Usar a inteligência artificial para diagnosticar doenças cardiovasculares através das fezes?

Usar máquinas para "lerem" fezes para diagnosticar doenças cardiovasculares, é uma utopia? Talvez não, se acreditarmos nos resultados de um novo estudo, segundo o qual esta abordagem original seria quase tão eficaz como os exames atuais, e sobretudo muito mais rápida.

A microbiota intestinal Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em todo o mundo. Até 2030, o número de mortes deveria atingir os 23,6 milhões. Atualmente, o seu diagnóstico baseia-se numa bateria de testes exaustivos e dispendiosos (testes clínicos, eletrocardiograma, raio-X do tórax, ecocardiograma). Ora, uma alteração da microbiota intestinal (disbiose) está associada a várias destas doenças, incluindo a pressão arterial alta, insuficiência cardíaca e aterosclerose. Portanto, por que não confiar na inteligência artificial e conceber um teste de diagnóstico baseado na sua composição?

"Presença" de indicadores de doença cardiovascular nas fezes!

Machine Learning (aprendizagem automática) é um campo de estudo da inteligência artificial que fornece dados a um computador para permitir-lhe aprender a resolver um problema. Na área da saúde, tem sido usado com sucesso para diagnosticar e prever várias doenças (cancro, diabetes, doenças inflamatórias intestinais). Para testar o seu interesse no diagnóstico de doenças cardiovasculares, os investigadores compararam diferentes modelos para analisar as fezes de 478 pacientes e de 473 indivíduos saudáveis e identificar "assinaturas" característicos dessas doenças. Descobriram que a abundância intestinal de 39 bactérias era muito diferente entre os dois grupos.

Forte capacidade de diagnóstico

Os investigadores identificaram um algoritmo específico que, ao visar 25 famílias bacterianas dentro da microbiota intestinal, permitiria discriminar os dois grupos com 70% de precisão; ou seja um pouco menos do que a abordagem convencional, que diagnostica 76% dos pacientes, mas requer uma infinidade de dados clínicos (idade, sexo, tabagismo, pressão arterial, níveis de colesterol, etc.). Para os investigadores, a identificação automática da disbiose intestinal característica da doença cardiovascular oferece um potencial muito promissor em matéria de diagnóstico, no âmbito de uma avaliação de rotina.

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Fontes:

Aryal S, Alimadadi A, Manandhar I, et al. Machine Learning Strategy for Gut Microbiome-Based Diagnostic Screening of Cardiovascular Disease. Hypertension. 2020 Nov;76(5):1555-1562.

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Noticias

Será a microbiota intestinal, o novo segredo de juventude?

E se bastasse rejuvenescer a nossa microbiota intestinal para preservar algumas das nossas capacidades cerebrais? Esta hipótese foi colocada por cientistas que esperam impedir o desenvolvimento de distúrbios da memória relacionados com a idade.

A microbiota intestinal Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal

Perda de memória, dificuldade em se situar no espaço, transtornos de ansiedade... O envelhecimento é frequentemente associado a um declínio psicológico e cognitivo. Ora, a microbiota intestinal desempenha um papel importante no desenvolvimento de áreas do cérebro dedicadas à aprendizagem e à memorização (especialmente o hipocampo). Daí a afirmar que o envelhecimento da microbiota leva a um declínio cognitivo através do eixo intestino-cérebro, falta apenas um passo que a ciência está prestes a ultrapassar...

Ratos jovens... que se comportam como velhos!

Para avaliar esta hipótese, investigadores analisaram a microbiota intestinal de ratos adultos nos quais enxertaram bactérias retiradas do intestino de congéneres da mesma idade ou do trato digestivo de roedores mais velhos. No final deste transplante de microbiota fecal (ou TMF), a composição bacteriana era substancialmente a mesma, com exceção de 4 géneros bacterianos cuja abundância foi significativamente reduzida em roedores tendo recebido a microbiota idosa. Nesses mesmos ratos, a nível do hipocampo, a expressão de muitas proteínas implicadas em funções cerebrais importantes, como a aprendizagem e a cognição, foi alterada.

Ratos que perdem a memória

Os ratos foram de seguida submetidos a dois testes - um avaliando a capacidade de aprender e lembrar-se de uma viagem através de um labirinto, o outro medindo a sua capacidade de recordar um objeto: em ambos os casos, os roedores com uma microbiota de ratos velhos eram menos eficazes do que os outros. Em contrapartida, o enxerto de fezes “idosas” não teve efeito sobre outros aspetos do envelhecimento, como a atividade locomotora e a ansiedade.

