Para celebrar 2024, um ano rico em eventos desportivos, o Biocodex Microbiota Institute está a destacar o papel do microbiota na saúde e no desporto. Poderá o microbiota intestinal ser o nosso treinador invisível? Descubra a seguir.
Bactérias, vírus, fungos (incluindo leveduras) e até parasitas: toda uma flora, conhecida como “microbiota intestinal”, habita o nosso sistema digestivo.
E é tudo para o nosso próprio bem: o microbiota intestinal facilita a digestão, ajuda o nosso sistema imunitário a amadurecer, protege-nos dos agentes patogénicos e das toxinas intestinais, etc. Esta lista de benefícios está longe de ser exaustiva, pois o microbiota intestinal tem muitas outras qualidades, incluindo no desporto: este treinador invisível pode ajudar-nos no nosso esforço, melhorar os nossos tempos e motivar-nos para o treino!
Por outro lado, pensa-se que a atividade física modula a composição do nosso microbiota, favorecendo certas bactérias capazes de otimizar o nosso desempenho. Tal como o microbiota, o exercício físico é também uma questão de equilíbrio, e mesmo de moderação: um treino demasiado intenso pode ser contraproducente e desequilibrar este círculo virtuoso. Dêem tudo o que têm, mas não se esgotem!
As perspectivas abertas pela descoberta destas ligações entre o microbiota, o sistema digestivo e o desporto são imensas: será possível otimizar o desempenho dos atletas através de uma abordagem personalizada do microbiota?
Mergulhe no coração de um mundo microscópico para descobrir esta relação bidirecional com o nosso desempenho muscular e mental.
Mergulhar no coração do microbiota e da exposição desportiva
Dr. Henrik Roager é professor associado e investigador na Universidade de Copenhaga. Lidera o grupo de investigação Microbiome & Metabolomics, que se centra na forma como o microbiota intestinal contribui para a digestão, a saúde e o desempenho desportivo. Veja o vídeo para saber o que o Dr. Henrik Roager tem a dizer sobre a contribuição do microbiota no desporto.
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Para saber mais
Descubra a nossa seleção de artigos sobre os benefícios para a saúde do desporto e do microbiota
Por ocasião de 2024, um ano rico em eventos desportivos, o Biocodex Microbiota Institute revela o papel da microbiota na saúde e no desporto. Será que a microbiota actua como um treinador invisível? Descubra a seguir.
Um novo estudo investiga a propagação da vaginose bacteriana através do contacto sexual, utilizando uma análise genética pormenorizada e um método de recrutamento único para detetar as bactérias nas redes pessoais.
44%
Das mulheres sabem que a vaginose bacteriana está associada a um desequilíbrio da microbiota vaginal
Normalmente, a (sidenote:
Vaginose bacteriana
A vaginose bacteriana (VB) é um tipo de inflamação vaginal causada por um desequilíbrio das espécies bacterianas que estão normalmente presentes na vagina.
) (VB) revela um desequilíbrio na microbiota vaginal, uma condição que pode resultar da transmissão sexual de bactérias. Apesar da comunidade científica reconhecer o potencial desta transmissão, continua a ser difícil obter uma compreensão definitiva. Investigadores americanos da Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland examinaram a semelhança das estirpes bacterianas entre parceiros sexuais e redes sexuais alargadas, para compreender melhor a transmissão sexual e melhorar a gestão da doença para ambos os parceiros. 1
O efeito bola de neve explicado
A investigação clínica utilizou um método conhecido como "recrutamento em bola de neve", uma técnica onde os participantes iniciais do estudo recrutam futuros participantes a partir das suas redes pessoais. Esta abordagem assegura uma amostragem natural da população que reflete as interações no mundo real. Neste caso, o estudo estendeu-se a quatro vagas e incluiu 138 participantes, predominantemente jovens afro-americanos de ambos os sexos, todos com resultados positivos em testes de infeções sexualmente transmissíveis tais como clamídia ou gonorreia.
Os investigadores recolheram e analisaram amostras de esfregaços vaginais e penianos utilizando a sequenciação do metagenoma completo – um método que lê as sequências completas de ADN presentes numa amostra, de forma a permitir uma análise detalhada da comunidade microbiana. Também utilizaram ferramentas como o inStrain para avaliar a "concordância de estirpes", ou o grau de semelhança genética, entre as bactérias encontradas em diferentes indivíduos, para identificar se as estirpes estão a ser partilhadas através do contacto sexual.
Apenas 1 em cada 2
mulheres tinha conhecimento das variações na composição da microbiota vaginal nas diferentes fases da sua vida.
Dos 54 participantes, o estudo registou 115 casos de sobreposição de estirpes bacterianas em 25 espécies. Notavelmente, o Lactobacillus iners foi transmitido entre 6% das participantes do sexo feminino, indicando vias de transmissão direta em interações entre pessoas do mesmo sexo. As comparações diretas revelaram uma taxa significativamente mais elevada de partilha de estirpes bacterianas entre os contactos sexuais do que entre os não-contactos.
A maioria dos eventos de concordância (94%) ocorreu entre contactos não sexuais, incluindo a partilha extensiva de estirpes de Gardnerella swidsinskii e Lactobacillus crispatus entre as mulheres, contra 6% entre os contactos, o que sublinha o papel preponderante da atividade sexual na disseminação de estirpes bacterianas específicas. O inesperado elevado grau de concordância entre os contactos não sexuais sugere que a comunidade e os fatores ambientais desempenham um papel substancial na transmissão de bactérias, sugerindo uma rede de intercâmbio bacteriano mais complexa do que o anteriormente conhecido.
Implicações clínicas: um apelo à ação para os profissionais de saúde
Consideravelmente, um inquérito do Observatório Internacional das Microbiotas revelou que, de um total de 6500 participantes, apenas 18% compreendiam totalmente o que é a microbiota vaginal; apenas 1 em cada 3 mulheres sabe que as bactérias da microbiota vaginal são seguras para a vagina das mulheres (37%) e que a vaginose bacteriana está associada a um desequilíbrio na microbiota vaginal (35%). 2 Esta falta de sensibilização sublinha a necessidade de uma abordagem transformadora na gestão da vaginose bacteriana (VB) e das doenças relacionadas.
Para assinalarum ano dedicado ao desporto, o Biocodex Microbiota Institute convida-o a visitar a Cité des Sports em Issy-les-Moulineaux, de 22 a 26 de maio de 2024, para a exposição fotográfica Le microbiote, notre coach invisible. Um mergulho fascinante no coração das nossas entranhas para descobrir a relação entre a microbiota e o desporto.
