Fagoterapia: um novo método para restaurar a eficácia da quimioterapia

Uma equipa de investigação chinesa identificou recentemente uma bactéria da microbiota intestinal que estará ligada à resistência à quimioterapia em doentes com cancro colorretal. Descobriram igualmente um fago capaz de atacar especificamente essa bactéria e de restabelecer a sensibilidade tumoral aos tratamentos.

Será que os fagos (vírus que atacam as bactérias) irão em breve fazer parte do arsenal terapêutico para o combate ao cancro colorretal (CCR)? É isso o que é sugerido por um estudo de destaque publicado na revista Cell Host & Microbes. 1

Segundo os autores, uma bactéria intestinal muito abundante em pessoas em falha terapêutica estará na origem da resistência à quimioterapia. Ao erradicá-la com recurso a fagos será eventualmente possível restabelecer a sensibilidade das células cancerígenas aos tratamentos e, assim, melhorar a sobrevivência dos doentes.

Para o comprovar, os investigadores procederam por várias etapas. Primeiro, a partir da análise da microbiota de duas coortes independentes de doentes (um total de 106 pacientes, dos quais 34 não respondiam ao tratamento), constataram que a abundância da bactéria Bacteroides fragilis era significativamente maior nos casos de não resposta, e que essa abundância estava associada a um pior prognóstico.

1,9 milhões Este é o número de novos casos de cancro colorretal em 2020 em todo o mundo. ²

930.000 Este é o número de mortes relacionadas ao cancro colorretal em 2020. ²

Uma bactéria intestinal que agrava o prognóstico

Os cientistas interrogavam-se se a B. fragilis estaria envolvida na quimiorresistência. Para testarem a sua hipótese, cultivaram células cancerosas humanas em presença de B. fragilis e, em seguida, de dois medicamentos de quimioterapia, o 5-fluorouracilo (5-FU) e a oxaliplatina (OXA).

Os resultados revelaram que a B. fragilis reduz efetivamente a sensibilidade das células cancerosas à quimioterapia, nomeadamente pela supressão da apoptose induzida por este tratamento. A mesma experiência in vivo realizada em modelos murinos de CCR confirmou estes resultados, com a presença, após tratamento com 5-FU e OXA, de um maior número de tumores nos ratos expostos a B. fragilis do que nos que não estiveram expostos.

A análise do ARN das células cocultivadas (ou não) com B. fragilis e depois tratadas com 5-FU e OXA evidenciou que B. fragilis aumenta a atividade da via metabólica Notch1, que parece estar na base da quimiorresistência das células do CCR.

Fragilis, mas temível!

Os investigadores debruçaram-se então sobre as interações entre as bactérias e as células cancerosas que ativavam a via Notch1. Imagens obtidas por microscopia eletrónica de varrimento de células in vitro e in vivo permitiram-lhes constatar que a B. fragilis adere bem às células cancerosas.

De acordo com os autores, existe na superfície das bactérias uma lipoproteína da membrana da família SusD/RagB capaz de se ligar especificamente aos recetores Notch1 das células cancerosas. Essa fixação ativará a via de sinalização Notch1 e induzirá a “transição epitelial-mesenquimal”, que constitui a primeira etapa da disseminação das células cancerosas (metástases).

3.º tipo de cancro mais frequente. ²

2.ª causa de morte devido a cancro. ²

As pessoas com mais de 50 anos são as mais afetadas. ²

Os fagos em socorro

No culminar do estudo, os investigadores identificaram um fago designado VA7 suscetível de eliminar especificamente a B. fragilis de forma segura e eficaz. Administraram o fago a ratos CCR que se tornaram resistentes à quimioterapia após exposição a B. fragilis e comprovaram que esta invertia completamente a quimiorresistência induzida.

Este estudo é particularmente interessante porque demonstra que

  • A abundância de B. fragilis na microbiota de pacientes com cancro colorretal pode servir como um biomarcador não invasivo para a previsão da eficácia da quimioterapia; 
  • Nos doentes com abundância de B. fragilis, a combinação da quimioterapia com os fagos VA7 poderá melhorar a resposta clínica sem causar efeitos secundários. 

A acompanhar!

A B. fragilis não é a única bactéria que pode influenciar o prognóstico do cancro do cólon

Na opinião de investigadores franceses, Escherichia coli produtora de colibactina (uma substância genotóxica e protumoral) também se encontrou presente em abundância em determinados tipos de cancro colorretal, nomeadamente nos que afetam o segmento direito do cólon. 3 Esta bactéria tornará as células cancerosas menos visíveis pela imunidade antitumoral e menos sensíveis à ação da quimioterapia. Em 2019, um estudo chinês 4 colocou em destaque que a presença de Fusobacterium nucleatum também diminuiu a eficácia do 5-fluorouracilo.

A ligação entre a microbiota e o metabolismo no cancro do cólon

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As amêndoas, um verdadeiro estímulo para a microbiota quando se tem uma alimentação inadequada

Uma maneira extremamente fácil de melhorar o seu estilo de vida: coma amêndoas diariamente. De acordo com um novo estudo, quando consumidas como lanche, estas oleaginosas poderão ter uma influência muito positiva na flora intestinal e na saúde em geral, especialmente quando se tem uma alimentação desequilibrada.

A microbiota intestinal Dieta: Impacto na Microbiota Intestinal

Preocupado(a) com a sua saúde, mas com dificuldades em adotar uma dieta saudável? Tem alguns quilos para perder, mas tem tendência a ter desejos compulsivos por comida? Experimente substituir as suas barras de cereais, bolachas e outros snacks gordurosos, doces e salgados por amêndoas. Um estudo realizado por investigadores americanos da Florida State University 1 sugere que a sua microbiota intestinal terá muito a ganhar, e a sua saúde também!

Compensar os efeitos da má alimentação

As pessoas que consomem uma dieta ocidental padecem frequentemente de disbiose, e o excesso de peso provoca geralmente desequilíbrios intestinais. Para averiguarem se as amêndoas poderão ajudar a reverter essa situação, os cientistas recrutaram 15 adultos com excesso de peso ou obesos, que foram divididos em dois grupos:

  • O primeiro seguiu uma dieta americana “típica” (rica em lípidos, hidratos de carbono, carne, produtos processados, etc.); 
  • O segundo manteve a fórmula, mas complementada com 42,5 g de amêndoas por dia (duas mãos cheias, ou seja, cerca de trinta amêndoas).

