Sobre o Instituto

Na qualidade de pioneira na investigação sobre a microbiota, a Biocodex lançou, em 2017, o Biocodex Microbiota Institute, um centro de conhecimento sem caráter promocional dedicado à microbiota. São proibidos no site do Instituto nomes comerciais de estirpes microbianas, medicamentos e produtos farmacêuticos. A competência, a integridade científica, a utilidade e o empenho são as componentes vitais da nossa atividade diária.

Competência

Somos especialistas em microbiota

O Biocodex Microbiota Institute integra uma equipa apaixonada, entusiasta, competente e motivada de especialistas em comunicação científica, jornalistas, profissionais de marketing digital e também estagiários, dedicada a fornecer informações sobre a microbiota e a divulgar a sua importância junto de todos. Para cumprir esta missão, contamos com o apoio de eminentes especialistas em microbiota de 27 nacionalidades.

Mais de 200 profissionais

Mais de 230 investigadores e profissionais de saúde de diferentes disciplinas têm vindo a colaborar com o Biocodex Microbiota Institute desde a sua criação em 2017. Todos juntos, conjugamos as nossas forças e competências para fazer avançar a investigação sobre a microbiota (a microbiota intestinal, mas também a vaginal, a da pele, a pulmonar, etc.) e para sensibilizar para o seu papel crucial.

Uma equipa dedicada

Trabalhamos para manter sua microbiota saudável

Descubra a equipe

Integridade

Acreditamos na ciência

Uma comissão editorial

A integridade científica norteia o Biocodex Microbiota Institute. Uma vez por mês, a comissão editorial do Instituto seleciona um conjunto de publicações científicas para um boletim informativo semanal.

A comissão editorial orienta as suas escolhas pela qualidade científica dos artigos, a sua clareza de exposição e a sua relevância para o domínio da microbiota que é do âmbito do Instituto. É ela quem toma a decisão final sobre a publicação e que seleciona, todas as semanas, artigos em jornais de grande impacto. Proporcionamos aos profissionais de saúde e ao público interessado conteúdos rigorosos e 100% fundamentados.

Elaboração da autoria de pessoas e para pessoas.

Todos os conteúdos disponíveis no site do Instituto (artigos, infografias, curso de formação médica contínua, HCP magazine, vídeos de especialistas, imagens, etc.) são da autoria de seres humanos.

Não existem conteúdos gerados a partir de programas de IA, aprendizagem automática ou ferramentas algorítmicas semelhantes. Trabalhamos com jornalistas científicos independentes e editores especializados na área da microbiota. O estatuto editorial do Instituto fornece aos nossos jornalistas científicos recursos sólidos e valiosos a fim de manter a nossa prática editorial ao mais alto nível.

A HCP magazine

Para além disso, temos ainda a HCP magazine, uma publicação especializada direcionada aos especialistas em microbiota.

Disponível em 5 línguas (francês, inglês, espanhol, português e russo), é publicada três vezes por ano. Esta plataforma faculta a palavra a peritos internacionais que comentam os avanços da investigação sobre a microbiota e o seu impacto na saúde humana. Desde 2023, a HCP magazine oferece aos investigadores a oportunidade de publicarem um resumo original dos seus artigos com abordagem inovadora e baseada em provas que demonstrem uma ligação clara entre a microbiota intestinal e a saúde e as doenças.

Descubra a HCP magazine

Veja nossas últimas edições

Utilidade

Proporcionamos aos profissionais de saúde e ao público em geral ferramentas e conteúdos úteis, fiáveis e atualizados

A principal missão do Biocodex Microbiota Institute é educativa: promover a importância da microbiota junto de todos.

O Instituto presta serviços de fornecimento de conteúdos ao público em geral:

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O Instituto é fornecedor de dados:

Observatório Internacional da Microbiota. O Biocodex Microbiota Institute encomendou à Ipsos um grande inquérito internacional a 6.500 pessoas em 7 países (França, Espanha, Portugal, EUA, Brasil, México e China) para compreender melhor os conhecimentos e o comportamento das pessoas relativamente à sua microbiota. Verifique os resultados.

Observatório Internacional de Microbiotas

Descubra os resultados

Empenho

Subscrevemos plenamente as causas de saúde globais relacionadas com a microbiota e somos fortemente apoiados por associações internacionais.

SCI, endometriose, excesso de peso, doença de Alzheimer, doença de Parkinson, perturbações de ansiedade, cancro, mas também a resistência aos antibióticos.... Muitas questões e preocupações de saúde relacionadas com a microbiota transcendem as fronteiras nacionais e requerem a colaboração entre investigadores, associações de doentes e sociedades médicas de todo o mundo. É por esta razão que o Instituto é avalizado por sociedades médicas e associações de doentes de todo o mundo, tais como:

APSSII

WGO

SoMeMi

Fondation Recherche Endométriose

NSOIM

Canadian Digestive Health Foundation

SOS Préma

Petits frères des pauvres

Le French Gut

L’Académie du Microbiote Urogénital

A seguir, alguns exemplos do nosso envolvimento:

Semana Mundial de Sensibilização para a Resistência aos Antimicrobianos

• Realizada de 18 a 24 de novembro desde 2015 pela OMS, a Semana Mundial de Sensibilização para a Resistência aos Antimicrobianos tem por objetivo aumentar a sensibilização para este fenómeno global e incentivar o público em geral, os profissionais de saúde e os decisores a utilizarem os antibióticos de forma cuidadosa, a fim de evitar o surgimento de resistência antimicrobiana.

• Todos os anos, o Biocodex Microbiota Institute desempenha um papel ativo nesta iniciativa, produzindo e partilhando conteúdos exclusivos ao longo do mês de novembro sobre o impacto dos antimicrobianos na microbiota intestinal.

