uebersicht?sprache_in=en&menue_id_in=101&id_in=20068

Florian Ph. S. Fischmeister :

https://online.uni-graz.at/kfu_online/wbForschungsportal.cbShowPortal?pPersonNr=119322 ​​​​​​​

Summary
Off
Sidebar
Off
Migrated content
Activé
Updated content
Désactivé
Old content type
article
Hide image
Off
Noticias

Endolisinas recombinantes contra a vaginose bacteriana

Um estudo demonstra que, com recurso a endolisinas recombinantes derivadas de profagos, é possível eliminar o biofilme bacteriano responsável pela vaginose bacteriana sem se danificar as bactérias benéficas da microbiota vaginal. Resultados promissores.

A microbiota vaginal Microbiota vaginal: um marcador da progressão do vírus do papiloma? Acerca do papel das microbiotas vaginal, uterina e intestinal na endometriose

35% Apenas 1 em cada 3 mulheres sabe que a vaginose bacteriana está associada a um desequilíbrio da microbiota vaginal

Patologia vulgar nas mulheres em idade fértil, a vaginose bacteriana afeta 10 a 30% da população feminina mundial e está associada a um aumento do risco de infertilidade e de complicações durante a gravidez. É também um fator de risco de doenças sexualmente transmissíveis. Corresponde a um desequilíbrio da microbiota vaginal, acompanhado da formação de um biofilme caraterístico no epitélio vaginal, o qual é iniciado e dominado pela bactéria Gardnerella. Problema: o biofilme em questão é frequentemente resistente aos tratamentos por antibióticos. De facto, os antibióticos são eficazes na redução rápida dos sintomas, mas estão associados a uma taxa de recidiva de mais de 60% em seis meses de tratamento. Um novo estudo permitiu testar (sidenote: Endolisinas Endolisinas são enzimas de bacteriófagos que lisam as paredes das bactérias, permitindo a libertação de fagos )  do tipo 1,4-β-N-acetilmuramidase, provenientes de (sidenote: Profagos Profagos são genomas de bacteriófagos integrados no genoma do hospedeiro. (Saussereau and Debarbieux 2012) )  no genoma de Gardnerella como tratamento alternativo.

Um efeito bactericida 10 vezes superior ao do tipo natural

Para isso, os autores criaram várias endolisinas modificadas por rearranjo de domínio e testaram a sua atividade bactericida em estirpes de Gardnerella, comparando-a com a de endolisinas naturais. As endolisinas recombinadas apresentaram 10 vezes mais atividade bactericida do que as do tipo natural. A mais ativa, designada endolisina PM-477, foi testada face a um painel de 20 estirpes de Gardnerella (incluindo (sidenote: G. vaginalis, G. leopoldii, G. piotii e G. swidsinskii ) ) e demonstrou maior eficácia em comparação com os antibióticos também testados (metronidazol, tinidazol e clindamicina). Além disso, a PM-477 não teve quaisquer impactos nos lactobacilos ou em outras espécies de bactérias vaginais benéficas. Os autores concluíram que a endolisina PM-477 tinha um efeito altamente seletivo face à Gardnerella e matava as estirpes de cada uma das suas quatro principais espécies, sem afetar os lactobacilos benéficos nem outras espécies típicas da microbiota vaginal. Confirmaram ainda essa observação através de microscopia, em coculturas de Gardnerella e lactobacilos. A PM-477 (a 460 µg/ml durante 5 horas) lisou G. vaginalis e G. swidsinskii em monoculturas e também em cocultura, enquanto os lactobacilos das coculturas não foram afetados.

Eficaz em amostras colhidas de pacientes

Para irem mais longe e analisarem a eficácia da PM-477 em ambiente fisiológico próximo da situação in vivo, os investigadores trataram as amostras vaginais de 15 pacientes com vaginose bacteriana e analisaram-nas por hibridação in situ fluorescente (FISH). Demonstraram que, em 13 dos 15 casos, a PM-477 tinha matado a bactéria Gardnerella e dissolvido fisicamente os biofilmes sem afetar a microbiota vaginal. Para os autores, a utilização de endolisinas será uma opção terapêutica promissora para combater a vaginose bacteriana e dispensar os antibióticos, causadores de recidivas e de resistência.