Passadas as 4 semanas, todos os participantes retomaram uma alimentação normal durante 15 dias, e depois trocaram as dietas por outras 4 semanas.
Os investigadores recolheram amostras de fezes e de sangue para analisarem a evolução da composição da microbiota intestinal e dos metabolitos bacterianos, bem como vários marcadores de saúde.

Uma microbiota mais favorável à saúde

Os resultados demonstram que petiscar amêndoas enriquece a microbiota intestinal com bactérias benéficas e elimina os microrganismos patogénicos. E essas alterações estão associadas a melhorias significativas em diversos indicadores de saúde.

Assim, ao contribuírem para a proliferação de Faecalibacterium prausnitzii, uma bactéria reconhecidamente benéfica que produz butirato (um ácido gordo de cadeia curta, (sidenote: Ácidos Gordos de Cadeia Curta (AGCC) Os Ácidos Gordos de Cadeia Curta são uma fonte de energia (carburante) das células do indivíduo, interagem com o sistema imunitário e estão envolvidos na comunicação entre o intestino e o cérebro. Silva YP, Bernardi A, Frozza RL. The Role of Short-Chain Fatty Acids From Gut Microbiota in Gut-Brain Communication. Front Endocrinol (Lausanne). 2020;11:25. ) ), as amêndoas poderão reforçar a barreira intestinal, diminuir a inflamação e estimular a saúde cardiovascular. 

Ao induzirem uma diminuição na abundância de bactérias patogénicas, como a Ruminococcus torques, estes frutos secos podem provocar uma reorganização do nicho ecológico da microbiota favorável à saúde.

As amêndoas retardarão o envelhecimento celular.

Duas mãos bem cheias de amêndoas (60 g por dia) protegem as células contra os danos oxidativos, ao mesmo tempo que reforçam as defesas antioxidantes do organismo. É a opinião de cientistas que compilaram os resultados de oito ensaios clínicos realizados sobre os efeitos antioxidantes das amêndoas. 2 Mas há uma condição para se beneficiar plenamente destes efeitos: comê-las “ao natural”, ou seja, com a casca, sem serem torradas e sem sal.

Um efeito provável ao nível do peso e da saciedade

O consumo de amêndoas também pode provocar uma diminuição de certos compostos biliares tóxicos associados a doenças intestinais, nomeadamente ao cancro do cólon, e um aumento dos níveis de “corpos cetónicos”.

Os corpos cetónicos são moléculas derivadas da digestão da gordura corporal. O seu aumento durante a experiência estará relacionado com o efeito indutor da saciedade das amêndoas, que promoverá o aumento do recurso às reservas de gordura do organismo como fonte de energia.

Por último, o consumo de amêndoas estará associado a um aumento nos níveis de duas hormonas, GLP-1 e YY, que estão relacionadas com o controlo da fome, com a sensibilidade à insulina e com o controlo da glicemia após as refeições.

Para os investigadores “o consumo diário de amêndoas como snacks não só contribui para manter a homeostase intestinal, mas também pode alterar o estado metabólico e melhorar a saúde metabólica”.

Lembre-se disto na próxima vez que fizer compras!

A microbiota intestinal

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Glicanos e microbiota vaginal: uma arma contra os nascimentos prematuros?

Um estudo1 que explora as interações entre a microbiota vaginal e os glicanos da hospedeira revela como essas ligações influenciam a colonização bacteriana e a concorrência entre espécies e, com elas, a saúde reprodutiva das mulheres.

Os glicanos, moléculas de açúcares localizadas na superfície das células e nas secreções humanas (inclusive no líquido cérvicovaginal), são especificamente reconhecidos pelos anticorpos, pelas (sidenote: Lectinas O termo lectina (do latim escolher) foi inventado por Boyd e Shapeleigh (1954) para designar uma classe heterogénea de (glico)proteínas, principalmente de origem vegetal. Apesar da sua vasta gama de propriedades físico-químicas e de atividades biológicas, as lectinas partilham uma característica comum que é responsável pelas suas diferentes atividades biológicas, bioquímicas e imunoquímicas: ligam-se com elevada afinidade e especificidade aos monosacáridos e oligosacáridos dos hidratos de carbono complexos (e, portanto, aos glicanos) em soluções, nas superfícies celulares, nos organelos subcelulares e nos cortes histológicos. Fonte : Vierbuchen, M. (1991). Lectin Receptors. In: Seifert, G. (eds) Cell Receptors. Current Topics in Pathology, vol 83. Springer, Berlin, Heidelberg. https://doi.org/10.1007/978-3-642-75515-6_10 )  e pelas proteínas de ligação dos hidratos de carbono. Ao nível da vagina, por exemplo, os glicanos da hospedeira determinam a colonização microbiana, servindo tanto como locais de fixação e adesão como de fontes de nutrientes.

13,4 13,4 milhões de bebés nasceram prematuramente (antes de atingirem as 37 semanas completas de gestação) em 2020.²

900,000 Responsáveis por cerca de 900.000 óbitos em 2019, as complicações da prematuridade são a principal causa de mortalidade nas crianças com menos de 5 anos.²

Para uma melhor compreensão das interações entre os referidos glicanos humanos e as principais bactérias vaginais patogénicas envolvidas na saúde reprodutiva, os investigadores construíram ”chips” de glicanos e testaram a adesão de bactérias in vitro, em condições ácidas (pH = 4) a neutras (pH = 7), no sentido de reproduzirem os gradientes de pH vaginal observados nas mulheres.

Um leque de proteínas de ligação a glicanos

Os resultados evidenciam que as diferentes bactérias testadas são capazes de se ligar, com maior ou menor intensidade, a vários tipos de glicanos. Por outro lado, segundo um trabalho anterior da equipa de investigadores, os agentes patogénicos parecem possuir um repertório mais vasto de proteínas de fixação a esses glicanos, em comparação com as espécies comensais.

Algumas dessas ligações são partilhadas por diferentes bactérias: com exceção de alguns glicanos, os perfis de ligação dos comensais Lactobacillus crispatus e L. iners e os de bactérias potencialmente patogénicas, como Gardnerella vaginalis e Streptococcus agalactiae, são sobrepostos... o que pode refletir concorrência.

