Dengue e Zika: proteger os mosquitos para proteger os seres humanos

Inoculação de bactérias Rosenbergiella-YN46 no sistema digestivo dos mosquitos: uma estratégia de controlo biológico exequível e sustentável para reduzir a transmissão e a prevalência de flavivírus na natureza?

Zika, dengue, vírus do Nilo Ocidental, vírus da febre amarela: os flavivírus transmitidos por mosquitos causam infeções virais potencialmente mortais nos seres humanos. A situação é tanto mais preocupante quanto as alterações climáticas e fenómenos como o El Niño potenciam estas (sidenote: Doença transmitida por vetores Doença em que o agente patogénico é transmitido a um hospedeiro (humano ou animal) através da picada de um vetor, o qual pode ser de diferentes espécies (mosquitos, moscas, carraças, pulgas, etc.).  As doenças transmitidas por vetores são responsáveis por cerca de 17% de todas as doenças infeciosas a nível mundial, e a OMS estima que 80% da população mundial se encontra em risco de contrair pelo menos uma doença transmitida por vetores.  Aprofundar: https://www.pasteur.fr/fr/innovation/toute-actualite/actualites-innovation/comb… ) ... enquanto que as campanhas de controlo biológico das populações e de luta contra os mosquitos mostram efeitos limitados.

Que tal optar-se por uma estratégia completamente diferente? Nomeadamente, modificar a microbiota intestinal dos mosquitos para evitar a sua própria infeção e, consequentemente, a transmissão do vírus aos mamíferos, inclusive aos seres humanos.

Um aumento de dez vezes nos casos em todo o mundo

A Organização Mundial de Saúde (OMS) 1 apurou que entre 2000 e 2019 o número de casos de dengue registados em todo o mundo aumentou dez vezes, passando de 500.000 para 5,2 milhões.

Após um ligeiro recuo durante a pandemia de COVID-19, observou-se um recrudescimento dos casos de dengue a nível mundial em 2023.

Uma bactéria para proteger os mosquitos... e os seres humanos

Neste estudo, investigadores chineses 2 isolaram 55 bactérias que vivem no sistema digestivo de fêmeas do mosquito Aedes albopictus, o principal vetor da febre de Dengue, a partir de insetos capturados no sul da província chinesa do Yunnan. Entre as bactérias identificadas destaca-se a Rosenbergiella YN46 (assim designada por ter sido identificada em Yunnan) que, inoculada numa dose de 1,6 x 103 UFC (unidades formadoras de colónias), protege o A. albopictus dos (sidenote: Flavivirus género de vírus que inclui mais de 70 membros, vários dos quais são considerados importantes agentes patogénicos para o ser humano. Transmitidos pela picada de mosquitos infetados, os Flavivírus causam um amplo espetro de doenças que se podem classificar em duas categorias: 
- doenças sistémicas hemorrágicas (vírus do dengue e da febre amarela), 
- e complicações neurológicas (vírus do Nilo ocidental, zika)
Aprofundar: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34696709/ )
, e fá-lo de forma continuada.

Mas como é que esta bactéria intestinal, presente no néctar das flores, permite que os mosquitos A. albopictus e Aedes aegypti resistam à infeção pelos vírus da dengue e do zika? Através da secreção de glicose desidrogenase, que converte a glicose em ácido glucónico, acidificando rapidamente o lúmen intestinal do mosquito (pH < 6,5 após uma refeição de sangue). Assim, este ambiente ácido modifica irreversivelmente o invólucro proteico dos viriões dos flavivírus, impedindo-os de entrar nas células epiteliais intestinais do mosquito.

390 milhões Com cerca de 390 milhões de infeções por ano, o vírus da dengue é o flavivírus transmitido por mosquitos mais difundido no mundo. ²

223.000 O vírus Zika foi responsável por mais de 223.000 casos confirmados nas Ilhas do Pacífico e nas Américas entre 2015 e 2017. ²

Uma estratégia eficaz em larga escala?

Mas o trabalho destes investigadores não se ficou apenas por aí. Ao constatarem uma prevalência variável da febre de Dengue no Yunnan, decidiram verificar se este fenómeno coincidia com uma presença desigual da bactéria. E, de facto, a prevalência de Rosenbergiella YN46 na microbiota intestinal dos insetos varia muito de uma prefeitura para outra: revelou ser mais prevalente nos sistemas digestivos dos mosquitos das prefeituras de Wenshan (91,7%) e Pu’er (52,9%), onde apenas foram notificados alguns casos isolados de febre de Dengue e, em contrapartida, rara nos mosquitos das prefeituras de Xishuangbanna (6,7%) e Lincang (0%), onde a febre de Dengue é endémica. 

Ensaios complementares de semi-campo permitiram alimentar a esperança de um possível (sidenote: controlo biológico é uma forma eficaz e amiga do ambiente de reduzir ou mitigar as pragas e os seus efeitos através da utilização de inimigos naturais. Aprofundar: https://www.sciencedirect.com/journal/biological-control ) : água açucarada com a bactéria é o suficiente para contaminar os insetos e para a bactéria se transmitir eficazmente de forma (sidenote: Transmissão transestadial O vetor (neste caso, o mosquito) conserva um agente (aqui, o flavivírus) no seu organismo quando passa de um estádio de desenvolvimento para outro (neste caso, do estádio de larva aquática para o de adulto alado). Aprofundar: Źródło ) e ao longo de gerações de mosquitos (nos mosquitos, a microbiota intestinal é transmitida pelas fêmeas aos seus descendentes e adquirida através da alimentação das larvas e depois dos adultos).

Consequentemente, a introdução da bactéria Rosenbergiella YN46 no habitat aquático das larvas ou a importação de adultos já portadores da bactéria poderá limitar a transmissão da febre de Dengue nas zonas endémicas.

Summary
Off
Sidebar
On
Migrated content
Désactivé
Updated content
Désactivé
Hide image
Off
Noticias Gastroenterologia Medicina geral Dermatologia

Menopausa: será o desequilíbrio da microbiota vaginal a promover a inflamação

Um estudo efetuado em mulheres pós-menopáusicas sugere que poderá um dia ser possível reduzir a inflamação da mucosa vaginal através da regulação da microbiota vaginal. Disso resultará uma possível redução dos riscos de infeção e de cancro do colo do útero.

A microbiota vaginal

Na menopausa, a microbiota vaginal pode desempenhar um papel fundamental na saúde ginecológica das mulheres. 