Bactérias, vírus, fungos (incluindo leveduras) e até parasitas: toda uma flora, conhecida como "microbiota intestinal", povoa o nosso sistema digestivo. E tudo para o nosso próprio bem! A microbiota intestinal ajuda a digestão, contribui para o bom funcionamento do nosso sistema imunitário e protege-nos das bactérias patogénicas... Uma lista de benefícios que está longe de ser exaustiva, pois a microbiota intestinal tem muitas outras qualidades, nomeadamente no que diz respeito ao desporto! De acordo com vários estudos científicos, este "treinador invisível" ajuda-nos a fazer exercício, é suscetível de melhorar os nossos tempos e é até uma fonte de motivação quando se trata de treinar! Por outro lado, pensa-se que a atividade física regular modula a composição da nossa microbiota, favorecendo certas bactérias capazes de otimizar o nosso desempenho.
Tornar visível o invisível
Fiel à sua missão de educar o público em geral sobre os poderes fascinantes da microbiota humana, o Biocodex Microbiota Institute aproveita um ano rico em eventos desportivos para lançar luz sobre a relação bidirecional entre a microbiota e o desporto.um ano rico em eventos desportivos para lançar luz sobre a relação bidirecional entre a microbiota e o desporto. « Mergulhámos nos estudos científicos que demonstram a relação bidirecional entre a microbiota e a atividade física, explica Murielle Escalmel, Directora Científica do Biocodex Microbiota Institute. Hidratação, imunidade, equilíbrio, energia e resiliência: nestas cinco funções-chave do nosso corpo, a microbiota desempenha o papel de um treinador invisível. Agora que dispúnhamos das bases científicas, tínhamos de chegar ao maior número possível de pessoas com um grande desafio: tornar visível o invisível ».
"A microbiota desempenha um verdadeiro papel de treinador invisível."
Olivier Valcke, Director Científico do Biocodex Microbiota Institute
O Biocodex Microbiota Institute confiou ao fotógrafo Laurent Hini a delicada tarefa de levantar o véu sobre os mecanismos em ação. « Para além do desafio técnico, fui atraído pela mensagem, que consistia em realçar a ligação intrínseca entre o desporto e a microbiota, explica Laurent Hini. Sugeri abordar o tema sob a forma de um díptico com duas imagens distintas: um primeiro retrato do atleta em movimento, espelhado por um segundo retratando a microbiota como um treinador invisível ».
5 desportos, 5 cores, 6 atletas... e um treinador!
O surf e a hidratação, o judo e a defesa, o breakdance e o equilíbrio... A exposição apresenta-se sob a forma de 5 dípticos de grande formato para 5 desportos associados a 5 funções da microbiota. 6 atletas participaram no exercício. O projeto foi concebido como um confronto entre uma fotografia de grande plano do atleta e uma imagem que representa o seu "treinador de microbiota".
Para a microbiota, foi utilizada uma técnica mista que combina fotografia e Inteligência Artificial visual generativa para materializar a função da microbiota. A exposição baseia-se neste equilíbrio entre o percetível (o atleta) e o invisível (a sua microbiota). A cada díptico foi então atribuída uma cor dominante: o vermelho para a energia, o laranja para o equilíbrio, o branco para a defesa... A cor desempenha um papel importante na exposição: é o elo de ligação entre as duas secções de cada díptico, o sinal que guiará e informará o público no interior da exposição sobre os poderes insuspeitos da microbiota humana. E convencê-los a praticar desporto (de novo)!
Visitar a exposição
De quarta-feira 22 a domingo 26 de maio de 2024
Na Cité des Sports
92 Rue du Gouverneur Général Éboué
92130 Issy-les-Moulineaux
Acerca do Biocodex Microbiota Institute
O Biocodex Microbiota Institute é um centro de conhecimento internacional cujo objetivo é promover uma melhor saúde através da comunicação sobre a microbiota humana. Para o efeito, dirige-se aos profissionais de saúde e ao público em geral para sensibilizar para o papel central desempenhado por este órgão pouco conhecido.
Contacto de imprensa do Biocodex Microbiota Institute
Olivier Valcke
Diretor de Relações Públicas e Publicações
+33 6 43 61 32 58 o.valcke@biocodex.com
Para assinalarum ano dedicado ao desporto, o Biocodex Microbiota Institute convida-o a visitar a Cité des Sports em Issy-les-Moulineaux, de 22 a 26 de maio de 2024, para a exposição fotográfica "Le microbiote, notre coach invisible". Um mergulho fascinante no coração das nossas entranhas para descobrir a relação entre a microbiota e o desporto.
Bactérias, vírus, fungos (incluindo leveduras) e até parasitas: toda uma flora, conhecida como "microbiota intestinal", povoa o nosso sistema digestivo. E tudo para o nosso próprio bem! A microbiota intestinal ajuda a digestão, contribui para o bom funcionamento do nosso sistema imunitário e protege-nos das bactérias patogénicas... Uma lista de benefícios que está longe de ser exaustiva, pois a microbiota intestinal tem muitas outras qualidades, nomeadamente no que diz respeito ao desporto! De acordo com vários estudos científicos, este "treinador invisível" ajuda-nos a fazer exercício, é suscetível de melhorar os nossos tempos e é até uma fonte de motivação quando se trata de treinar! Por outro lado, pensa-se que a atividade física regular modula a composição do nosso microbiota, favorecendo certas bactérias capazes de otimizar o nosso desempenho.
Tornar visível o invisível
Fiel à sua missão de educar o público em geral sobre os poderes fascinantes da microbiota humano, o Biocodex Microbiota Institute aproveita um ano rico em eventos desportivos para lançar luz sobre a relação bidirecional entre o microbiota e o desporto.um ano rico em eventos desportivos para lançar luz sobre a relação bidirecional entre a microbiota e o desporto. « Mergulhámos nos estudos científicos que demonstram a relação bidirecional entre a microbiota e a atividade física, explica Murielle Escalmel, Directora Científica do Biocodex Microbiota Institute. Hidratação, imunidade, equilíbrio, energia e resiliência: nestas cinco funções-chave do nosso corpo, a microbiota desempenha o papel de um treinador invisível. Agora que dispúnhamos das bases científicas, tínhamos de chegar ao maior número possível de pessoas com um grande desafio: tornar visível o invisível ».
"A microbiota desempenha um verdadeiro papel de treinador invisível."
