O papel do glifosato na perturbação do eixo microbiota-intestino-cérebro

De acordo com artigo de revisão recentemente publicado na revista Ecotoxicology and Environmental Safety, o glifosato altera gravemente o equilíbrio da microbiota intestinal, o eixo intestino-cérebro e o sistema nervoso central e periférico.

O cerco aperta-se em torno do glifosato. Já classificado como "potencial carcinogéneo" pelo IARC (Centro Internacional de Investigação do Cancro) - mas não pelas autoridades reguladoras (ver caixa) - e suspeito de ser um desregulador endócrino, o glifosato pode também causar várias perturbações do desenvolvimento e do comportamento neurológico. 

Porque é que a carcinogenicidade do glifosato é controversa?

É carcinogénico para o ser humano, mas foi autorizado pela Europa por mais 10 anos. Um paradoxo surpreendente. Porque é que o IARC e a EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos) têm opiniões diferentes sobre a toxicidade do glifosato? Em primeiro lugar, porque a EFSA avaliou a carcinogenicidade do glifosato isoladamente, enquanto o IARC estimou também a carcinogenicidade dos herbicidas à base de glifosato, ou seja, o cocktail "glifosato + adjuvantes". Em segundo lugar, porque a EFSA incluiu determinados dados regulamentares, como os estudos toxicológicos efetuados pelos industriais do sector, que não estão disponíveis para o IARC. Finalmente, porque os dois organismos não têm critérios idênticos para interpretar os resultados dos estudos toxicológicos; por exemplo, o IARC incluiu dados sobre modelos como mexilhões, répteis ou minhocas, que a EFSA não integra geralmente nas suas avaliações. 2

É isto o que sugere uma análise efetuada por uma equipa de investigadores belgas e polacos que analisou os estudos sobre os efeitos tóxicos do glifosato (experiências em culturas celulares e modelos animais, casos clínicos, estudos epidemiológicos, etc.) 1

Segundo eles, a molécula de (sidenote: Glifosato É a molécula ativa do Roundup, um herbicida "total" comercializado a partir de 1974 pela Monsanto. Mata todas as infestantes (ervas daninhas) ao bloquear uma enzima das mesmas, chamada 5-enolpiruvinil-shikimato-3-fosfato sintase (EPSPS), que está envolvida na síntese de certos aminoácidos essenciais ao seu crescimento. Altamente eficaz, fácil de usar e barato, o glifosato é o pesticida mais utilizado no mundo. Trezentos e cinquenta milhões de hectares de culturas em 140 países são atualmente tratados com este pesticida. Ele é considerado um provável carcinogéneo para o ser humano pelo IARC e pensa-se que será também um desregulador endócrino, embora este último aspeto continue a ser controverso. Desde 2000, altura em que a patente expirou e caiu no domínio público, é um ingrediente de muitos herbicidas utilizados na agricultura. Em vários países, incluindo a França, os Países Baixos e a Bélgica, é proibido a particulares e em espaços públicos.  ) , mas também os seus metabolitos, como o ácido amino-metil-fosfónico (AMPA), os adjuvantes presentes nas fórmulas dos herbicidas à base de glifosato (agentes tensioativos) ou os metais pesados contidos nestas preparações, têm efeitos "devastadores" a vários níveis.

Microbiota intestinal

Estudos científicos realizados em animais demonstraram que a exposição prolongada a herbicidas à base de glifosato induz uma alteração na composição da microbiota intestinal em favor de bactérias patogénicas. 

A análise do rRNA 16s de 141 famílias de bactérias mostrou um desvio na relação Firmicutes/Bacteroidetes, um marcador significativo de (sidenote: Disbiose A "disbiose" não é um fenómeno homogéneo – varia em função do estado de saúde de cada indivíduo. É geralmente definida como uma alteração da composição e do funcionamento da microbiota, causada por um conjunto de fatores ambientais e relacionados com o indivíduo que perturbam o ecossistema microbiano. Levy M, Kolodziejczyk AA, Thaiss CA, et al. Dysbiosis and the immune system. Nat Rev Immunol. 2017;17(4):219-232. ) , bem como uma redução na abundância de bactérias benéficas, como Enterococcus spp. e Bacillus spp. Algumas bactérias patogénicas, como E. coli, Salmonella spp. e Clostridia spp., também se tornaram resistentes ao glifosato em resultado dessa exposição.

Nos estudos, estas alterações da microbiota foram associadas a um aumento do stress oxidativo e dos níveis de inflamação. A exposição ao glifosato pode também causar alterações anatómicas no jejuno e no duodeno.

Eixo intestino-cérebro

Ao desestabilizar a microbiota intestinal, os herbicidas de glifosato parecem ter a capacidade de interromper o funcionamento do eixo intestino-cérebro, mediado pelo nervo vago, bem como o do eixo hipotálamo-hipófise. Isto pode levar a uma disfunção neuronal e endócrina, com múltiplas consequências hormonais, emocionais, cognitivas ou comportamentais.

Neurónios

O glifosato pode causar várias perturbações neuronais que podem ou não estar relacionadas com a microbiota e o eixo intestino-cérebro. Sabe-se que as pessoas altamente expostas (agricultores e trabalhadores de fábricas de produtos químicos) apresentam maior risco de doenças neurodegenerativas. Estas podem estar ligadas a uma redução das projeções axonais dos neurónios e à degeneração da bainha de mielina dos nervos motores e sensoriais causadas pelo glifosato. Parece também que este herbicida inibe a diferenciação e o crescimento neuronal, com o desaparecimento de certos ramos axonais e o subdesenvolvimento dendrítico, o que pode levar a deficiências neuromusculares e locomotoras.

Barreira hematoencefálica (BHE)

A BHE é uma membrana seletivamente permeável que regula o transporte de moléculas, células imunitárias, xenobióticos e agentes patogénicos entre os vasos sanguíneos e o microambiente do sistema nervoso central, contribuindo assim para a sinalização parácrina e endócrina. Em co-culturas de células endoteliais e neurónios (um modelo para o estudo da BHE), a exposição ao glifosato durante 24 horas produziu vários efeitos adversos, incluindo uma diminuição das proteínas das junções apertadas, um aumento da permeabilidade vascular e uma alteração da atividade dos neurónios.