Restaurar a microbiota para conter o declínio cognitivo?

O facto do declínio cognitivo induzido pela enxertia de uma microbiota idosa ser semelhante ao declínio fisiológico observado durante o envelhecimento sugere que o eixo intestino-cérebro desempenharia um papel importante no envelhecimento. Para os investigadores, esses resultados sustêm abordagens terapêuticas que visam restaurar a microbiota intestinal para melhorar as funções cognitivas e, consequentemente, a qualidade de vida dos idosos.

Recomendado pela nossa comunidade

"A investigação provou que é verdade" - Comentário traduzido de Shirley Cousineau (Da My health, my microbiota)

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Fontes: 

D'Amato A, Di Cesare Mannelli L, Lucarini E, et al. Faecal microbiota transplant from aged donor mice affects spatial learning and memory via modulating hippocampal synaptic plasticity- and neurotransmission-related proteins in young recipients. Microbiome. 2020 Oct 1;8(1):140.

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Transplante fecal

O transplante fecal consiste na introdução de fezes de outra pessoa saudável no trato digestivo do paciente, para reconstituir a sua flora intestinal e ajudar no combate de bactérias patogénicas.

O equilíbrio entre a “boa” e a “má” microbiota bacteriana pode ser perturbada por várias ocorrências. Este desequilíbrio, conhecido como (sidenote: Disbiose A "disbiose" não é um fenómeno homogéneo – varia em função do estado de saúde de cada indivíduo. É geralmente definida como uma alteração da composição e do funcionamento da microbiota, causada por um conjunto de fatores ambientais e relacionados com o indivíduo que perturbam o ecossistema microbiano. Levy M, Kolodziejczyk AA, Thaiss CA, et al. Dysbiosis and the immune system. Nat Rev Immunol. 2017;17(4):219-232. ) , pode provocar várias doenças de gravidade variável. O transplante fecal (também designado de bacterioterapia fecal) é uma solução terapêutica possível.


Transplante fecal: uma solução com mais de um século

O transplante fecal é um tratamento muito antigo, uma vez que já era realizado na China no século IV! A sua efetividade só foi reconhecida pelas sociedades informadas da Europa em 2013. Até à data, só foi indicado em infeções recorrentes por bactérias patogénicas C. difficile, que cura em 90% dos casos.
No entanto, o envolvimento da microbiota em muitas outras doenças (Doenças Inflamatórias Intestinais, diabetes, obesidade, distúrbios neuropsiquiátricos, etc.) sugere que a indicação para transplante fecal poderá rapidamente expandir.


O procedimento

Após seleção, o dador prepara-se através da toma de laxantes. As suas fezes são diluídas numa solução estéril e filtradas para posterior administração no recetor. O recetor ingere uma preparação semelhante à que é utilizada nas colonoscopias, por forma a eliminar a microbiota alterada.
Existem várias vias de administração das fezes: introdução de uma sonda através do nariz até ao estômago ou duodeno, colonoscopia, enema ou, mais raramente, ingestão de cápsulas gastrorresistentes. A decisão é tomada pelo paciente com o médio, de acordo com a via que melhor se adequar à sua situação. 

A única indicação validada para TMF é a infecção recorrente associada ao Clostridioides difficile. Esta prática pode apresentar riscos para a saúde e deve ser realizada sob supervisão médica, não se reproduzir em casa!

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A dupla face dos antibióticos, salva-vidas e desreguladores da microbiota

De 18 a 24 de novembro, a OMS organiza a Semana Mundial de Consciencialização Sobre o Uso de Antibióticos. É uma oportunidade para recordar que, embora constituam um dos grandes avanços terapêuticos do século XX, também têm impacto nas diversas microbiotas e no surgimento de resistência aos antibióticos1.

A microbiota intestinal Microbiota intestinal bloqueia os efeitos dos antidepressivos Exposição aos antibióticos entre os 0 e os 6 anos: microbiota intestinal alterada, desenvolvimento da criança perturbado Antibióticos e risco de DII: O que acontece nos adultos?
Photo : The Janus face of Antibiotics: Life Savers and Microbiota Disruptors

Como especialista em microbiota, o Biocodex Microbiota Institute participa neste evento e edita um dossier especial sobre o impacto dos antibióticos nas microbiotas do organismo:

- Microbiota intestinal: até 35% dos doentes que utilizam antibióticos sofrem de diarreia2,3,4 ;

- Microbiota urogenital: 10% a 30% das mulheres desenvolvem candidíase vulvovaginal após tratamento com antibióticos5 ;

- Microbiota da pele: 60% dos doentes tratados contra a acne mostram estirpes de Cutibacterium acnes resistentes aos macrólidos ;

- Microbiota ORL: os antibióticos administrados para tratar infeções do trato respiratório superior aumentam a incidência de otite média aguda por um fator de 2,6 ;

- Microbiota pulmonar: os antibióticos de largo espectro utilizados para tratar infeções pulmonares desempenham um papel central no aparecimento da resistência aos antibióticos.