Olivier Valcke, Director Científico do Biocodex Microbiota Institute
O Biocodex Microbiota Institute confiou ao fotógrafo Laurent Hini a delicada tarefa de levantar o véu sobre os mecanismos em ação. « Para além do desafio técnico, fui atraído pela mensagem, que consistia em realçar a ligação intrínseca entre o desporto e a microbiota, explica Laurent Hini. Sugeri abordar o tema sob a forma de um díptico com duas imagens distintas: um primeiro retrato do atleta em movimento, espelhado por um segundo retratando a microbiota como um treinador invisível ».
5 desportos, 5 cores, 6 atletas... e um treinador!
O surf e a hidratação, o judo e a defesa, o breakdance e o equilíbrio... A exposição apresenta-se sob a forma de 5 dípticos de grande formato para 5 desportos associados a 5 funções da microbiota. 6 atletas participaram no exercício. O projeto foi concebido como um confronto entre uma fotografia de grande plano do atleta e uma imagem que representa o seu "treinador de microbiota".
Para a microbiota, foi utilizada uma técnica mista que combina fotografia e Inteligência Artificial visual generativa para materializar a função da microbiota. A exposição baseia-se neste equilíbrio entre o percetível (o atleta) e o invisível (a sua microbiota). A cada díptico foi então atribuída uma cor dominante: o vermelho para a energia, o laranja para o equilíbrio, o branco para a defesa... A cor desempenha um papel importante na exposição: é o elo de ligação entre as duas secções de cada díptico, o sinal que guiará e informará o público no interior da exposição sobre os poderes insuspeitos da microbiota humana. E convencê-los a praticar desporto (de novo)!
Visitar a exposição
De quarta-feira 22 a domingo 26 de maio de 2024
Na Cité des Sports 92 Rue du Gouverneur Général Éboué
92130 Issy-les-Moulineaux
Acerca do Biocodex Microbiota Institute
O Biocodex Microbiota Institute é um centro de conhecimento internacional cujo objetivo é promover uma melhor saúde através da comunicação sobre a microbiota humana. Para o efeito, dirige-se aos profissionais de saúde e ao público em geral para sensibilizar para o papel central desempenhado por este órgão pouco conhecido.
Para celebrar um ano de 2024 rico em eventos desportivos, o Biocodex Microbiota Institute destaca o papel da microbiota na saúde e no desporto através de uma exposição de fotografia. Breakdance, basquetebol, râguebi, surf e judo... Mergulhe no coração destas práticas desportivas e da sua microbiota!
O Biocodex Microbiota Institute confiou ao fotógrafo Laurent Hini a delicada tarefa de desvendar os mecanismos em ação.
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O projeto foi concebido como um confronto entre uma fotografia de grande angular do atleta e uma imagem que representa o seu “treinador de microbiota”. Para a microbiota, foi utilizada uma técnica mista de fotografia e IA visual generativa para materializar a função da microbiota. O retrato de ação é criado utilizando técnicas fotográficas “clássicas”. A inteligência artificial não substitui a fotografia, mas hibridiza-se com ela. Dá substância ao “treinador de microbiota”. Toda a exposição se baseia neste equilíbrio entre o representativo e o não-figurativo, entre o percetível (o atleta) e o oculto (a sua microbiota).
A cada díptico foi então atribuída uma dominante cromática: vermelho para a energia, laranja para o equilíbrio, branco para a defesa... A cor desempenha um papel importante na exposição: liga as duas secções de cada díptico e funciona como uma placa de sinalização, guiando o visitante através da exposição. E acentua o mergulho no coração de cada microbiota.
No total, temos 5 dípticos de grande formato para 5 desportos associados a 5 funções da microbiota. Mergulhe no coração de cada microbiota!
Breakdance, equilíbrio
Com Paola Soares da Silva
Sabia que? A nossa microbiota é constituída por centenas de milhares de milhões de microrganismos vivos, invisíveis a olho nu. Estes microrganismos, tais como bactérias, leveduras, vírus, fungos e parasitas, coabitam em simbiose com o nosso corpo, trabalhando em conjunto para manter o equilíbrio da nossa microbiota intestinal (ou flora intestinal). Uma microbiota equilibrada é caracterizada por uma diversidade e abundância de microrganismos. A diversidade da microbiota é um indicador-chave da nossa saúde. Mas este equilíbrio continua a ser frágil e é preciso cuidar dele. Numerosos estudos científicos mostram que a atividade física regular aumenta a diversidade bacteriana intestinal a favor das espécies benéficas. O desporto contribui assim para o equilíbrio da microbiota, preservando esta simbiose essencial para a nossa saúde e bem-estar.
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Saber mais sobre Paola Soares da Silva
Empenhada na comunidade artística e desportiva do Breakdance, Paola Soares da Silva é uma atleta emblemática e inspiradora. Tornou-se vice-campeã de Breaking Île de France e Centre Val de Loire 2021, e depois campeã Centre Val de Loire 2024. Paralelamente à sua carreira desportiva, é também fundadora e gestora da Breaking Journey, uma associação que trabalha para divulgar e promover a cultura urbana e o breakdance em França.
Basquetebol, resiliência
Com Sidney Attiogbé
Pequenos, invisíveis... mas muito resistentes! Uma alimentação rica em gorduras, stress, infecções... São vários os factores que podem perturbar o equilíbrio da microbiota intestinal (a chamada disbiose). A boa notícia é que a microbiota intestinal é resiliente, ou seja, capaz de recuperar de uma perturbação. Outra boa notícia é que o exercício físico tem demonstrado contribuir para esta resiliência. O exercício físico intenso está correlacionado com o stress oxidativo (um fenómeno natural ligado à produção de radicais livres no organismo). A resiliência da microbiota é essencial em mais do que um aspeto: contribui para uma boa digestão e absorção de nutrientes, combate o stress oxidativo e a inflamação, reforça o sistema imunitário e ajuda a prevenir certas doenças. Está convencido? Então compre os seus ténis!
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Para saber mais sobre Sidney Attiogbé
Sidney Attiogbé, antigo jogador da seleção francesa de sub-23, tem como missão ajudar o maior número possível de pessoas a descobrir o seu desporto, o basquetebol em cadeira de rodas. Este atleta profissional contribui para alargar a visibilidade e a acessibilidade do desporto para deficientes, nomeadamente através de projectos e eventos que realiza em estreita colaboração com empresas.
