Microbiota do couro cabeludo: aplique-lhe óleo (de coco)!

Quem é que nunca teve caspa na gola da camisola ou nos ombros da camisa? Esses pequenos flocos particularmente teimosos e inestéticos refletem uma disfunção crónica e bastante generalizada do couro cabeludo. Um estudo recente comprova que o óleo de coco ajuda a manter um couro cabeludo saudável, agindo favoravelmente sobre a respetiva microbiota.

A microbiota da pele Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal

Logo que os sacudimos, eles regressam imediatamente. Quem? Os flocos de caspa, é claro! Afeção cutânea caracterizada por descamação excessiva do couro cabeludo, com ou sem prurido, a caspa resulta de vários fatores: suscetibilidade genética, composição do sebo e microbiota do couro cabeludo. Será um fungo, chamado Malassezia, o responsável por acelerar o desenvolvimento da caspa e da inflamação. Embora eficazes contra este fungo, os antifúngicos não previnem a reaparição da caspa após a interrupção do tratamento. Em países da África e da Ásia, e nomeadamente na Índia, utiliza-se óleo de coco para manter a saúde do couro cabeludo, hidratar a pele e reforçar a função de barreira desta. Neste estudo, os investigadores compararam o impacto da aplicação de óleo de coco, face à de um champô neutro, na microbiota bacteriana e fúngica do couro cabeludo de 140 mulheres com e sem caspa.

Caspa: um fungo específico à cabeça?

No couro cabeludo das mulheres com caspa, descobriram-se populações bastante numerosas de fungos Malassezia. Por outro lado, outra espécie do fungo, M. globosa, colonizava abundantemente o couro cabeludo das mulheres que não apresentavam caspa nem comichão. O tratamento por óleo de coco permitiu aumentar a proporção de M. globosa relativamente aos outros grupos de Malassezia, até se atingir uma relação semelhante à dos couros cabeludos saudáveis.

Óleo de coco para o motor do seu couro cabeludo?

Embora não se tenham observado quaisquer diferenças significativas entre a microbiota bacteriana do grupo saudável e a do grupo com caspa, o tratamento com óleo de coco permitiu, em ambos os grupos, um aumento das bactérias que participam no metabolismo da biotina. Esta vitamina do complexo B é essencial à manutenção da saúde da pele e do couro cabeludo. É também conhecida por reduzir a inflamação. Serão necessários mais estudos para se compreender os mecanismos subjacentes, mas, para os investigadores, o efeito positivo do óleo de coco na composição e no funcionamento das comunidades microbianas constituirá um primeiro passo no sentido da recuperação a mais longo prazo de um couro cabeludo saudável.

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Fontes:

Saxena, R., Mittal, P., Clavaud, C. et al. Longitudinal study of the scalp microbiome suggests coconut oil to enrich healthy scalp commensals. Sci Rep 2021 Mar 31;11(1):7220.


 

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Influência do cão sobre a microbiota do pó na prevenção da asma: ao cão e ao menino

Os cães não levam para casa do dono apenas o seu carinho e o seu brinquedo favorito: a sua presença altera também a microbiota do pó doméstico, exercendo um potencial efeito preventivo e protetor contra a asma nos seus jovens companheiros humanos.

A microbiota pulmonar Asma e microbiota
Actu GP : Influence du chien sur le microbiote de la poussière en prévention de l’asthme : un coup de maitre ?

Todos os donos de cães o sabem: os seus patudos colocam à prova a paciência dos fanáticos de casas impecavelmente limpas, largando pelos um pouco por todo o lado. O Bóbi traz para o lar, dos seus passeios pelo exterior, múltiplos microrganismos. A presença destes modifica a microbiota do pó das nossas habitações... O que poderá explicar o “efeito cão” na proteção contra a asma.

Influência do Bóbi sobre a microbiota do pó…

Assim, investigadores passaram a pente fino o pó de 182 lares finlandeses (incluindo 56 com cão) e de 284 residências urbanas da Alemanha (18 com cão). Os resultados são claros: a presença do Bóbi corresponde a uma sobreabundância de certas bactérias e a uma maior variedade destas no pó doméstico das casas. Há sete géneros bacterianos que se revelam muito mais presentes nos lares onde vive um cão. Por outro lado, o impacto da presença de caninos manifesta-se mais limitado face aos fungos microscópicos do pó: há apenas uma levedura, normalmente também existente na água e na terra, que reforça a sua presença nessas casas.