Mês da Sensibilização para a SCI

• Para assinalar o Mês da Sensibilização para a SCI, o Biocodex Microbiota Institute lançou “Testemunhos de Pacientes”, uma série de testemunhos em vídeo de pacientes que sofrem de doenças crónicas. Os primeiros episódios foram produzidos com o apoio da Associação Francesa de Pacientes com Síndrome do Cólon Irritável (APSSII).

• A maioria dos doentes com SCI partilha um percurso de assistência acidentado: falhas no diagnóstico, falta de informação fiável, tratamentos infrutíferos, mudanças de dieta inadequadas ou mesmo prejudiciais. Foi por isso que três gastroenterologistas de renome internacional, com o apoio do Biocodex Microbiota Institute, desenvolveram um guia para melhorar o diagnóstico da SCI. Este instrumento prático e inovador proporciona uma lista de verificação fácil de utilizar para o diagnóstico diferencial (critérios de diagnóstico, subtipos de SCI, lista de verificação dos sinais de alerta, etc.) e para melhorar a comunicação com os doentes.

Mês da Sensibilização para a Endometriose

• Todos os anos, em França, o Microbiota Institute e a Fondation pour la Recherche sur l’Endométriose (Fundação para investigação em endometriose) realizam uma campanha de sensibilização do público em geral e dos profissionais de saúde para as possíveis relações entre a microbiota e a endometriose.

• Para comemorar o Mês da Sensibilização para a Endometriose, o Instituto Microbiota dá a palavra a três especialistas nesta doença. Quais são os sintomas? Como é diagnosticada? Que cuidados estão disponíveis? Está relacionada com a microbiota? Todas as suas perguntas são respondidas neste artigo.

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Esta página é fornecida como um serviço de contacto e não substitui o aconselhamento de um médico. A BIOCODEX não tem capacidade para responder a perguntas sobre informações médicas gerais ou questões relacionadas com a sua situação clínica pessoal. Se tiver dúvidas sobre alguma patologia específica, consulte um profissional de saúde.

Se pretender comunicar um ou mais acontecimentos adversos ou uma reclamação de qualidade relacionada com os produtos BIOCODEX ou se pretender abordar questões relacionadas com os produtos, clique neste link.

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A equipa do Instituto

Biocodex Microbiota Institute: quem somos?

Mais de 200 profissionais

Mais de 230 investigadores e profissionais de saúde de diferentes disciplinas têm vindo a colaborar com o Biocodex Microbiota Institute desde a sua criação em 2017. Todos juntos, conjugamos as nossas forças e competências para fazer avançar a investigação sobre a microbiota (a microbiota intestinal, mas também a vaginal, a da pele, a pulmonar, etc.) e para sensibilizar para o seu papel crucial.

Na sede da Biocodex, o Instituto é constituído por uma equipa de 8 profissionais da ciência, da comunicação, do digital, das redes sociais, etc., com perfis complementares, todos especialistas nas suas áreas. Descubra-os!

Biografias da equipa do Biocodex Microbiota Institute

Olivier Valcke

Corporate Scientific Communication Director

Antigo jornalista, com 15 anos de experiência em comunicação na área da saúde, Olivier supervisiona a linha editorial e as relações públicas do Biocodex Microbiota Institute.

Fã de râguebi e de literatura francesa (sim, as duas coisas são compatíveis!), este contador de histórias nato transforma conceitos científicos complexos em palavras simples.

Qual a sua missão? Tornar a ciência da microbiota acessível a todos e transformar o Instituto num “órgão de comunicação de referência” no que diz respeito à microbiota.

Siga Olivier no LinkedIn:

Naouel Ait Meddour

Global Scientific Communication Coordinator

A fornecedora de soluções, sempre otimista e sem falta de ideias, tem por lema: “não há fracassos, apenas lições a aprender”.

Trabalhou em várias áreas profissionais, passando do sector financeiro ao imobiliário e encontrando o seu caminho na área da saúde. Ela é a coordenadora do Instituto, tentando fazer com que todos os projetos sejam entregues no momento certo, enquanto trabalha na estratégia de Redes Sociais para criar uma forte comunidade em torno da microbiota.

Para ela, a Microbiota é um fator essencial para uma saúde melhor.

Siga Naouel no LinkedIn:

 

Mathilde Baissac

International Digital Manager

É a guardiã do ecossistema digital do Instituto. Com 7 anos de experiência em Marketing Digital, assegura que o site esteja bem referenciado, sempre em evolução, e acarinha as nossas comunidades on-line. Supervisiona também a elaboração e o acompanhamento dos indicadores-chave de desempenho (KPI), para que toda a equipa possa guiar o Instituto no melhor sentido possível. O seu lema é: “Olha para o sol e a sombra ficará atrás de ti”. É organizada, otimista e tem muitas vezes uma ideia genial ou louca na manga.

Para ela, a Microbiota é O futuro dos cuidados de saúde.

Siga Mathilde no LinkedIn:

 

Émilie Fargier

Scientific and Medical Communication Manager

Com uma paixão profunda pela ciência e mais de 17 anos de experiência, Émilie é doutorada em microbiologia. O seu percurso passou pela investigação académica e pela investigação industrial no sector farmacêutico. Para além das suas atividades científicas, Émilie é uma ávida praticante de ioga e tem uma paixão fervorosa por ficção científica e literatura fantástica.

Na qualidade de investigadora da ciência das microbiotas da equipa, assegura a autenticidade científica dos conteúdos do Biocodex Microbiota Institute. Conhecida pela sua curiosidade e capacidade de desmistificar os conceitos científicos mais complexos, o seu lema, “Desvendar os mistérios microbianos para o bem-estar global”, traduz a sua dedicação no sentido de melhorar a saúde através do poder da microbiota.

Siga Émilie no LinkedIn:

 

Élodie Mintet

Scientific and Medical Communication Manager

A guardiã científica do Instituto. O seu lema é “A ciência deve ser acessível a todos”. Com 10 anos de experiência em investigação académica no domínio dos cuidados de saúde e valorização científica na industria, Élodie desenvolveu uma abordagem fortemente orientada para o consumidor. Apaixonada e curiosa, transforma a investigação relacionada com a microbiota em conteúdos interessantes e informativos para o público em geral.