Em contrapartida, outras ligações revelam-se muito específicas: O Fusobacterium nucleatum demonstra preferência por glicanos terminados em galactose, enquanto o S. agalactiae é uma das poucas bactérias que se liga a glicanos terminados em ácido hialurónico.

3/4 Três quartos desses óbitos poderiam ser evitados através de intervenções correntes e com boa relação custo-benefício.²

4 a 16% Em 2020, a taxa de nascimentos prematuros variou entre 4% e 16%, dependendo dos países.²

Sob a influência do pH

Os autores também comprovam que a força das ligações varia de acordo com o pH: com pH ácido, a maioria das estirpes liga-se mais fortemente a vários glicanos, com exceção das condroitinas não sulfatadas (nenhuma ou poucas ligações com pH=4); com pH neutro, apenas o F. nucleatum e alguns lactobacilos conseguem ligar-se fortemente às condroitinas sulfatadas.

Esta combinação de ligações específicas e força variável em função do pH, num contexto de gravidez (o colo do útero segrega mais ácido hialurónico, a placenta enriquece-se em condroitinas pouco sulfatadas) poderá explicar por que razão S. agalactiae e F. nucleatum podem então colonizar o trato genital inferior e superior, onde o pH é mais elevado do que na vagina. Daí o risco de infeções, de parto prematuro e de septicemia neonatal.

Inversamente, o agente protetor L. crispatus, que compete com S. agalactiae pela fixação ao sulfato de condroitina, poderá proteger as mulheres grávidas.

Rumo a terapias baseadas em glicanos?

Estes resultados abrem a porta para o desenvolvimento de terapias baseadas em glicanos, com o objetivo de bloquear a adesão de agentes patogénicos ou de promover a colonização por probióticos. O objetivo passa por uma possível redução da incidência de vaginose bacteriana, dos partos prematuros e das complicações neonatais associadas.

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PMA e transferência de embriões: um sucesso que depende dos Lactobacillus?

Uma microbiota vaginal dominada por Lactobacilos, incluindo o L. crispatus e o L. gasseri, aumenta as chances de gravidez após a transferência de embriões. Bactérias que poderiam explicar as disparidades étnicas em termos de sucesso da PMA.

Na procriação medicamente assistida (PMA), os fracassos na implantação do embrião continuam difíceis de serem explicados, provavelmente porque envolvem vários fatores. Entre tais fatores, uma microbiota vaginal dominada por Lactobacillus parece promover o sucesso das transferências embrionárias. No entanto, os resultados são por vezes contraditórios e a origem étnica das mulheres raramente é considerada.

Além disso, um estudo prospetivo de observação em um único local1 (Phoenix, EUA) analisou a microbiota vaginal de 87 mulheres americanas durante a transferência de embriões congelados, incluindo 15 mulheres de origem hispânica. O seu objetivo: compreender melhor o impacto da flora vaginal nas taxas de gravidez após a transferência de embriões congelados, destacando o papel protetor dos Lactobacillus e considerando a diversidade étnica.

17,5% A infertilidade é frequente no mundo inteiro, com uma prevalência estimada ao longo da vida de 17,5%.

Mais Lactobacillus, mais gravidezes

Das 55 pacientes que engravidaram, dois terços (67% ou 37 mulheres) tinham, no momento da inseminação, uma microbiota dominada por Lactobacillus. Essas mulheres tinham 52% de chance de engravidar em comparação com aquelas cuja flora não estava sob o controlo de Lactobacilos. As pacientes que não engravidaram apresentaram mais patógenos oportunistas, incluindo espécies de Enterobacteriaceae e de Streptococcus.

Em contraste, a riqueza ou diversidade da flora vaginal não estava relacionada ao resultado da PMA.
Assim, a microbiota vaginal parece interagir com a fertilidade feminina e o resultado da transferência de embriões congelados: os microbiomas vaginais dominados por Lactobacillus e, em particular, aqueles em que as espécies L. crispatus ou L. gasseri prevalecem, estão positivamente associados à gravidez.

Definição de infertilidade

Condição do sistema reprodutivo masculino ou feminino definida pela incapacidade de engravidar após 12 meses ou mais de relações sexuais regulares desprotegidas.2

Você sabia?

Embora as taxas de sucesso da fertilização in vitro (FIV) tenham melhorado gradualmente, a taxa de nascimentos viáveis por amostragem de ovócitos permanece em torno de 41% em mulheres com menos de 35 anos de idade e diminui gradualmente com a idade materna.

A explicação para as disparidades étnicas?

O estudo também analisou as disparidades étnicas. As mulheres hispânicas, que representavam 18,3% das mulheres da coorte (e cerca de 19% da população dos EUA) tiveram menores taxas de gravidez clínica após a transferência de embriões, uma tendência também observada nacionalmente.

No entanto, uma proporção menor destas mulheres apresentava uma microbiota vaginal dominada por Lactobacilos (vs mulheres brancas não hispânicas), observação já relatada em estudos anteriores. Essa menor prevalência da dominância de Lactobacillus em mulheres hispânicas poderia explicar em parte o menor sucesso da transferência de embriões nessa população? De qualquer forma, essa é a hipótese dos investigadores.

Infertilidade: bactérias e vírus vaginais envolvidos

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Parto prematuro: L. iners no banco dos réus Microbiota vaginal: indicador-chave do risco de prematuridade?

A existência da bactéria Lactobacillus iners na microbiota vaginal no início da gravidez parece estar relacionada com um maior risco de recorrência de partos prematuros. Será que algumas bactérias do grupo dos lactobacilos têm “duas caras”?

A microbiota vaginal

Com 1,1 milhões de óbitos por ano, a prematuridade é a principal causa de morte entre as crianças com menos de 5 anos. Infelizmente, como o mal nunca vem só, o risco de a mulher dar à luz outro bebé prematuro é elevado, variando entre 15% e mais de 50%: quanto mais precoce tiver sido o último (sidenote: Parto prematuro Bebé nado vivo antes das 37 semanas de gravidez. Existem subcategorias de nascimentos prematuros, em função da idade gestacional: - Prematuridade extrema (menos de 28 semanas); - Grande prematuridade (entre a 28.ª e a 32.ª semana); - Prematuridade média ou tardia (entre a 32.ª e a 37.ª semana). https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/preterm-birth ) , maior será o risco de recorrência.