...e o risco de asma?

Pelo contrário, as bactérias tipicamente associadas ao ser humano sofrem uma redução de um terço quando se tem um companheiro canino a viver em casa. E ainda bem! De facto, uma grande abundância de micróbios associados com o homem significa, potencialmente, mais agentes patogénicos humanos e riscos acrescidos de se desenvolver asma. Assim, de acordo com os investigadores, essa redução relativa de bactérias "humanas" e/ou o aumento das bactérias "caninas" poderão explicar a redução do risco de infeções respiratórias e de asma nas crianças que crescem com um ou mais animais de estimação. Mais um argumento para aqueles que sonham em adotar um companheiro de 4 patas e... facilitar um pouco no que respeita às limpezas?

Recomendado pela nossa comunidade

"Bom para a saúde de todos!" - Comentário traduzido de Donna Wheelock

"É definitivamente benéfico para a minha saúde..." Comentário traduzido de Fred Bauer

"Certíssimo." Comentário traduzido de Mariellen Smith

"Concordo" - Comentário traduzido de Janet Pearce

(Da My health, my microbiota)

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Depressão geriátrica: a microbiota intestinal envolvida na remissão?

A flora microbiana intestinal, já inculpada de envolvimento no funcionamento neuropsiquiátrico por estudos anteriores, poderá permitir prever a resposta ao tratamento da depressão geriátrica, inclusivamente por placebo. E a sua futura, ou não, remissão.

A microbiota intestinal Depressão: um diagnóstico mais preciso através da microbiota intestinal? Depressão: com vista à confirmação de um diálogo intestino-cérebro? A dupla face dos antibióticos, salva-vidas e desreguladores da microbiota

Verdadeiro problema de saúde pública, a depressão geriátrica poderá afetar até 25% dos idosos, com taxas de remissão mais reduzidas e maiores taxas de recaída do que nos adultos mais jovens. Daí a busca de biomarcadores que permitam prever a resposta aos antidepressivos. Essa busca, até agora sem sucesso, encontra-se atualmente num ponto de viragem: como as interações cérebro-intestino-microbiota modulam as perturbações do estado de espírito e a disbiose intestinal se manifesta para o final da vida, investigadores emitiram a hipótese de a microbiota intestinal permitir prever a resposta ao tratamento antidepressivo na depressão geriátrica. A análise secundária de um ensaio aleatório controlado (12 semanas com Levomilnaciprano (LVM) vs. placebo), realizado na Califórnia com idosos com distúrbio depressivo maior, parece dar-lhes razão.

Géneros bacterianos capazes de prever a remissão

Na impossibilidade de observar as diferenças na taxas de remissão entre os grupos com LVM e com placebo, a análise juntou 4 pacientes tratados e 8 do grupo de controlo. Destes 12 idosos, 5 venceram a depressão (avaliação ≤ 6 na escala de Hamilton): eram mais jovens que a média (67 vs. 74 anos), todos do sexo masculino, mas a sua microbiota intestinal antes do tratamento não apresentava qualquer diferença em termos de diversidade α ou β. Por outro lado, possuía 9 géneros bacterianos que poderão permitir prever com precisão a remissão: uma microbiota enriquecida em Faecalibacterium, e, em menor medida, em Agathobacter e Roseburia será o prenúncio, portanto, do triunfo sobre a depressão.

A microbiota intestinal evolui em caso de remissão

O estudo demonstrou também que a microbiota intestinal dos doentes em remissão (mas não a dos pacientes que permaneceram deprimidos) modifica-se durante a respetiva ultrapassagem do distúrbio depressivo. Assim, os investigadores observaram um aumento de determinados táxons, nomeadamente Flavonifractor e DTU089. De acordo com os autores, o aumento da presença destas bactérias, que não têm efeitos antidepressivos conhecidos, poderá resultar do fim do estado depressivo (alimentação melhorada, aumento da atividade física, recuperação do sono, menos stress, etc.).