Para ela, a Microbiota é uma solução de saúde global e um elemento de mudança no que respeita a tratamentos personalizados.

 

Clémence Enou

Coordinator of the Global Microbiota Scientific Communication Team

Notícias daqui e dali, todas as semanas temos novidades só para si, e em todas as línguas – o que é possível em parte graças a Clémence. A sua calma inspira confiança e evita o stress nas horas de maior aflição.

O seu lema é: “Escolha um trabalho de que goste e não terá de trabalhar um único dia na sua vida!”. Foi isso o que ela escolheu ao conciliar duas profissões, a do Instituto Microbiota e a da sua clínica como Naturopata.

Para ela, a microbiota é a chave para todas as respostas de que a ciência está à espera. Ainda é necessária é paciência para que ela revele os seus segredos. Mas, enquanto isso, é essencial cuidar dela!

 

Amina Khribech

Digital Marketing Apprentice

Depois de uma primeira carreira nas ciências, Amina, atualmente estudante de comércio, gestão e marketing, regressou à sua primeira vocação: o marketing digital.

No Instituto, encontrou o equilíbrio perfeito entre os seus interesses científicos e as suas capacidades de comunicação digital. Em particular, é responsável pela implementação de conteúdos no sítio Web do Instituto, pela gestão das actualizações do sítio e pela gestão da newsletter mensal destinada aos profissionais de saúde e ao público em geral. E quando tem algum tempo livre, ajuda a criar vídeos para o Instituto.

A sua entrada no Biocodex Microbiota Institute dá-lhe a oportunidade de contribuir para a promoção deste órgão essencial à saúde.

Siga Amina no LinkedIn:

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Descoberta de comunicação mãe-feto através da microbiota intestinal

A microbiota intestinal das mulheres grávidas produz vesículas extracelulares capazes de migrar para o líquido amniótico. Elas poderão preparar o intestino fetal para ser colonizado pelos microrganismos da futura microbiota.

Pela primeira vez, uma equipa de investigadores finlandeses acaba de identificar a presença no líquido amniótico de vesículas extracelulares provenientes de bactérias da microbiota intestinal nas mulheres grávidas saudáveis. 1 

Tais vesículas são constituídas por diversas moléculas bacterianas (proteínas, lípidos, ácidos nucleicos, etc.) que poderão desempenhar um papel fundamental na maturação do intestino fetal e na imunidade do nascituro.

Esta descoberta poderá fornecer a peça que faltava para explicar a presença de ADN bacteriano na placenta, no líquido amniótico e no mecónio, conforme foi observado em vários estudos recentes.

Estranhas semelhanças

Para chegarem a este resultado, cientistas da Universidade de Oulu procuraram a presença de vesículas extracelulares no líquido amniótico e nas fezes de 25 mulheres finlandesas grávidas que deram à luz por cesariana. 

As suas constatações confirmam a existência de vesículas extracelulares de dimensões relativamente variadas e em grande número em todas as amostras fecais e amnióticas.

A microbiota materna também modula a expressão genética fetal

Os autores de um estudo publicado no final de 2023 compararam fetos nascidos de ratinhos sem microbiota com os nascidos de ratinhos normais com microbiota, avaliando nomeadamente as diferenças na expressão de certos genes. 2 Conclusão: nos fetos de ratinhos axênicos (germ-free), os genes associados à imunidade revelaram-se menos ativos a nível intestinal, tal como os relacionados com o desenvolvimento e o funcionamento do sistema nervoso, com o funcionamento da placenta e com o metabolismo energético. Estes impactos na expressão genética revelaram-se estreitamente correlacionados com as concentrações de metabolitos bacterianos nos tecidos fetais, e mais acentuados nos fetos masculinos. 

A análise do respetivo conteúdo (proteínas e ARNr 16S) mostra que as vesículas fecais e amnióticas partilham um subgrupo de proteínas com as mesmas características funcionais e do mesmo filo bacteriano (Bacteroidetes, Firmicutes, Proteobacteria e Actinobacteria). As referidas semelhanças na composição e na origem bacteriana sugerem que as vesículas extracelulares serão formadas na microbiota e que a microbiota comunicará com o feto através delas.

Ao injetarem vesículas extracelulares maternas de origem fecal humana no sangue de ratinhas prenhas, os investigadores demonstraram depois a sua presença no líquido amniótico, provando que as vesículas são efetivamente capazes de se acumular no feto e, por conseguinte, de atravessar a barreira placentária.

Preparar o intestino fetal para acolher a sua futura microbiota

Hipótese formulada pelos autores: as vesículas extracelulares presentes no líquido amniótico serão ingeridas pelo feto e orientarão o sistema imunitário fetal no sentido da tolerância imunitária necessária para uma colonização precoce do intestino à nascença. As vesículas extracelulares farão, portanto, parte do ambiente natural do feto, mesmo durante uma gravidez normal.

Embora o estudo apresente certas limitações, ele abre caminho para novas investigações, nomeadamente para o estudo da contribuição de vesículas extracelulares de outras origens (como as provenientes da microbiota oral ou vaginal) para a maturação imunitária do feto. Essas novas investigações deverão também permitir estudar a forma como esta comunicação pode afetar a saúde futura da criança.

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Noticias Pediatria

As bactérias intestinais envolvidas na apneia do sono

A microbiota intestinal era suspeita de estar envolvida na apneia do sono. Um estudo 1 de randomização mendeliana confirma a sua relação causal, apontando o dedo às bactérias e aos metabolitos bacterianos.

A apneia obstrutiva do sono, que pode surgir tanto em tenra idade como em idosos, tem por base uma etiologia complexa (hipertrofia das amígdalas nas crianças, redução do volume pulmonar, obesidade...).