Glifosato: Europa condenada a mais 10 anos

Em 16 de novembro de 2023, na sequência da votação dos Vinte e Sete, a Comissão Europeia decidiu renovar a aprovação do glifosato por um período de 10 anos. Porquê autorizar, e por tanto tempo, um herbicida tão controverso? Muito simplesmente porque os Estados-Membros não conseguiram chegar a um acordo. No decurso da votação, 7 países – incluindo a França, a Alemanha e a Itália – abstiveram-se, 3 opuseram-se e 17 votaram a favor, incluindo a Espanha e Portugal. Esta proposta de renovação baseou-se nas conclusões de um relatório da EFSA datado de julho de 2023. Embora reconhecendo a falta de dados, a agência declarava no seu relatório sobre o glifosato que não existiam domínios de preocupação crítica relativamente aos seres humanos, ao ambiente ou aos animais que justificassem uma proibição. 3

Comunicação nervosa

Sendo um organofosforado, o glifosato inibe a enzima acetilcolina esterase, o que pode provocar paralisia, problemas de memória, perturbações psicomotoras e ansiedade. 

Um estudo com adolescentes andinos que viviam em zonas agrícolas revelou uma correlação entre os marcadores da acetilcolina esterase e a depressão. Os herbicidas à base de glifosato podem também perturbar a transmissão mono-aminérgica associada à depressão major. 

Estes resultados são preocupantes, porque o glifosato está em todo o lado: no ar, na água e nos alimentos. Todos somos afetados, embora os agricultores e os trabalhadores das fábricas de herbicidas continuem a ser os mais expostos. A partir de que doses diárias podem ocorrer efeitos no cérebro e na microbiota humanos? Quais são as vias de exposição com maior impacto? Quais são os grupos etários mais suscetíveis? Este estudo levanta uma série de interrogações. Mais estudos serão necessários antes que elas possam ser respondidas.

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Dia Mundial do Microbioma 2022: concentremo-nos na investigação da microbiota!

Já ouviu falar do Dia Mundial do Microbioma? É hoje! Todos os anos, no dia 27 de junho, todos se concentram nos milhares de milhões de microrganismos que povoam os nossos corpos... e em novos avanços médicos. O Dia Mundial do Microbioma visa apoiar os investigadores em todo o mundo a divulgar a importância da microbiota na saúde. Para assinalar este dia especial, o Biocodex Microbiota Institute está a divulgar a palavra a uma das mais promissoras comunidades de investigação internacionais: Vencedores de bolsas nacionais da Biocodex Microbiota Foundation .

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É um relacionamento fiel. Pelo terceiro ano, o Biocodex Microbiota Institute está a celebrar o Dia Mundial do Microbioma com dois objetivos: sensibilizar o público leigo para a importância da microbiota e valorizar a investigação em microbiota através da Biocodex Microbiota Foundation vencedora de bolsas nacionais.

Ao olhar para trás no que diz respeito à última investigação em microbiota recompensada pela Fundação Biocodex Microbiota

São cientistas, professores, médicos especializados em diferentes especialidades (gastroenterologia, pediatria, neurologia, cardiologia, microbiologia, farmacocinética...). Eles vêm de Portugal, Finlândia, Bélgica, México, Estados Unidos... Fizeram grandes progressos no papel da microbiota na saúde e doenças associadas... E todos eles ganharam a bolsa nacional da Biocodex Microbiota Foundation!

Desde 2017, a Biocodex Microbiota Foundation recompensa as iniciativas nacionais de investigação que visam compreender a interação entre a microbiota e diferentes doenças. No Dia Mundial do Microbioma 2022, para dar visibilidade aos investigadores, o Biocodex Microbiota Institute dá a palavra aos vencedores das bolsas nacionais através de entrevistas dedicadas.

O que é que a bolsa nacional de investigação da Biocodex Microbiota Foundation lhes permitiu fazer? Que impacto têm os seus resultados de investigação nos cuidados ao paciente? Disponíveis na seção dedicada aos HCP, estes testemunhos dão-nos uma ideia clara da variedade e diversidade dos projetos de investigação atualmente em curso. Estas entrevistas serão ativadas através da conta do Twitter do Instituto durante 10 dias e do LinkedIn da Biocodex Microbiota Foundation até dia 27 de junho. Não hesite em partilhar e espalhar as boas novas!

Sobre o Biocodex Microbiota Institute

Biocodex Microbiota Institute é um centro internacional não promocional de conhecimento dedicado à microbiota. O Instituto educa o público leigo e os profissionais de saúde sobre a importância da microbiota nos cuidados de saúde e bem-estar.

Sobre a Biocodex Microbiota Foundation

Desde 2017, a Biocodex Microbiota Foundation tem vindo a trabalhar para melhorar a compreensão da ciência sobre a microbiota humana. Todos os anos, a Fundação contribui para o financiamento da investigação global sobre a microbiota através de bolsas concedidas a projetos inovadores de investigação científica. Regularmente são lançados convites para projetos sobre um tema específico relacionado com a microbiota, sendo depois os projetos mais promissores selecionados por um comité científico internacional constituído por especialistas independentes.

Contato do Biocodex Microbiota Institute para a comunicação social

Olivier VALCKE

Relações Públicas e Diretor de Publicações
Phone : +33 1 41 24 30 00
o.valcke@biocodex.com

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Termas: corpo a banhos, bactérias felizes

Pele, trânsito intestinal, articulações, cada fonte termal tem as suas virtudes. É que a lista dos benefícios, embora seja específica para cada fonte, é frequentemente longa. Como se explicam estes banhos de rejuvenescimento? Através do efeito das curas sobre a microbiota digestiva?

