Cistite e microbiota

A cistite é a inflamação da bexiga, mais comummente causada por infeções urinárias. A bactéria Escherichia coli, vinda do intestino, é a causa principal. As mulheres são mais afetadas que os homens. 

A microbiota vaginal
Cystitis

45% Quase 1 em cada 2 mulheres afirmam fazer duches vaginais, apesar de serem prejudiciais para a sua microbiota vaginal

As cistites afetam 30 % das mulheres pelo menos uma vez na vida, com um pico de frequência entre os 20 e os 30 anos. É 50 vezes mais comum nas mulheres do que nos homens. Os sintomas incluem uma sensação de ardor ao urinar, a urgência urinária e uma urina baça e com um cheiro desagradável. É simples de tratar, mas bastante recorrente. 

Mulheres mais afetadas

Alguns fatores fazem com que as mulheres sejam mais afetadas: menor comprimento da uretra, contacto sexual, uso de cateteres, incontinência urinária, menopausa e gravidez. Anomalias anatómicas e diabetes são também fatores de risco. Higiene íntima em demasia ou falta dela estão também implicadas no aparecimento da cistite. 

Uma origem intestinal

Em 90 % dos casos, a cistite é causada pela bactéria Escherichia coli. Esta bactéria está naturalmente presente na microbiota intestinal. Pode penetrar na uretra, viajar até à bexiga e multiplicar-se lá. 

Tratamento padronizado

O tratamento mais normal e eficaz para a cistite são os antibióticos. Contudo, o reaparecimento é comum. Algumas medidas podem preveni-la (beber água, higiene, etc.). Os estudos demonstraram os benéficos de tomar probióticos, como certos lactobacilos. É de notar que o arando-vermelho, uma baga,  pode desempenhar um papel na prevenção do reaparecimento das cistites, mas o seu efeito ainda não foi claramente demonstrado. 

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Doença

Doença celíaca

A doença celíaca é uma doença digestiva autoimune provocada pela intolerância ao glúten. Múltiplos fatores têm influência, incluindo um desequilíbrio da flora intestinal. 

A microbiota intestinal
Celiac disease

O glúten é uma substância que está naturalmente presente no trigo, cevada e centeio. Ao contrário de uma alergia ao glúten, uma intolerância aparece aos poucos e pode permanecer não notada por muitos anos. Nos países ocidentais, é afetada entre 0,7 e 2 % da população. 

Uma doença muitas vezes assintomática

Na sua forma clássica, a doença celíaca começa por volta dos 6 meses de idade, depois da introdução dos primeiros cereais na dieta. Os sintomas clássicos são diarreia crónica, falta de apetite e apatia. Contudo, a maior parte das vezes a doença celíaca é assintomática.

A predisposição genética na origem?

A doença celíaca aparece em pessoas que têm uma predisposição genética para a mesma. O seu sistema imunitário produz anticorpos na presença do glúten que atacam a parede do intestino. O resultado é que a digestão se altera e os nutrientes não são tão bem absorvidos. Outros fatores estão envolvidos como a idade em que o glúten é introduzido e repetidas infeções intestinais. De acordo com uma hipótese que é fundamentada pela existência de disbiose nestes doentes, a microbiota gastrointestinal pode também desempenhar um papel desencadeador ou agravador. A flora gastrointestinal contém menos bactérias benéficas e mais germes potencialmente patogénicos em comparação com indivíduos saudáveis. Uma dieta sem glúten reduz o desequilíbrio, mas não pode corrigi-lo de todo.

O diagnóstico centra-se num exame clínico e na presença de sinais indicativos juntamente com a pesquisa de anticorpos específicos no sangue e uma biopsia (se necessário). A predisposição genética tem sido comprovada através de estudo genético (tipificação HLA).

Modificação da microbiota como prevenção

O único tratamento para a doença celíaca é a remoção do glúten da dieta. Contudo, outra abordagem – visando a disbiose – tem investigadores interessados. Consiste em modificar a microbiota gastrointestinal para prevenir a evolução da doença, em casos de risco genético acrescido ou para melhorar formas que sejam graves ou até resistentes à dieta sem glúten.

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Doença

Cancro do estômago

O cancro colorretal e o cancro do estômago são dois cancros gastrointestinais cujas origens são provavelmente influenciadas pela microbiota intestinal. 