A microbiota intestinal é igualmente referida em diversos estudos que sugerem a existência de disbioses, mas a sua função causal ainda continua por comprovar. Foi justamente isto que fez uma equipa chinesa através de uma randomização mendeliana, que permite excluir vários fatores de confusão e preconceito, bem como demonstrar que a microbiota e os seus metabolitos são a causa, e não a consequência, da apneia.

O efeito protetor da família Ruminococcaceae 

Na prática, os investigadores realizaram o estudo a partir de bases de dados pré-existentes: de um lado a apneia, os dados genéticos do projeto finlandês FinnGen 2 que teve a participação de 33 423 pacientes que sofriam de apneia e de 307 648 testemunhos; do outro a microbiota, os dados do consórcio MiBioGen 3 que reuniu e analisou os genótipos e os dados da microbiota fecal 16S de 18 340 pessoas.

A randomização mendeliana levou a 196 táxons bacterianos intestinais, 83 tipos de metabolitos microbianos e o risco de apneia. Ela evidenciou que determinadas bactérias aumentavam o risco (o género Ruminococcaceae UCG009 e o género Subdoligranulum) enquanto outras (família Ruminococcaceae, género Coprococcus2, género Eggerthella, e o género Eubacterium) o reduziam.

O efeito protetor da família bacteriana Ruminococcaceae poderia passar pela capacidade destas bactérias de produzir (sidenote: Ácidos Gordos de Cadeia Curta (AGCC) Os Ácidos Gordos de Cadeia Curta são uma fonte de energia (carburante) das células do indivíduo, interagem com o sistema imunitário e estão envolvidos na comunicação entre o intestino e o cérebro. Silva YP, Bernardi A, Frozza RL. The Role of Short-Chain Fatty Acids From Gut Microbiota in Gut-Brain Communication. Front Endocrinol (Lausanne). 2020;11:25. )  que reduziam a inflamação, reforçavam a barreira intestinal e limitavam a proliferação de bactérias patogénicas, mas também pelo seu envolvimento no metabolismo dos ácidos biliares, conhecidos pelo seu papel no sono e na regulação dos seus ciclos.

Os metabolitos microbianos incriminados

O estudo aponta igualmente a função de outros metabolitos microbianos: a leucina e a 3-desidrocarnitina são associados a um maior risco de apneia enquanto que a gama-glutamilvalina e a betaína demonstram efeitos protetores. No entanto, determinadas moléculas foram já incriminadas em estudos anteriores: índices elevados de leucina foram observados em crianças com apneia do sono. Por outro lado, em pacientes a quem foi prescrita uma máscara para o tratamento da apneia, os índices de leucina reduziram significativamente.

Desta forma, as perturbações da nossa microbiota intestinal e as alterações dos metabolitos produzidos pelas bactérias do nosso tubo digestivo parecem ter, conforme o seu perfil, consequências benéficas ou prejudiciais na apneia do sono. Esta relação causal poderá passar por uma resposta sistémica pró-inflamatória.

Estes resultados abrem o caminho a outros trabalhos: estudos em populações não finlandesas, descodificação das interações entre a microbiota e a imunidade, flora e inflamação e o eixo intestino-cérebro, estudo de intervenção para medir o efeito da alimentação, de probióticos ou de um transplante fecal ao nível dos sintomas dos doentes.

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Noticias Gastroenterologia Medicina geral

Apneia do sono: as bactérias da microbiota intestinal postas em causa

Suspeitava-se que a microbiota intestinal estava envolvida na apneia do sono. Um estudo de randomização mendeliana avança com a papel potencialmente causal e aponta o dedo às bactérias suspeitas de aumentar as pausas respiratórias e outras com a capacidade de nos proteger. 

A microbiota intestinal Obesidade

Por trás do termo apneia do sono esconde-se uma patologia caracterizada por pausas respiratórias anormalmente frequentes durante o sono. Mesmo sendo esta doença frequente em crianças e adultos, não deixa de ter riscos, a curto (fadiga) e a longo prazo (distúrbios cognitivos, doenças cardiovasculares...).

São várias as causas: hipertrofia das amígdalas nas crianças, obesidade no adulto… A microbiota intestinal é igualmente invocada, mas a sua função causal ainda continua por comprovar. Não obstante, um estudo publicado em 2023 dá mais um passo na demonstração desta função causal. Como? Através de uma técnica denominada randomização mendeliana, que permite excluir vários fatores de confusão e preconceito.

A microbiota intestinal

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Bactérias prejudiciais, outras benéficas

O estudo acompanhou os suspeitos (as bactérias que aumentam o risco de apneia) mas também os super-heróis que nos protegem destas pausas respiratórias noturnas: por exemplo, a família bacteriana Ruminococcaceae promove noites sem problemas de ventilação.

1 bilhão de pessoas no mundo serão afetadas pela apneia obstrutiva do sono

Como explicar tal poder sobre a nossa saúde? Sem dúvida pela capacidade destas bactérias de produzir moléculas benéficas, denominadas (sidenote: Ácidos Gordos de Cadeia Curta (AGCC) Os Ácidos Gordos de Cadeia Curta são uma fonte de energia (carburante) das células do indivíduo, interagem com o sistema imunitário e estão envolvidos na comunicação entre o intestino e o cérebro. Silva YP, Bernardi A, Frozza RL. The Role of Short-Chain Fatty Acids From Gut Microbiota in Gut-Brain Communication. Front Endocrinol (Lausanne). 2020;11:25. ) , benéficas para a nossa saúde porque reduzem a inflamação, reforçam a nossa barreira intestinal e limitam a proliferação de bactérias patogénicas, mas também porque estas bactérias estão envolvidas no metabolismo dos ácidos biliares, conhecidos pela sua função no sono e na regulação dos seus ciclos.

A apneia do sono, um distúrbio masculino?