A microbiota intestinal A microbiota da pele Doenças de pele

Depois de ler os resultados desta investigação, nunca mais irá olhar para as suas férias nas termas da mesma forma. De facto, mesmo que reserve as férias apenas para uma pessoa, não será o único a tirar partido: as milhões de bactérias da microbiota intestinal que povoam o seu aparelho digestivo também poderão sair a ganhar!

Este é o resultado de um estudo efetuado no Japão, um país onde os (sidenote: Onsen Fontes termais. )  constituem um verdadeiro estilo de vida. Acredita-se que apresentam inúmeros benefícios para uma infinidade de doenças: perturbações do sono, perturbações músculo-esqueléticas, doenças de pele, doenças cardiovasculares, hipertensão,  trânsito intestinal, etc.

A microbiota intestinal

Saiba mais

A flora enriquece em bifidobactérias...

Para ajudarem a ciência a aprofundar a questão, 136 corajosos adultos saudáveis (80 homens e 56 mulheres) aceitaram ser as (afortunadas) cobaias de uma experiência.

O programa: um banho de 20 minutos por dia, no mínimo, numa fonte termal à escolha, ao longo de 7 dias consecutivos, em Beppu, a cidade das 2.000 fontes.

O resultado após uma semana na estância termal: a flora intestinal dos que optaram por águas termais ricas em bicarbonato revelou-se fortemente enriquecida numa bactéria chamada Bifidobacterium bifidum; a dos que optaram por águas sulfurosas apresentou-se mais rica em Ruminococcus2 e Alistipes.

Por fim, a microbiota dos frequentadores das termas que optaram por águas simples (sem minerais sobre-representados) registou um aumento das populações intestinais de Parabacteroides e Oscillibacter. 

... graças às águas termais?

Tendo em conta que a bactéria Bifidobacterium bifidum é universalmente reconhecida como uma "bactéria boa" (efeitos benéficos na obstipação, na função imunitária, etc.), seria tentador concluir que os "poderes" da balneoterapia se explicam precisamente por esta bactéria. Só que ela só surge aumentada no caso das águas ricas em bicarbonato. Além de esse efeito variar de um onsen bicarbonatado para outro. Pior ainda, sabe-se que os microrganismos potenciados pelos tratamentos termais com água sulfurosa ou simples têm efeitos por vezes benéficos e outras vezes negativos.

Por conseguinte, é difícil tirar conclusões para além do facto de certos tratamentos termais exercerem um potencial efeito sobre a microbiota intestinal. Mas será que o efeito se deve apenas à composição da água, aos 20 minutos a 25 graus, ao relaxamento proporcionado, ao local escolhido pelo voluntário (escolha que pode ser influenciada pela sua classe social ou pela sua vizinhança) ou ainda ao simples facto de as cobaias terem mudado involuntariamente os seus hábitos, por exemplo, evitando certos pequenos extras alimentares? Para se ter uma ideia mais clara, são necessárias mais experiências. É que, nesta fase, a conclusão não flui da fonte...

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Alterações climáticas: 2 artigos alertam sobre os perigos para a saúde humana

Embora o aquecimento global tenha impacto no ambiente, sabe-se também que está a perturbar a nossa saúde, em particular a nossa saúde digestiva, não só porque está a colocar, direta ou indiretamente, o nosso corpo à prova, mas também porque seleciona agentes patogénicos mais capazes de resistir à temperatura corporal de 37 graus.

As alterações climáticas são sinónimo de um aumento da temperatura média da Terra de cerca de 1,5°C desde o período pré-industrial (1850-1900), mas também (e sobretudo?) de fenómenos climáticos extremos e de ondas de calor recorde. Estes fenómenos excecionais exercem uma pressão de seleção sobre todos os organismos vivos, incluindo os seres humanos. E perante este tipo de pressão, há duas opções: sofrer (e possivelmente perecer) ou adaptar-se.

Mais de 50% das doenças infecciosas que afetam os seres humanos são agravadas pelas alterações climáticas. 1 

Até 2030, as doenças diarreicas poderão aumentar em 10%, afetando principalmente as crianças pequenas. 1 

Pressões que estão a ser exercidas 

De acordo com Mhairi Claire Donnelly e Nicholas J Talley, coautores de um “Commentary” publicado na revista Gut 1, as alterações climáticas estão a ter um grande impacto na nossa saúde digestiva, alterando a fisiologia e afetando os nossos sistemas digestivo e imunitário. Segundo os autores, isso deve-se ao aumento da utilização de pesticidas e fungicidas para salvar as culturas muito danificadas pelas intempéries, o que provoca uma disbiose nos consumidores, que pode originar patologias digestivas (síndrome do cólon irritávelcancro colorretal) ou outras patologias (obesidade, neurodegenerescência); à poluição atmosférica, que está implicada na inflamação, na oxidação e na resistência à insulina; etc. A saúde mental também pode ser afetada, nomeadamente a ecoansiedade.

O cenário não é melhor no que diz respeito às infeções: prevê-se que mais de 50% das doenças infeciosas sejam agravadas pelas alterações climáticas. Prevê-se um aumento de 10% das doenças diarreicas (contaminação da água potável durante as inundações, temperaturas elevadas que favorecem certos vírus, etc.) até 2030. A questão dos cancros do aparelho digestivo e do fígado também é levantada: pensa-se que o aumento das temperaturas induz a secreção de toxinas cancerígenas, enquanto os microplásticos provenientes dos combustíveis fósseis podem ser responsáveis por cancros do fígado. Paradoxalmente, o tratamento destas doenças aumenta a nossa pegada de carbono, o que leva os autores a concluir o seu artigo, que poderá ser criticado pelos resumos e pela confusão entre alterações climáticas e poluição, com um apelo a uma mudança de práticas, tanto em casa como em meio hospitalar.