 

Summary
Off
Sidebar
Off
Migrated content
Activé
Updated content
Désactivé
Old content type
pro_article
Hide image
Off
Noticias

Autismo: quando o intestino dita a chuva e o bom tempo

O intestino é muitas vezes designado como o nosso segundo cérebro. E não é para menos, uma vez que estará intimamente ligado ao primeiro. A qualidade da nossa microbiota intestinal, indiciadora do nosso estado de espírito, do nosso comportamento e até mesmo da nossa saúde mental, estará em causa no que respeita à intensidade dos sintomas de determinadas doenças neurobiológicas, como as perturbações do espetro autístico.

A microbiota intestinal Transtornos do espetro do autismo
Actu GP : Autisme : quand l’intestin fait la pluie et le beau temps

Como explicar as “PEA”, Perturbações do Espetro Autístico? A questão ativa a comunidade científica há várias décadas. O intestino poderá ser uma das respostas, embora sem explicar tudo sobre a origem da doença, a qual se caracteriza por dificuldades na socialização e na comunicação ou ainda pela perturbação obsessivo-compulsiva (POC, ou OCD em inglês). E, muito em especial, os milhares de milhões de bactérias e de outros microrganismos que o habitam... para o melhor ou para o pior...

Ligação perigosa: perturbações intestinais e PEA

Após a descrição deste distúrbio em 1943, já foi identificada uma longa lista de sintomas associados às PEA. Entre outras, as perturbações intestinais (diarreia, obstipação, cólon irritável, etc.) fazem parte das afeções biológicas clássicas. As crianças com PEA sofrem 3 a 4 vezes mais de perturbações gastrointestinais. E a gravidade com que se manifesta o autismo corresponde frequentemente aos distúrbios intestinais mais severos, e vice versa. Como corolário, os investigadores conseguiram mesmo demonstrar que, quando as perturbações gastrointestinais são tratadas, os pacientes autistas apresentam melhoras no seu comportamento. Por isso, têm-se interessado pelos mecanismos na origem desses problemas gastrointestinais e voltado a sua atenção para a microbiota intestinal.

Uma microbiota que se toma por cérebro?

Primeira constatação: os pacientes autistas apresentam frequentemente uma flora intestinal alterada (disbiose) e pobre em bactérias benéficas, mas rica em micróbios implicados em algumas afeções intestinais (diarreia, obstipação, etc.). E estes não se limitam a atacar os intestinos, mas produzem também moléculas ditas "sinalizadoras", que são usadas na comunicação entre o intestino e o cérebro. Em termos simples, quando produzidas em grandes quantidades, estas moléculas poderão perturbar essa comunicação e provocar os problemas comportamentais caraterísticos das PEA.

Um passador em vez do intestino?

Segunda constatação: a barreira intestinal deixa de desempenhar a sua função, que consiste em impedir os micróbios, os alérgenos e outras moléculas estranhas de entrarem no sangue. Consequência: a ativação do sistema imunitário, que conduz a reações inflamatórias. Com efeito, muitos pacientes autistas apresentam permeabilidade intestinal, inflamação intestinal e perturbações intestinais e neurológicas associadas a uma resposta exacerbada ao stress. Embora estes dados sustentem a existência de uma forte ligação entre o intestino e o cérebro nas PEA, a verdade é que os mecanismos através dos quais as perturbações gastrointestinais contribuem para as PEA continuam ainda difíceis de compreender. São necessários estudos complementares para se identificarem abordagens terapêuticas capazes de tratar esses problemas intestinais e de melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Summary
Off
Sidebar
Off
Migrated content
Activé
Updated content
Désactivé
Old sources

Fontes :

Bjørklund G, Pivina L, Dadar M, et al. Gastrointestinal alterations in autism spectrum disorder: What do we know? Neurosci Biobehav Rev. 2020 Nov;118:111-120. doi: 10.1016/j.neubiorev.2020.06.033. Epub 2020 Jul 1.

Old content type
article
Hide image
Off
Noticias

Microbiota oral, fator de risco de cancro do pulmão?

Um primeiro estudo prospetivo, realizado com pacientes que nunca fumaram, poderá revelar uma relação entre a diversidade da microbiota oral e o risco de se vir a sofrer de cancro do pulmão. Uma nova perspetiva que necessita ainda de confirmação.