Em circunstâncias normais, certas bactérias lácticas denominadas Lactobacillus, presentes de forma abundante na flora vaginal, acidificam o ambiente da vagina, contribuindo assim para o equilíbrio da microbiota. 

45 a 55 anos é a idade em que começa a transição menopáusica para a maioria das mulheres ¹

87% das mulheres apresentam pelo menos 1 sintoma para além da cessação do período menstrual ²

20 a 25% sofrem de perturbações graves com impacto na sua qualidade de vida ²

Como a menopausa altera a microbiota vaginal 

Durante a pré-menopausa (período que antecede o desaparecimento definitivo da menstruação, ver caixa), a diminuição dos níveis de estrogénios leva a uma redução do teor de glicogénio das células da mucosa, o qual constitui o alimento preferido dos Lactobacillus

Menos bem alimentados, estes últimos tornar-se-ão menos abundantes e perderão a sua posição dominante na flora, o que pode conduzir a desequilíbrios na microbiota vaginal ( (sidenote: Disbiose A "disbiose" não é um fenómeno homogéneo – varia em função do estado de saúde de cada indivíduo. É geralmente definida como uma alteração da composição e do funcionamento da microbiota, causada por um conjunto de fatores ambientais e relacionados com o indivíduo que perturbam o ecossistema microbiano. Levy M, Kolodziejczyk AA, Thaiss CA, et al. Dysbiosis and the immune system. Nat Rev Immunol. 2017;17(4):219-232. ) ). A diminuição das hormonas sexuais está igualmente associada a um aumento prejudicial da diversidade microbiana. 

55% das mulheres estão conscientes de que, desde a infância até à menopausa, a microbiota vaginal da mulher não permanece a mesma.

Problema: vários estudos têm demonstrado que a perda da predominância dos Lactobacillus e o aumento da diversidade bacteriana estão associados à inflamação da mucosa vaginal. Por outro lado, essa inflamação aumenta o risco de infeções, nomeadamente de ISTs ((infeções sexualmente transmissíveis), mas também de lesões pré-cancerosas do colo do útero.

Embora a ligação entre as alterações da microbiota vaginal e a inflamação tenha sido demonstrada nas mulheres em pré-menopausa, até à data não existiam estudos para determinar se esta ligação persiste na pós-menopausa (ver caixa).

Menopausa, pré-menopausa, pós-menopausa ou perimenopausa: quais as diferenças?

A transição menopáusica, que se caracteriza pelo declínio progressivo das hormonas sexuais femininas, decorre ao longo de vários anos.

  • A pré-menopausa (ou perimenopausa) é o período crucial antes da menopausa. Precede o fim dos períodos menstruais, altura em que surgem os famosos sintomas da menopausa (afrontamentos, secura vaginal, problemas de sono, etc.). Dura em média 4 anos (de 2 a 8 anos).
  • A menopausa corresponde à cessação definitiva das menstruações. Ocorre geralmente entre os 45 e os 55 anos.
  • A pós-menopausa é o período após a menopausa. Ocorre cerca de um ano após a menopausa.

Modular a microbiota vaginal para manter a saúde?

Com vista a aprofundar este assunto, uma equipa de investigadores americanos utilizou os dados de 119 mulheres pós-menopáusicas (com uma média de idades de 61 anos) que tinham participado num ensaio clínico que comparava os efeitos dos estrogénios e de um creme hidratante na flora vaginal. 

Foram analisadas as populações bacterianas e os marcadores de inflamação (citocinas) nas secreções vaginais das voluntárias para apurar a relação entre estes dois parâmetros. 3

Resultado: as mulheres cuja microbiota vaginal era mais diversificada ou mais pobre em Lactobacillus foram as que apresentaram as concentrações mais elevadas de citocinas. Estas duas caraterísticas da microbiota vaginal estão, portanto, associadas à inflamação, como acontece nas mulheres na pré-menopausa.

A microbiota vaginal

Saiba mais

O interessante nestes resultados é que eles deixam entrever que, um dia, através da regulação da microbiota vaginal das mulheres após a menopausa, será possível limitar a inflamação da mucosa vaginal e, assim, atuar preventivamente para lhes preservar a saúde.

O que é a síndrome geniturinária da menopausa (SGM)?

Este termo, que substitui desde 2014 o de “atrofia vulvovaginal” ou o de “secura vaginal”, demasiado restritivo, identifica determinados sintomas da menopausa ligados à diminuição dos níveis de estrogénios que ocorre na menopausa 4 :

  • Sintomas genitais: secura, ardor e irritação;
  • Sintomas sexuais: ausência de lubrificação, desconforto e dor;
  • Sintomas urinários: urgência urinária, infeções recorrentes do trato urinário, dor, desconforto e sensação de ardor ao urinar (disúria)

De acordo com uma meta-análise publicada em 2022 5, a SGM afetará

  • mais da metade das mulheres na pós-menopausa (55,1%), 
  • um terço das mulheres na perimenopausa (31,9%) 
  • 1 em cada 5 mulheres na pré-menopausa (19,2%).
Summary
Off
Sidebar
On
Migrated content
Désactivé
Updated content
Désactivé
Hide image
Off
Noticias

Uma ligação entre as dores pós-operatórias, o cancro da mama e a microbiota intestinal?

Pela primeira vez, uma equipa identificou bactérias intestinais associadas à presença ou à ausência de dor pós-cirúrgica persistente vários meses após a cirurgia do cancro da mama.

A microbiota intestinal Probióticos Prebióticos: o essencial para os compreender

Em cirurgia, fala-se de dor pós-cirúrgica persistente (ou PPSP) quando a dor permanece de forma significativa durante pelo menos 3 meses após a operação.

Trata-se de uma doença que afeta milhões de doentes em todo o mundo e que a ciência ainda não conseguiu resolver, apesar de sabermos que certos fatores a predispõem (tipo de cirurgia, intensidade da dor antes da operação, atitude do doente face à dor, fatores genéticos).

No entanto, está a surgir uma nova hipótese na qual talvez não se tenha pensado inicialmente: a da microbiota... intestinal com seu famoso (sidenote: Eixo intestino-cérebro Rede de comunicação bidirecional entre o intestino e o cérebro que permite a comunicação entre o intestino e o cérebro através de três vias diferentes: 
1. a via neuronal (os neurónios), principalmente através do nervo vago e do sistema nervoso entérico;
2. a via endócrina, através da secreção de hormonas como o cortisol, a adrenalina e a serotonina;
3. a via do sistema imunitário, através da modulação das citocinas.
O eixo intestino-cérebro atua no nosso comportamento, nossa cognição (memória), nossas emoções, nosso humor, nossos desejos, nossa perceção... e nossa dor, entre outras coisas.
)
.

