Impulsionar o sistema imunológico e remobilizá-lo para que seja capaz de reconhecer e eliminar as células cancerosas: este é o princípio da imunoterapia, que revoluciona o tratamento do cancro desde a década de 2010. No entanto, há uma limitação: em alguns pacientes, ela revela-se pouco eficaz.
Os estudos parecem demonstrar que a microbiota intestinal poderá determinar o resultado deste tratamento, uma vez que certas bactérias que habitam o nosso tubo digestivo segregam moléculas capazes de dar um impulso ao nosso sistema imunitário na luta contra a proliferação de células cancerosas. Assim, alguns investigadores tentaram modificar a flora intestinal dos seus doentes antes do tratamento de imunoterapia, de forma a que esta estimulasse o tratamento. Um dos meios utilizados para isso foi o transplante de microbiota fecal.
É melhor uma microbiota de idoso
Se tivesse de receber um pouco de microbiota fecal de outra pessoa (sim, esta é agora uma das soluções terapêuticas reconhecidas ou em estudo para muitas doenças), teria tendência a escolher um dador jovem e saudável. Isso é também o que os investigadores fazem. Mas talvez tenham de reavaliar a sua opção e preferir as fezes de um dador que já tenha apagado mais de 80 velas e ainda esteja em boa forma!
Há pouco tempo, um estudo 1 revelou que as pessoas com mais de 60 anos respondiam melhor à imunoterapia e que, com o passar dos anos, a sua taxa de sobrevivência superava o prognóstico. Porquê?
Isto dever-se-á ao facto de, com a idade, a sua microbiota intestinal parecer evoluir em favor de um conjunto de bactérias que são mais benéficas para os resultados da imunoterapia. Tanto assim é que o transplante destas bactérias típicas da terceira idade para ratinhos com cancro, antes de os tratar com imunoterapia, reduziu mais o crescimento dos seus tumores do que sem o transplante fecal.
Como se explicam tais resultados? À partida, porque estas bactérias "de velho" fornecem um impulso "jovem" a um sistema imunitário que tem tendência para se desgastar com o passar dos anos. A este respeito, parece que para uma microbiota saudável, o valor sabe esperar pelo número de anos.