Dossier temático especial

esta edição especial de 12 páginas, encontre os pontos essenciais através de dados científicos, pareceres de especialistas e casos clínicos de disbiose causada pelo uso de antibióticos.

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Aterosclerose

A aterosclerose caracteriza-se pela acumulação de gordura nas paredes das artérias o que pode provocar um simples estreitamento à completa obstrução do vaso sanguíneo. Novas ideias para a prevenção estão a incidir na dieta e na flora intestinal. 

A microbiota intestinal

Placas de ateroma, ou placas lipídicas constituídas particularmente por colesterol, são muito comuns; todos os adultos as têm. O seu espessamento pode obstruir a corrente sanguínea, o que significa que os órgãos não são suficientemente irrigados, o que pode levar a dor e a alterações no ritmo cardíaco. Uma reação inflamatória local pode levar a rutura da placa. Quando as placas se tornam instáveis e rompem, os resultados são dramáticos: esta é a causa dos 80 % de casos de morte súbita. A rutura da placa pode ainda causar enfarte do miocárdio e AVC. Ainda que pareça haver uma predisposição genética, foram identificados fatores de risco: um excesso de colesterol e tabagismo.

Bactérias e dieta em análise

A microbiota intestinal pode contribuir para a vulnerabilidade da placa e, por conseguinte, para a rutura. Algumas bactérias, assim como os compostos que elas produzem, podem causar uma reação inflamatória que pode eventualmente levar à rutura da placa de ateroma. A disbiose, um desequilíbrio na composição da microbiota, pode ainda aumentar o risco de aterosclerose em casos de dietas ricas em lípidos. As bactérias parecem desempenhar um papel importante foi até demonstrado que as infeções são um fator de risco para a aterosclerose – infeções da gengiva (periodontites) em particular.

Da prevenção aos probióticos

A prevenção é crucial: dieta, perda de peso, cessação tabágica, etc. Contudo, alguns medicamentos podem ter um efeito benéfico nas pessoas com elevado risco de aterosclerose. Estão a ser conduzidos estudos para perceber se a dieta ou os probióticos podem reduzir o risco de aterosclerose. A dieta mediterrânica é também muito benéfica. Uma nova dimensão terapêutica pode visar diretamente o intestino por forma a controlar o desenvolvimento de placas de ateroma.

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Doença

Doença arterial coronária

A doença arterial coronária é um conjunto de problemas causados pela insuficiente oxigenação do músculo cardíaco. 

A microbiota intestinal

Culpar a dieta, o sedentarismo e a microbiota

Em 2012, a doença arterial coronária causou 7,4 milhões de mortes de acordo com a OMS. É muitas vezes uma complicação da aterosclerose. É a deposição progressiva de gorduras nas paredes das artérias coronárias – as artérias que alimentam de sangue o músculo cardíaco. Estes depósitos formam gradualmente uma placa de ateroma, que estreita o diâmetro das artérias e reduz o fluxo sanguíneo. A aterosclerose é o resultado de vários fatores, incluindo uma dieta desequilibrada e a falta de atividade física.

A severidade da doença arterial coronária depende da extensão da área que fica privada de oxigénio e do volume de espessamento arterial. Há, por isso, uma diferença entre angina, enfarte do miocárdio e morte súbita.

Coração e microbiota: relacionados?

A doença arterial coronária pode ainda estar relacionada com a natureza da microbiota. Certas bactérias intestinais produzem TMA (trimetilamina) uma substância que, quando oxidada no fígado, favorece a formação de coágulos capazes de obstruir as artérias mais pequenas, como as artérias coronárias que alimentam o coração.