A microbiota intestinal
stomach cancer

Cancro colorretal, a importância dos fatores ambientais

O cancro colorretal é o 2.º cancro mais mortífero, com 694 000 mortes por ano em todo o mundo. Os fatores genéticos são uma causa significativa, mas minoritária do cancro gastrointestinal, que está mais relacionado com fatores ambientes como um estilo de vida sedentário, obesidade e, em particular, uma dieta desequilibrada, o que causa disbiose intestinal. Além do mais, a hipótese de existir uma relação entre este cancro e um desequilíbrio entre espécies de bactérias perigosas e benéficas é mais que provável.

O cancro colorretal não apresenta sintomas durante um longo período de tempo, manifestando-se depois através de complicações persistentes ou repentinas do trânsito intestinal: obstipação, diarreia, uma constante vontade de ir à casa-de-banho, etc.

A pesquisa de sangue nas fezes e a colonoscopia são dois métodos de primeira linha para detetar o cancro colorretal.
O tratamento passa pela cirurgia, com remoção de parte do cólon, algumas vezes acompanhado de quimio ou radioterapia.

Bactérias responsáveis por 80 % dos cancros do estômago

Apesar dos vários fatores de risco identificados (tabagismo, dieta, história familiar, predisposição genética), a principal causa de cancro do estômago é a Helicobacter pylori, uma bactéria patogénica que causa a gastrite crónica.

Os sintomas não são muito específicos: dor de estômago, náusea e vómitos constantes e uma mudança do estado geral. Apenas a endoscopia do estômago e do esófago pode confirmar este diagnóstico.

A cirurgia é o tratamento de referência para tumores localizados, com remoção parcial ou total do estômago. Para formas locais avançadas, os médicos associam ainda quimioterapia.

Restauração da microbiota, a terapêutica do futuro?

Desde que a relação entre bactérias e cancros gastrointestinais parece mais que provável, a manipulação da microbiota com probióticos e prebióticos tem vindo a ser estudada como um potencial tratamento. 

Fontes

World Cancer Research Fund International, Colorectal cancer statistics http://www.wcrf.org/int/cancer-facts-figures/data-specific-cancers/colorectal-cancer-statistics

GLOBOCAN project, Colorectal Cancer Estimated Incidence, Mortality and Prevalence Worldwide in 2012 

InCA. Estimation nationale de l'incidence et de la mortalité par cancer en France entre 1980 et 2012. InCA, 2013. http://www.e-cancer.fr/content/download/63256/569357/file/Estimation-nationale-incidence-mortalite-par-cancer-France-1980-2012-Partie-1-V2.pdf

Zeller G, Tap J, Voigt AY, et al. Potential of fecal microbiota for early-stage detection of colorectal cancer. Mol Syst Biol 2014 ; 10 : 766.

Le cancer de l'estomac : points clés. Institut national du cancer. http://www.e-cancer.fr/Patients-et-proches/Les-cancers/Cancer-de-l-estomac/Points-cles

Sobhani I, Tap J, Roudot-Thoraval F, Roperch JP, Letulle S, et al. Microbial Dysbiosis in Colorectal Cancer (CRC) Patients. PLOS ONE 2011 ; 6(1): e16393.

Wang LL, Yu XJ, Zhan SH, Jia SJ, et al. Participation of microbiota in the development of gastric cancer. World Journal of Gastroenterology : WJG. 2014 ; 20(17):4948-4952.

Mehta RS, Nishihara R, Cao Y, et al. Association of Dietary Patterns With Risk of Colorectal Cancer Subtypes Classified by Fusobacterium nucleatum in Tumor Tissue [published correction appears in JAMA Oncol. 2019 Apr 1;5(4):579]. JAMA Oncol. 2017;3(7):921-927.

Microbiote intestinal et santé. Inserm, février 2016. http://www.inserm.fr/thematiques/physiopathologie-metabolisme-nutrition/dossiers-d-information/microbiote-intestinal-et-sante

Sobhani I, Amiot A, Le Baleur Y, et al. Microbial dysbioses and colon carcinogenesis: could colon cancer be considered a bacteria-related disease? Ther Adv Gastroenterol 2013 ; 6 : 215-29.