Assim, a manipulação da microbiota intestinal com probióticos ou prebióticos antes da cirurgia poderia reduzir a incidência da PSPP. Pelo menos era o que havia sugerido um estudo preliminar, que mostrava que certas bactérias do trato digestivo estavam associadas à dor após uma cirurgia de fratura do pulso. E que parece ter sido confirmado por um estudo irlandês, desta vez sobre mulheres operadas de cancro da mama.

2,3 milhões Em 2022, 2,3 milhões de mulheres foram diagnosticadas com cancro da mama em todo o mundo e 670 000 morreram desta doença ²

Primeira causa Em 2022, em 157 de 185 países, o cancro da mama foi a principal causa de cancro nas mulheres ²

99 % Cerca de 99% dos cancros da mama ocorrem nas mulheres, e de 0,5 a 1% nos homens ²

Bactérias intestinais associadas à presença ou à ausência de dor 

Três meses após a operação, metade das mulheres reportou sentir dores persistentes, enquanto a outra metade não foi particularmente afetada. Esta diferença estava relacionada com a diversidade da sua microbiota intestinal: as pacientes que relataram dores fortes 1 hora e 3 meses após a operação tinham uma flora intestinal menos diversificada, em comparação com as mulheres que sofreram poucas dores. 

Mais importante ainda, certas bactérias pareciam estar associadas à presença ou à ausência de dor pós-cirúrgica persistente após a cirurgia do cancro da mama: as mulheres que não relataram dor 3 meses após a cirurgia tinham em seus intestinos mais bactérias conhecidas pelos seus efeitos benéficos (Bifidobacterium longum e Faecalibacterium prausnitzii), enquanto as mulheres que sofriam de PSPP hospedavam mais Megamonas hypermegale, Bacteroides pectinophilus, Ruminococcus bromii e Roseburia hominis.

É uma grande descoberta! Mas mesmo assim, deve-se ter cautela: trata-se apenas de associações e não de relações de causalidade. Nesta fase, ainda não é possível dizer se uma determinada bactéria induz ou reduz a dor...

Microbiota and breast cancer

Saiba mais
Summary
Off
Sidebar
On
Migrated content
Désactivé
Updated content
Désactivé
Hide image
Off
Noticias

Dores pós-operatórias: uma questão de microbiota intestinal?

Embora estudos anteriores tenham relacionado a diversidade e a composição da microbiota intestinal com dores pós-operatórias após uma cirurgia de pulso, uma equipa identificou pela primeira vez bactérias associadas à presença ou ausência de dor pós-cirúrgica persistente após uma cirurgia de cancro da mama.

A dor pós-cirúrgica persistente (ou  (sidenote: Dor pós-cirúrgica persistente (DPP) Dor que continua após a cirurgia de forma significativa durante pelo menos três meses e que não está relacionada com condições dolorosas pré-existentes. ) ) é tão comum como subestimada: afeta milhões de pacientes em todo o mundo. Os fatores predisponentes incluem o tipo de cirurgia. Por exemplo, no caso do cancro da mama, 80% das mulheres cuja cirurgia inclui a remoção dos gânglios linfáticos axilares sofrem de PPSP. 

Estudos anteriores implicaram a microbiota intestinal na dor pós-operatória. No entanto, os mecanismos permanecem pouco claros: a disbiose intestinal poderia induzir um desequilíbrio na produção de metabolitos microbianos e desempenhar um papel no desenvolvimento de PPSP através do (sidenote: Eixo intestino-cérebro Rede de comunicação bidirecional entre o intestino e o cérebro que permite a comunicação entre o intestino e o cérebro através de três vias diferentes: 
1. a via neuronal (os neurónios), principalmente através do nervo vago e do sistema nervoso entérico;
2. a via endócrina, através da secreção de hormonas como o cortisol, a adrenalina e a serotonina;
3. a via do sistema imunitário, através da modulação das citocinas.
O eixo intestino-cérebro atua no nosso comportamento, nossa cognição (memória), nossas emoções, nosso humor, nossos desejos, nossa perceção... e nossa dor, entre outras coisas.
)
.

Para saber mais, investigadores irlandeses da Universidade de Cork 1 realizaram um estudo observacional prospetivo de pacientes adultos submetidos à uma cirurgia de cancro da mama (excluindo a desobstrução axilar ou a cirurgia de reconstrução, que são muito dolorosas). O seu objetivo era determinar se a composição da microbiota intestinal estava associada à incidência e extensão da PPSP nesta coorte de pacientes.

2,3 milhões Em 2022, 2,3 milhões de mulheres foram diagnosticadas com cancro da mama em todo o mundo e 670 000 morreram desta doença ²

Principal causa de cancro Em 157 dos 185 países, o cancro da mama foi a principal causa de cancro nas mulheres em 2022 ²

Cerca de 99% dos cancros da mama ocorrem nas mulheres, e de 0,5 a 1% nos homens ²

Menor diversidade alfa

12 semanas após a operação, 21 pacientes (51,2%) não reportaram dor e 20 outros (48,8%) reportaram dor persistente. Esta diferença parece estar relacionada com a diversidade da microbiota intestinal dos pacientes: observou-se uma menor (sidenote: Diversidade alfa Número de espécies coexistentes num determinado meio ) (3 medidas: riqueza, índice de Shannon e índice de Simpson) nos pacientes que reportaram dor intensa 1 hora após a operação e 12 semanas depois, em comparação com os que reportaram dor ligeira. No entanto, não se registou qualquer diferença na (sidenote: Diversidade beta Taxa de variação na composição em espécies, calculada comparando o número de táxons únicos em cada ecossistema ) .

Bactérias associadas à presença ou ausência de dor

Acima de tudo, a equipa encontrou diferenças marcantes na composição da microbiota intestinal em função da dor, com uma maior presença de:

  • Bifidobacterium longum e Faecalibacterium prausnitzii em mulheres que não reportaram dor 12 semanas após a operação,
  • Megamonas hypermegale, Bacteroides pectinophilus, Ruminococcus bromii e Roseburia hominis em mulheres com PSPP.