Revascularização do músculo cardíaco

Na fase aguda (enfarte do miocárdio) o objetivo do tratamento é desobstruir as artérias afetadas por forma a fornecer oxigénio ao músculo cardíaco. Em termos preventivos, o envolvimento da microbiota intestinal no desenvolvimento da doença arterial coronária significa que várias opções terapêuticas podem ser consideradas: o. enriquecimento da flora intestinal com probiótico ricos em bactérias não-produtoras de TMA, a eliminação das bactérias produtoras de TMA ou, de forma mais radical, o transplante fecal de uma microbiota com baixa produção de TMA.

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Doença

Síndrome metabólica

A síndrome metabólica representa um conjunto de problemas metabólicos associados à obesidade, como hipertrigliceridemia ou pressão arterial elevada, o que aumenta o risco de diabetes e complicações cardiovasculares. 

A microbiota intestinal

A síndrome metabólica não é, em rigor, uma doença; a sua definição é a existência, numa única pessoa, de obesidade abdominal (perímetro da cintura > 94 cm, nos homens, 80 cm, nas mulheres), associada a pelo menos dois dos seguintes problemas: níveis anormalmente elevados de insulina, hipertrigliceridemia, pressão arterial elevada, hiperglicemia ou colesterol-HDL baixo (“bom colesterol”).

Estilo de vida pouco saudável, o principal fator de risco

Mais do que a provável predisposição genética, é um estilo de vida pouco saudável que leva à síndrome metabólica. Comida de plástico, acompanhada de atividade física insuficiente, causam disfunções metabólicas que levam a inflamação crónica, o que por sua vez causa perturbações metabólicas. Inicia-se um círculo vicioso, onde um dos participantes é o desequilíbrio da microbiota ou disbiose.

Sem sinais visíveis

Além da obesidade, a síndrome metabólica não apresenta sinais visíveis o que significa que, quando os sintomas aparecem, a síndrome evoluiu para uma doença: diabetes tipo 2, aterosclerose, doença cardiovascular, etc.

Comer melhor, mexer-se mais

Por enquanto, não há tratamento para a síndrome metabólica. O único conselho médico que funciona tão bem para a prevenção como para a cura é uma dieta equilibrada com preponderância de alimentos com baixo índice glicémico e atividade física regular e contínua. Se a ideia de que os probióticos e prebióticos funcionam como reguladores da dieta e do peso se confirmar, estes podem ser tidos em conta no tratamento da síndrome metabólica.

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Doença

Acne e microbiota

Acne, que é um problema muito comum de pele durante a adolescência, é causada por alterações hormonais associadas ao desequilíbrio da microbiota cutânea, em benefício de uma bactéria: Propionibacterium acnes.

A microbiota da pele

Ainda que afete a cara em 95 % dos casos, as lesões acneicas podem ser observadas nas costas, pescoço e na zona anterior do tórax. Um quarto dos adultos é afetado, particularmente as mulheres.

Lesões diversas

A acne é uma doença dos folículos pilosos, que combinam o pelo com uma glândula sebácea. Esta condição cutânea é caraterizada por vários tipos de lesões, dependendo do estádio: pontos negros e pontos brancos são o primeiro estádio da acne, depois as pápulas e pústulas que correspondem a um estádio inflamatório.


O papel da microbiota cutânea

Genéticas, hormonais, higiene… Há muitas causas para a acne mas todas têm uma coisa em comum: o envolvimento da bactéria Propionibacterium acnes no seu desenvolvimento. Este germe, naturalmente presente na pele, multiplica-se num ambiente excecionalmente sebáceo e leva a um desequilíbrio na microbiota cutânea. A pele reage a esta disbiose local, gerando inflamação.
É agora bem conhecido que as doenças crónicas da pele estão muitas vezes associadas a outros problemas. Como no caso da acne, onde há uma substancial prevalência de stress, ansiedade e depressão associados a problemas gastrointestinais funcionais nas pessoas afetadas. A hipótese corrente aponta para interações alteradas no eixo “cérebro-intestino-pele”, o que pode causar disbiose e inflamação locais e sistémicas.

Um tratamento feito à medida

O tratamento da acne depende da sua gravidade e do seu impacto psicológico. Tratamentos orais e/ou tópicos (antibióticos ou isotretinoína) associados a uma boa higiene geralmente dão bons resultados. Contudo, com o advento da resistência antibiótica, a busca por uma alternativa segura e eficaz tornou-se necessária. Durante vários anos, os probióticos (locais ou orais) têm sido estudados para fins terapêuticos. Alguns mostraram claramente os benefícios dos lactobacilos (Lactobacillus acidophilus e Lactobacillus paracasei) na barreira cutânea, sensibilidade da pele, hidratação e funcionamento da epiderme.