Rugby, energia
Com Jonathan Laugel e Maxime François
Precisa de um tónico? Recorra a sua microbiota intestinal! As bactérias da microbiota intestinal desempenham um papel importante na produção de energia dos desportistas. Como é que o fazem? A microbiota intestinal fermenta os hidratos de carbono complexos da dieta, que por sua vez produzem (sidenote:
Ácidos Gordos de Cadeia Curta (AGCC)
Os Ácidos Gordos de Cadeia Curta são uma fonte de energia (carburante) das células do indivíduo, interagem com o sistema imunitário e estão envolvidos na comunicação entre o intestino e o cérebro.
Silva YP, Bernardi A, Frozza RL. The Role of Short-Chain Fatty Acids From Gut Microbiota in Gut-Brain Communication. Front Endocrinol (Lausanne). 2020;11:25.) (AGCC), reconhecidos como uma fonte vital de energia para as células intestinais e outros tecidos do corpo. Estes, por sua vez, contribuem para a resistência e a recuperação durante o exercício. Um círculo virtuoso!
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Mais informações sobre Jonathan Laugel
Membro da seleção nacional de rugby de 7, Jonathan Laugel é jogador profissional de rugby há 12 anos, recordista francês do número de presenças com a sua equipa, com 93 torneios e mais de 450 jogos disputados. Participou nos Jogos Olímpicos do Rio em 2016 e ganhou várias medalhas nos campeonatos do mundo, incluindo uma medalha de prata em Hong Kong em 2024. É também duplo medalhista de ouro no Campeonato Europeu de Rugby 7s.
Para saber mais sobre Maxime François
Maxime François, o seu treinador, é um antigo atleta de alto nível de luta livre. Nesta disciplina, conquistou o título de campeão francês seis vezes a título individual e três vezes por equipas. Também ficou em 5º lugar nos Jogos Mediterrânicos de 2018 em luta livre e em 3º lugar no Campeonato Mundial de Grappling de 2014. Agora, convertido em treinador de luta livre MMA, coloca a sua experiência e conhecimentos à disposição do Jonathan. Graças ao trabalho de Maxime, Jonathan melhorou dez vezes o seu desempenho desportivo. Uma relação forjada por anos de amizade e valores desportivos partilhados.
Surf e hidratação
Com Ainhoa Leiceaga
Água, fonte de vida. A hidratação é essencial para todos, mas ainda mais para os atletas, cujo desempenho e recuperação dependem de uma ingestão óptima de água. A microbiota intestinal transporta a água e os electrólitos - minerais que ajudam a estabilizar o nível de hidratação do corpo - através da parede intestinal. Estudos científicos demonstraram que a composição da microbiota intestinal influencia a absorção de sódio e de outros solutos essenciais para a hidratação no sangue, contribuindo assim para a hidratação. Os atletas correm um maior risco de desidratação devido à transpiração intensa associada ao exercício. Por conseguinte, uma microbiota equilibrada contribui para a integridade da barreira intestinal e para uma boa hidratação do organismo, ambos essenciais para o desempenho desportivo.
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Saber mais sobre Ainhoa Leiceaga
Membro da seleção nacional de surf, Ainhoa Leiceaga é uma surfista francesa de alto nível. A sua carreira tem sido marcada por muitos sucessos, incluindo o terceiro lugar no ranking europeu de juniores e o 4º lugar no circuito europeu de 2022-2023. Paralelamente às suas conquistas desportivas e ao seu empenho na proteção e preservação dos oceanos, Ainhoa é estudante de física e química.
Judo, defesa
Com Raymond Demoniere
Ataque e contra-ataque! A microbiota intestinal actua como um escudo contra os ataques de bactérias (sidenote:
Agente patogénico
Um agente patogénico é um microrganismo que provoca ou pode provocar uma doença
Pirofski LA, Casadevall A. Q and A: What is a pathogen? A question that begs the point. BMC Biol. 2012 Jan 31;10:6.). Como é que isso acontece? As bactérias estão em constante diálogo com o sistema imunitário intestinal, permitindo-lhe estar sempre alerta e, se necessário, proteger a barreira intestinal. A ativação da resposta imunitária desempenha um papel fundamental na resistência. Supere-se, sim, mas primeiro proteja-se! Existe uma relação entre a intensidade do desporto e a alteração da resposta imunitária do hospedeiro. Investigações recentes sugerem que a microbiota intestinal pode ajudar a contrariar as respostas inflamatórias desencadeadas pelo exercício intenso. Os atletas com uma composição específica da microbiota intestinal apresentaram um estado inflamatório mais baixo. Estes efeitos anti-inflamatórios da microbiota intestinal atrasariam os sintomas de fadiga durante o exercício de resistência. Vamos a isso!
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Para saber mais sobre Raymond Demoniere
Raymond Demoniere é um judoca francês, cinturão negro 6º dan. Figura respeitada no mundo do judo, é atualmente um treinador certificado pelo Estado. A sua influência vai para além da sua própria carreira, pois é ao lado do seu filho Romain, vencedor da Taça da Europa 2024 na categoria de cadetes, que treina e prossegue uma carreira de judoca de alto nível. A sua dupla encarna a força e a resiliência, mas também o respeito e a disciplina, valores fundamentais do judo.
Este projeto nasceu desta interrogação... e de uma oportunidade: a chegada de um ano 2024 rico em eventos desportivos em Paris! Mergulhámos em estudos científicos que demonstram a relação bidirecional entre a microbiota e a atividade física. Hidratação, defesa, equilíbrio, energia e resiliência: nestas cinco funções-chave do nosso corpo, a microbiota desempenha o papel de um treinador invisível. Com as bases científicas estabelecidas, precisávamos agora de chegar ao maior número possível de pessoas com um grande desafio: tornar visível o invisível. A fotografia, aliada à inteligência artificial, pareceu-nos a melhor forma de ilustrar os formidáveis poderes da microbiota. Invisível mas sólida!
Obrigado a todos os atletas que participaram no projeto.
“Tal como o desporto, a microbiota é essencial para o bom funcionamento e a proteção do nosso corpo.”
Olivier Valcke, Corporate Scientific Communication Director
Copyrights
Créditos fotográficos : Laurent Hini.
Imagens manipuladas por Inteligência Artificial e desenvolvidas por Laurent Hini.
Fontes
Mach N, Fuster-Botella D. Endurance exercise and gut microbiota: A review. J Sport Health Sci. 2017 Jun;6(2):179-197.