4 a 16% Em 2020, a taxa de nascimentos prematuros variava entre 4% e 16%, dependendo do país. ¹

N.º 1 A prematuridade é a principal causa de óbito nas crianças com menos de 5 anos. ²

A ciência médica esforça-se por encontrar soluções, mas o conhecimento insuficiente das causas, provavelmente multifatoriais, dessas recorrências limita a eficácia dos tratamentos propostos ( (sidenote: Progesterona Hormona sexual feminina que é segregada depois da ovulação e durante a gravidez. ) , (sidenote: Cerclagem A cerclagem do colo do útero é um procedimento cirúrgico executado durante a gravidez que consiste em colocar um fio ao redor do colo do útero quando existe o risco de ele se abrir com excessiva facilidade. ) ,…). E se a solução estiver, em parte, na flora vaginal da mulher?

Foi esta a hipótese de um grupo de investigadores que acompanhou 152 mulheres grávidas chinesas com alto risco de aborto espontâneo... e a microbiota das respetivas vaginas, recolhida com um cotonete no início da gravidez (antes das 16 semanas) e depois entre as 16 e as 24 semanas.

A microbiota vaginal

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Um risco relacionado com a bactéria L. iners

A monitorização destas mulheres mostra que uma microbiota vaginal dominada por Lactobacillus iners antes das 16 semanas de gestação se encontra associada a um risco acrescido de parto prematuro. Como explicar tal ligação? Para os autores, uma flora vaginal dominada por L. iners será menos estável do que uma flora dominada pelo lactobacilo L. crispatus: ela tenderá a evoluir facilmente para uma situação na qual os lactobacilos benéficos deixam de ser predominantes. Por outras palavras, terá menos capacidade de manter afastadas as bactérias patogénicas, como já foi comprovado para o estreptococo B.

15 a 50% O parto prematuro espontâneo tende a recidivar com uma taxa de recorrência de 15 a 50% e mostra uma correlação inversa com o número de semanas de gestação do parto prematuro anterior mais recente.

No entanto, essa ligação entre L. iners e a prematuridade deixa de ser observada entre as 16 e as 24 semanas de gestação, o que demonstra que tudo se decide no início da gravidez... incluindo, talvez um dia, uma intervenção na microbiota vaginal para tentar reduzir o risco de recorrência de partos prematuros. Neste caso, vale lembrar que esta operação já não é ficção científica: uma jovem mãe de 30 anos que, desde o seu primeiro filho, sofria abortos espontâneos repetidos, pôde beneficiar de um transplante de microbiota vaginal... e tornar-se mãe novamente!

Lactobacillus iners: a exceção que confirma a regra de os lactobacilos serem benéficos?

De um modo geral, considera-se saudável uma vagina cuja flora é essencialmente povoada por lactobacilos. Mas contrariamente a outros lactobacilos, o L. iners revela-se incapaz de produzir certas moléculas ( (sidenote: Àcido D-láctico Essencial à proteção da zona íntima, mantém um pH baixo que estimula o crescimento de lactobacilos e previne infeções. ) , (sidenote: Peróxido de hidrogénio e bacteriocinas Impedem a aderência de agentes patogénicos através de biotensioativos: graças às suas propriedades anfifílicas ou “detergentes”, os biotensioativos agem sobre as tensões superficiais, criando assim uma barreira que limita a capacidade de aderência dos agentes patogénicos. ) , (sidenote: Peróxido de hidrogénio e bacteriocinas Impedem a aderência de agentes patogénicos através de biotensioativos: graças às suas propriedades anfifílicas ou “detergentes”, os biotensioativos agem sobre as tensões superficiais, criando assim uma barreira que limita a capacidade de aderência dos agentes patogénicos. ) , etc.) destinadas a repelir os agentes patogénicos.

Consequentemente, este lactobacilo tem uma eficácia muito menor na prevenção da proliferação de bactérias indesejáveis. Outro problema: esta bactéria tende a interagir com o nosso sistema imunitário e a fazer com que ele baixe a guarda, o que não é boa ideia se um organismo indesejável aparecer! Isto já para não falar da sua capacidade de remodelar o colo do útero, o que também propicia a invasão de agentes patogénicos. Cúmulo do azar, a bactéria L. iners também é muito persistente na vagina: cola-se fortemente à sua parede e é muito resistente, inclusive aos antibióticos. 2

O Biocodex Microbiota Institute apoia a SOS Préma

Fundada em 2004 por iniciativa de Charlotte Bouvard, também ela mãe de um bebé prematuro, a SOS Préma, uma associação sem fins lucrativos reconhecida como de interesse geral e associação de utilizadores pelo Ministério da Saúde francês, tem por objetivo proporcionar a todas as crianças prematuras as melhores condições para crescerem saudáveis. Apoia os pais que enfrentam a prematuridade e/ou a hospitalização do seu bebé recém-nascido: informação, aconselhamento e orientação, apoio psicológico, acompanhamento social e jurídico, visitas voluntárias aos hospitais, formação dos profissionais de saúde, etc.

Por fim, SOS Préma representa as famílias e defende os seus direitos: a associação mobiliza a sociedade, a classe médica e as autoridades governamentais para uma melhor compreensão das questões relacionadas com a prematuridade e para um melhor acompanhamento das famílias.

Mais informações em https://www.sosprema.com

 

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PMA e transferência de embriões: a sua flora vaginal, uma das chaves para o sucesso?

Os lactobacilos, guardiões da saúde vaginal, também poderiam aumentar as chances de engravidar após uma transferência de embriões congelados? É o que sugere um estudo americano 1 que também vincula essa tendência às origens étnicas.