Para breve: uma medicina personalizada para o tratamento da depressão geriátrica?


A relação entre a microbiota intestinal e a depressão durante o envelhecimento permanece, no entanto, pouco compreendida: será que o lento declínio do sistema imunitário (imunossenescência) provoca um aumento gradual da inflamação crónica? Será que esse aumento faz alterar a microbiota intestinal (perda de diversidade)? Ainda que permaneçam todas essas perguntas, este estudo mostra pela primeira vez o papel da microbiota intestinal na previsão da resposta ao tratamento da depressão geriátrica, e inclusivamente o efeito placebo. Embora estes resultados devam ser confirmados por estudos prospetivos de maior envergadura, eles poderão abrir caminho para uma medicina personalizada, capaz de escolher o antidepressivo certo de acordo com a microbiota e a eficácia por ela prevista, ou até mesmo de tratar a depressão mediante o reforço de determinados táxons benéficos.

Recomendado pela nossa comunidade

"Obrigado, bom trabalho!!!"  -@thinhhoang_tk (Da Biocodex Microbiota Institute no X)

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Cancro da mama: eficácia da imunoterapia determinada pela microbiota intestinal?

Um estudo recente, publicado em Cancer Research, sugere que a microbiota intestinal (MI) influenciará a resposta à imunoterapia no cancro da mama HER2 positivo. Como? Através da regulação local e sistémica do sistema imunitário.

A microbiota intestinal E se a manipulação da microbiota puder melhorar a resposta à imunoterapia? Antibióticos e microbiota intestinal: quais são os impactos a longo prazo?
Actu PRO : Cancer du sein : l’efficacité de l’immunothérapie déterminée par le microbiote intestinal ?

Primeira opção terapêutica para as mulheres com cancro da mama HER2 positivo, o trastuzumab é usado para bloquear o recetor HER2. Estudos recentes revelaram também que possui propriedades imunomoduladoras. Apesar de ser eficaz contra o tipo de cancro em questão, há um elevado número de pacientes que apresentam ou desenvolvem resistência a este tratamento. Para tentarem perceber este fenómeno, os autores centraram-se na microbiota intestinal, que se sabe ter implicações na eficácia da quimioterapia e na imunoterapia através da modulação da imunidade do hospedeiro em outros tipos de cancro. O estudo foi realizado em modelos experimentais e em 24 mulheres com cancro da mama HER2 positivo.

Eficácia mediada pela microbiota...

Numa primeira fase, através de modelos de ratos, os investigadores demonstraram que a eficácia do tratamento depende da microbiota intestinal. De facto, quer os ratos fossem tratados com antibióticos ou se recorresse a transferência da microbiota intestinal (transplante microbiano fecal) oriunda de ratos que tinham recebido tratamento ATB, a toma de ATB resultou na eliminação completa da inibição de crescimento do tumor pelo trastuzumab. Por outro lado, a terapia por antibióticos não só induziu alterações no microambiente imunitário dos tumores, como também causou uma modificação da microbiota intestinal. Especificamente, o estudo demonstra que a alteração da microbiota intestinal teve impacto sobre a imunidade da mucosa intestinal e as citoquinas sistémicas (alteração da mobilização de células T CD4+ e GZMB+ nos tumores). Para os autores, tudo estará relacionado: as modificações do microambiente imunitário dos tumores, induzidas pela alteração da microbiota intestinal, serão assim responsáveis pela perda de eficácia do tratamento.

...confirmada em pacientes com cancro da mama HER-2 positivo

O estudo prosseguiu depois com 24 pacientes com cancro da mama HER2 positivo e sob terapêutica com trastuzumab. A análise da respetiva microbiota intestinal revelou menor α-diversidade e menor abundância de certas bactérias em quem não respondeu ao tratamento (NR), em comparação com quem respondeu (R), tal como nos ratos tratados com antibióticos. Paralelamente, o transplante de microbiota fecal proveniente de pacientes R e NR para ratos recetores refletiu a resposta ao trastuzumab observada nas doadoras. Para concluir, a β-diversidade da microbiota fecal permitiu distinguir as pacientes de acordo com a sua resposta ao tratamento, e isto independentemente do subtipo intrínseco do tumor. Para os autores, o contributo direto da microbiota intestinal suscita abordagens terapêuticas promissoras, mediante a sua modulação, para se melhorar a eficácia da terapia anti-HER2, e também para a exploração da respetiva utilização como biomarcador da resposta ao tratamento.