Estes resultados parecem apoiar os resultados de estudos anteriores: redução da abundância relativa de Faecalibacterium prausnitzii em pacientes que sofrem de fibromialgia; redução da dor pela administração de Bifidobacterium longum num modelo de rato que sofre de artrite. Há, no entanto, uma exceção : a Roseburia hominis reduzia a hipersensibilidade visceral em ratos, enquanto que neste estudo foi associada à presença de PPSP.

Embora estas relações entre a microbiota e a PSPP sejam inéditas, os autores lançam um aviso: trata-se apenas de correlações e não de relações de causalidade.

Summary
Off
Sidebar
On
Migrated content
Désactivé
Updated content
Désactivé
Hide image
Off
Noticias Ginecologia Gastroenterologia Medicina geral

Bactérias da microbiota intestinal capazes de reduzir o colesterol?

De acordo com um novo estudo, a microbiota influencia a saúde cardiovascular de várias formas. Certas bactérias capazes de metabolizar o colesterol poderiam ter um impacto benéfico significativo no risco cardíaco.

A microbiota intestinal poderia, um dia, tornar-se uma escolha como alvo terapêutico na luta contra as doenças cardiovasculares. É o que sugere um estudo realizado por investigadores americanos do Massachusetts General Hospital. 1

Acabaram de demonstrar que existem muitas associações entre as bactérias intestinais e os parâmetros metabólicos da saúde cardiovascular. As ligações mais fortes dizem respeito a certas bactérias capazes de metabolizar o colesterol. 

Fatores de risco cardiovascular: a idade microbiana poderia mudar as regras do jogo

A "idade microbiana" é um parâmetro calculado com base nas alterações relacionadas com a idade de certas espécies bacterianas da microbiota intestinal (cerca de cinquenta no total). De acordo com um estudo publicado na Nature Medicine 2, ter uma idade microbiana baixa, apesar da sua idade, poderia proteger contra as doenças cardiovasculares. Nas pessoas com mais de 60 anos que apresentem fatores de risco cardiovascular importantes (obesidade, hiperglicemia etc.), uma idade microbiana baixa reduz o risco de doença cardiovascular, ao passo que uma idade microbiana elevada o aumenta, independentemente do sexo, da idade, dos fatores alimentares ou do estilo de vida. Assim, parece que a idade microbiana compensa o risco cardiovascular associado à disfunção metabólica. Esta é mais uma prova da implicação da microbiota na saúde cardiovascular. 

Dados aprofundados sobre a relação entre a microbiota e o metabolismo do hospedeiro

Para chegar a esta conclusão, os investigadores traçaram um perfil completo do ambiente intestinal de mais de 1400 indivíduos do Framingham Health Study. Efetuaram a sequenciação metagenómica (análise dos genomas de todos os microrganismos intestinais) e a sequenciação metabolómica (análise de todos os metabolitos) das fezes de todos os voluntários.

Em seguida, procuraram saber se existiam correlações entre os dados das microbiotas e os parâmetros de saúde dos voluntários (triglicéridos, colesterol, proteína C-reactiva, glicemia, hemoglobina glicada, tensão arterial etc.). 

Resultados

Resultados: existem mais de 16 000 associações entre os microrganismos intestinais e os parâmetros metabólicos. Entre as mais fortes, os cientistas identificaram uma relação negativa entre as espécies bacterianas de Oscillibacter e o colesterol fecal e plasmático. Os voluntários que apresentaram abundância destas bactérias na sua microbiota tinham níveis de colesterol mais baixos.

Bactérias equipadas para decompor o colesterol

Ao cultivar três isolados in vitro, demonstraram que os Oscillibacter eram capazes de absorver o colesterol e transformá-lo em colestenona, glucósido de colesterol e hidroxicolesterol, metabolitos que podiam ser decompostos por outras bactérias e, por fim, excretados pelo organismo. 

Além disso, parecia que a presença concomitante na microbiota dos voluntários do Oscillibacter e do Eubacterium coprostanoligenes (bactérias portadoras de um gene chamado ismA envolvidas no metabolismo do colesterol), foi associada a uma redução mais acentuada dos níveis de colesterol no sangue. Segundo os investigadores, os dois tipos de bactérias poderiam ter um efeito sinérgico positivo nos níveis de colesterol.

Um amplo campo de investigações em perspetiva

A vantagem deste estudo em relação a trabalhos anteriores é o facto de proporcionar uma compreensão mais completa e mais detalhada das vias metabólicas através das quais as bactérias atuam no organismo. 

Estabelece também as bases para estudos futuros que visem a forma como as alterações na microbiota contribuem para as doenças cardiovasculares, em particular a forma como as diferentes comunidades bacterianas interagem entre si para afetar a saúde. 

Resultado

Como resultado: obtém-se uma melhor compreensão da ecologia intestinal que poderá, um dia, levar ao desenvolvimento de estratégias terapêuticas inovadoras que visem uma ou mais bactérias intestinais.

Summary
Off
Sidebar
On
Migrated content
Désactivé
Updated content
Désactivé
Hide image
Off
Noticias Gastroenterologia Medicina geral

Infeções do trato urinário: rumo a estratégias alternativas baseadas na dieta e nos probióticos?

No contexto do tratamento das infeções do trato urinário, estratégias preventivas baseadas numa dieta equilibrada ou mesmo na utilização de probióticos podem representar alternativas ao tratamento curativo através de antibióticos. É que estes medicamentos, embora eficazes a curto prazo, acabam por gerar disbiose, novas infeções e resistência.

A microbiota intestinal A microbiota urinária Cistite e microbiota

Mais de 80% das infeções do trato urinário são causadas por (sidenote: Escherichia coli uropatogénicas E. coli frequentemente dotadas de genes adicionais (em comparação com as E. coli comensais) que aumentam a sua virulência (flagelos, toxinas, polissacarídeos de superfície, etc.) ) . Esta bactéria intestinal pode migrar a partir do ânus, colonizar a uretra e depois subir até à bexiga. Por outro lado, ficou demonstrado em estudos anteriores que as mulheres que sofrem de infeções do trato urinário apresentam uma maior abundância de E. coli no seu sistema digestivo e que existem semelhanças entre as espécies encontradas nos intestinos e as que colonizam o trato urinário. 

entre 50% e 60% das mulheres adultas terão pelo menos uma infeção do trato urinário durante a sua vida²

quase 10% das mulheres pós-menopáusicas referem ter tido uma infeção do trato urinário no ano anterior ²

Com o objetivo de avaliar a disbiose e outros potenciais fatores de risco nas mulheres com antecedentes de cistite, uma equipa de investigadores recrutou 753 mulheres voluntárias, com idades entre os 18 e os 45 anos, a quem tinha sido diagnosticada uma infeção do trato urinário nos últimos cinco anos e que, no restante, gozavam de boa saúde.