A microbiota vaginal

Quando falamos de  (sidenote: Infertilidade Condição do sistema reprodutivo masculino ou feminino definida pela incapacidade de engravidar após 12 meses ou mais de relações sexuais regulares desprotegidas. https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/infertility
 
)
e PMA (procriação medicamente assistida), muitas vezes pensamos num caminho cheio de esperanças, expetativas... e às vezes deceções. Entre as técnicas propostas, a transferência de embriões congelados consiste em substituir, no útero, um embrião previamente concebido em laboratório por  (sidenote: Fertilização in vitro (FIV) Técnica de assistência médica à reprodução durante a qual a fertilização ocorre no laboratório, em um tubo de ensaio (‘in vitro’), e não no útero da mulher: os óvulos retirados da mulher após a estimulação hormonal são colocados em uma solução nutritiva com espermatozóides retirados do homem. Os embriões assim concebidos em laboratório serão então transferidos para o útero da futura mãe através da vagina. Se um embrião se implantar, a gravidez começa. https://www.service-public.fr/particuliers/vosdroits/F31462
https://medclinics.com/fr/fiv/
https://www.fiv.fr/fecondation-fiv/
)
, depois congelado e finalmente depositado no útero.

17,5 % A infertilidade é frequente no mundo inteiro, com uma prevalência estimada ao longo da vida de 17,5%.

O objetivo? A implantação desse embrião e, consequentemente, o início da tão almejada gravidez. Só que, na verdade, este processo não é automático: apenas 41% das recuperações de óvulos resultam em gravidez em mulheres com menos de 35 anos de idade.

+52% das gravidez com Lactobacilos

Neste contexto, cada ajuda conta. E pode muito bem ser que uma delas venha da microbiota, já envolvida na infertilidade feminina e masculina e nos abortos espontâneos. Poderia também favorecer a implantação de embriões no caso da PMA? Um estudo realizado nos Estados Unidos analisou 87 mulheres que receberam uma transferência de embriões congelados. Analisou a microbiota vaginal no momento da transferência para verificar se isso influenciava os resultados.

Você sabia?

Embora as taxas de sucesso da fertilização in vitro (FIV) tenham melhorado gradualmente, a taxa de nascimentos viáveis por amostragem de ovócitos permanece em torno de 41% em mulheres com menos de 35 anos de idade e diminui gradualmente com a idade materna.

Conclusão: em mulheres cuja vagina era amplamente dominada por Lactobacilli, especialmente as espécies Lactobacillus crispatus ou L. gasseri, as chances de gravidez eram 52% maiores! Dois terços das mulheres que engravidaram após a transferência de embriões tinham mais de 80% de Lactobacilos na vagina.

Por outro lado, as mulheres cuja microbiota abrigava mais bactérias oportunistas, como a Enterobacteriaceae ou a Streptococcus, eram menos propensas a engravidar. Por outro lado, nem a riqueza nem a diversidade da flora estavam ligadas ao sucesso da PMA: é o tipo de bactéria que faz a diferença.

Uma explicação para as disparidades étnicas?

Outro ponto interessante abordado pelo estudo: as disparidades étnicas. Os autores tiveram o cuidado de incluir mulheres hispânicas, que compõem 19% da população dos EUA, mas muitas vezes estão ausentes dos estudos.

Os resultados mostram que tiveram taxas de gravidez mais baixas. Acontece que a microbiota vaginal destas mulheres é menos frequentemente dominada pelos Lactobacilos benéficos, em comparação com mulheres brancas não hispânicas. Uma ligação a explorar, o que poderia explicar em parte as menores taxas de sucesso da transferência de embriões congelados na comunidade hispânica.

Anatomia feminina, microbiotas e higiene íntima

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Anorexia nervosa: o inconsciente sob a influência da microbiota intestinal?

Na anorexia nervosa, alguns processos cognitivos relacionados à aprendizagem seriam alterados. Uma equipa de investigadores acaba de descobrir que essa deficiência pode estar ligada a mudanças na microbiota intestinal e, em particular, a desequilíbrios em certas bactérias envolvidas na comunicação intestino-cérebro.

A anorexia nervosa é uma doença psiquiátrica que pertence aos transtornos de comportamentos alimentares (TCA).  Pode ter consequências graves para a saúde e apresenta um risco significativo de progressão para uma forma crónica e, especialmente, de morte. A anorexia nervosa  é caracterizada pela privação voluntária de alimentos que leva à perda severa de peso e é frequentemente acompanhada por bulimia, ansiedade e distúrbios comportamentais que favorecem outras doenças.

50% Dos casos acompanhados na adolescência são curados.¹

Entre 1/4 e 1/2 Das pessoas afetadas abandonam o tratamento em curso.¹

A psicoterapia, combinada com uma renutrição, é o tratamento recomendado para recuperar uma dieta normal. No entanto, existem diferenças nas respostas entre os pacientes e alguns sintomas de TCA (bulimia, ansiedade) podem persistir.

Como a microbiota afeta a função cognitiva

Em 2023, psiquiatras da Universidade de Graz, na Áustria, destacaram a existência de uma alteração na aprendizagem implícita (aquisição inconsciente de conhecimento) que poderia explicar em parte a falta de resposta ao tratamento. Num novo estudo, esta mesma equipa sugere que esta alteração pode estar relacionada... com a microbiota!2

Sabe-se que a microbiota intestinal influencia as funções cognitivas através do (sidenote: Eixo intestino-cérebro Rede de comunicação bidirecional entre o intestino e o cérebro que permite a comunicação entre o intestino e o cérebro através de três vias diferentes: 
1. a via neuronal (os neurónios), principalmente através do nervo vago e do sistema nervoso entérico;
2. a via endócrina, através da secreção de hormonas como o cortisol, a adrenalina e a serotonina;
3. a via do sistema imunitário, através da modulação das citocinas.
O eixo intestino-cérebro atua no nosso comportamento, nossa cognição (memória), nossas emoções, nosso humor, nossos desejos, nossa perceção... e nossa dor, entre outras coisas.
)
. Este modula o sistema neuroendócrino, incluindo o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal que regula as respostas ao estresse e à produção de cortisol. O sistema nervoso entérico também está envolvido na comunicação bidirecional com o sistema nervoso autónomo e o nervo vago, assim como os neurotransmissores (GABA, dopamina, serotonina etc.) produzidos pela microbiota. 

Com base nesta descoberta, cientistas austríacos compararam a memória e as habilidades de aprendizagem implícitas e a microbiota de 15 pacientes com anorexia nervosa com as de 13 mulheres saudáveis do grupo de controlo.