Adaptações em curso

Ao mesmo tempo, alguns agentes patogénicos estão a adaptar-se, adverte Arturo Casadevall no artigo que assina na revista Nature Microbiology 2. Assim, quando submetidos a sucessivas ondas de calor, os fungos mais tolerantes a temperaturas elevadas são gradualmente selecionados. A temperatura corporal dos mamíferos foi uma das armas (juntamente com a imunidade) utilizadas para a defesa contra fungos patogénicos: Cryptococcus spp., bloqueado pela temperatura corporal elevada do coelho, não pode induzir a criptococose sistémica e limita-se às partes mais frias do corpo, como a pele e os testículos.

Mas o que acontecerá futuramente se o maior número de dias muito quentes selecionar fungos mais tolerantes a temperaturas elevadas e que se adaptem mais rapidamente ao calor? Estas duas adaptações facilitam a infeção de todos os mamíferos por fungos. Assim, não só o aquecimento global está a perturbar o ecossistema, como também pode estar a selecionar agentes patogénicos adaptados a condições ambientais mais elevadas. 

O aquecimento global tem sido associado ao aparecimento simultâneo e inexplicável de diferentes clados de C. auris em 3 continentes na década de 2010. 2

Efetivamente, a seleção pode já estar em curso: o aquecimento global pode estar por detrás do aparecimento simultâneo e inexplicável, em três continentes por volta de 2010, de diferentes clados de Candida auris que são mais termotolerantes do que a Candida spp. filogeneticamente relacionada e com uma resistência significativa a 2 das 3 principais classes de medicamentos antifúngicos: azóis e polienos.

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Viajar pode perturbar o intestino, mas não por muito tempo

Quem é que nunca teve problemas intestinais durante uma viagem? Para além dos desconfortos conhecidos, tais como a diarreia e o inchaço, as viagens podem afetar a nossa microbiota intestinal e levar à aquisição de novos genes, alguns dos quais estão ligados à resistência antimicrobiana. Felizmente para nós, a nossa microbiota demonstra uma grande resiliência, uma vez que estas alterações ficam resolvidas no espaço de 3 meses.

A microbiota intestinal Diarreia associada a antibióticos Diarreia do viajante

Pode gostar de explorar novos destinos, mas sabia que as aventuras internacionais também podem ter impacto no mundo microscópico do seu intestino? Um novo estudo fascinante 1 revela que as viagens podem alterar temporariamente a microbiota intestinal e aumentar os genes de resistência antimicrobiana (ARG). Contudo, a boa notícia é que estas alterações tendem a ser reversíveis em indivíduos saudáveis.

O que é a resistência antimicrobiana?

A resistência antimicrobiana ocorre quando as bactérias, os vírus ou outros micróbios desenvolvem a capacidade de resistir aos efeitos dos medicamentos concebidos para eliminar ou travar o seu crescimento. Esta situação pode tornar as infeções mais difíceis de tratar e representa uma ameaça grave para a saúde mundial.

Efeito ricochete

A equipa de investigação acompanhou 89 viajantes saudáveis de Guangzhou, na China, recolhendo amostras de fezes antes das viagens, imediatamente após o regresso e três meses depois. Esta abordagem a longo prazo permitiu monitorizar a reação da microbiota intestinal e dos ARG ao longo do tempo.

Os resultados foram notáveis: mais de metade dos viajantes adquiriram pelo menos um novo ARG durante as viagens. Imediatamente após a viagem, registou-se um pico significativo. Contudo, no espaço de três meses, estes genes de resistência foram eliminados e a microbiota intestinal regressou ao estado anterior à viagem, o que demonstra a incrível resiliência dos nossos ecossistemas internos.

Viajar é benéfico para os jovens... Assim como para a microbiota e a resistência aos antibióticos

Saiba mais

A resiliência da microbiota intestinal

A microbiota intestinal é um ecossistema complexo com milhares de milhões de microrganismos, incluindo bactérias, vírus e fungos, que desempenham um papel crucial na saúde geral. Este estudo demonstra que, apesar de as viagens poderem perturbar temporariamente este equilíbrio delicado 2, a microbiota intestinal tem uma capacidade espantosa de regressar ao estado original em indivíduos saudáveis.

Uma "microbiota resiliente" ou "microbioma resiliente" refere-se à capacidade da comunidade de microrganismos que reside no intestino (ou noutra parte do corpo) para recuperar e regressar ao estado original saudável depois de ter sido afetada ou perturbada. Mais concretamente, significa que, apesar das alterações ou perturbações da microbiota causadas pela alimentação, pelos antibióticos, pelas doenças ou, tal como demonstrado neste estudo, pelas viagens, a microbiota tem a capacidade de recuperar e restabelecer a sua composição e função equilibrada.

Riscos para a saúde durante a viagem

Apesar da emoção de explorar novos destinos, não devemos esquecer as possíveis recordações que o viajante pode trazer consigo – diarreia, intoxicação alimentar, infeções respiratórias... Isto é que são recordações inesquecíveis! Mas brincadeiras à parte, estas peculiaridades das viagens não são motivo de riso. É importante tomar precauções, tal como consultar profissionais de saúde em viagem (os quais funcionam como guarda-costas pessoais para o sistema imunitário), tomar as vacinas recomendadas e praticar uma boa higiene. Alguma prevenção pode ajudar a assegurar que as suas aventuras estejam repletas de memórias felizes e não de alucinações febris.

Semana Mundial de Consciencialização do Uso de Antimicrobianos

 

A Semana Mundial de Consciencialização do Uso de Antimicrobianos (em inglês: WAAW, World AMR Awareness Week) é assinalada anualmente entre 18 e 24 de novembro. Em 2023, o tema escolhido é “Prevenir a resistência antimicrobiana em conjunto”, tal como em 2022. Esta resistência é uma ameaça não só para os seres humanos, mas também para os animais, as plantas e o ambiente.

O objetivo da campanha é, por conseguinte, sensibilizar para a resistência antimicrobiana e promover as melhores práticas, com base no conceito "Uma só saúde", entre todas as partes interessadas (público em geral, médicos, veterinários, criadores e agricultores, decisores, etc.), a fim de reduzir o aparecimento e a propagação de infeções resistentes.