A apneia obstrutiva do sono (AOS) e a síndrome da apneia/hipopneia obstrutiva do sono (SAHOS) foram durante muito tempo consideradas como sendo doenças essencialmente masculinas. A apneia obstrutiva do sono é, com efeito, até 4 vezes mais frequente no homem e 7 vezes mais frequente em pessoas obesas (cujo índice de massa corporal [IMC] é ≥ 30). 2

As moléculas fabricadas pelas bactérias postas em causa

O estudo acompanhou igualmente várias outras moléculas fabricadas pelas bactérias do nosso tubo digestivo para identificar as que desempenham um papel nas pausas respiratórias noturnas. Bingo: algumas, como a leucina (ou outras decorrentes do sono no exterior, como a Epiandrosterona sulfato) aumentam efetivamente o risco da apneia do sono. No entanto, estas moléculas revelam-se, muitas vezes, desfavoravelmente conhecidas: por exemplo, índices elevados de leucina foram observados em crianças com apneia do sono. Por outro lado, em pacientes a quem foi prescrita uma máscara para reduzir a apneia, os índices de leucina reduziram significativamente. 

Desta forma, as perturbações da nossa microbiota intestinal e as alterações dos metabolitos produzidos pelas bactérias do nosso tubo digestivo parecem ter, conforme o seu perfil, consequências benéficas ou prejudiciais na apneia do sono. A investigação continua para que um dia possamos adormecer profundamente e dormir como uma pedra.

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Noticias

Gravidez: como é que a microbiota intestinal materna poderá comunicar com o feto

Investigadores descobriram pela primeira vez a presença de pequenas vesículas da respetiva microbiota intestinal no líquido amniótico das mulheres grávidas. As mesmas poderão desempenhar um papel fundamental na imunidade futura do bebé.

A microbiota intestinal

Trata-se de uma descoberta surpreendente de uma equipa de investigadores finlandeses.

Os microrganismos da microbiota intestinal das mulheres grávidas produzem minúsculas vesículas – chamadas vesículas extracelulares ("VEs") – constituídas por material bacteriano, capazes de atravessar a barreira placentária e atingir o líquido amniótico no qual o feto está imerso. 1 Elas poderão contribuir para o desenvolvimento adequado da sua imunidade futura.

Já sabia?

A microbiota das crianças muito pequenas contém um número excecional de... vírus! Investigadores dinamarqueses analisaram as fezes de 647 crianças com um ano de idade e identificaram 10.000 espécies virais diferentes, a grande maioria das quais até então desconhecidas. 2 Mas, calma, esses vírus são aliados! 90% deles são "bacteriófagos" capazes de transferir genes para as bactérias e de torná-las mais competitivas. Ao impedirem que certas estirpes bacterianas proliferem demasiado, estes fagos ajudam também à manutenção do equilíbrio da microbiota. Assim, eles poderão desempenhar um papel importante na formação do sistema imunitário da criança e, por conseguinte, estar potencialmente implicados em determinadas disfunções. A acompanhar…

Fim da controvérsia em torno da microbiota do feto?

Esta descoberta poderá permitir pôr fim a um debate que agita a comunidade científica há já vários anos: será que o feto possui uma microbiota?

Vários estudos registaram a presença de ADN bacteriano no líquido amniótico, no (sidenote: Mecónio Primeira matéria fecal eliminada por um recém-nascido, contendo o líquido amniótico absorvido no útero. O mecónio ajuda a identificar os microrganismos que revestem o trato gastrointestinal do feto. )  e na placenta. Mas a sua origem mantinha-se um mistério e muitos investigadores mostravam-se céticos quanto à presença de bactérias vivas nas proximidades do feto. 

Sabe-se agora que esse ADN poderá ser proveniente de VEs oriundas da microbiota materna. 

Conhecidas há cerca de dez anos, as VE são constituídas por uma membrana que contém várias moléculas bacterianas: proteínas, lípidos, ADN, ARN, etc. São capazes de transitar para a corrente sanguínea, de serem transferidas para as células ou tecidos e de modularem o seu funcionamento. Constituem, portanto, um meio de comunicação singular entre a microbiota e o organismo hospedeiro.

Comunicação por vesículas interpostas

Até agora, ninguém havia investigado o papel das VEs na gravidez, nem muito menos comprovado a sua presença no ambiente fetal.

Anne Kaisanlahti e os seus colaboradores da Universidade de Oulu, na Finlândia, recrutaram 25 mulheres grávidas das quais recolheram amostras de fezes. 

Todas elas deram à luz por cesariana, o que permitiu aos cientistas recolher o líquido amniótico em condições ótimas de esterilidade. Seguidamente, procuraram VEs em todas as amostras.

Resultado: há efetivamente vesículas, tanto nas fezes como no líquido amniótico, e elas são muito semelhantes, indicando uma origem comum.

É de notar que os autores apresentam uma hipótese. A maioria das vesículas identificadas no líquido amniótico são provavelmente detritos celulares da mãe e do feto.

Alergias: o papel da vida in utero

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Um intestino prontinho para receber a microbiota

Ao injetar VEs maternas de origem fecal humana em ratas grávidas, os investigadores mostraram que as mesmas se encontravam no líquido amniótico, provando que são de facto capazes de migrar através do corpo e de atravessar a barreira placentária.

De acordo com a hipótese dos investigadores, uma vez deglutidas pelo feto, as VEs exporiam o intestino fetal a constituintes bacterianos, permitindo-lhe familiarizar-se muito cedo e em total segurança com os micróbios intestinais que o irão colonizar após o nascimento. Elas poderão, por conseguinte, desempenhar um papel imunitário fundamental para a sua saúde futura.

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Noticias

Antibióticos prejudicam a imunoterapia para o cancro através dos efeitos no intestino e imunitários

Foi demonstrado que a administração prévia de antibióticos reduz a eficácia dos inibidores de checkpoint imunológico e alteram a composição do microbioma e a resposta imunitária no cancro gástrico avançado.