Prevalência

  • As infeções do trato urinário encontram-se entre as doenças bacterianas mais correntes, afetando anualmente 150 milhões de pessoas em todo o mundo. 1 
     
  • Com exceção de um pico entre as mulheres jovens com idades compreendidas entre os 14 e os 24 anos, a prevalência das infeções do trato urinário aumenta com a idade. A prevalência entre as mulheres com mais de 65 anos é de cerca de 20%, em comparação com cerca de 11% na população em geral. 2

Optar por uma dieta mais saudável

Quase ¾ das mulheres estudadas (71%) apresentavam disbiose intestinal, que não só estava associada à (sidenote: Infeção recorrente do trato urinário Uma infeção recorrente do trato urinário é definida como à ocorrência de ⩾2 episódios sintomáticos em 6 meses ou ⩾3 episódios sintomáticos em 12 meses. ) das suas infeções do trato urinário, como também à presença de bactérias multiresistentes aos antibióticos na sua flora.

Uma outra particularidade da população estudada prendeu-se com a sua alimentação, quer se tratasse de bebidas (menos de 1 litro de água por dia, consumo de sumos açucarados, etc.), de alimentos sólidos (produtos salgados sobrerrepresentados, dietas hipercalóricas ricas em açúcares adicionados e gorduras saturadas, etc.) ou de suplementos alimentares destinados a prevenir as infeções urinárias.

Para os investigadores, estas observações confirmam a relação entre a alimentação e a composição da microbiota intestinal. A este respeito, referem-se a estudos anteriores que demonstraram que apenas 12% da variação estrutural da microbiota intestinal pode ser atribuída a alterações genéticas, enquanto 57% pode ser explicada por mudanças na alimentação.

A microbiota como nova estratégia terapêutica

Embora o tratamento clássico das infeções do trato urinário se baseie na utilização de antibióticos, a longo prazo estes desregulam a microbiota intestinal (disbiose) e estimulam os microrganismos multirresistentes. Daí a importância, segundo os autores, de escolhas terapêuticas alternativas e complementares.

Conclusão

E os investigadores recordam os efeitos benéficos dos probióticos, em particular de Lactobacillus spp. que reduz a capacidade de aderência, crescimento e colonização de bactérias uropatogénicas como a E. coli. O L. salivarius de libertação entérica consegue alcançar e proteger as microbiotas urináriavaginal; um probiótico composto por duas estirpes de Lactobacilos e extrato de arando reduz significativamente o número de infeções recorrentes do trato urinário em mulheres jovens na pré-menopausa em comparação com um produto placebo. E com uma grande vantagem em relação aos antibióticos: a administração de lactobacilos não propicia o desenvolvimento de resistência.

O que exatamente são os probióticos?

Saiba mais
Summary
Off
Sidebar
On
Migrated content
Désactivé
Updated content
Désactivé
Hide image
Off
Noticias

Observatório Internacional de Microbiotas: foco na saúde das mulheres 2024

Apenas uma em cada cinco mulheres afirma saber exatamente o que é a "microbiota vaginal"
A microbiota vaginal é essencial para a saúde da mulher. Mas qual é o grau de conhecimento que as mulheres têm sobre a microbiota vaginal? Que comportamentos adotam para a preservar? Que informações lhes são transmitidas pelos seus profissionais de saúde? Como é que o conhecimento e as atitudes em relação à microbiota vaginal evoluíram em relação ao ano passado?

Vaginal microbiota

Pelo segundo ano consecutivo, o Biocodex Microbiota Institute confiou à Ipsos a realização de um grande inquérito internacional acerca da microbiota:

O Observatório Internacional de Microbiotas. O inquérito foi realizado pela Ipsos junto de 7500 pessoas, em 11 países (França, Espanha, Portugal, Polónia, Finlândia, Marrocos, Estados Unidos, Brasil, México, China e Vietname). Em cada país, a amostra interrogada é representativa da população do país com idade superior a 18 anos em termos de sexo, idade, profissão e região. O inquérito foi realizado através da Internet, de 26 de janeiro a 26 de fevereiro de 2024.

A segunda vaga deste estudo realça mais uma vez a falta de conhecimento das mulheres sobre a microbiota vaginal, que continua a ser largamente desconhecida. No entanto, sublinha também que os conhecimentos e os comportamentos melhoraram este ano, graças a uma maior sensibilização por parte dos profissionais de saúde. Esta campanha de sensibilização deverá agora ser reforçada e alargada a todas as mulheres, em particular às mais velhas.

A microbiota vaginal ainda é pouco conhecida, apesar de o seu conhecimento ter progredido timidamente este ano

  • Este ano, mais uma vez, apenas uma mulher em cada cinco afirma saber exatamente o que é a "microbiota vaginal" (22%, +2 pontos em relação a 2023, em comparação com 20% de homens e mulheres combinados). A notoriedade do termo aumentou em relação ao ano passado, mas continua a ser baixa: quase metade das mulheres continua a nunca ter ouvido falar do termo (48%, -5 pontos em relação a 2023, em comparação com 51% de homens e mulheres combinados).
     
  • As mulheres estão mais familiarizadas com o termo "flora vaginal", mesmo que o conhecimento do termo seja superficial: apenas uma em cada duas mulheres sabe exatamente o que é (53%, em comparação com 42% de homens e mulheres combinados).
     
  • Algum bom conhecimento de certas caraterísticas da microbiota vaginal: perto de 7 em cada 10 mulheres sabem que os antibióticos podem alterar a microbiota vaginal (69%) e que a secura/desidratação vaginal tem consequências para a microbiota vaginal (69%).
     
  • É um conhecimento ainda demasiado baixo, mas que melhorou em relação ao ano passado: 55% das mulheres sabem que, desde a infância até à menopausa, a microbiota vaginal da mulher não fica igual (+6 pontos em relação a 2023) e 44% sabem que a vaginose bacteriana está associada a um desequilíbrio da microbiota vaginal (+8 pontos em relação a 2023).
     