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À boleia do intestino: Como as viagens moldam a nossa paisagem interior

Uma nova investigação salienta os efeitos transitórios das viagens na microbiota intestinal e na resistência antimicrobiana, revelando um regresso rápido à diversidade microbiana e aos níveis dos ARG anteriores à viagem. Isto permite compreender a resiliência e a adaptabilidade do intestino.

O estilo de vida dos viajantes têm implicações profundas nos ecossistemas internos, tal como demonstra um novo estudo conclusivo 1. A investigação sobre a dinâmica dos genes de resistência antimicrobiana (ARG) e da microbiota intestinal nos viajantes internacionais revela uma narrativa de resiliência e adaptação cativante.

Uma odisseia longitudinal que acompanha os viajantes

No cerne desta investigação reside um objetivo crítico: acompanhar a persistência de quatro ARG (mcr-1, blaNDM, blaCTX−M, e tet(X4)), bem como as alterações na composição da microbiota intestinal durante um período alargado após a viagem. Apesar de estudos anteriores 2 esclarecerem o impacto imediato das viagens internacionais, este estudo longitudinal oferece uma perspetiva abrangente sobre os efeitos duradouros.

Quando as viagens criam a resistência aos antibióticos

Saiba mais

The research teA equipa de investigação realizou um estudo de coorte prospetivo, analisando as amostras de fezes de 89 viajantes saudáveis provenientes de Guangzhou, na China. Os dados foram recolhidos em três momentos estratégicos: antes da viagem, imediatamente após a viagem e três meses após o regresso.

Resistência vs. Resiliência

Curiosamente, o estudo revelou que 53% dos viajantes adquiriram pelo menos um ARG durante as suas viagens. Contudo, a maior parte destas aquisições revelou-se transitória. Imediatamente após a viagem, observou-se um aumento significativo na prevalência de determinados ARG. No entanto, numa demonstração de resiliência notável, estes ARG adquiridos foram eliminados no espaço de três meses, com as defesas do intestino a regressarem às bases de referência anteriores à viagem.

O mesmo aconteceu com a microbiota intestinal, que registou uma perturbação temporária da diversidade microbiana após a viagem (72% dos viajantes apresentaram um aumento significativo da diversidade microbiana depois da viagem), seguida de uma restauração do equilíbrio anterior à viagem no espaço de três meses.

À medida que o mundo se torna cada vez mais interligado, as implicações destas descobertas ressoam profundamente no panorama dos cuidados de saúde, sublinhando a necessidade de vigilância e investigação contínua relativamente às viagens globais, a resistência antimicrobiana e o equilíbrio delicado dos nossos ecossistemas internos.

Semana Mundial de Consciencialização do Uso de Antimicrobianos

 

A Semana Mundial de Consciencialização do Uso de Antimicrobianos (em inglês: WAAW, World AMR Awareness Week) é assinalada anualmente entre 18 e 24 de novembro. Em 2023, o tema escolhido é “Prevenir a resistência antimicrobiana em conjunto”, tal como em 2022. Esta resistência é uma ameaça não só para os seres humanos, mas também para os animais, as plantas e o ambiente.

O objetivo da campanha é, por conseguinte, sensibilizar para a resistência antimicrobiana e promover as melhores práticas, com base no conceito "Uma só saúde", entre todas as partes interessadas (público em geral, médicos, veterinários, criadores e agricultores, decisores, etc.), a fim de reduzir o aparecimento e a propagação de infeções resistentes.

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Mês de Sensibilização para a Síndrome do Cólon Irritável (SCI) 2024

Mais de 10.000 ferramentas de diagnóstico da SCI espalhadas por todo o mundo para melhor diagnosticar a SCI e ajudar os médicos a comunicar com os seus doentes.

Irritable bowel syndrome (IBS) - disease page

10 000 ferramentas de diagnóstico da SII distribuídas por todo o mundo em congressos e simpósios

15 000 ferramentas de diagnóstico da SII reimpressas

300 ferramentas de diagnóstico da SII transferidas do site do Instituto

Um ano após o seu lançamento por três gastroenterologistas internacionais, a ferramenta de diagnóstico da SCI mantém a sua dinâmica. Para assinalar o Mês de Sensibilização para a SCI, o Biocodex Microbiota Institute vai mais longe, proporcionando aos profissionais de saúde e ao público em geral uma viagem dedicada a compreender melhor a SCI e a sua ligação com a microbiota. 

Desde 1997, abril é o mês da sensibilização para a síndrome do cólon irritável (SCI). A SCI é uma doença complexa cuja génese é provavelmente multifatorial e não é totalmente compreendida. Mas existem várias linhas de evidência que associam a microbiota à SCI. É por isso que, durante este mês, o Biocodex Microbiota Institute se junta a doentes, profissionais de saúde e familiares para aumentar a consciencialização sobre a SCI e a sua ligação com a microbiota intestinal. Testemunhos de pacientes, entrevistas de especialistas, infografias, cursos de formação de certificação, artigos, etc. Eis algumas ferramentas para aumentar a visibilidade da SCI e da microbiota. 

 

Ferramenta de diagnóstico da SCI: um recurso clínico útil 

Lançada em 2023 por três gastroenterologistas de renome internacional (Professor Jean-Marc Sabaté, Professor Jan Tack e Dr. Pedro Costa Moreira), com o apoio do Biocodex Microbiota Institute, a Ferramenta de diagnóstico da SCI fornece aos médicos um manual de avaliação fácil de utilizar para o diagnóstico diferencial (critérios de diagnóstico, subtipos de SCI, uma lista de verificação de sinais de alerta, etc.) e a melhoria da comunicação com os pacientes.

Milhares de gastroenterologistas, mas também médicos de família, farmacêuticos e dietistas já adotaram esta ferramenta inovadora. Disponível em três formatos, esta ferramenta recebeu o aval da Organização Mundial de Gastroenterologia (WGO).

Pode ser transferida aquí. 

“Esta ferramenta insere o médico de uma forma muito prática no processo de diagnóstico quando confrontado com o seu doente."