Para os desportistas de elite, a busca do desempenho é constante. Assim, uma nova abordagem com base científica pretende "alimentar" a microbiota intestinal destes atletas para otimizar os seus tempos.
A primeira diferença é que a microbiota intestinal dos atletas é mais diversificada. Por exemplo, um estudo com jogadores de râguebi mostra que a microbiota intestinal destes atletas contém um maior número de espécies bacterianas. Ora, a aptidão cardiorrespiratória dos atletas, e mais especificamente o seu consumo máximo de oxigénio ou (sidenote:
VO2max
Este critério, que é específico para cada atleta, representa a quantidade máxima de oxigénio que o organismo é capaz de extrair do ar e depois transportar para as fibras musculares durante o exercício para satisfazer as suas necessidades. Quanto mais elevado for o VO2max, melhor poderá ser o desempenho; se for fraco, a capacidade desportiva será limitada e será necessário um treino específico para o reforçar.
), parecem estar ligados à diversidade desta microbiota intestinal. 2
Segunda diferença: a microbiota dos desportistas é mais rica em bactérias benéficas (Bifidobacterium, Lactobacilli e Akkermansia) e produz mais ácidos gordos de cadeia curta ( (sidenote:
Ácidos Gordos de Cadeia Curta (AGCC)
Os Ácidos Gordos de Cadeia Curta são uma fonte de energia (carburante) das células do indivíduo, interagem com o sistema imunitário e estão envolvidos na comunicação entre o intestino e o cérebro.
Silva YP, Bernardi A, Frozza RL. The Role of Short-Chain Fatty Acids From Gut Microbiota in Gut-Brain Communication. Front Endocrinol (Lausanne). 2020;11:25.)) 3,4. No entanto, existem grandes diferenças entre os desportos e entre os atletas que os praticam. Assim, na microbiota dos jogadores de râguebi acima mencionados, há vários taxa bacterianos que estão sobre-representados, a começar pela bactéria Akkermansiaceae. 1 Nos maratonistas e nos esquiadores de fundo, verificou-se que a flora intestinal era mais rica em bactérias da grande família das Firmicutes (que inclui os lactobacilos, as "bactérias boas") e mais pobre em Bacteroidetes: o resultado é uma relação F/B favorável entre estas duas famílias de bactérias, associada a um VO2max mais elevado, um fator-chave do desempenho. 5
Os grupos Firmicutes e Bacteroidetes representam conjuntamente 70% a 90% da comunidade bacteriana do nosso intestino. 8, 9
As Prevotella, bactérias associadas a um melhor desempenho físico, estão também sobre-representadas nos corredores de maratona. 5 O mesmo resultado foi obtido no caso dos ciclistas profissionais americanos: a abundância de Prevotella aumentou com o número de horas por semana dedicadas ao treino. 2
Mas a grande questão mantém-se: a microbiota específica dos atletas é a causa do seu desempenho extraordinário... ou é a consequência das suas atividades desportivas muito intensas, combinadas com uma dieta muito específica? Será provavelmente um pouco de ambas, com a ideia de um círculo virtuoso.
Modulação da microbiota intestinal, estratégia de eleição para melhorar a saúde e o desempenho dos atletas?
Consequência direta da relação entre a microbiota intestinal e o desempenho desportivo é a tentação de os atletas otimizarem a sua flora intestinal, quer através da dieta (para nutrirem as suas bactérias), quer através de probióticos. 6
Em termos de alimentação,a investigação começa a debruçar-se sobre o assunto e estuda, nomeadamente, os benefícios de uma dieta rica em fibras para o reforço da microbiota dos desportistas e da sua saúde digestiva. 3 É que os atletas costumam ser mais adeptos das massas do que das lentilhas e saladas. No entanto, a respetiva ingestão de fibras deve ser proporcional ao seu elevado consumo de calorias: 14 g de fibra /1000 kcal /dia para promoverem a sua saúde e o desempenho gastrointestinal. No entanto, desde que sejam evitadas imediatamente antes ou depois do exercício físico, para se evitar acrescentar o efeito das fibras (inchaço, trânsito intestinal acelerado) a um sistema digestivo já de si sobrecarregado. 3
Quanto aos probióticos, a variabilidade das estirpes, das doses, dos desportos e dos atletas complica as conclusões. 3 No entanto, os estudos científicos referem efeitos benéficos para a saúde em geral, nomeadamente para a imunidade. Nas nadadoras, um iogurte probiótico contendo Lactobacillus acidophilus spp., Lactobacillus delbrueckii bulgaricus, Bifidobacterium bifidum e Streptococcus salivarus thermophilus, limita os episódios de infeções respiratórias após a competição; em jogadores de râguebi, um probiótico com várias estirpes reduziu também a frequência das perturbações do trato respiratório superior e dos sintomas gastrointestinais; e há outros estudos que revelam uma melhoria da função imunitária. 6
Probióticos, o que é isso?
Os probióticos são “microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem um benefício à saúde do hospedeiro.” 10, 11 Por outras palavras, são bactérias ou leveduras na sua melhor forma que oferecem benefícios para a saúde de quem as consome, desde que não as consuma em excesso ou insuficientemente!
Os microrganismos mais utilizados como probióticos são:
bactérias oriundas da microbiota humana ou de produtos lácteos fermentados, nomeadamente os lactobacilos (Lactobacillus) e as bifidobactérias (Bifidobacterium). 12, 13
leveduras como a Saccharomycesboulardii, originária da pele das lichias. 12, 14
Pelo lado do desempenho, algumas experiências realizadas com ratos, parecem prometedoras. Eis o exemplo mais marcante: a bactéria Veillonella atypica, associada ao desempenho dos maratonistas, que transforma um produto residual dos respetivos músculos (lactato) num combustível (propionato).
Basta fazer deslizar algumas para o trato digestivo de ratos para estes se tornarem nas novas estrelas do tapete rolante.7 Pelo contrário, os roedores alimentados com uma dieta desprovida de fibras fermentáveis pelas bactérias arrastam-se lamentavelmente nos seus tapetes de exercício e perdem massa muscular. 4 No entanto, estes são apenas resultados iniciais relativos a roedores: são ainda necessários estudos no ser humano para os confirmar.
O estilo de vida, a idade, a genética, a alimentação... há muitos fatores que podem modificar a microbiota intestinal. Entre eles, há um ainda pouco estudado: o impacto do exercício físico. No entanto, a investigação científica revela que a atividade física regular está associada a uma melhor saúde digestiva e a uma microbiota saudável..., mas há que ter cuidado com o exercício físico excessivo!