  • No entanto, o conhecimento sobre muitos aspetos da microbiota vaginal permanece muito limitado: apenas 1 em cada 2 mulheres sabe que o tabagismo tem impacto na microbiota vaginal (55%) e 3 em cada 10 mulheres sabem que a microbiota vaginal está equilibrada quando a sua diversidade bacteriana é baixa (30%; +2 pontos em relação a 2023)

Este ano, cada vez mais mulheres adotam comportamentos destinados a preservar a microbiota vaginal, ainda que persistam algumas más práticas

  • A adoção de comportamentos para proteger a microbiota vaginal varia: embora uma elevada proporção de mulheres use roupa interior de algodão (86%, +2 pontos em relação a 2023), outros comportamentos benéficos são adotados em menor escala. Quase 2 em cada 3 mulheres evitam a automedicação (63%) e 3 em cada 5 utilizam uma solução de limpeza sem sabão (61%, +3 pontos em relação a 2023).
     
  • Alguns comportamentos prejudiciais à microbiota vaginal continuam enraizados nos comportamentos: apesar de uma redução em relação ao ano passado, ainda são mais de 2 em cada 5 as mulheres que fazem duches vaginais (42%, -3 pontos em relação a 2023), e 53% as que dormem com a roupa interior vestida (+1 ponto em relação a 2023).

Maior sensibilização dos profissionais de saúde, que deve ser reforçada para responder às necessidades das mulheres

  • A sensibilização feita pelos profissionais de saúde sobre a microbiota vaginal progrediu este ano: foi explicado a 43% das mulheres o que é a microbiota vaginal (+7 pontos em relação a 2023). Quase metade das mulheres foi sensibilizada para a importância de preservar o máximo possível a sua microbiota vaginal (+8 pontos em relação a 2023). Uma percentagem semelhante de mulheres afirma que um profissional de saúde já lhes explicou os comportamentos corretos que devem adotar para preservar o mais possível a microbiota vaginal (48%, +7 pontos em relação a 2023). Embora este progresso seja significativo, diz apenas respeito a uma minoria de mulheres, o que revela que existe espaço para melhorias na informação fornecida pelos profissionais de saúde sobre a microbiota vaginal.
     
  • Tanto mais que há uma procura generalizada deste tipo de sensibilização por parte das mulheres. Das mulheres inquiridas, 88% gostariam de estar mais informadas sobre a importância da microbiota vaginal e o seu impacto na saúde (+2 pontos em relação a 2023).

2024: O que as mulheres sabem (e não sabem) sobre a sua microbiota vaginal

Descubra os resultados 2024 sobre a Saúde da Mulher

A idade é um fator determinante da microbiota vaginal: as pessoas com idade igual ou superior a 60 anos estão menos sensibilizadas, ao contrário das pessoas com 25-34 anos e das mães jovens

Este ano, mais uma vez, as mulheres com idade igual ou superior a 60 anos são as menos informadas e as menos sensibilizadas em relação à microbiota vaginal, apesar de estarem mais expostas a problemas de saúde.

  • Apenas 41% das mulheres com idade igual ou superior a 60 anos sabem o que é a microbiota vaginal, em comparação com 52% do conjunto das mulheres.
     
  • Também não conhecem o papel e as funções da microbiota vaginal: menos de metade das mulheres com idade igual ou superior a 60 anos (49%) sabe que a vagina faz a sua autolimpeza (em comparação com 56% do conjunto das mulheres) e apenas 39% sabem que a vaginose bacteriana está associada a um desequilíbrio da microbiota vaginal (em comparação com 44% do conjunto das mulheres).
     
  • Apesar destas lacunas, as mulheres com idade igual ou superior a 60 anos destacam-se pela adoção de alguns comportamentos destinados a manter o equilíbrio da microbiota vaginal. 3 em cada 4 mulheres evitam a automedicação (76%, em comparação com 63% do conjunto das mulheres) e 67% evitam os duches vaginais (em comparação com 58% do conjunto das mulheres). No entanto, é menor o número de mulheres que utilizam uma solução de limpeza sem sabão (56%, em comparação com 61% do conjunto das mulheres) e que dormem sem roupa interior (43%, em comparação com 47% do conjunto das mulheres).
     
  • População com um nível de sensibilização mais baixo por parte dos profissionais de saúde: apenas um terço das mulheres com idade igual ou superior a 60 anos recebeu informações de um profissional de saúde sobre a microbiota vaginal (32%, em comparação com 43% do conjunto das mulheres).

As mulheres com idades compreendidas entre os 25 e os 34 anos e as mães de crianças com menos de 3 anos parecem estar mais informadas e sensibilizadas para a microbiota vaginal.

  • 62% das mulheres entre os 25 e os 34 anos e 60% das mães de crianças com menos de 3 anos sabem o que é a microbiota vaginal (em comparação com 52% do conjunto das mulheres).
     
  • Melhor compreensão da microbiota vaginal: 69% das mulheres entre os 25 e os 34 anos e 67% das mães sabem que cada mulher tem a sua própria microbiota vaginal (em comparação com 64% do conjunto das mulheres). São também mais aquelas que sabem que a vagina faz a sua autolimpeza: 61% das mulheres entre os 25 e os 34 anos e 60% das mães estão cientes desse facto (em comparação com 56% do conjunto das mulheres).
     
  • São também mais aquelas que adotaram comportamentos que são benéficos para a microbiota vaginal: 2 em cada 3 usam uma solução de limpeza sem sabão (67% das mulheres entre os 25 e os 34 anos e 71% das mães de crianças com menos de 3 anos, em comparação com 61% do conjunto das mulheres), e 54% dormem sem roupa interior (em comparação com 47% do conjunto das mulheres).
     
  • 54% das mulheres entre os 25 e os 34 anos e 55% das mães de crianças com menos de 3 anos receberam informações de um profissional de saúde sobre o que é a microbiota vaginal (em comparação com 43% do conjunto das mulheres).

O Observatório Internacional de Microbiotas revelou também contrastes notáveis entre países em termos de conhecimentos, comportamentos e informações fornecidas pelos profissionais de saúde. Todos os resultados estão disponíveis no site do Biocodex Microbiota Institute.

O Observatório Internacional da Microbiota: o que é?

Saiba mais

Sobre o Biocodex Microbiota Institute

O Biocodex Microbiota Institute é um cruzamento internacional de conhecimento dedicado às microbiotas humanas. Disponível em 7 idiomas, o Instituto dirige-se aos profissionais de saúde e ao grande público para os sensibilizar sobre o papel crucial desempenhado por este órgão na nossa saúde. A missão principal do Biocodex Microbiota Institute é de natureza educativa: promover a importância da microbiota para todos.