Pr. Jan Tack, um dos cocriadores

Infografias, pastas temáticas e cursos de formação sobre a SCI: oportunidades de formação por medida!

Muitos doentes com SCI sofrem durante anos antes de falarem dos seus sintomas com o respetivo médico. No entanto, devido à sua posição de relevo na assistência diária aos doentes, os médicos desempenham um papel crucial no diagnóstico rápido e no tratamento eficaz dos doentes com SCI. Encontram-se igualmente bem posicionados para estabelecerem relações abertas e de confiança com os seus pacientes. É por isso que o Biocodex Microbiota Institute fornece aos profissionais de saúde ferramentas e conteúdos personalizados para melhorarem a sua prática quotidiana e tornarem-se rapidamente especialistas em SCI. Curso de formação de certificação em SCI, infografias para partilhar com os doentes, vídeos de especialistas, artigos temáticos, bem como as últimas notícias científicas... Um conjunto de conteúdos inovadores, atualizados e fáceis de utilizar para se tornar um especialista em SCI.

Compreender melhor a ligação complexa entre a microbiota e a SCI 

Quais são os sintomas da SCI? Porque é que tenho SCI? Está relacionada com a microbiota? Existe um eixo microbiota-intestino-cérebro? Para aumentar a consciencialização sobre a SCI e responder a todas as perguntas que o público em geral possa fazer, o Biocodex Microbiota Institute dá a palavra a um especialista na matéria, o Prof. Premysl Bercik, clínico e investigador da Universidade McMaster, do Canadá. 

Pr. Premysl Bercik

"Durante a última década, tem-se dado cada vez mais atenção à microbiota intestinal como fator chave na SCI."

Pr. Premysl Bercik

Viver com a SCI: depoimentos de pacientes

Mihai, Jennifer e Aline são doentes com SCI. Numa série de testemunhos em vídeo, falam abertamente sobre a forma como a doença mudou as suas vidas e dão conselhos sobre como viver com a SCI. Os primeiros episódios de “Patient stories” foram produzidos com o apoio da Associação Francesa de Pacientes com Síndrome do Cólon Irritável (APSSII).

Com esta campanha de sensibilização integral, o Biocodex Microbiota Institute visa incentivar ativamente todas as partes interessadas (doentes e profissionais de saúde, bem como familiares, prestadores de cuidados, autoridades de saúde, público em geral, etc.) a compreender melhor a doença em si e os últimos avanços da investigação que apontam para o papel desempenhado pela microbiota intestinal. 

Embora ainda haja algum caminho a percorrer em termos de análise dos sintomas e de tratamento da SCI, não há dúvida de que o desenvolvimento de novas ferramentas de diagnóstico irá em breve mudar esta realidade.

"Estou nesta área há muito tempo e tenho visto que a perspetiva sobre a SII evoluiu muito. Há trinta anos, havia um preconceito de que talvez fosse tudo psicossomático. Estamos agora plenamente conscientes de que se trata de uma doença de grande impacto e que temos de a tratar adequadamente."

Pr. Jan Tack

O Biocodex Microbiota Institute

O Biocodex Microbiota Institute é um centro de conhecimento internacional cujo objetivo é promover uma melhor saúde através da comunicação sobre a microbiota humana. Para o efeito, dirige-se aos profissionais de saúde e ao público em geral para sensibilizar para o papel central desempenhado por este importante órgão.

Contato do Biocodex Microbiota Institute para a comunicação social

Olivier VALCKE

Relações Públicas e Diretor de Publicações
+33 1 41 24 30 00
o.valcke@biocodex.com

 

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Mês de Sensibilização para a Síndrome do Cólon Irritável (SCI) 2024

Mais de 10.000 ferramentas de diagnóstico da SCI espalhadas por todo o mundo para melhor diagnosticar a SCI e ajudar os médicos a comunicar com os seus doentes.

Homepage HCPs - World IBS Awareness Month

10 000 ferramentas de diagnóstico da SII distribuídas por todo o mundo em congressos e simpósios

15 000 ferramentas de diagnóstico da SII reimpressas

300 ferramentas de diagnóstico da SII transferidas do site do Instituto

Um ano após o seu lançamento por três gastroenterologistas internacionais, a ferramenta de diagnóstico da SCI mantém a sua dinâmica. Para assinalar o Mês de Sensibilização para a SCI, o Biocodex Microbiota Institute vai mais longe, proporcionando aos profissionais de saúde e ao público em geral uma viagem dedicada a compreender melhor a SCI e a sua ligação com a microbiota. 

Desde 1997, abril é o mês da sensibilização para a síndrome do cólon irritável (SCI). A SCI é uma doença complexa cuja génese é provavelmente multifatorial e não é totalmente compreendida. Mas existem várias linhas de evidência que associam a microbiota à SCI. É por isso que, durante este mês, o Biocodex Microbiota Institute se junta a doentes, profissionais de saúde e familiares para aumentar a consciencialização sobre a SCI e a sua ligação com a microbiota intestinal. Testemunhos de pacientes, entrevistas de especialistas, infografias, cursos de formação de certificação, artigos, etc. Eis algumas ferramentas para aumentar a visibilidade da SCI e da microbiota. 

Ferramenta de diagnóstico da SCI: um recurso clínico útil 

Lançada em 2023 por três gastroenterologistas de renome internacional (Professor Jean-Marc Sabaté, Professor Jan Tack e Dr. Pedro Costa Moreira), com o apoio do Biocodex Microbiota Institute, a Ferramenta de diagnóstico da SCI fornece aos médicos um manual de avaliação fácil de utilizar para o diagnóstico diferencial (critérios de diagnóstico, subtipos de SCI, uma lista de verificação de sinais de alerta, etc.) e a melhoria da comunicação com os pacientes.

Milhares de gastroenterologistas, mas também médicos de família, farmacêuticos e dietistas já adotaram esta ferramenta inovadora. Disponível em três formatos, esta ferramenta recebeu o aval da Organização Mundial de Gastroenterologia (WGO).