A microbiota ORL Transplante pulmonar: a microbiota pulmonar, um indicador fiável para se prever a rejeição? Microbiota pulmonar: um marcador do prognóstico da DPOC? A microbiota intestinal está relacionada com o cancro de pulmão

O cancro do pulmão é a principal causa de morte por cancro em todo o mundo. Embora o consumo ativo de tabaco surja como o maior fator de risco, 25% dos casos da doença ocorrem entre não fumadores. Trata-se de uma percentagem elevada, que não pode ser totalmente explicada pelos principais riscos identificados: tabagismo passivo, poluição, antecedentes familiares, etc. Para além da microbiota intestinal e do seu papel no aparecimento de alguns cancros gastrointestinais, outros ecossistemas microbianos foram já também associados a riscos oncológicos. Neste estudo, os autores visaram a microbiota oral, cuja composição e cuja capacidade de colonizar o trato respiratório poderão contribuir para o aparecimento do carcinoma brônquico.

Com uma microbiota depauperada, o risco intensifica-se

O referido estudo prospetivo baseou-se numa monitorização a longo prazo de mais de 136.000 habitantes de Xangai que nunca fumaram (61.500 homens e 75.000 mulheres), com consultas de controlo a cada 2 a 3 anos. Foi analisada uma amostra de saliva, recolhida na linha de base, de todos os participantes que posteriormente contraíram cancro do pulmão, e também de um grupo de controlo com igual número de elementos possuidores das mesmas características dos primeiros quanto a sexo, idade, data e hora de recolha das amostras, tratamentos prévios com antibióticos, etc. Em termos finais, a comparação, realizada mediante sequenciação metagenómica, incidiu sobre 114 pacientes e número idêntico de controlos. O que nela ficou demonstrado foi que quanto menor é a diversidade bacteriana existente na microbiota oral, maior é o risco de aparecimento de cancro do pulmão.

Quando a abundância (de Firmicutes) é moléstia...

A composição intrínseca do microbioma oral também parece desempenhar um papel importante. No âmbito desta população de não fumadores, o aumento da abundância relativa de Spirochaetes (espiroquetas) e / ou de Bacteroidetes poderá corresponder a um menor risco. Pelo contrário, um número mais abundante de bactérias pertencentes ao filo das Firmicutes, e em especial da ordem das Lactobacillales, estará associado a um aumento da probabilidade de desenvolvimento de cancro do pulmão. E coube ainda aos autores especificar que estes resultados coincidem com estudos anteriores ao demonstrarem a existência de relação entre as Firmicutes e algumas doenças respiratórias (doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), carcinoma de células escamosas da cabeça e pescoço, cancro do pulmão, etc.).

Microbiota ORL (otorrinolaringológica): investigações complementares para esclarecer o seu âmbito

Esta caraterização em grande escala da microbiota oral proporciona novas perspetivas sobre a etiologia do cancro do pulmão nos não fumadores. A homogeneidade geográfica do estudo reforça a relevância das suas conclusões, mas limita simultaneamente o seu alcance. Trabalhos complementares, a realizar com outras populações e em outras localizações, deverão permitir esclarecer o papel da microbiota ORL no desenvolvimento do carcinoma brônquico e de outras patologias respiratórias.

Summary
Off
Sidebar
Off
Migrated content
Activé
Updated content
Désactivé
Old content type
pro_article
Hide image
Off
Noticias Pneumologia Otorrinolaringologia

Uma melhor previsão da resposta ao tratamento das DII através da microbiota intestinal?

Compreender, prever a resposta ao tratamento e adequar-lhe a terapia. Um novo estudo indica que a microbiota intestinal dos pacientes com doença inflamatória crónica intestinal (DII) poderá ser usada para prever a eficácia do tratamento com agentes imunossupressores. Trata-se de um avanço significativo para um conjunto de patologias particularmente incapacitantes. 

A microbiota intestinal Doenças inflamatórias do intestino (DII)
DII

Chamam-se doença de Crohn ou colite ulcerosa, pertencem à família das DII, e têm uma coisa em comum: a inflamação descontrolada da camada interna da parede de uma parte do tubo digestivo, que causa diversos sintomas durante os surtos inflamatórios. Embora atualmente estas doenças ainda não tenham cura, existem tratamentos para reduzir a inflamação, como o (sidenote: Infliximab Uma bioterapia anti-TNF-α (proteína responsável pela inflamação dos tecidos). ) (IFX). O problema é que um terço dos pacientes não responde a esta terapia, e não existe qualquer (sidenote: Marcador biológico Uma caraterística biológica, medida objetivamente, que avalia a resposta a um tratamento. Essa resposta pode ser completa o parcial. )  para se prever a resposta ao tratamento. E é na microbiota intestinal que os investigadores deste estudo podem ter encontrado a solução.