20% Dos pacientes permanecem anoréxicos ao longo da vida.¹

5% Dos casos morrem.¹

Uma pontuação de aprendizagem mais baixa ligada a uma microbiota menos diversificada

Os resultados mostram que no grupo com anorexia:

  • as pontuações de aprendizagem implícitas são mais baixas do que as do grupo de controlo em boa saúde, enquanto as pontuações de memorização são semelhantes;
  • a microbiota intestinal tem uma abundância aumentada de Akkermansia muciniphila, enquanto no grupo de controlo espécies bacterianas produtoras de ácidos graxos de cadeia curta ( (sidenote: Ácidos Gordos de Cadeia Curta (AGCC) Os Ácidos Gordos de Cadeia Curta são uma fonte de energia (carburante) das células do indivíduo, interagem com o sistema imunitário e estão envolvidos na comunicação entre o intestino e o cérebro. Silva YP, Bernardi A, Frozza RL. The Role of Short-Chain Fatty Acids From Gut Microbiota in Gut-Brain Communication. Front Endocrinol (Lausanne). 2020;11:25. ) ), incluindo Faecalibacterium, são mais comuns. 

Em geral, quanto mais altas as pontuações de aprendizagem implícita, mais diversos são os microrganismos e maior é o número de espécies diferentes: 

  • uma pontuação alta foi associada a um aumento nas bactérias Actinobacteria, particularmente a Bifidobacteria, microrganismos essenciais para a comunicação intestino-cérebro que poderiam reduzir a ansiedade através das vias vagais e, assim, influenciar os processos de aprendizagem; 
  • uma pontuação baixa foi, ao contrário, associada a um aumento em Lachnospiraceae que vários estudos associaram a transtornos depressivos que podem prejudicar a função cerebral e a aprendizagem implícita.

Rumo a novas abordagens terapêuticas

Apesar de suas limitações (amostra de pequena dimensão, a não consideração de fatores dietéticos e do nível de escolaridade, a ausência de homens), este estudo é promissor. Abre as portas para novas abordagens terapêuticas para gerir doenças como a anorexia nervosa. 

O próximo passo para os investigadores: estabelecer estudos intervencionistas direcionados sobre a microbiota intestinal, especialmente através de probióticos como as bifidobactérias.

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Anorexia nervosa: e se o desequilíbrio da microbiota perturbasse a cura?

O cérebro das pessoas com anorexia nervosa pode estar sob a influência da microbiota intestinal, de acordo com um novo estudo. Uma descoberta que pode abrir caminho para novas vias de tratamento centradas no eixo intestino-cérebro e nos seus efeitos na saúde mental.

A microbiota intestinal O eixo intestino-cérebro

Restrições alimentares, medo doentio de ganhar peso, obsessão por calorias, negação da magreza, bulimia, ansiedade, depressão... A anorexia nervosa é um transtorno alimentar grave (TCA) que tem um impacto considerável na saúde do paciente, afetando o comportamento e o corpo. Também é particularmente difícil de tratar (ver quadro).

OS TCA em resumo:

  • São caracterizados por comportamentos alimentares diferentes daqueles usualmente adotados por pessoas que vivem no mesmo ambiente. 1
  • Esses transtornos são significativos e duradouros, e têm impactos psicológicos e físicos. 2 
  • Sintomas: humor instável, irritabilidade, baixa autoestima, depressão, ansiedade.
  • Os 3 principais TCA são: anorexia nervosa, bulimia (crises compulsivas de ingestão de grandes quantidades de alimentos seguidas de convulsões de comportamentos compensatórios inadequados, como vómitos, jejum ou a prática de exercícios de forma excessiva) e hiperfagia (crises de bulimia, porém sem comportamento compensatório associado). 3

Em indivíduos afetados, muitas vezes há um comprometimento das funções cognitivas, incluindo certas habilidades de aprendizagem essenciais para a adaptação comportamental, o que pode dificultar a cura.

Um novo estudo sugere que esse distúrbio pode estar relacionado a alterações que ocorrem na microbiota intestinal4

4% das mulheres e 0,3% dos homens Serão afetados pela anorexia durante a sua vida. ⁵

Entre 14 e 17 É a idade em que a anorexia nervosa é desencadeada (com um pico aos 16 anos). ⁶

Uma microbiota menos diversificada 

Os autores, investigadores da Universidade de Graz, na Áustria, estudaram 15 pacientes com anorexia nervosa e 13 mulheres saudáveis do grupo de controlo. Todos foram testados para avaliar as suas habilidades de "aprendizagem implícita" (ver quadro). Em paralelo, as suas fezes foram analisadas para determinar a composição da sua microbiota intestinal.

Os cálculos dos investigadores confirmam que os pacientes com anorexia nervosa têm pontuações de aprendizagem implícita mais baixas do que as dos voluntários saudáveis. Mas o mais interessante é que essas pontuações estão relacionadas à composição da microbiota: quanto mais altas, mais diversificados são os microrganismos.

Quando a microbiota intestinal faz o cérebro se descontrolar

Como explicar esse resultado? Sabe-se que a microbiota intestinal influencia a função cerebral através do eixo intestino-cérebro. Por exemplo, pode modificar as respostas ao estresse ou produzir mensageiros cerebrais (dopamina, serotonina etc.) que têm o poder de influenciar as habilidades de aprendizagem.

Visão geral da anorexia nervosa ³ :

  • É um TCA (Transtorno do Comportamento Alimentar), um transtorno psiquiátrico.
  • Não deve ser confundida com a anorexia no sentido médico, geral, do termo: uma perda de apetite por uma causa qualquer, que é um sintoma e não uma doença. 
  • Causas: factores genéticos, psicológicos, ambientais, familiares e socioculturais.
  • Às vezes associada a um distúrbio bulímico (absorção compulsiva de grandes quantidades de alimentos durante um curto período de tempo, seguida de vómito induzido). 
  • Risco significativo de osteoporose, infertilidade, depressão, insuficiência cardíaca e suicídio.

Neste estudo:

Uma alta pontuação de aprendizagem foi, por exemplo, associada a um aumento das Bifidobacterias, bactérias essenciais para a comunicação intestino-cérebro. Podem reduzir a ansiedade e, assim, influenciar os processos de aprendizagem.

1,5-3 anos É a duração média de uma fase de anorexia nervosa. ⁶

20% Dos casos permanecem anoréxicos ao longo da vida. ⁶

Uma pontuação baixa foi, ao contrário, relacionada a um aumento na bactéria Lachnospiraceae que vários estudos associaram a transtornos depressivos que podem prejudicar a função cerebral e a aprendizagem implícita. Esses efeitos sugerem uma forte ligação entre microbiota, comportamento e saúde mental em doenças como a anorexia.