Pode ser transferida aquí. 

“Esta ferramenta insere o médico de uma forma muito prática no processo de diagnóstico quando confrontado com o seu doente."

Pr. Jan Tack, um dos cocriadores

Infografias, pastas temáticas e cursos de formação sobre a SCI: oportunidades de formação por medida!

Muitos doentes com SCI sofrem durante anos antes de falarem dos seus sintomas com o respetivo médico. No entanto, devido à sua posição de relevo na assistência diária aos doentes, os médicos desempenham um papel crucial no diagnóstico rápido e no tratamento eficaz dos doentes com SCI. Encontram-se igualmente bem posicionados para estabelecerem relações abertas e de confiança com os seus pacientes. É por isso que o Biocodex Microbiota Institute fornece aos profissionais de saúde ferramentas e conteúdos personalizados para melhorarem a sua prática quotidiana e tornarem-se rapidamente especialistas em SCI. Curso de formação de certificação em SCI, infografias para partilhar com os doentes, vídeos de especialistas, artigos temáticos, bem como as últimas notícias científicas... Um conjunto de conteúdos inovadores, atualizados e fáceis de utilizar para se tornar um especialista em SCI.

Compreender melhor a ligação complexa entre a microbiota e a SCI 

Quais são os sintomas da SCI? Porque é que tenho SCI? Está relacionada com a microbiota? Existe um eixo microbiota-intestino-cérebro? Para aumentar a consciencialização sobre a SCI e responder a todas as perguntas que o público em geral possa fazer, o Biocodex Microbiota Institute dá a palavra a um especialista na matéria, o Prof. Premysl Bercik, clínico e investigador da Universidade McMaster, do Canadá. 

Pr. Premysl Bercik

"Durante a última década, tem-se dado cada vez mais atenção à microbiota intestinal como fator chave na SCI."

Pr. Premysl Bercik

Viver com a SCI: depoimentos de pacientes

Mihai, Jennifer e Aline são doentes com SCI. Numa série de testemunhos em vídeo, falam abertamente sobre a forma como a doença mudou as suas vidas e dão conselhos sobre como viver com a SCI. Os primeiros episódios de “Patient stories” foram produzidos com o apoio da Associação Francesa de Pacientes com Síndrome do Cólon Irritável (APSSII).

Com esta campanha de sensibilização integral, o Biocodex Microbiota Institute visa incentivar ativamente todas as partes interessadas (doentes e profissionais de saúde, bem como familiares, prestadores de cuidados, autoridades de saúde, público em geral, etc.) a compreender melhor a doença em si e os últimos avanços da investigação que apontam para o papel desempenhado pela microbiota intestinal. 

Embora ainda haja algum caminho a percorrer em termos de análise dos sintomas e de tratamento da SCI, não há dúvida de que o desenvolvimento de novas ferramentas de diagnóstico irá em breve mudar esta realidade.

"Estou nesta área há muito tempo e tenho visto que a perspetiva sobre a SII evoluiu muito. Há trinta anos, havia um preconceito de que talvez fosse tudo psicossomático. Estamos agora plenamente conscientes de que se trata de uma doença de grande impacto e que temos de a tratar adequadamente."

Pr. Jan Tack

O Biocodex Microbiota Institute

O Biocodex Microbiota Institute é um centro de conhecimento internacional cujo objetivo é promover uma melhor saúde através da comunicação sobre a microbiota humana. Para o efeito, dirige-se aos profissionais de saúde e ao público em geral para sensibilizar para o papel central desempenhado por este importante órgão.

Contato do Biocodex Microbiota Institute para a comunicação social

Olivier VALCKE

Relações Públicas e Diretor de Publicações
+33 1 41 24 30 00
o.valcke@biocodex.com

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Infertilidade masculina: poderá a microbiota do esperma estar envolvida?

Nos homens com parâmetros anormais do esperma, a microbiota do esperma está alterada. Isto sugere que determinados microrganismos podem influenciar a qualidade do esperma e, por conseguinte, a fertilidade masculina.

A infertilidade masculina pode ser algo comum. Contudo, ainda é pouco compreendida em quase 1 em cada 3 casos. Poderá a microbiota do esperma estar envolvida? Até agora, tem sido difícil de descobrir o motivo pelo qual existem poucos estudos dedicados a esta microbiota. Ainda por cima, muitos poucos estudos abordaram o tema do ponto de vista da fertilidade. Daí o interesse suscitado pelo trabalho de uma equipa americana, que segundo a mesma, um pequeno grupo de microrganismos pode contribuir para a redução da fertilidade nos homens. 1

Números-chave sobre infertilidade

1 em cada 6 pessoas sofre de infertilidade num momento da sua vida. 2

50 a 60 %: queda significativa no número de espermatozoides entre 1973 e 2011 entre os homens da América do Norte, Europa, Austrália e Nova Zelândia. 3

30-50 % dos casos de infertilidade explicados estão ligados aos homens. 4

Fertilidade, esperma e microbiota

Foram consultados 73 homens que realizaram uma avaliação da sua fertilidade ou que solicitaram uma vasectomia após um ou mais filhos serem divididos em grupos com base nos resultados da análise da qualidade do esperma. A primeira conclusão do estudo é que as anomalias do esperma (concentração de esperma, motilidade dos espermatozoides) não refletem necessariamente a fertilidade ou a subfertilidade. Por conseguinte, o grupo com um espermograma normal inclui 40% dos homens que foram consultados por hipofertilidade. A segunda conclusão é que contrariamente aos resultados de outros estudos (populações diferentes? metodologia?), os investigadores não observaram qualquer alteração significativa da diversidade (sidenote: Diversidade alfa Número de espécies coexistentes num determinado meio ) ou (sidenote: Diversidade beta Taxa de variação na composição em espécies, calculada comparando o número de táxons únicos em cada ecossistema ) da microbiota entre espermatozoides normais e anormais. Sendo assim, segundo os autores, pode não ser uma disbiose global que contribui para a subfertilidade, mas uma alteração mais subtil em determinadas espécies.