Uma microbiota intestinal diferente antes do tratamento...

Vários estudos já demonstraram uma associação entre a composição da microbiota intestinal (bactérias e mais recentemente fungos), e as DII. Assim, e no sentido de identificarem marcadores de resposta adequada à terapia por IFX, os investigadores avaliaram o efeito do tratamento sobre a composição da microbiota intestinal de (sidenote: 25 pacientes com doença de Crohn (CD) e 47 com colite ulcerosa (CU). )  de DII tratados com Infliximab. Foi realizada a análise da microbiota intestinal (diversidade de bactérias e fungos) em amostras fecais recolhidas antes do tratamento e, posteriormente, até 1 ano após o início da terapia. Os pacientes foram classificados em três grupos, de acordo com o tipo de resposta ao tratamento. O estudo revela que, antes do início do tratamento, a composição em bactérias e fungos da microbiota nos pacientes com DII era significativamente divergente entre os 3 grupos de pacientes que posteriormente responderam de forma diferente à terapia.

…permitindo a previsão da resposta à terapia

Após início do tratamento, foram também observadas diferenças significativas entre os 3 grupos de pacientes: aqueles cuja resposta foi insatisfatória apresentavam quantidades reduzidas de bactérias detentoras de propriedades anti-inflamatórias e uma maior abundância de fungos (Candida) e de bactérias com capacidades pró-inflamatórias. Estes resultados sugerem, portanto, que a microbiota intestinal tem intervenção na resposta ao tratamento.

Com base nesta descoberta, os investigadores subsequentemente identificaram determinadas bactérias e fungos presentes antes do início do tratamento no intestinos dos pacientes e que poderão servir de indicadores para se calcular a resposta à terapia por IFX. A identificação precoce dos pacientes com ausência de resposta permitirá uma rápida alteração do tratamento, tendo como consequência a redução dos efeitos secundários e, igualmente, das despesas envolvidas. Uma abordagem integralmente positiva!

Summary
Off
Sidebar
Off
Migrated content
Activé
Updated content
Désactivé
Old sources

Fontes:

Ventin-Holmberg R, Eberl A, Saqib S, et al. Bacterial and fungal profiles as markers of infliximab drug response in inflammatory bowel disease. J Crohns Colitis. 2020 Dec 10:jjaa252.

Old content type
article
Hide image
Off
Noticias

Quando a função renal se degrada, o chocolate negro pode protegê-la?

Alguns pedaços de chocolate negro por dia poderão ajudar a combater as complicações em caso de doença renal crónica (DRC)? Pode muito bem ser o caso, tendo em vista os efeitos benéficos do cacau para a saúde cardiovascular, a microbiota ou o cérebro.

A microbiota intestinal Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal
Actu GP : Quand la fonction rénale s’altère, le chocolat noir fait-il barrière ?

Já sabia? Theobroma cacao, o nome botânico que designa o cacaueiro, é composto por cacao, cacau, e theobroma, que em grego significa "alimento dos deuses". Iguaria outrora reservada a sacerdotes e a reis, o chocolate, felizmente para nós, democratizou-se. É hoje consumido e apreciado em todo o mundo pelo seu sabor delicioso e pelos seus efeitos benéficos para o organismo. Com um teor de cacau superior a 80%, o chocolate negro é, sem dúvida, o que mais benefícios apresenta para a saúde. E quais são esses benefícios? Contém compostos específicos que poderão atenuar as complicações nos pacientes com doença renal crónica (DRC).

Chocolate negro e microbiota intestinal: uma combinação vencedora?