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A microbiota intestinal, um bom indicador de longevidade?

Quanto mais envelhecermos, mais a nossa microbiota intestinal se tornará única. E é essa especificidade que pressagiará tanto um envelhecimento saudável, como uma maior esperança de vida nos idosos. Outros tantos argumentos para mimarmos a nossa microbiota!

A microbiota intestinal Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal

Na Antiguidade, o (sidenote: Arúspice Sacerdote e adivinho encarregue de prever o futuro e de interpretar a vontade dos deuses através do exame das entranhas de certos animais. )  lia o futuro nas entranhas de um animal sacrificado. Será que, num futuro próximo, iremos ser capazes de prever a nossa longevidade analisando as nossas? Em todo o caso, isso é o que sugere uma recente publicação que incidiu sobre os microrganismos vivos dos intestinos de mais de 9.000 indivíduos com idades entre os 18 e os 101 anos.

Uma microbiota intestinal cada vez mais específica

Primeira ilação deste estudo: a microbiota intestinal de cada ser humano parece diferenciar-se cada vez mais a partir dos quarenta anos. E essa singularidade está associada a marcadores microbianos reconhecidos benéficos em termos de imunidade, inflamação, envelhecimento e longevidade. Nota-se também uma esperança de vida de menos 4 anos entre as pessoas com 80 anos ou mais que mantêm forte abundância de bactérias do género Bacteroides e/ou possuem uma comunidade microbiana intestinal heterogénea. Estes resultados são tanto mais seguros quanto se observam em 3 grupos de estudo demograficamente distintos.

Compostos que aumentam a esperança de vida?


Segunda ilação do estudo: a assinatura intestinal das pessoas que envelhecem saudáveis está associada a metabolitos sanguíneos produzidos pelas bactérias da microbiota intestinal. Por exemplo, foram identificados produtos da degradação de aminoácidos específicos, triptofano e fenilalanina. Curiosamente, alguns dos metabolitos já haviam sido observados no sangue de centenários em comparação com o de indivíduos jovens saudáveis. E quanto a outros, como o indol, também já tinha sido demonstrada a sua ação no aumento da esperança de vida em múltiplos modelos animais. Assim, o envelhecimento caraterizar-se-á por uma alteração da atividade da flora intestinal, que passará apenas a produzir moléculas específicas. Nunca será demais repetirmos: cuidar adequadamente da microbiota intestinal em cada fase da vida, aumentará a longevidade do seu hospedeiro e contribuirá para que se viva mais tempo e com mais saúde. Para bom entendedor...

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Fontes :

Wilmanski T, Diener C, Rappaport N, et al. Gut microbiome pattern reflects healthy ageing and predicts survival in humans. Nat Metab. 2021 Feb;3(2):274-286.

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Microbiota intestinal: um fator... De peso, em caso de dieta

Diz-me como é o teu microbiota intestinal, dir-te-ei se vais perder peso: esta é, em substância, a mensagem formulada por uma equipa de investigação chinesa que afirma que a propensão das pessoas para perderem peso durante uma dieta pode ser prevista através das suas bactérias intestinais.

A microbiota intestinal Síndrome metabólica Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal
Actu GP : Le microbiote intestinal : un facteur… de poids, en cas de régime

É uma injustiça "metabólica" com que muitas vezes nos confrontamos... Enquanto alguns e algumas perdem os seus quilos a mais sem problemas, outros e outras, apesar dos seus esforços, não veem a sua curva do peso inverter-se ou, ainda pior, descobrem que ele continua a aumentar. Como explicar tais diferenças: pelas escolhas nutricionais mais inteligentes da parte de alguns? Pelo número de piscinas nadadas por outros? Por terem tido mais sorte na lotaria da genética?