A prática desportiva é benéfica para a nossa saúde digestiva?
Tal como o resto do organismo, o nosso sistema digestivo tem tudo a ganhar com a (sidenote:
Atividade física
"Qualquer movimento corporal produzido pela contração dos músculos esqueléticos que resulte num aumento do dispêndio de energia (DE) em relação ao DE em repouso”. Entre os exemplos de atividades físicas contam-se a caminhada, o ciclismo, as brincadeiras ativas, o desporto, as tarefas domésticas, a jardinagem e a bricolage.
Fonte: Caspersen CJ, Powell KE, Christenson GM. Physical activity, exercise, and physical fitness: definitions and distinctions for health-related research. Public Health Rep. 1985 Mar-Apr;100(2):126-31.). Assim, desde que esta seja praticada de forma razoável (menos de 50% do consumo máximo de oxigénio ou (sidenote:
VO2max
Este critério, que é específico para cada atleta, representa a quantidade máxima de oxigénio que o organismo é capaz de extrair do ar e depois transportar para as fibras musculares durante o exercício para satisfazer as suas necessidades. Quanto mais elevado for o VO2max, melhor poderá ser o desempenho; se for fraco, a capacidade desportiva será limitada e será necessário um treino específico para o reforçar.
)):
o trânsito intestinal é estimulado,
a mucosa que reveste as paredes do tubo digestivo apresenta-se em melhor estado.
Um estudo científico demonstra que, após três meses de atividade física moderada, a motilidade gastrointestinal (contrações dos músculos do tubo digestivo necessárias para fazer passar os alimentos) é melhorada: o trânsito é assim acelerado, reduzindo o tempo de permanência das futuras fezes no sistema digestivo... e, por conseguinte, o período de contacto entre os eventuais agentes patogénicos presentes nessas fezes e a barreira intestinal. O mesmo acontece após apenas uma semana de ciclismo a intensidade moderada. Por outras palavras, o (sidenote:
Desporto
Atividade física estruturada de lazer que pode incluir exercícios físicos em que os participantes cumprem um conjunto comum de regras (ou expectativas) e em que é definido um objetivo.
Fonte: Khan KM, Thompson AM, Blair SN et al. Sport and exercise as contributors to the health of nations. Lancet. 2012 Jul 7;380(9836):59-64.) é bom para o sistema digestivo, desde que não estejamos obcecados com o cronómetro e não nos esforcemos demasiado. 1
Benefícios intestinais com apenas duas horas e meia de atividade física por semana
Ir a pé para o trabalho, usar as escadas em vez da escada rolante, aspirar, jardinar, andar de bicicleta e ir a uma aula de ginástica: 2h30 de atividade física por semana é o suficiente para obter benefícios intestinais. E não é necessário participar numa maratona: a melhoria da diversidade e da riqueza da microbiota está mais ligada ao número de horas de atividade física do que à intensidade dessa atividade. 10
O mesmo se aplica à mucosaintestinal que reveste as paredes do nosso trato digestivo. O desporto (quando praticado de forma razoável) é indissociável de mucosas saudáveis, que desempenham o seu papel de barreira contra as doenças. 1
A nossa microbiota precisa de exercício: calcemos as sapatilhas!
Será que isto é uma consequência direta dessa boa saúde digestiva? Quando praticamos desporto (de forma não excessiva), a nossa microbiota intestinal fica em plena forma. O exercício físico preenche, portanto, todos os requisitos positivos 1 :
melhora a composição da microbiota intestinal e o seu funcionamento, propiciando o desenvolvimento de uma flora rica e benéfica;
promove a síntese de moléculas que modulam a imunidade e de outras com propriedades antimicrobianas que proporcionam uma proteção eficaz contra os ataques dos agentes patogénicos.
Portanto, os principais resultados da investigação devem encorajar-nos a abandonarmos o nosso sofá! O facto de renunciarmos a ele em favor de um pouco de exercício leva a uma maior diversidade entre o filo dos Firmicutes, que contribuem para um ambiente intestinal mais saudável. 2 Em adolescentes normalmente sedentários, a introdução de meia hora de corrida de intensidade moderada, 4 vezes por semana, altera a sua flora (e reduz as suas alterações de humor): as bactérias Coprococcus e Blautia tornam-se mais presentes. 3 O que é preciso é praticar regular e repetidamente: os jogadores profissionais de râguebi têm uma microbiota em plena forma. 4,5
Por último, parece haver uma ligação com a intensidade com que praticamos6 : Quanto mais elevado é o nível dos praticantes de artes marciais, mais diversificada e rica em bactérias benéficas é a sua microbiota intestinal.
Afirma-se mesmo que o exercício físico tem virtudesterapêuticas: com uma intensidade moderada, o exercício parece ser eficaz para reduzir a síndrome do cólon irritável (de que sofrem muitos atletas de desportos de resistência). Tudo boas razões para se voltar a uma prática regular. 1
Queimarmos calorias, sim! Mas não a qualquer preço! Como sempre, os excessos podem ser prejudiciais: 60 minutos de treino de resistência muito intenso (a 70% do (sidenote:
VO2max
Este critério, que é específico para cada atleta, representa a quantidade máxima de oxigénio que o organismo é capaz de extrair do ar e depois transportar para as fibras musculares durante o exercício para satisfazer as suas necessidades. Quanto mais elevado for o VO2max, melhor poderá ser o desempenho; se for fraco, a capacidade desportiva será limitada e será necessário um treino específico para o reforçar.
)) provocam dores abdominais, náuseas e diarreia. 1 Outros fatores, como a altitude, a temperatura ambiente, a falta de hidratação e a idade, também parecem contribuir para o desconforto.
Estima-se que os praticantes de corrida estejam 2 vezes mais expostos do que os atletas que praticam outros desportos de resistência, como o ciclismo ou a natação. E isto, principalmente, as estrelas da disciplina: o fenómeno será 1,5 a 3 vezes mais frequente entre (sidenote:
Atleta
Praticante de um desporto de competição que procura atingir um elevado nível de desempenho através do treino
Fonte: Rousseau AS. Nutrition, santé et performance du sportif d’endurance / Nutrition, health and performance of endurance athletes. Cahiers de Nutrition et Diététique. 2022 eb ;57(1) : 78-94) de elite em comparação aos amadores. 1 Assim, entre 30 a 50% dos atletas serão afetados por problemas digestivos, chegando-se mesmo aos 90% no caso dos que participam em (sidenote:
Provas de ultra-resistência
Eventos extremos que duram frequentemente mais de 6 horas e mais de 100 km (ou mesmo muito mais!), por vezes em condições difíceis. Por exemplo, o Ironman é um triatlo com uma distância total de 226 quilómetros, composto por 3,8 km de natação, 180,2 km de ciclismo e 42,195 km de maratona no mesmo dia; a Race Across America é uma corrida de bicicleta com uma duração máxima de 12 dias e 4.860 km; os participantes na Iditarod Trail Invitational correm, pedalam e esquiam no Alasca através de 1.600 km de neve; etc.