Evidências crescentes revelam que o microbioma intestinal influencia a eficácia dos inibidores de checkpoint imunológico (ICI), tais como os inibidores PD-1, no combate ao cancro. Mas, até agora, o impacto dos antibióticos administrados pouco antes da imunoterapia permaneceu pouco claro, principalmente no cancro gástrico avançado.

Num estudo pioneiro publicado no Cell Reports Medicine 1, uma equipa de investigação internacional fornece dados convincentes, de 329 doentes, que indicam que a toma de antibióticos um mês após o início da administração dos inibidores PD-1 produz consequências negativas.

Classificado como o quinto cancro com prevalência mais elevada em todo o mundo, o cancro gástrico avançado é a terceira maior causa de mortalidade relacionada com cancro, a nível global. 2

Análises esclarecem o intervalo de sobrevivência

Uma análise multicêntrica descobriu que 44-46% dos doentes com cancro gástrico avançado tinham tomado antibióticos num período entre 28 dias pré-imunoterapia. Este grupo, que tomou antibióticos (pATB), experimentou taxas de resposta significativamente mais baixas (1,5% vs 11,8%) e um tempo de sobrevivência mais curto, quando comparado com o grupo não-pATB, ao ser-lhe administrados medicamentos (sidenote: Anti-PD-1 imunoterapia baseada em inibidores dos pontos de controlo (checkpoints) do sistema imunitário, que elimina a inativação pelo tumor do sistema de reconhecimento ligado à proteína PD-1 presente na superfície dos linfócitos T. A eficácia do sistema imunitário contra as células tumorais é restabelecida. )  (pembrolizumab ou nivolumab).

Surpreendentemente, não ocorreram diferenças de sobrevivência com o grupo que tomou antibióticos antes da quimioterapia (N=101 doentes que receberam o irinotecan como quimioterapia),, indicando mecanismos específicos da imunoterapia.

Disrupção do microbioma e o sistema imunitário

Para desvendar estes mecanismos, a equipa realizou o sequenciamento dos genes do microbioma no ADN genómico bacteriano extraído de amostras de fezes de 24 doentes tratados com PD-1. Assim, foram quantificadas as espécies de bactérias e as alterações de abundância devidas aos antibióticos.

Adicionalmente, sequenciaram células imunitárias sanguíneas ao nível da célula única, permitindo uma comparação complexa das frequências e propriedades do subconjunto de células.

Os investigadores descobriram dois grandes efeitos interligados da exposição de pATB que podem prejudicar a eficácia do inibidor PD-1:

  • Diversidade global reduzida das bactérias intestinais, incluindo menor número de “bactérias boas”, tais como as Lactobacillus gasseri.
  • Aumento das células esgotadas CD8+ T sobrecarregadas com PD-1 e outros checkpoints imunológicos inibidores em vez de células T efetoras mais robustas.

Análises computacionais suplementares demonstraram que o microbioma e os índices imunitários estão estatisticamente associados aos resultados dos pacientes: Por exemplo, uma maior abundância de Lactobacillus gasseri foi relacionada com um maior período livre de progressão e sobrevivência global. Por outro lado, o aumento desproporcional de células CD8+ T exaustivas em circulação prenunciou um pior prognóstico.

É necessária uma grande precaução na prescrição de antibióticos

Os autores recomendam vivamente aos médicos que ponderem a necessidade de antibióticos e procurem alternativas, antes do início da imunoterapia. Os ATB devem ser prescritos com precaução em doentes com AGC, cujo plano seja administrar-lhes inibidores PD-1. Sugerem uma validação prospetiva das intervenções de modulação do microbioma, tais como os transplantes fecais, de forma a salvaguardar a resposta ao tratamento dos doentes pATB.

Este estudo revelou uma peça essencial do puzzle da imunoterapia no tratamento do cancro, que destaca o papel do microbioma. Estudos prospetivos adicionais e de maiores dimensões, acompanhados pela análise translacional viriam a confirmar as conclusões deste estudo. Este estudo abre portas promissoras para a estimulação dos resultados clínicos no cancro de estômago avançado e outros.

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Senegal: como a urbanização influencia a microbiota

O acesso a água corrente, a cuidados de saúde e a uma dieta diversificada não impede que os bebés tenham uma microbiota intestinal menos madura do que os que nascem num ambiente rural menos favorecido. Esta é a principal lição de um estudo 1 realizado no Senegal

A microbiota intestinal

O ambiente – alimentação, higiene, local e estilo de vida, poluentes, medicamentos, etc. – condiciona o desenvolvimento e a composição da microbiota intestinal. Mas a genética também o faz!

As alterações do microbiota são associadas a certas doenças, como a obesidade e alergias. Tendo em conta que o estilo de vida contribui para alterações na microbiota que influenciam as doenças, os investigadores quiseram descobrir qual o impacto da urbanização na microbiota intestinal,  abstraindo-se do fator genético.

Os fulani do Senegal como modelo de estudo

Para o efeito, recrutaram 60 jovens mulheres fulani do Senegal e os bebés que elas tinham acabado de dar à luz, a maioria dos quais por via vaginal. Todas as mulheres pertenciam ao mesmo grupo étnico e, por conseguinte, apresentavam unidade genética. Por outro lado, viviam em ambientes fundamentalmente diferentes: 

  • Metade deles vivia num ambiente "tradicional" (rural), com pouco ou nenhum acesso a serviços (eletricidade, centros de saúde, água corrente, etc.) e com uma alimentação pouco diversificada;
  • A outra metade vivia na cidade de Dacar (urbano) com eletricidade, água corrente, cuidados de saúde e uma dieta muito mais diversificada.