Nutrição, desporto, genética...

A resposta poderá ser inteiramente outra e a origem estar na microbiota intestinal. De facto, esta é a hipótese aceite pelos investigadores que acompanharam, durante 6 meses, 83 adultos chineses (72 dos quais com excesso de peso ou obesos) de um programa de perda de peso que incluía ementas recomendadas e trocas de impressões diárias por smartphone com um nutricionista. Objetivo: uma restrição calórica de 30 a 50%. Os participantes comunicavam a respetiva ingestão de alimentos várias vezes por semana, usavam um sensor para calcular as calorias queimadas, e pesavam-se na balança todos os sábados. Recolhiam igualmente as fezes para se caracterizar a sua microbiota e a evolução da mesma durante o regime. Uma amostra de saliva permitia, por outro lado, determinar a sua predisposição genética para a obesidade.

... ou microbiota?

Resultados? Muito mais do que a alimentação, o nível de atividade física ou a herança genética, foi a microbiota intestinal inicial que melhor permitiu predizer a curva de peso durante o estudo. A abundância de duas bactérias – Blautia wexlerae e Bacteroides dorei –mostra-se particularmente capaz de prever a futura perda de quilos. A evolução do peso durante a dieta é também acompanhada por mudanças na abundância de certas bactérias: se as Ruminococcus gnavus, mais abundantes nas pessoas obesas, diminuem durante a perda de peso, as Akkermansia muciniphila e as Alistipes obesi, mais numerosas nas pessoas magras, aumentam no decurso do regime. A composição da microbiota permitirá, assim, prever a suscetibilidade individual para a perda de peso e abrir caminho a programas de nutrição personalizados, mais dirigidos a essa mesma microbiota. Será que é o fim das desigualdades metabólicas?

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Fontes :

Jie Z, Yu X, Liu Y et al. The Baseline Gut Microbiota Directs Dieting-Induced Weight Loss Trajectories. Gastroenterology. 2021 Jan 20:S0016-5085(21)00096-2.

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Melanoma: transplantação fecal para inibir a resistência aos anti-PD-1?

Um estudo recente publicado na Science demonstra que uma alteração na microbiota intestinal ajudará os doentes com melanoma avançado a responderem à imunoterapia com anticorpos monoclonais anti-PD-1 a que os seus tumores sejam até aí resistentes. Como? Graças ao transplante da microbiota fecal (TMF).

A microbiota intestinal E se a manipulação da microbiota puder melhorar a resposta à imunoterapia? Exposição aos antibióticos entre os 0 e os 6 anos: microbiota intestinal alterada, desenvolvimento da criança perturbado Menos antibióticos, menos disbiose, menos asma infantil

Este é um dos principais avanços terapêuticos desta década. O tratamento anti-PD-1 apresenta vantagens clínicas a longo prazo para os pacientes portadores de melanoma avançado. Nos modelos pré-clínicos e nos doentes com cancro, a eficácia desta terapia surge relacionada com a composição da microbiota intestinal. Objetivo deste ensaio clínico de fase II: determinar se uma modificação da microbiota intestinal pode superar a resistência aos anti-PD-1.

Microbiota fecal e anti-PD1: uma combinação vencedora?

Este ensaio clínico visa avaliar a segurança e a eficácia do TMF em combinação com um anti-PD-1 (pembrolizumab) em pacientes com melanoma metastático, todos eles anteriormente resistentes a esta terapia. Quinze pacientes receberam, em adição ao anticorpo anti-PD1 (administração a cada 3 semanas até à evolução), um único TMF proveniente de sete dadores que tinham já apresentado resposta total (quatro pacientes) ou parcial (três pacientes) à imunoterapia. Foram realizadas avaliações radiográficas a cada 12 semanas.

A microbiota intestinal dos destinatários e dos doadores foi analisada através de sequenciação shotgun. Para cada destinatário, foram sequenciadas uma amostra pré-TMF (obtida 7 a 21 dias antes) e todas as amostras pós-TMF (recolhidas semanalmente durante 12 semanas, e depois a cada 3 semanas). A evolução dos pacientes foi seguida durante 12 meses, em média.