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Quem é o Professor Guarner?

  • Francisco Guarner, MD, PhD, é formado em medicina e cirurgia e é especializado em doenças do sistema digestivo.
  • Ele exerce sua atividade profissional no serviço de patologia digestiva do Hospital Universitari Vall d'Hebró.
  • Ele foi Fellow na Liver Association of King's College Hospital em Londres e Research Fellow na Prostaglandin Research Unit of Welcome Research Laboratories.
  • Atualmente ele é membro do Centro de Pesquisa Biomédica em Rede de Doenças do Fígado e do Aparelho Digestivo como Investigador Principal do Grupo de Doenças Inflamatórias Intestinais e membro do Conselho de Administração da Associação Científica Internacional de Probióticos e Prebióticos.
  • Ele também é Presidente do Conselho de Administração da Sociedade Espanhola de Probióticos e Prebióticos, membro do Comitê de Diretrizes e Publicações da WGO-OMGE (Organização Mundial de Gastroenterologia) e membro do Comitê Diretor do Consórcio Internacional de Microbiologia Humana (IHMC).

 

Divulgação de conflito de interesses: Francisco Guarner recebe financiamento de pesquisa da Abbvie, Takeda e AB-Biotics, e honorários de consultoria do Danone Institute, Sanofi, Biocodex, Actial, Menarini e Ordesa.

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Os antibióticos são uma descoberta científica extraordinária que salva milhões de vidas, mas a sua utilização excessiva e inapropriada tem agora suscitado sérias preocupações para a saúde, nomeadamente com a resistência aos antibióticos e a disbiose. Vejamos a sua página dedicada.

O papel ambivalente dos antibióticos

Ao destruírem as bactérias responsáveis pelas infeções, também têm impacto na m…

O que é a Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM?

Todos os anos, desde 2015, a OMS organiza a Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM (WAAW), que tem como objetivo aumentar a sensibilização para a resistência aos antimicrobianos a nível global. Realizada entre 18 e 24 de novembro, esta campanha incentiva o público em geral, os profissionais de saúde e os decisores a utilizarem cuidadosamente os antimicrobianos, a fim de evitar o surgimento de uma maior resistência aos antimicrobianos. 

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Voz de especialista: Prof. Patrice D. Cani

Intervenção na microbiota intestinal: eficaz para o emagrecimento?

Embora o estudo da microbiota intestinal abra novos caminhos no domínio das terapêuticas da obesidade, é necessário ter cautela: esta abordagem será «um tratamento entre outros»

A microbiota intestinal
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O meu lema é "IN GUT WE TRUST"

Dr. Patrice D. Cani, codiretor da unidade de Metabolismo e Nutrição do Louvain Drug Research Institute da Universidade Católica de Lovaina (Bruxelas, Bélgica)

Será que estamos condenados a manter os nossos quilos a mais?

Em geral, acreditar numa cura milagrosa é uma desilusão; nenhum tratamento pode vencer a obesidade sem a participação ativa do interessado (dieta, atividade física, etc.) e um tratamento integrado e personalizado. É que a obesidade é um processo complexo, longo e que depende de múltiplos fatores envolvidos, e a microbiota intestinal é um deles. Dito isto, pretender que o (sidenote: Disbiose A "disbiose" não é um fenómeno homogéneo – varia em função do estado de saúde de cada indivíduo. É geralmente definida como uma alteração da composição e do funcionamento da microbiota, causada por um conjunto de fatores ambientais e relacionados com o indivíduo que perturbam o ecossistema microbiano. Levy M, Kolodziejczyk AA, Thaiss CA, et al. Dysbiosis and the immune system. Nat Rev Immunol. 2017;17(4):219-232. ) do ecossistema microbiano conduza inevitavelmente à obesidade (ou melhor, que o seu equilíbrio assegura um peso normal) é um erro. Tentar equilibrar as nossas microbiotas é no entanto, uma iniciativa correta que se integra numa terapia abrangente e personalizada dos pacientes.

Agirmos por iniciativa própria sobre a nossa microbiota é arriscado?