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Doença

Esquizofrenia e eixo intestino-cérebro

Na esquizofrenia, há suspeita de inflamação crónica no cérebro. Podem também estar envolvidas alterações na microbiota intestinal e no sistema imunitário. 

A microbiota intestinal
Actu GP : Schizophrénie et microbiote : un lien confirmé ?

A esquizofrenia afeta aproximadamente 0,7 % da população mundial. Esta doença psiquiátrica é caracterizada por delírio e alucinações, isolamento social e alterações psicológicas. O aparecimento é mais frequente na adolescência ou no adulto jovem entre os 15 e os 25 anos.

O eixo cérebro-intestino está envolvido?

A esquizofrenia é muitas vezes acompanhada de alterações gastrointestinais. De facto, a probabilidade do desenvolvimento de doenças psiquiátricas como a esquizofrenia pode estar relacionada com inflamação intestinal crónica envolvendo o sistema imunitário. A origem pode estar num desequilíbrio da microbiota intestinal (flora intestinal) que favorece esta inflamação. Alterações na microbiota foram encontradas em doenças esquizofrénicos, associadas a um aumento da permeabilidade intestinal (bactérias e outras substâncias que passam para a corrente sanguínea através da parede intestinal). Estes estudos parecem indicar um papel fundamental desempenhado pelo eixo cérebro-intestino no desenvolvimento da doença.

Atuando na composição da microbiota

Com estes resultados, vêm ao de cima opções para a prevenção e para o tratamento: uma delas, o reequilíbrio da microbiota por forma a reduzir a inflamação crónica. Estudos têm mostrado que a administração de probióticos pode ter propriedades anti-inflamatórias ao estimular a reação imunitária ainda que, até à data, nenhum tratamento deste tipo tenha demonstrado a sua eficácia na esquizofrenia.

Fontes

Inserm. Schizophrenie, dossier d'information réalisé avec Marie-Odile Krebs, Mai 2014

Severance EG, Gressitt KL, Stallings CR, et al. Discordant patterns of bacterial translocation markers and implications for innate immune imbalances in schizophrenia. Schizophr Res. 2013;148(1-3):130-137.

Ellul P, Fond G, « Focus sur la schizophrénie : infections, auto-immunité et dysbiose intestinale », L'information psychiatrique, 2016/10 (Volume 93), p. 797-802.

Sherwin E, Sandhu KV, Dinan TG, Cryan JF. May the Force Be With You: The Light and Dark Sides of the Microbiota-Gut-Brain Axis in Neuropsychiatry. CNS Drugs. 2016;30(11):1019-1041.

Nemani K, Hosseini Ghomi R, McCormick B, et al. Schizophrenia and the gut-brain axis. Prog Neuropsychopharmacol Biol Psychiatry. 2015;56:155-160.

Severance EG, Yolken RH, Eaton WW. Autoimmune diseases, gastrointestinal disorders and the microbiome in schizophrenia: more than a gut feeling. Schizophr Res [Internet]. Elsevier B.V. 2014.

Severance EG, Prandovszky E, Castiglione J, Yolken RH, et al. Gastroenterology issues in schizophrenia: why the gut matters. Curr Psychiatry Rep. 2015 ; 17(5):1–10.

Caso JR, Balanzá-Martínez V, Palomo T, et al. The Microbiota and Gut-Brain Axis: Contributions to the Immunopathogenesis of Schizophrenia. Curr Pharm Des. 2016 ; 22(40):6122-6133.

Dickerson FB, Stallings C, Origoni A, et al. Effect of probiotic supplementation on schizophrenia symptoms and association with gastrointestinal functioning: a randomized, placebo-controlled trial. Prim Care Companion CNS Disord. 2014;16(1):PCC.13m01579.

Joseph J, Depp C, Shih PB, et al. Modified Mediterranean Diet for Enrichment of Short Chain Fatty Acids: Potential Adjunctive Therapeutic to Target Immune and Metabolic Dysfunction in Schizophrenia? Front Neurosci. 2017 Mar 27;11:155.

Tomasik J, Yolken RH, Bahn S, et al. Immunomodulatory Effects of Probiotic Supplementation in Schizophrenia Patients: A Randomized, Placebo-Controlled Trial. Biomark Insights. 2015 Jun 1;10:47-54.