O TMF reorganiza a microbiota intestinal

Esta combinação, muito bem tolerada, apresentou benefícios clínicos significativos em seis pacientes, com a regressão ou estabilização do tumor durante mais de um ano. Nesses pacientes, a sobrevida média foi de 14 meses.

A composição da microbiota intestinal dos quinze pacientes transplantados diferiu após o transplante, quer respondessem ou não à imunoterapia. Nos seis pacientes que responderam, a composição da microbiota intestinal tornou-se mais semelhante à dos doadores, em comparação com a dos que não responderam. Ela tornou-se nomeadamente mais rica em espécies pertencentes às Firmicutes (Lachnospiraceae e Ruminococcaceae) e Actinobacteria (Bifidobacteriaceae e Coriobacteriaceae), e mais pobre em Bacteroidetes.

O TMF e a imunoterapia redefinem a resposta imunitária

Entre os seis pacientes que responderam, as alterações imunológicas no sangue e nos locais do tumor sugerem um aumento da ativação das células imunitárias (ativação de CD8, diminuição de IL-8). Além disso, apresentaram diferentes assinaturas proteómicas e metabólicas, que parecem reguladas pela microbiota intestinal. Inversamente, os pacientes que não responderam à imunoterapia poderão ser resistente por múltiplas razões, segundo os investigadores, relacionadas com a sua composição intestinal.

Embora estas conclusões necessitem de investigação mais aprofundada com ensaios clínicos em mais larga escala, este estudo destaca que um único transplante fecal administrado com um inibidor de PD1 é suficiente para colonizar com êxito a microbiota intestinal dos pacientes com resposta, e para reprogramar o microambiente tumoral para vencer a resistência à imunoterapia. O TMF altera a composição da microbiota, promovendo a eficácia do anti-PD-1 para induzir respostas clínicas nos pacientes com melanoma refratário à imunoterapia.

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Transplante pulmonar: a microbiota pulmonar, um indicador fiável para se prever a rejeição?

Poder prever-se a rejeição do transplante? É o sonho de qualquer cirurgião, e a esperança de qualquer paciente... De acordo com um estudo publicado em The Lancet Respiratory Medicine, um aumento das bactérias pulmonares permitirá prever a rejeição crónica do transplante nos adultos saudáveis que tenham sido sujeitos a transplante pulmonar.

A microbiota pulmonar Microbiota pulmonar: um marcador do prognóstico da DPOC? A dupla face dos antibióticos, salva-vidas e desreguladores da microbiota
Actu PRO : Greffe de poumon : le microbiote pulmonaire, un indicateur fiable pour prédire le rejet ?

Único tratamento existente para a fase terminal da doença pulmonar, o transplante do pulmão apresenta taxas de sobrevivência muito baixas em comparação com outros transplantes de órgãos. Observa-se também nestes pacientes uma microbiota respiratória modificada em comparação com a das pessoas saudáveis, denotando aumento da carga bacteriana e comunidades bacterianas alteradas. A relevância clínica destas diferenças da microbiota pulmonar para os resultados pós-transplante pulmonar era, até à data, desconhecida.

Compreender os efeitos da evolução da microbiota pulmonar na sobrevivência pós-transplante

Os investigadores realizaram um estudo prospetivo incidindo sobre 134 pacientes que receberam aloenxertos pulmonares na Universidade de Michigan entre outubro de 2005 e agosto de 2017. Objetivo: avaliar o significado clínico dos efeitos das alterações na microbiota respiratória após um transplante pulmonar em recetores de transplante de pulmão saudáveis na sobrevivência posterior sem disfunção crónica do enxerto pulmonar (CLAD). As análises incidiram sobre amostras de líquido broncoalveolar recolhidas durante broncoscopia realizada em pacientes assintomáticos um ano após o transplante. Posteriormente, a respetiva função pulmonar foi avaliada de 3 em 3 meses por espirometria, para se monitorizar o desenvolvimento de CLAD.