De um ponto de vista estritamente clínico, a abordagem é relativamente segura, desde que se limite aos probióticos17 cujos efeitos avançados se baseiam em provas científicas e dos quais a composição bacteriana é conhecida ( (sidenote: Lactobacilos Bactérias em forma de bastonete cuja característica principal é a de produzirem ácido láctico. É por essa razão que se fala em “bactérias do ácido láctico”. 
Estas bactérias estão presentes no ser humano ao nível das microbiotas oral, vaginal e intestinal, mas também nas plantas ou nos animais. Podem ser consumidas nos produtos fermentados: em produtos lácteos, como o iogurte e alguns queijos, e também em outros tipos de alimentos fermentados – picles, chucrute, etc..
Os lactobacilos são também consumidos em produtos que contêm probióticos, com algumas espécies a serem conhecidas pelas suas propriedades benéficas.   W. H. Holzapfel et B. J. Wood, The Genera of Lactic Acid Bacteria, 2, Springer-Verlag, 1st ed. 1995 (2012), 411 p. « The genus Lactobacillus par W. P. Hammes, R. F. Vogel Tannock GW. A special fondness for lactobacilli. Appl Environ Microbiol. 2004 Jun;70(6):3189-94. Smith TJ, Rigassio-Radler D, Denmark R, et al. Effect of Lactobacillus rhamnosus LGG® and Bifidobacterium animalis ssp. lactis BB-12® on health-related quality of life in college students affected by upper respiratory infections. Br J Nutr. 2013 Jun;109(11):1999-2007.
)
e (sidenote: Bifidobactérias Bactérias em forma de bastonete, em Y. A maioria das espécies são benéficas para os seres humanos. Encontram-se no intestino humano, e também em alguns iogurtes.  Estas bactérias:
- Protegem a barreira intestinal 
- Participam no desenvolvimento do sistema imunológico e ajudam a lutar contra a inflamação 
- Promovem a digestão e aliviam os sintomas gastrointestinais Sung V, D'Amico F, Cabana MD, et alLactobacillus reuteri to Treat Infant Colic: A Meta-analysis. Pediatrics. 2018 Jan;141(1):e20171811.  O'Callaghan A, van Sinderen D. Bifidobacteria and Their Role as Members of the Human Gut Microbiota. Front Microbiol. 2016 Jun 15;7:925. Ruiz L, Delgado S, Ruas-Madiedo P, et al. Bifidobacteria and Their Molecular Communication with the Immune System. Front Microbiol. 2017 Dec 4;8:2345.
)
, por exemplo). Porque considerar que todos os probióticos são equivalentes é errado; a especificidade da ou das bactérias utilizadas desempenha um papel crucial na sua ação. Finalmente, é necessário promover também o consumo de prebióticos18, mas acima de tudo evitar doses demasiado elevadas se não estivermos habituados, sob o risco de sofremos efeitos secundários desagradáveis (inchaço, diarreia, dor intestinal, etc.). Efetivamente, o maior risco é de ordem psicológica: o de ficarmos dececionados se as promessas não forem cumpridas!

Transplante de microbiota intestinal: promessa excessiva?

Os trabalhos atualmente em curso sobre o assunto são múltiplos. Alguns constatam que o transplante de microbiota não terá qualquer efeito na obesidade, ou que poderá promover uma melhoria transitória da capacidade de estabilizar o açúcar no sangue. São resultados à priori dececionantes, mas ricos em ensinamentos: sabe-se agora que é necessário que a microbiota do doador seja compatível com a do destinatário; sabe-se também que algumas pessoas são mais recetivas do que outras ao transplante (bem como à mudança de regime alimentar), em função da composição inicial da sua microbiota. Em todo o caso, melhorarmos a nossa saúde visando a microbiota intestinal é uma pista de eleição, desde que decidamos agir de forma razoável e observar as recomendações médicas e nutricionais. Pessoalmente, estou convencido disso, porque o meu lema é «In gut we trust».

Referências

17 Microrganismos vivos (bactérias, leveduras) que, quando ingeridos em quantidades adequadas, têm um efeito benéfico para a saúde do hospedeiro. Encontram-se nos alimentos fermentados (iogurte, kefir, chucrute, etc.), e sob a forma de medicamentos ou suplementos alimentares.

18 Açúcares que alimentam as bactérias «boas». Encontram-se em alimentos como as bananas, o alho francês, a cebola, as alcachofras, etc

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Um transplante... invulgar!