O que é aprendizagem implícita?

A aprendizagem implícita ocorre de forma inconsciente e sem intenção de aprender 7. Não envolve esforços para memorizar ou concentrar-se em regras. Inclinar o corpo para o lado para o qual uma pessoa irá virar ao andar de bicicleta é o resultado de uma aprendizagem implícita. É diferente da aprendizagem explícita associada à aquisição de conhecimentos teóricos, regras ou princípios.

Rumo a um tratamento da anorexia à base de probióticos?

Esta descoberta é particularmente interessante porque poderia fornecer uma explicação para o facto de que a psicoterapia, que se baseia parcialmente na aprendizagem implícita, nem sempre é eficaz na gestão de pacientes anoréxicos. 

Se for confirmado, um dia será possível utilizar probióticos contendo Bifidobactérias para gerir melhor a anorexia nervosa. Ao estabilizar o eixo intestino-cérebro, tal processo poderia ajudar as mulheres a retomarem uma dieta normal.

Anorexia: a pista da microbiota intestinal?

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Espécies microbianas específicas correlacionam-se com a patologia amiloide e Tau na doença de Alzheimer

Já foi estabelecido que existe uma ligação entre a saúde intestinal e a doença de Alzheimer. Porém, um novo estudo veio mudar este paradigma. O que importa não é a diversidade geral, mas as identidades microbianas específicas. Algumas espécies, conhecidas como biomarcadores benéficos, protegem o cérebro, enquanto outras, inclusive do mesmo género, podem acelerar o declínio cognitivo.

Doença de alzheimer

Durante anos, a comunidade científica vem reunindo evidências de que o nosso intestino e o cérebro estão em constante comunicação, um conceito conhecido como eixo intestino-cérebro1, 2. Vimos que a composição da microbiota intestinal é diferente em pacientes com doença de Alzheimer3, e que esta disbiose pode contribuir para a neuroinflamação que alimenta a doença4, 5.

Mas os detalhes precisos não estão ainda muito claros. Temos olhado para a floresta, mas um novo estudo inovador6 veio fazer um zoom nas árvores individualmente. O que este estudo revela pode mudar fundamentalmente a forma como abordamos essa doença neurodegenerativa devastadora que é o Alzheimer.

Para além do cérebro: não se trata da diversidade geral, mas da identidade microbiana específica

E se os primeiros sussurros da doença de Alzheimer não fossem cognitivos, mas composicionais? Um estudo de referência publicado na Alzheimer's Research & Therapy fornece evidências convincentes de que a chave para compreender, e talvez um dia diagnosticar, o declínio cognitivo na vida de pacientes afetados pela doença de Alzheimer pode estar nas espécies específicas de bactérias que residem no nosso intestino.

Utilizando o (sidenote: Sequenciamento metagenómico Método de sequenciamento de alta resolução que analisa todo o material genético de cada micróbio numa amostra. Ao contrário de técnicas mais antigas que apenas identificam famílias bacterianas, este método permite uma identificação precisa do nível da espécie e revela os genes funcionais que essas bactérias possuem. ) de alta resolução em pacientes com (sidenote: Défice Cognitivo Ligeiro (DCL) O DCL é um estágio clínico entre o declínio cognitivo esperado do envelhecimento normal e o declínio mais grave da demência. Os indivíduos com DCL têm problemas percetíveis de memória ou pensamento, mas ainda podem realizar a maioria das atividades diárias, o que representa uma janela crítica para intervenção e estudo. ) , um estágio intermediário crítico, os investigadores descobriram que não havia diferença significativa na diversidade geral da microbiota intestinal em comparação com controlos saudáveis. Em vez disso, constataram que a diferença crucial residia na identidade dos atores. O estudo identificou 59 espécies microbianas específicas cuja presença ou ausência estava diretamente correlacionada ao DCL, às placas amiloides e aos níveis de (sidenote: Proteína Tau A Tau é uma proteína que normalmente estabiliza o sistema de transporte interno, ou microtúbulos, no interior das células nervosas do cérebro. Na doença de Alzheimer, torna-se anormalmente fosforilada e agrega-se em emaranhados neurofibrilares dentro dos neurónios, levando à disfunção celular e à morte. ) , as principais características patológicas da doença de Alzheimer. Isto revela que não se trata do tamanho do exército microbiano, mas de quais soldados específicos estão na linha de frente.

O papel surpreendente de dois bacteroides: porque os detalhes do nível das espécies são um divisor de águas

É aqui que as descobertas sobre os biomarcadores intestinais se tornam verdadeiramente uma mudança de paradigma. O estudo revelou que espécies diferentes dentro do mesmo género podem ter efeitos opostos na saúde do cérebro. Por exemplo, a presença da espécie Bacteroides eggerthii foi associada a um risco reduzido de DCL. No entanto, outra espécie, a Bacteroides thetaiotaomicron, estava associada a um risco maior.

Esta descoberta é essencial, pois porque demonstra que estudos anteriores que dependiam de sequenciamentos de baixa resolução e que só podiam identificar bactérias no nível do género, podem ter perdido a parte mais importante da história. É como descobrir que um animal é "mamífero" sem determinar se é um rato ou um leão. Essa atividade específica da espécie é uma descoberta fundamental que forçará os estudos de campo a adotarem métodos mais precisos.

Rumo a biomarcadores funcionais: o papel protetor da Akkermansia

O estudo vai além da mera correlação, identificando bactérias que não estão apenas presentes, mas são funcionalmente ligadas à saúde do cérebro. Uma das espécies benéficas identificadas, a Akkermansia muciniphila, foi negativamente correlacionada com a carga amiloide. Este dado é significativo, pois a Akkermansia é conhecida por produzir metabólitos que fortalecem a barreira intestinal e têm efeitos anti-inflamatórios7. Esta investigação sugere que o seu papel pode ser ainda mais direto, e que potencialmente influencia o metabolismo energético do cérebro e o protege contra o acúmulo de proteínas tóxicas, como a proteína Tau.