Contact us

Contacto de imprensa do Biocodex Microbiota Institute:

Olivier VALCKE
Relações públicas e responsável pelo editorial
+33 6 43 61 32 58
o.valcke@biocodex.com


Contacto de imprensa da Ipsos:
Etienne MERCIER
Diretor do polo de opinião e saúde – Ipsos
+33 6 23 05 05 17
etienne.mercier@ipsos.com

BMI-24.21

Summary
Off
Sidebar
Off
Migrated content
Désactivé
Updated content
Désactivé
Hide image
Off
Sala de imprensa

Cancro da mama: uma bactéria da microbiota intratumoral envolvida na quimiorresistência

Pensa-se que uma bactéria presente na microbiota tumoral do cancro da mama promove a proliferação celular e a quimiorresistência das células do cancro da mama. Como? Através da ligação de uma toxina bacteriana ao recetor tumoral NOD1.

Modelos de ratinhos demonstraram que a mama alberga uma microbiota capaz de modular a carcinogénese e a eficácia da quimioterapia. Foi assim que surgiu o trabalho publicado em 2024 por uma equipa chinesa que estudou a implicação no cancro da mama da bactéria Bacteroides fragilis e, mais especificamente, da sua estirpe enterotóxica (ETBF), que produz a toxina proteolítica BFT-1, conhecida por induzir diarreias e lesões do cólon quando presente no sistema digestivo.

Uma microbiota tumoral que prevê a resistência ao tratamento

Primeira descoberta: no cancro da mama, a presença de bactérias ETBF nos tumores está associada a uma resposta fraca à quimioterapia (sidenote: Terapia neoadjuvante Tratamento administrado antes da cirurgia ou da radioterapia. Geralmente, tem como objetivo reduzir o tamanho do cancro, permitindo uma cirurgia menos extensa e/ou um campo de radioterapia mais pequeno.   Aprofundar: MSD Manual ) à base de taxanos, uma das principais estratégias terapêuticas no cancro da mama, nomeadamente no cancro da mama triplo negativo. Experiências complementares, desta vez em ratos, indicam que a presença, nos tumores mamários, da toxina BFT-1 e a ativação do recetor NOD1 são prenúncio de má resposta à quimioterapia. A toxina BTF-1 e o recetor NOD1 estariam assim implicados na quimiorresistência do cancro da mama e poderiam justificar a caraterização da microbiota tumoral do cancro da mama. Estes biomarcadores poderiam, de facto, prever um eventual insucesso e permitir afinar antecipadamente o tratamento, melhorando assim a resposta à quimioterapia.

670.000 Em 2022, o cancro da mama causou 670.000 mortes em todo o mundo. ²

½ Cerca de metade de todos os cancros da mama ocorrem em mulheres sem fatores de risco específicos para além do sexo e da idade. ²

Uma nova cadeia de mecanismos decifrada

Trabalhos complementares in vitro e em modelos de ratinhos permitiram igualmente à equipa compreender os mecanismos subjacentes. E também mostrar como a bactéria tumoral ETBF é capaz de mediar a quimiorresistência no cancro da mama: a toxina BFT-1 segregada pela ETBF liga-se ao recetor NOD1; o NOD1 interage com a proteína fosfoquinase GAK, que fosforila o supressor tumoral NUMB para melhorar a sua degradação lisossomal; a via de sinalização NOTCH1-HEY1 é desativada, induzindo a multiplicação das células estaminais do cancro da mama.

Em contrapartida, a inibição de NOD1 e a supressão de ETBF aumentam significativamente a eficácia da quimioterapia, suprimindo as células estaminais do cancro da mama.

N°1 Em 157 de 185 países, o cancro da mama foi a principal causa de cancro nas mulheres em 2022. ²

0,5 - 1 % Os homens representam entre 0,5% e 1% das pessoas afetadas pelo cancro da mama. ²

Muitas questões permanecem

Foram relatados papéis contraditórios de NOD1 na evolução dos tumores: NOD1 pode, como neste estudo, promover a evolução do tumor (cancros do ovário, do esófago e do cólon) ou, pelo contrário, induzir a apoptose celular e inibir a proliferação celular (carcinoma papilar da tiroide, carcinoma hepatocelular).

Outro ponto a esclarecer é se a microbiota das glândulas mamárias e dos seus tumores é complexa, de tal forma que é improvável que a disbiose associada ao cancro se limite a uma única espécie. Por isso, outros táxons tumorais, como Clostridia, Alfaproteobacteria e Actinobacteria também são enriquecidos em pacientes que não respondem ao tratamento. São então necessários mais estudos para identificar todas as bactérias envolvidas.

Summary
Off
Sidebar
On
Migrated content
Désactivé
Updated content
Désactivé
Hide image
Off
Noticias Gastroenterologia Oncologia Ginecologia

Uma bactéria pró-cancerígena no seu seio

E se a eficácia de determinadas quimioterapias contra o cancro da mama se devesse a uma pequena bactéria que vive no tumor? É este o resultado sugerido pelo trabalho de uma equipa chinesa 1, que poderá mudar a forma como os doentes são tratados no futuro.

A microbiota intestinal
Photo: A pro-cancer bacterium in the breast

Ter microbiota está longe de ser um apanágio do tubo digestivo ou da pele. Os nossos pulmões, os nossos ossos e até as nossas mamas têm também a sua própria microbiota, embora muito mais pequena do que a do tubo digestivo, mas presente. E isto tem implicações graves: estas microbiotas dos órgãos são capazes de influenciar o desenvolvimento dos cancros, mas também a eficácia dos tratamentos de quimioterapia.

Foi por esta razão que uma equipa estudou o envolvimento, no cancro da mama, da bactéria Bacteroides fragilis. Mais concretamente, analisaram uma estirpe específica de B. fragilis, capaz de produzir uma toxina que induz diarreia e lesões no cólon quando a bactéria se instala no tubo digestivo.

N°1 Em 157 de 185 países, o cancro da mama foi a principal causa de cancro nas mulheres em 2022. ²

670.000 Em 2022, o cancro da mama causou 670.000 mortes em todo o mundo. ²

Uma bactéria intestinal que reduz as hipóteses da quimioterapia

Porquê esta bactéria? Porque, no caso do cancro da mama, quanto mais a bactéria está presente no tumor, pior é a resposta das mulheres a certas quimioterapias (à base de taxanos, utilizados nomeadamente no (sidenote: Triple-negative breast cancer Cancro caracterizado pela ausência de expressão dos recetores hormonais de estrogénio e progesterona, bem como do recetor HER2 (daí o seu nome). Este tipo de cancro é muito agressivo porque se espalha rapidamente para outros órgãos.. Afeta particularmente as mulheres com menos de 40 anos e as mulheres de origem africana ou asiática.