As mães “urbanas” possuíam um índice de massa corporal (sidenote: Índice de Massa Corporal (IMC) IMC o Índice de Massa Corporal avalia a corpulência de uma pessoa, estimando a massa gorda do corpo com recurso ao cálculo da relação entre o peso (kg) e a altura elevada ao quadrado (m2) da pessoa. https://www.nhlbi.nih.gov/health/educational/lose_wt/BMI/bmicalc.htm https://www.euro.who.int/en/health-topics/disease-prevention/nutrition/a-healthy-lifestyle/body-mass-index-bmi ) mais elevado do que o das mães “rurais”.

Os cientistas recolheram amostras de fezes de mães e bebés em dois momentos: durante os primeiros 6 meses de vida destes (T1) e um ano depois (T2).

5 fatores principais influenciam a microbiota intestinal dos bebés 2

Tipo de parto: a criança nascida de parto vaginal tem uma maior diversidade de microbiota do que as crianças nascidas por cesariana;

Idade gestacional à nascença: a prematuridade tem impacto negativo na colonização da microbiota;

Aleitamento materno: o leite materno fornece micróbios, nutrientes, imunoglobulinas e agentes antibacterianos, substâncias benéficas que não existem nas fórmulas para lactentes;

Ambiente: os irmãos, os hábitos alimentares, o local de residência, etc., desempenham todos um papel na colonização da microbiota;

Genética: um estudo realizado em crianças com menos de 10 anos revelou que a semelhança microbiana entre os gémeos idênticos era mais elevada do que entre os gémeos fraternos ou as crianças não aparentadas 3

Melhores condições de vida, mas consequências nocivas para a microbiota intestinal

Os investigadores apuraram que os bebés urbanos apresentavam um "atraso na maturação” da sua microbiota intestinal, caraterizado por uma menor diversidade microbiana. Esse déficit não foi observado nos lactentes rurais. Isto pode indicar que as condições sanitárias do ambiente urbano ou que a poluição ou a alimentação influenciam a evolução da sua microbiota.

Não obstante, as diferenças na composição da microbiota entre bebés urbanos e rurais eram menores do que entre a das mulheres urbanas e rurais. Segundo os autores do estudo, isto pode explicar-se pelo facto de os bebés terem sido expostos durante menos tempo do que as respetivas mães a certos fatores da urbanização, como a alimentação, una vez que a diversificação alimentar não ocorre geralmente antes do sexto mês. 

Ainda segundo os autores, o facto de as mães urbanas estarem expostas a um maior número de fatores – a urbanização, mas também uma maior prevalência de parasitas e de excesso de peso do que as mães rurais – pode também estar na origem destas diferenças.

Natureza e microbiota: quais os efeitos para a sua saúde?

Saiba mais

Consequências de relevo para a saúde

Os investigadores observaram também que os bebés com a microbiota imatura ao ano de idade eram mais suscetíveis às infeções respiratórias e dermatológicas do que os bebés rurais no T2, mas não no T1. Apresentavam igualmente mais sintomas de alergia. Por fim, as mães urbanas tinham um índice de massa corporal ( (sidenote: Índice de Massa Corporal (IMC) IMC o Índice de Massa Corporal avalia a corpulência de uma pessoa, estimando a massa gorda do corpo com recurso ao cálculo da relação entre o peso (kg) e a altura elevada ao quadrado (m2) da pessoa. https://www.nhlbi.nih.gov/health/educational/lose_wt/BMI/bmicalc.htm https://www.euro.who.int/en/health-topics/disease-prevention/nutrition/a-healthy-lifestyle/body-mass-index-bmi ) maior do que as mães rurais, bem como uma maior presença de Lachnospiraceae e Enterobacter, bactérias que têm sido associadas à obesidade em diversos estudos.


Segundo os autores, embora este estudo sugira que a urbanização altera a microbiota, ele não identifica claramente quais são os fatores responsáveis, entre os muitos a que as mães e os seus filhos estão expostos (água potável, alimentação, poluição, condições de trabalho, etc.). Por conseguinte, serão necessários mais estudos antes de se poder tirar conclusões.

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Microbiota oral: muito destabilizada pelo tabaco... mas resiliente

Fumar perturba fortemente o equilíbrio da microbiota oral. Uma boa notícia para quem está a ponderar deixar de fumar este ano: bastam 5 anos após o último cigarro para que a microbiota oral volte a ser semelhante à de um não fumador. É o principal resultado de um novo estudo europeu.

A microbiota ORL

Poderia não saber, mas a boca é muito mais do que uma simples máquina de mastigação. Ela é a casa de vários microrganismos, a “microbiota oral”, que desempenha um papel benéfico e importante na nossa saúde.

As bactérias da microbiota oral não gostam do cigarro

Problema: um estudo realizado em 2016 na América evidenciou que os fumadores têm uma microbiota oral muito alterada 1 e este facto tem consequências na sua saúde. Vários estudos demonstram, com efeito, que no caso de (sidenote: Disbiose A "disbiose" não é um fenómeno homogéneo – varia em função do estado de saúde de cada indivíduo. É geralmente definida como uma alteração da composição e do funcionamento da microbiota, causada por um conjunto de fatores ambientais e relacionados com o indivíduo que perturbam o ecossistema microbiano. Levy M, Kolodziejczyk AA, Thaiss CA, et al. Dysbiosis and the immune system. Nat Rev Immunol. 2017;17(4):219-232. )  da microbiota oral, o risco de problemas cardiovasculares e de doença periodontal (inflamação e recessão gengival) aumenta.

Deparamo-nos com a mesma problemática de saúde pública nos europeus? Uma equipa de investigadores decidiu aprofundar a questão e, pela primeira vez, determinar se deixar de fumar permite corrigir a situação. 2

Quem sabe o que é a microbiota bucal que levante a mão!

Segundo o Observatório Internacional de Microbiotas, em 6500 inquiridos nos meses de março e abril de 2023 (França, Espanha, Portugal, Brasil, México, China), apenas 17% sabem precisamente o que é a microbiota oral.

Além disso, mais de 1 em 3 chineses e 1 em 3 americanos não sabe que o tabagismo pode afetar a microbiota (intestinal, oral...), em oposição a 1 em 4 pessoas em França e apenas 1 em 5 pessoas no Brasil.