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Fontes :
Inserm. Schizophrenie, dossier d'information réalisé avec Marie-Odile Krebs, Mai 2014, http://www.inserm.fr/thematiques/neurosciences-sciences-cognitives-neurologie-psychiatrie/dossiers-d-information/schizophrenie
Severance EG, Gressitt KL, Stallings CR, et al. Discordant patterns of bacterial translocation markers and implications for innate immune imbalances in schizophrenia. Schizophr Res. 2013;148(1-3):130-137.
Ellul P, Fond G, « Focus sur la schizophrénie : infections, auto-immunité et dysbiose intestinale », L'information psychiatrique, 2016/10 (Volume 93), p. 797-802.
Sherwin E, Sandhu KV, Dinan TG, Cryan JF. May the Force Be With You: The Light and Dark Sides of the Microbiota-Gut-Brain Axis in Neuropsychiatry. CNS Drugs. 2016;30(11):1019-1041.
Nemani K, Hosseini Ghomi R, McCormick B, et al. Schizophrenia and the gut-brain axis. Prog Neuropsychopharmacol Biol Psychiatry. 2015;56:155-160.
Sherwin E, Sandhu KV, Dinan TG, et al. May the Force Be With You: The Light and Dark Sides of the Microbiota-Gut-Brain Axis in Neuropsychiatry. CNS Drugs. 2016;30(11):1019-1041.
Severance EG, Yolken RH, Eaton WW. Autoimmune diseases, gastrointestinal disorders and the microbiome in schizophrenia: more than a gut feeling. Schizophr Res [Internet]. Elsevier B.V. 2014.
Severance EG, Prandovszky E, Castiglione J, Yolken RH, et al. Gastroenterology issues in schizophrenia: why the gut matters. Curr Psychiatry Rep. 2015 ; 17(5):1–10.
Caso JR, Balanzá-Martínez V, Palomo T, et al. The Microbiota and Gut-Brain Axis: Contributions to the Immunopathogenesis of Schizophrenia. Curr Pharm Des. 2016 ; 22(40):6122-6133.
Dickerson FB, Stallings C, Origoni A, et al. Effect of probiotic supplementation on schizophrenia symptoms and association with gastrointestinal functioning: a randomized, placebo-controlled trial. Prim Care Companion CNS Disord. 2014;16(1):PCC.13m01579.
Joseph J, Depp C, Shih PB, et al. Modified Mediterranean Diet for Enrichment of Short Chain Fatty Acids: Potential Adjunctive Therapeutic to Target Immune and Metabolic Dysfunction in Schizophrenia? Front Neurosci. 2017 Mar 27;11:155.
Tomasik J, Yolken RH, Bahn S, et al. Immunomodulatory Effects of Probiotic Supplementation in Schizophrenia Patients: A Randomized, Placebo-Controlled Trial. Biomark Insights. 2015 Jun 1;10:47-54.

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Perturbações de humor

A depressão e a doença bipolar sugerem uma perturbação de humor. Além dos tratamentos psiquiátricos clássicos, há investigação em curso para avaliar o impacto da microbiota intestinal nestas perturbações. 

A microbiota intestinal

As perturbações de humor são comuns: 300 milhões de pessoas no mundo sofrem de depressão e 60 milhões têm doença bipolar. Estas perturbações causam distress psicológico que pode muitas vezes ser grave e levar por sua vez ao suicídio. São a causa número 1 no mundo de incapacidade profissional e social.

Resposta inapropriada ao stress

Cada pessoa tem a sua própria vulnerabilidade à depressão e à doença bipolar, o que é em parte genético. Como resultado, durante eventos de vida desagradáveis, algumas pessoas experimentam uma resposta excessiva, com secreção aumentada de hormonas do stress, cortisol e adrenalina. Esta situação pode levar a exaustão nervosa e favorecer o aparecimento do estado depressivo. Investigação recente tem também documentado o papel da flora intestinal (microbiota) nestas respostas inapropriadas ao stress. De facto, em animais, a microbiota participa na regulação das emoções através da comunicação entre o intestino e o cérebro. Em caso de disbiose (alterações na composição da microbiota) esta regulação é menos eficaz e favorece o aparecimento de perturbações de humor.

Um novo caminho para o tratamento

Além dos tratamentos clássicos (antidepressivos, reguladores do humor, psicoterapia, etc.) está aberto um novo caminho: reequilibrar a microbiota para influenciar o humor. Um estudo recente mostrou ainda que a toma de probióticos diariamente, uma combinação de lactobacilos e bifidobactérias, melhora o humor e reduz o nível de ansiedade em indivíduos saudáveis.

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