Há um outro método que poderá ser muito promissor:

A microbiota intestinal Transplante fecal
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transplante de microbiota fecal (TMF) ou transplante de fezes16. Reservado atualmente a uma única indicação muito longínqua da obesidade (a infeção recorrente por Clostridium difficile), consiste, em transferir os (sidenote: Microrganismos Organismos vivos que são demasiado pequenos para serem vistos a olho nu. Incluem as bactérias, os vírus, os fungos, as arqueias, os protozoários, etc., e são vulgarmente designados "micróbios". What is microbiology? Microbiology Society. ) contidos nas fezes de um dador com um IMC normal para um recetor obeso, no sentido de «corrigir» a sua flora17.

O potencial desta abordagem está atualmente a ser estudado por várias equipas de investigação, que observam os efeitos no reequilíbrio da microbiota intestinal, no comportamento alimentar e na utilização correta dos recursos energéticos em termos de calorias ingeridas17.

Referências

16 Lee P et al. Gut microbiota and obesity: An opportunity to alter obesity through faecal microbiota transplant (FMT). Diabetes Obes Metab. 2019;21(3):479-490.

17 Microrganismos vivos (bactérias, leveduras) que, quando ingeridos em quantidades adequadas, têm um efeito benéfico para a saúde do hospedeiro. Encontram-se nos alimentos fermentados (iogurte, kefir, chucrute, etc.), e sob a forma de medicamentos ou suplementos alimentares.

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E quanto aos prebióticos?

O mesmo acontece quanto aos prebióticos, que são hidratos de carbono não digeríveis presentes nos legumes, cereais integrais, leguminosas, tubérculos, frutas, frutos de casca rija, ervas, especiarias, etc., e servem para alimentar as bactérias «boas» e as fazer proliferar em detrimento das más.

A microbiota intestinal Prebióticos: o essencial para os compreender

Embora as suas vantagens para neutralizar a obesidade estejam amplamente comprovadas em laboratório, os ensaios no ser humano apresentam resultados divergentes6. Alguns prebióticos induziram uma diminuição significativa do peso, do IMC e da medida da cintura em adultos com excesso de peso ou obesos, mas outros, em contrapartida, não tiveram qualquer efeito6.

Em geral, os estudos destacam o efeito dos prebióticos sobre a saciedade7, que não se traduz também, infelizmente, numa perda de peso6. Embora os prebióticos constituam uma encorajadora pista para investigação, é ainda prematuro recomendá-los para o tratamento da obesidade e do excesso de peso, afirmam os especialistas6.

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Probióticos, uma pista com futuro?

Os probióticos são «microrganismos vivos (bactérias, leveduras) que, quando ingeridos em quantidades adequadas, têm um efeito benéfico para a saúde do hospedeiro12,13». Encontram-se nos alimentos fermentados (iogurte, kefir, chucrute, etc.), e sob a forma de medicamentos ou suplementos alimentares. A sua capacidade de restaurar o equilíbrio da microbiota torna-os candidatos promissores para a luta contra a obesidade3.