Fontes:
(1) https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/breast-cancer 
(2) https://cancer.ca/en/cancer-information/cancer-types/breast/what-is-breast-cancer/cancerous-tumours/triple-negative-breast-cancer
)
).

Para compreender melhor os mecanismos envolvidos, os investigadores realizaram experiências com ratinhos e puseram em evidência a cascata de reações desencadeada pela toxina bacteriana, que favorece a multiplicação das células cancerosas. Um dos intervenientes nesta cascata é um recetor chamado NOD1, que está muito mais presente no tumor das mulheres cujos tumores não respondem à quimioterapia.

1/2 Cerca de metade de todos os cancros da mama ocorrem em mulheres sem fatores de risco específicos para além do sexo e da idade. ²

0,5 - 1% Os homens representam entre 0,5% e 1% das pessoas afetadas pelo cancro da mama. ²

Traçar o perfil da microbiota mamária para aperfeiçoar o tratamento?

É evidente que ainda restam muitas questões. Por exemplo, será esta bactéria do ambiente tumoral a única a interagir com as células cancerígenas e a quimioterapia, uma vez que várias outras bactérias (Clostridia, Alfaproteobacteria e Actinobacteria) estão mais presentes nos tumores? Porque é que o recetor NOD1 favorece certos cancros (cancro do ovário, do esófago e do cólon) e parece abrandar outros (carcinoma papilar da tiroide, carcinoma hepatocelular)?

Estes primeiros resultados apontam, no entanto, para algumas pistas encorajadoras. A investigação da presença desta bactéria, da sua toxina ou do famoso recetor NOD1, poderia permitir prever a quimiorresistência. No futuro, isso poderia permitir aperfeiçoar o tratamento e melhorar a resposta à quimioterapia no cancro da mama.

Summary
Off
Sidebar
On
Migrated content
Désactivé
Updated content
Désactivé
Hide image
Off
Noticias

Do intestino para o cérebro: o transplante de microbiota fecal revela-se promissor no tratamento da doença de Parkinson

Um estudo inovador revela que o transplante de microbiota fecal (TMF) pode melhorar significativamente os sintomas motores na doença de Parkinson. Descubra como a modulação da microbiota intestinal pode constituir uma nova e promissora via de tratamento para esta doença debilitante.

Um estudo recente conduzido pelo Dr. Arnout Bruggeman e pela sua equipa do Hospital Universitário de Ghent revela resultados promissores na utilização do transplante de microbiota fecal (TMF) para tratar os sintomas motores da doença de Parkinson (DP). Esta abordagem inovadora realça o potencial da modulação da microbiota intestinal como estratégia terapêutica para esta doença neurológica debilitante.

Uma nova abordagem para o Parkinson

O ensaio GUT-PARFECT, um estudo de fase 2, duplo-cego e controlado por placebo, avaliou a segurança e a eficácia de uma única TMF em doentes com doença de Parkinson ligeira a moderada. Os participantes, com idades compreendidas entre os 50 e os 65 anos, foram aleatoriamente designados para receber TMF com fezes de um dador saudável ou com as suas próprias fezes (grupo placebo). O objetivo principal foi avaliar as alterações na pontuação motora da escala MDS-UPDRS (Movement Disorders Society-Unified Parkinson's Disease Rating Scale) ao longo de 12 meses.

O estudo incluiu 46 pacientes que foram submetidos a avaliações clínicas no início do estudo, aos 3, aos 6 e aos 12 meses após a TMF. Os resultados mostraram uma melhoria significativa dos sintomas motores nos doentes que receberam as fezes de um dador saudável. Aos 12 meses, a pontuação motora da escala MDS-UPDRS melhorou em média 5,8 pontos no grupo “dador”, em comparação com uma melhoria de 2,7 pontos no grupo placebo.

Descobertas surpreendentes

Um dos resultados mais surpreendentes foi a resposta duradoura no grupo placebo. Até seis meses após o TMF, os doentes que receberam as suas próprias fezes também apresentaram melhorias notáveis, embora menos pronunciadas do que as do grupo do TMF de dadores saudáveis. Isto sugere que mesmo o TMF autólogo pode influenciar a microbiota intestinal de formas que podem ter impacto nos sintomas motores, enfatizando o papel complexo do eixo intestino-cérebro na doença de Parkinson.

O estudo detetou também melhorias significativas no tempo de trânsito do cólon no grupo do TMF de dadores saudáveis, em comparação com o grupo placebo. Uma melhor função gastrointestinal é particularmente importante para os doentes com DP, que sofrem frequentemente de obstipação grave. No entanto, do ponto de vista dos doentes, tal diferença foi demasiado insignificante para resultar numa melhoria clínica percetível, e as diferenças de pontuação reportadas pelos doentes na Escala de Obstipação de Wexner não foram significativas entre os grupos.

Segurança antes e tratamento depois

A segurança foi um aspeto crucial deste estudo. O procedimento do TMF foi bem tolerado, tendo sido relatados apenas sintomas gastrointestinais ligeiros e transitórios, como desconforto abdominal, que se resolveram no espaço de uma semana. Não foram observados eventos adversos graves, o que confirma o perfil de segurança do TMF.

Os resultados do ensaio GUT-PARFECT revelam possibilidades interessantes para o tratamento da doença de Parkinson. Se estudos mais alargados corroborarem estes resultados, o TMF poderá tornar-se numa ferramenta valiosa no arsenal terapêutico contra a DP. O futuro do tratamento da doença de Parkinson pode muito bem passar pelo nosso intestino. Ao tirarem partido do poder da microbiota, os doentes poderão abrir caminho a estratégias de tratamento mais eficazes e abrangentes para esta patologia complicada.

Mantendo-se informados, instruindo os pacientes, assegurando protocolos de segurança rigorosos e contribuindo para a investigação em curso, os profissionais de saúde podem desempenhar um papel crucial no desenvolvimento do potencial do transplante de microbiota fecal como uma opção de tratamento viável para a doença de Parkinson. Esta investigação inovadora foi galardoada com uma bolsa nacional da Biocodex Microbiota Foundation em 2019.

Summary
Off
Sidebar
On
Migrated content
Désactivé
Updated content
Désactivé
Hide image
Off
Noticias Neurologia