Fator de risco associado ao número de bactérias pulmonares

Ao longo dos 500 dias do acompanhamento, 18% dos pacientes desenvolveram CLAD, 4% faleceram antes de diagnóstico confirmado dessa disfunção e 78% permaneceram sem CLAD. No que respeita à microbiota pulmonar, a existência de um aumento do número de bactérias pulmonares revelou-se associada a um maior risco de desenvolvimento de rejeição crónica e de morte após o transplante de pulmão. Outra constatação: esta associação entre o aumento da carga de ADN bacteriano e o risco de desenvolvimento de CLAD não será atribuível à presença nem à abundância relativa de Pseudomonas spp, como poderiam sugerir alguns estudos anteriores.

A sobrevivência prevista pela composição das comunidades bacterianas?

Conclui-se também, a partir deste estudo, que a composição da comunidade bacteriana pulmonar é significativamente diferente nos pacientes que sobreviveram e permaneceram livres de CLAD, em comparação com aqueles que desenvolveram CLAD ou morreram. No entanto, não foi observada qualquer associação definitiva entre os táxons bacterianos individuais e as causas de óbito ou o aparecimento de CLAD. No momento de estabelecerem um balanço preliminar, os investigadores concluíram que a composição poderá ser de importância secundária em relação às diferenças da carga bacteriana total, no que respeita à previsão da sobrevida sem CLAD. No entanto, são necessários mais estudos para se confirmar, em primeiro lugar, se as bactérias pulmonares são modificáveis através de antibióticos ou de outras intervenções, e em segundo lugar, se as alterações na microbiota pulmonar podem explicar a variabilidade das respostas dos pacientes às terapias após o transplante pulmonar.

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Microbiota do pó das cidades ou dos campos: a dermatite atópica já escolheu o seu próprio campo!

Nestes períodos de confinamento, as crianças passam grande parte do tempo em casa. Falamos de um ambiente doméstico, onde o pó impera. Ora, esta exposição aos agentes microbianos presentes nesse pó, poderá ser fator de proteção ou de risco para o desenvolvimento da dermatite atópica, consoante a residência se encontre localizada na cidade ou no campo. 

A microbiota da pele

O eczema (ou dermatite atópica) é a doença crónica da (sidenote: https://www.worldallergy.org/UserFiles/file/WAOAtopicDermatitisInfographic2018.pdf   ) . Caracteriza-se pela secura cutânea, associada a lesões do tipo eczematoso (exantema e prurido, etc.) não contagiosas, manifestando-se mediante surtos. Resultando de uma complexa interação de fatores genéticos e ambientais, pode manifestar-se muito cedo, mesmo na primeira infância, mas pode persistir e por vezes surgir em adolescentes e adultos. Entre os referidos fatores ambientais, o papel da microbiota intestinal e também o da microbiota cutânea ou da nasal já foi amplamente demonstrado. Apesar de importantes esforços de investigação nos últimos anos, o número de pessoas afetadas é crescente em todo o mundo. Como explicar esse aumento? Os primeiros elementos de explicação visam as mudanças ambientais resultantes de mais higiene e da urbanização. Surpreendentemente, enquanto a presença da doença nos países africanos parece ser bastante reduzida, os afro-americanos surgem, em contrapartida, como os mais afetados. Este novo estudo procura compreender porquê, avaliando a associação entre a microbiota do pó das habitações da cidade e do campo e o surgimento desta afeção em crianças sul-africanas.

Pó das cidades ou dos campos: o que é que nos revela a microbiota?

Os investigadores passaram a pente fino as residências (rurais ou urbanas) de 86 crianças sul-africanas com idades entre os 12 e os 36 meses, afetadas ou não pela dermatite atópica. A sua missão? Colher amostras do pó dessas casas para analisarem a respetiva microbiota bacteriana. 1.ª constatação: a composição microbiana global é significativamente diferente entre o pó das residências urbanas e o das rurais. Nas casas citadinas, o pó apresenta uma diversidade bacteriana significativamente reduzida em comparação com o das habitações situadas no campo. Determinadas bactérias específicas (Clostridiales, Lachnospiraceae, Ruminococcaceae e Bacteroidales) surgem também em quantidade reduzida.

Bactérias protetoras contra a dermatite atópica?