). 7 Imagens de corredores de maratona vítimas de ataques de diarreia a meio do seu esforço têm circulado na Internet.
30 a 50% dos atletas serão afetados por problemas digestivos, chegando-se mesmo aos 90% no caso dos que participam em provas de ultra-resistência. 7
O que explica tal epidemia de problemas gastrointestinais nos atletas? O facto de o organismo deles empenhar toda a sua força em fornecer aos músculos o oxigénio de que precisam. O exercício físico intenso faz com que o sistema sanguíneo entre em sobrecarga: são dadas instruções para que o fluxo sanguíneo seja imediatamente redistribuído para os músculos... em detrimento das vísceras e do sistema digestivo. Ao mesmo tempo, o sistema nervoso simpático, o mesmo que faz o coração bater mais depressa quando estamos assustados, é ativado e afeta o trânsito intestinal. Este duplo mecanismo explica as dores, as náuseas e a diarreia. 7
O problema é que o sistema digestivo arrasta consigo a microbiota que alberga. Assim, quer sejamos amadores ou profissionais, os treinos demasiado intensos ou desproporcionados em relação ao nosso nível físico podem provocar uma alteração da composição e da função da nossa microbiota, conhecida por disbiose.
A "disbiose" pode definir-se como uma alteração da composição e da função da microbiota. Essa alteração resulta de uma combinação de fatores ambientais e de fatores específicos de cada pessoa. 9
Essa perturbação será tanto mais rápida e profunda quanto mais intensa for a atividade física que a cause. 8 O resultado é um aumento da permeabilidade intestinal: a membrana do trato digestivo deixa de poder desempenhar o seu papel de barreira e de guarda de fronteiras. Toxinas bacterianas ou moléculas pró-inflamatórias poderão então penetrar eventualmente no nosso organismo, com o risco de afetarem a nossa saúde geral. 1
Uma vez que um estilo de vida sedentário pode prejudicar gravemente a nossa saúde, é importante praticarmos atividade física todas as semanas. Regressar à prática do desporto nem sempre é fácil, mas todos dispomos uma poderosa aliada: a microbiota intestinal.
A prática semanal de exercício físico está associada a uma redução de 20 a 40% da mortalidade por todas as causas. 8
A prática de um (sidenote:
Desporto
Atividade física estruturada de lazer que pode incluir exercícios físicos em que os participantes cumprem um conjunto comum de regras (ou expectativas) e em que é definido um objetivo.
Fonte: Khan KM, Thompson AM, Blair SN et al. Sport and exercise as contributors to the health of nations. Lancet. 2012 Jul 7;380(9836):59-64.) de resistência, quer se trate de corrida, ciclismo, natação ou aeróbica, exige do nosso organismo um certo número de adaptações fisiológicas, e não apenas a nível muscular. De facto, uma atividade prolongada irá:
induzir perdas de água e de eletrólitos (nomeadamente sódio e cloro) em resultado da transpiração para arrefecer o corpo,
esgotar as reservas de (sidenote:
Glicogénio
Forma de armazenamento de hidratos de carbono ("açúcares") no organismo, principalmente no fígado e nos músculos.
) para alimentar os nossos músculos enquanto se movimentam,
aumentar a inflamação devido ao stress do exercício físico, etc.
É tudo por uma boa causa, é claro, mas representa um grande esforço para o nosso organismo... e um desafio em que a microbiota intestinal pode ser muito útil.
Motivados, motivados!
Claramente, nem todos estamos igualmente motivados para praticar desporto. E a microbiota pode ser responsável pela falta de motivação de algumas pessoas e pelo excesso de empenhamento de outras. Como? Através de bactérias intestinais que produzem moléculas que aumentam a libertação de dopamina (a hormona do prazer e da motivação) durante a atividade física, pelo menos nos ratos em que estas experiências foram realizadas. 10
Para a mesma rotação da roda, determinados ratos produzem mais dopamina, sentem um prazer muito maior e tornam-se viciados no desporto. Estes ratos, cuja microbiota estimula muito esta fixação, sonham apenas com uma coisa: calçar as sapatilhas e tornarem-se nos novos Speedy Gonzales da roda! Quanto aos roedores nos quais a microbiota ativa pouco o circuito dopaminérgico, esses preferem as pantufas, pois os seus esforços são pouco recompensados em termos de prazer.
A microbiota ao serviço do nosso desempenho desportivo?
Por mais incrível que possa parecer, estudos científicos recentes demonstram que a nossa microbiota intestinal nos ajuda a enfrentar os desafios hídricos, energéticos e inflamatórios associados ao desporto.
Como se sabe, a hidratação é essencial durante um esforço físico prolongado. Ora, crê-se que certas bactérias intestinais ajudam a transportar líquidos e solutos através da barreira intestinal, mantendo assim a hidratação.
Outro ingrediente essencial para o desporto e o desempenho é a energia. Mais uma vez, a nossa flora intestinal pode dar-nos uma ajuda: ela auxilia os nossos músculos que, nos desportos de resistência, esgotam as suas reservas de glicogénio. Efetivamente, as bactérias da microbiota intestinal fermentam as fibras que o nosso organismo não consegue digerir, extraindo valiosos ácidos gordos de cadeia curta ( (sidenote:
Ácidos Gordos de Cadeia Curta (AGCC)
Os Ácidos Gordos de Cadeia Curta são uma fonte de energia (carburante) das células do indivíduo, interagem com o sistema imunitário e estão envolvidos na comunicação entre o intestino e o cérebro.
Silva YP, Bernardi A, Frozza RL. The Role of Short-Chain Fatty Acids From Gut Microbiota in Gut-Brain Communication. Front Endocrinol (Lausanne). 2020;11:25.)) que servem de combustível de emergência para os músculos durante o exercício. 2
As perdas de líquidos durante o exercício são da ordem de 0,6 a 0,8 L/h para exercícios de intensidade baixa a moderada, podendo atingir até 2 L/h em ambientes quentes e húmidos.