Os pacientes com DRC sofrem uma redução da capacidade funcional dos seus rins, que deixam de filtrar adequadamente o sangue que circula no organismo. Essa disfunção resulta numa acumulação anómala de moléculas no sangue, nomeadamente toxinas urémicas1. Estes pacientes apresentam uma microbiota intestinal desequilibrada ( (sidenote: Disbiose A "disbiose" não é um fenómeno homogéneo – varia em função do estado de saúde de cada indivíduo. É geralmente definida como uma alteração da composição e do funcionamento da microbiota, causada por um conjunto de fatores ambientais e relacionados com o indivíduo que perturbam o ecossistema microbiano. Levy M, Kolodziejczyk AA, Thaiss CA, et al. Dysbiosis and the immune system. Nat Rev Immunol. 2017;17(4):219-232. ) ) e que pode contribuir para a produção dessas toxinas. A ingestão de cacau permitirá regular a microbiota intestinal, promovendo a colonização do intestino por bactérias conhecidas pelos seus efeitos benéficos (Lactobacillus e Bifidobacterium). Uma série de estudos indica, igualmente, que comer chocolate, graças à modulação que este realiza da microbiota intestinal, melhora a integridade da barreira intestinal, diminui a inflamação e reduz as toxinas urémicas.

O chocolate negro, paladino imaculado do nosso sistema cardiovascular

Os doentes com DRC apresentam um risco mais elevado de doença cardiovascular e de morte prematura. Vários estudos já demonstraram que o consumo regular de chocolate negro terá efeitos cardioprotetores para as pessoas saudáveis. Como? Ao melhorar a circulação sanguínea (melhora o funcionamento dos vasos sanguíneos e reduz a tensão arterial). Essas melhorias permitirão, também, uma redução do risco de acidente vascular cerebral (AVC).

Chocolate, a solução contra a depressão

Muitas vezes esquecemo-nos, mas uma doença crónica tem frequentemente impacto psicológico para o paciente. Para além do simples prazer de saborear, o consumo regular de chocolate escuro pode proporcionar conforto psicológico ao estimular a produção de serotonina (neurotransmissor envolvido no controlo dos comportamentos), a qual possui efeitos antidepressivos. Embora a ingestão de chocolate negro (contendo um mínimo de 80% de cacau) pareça constituir uma alternativa interessante para os pacientes que sofrem de DRC, os potenciais impactos desse consumo regular na inflamação e no risco cardiovascular e os seus efeitos sobre a microbiota intestinal nessas doenças ainda não foram estudados no âmbito de qualquer estudo clínico prospetivo. Mas que não seja isso que nos impeça de cedermos à volúpia de um bom chocolate!

1 No total, há mais de 80 moléculas que são consideradas toxinas urémicas: trata-se de hormonas, péptidos e até mesmo compostos orgânicos.

Recomendado pela nossa comunidade

"Obrigado pela vossa partilha!" - Comentário traduzido de Suzanne Kohler

"É muito bom saber!!!! Obrigado por esta informação!!!" - Comentário traduzido de Melissa Beyer

"Obrigado por partilharem isto comigo" - Comentário traduzido de Donna Tatum

(Da My health, my microbiota)

Summary
Off
Sidebar
Off
Migrated content
Activé
Updated content
Désactivé
Old sources

Fontes:

Fanton S, Cardozo LFMF, Combet E, Shiels PG, Stenvinkel P, Vieira IO, Narciso HR, Schmitz J, Mafra D. The sweet side of dark chocolate for chronic kidney disease patients. Clin Nutr. 2021 Jan;40(1):15-26. doi: 10.1016/j.clnu.2020.06.039.

Old content type
article
Hide image
Off
Noticias

Exposição aos antibióticos entre os 0 e os 6 anos: microbiota intestinal alterada, desenvolvimento da criança perturbado

Um recente estudo demonstra que a exposição a antibióticos durante os primeiros 6 anos de vida poderá alterar a longo prazo a microbiota intestinal e afetar o desenvolvimento das crianças.

A microbiota intestinal Microbiota intestinal bloqueia os efeitos dos antidepressivos Antibióticos e risco de DII: O que acontece nos adultos? Antibióticos e microbiota intestinal: quais são os impactos a longo prazo?

Os recém-nascidos submetidos a tratamento com antibióticos durante as primeiras semanas de vida apresentam alterações na composição da microbiota intestinal. No entanto, os efeitos microbiológicos e clínicos a longo prazo dessa exposição são ainda desconhecidos. Dadas as ligações entre causa e efeito que relacionam a microbiota intestinal com o crescimento, a obesidade ou as doenças metabólicas, os investigadores aventaram a hipótese de os antibióticos tomados durante os primeiros dias de vida poderem vir a exercer efeitos duradouros no crescimento das crianças, por perturbarem o processo natural de colonização da microbiota intestinal.