Analisaram a microbiota salivar de 1601 italianos com uma idade média de 45 anos, entre os quais 45% eram fumadores ou antigos fumadores. Os investigadores procuravam saber, especificamente, se a atividade das bactérias que transformam o nitrato da alimentação em nitrito, um composto benéfico para os vasos sanguíneos, era afetada pelo tabagismo.

Voltar ao equilíbrio depois de deixar de fumar

O que demonstram os resultados? Em primeiro lugar, que os fumadores italianos têm uma microbiota oral bem mais alterada do que os não fumadores. Não obstante, uma boa notícia! Entre os não fumadores, quanto maior o número de anos sem fumar, mais a microbiota oral se reaproxima da dos não fumadores.

Tabaco: a autópsia de um assassino

Metais pesados, gases tóxicos, alcatrão, nicotina... O tabaco é uma verdadeira fábrica química e um assassino silencioso terrível. De acordo com a Santé Publique France (3), é a causa de 1 em cada 3 cancros e constitui um fator importante no enfarte do miocárdio, na bronquite crónica obstrutiva (BPCO) e no acidente vascular cerebral (AVC).

É igualmente um fator agravante de úlcera gástrica, diabetes, infeções ORL e dentárias, doença periodontal, catarata e degeneração macular relacionada com a idade (DMLA). Todos os anos é responsável por 8 milhões de mortes em todo o mundo. 4 A cereja no topo do bolo: não existe um limite abaixo do qual o cigarro não represente um risco. E se pensar em deixar de fumar?

Em pessoas que tenham deixado de fumar há, pelo menos, 5 anos as populações bacterianas na boca apresentam quase o mesmo perfil que os não fumadores. Perante o tabaco, a microbiota oral apresenta, portanto, uma boa resiliência.

Além disso, constatamos nos fumadores uma diminuição das bactérias capazes de transformar os nitratos alimentares em nitritos. Porque é esta informação interessante? Porque os nitritos são indispensáveis à produção de monóxido de azoto (NO)

Um envolvimento no risco cardiovascular

No caso de diminuição do NO, observamos um aumento do fluxo sanguíneo nas gengivas, o que leva a uma inflamação e à recessão gengival. Sabemos também que uma deficiência de NO é um fator de risco no desenvolvimento de uma doença cardiovascular. A microbiota oral está, portanto, envolvida no risco acrescido cardiovascular observado em fumadores.

Apesar de existirem reservas, este estudo é importante, porque foi realizado num grande grupo de pessoas e calculou finamente o impacto da intensidade do tabagismo. 

São resultados que devem ser relembrados na hora de optar por boas resoluções!

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Osteoporose: confirmado o papel da microbiota intestinal

Múltiplas associações entre a microbiota intestinal e medições da densidade óssea apontam para uma ligação entre esta flora e o metabolismo esquelético. Determinadas bactérias e vias metabólicas são assinaladas.

Da microbiota intestinal à saúde do esqueleto, poderá haver apenas um passo, a acreditar em investigações anteriores: 1 estima-se que certos microrganismos intestinais aumentam a produção de linfócitos T, o que estimula a produção de mediadores imunitários e citocinas inflamatórias, promovendo a osteoclastogénese e a perda óssea em ratos. Outros estudos apontam para ligações mecanicistas que envolvem a produção de ácidos gordos de cadeia curta (AGCC) microbianos e o metabolismo dos componentes alimentares que participam no metabolismo ósseo (vitaminas K, D e polissacáridos complexos). Foi até criado um termo dedicado: osteomicrobiologia. No entanto, os estudos clínicos eram raros, até ao que foi publicado por uma equipa americana.

2 coortes diferentes, um suspeito comum

Este trabalho baseia-se nas coortes de dois estudos observacionais: 831 homens idosos (média de idade de 84,2 anos) provenientes do estudo MrOS 2 sobre a osteoporose nos homens e 1.227 homens e mulheres mais jovens (média de idade de 55,2 anos) oriundos do Framingham Heart Study (FHS). 3 A análise dos dados identificou 37 géneros microbianos que parecem estar envolvidos no estudo FHS (nomeadamente DTU089, Marvinbryantia, Blautia e Akkermansia negativamente associados à densidade óssea, e Turicibacter e Victivallis associados positivamente) e 4 géneros no MrOS (associações negativas com Methanobrevibacter e DTU089, e positivas com Lachnospiraceae NK4A136).

Assim, e apesar da diferença entre as duas coortes em termos de altura, sexo e idade, uma bactéria comum surgiu associada a uma menor densidade óssea em ambas as coortes: a DTU089, que se sabe ser mais abundante nas pessoas com um reduzido nível de atividade física e um consumo muito limitado de proteínas, dois fatores desfavoráveis à saúde óssea.

Uma meta-análise

Os investigadores aproveitaram as duas coortes para efetuar uma meta-análise. Resultados: uma maior abundância de Akkermansia e DTU089 foi associada a rádios e a tíbias menos densos; pelo contrário, uma presença mais elevada do grupo Lachnospiraceae NK4A136 e de Faecalibacterium foi relacionada com uma melhor densidade óssea. 

Os investigadores identificaram ainda oito vias metabólicas associadas às medições ósseas, a mais importante das quais é a via de biossíntese da histidina, da purina e da pirimidina. Experiências anteriores em ratos já tinham apontado para uma perturbação do metabolismo das purinas na osteoporose.

Embora estes resultados sejam apenas preliminares e requeiram mais estudos para se compreender melhor os mecanismos através dos quais certas bactérias são capazes de modificar a integridade do esqueleto, eles corroboram os resultados pré-clínicos iniciais. E, acima de tudo, reforçam a esperança de que um dia seja possível modular a microbiota intestinal para que se possa proteger melhor a saúde óssea dos pacientes.
 

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