As perdas de minerais através do suor são elevadas: entre 20 e 70 mmol/L para o sódio e o cloro, com grandes variações de um indivíduo para outro. 9
Os efeitos deste impulso energético estão longe de ser negligenciáveis: os AGCC fornecem mais de 10% das necessidades calóricas diárias dos seres humanos. 3 E os benefícios dos AGCC vão muito mais longe: pensa-se que favorecem o armazenamento das reservas de glicogénio no músculo antes do exercício, atrasando o momento em que o organismo precisa de combustível de emergência. 2
Por último, pensa-se também que os AGCC reduzem a inflamação induzida pelo esforço físico intenso. 2, 4, 5
Um eixo intestino-músculo-cérebro?
O nosso intestino está em constante diálogo com o nosso cérebro e vice-versa. É o que se chama o eixo intestino-cérebro , que utiliza um triplo circuito de comunicação 11 : a via neuronal (neurónios), a via endócrina (hormonas) e a via do sistema imunitário.
Da mesma forma, alguns investigadores falam da ideia de um eixo intestino-músculos, baseado principalmente nos famosos AGCC, esses pequenos ácidos gordos de cadeia curta produzidos pelas nossas bactérias intestinais. 4,5 Estes AGCC, bem como várias hormonas por eles libertadas no cólon, no tecido adiposo e no pâncreas, circulam na corrente sanguínea e interagem com os músculos responsáveis pelo movimento do nosso corpo.
Como a atividade física contribui para a boa saúde do cérebro, e existindo uma ligação demonstrada entre o nosso sistema cognitivo e o nosso nível de atividade física, será apenas um pequeno passo imaginar-se um tríptico, o eixo intestino-músculo-cérebro.
Como é que isso é possível? Quando os músculos dos atletas esgotam todas as suas reservas de glicogénio, começam a fermentar para produzir energia, produzindo um produto residual chamado lactato (responsável pelas cãibras). E é aí que a pequena Veillonella entra em ação: transforma o lactato em propionato, que os músculos utilizam como fonte de energia! E eis que o rendimento dos atletas é naturalmente impulsionado. 6
O fluxo sanguíneo pode ser multiplicado por 20 entre uma situação de repouso e uma situação de exercício dinâmico intenso. 9
No entanto, para que as bactérias produzam moléculas "boost", é necessário ter as bactérias certas no trato digestivo e alimentá-las de forma apropriada. Caso contrário, os microrganismos podem também gerar produtos nocivos para o nosso desempenho. 2,4,7
Temido pelas mulheres que usam tampões ou copos menstruais, o choque tóxico pode tornar-se fatal. Para o prevenir, são recomendadas ações simples. Os aliados invisíveis na flora vaginal podem ser uma grande ajuda…
Práticos e discretos, os tampões e os copos menstruais são amplamente usados pelas mulheres durante a menstruação. No entanto, têm um reverso da medalha, sobretudo quando estes dispositivos não são mudados regularmente: a estagnação do sangue e a criação de um ambiente favorável à multiplicação de bactérias.
E se a bactéria for S. aureus, o risco passa a ser de choque tóxico menstrual. Frequentemente presente na pele, mas mais raramente na vagina, a S. aureus segrega uma toxina particularmente virulenta capaz de atacar os nossos órgãos mais vitais, como o fígado, os rins ou até mesmo os pulmões. Começa com uma febre alta e/ou erupções cutâneas, acompanhadas por vezes de tensão baixa. Nos casos em que a toxina atinge os órgãos e resulta na sua falha, existe a possibilidade de ocorrência de coma e morte. 1
1 a 3 mulheres em 100 000
que usam dispositivos intravaginais (tampões e copos menstruais) estão expostas a um risco de síndrome de choque tóxico menstrual.
x2 a x3
O risco de síndrome de choque tóxico é multiplicado por 2 quando um tampão é usado durante mais de 6 horas e por 3 quando o tampão é usado durante toda a noite.
Ações simples para evitar o choque tóxico menstrual
Felizmente, o choque tóxico menstrual continua a ser raro. Atualmente, 1 a 3 mulheres em 100 000 que usam dispositivos intravaginais (tampões e copos menstruais) encontram-se nos EUA. São bastante menos do que nos anos 1980, quando a comercialização de tampões em fibra de carboximetilcelulose de elevada absorção levou a uma epidemia (10 em 100 000 mulheres). A sua retirada e substituição por tampões em celulose ou fibras de algodão permitiu reduzir esses valores. 2
O risco pode ser ainda mais reduzido ao adotar ações simples, que facilitam a evacuação das potenciais S. aureus vaginales3 :
• Siga as instruções indicadas na embalagem do produto;
• Lave as mãos antes e depois de usar o tampão/copo menstrual;
• Use tampões ou copos menstruais apenas quando estiver com a menstruação e não fora deste período;
• Durante o dia, mude o tampão ou esvazie (e lave muito bem!) o copo menstrual a cada 4 a 6 horas, caso tenha optado por este tipo de dispositivo;
• Durante a noite, opte por usar pensos higiénicos ou cuecas menstruais. Ou seja, não é a utilização de tampões ou copos menstruais que é responsável pelo choque tóxico, mas a sua utilização incorreta;
• Contacte o seu médico se sentir dores, febre ou outros sintomas incomuns.
A função da microbiota vaginal
Finalmente, um estudo recente indicou que a microbiota vaginal também pode participar na prevenção. 1 As mulheres não têm todas a mesma microbiota vaginal e foram identificados 5 tipos principais:
3 considerados saudáveis, respetivamente dominados por Lactobacillus crispatus, L. gasseri e L. jensenii, respectively;
um considerado como transitório, dominado por L. iners ;
um considerado desequilibrado, composto por uma grande variedade de bactérias, tal como Gardnerellavaginalis e associado à vaginose bacteriana.
Um estudo recente demonstra que os dois últimos tipos podem favorecer o choque tóxico. Inversamente, as microbiotas dominadas por L. crispatus, L. gasseri e L. jensenii seriam protetoras, porque tornam o ambiente vaginal mais acídico (o que não agrada à S. aureus) e, sem dúvida, através de outros mecanismos complexos. Por outro lado, a bactéria L. jensenii é especialmente protetora. O estudo considera-a mesmo como um potencial probiótico para as mulheres que já tenham tido um choque tóxico e que pretendam prevenir uma recidiva.