Desenvolvimento afetado…

Um estudo, realizado junto de 12.422 crianças nascidas de gravidez única a termo, é esclarecedor. Os lactentes estudados não apresentavam quaisquer anomalias conhecidas que pudessem afetar o crescimento, e não tiveram necessidade de qualquer tratamento profilático a longo prazo com antibióticos. 9,3% dos recém-nascidos desta coorte receberam (sidenote: Combinação de benzilpenicilina e gentamicina por via intravenosa no caso da maioria dos recém-nascidos )  nos primeiros 14 dias de vida. Entre os lactentes expostos, apenas os do sexo masculino apresentaram um peso significativamente inferior ao dos recém-nascidos não expostos durante os primeiros 6 anos de vida. Por outro lado, também se constatou que tinham uma altura e um índice de massa corporal (IMC) nitidamente menores entre os 2 e os 6 anos. Este resultado foi confirmado numa coorte alemã de 1.707 crianças acompanhadas desde o nascimento até aos 5 anos. Em contraste, a exposição a antibióticos durante os primeiros 6 anos de vida mas fora do período neonatal foi associada a um IMC significativamente mais elevado, tanto nos rapazes como nas raparigas.

Os antibióticos são uma descoberta científica extraordinária que salva milhões de vidas, mas a sua utilização excessiva e inapropriada tem agora suscitado sérias preocupações para a saúde, nomeadamente com a resistência aos antibióticos e a disbiose. Vejamos a sua página dedicada.

O papel ambivalente dos antibióticos

Ao destruírem as bactérias responsáveis pelas infeções, também têm impacto na m…

... e uma microbiota intestinal alterada

Para se estudar o efeito da exposição neonatal aos antibióticos sobre a microbiota intestinal, foram recolhidas amostras fecais aos 1, 6, 12 e 24 meses de idade num novo grupo de 33 recém-nascidos, treze dos quais receberam benzilpenicilina e gentamicina por via intravenosa durante as primeiras 48 horas de vida. O grupo de controlo integrou 20 recém-nascidos saudáveis e não expostos a antibióticos durante o período neonatal. A microbiota fecal foi analisada por sequenciação do gene do ARN ribossómico 16S. Após 1 e 6 meses, foram observadas diferenças significativas entre a composição da microbiota intestinal do grupo tratado com antibióticos e a do grupo de controlo, o que demonstra a persistência na microbiota dos efeitos da exposição aos antibióticos. Além disso, o género Bifidobacterium surgiu como sendo o mais afetado, e sua abundância surgiu significativamente reduzida até 24 meses após a exposição dos recém-nascidos.

O que é a Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM?

Todos os anos, desde 2015, a OMS organiza a Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM (WAAW), que tem como objetivo aumentar a sensibilização para a resistência aos antimicrobianos a nível global.

Realizada entre 18 e 24 de novembro, esta campanha incentiva o público em geral, os profissionais de saúde e os decisores a utilizarem cuidadosamente os antimicrobianos, a fim de evitar o surgimento de uma maior resistência aos antimicrobianos. 

A disbiose intestinal implicada?

Para estudarem as relações de causa-efeito entre a exposição neonatal a antibióticos, a disbiose intestinal e o impacto para o desenvolvimento das crianças, os investigadores realizaram um estudo complementar com (sidenote: Ratos axénicos Ratos sem germes, criados em ambiente estéril ) . Estes receberam um transplante de microbiota fecal (TMF) de crianças 1 mês e 2 anos após a exposição neonatal das mesmas a antibióticos. Observou-se uma redução significativa no aumento de peso dos ratos macho que receberam o TMF das crianças 1 mês e até 2 anos após a exposição neonatal, em comparação com os ratos não expostos. Em contrapartida, o desenvolvimento dos ratos fêmea não surgiu afetado. Estes dados sugerem que o potencial nexo de causalidade entre a exposição a antibióticos nos primeiros 6 anos de vida e os distúrbios do crescimento na infância poderá ser induzido pela disbiose intestinal gerada durante o desenvolvimento da microbiota intestinal.

Summary
Off
Sidebar
On
Migrated content
Activé
Updated content
Désactivé
Old content type
pro_article
Hide image
Off
Noticias Pediatria Gastroenterologia