Bactérias associadas a anomalias no esperma

No geral, Enterococcus faecalis, Staphylococcus epidermidis, Corynebacterium tuberculostearicum e Lactobacillus iners são as bactérias mais abundantes no esperma. Contudo, existem diferenças subtis consoante a anomalia. Isto significa que os espermatozoides com fraca motilidade são mais ricos em Lactobacillus iners (9,4 % vs. 2,6 %). Da mesma forma, o esperma com uma baixa contagem de espermatozoides é mais rico em Pseudomonas stutzeri (2,1% vs. 1,0%) e P. fluorescens (0,9% vs. 0,7%), mas tem uma menor abundância de P. putida (0,5% vs. 0,8%).

Apesar deste estudo observacional apenas fornecer correlações, e de modo algum relações causais, os resultados sugerem que algumas bactérias podem desempenhar um papel na perturbação dos parâmetros do esperma. Sobretudo porque a L. iners (pró-inflamatória) é também responsável pela queda de fertilidade nas mulheres que foram submetidas à procriação medicamente assistida (PMA). Por conseguinte, este estudo é o primeiro do género a demonstrar uma relação entre a presença de L. iners e a infertilidade masculina.

Longe de fornecer uma conclusão definitiva, os resultados deste estudo observacional num único centro devem ser utilizados para informar estudos futuros (mecanicistas, longitudinais e multicêntricos). Isto pode levar não só a uma melhor compreensão da microbiota do esperma, mas também a potenciais opções terapêuticas para melhorar a fertilidade masculina.

Recomendado pela nossa comunidade

"Interessante!"  -@Amasvingwe (Da Biocodex Microbiota Institute em X)

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Noticias Medicina geral Urologia

Infertilidade masculina: poderão as bactérias do esperma estar envolvidas?

E se algumas das bactérias presentes no esperma dos homens estiverem envolvidas na infertilidade? É o que sugerem os resultados de um estudo publicado no início de 2024, que analisou esta microbiota. 1

A microbiota urinária A microbiota vaginal Vaginose bacteriana - um desequilíbrio na microbiota vaginal

Quando um casal tem dificuldades em conceber uma criança, a fertilidade de ambos é avaliada. Nos homens, é normalmente prescrita uma análise do esperma, designada por (sidenote: Espermograma Um exame que avalia a qualidade de uma amostra de esperma, incluindo o volume (volume normal médio = 1,4 ml), pH (que deve ser igual ou superior a 7,2), a concentração de espermatozoides (normalmente superior ou igual a 16 milhões por ml), a motilidade espermática (pelo menos 30% dos espermatozoides devem ser capazes de avançar em frente, em vez de girarem ou não se moverem) e vitalidade (> 54%). São também considerados outros fatores, tais como a morfologia dos espermatozoides, o aspeto geral da amostra e a viscosidade. Para um determinado paciente, uma análise de esperma nunca pode confirmar ou negar a fertilidade. O potencial de fertilidade depende também de uma série de outros parâmetros e do potencial de fertilidade do seu parceiro.  Source: WHO ) Apesar deste exame, quase 1 em cada 3 casos de  (sidenote: Infertilidade masculina Uma doença causada mais frequentemente por problemas de ejeção do esperma, a ausência ou a baixa quantidade de espermatozoides, ou uma forma (morfologia) ou um movimento (mobilidade) anormais dos espermatozoides. 
  Fonte: OMS
)
  (sidenote: Infertilidade Uma doença do sistema reprodutor masculino ou feminino definida como a incapacidade de engravidar após 12 meses ou mais de relações sexuais regulares sem proteção. 
  Fonte: OMS
)
continua por explicar. Contudo, está agora a ser explorada uma nova via: a microbiota do esperma.

Números-chave sobre infertilidade

1 em cada 6 pessoas sofre de infertilidade num momento da sua vida. 2

50 a 60 %: queda significativa no número de espermatozoides entre 1973 e 2011 entre os homens da América do Norte, Europa, Austrália e Nova Zelândia. 3

30-50 % dos casos de infertilidade explicados estão ligados aos homens. 4

L. iners, uma bactéria antifertilidade?

Tal como é sabido, o esperma está longe de ser estéril. É o local onde reside uma comunidade de microrganismos, liderada por bactérias denominadas de Enterococcus faecalis, Staphylococcus epidermidis, Corynebacterium tuberculostearicum e Lactobacillus iners. No entanto, existem diferenças subtis associadas à qualidade do esperma. Por exemplo, nos homens cujos espermatozoides têm dificuldade em avançar (e, por conseguinte, têm dificuldade em alcançar o óvulo), a bactéria Lactobacillus iners é muito mais frequente: representa 9,4% das bactérias presentes no esperma, contra 2,6% nos homens cujos espermatozoides têm uma motilidade normal.

Num estudo anterior, a presença elevada desta bactéria na vagina das mulheres foi associada a um menor sucesso da procriação medicamente assistida (PMA). O seu efeito deletério pode ser explicado pela sua capacidade de potenciar a inflamação, o que geralmente não é um bom ninho para a fertilidade!

Tudo o que Você sempre quis saber sobre a microbiota sexual masculina

Saiba mais

As Pseudomonas também estão envolvida

As outras 3 bactérias identificadas pelos investigadores pertencem ao género Pseudomonas, até então desconhecido da polícia de fertilidade: o esperma com uma baixa concentração de espermatozoides é, de facto, mais rico em Pseudomonas stutzeri e P. fluorescens, e menos rico em P. putida. Por conseguinte, os investigadores suspeitam que as duas primeiras bactérias deste tipo podem estar associadas a uma baixa fertilidade, enquanto que a última pode ter um efeito benéfico.

Mais uma vez, isto são apenas correlações e não relações de causa e efeito. No entanto, estes resultados sugerem que estas poucas bactérias podem desempenhar um papel na qualidade do esperma e, por conseguinte, na fertilidade masculina. A continuar em estudos futuros...

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