Outra conclusão deste estudo: a composição e a diversidade das bactérias presentes no meio do pó doméstico difere nas casas onde habitam crianças com dermatite atópica relativamente às das que não são vítimas da patologia. Nas habitações das crianças não afetadas e que residem no campo, as bactérias Clostridiales, Ruminococcaceae e Bacteroidales surgem em quantidades mais elevadas no pó. Estes resultados indicam que tais bactérias podem desempenhar um efeito protetor contra a dermatite atópica. Em contrapartida, nas áreas urbanas, não foi observada qualquer diferença na quantidade ou na diversidade bacteriana do pó das casas onde as crianças, tanto afetadas como não, vivem.


A composição do pó doméstico pode ser um fator de risco importante para o desenvolvimento de dermatite atópica, e essa associação pode ser determinada, em parte, pela microbiota intestinal. Inadvertidamente, as crianças de tenra idade ingerem e inalam quotidianamente pó da casa, sendo provável, segundo os investigadores, que algumas das bactérias presentes nesse pó se instalem ao nível intestinal, o que poderá (ou não) protegê-las de virem a apresentar eczemas.

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Fontes:

Mahdavinia M, Greenfield LR, Moore D, et al. House dust microbiota and atopic dermatitis; effect of urbanization [published online ahead of print, 2021 Feb 11]. Pediatr Allergy Immunol. 2021;10.1111/pai.13471. doi:10.1111/pai.13471

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Libido: bactérias intestinais desmancha-prazeres

Quando se procuram os culpados de uma libido em baixa, a rotina ou o passar dos anos são muitas vezes apontados a dedo. E se fosse necessário procurar um suspeito mais pequenino, tranquilamente aninhado no fundo das nossas entranhas?

A microbiota intestinal Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal
Actu GP : Libido : des bactéries intestinales trouble-fête

A perda da libido nas mulheres é um distúrbio sexual com múltiplas consequências: redução da qualidade de vida, autoconfiança e autoestima em queda, privação de ligação com o parceiro... Efetivamente, os médicos falam de "síndrome ou transtorno do desejo sexual hipoativo” (TDSH) quando a insuficiência ou ausência de desejo sexual causa acentuado sofrimento ou dificuldades nas relações interpessoais. Este conjunto de sintomas (redução do desejo + sofrimento associado) afetará até 10% das mulheres americanas, podendo acontecer o mesmo nos outros países. Ora, de acordo com trabalhos recentes, a microbiota intestinal, já implicada nas doenças mentais e neurológicas, estará envolvida nestes distúrbios sexuais em parte regulados pelo cérebro.

Bactérias, emoções e sexualidade

Para saberem mais, os investigadores compararam as fezes de 24 mulheres com TDSH com as de 22 mulheres sem problemas de libido. Observaram nas mulheres TDSH uma menor abundância de algumas bactérias e um aumento de outras, nomeadamente lactobacilos e bifidobactérias. Quanto mais importantes eram as diferenças comparativamente ao microbiota das mulheres sem problemas, mais pronunciada era a diminuição do desejo sexual. Novas investigações mais aprofundadas serão, contudo, necessárias para se compreender os mecanismos em ação: pequenas moléculas segregadas pelas bactérias intestinais penetrarão no nosso organismo e poderão influenciar o nosso cérebro. A aposta nestas investigações é importante: estes resultados, embora sejam ainda muito preliminares, poderão um dia permitir uma melhor gestão da diminuição da libido nas mulheres.

Serenidade ou desejo, será necessário escolher?

Por fim, os autores lembram que os níveis elevados de lactobacilos e bifidobactérias, que marcam a perda de libido, já foram previamente associados a uma diminuição dos pensamentos agressivos e dos sentimentos de tristeza. Para os autores, tudo estará ligado: a cólera ou o stress poderão funcionar como um prelúdio da sexualidade, nomeadamente porque estes estados emocionais geram uma excitação capaz de se transformar em desejo. Por outras palavras, parece que é necessário optar entre serenidade e libido!

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Fontes:

Li G, Li W, Song B, et al. Differences in the Gut Microbiome of Women With and Without Hypoactive Sexual Desire Disorder: Case Control Study. J Med Internet Res. 2021 Feb 25;23(2):e25342.

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