A microbiota intestinal Probióticos
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Para se observarem os seus efeitos sobre a perda de peso, a capacidade de regular os níveis de açúcar no sangue apesar de uma dieta rica em gorduras, a sensação de saciedade, a diminuição do índice de massa corporal (IMC), a redução da massa adiposa, etc., examinaram-se ratos de laboratório sob todos os ângulos, após terem ingerido probióticos3,4,6,14,15. Eis algumas das conclusões: determinados (sidenote: Lactobacilos Bactérias em forma de bastonete cuja característica principal é a de produzirem ácido láctico. É por essa razão que se fala em “bactérias do ácido láctico”. 
Estas bactérias estão presentes no ser humano ao nível das microbiotas oral, vaginal e intestinal, mas também nas plantas ou nos animais. Podem ser consumidas nos produtos fermentados: em produtos lácteos, como o iogurte e alguns queijos, e também em outros tipos de alimentos fermentados – picles, chucrute, etc..
Os lactobacilos são também consumidos em produtos que contêm probióticos, com algumas espécies a serem conhecidas pelas suas propriedades benéficas.   W. H. Holzapfel et B. J. Wood, The Genera of Lactic Acid Bacteria, 2, Springer-Verlag, 1st ed. 1995 (2012), 411 p. « The genus Lactobacillus par W. P. Hammes, R. F. Vogel Tannock GW. A special fondness for lactobacilli. Appl Environ Microbiol. 2004 Jun;70(6):3189-94. Smith TJ, Rigassio-Radler D, Denmark R, et al. Effect of Lactobacillus rhamnosus LGG® and Bifidobacterium animalis ssp. lactis BB-12® on health-related quality of life in college students affected by upper respiratory infections. Br J Nutr. 2013 Jun;109(11):1999-2007.
)
, (sidenote: Bifidobactérias Bactérias em forma de bastonete, em Y. A maioria das espécies são benéficas para os seres humanos. Encontram-se no intestino humano, e também em alguns iogurtes.  Estas bactérias:
- Protegem a barreira intestinal 
- Participam no desenvolvimento do sistema imunológico e ajudam a lutar contra a inflamação 
- Promovem a digestão e aliviam os sintomas gastrointestinais Sung V, D'Amico F, Cabana MD, et alLactobacillus reuteri to Treat Infant Colic: A Meta-analysis. Pediatrics. 2018 Jan;141(1):e20171811.  O'Callaghan A, van Sinderen D. Bifidobacteria and Their Role as Members of the Human Gut Microbiota. Front Microbiol. 2016 Jun 15;7:925. Ruiz L, Delgado S, Ruas-Madiedo P, et al. Bifidobacteria and Their Molecular Communication with the Immune System. Front Microbiol. 2017 Dec 4;8:2345.
)
, outras bactérias de nome difícil (Akkermansia, Hafnia, Pediococcus, Bacteroides, etc.) e ainda uma levedura salientaram-se positivamente do conjunto. Estes probióticos contribuirão para melhorar o perfil metabólico e para a redução do aumento de peso nos ratos6,14,15.

Um deles tem um efeito promissor de inibição do apetite e promoção a sensação de saciedade14,15. Há menos dados em humanos, e apenas probióticos específicos demonstraram ter impacto no peso, no IMC, na circunferência da cintura, na massa adiposa e no perfil metabólico3,4,6.

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Rever urgentemente o prato

Fazer desaparecer os quilos a mais reequilibrando a microbiota, será uma esperança ao nosso alcance? Talvez, pelo menos desde que se compreenda melhor como a alimentação, os pró e prebióticos ou o transplante de microbiota fecal (TMF) influenciam o ecossistema microbiano intestinal. Embora ainda não esteja ganha, a guerra contra a obesidade está efetivamente declarada!

A microbiota intestinal Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal
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O principal fator de risco de obesidade, a alimentação, é a também principal alavanca de controlo da microbiota. Como é óbvio, o intestino é modelado pelas nossas preferências alimentares, por exemplo: maior variedade de bactérias nos omnívoros do que entre os vegetarianos, predominância de certas espécies específicas entre os entusiastas das gorduras e das proteínas de origem animal, etc3. Em teoria, a «cura» parece ser elementar... Falso!

As respostas variam de uma pessoa para outra, e apesar de numerosos estudos, nenhuma ligação definitiva foi estabelecida, até ao momento, entre intervenções sobre a flora e os resultados na peso11. Segundo alguns autores, a variabilidade das respostas a uma dieta dever-se-ão à composição inicial da nossa microbiota intestinal7,11; para outros, esta permitirá mesmo que se preveja o seu sucesso7.

Uma coisa é certa no meio desta controvérsia: devemos fazer uma alimentação equilibrada, mesmo que não sejamos todos iguais no que respeita a ganhar ou perder peso!

Cirurgia bariátrica

Entre os tratamentos que se oferecem aos pacientes que sofrem de obesidade mórbida, um dos mais eficazes é a cirurgia bariátrica. Esta consiste em reduzir o volume do estômago ou parte do intestino delgado11. Além da perda de peso, o tratamento exerce impacto sobre a microbiota intestinal7,9. Os investigadores pensam mesmo que a microbiota alterada após a cirurgia poderá ser diretamente responsável pela diminuição da massa adiposa e por uma redução da capacidade do hospedeiro para utilizar os alimentos como combustível9.

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