A identificação de espécies pró e anti-inflamatórias específicas ligadas diretamente aos níveis de amiloide e Tau abre caminhos para o desenvolvimento de biomarcadores metabólicos altamente sensíveis8, 9, 10. Possibilita o estabelecimento de um diagnóstico no estágio de DCL muito antes que ocorram danos irreversíveis ao sistema nervoso central.

Estas descobertas reforçam ainda mais o crescente reconhecimento do papel da microbiota intestinal no contexto da doença de Alzheimer. Para explorar este tópico com mais profundidade, leia nossos artigos dedicados ao assunto que explicam como a microbiota intestinal pode atuar como um ator essencial ou até mesmo como indicador precoce da doença.

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Noticias Neurologia

A chave surpreendente para abordar a doença de Alzheimer pode estar no seu intestino, não no seu cérebro

Os primeiros sinais da doença de Alzheimer podem não estar no seu sistema nervoso central ou cérebro, mas no seu intestino. Um novo estudo descobriu que o que importa não é a saúde intestinal geral, mas bactérias específicas (novos biomarcadores). Surpreendentemente, algumas espécies protegem as pessoas, enquanto outras, inclusive da mesma família, podem prejudicá-las.

A microbiota intestinal Doença de alzheimer

Durante anos, sabíamos que o nosso intestino e o nosso cérebro estabelecem um diálogo constante. Este "eixo intestino-cérebro" é o motivo pelo qual pode sentir aquele friozinho no estômago quando está nervoso. Agora, um novo estudo inovador 1 sugere que esta conexão é muito mais importante do que imaginávamos, revelando que os primeiros sinais da doença de Alzheimer podem não estar no cérebro, mas escondidas entre os biliões de bactérias que vivem no nosso intestino.

Não é o tamanho da multidão, mas quem a compõe

Os cientistas costumavam pensar que, na doença de Alzheimer, o problema era uma perda geral de diferentes tipos de bactérias intestinais, como um jardim que perde pouco a pouco a sua diversidade. Mas esta nova investigação encontrou algo completamente diferente. Em pessoas com perda de memória precoce, (aqueles diagnosticados com (sidenote: Défice Cognitivo Ligeiro (DCL) O DCL é um estágio clínico entre o declínio cognitivo esperado do envelhecimento normal e o declínio mais grave da demência. Os indivíduos com DCL têm problemas percetíveis de memória ou pensamento, mas ainda podem realizar a maioria das atividades diárias, o que representa uma janela crítica para intervenção e estudo. ) o número total de tipos bacterianos parecia satisfatório.

O verdadeiro problema era uma mudança na qual bactérias específicas estavam presentes. O estudo identificou 59 tipos precisos de bactérias, potenciais biomarcadores que eram mais ou menos comuns em pessoas que caminhavam para a doença de Alzheimer. Isto revela que não se trata de ter menos bactérias, mas que as bactérias erradas estavam no comando.

Os heróis e os vilões do intestino podem parecer iguais

É aqui que a história fica realmente fascinante. O estudo revelou que duas bactérias da mesma família podem ter efeitos completamente opostos. Pense nisso como uma família com um "gémeo bom" e um "gémeo mau". Uma bactéria, chamada Bacteroides eggerthii, estava ligada a um menor risco de problemas de memória, agindo como um herói para o cérebro. No entanto, o seu parente próximo, a Bacteroides thetaiotaomicron, estava ligada a um risco maior, agindo como um vilão. Esta descoberta é essencial, pois significa que estudos anteriores, que não conseguiam distinguir esses "parentes" bacterianos, estavam perdendo os detalhes mais importantes na compreensão da doença.

Quais são as fases da doença de Alzheimer?

1. Quando tudo está bem

Nenhum sinal da doença é detetável; pequenos lapsos de memória são relacionados à idade e não estão ligados ao declínio cognitivo.

2. Sutis deslizes da memória

Sinais de esquecimento ocasional (dificuldade em encontrar palavras, mistura nomes, perde objetos etc.), mas sem qualquer impacto na vida social ou profissional.

3. A vida quotidiana começa a ser afetada

os problemas cognitivos tornam-se percetíveis e recorrentes: desorientação, objetos guardados no lugar errado, dificuldade de concentração, fala repetitiva... A pessoa está ciente disso, o que pode causar ansiedade ou negação.

4. Confirmação do diagnóstico

A doença de Alzheimer é oficialmente diagnosticada; a perda de memória e a dificuldade com tarefas complexas (cálculos mentais, lembrança de eventos recentes) aumentam, embora a autonomia básica permaneça intacta.

5. Início da dependência

O paciente não consegue mais gerir certas tarefas diárias sozinho (como cozinhar ou escolher roupas), mesmo que as necessidades básicas (comer, usar a casa de banho) ainda sejam atendidas; a assistência domiciliar torna-se necessária.

6. Sintomas comportamentais e perda de autonomia

A assistência é necessária para as atividades básicas; os distúrbios comportamentais (agitação, perambulação, alucinações, suspeita, agressão etc.) tornam a vida doméstica cada vez mais difícil.

7. ​​​​​​​Perda total de autonomia e fim das interações

O paciente torna-se incapaz de se mover ou de se comunicar (falar, sorrir), é totalmente dependente dos outros para todas as necessidades básicas e enfrenta, muitas vezes, complicações físicas nesta fase final. 2

Rumo a um novo futuro na deteção precoce

Então, o que tudo isso significa para si? Esta investigação está a pavimentar o caminho para uma nova abordagem revolucionária no diagnóstico da doença de Alzheimer. Ao identificarem uma bactéria "boa" chamada Akkermansia muciniphila, que estava ligada a uma menor presença da (sidenote: Proteína amiloide tóxica Os amiloides são agregados de proteínas que se dobram juntas. Em certas doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer, as placas amiloides formam-se a partir de agregados de proteínas mal dobradas, compostas principalmente pela proteína beta-amiloide. Estas placas formam-se em torno dos neurónios e impedem que nosso organismo funcione corretamente. https://emedicine.medscape.com/article/335414-overview
https://www.fondation-alzheimer.org/dictionnaire/plaques-amyloides/
)
encontrada no cérebro de pacientes com Alzheimer, os cientistas estão a criar uma "impressão digital" de um intestino saudável.

Um dia, poderemos utilizar uma amostra simples de fezes para verificar esses heróis e vilões bacterianos específicos. Esta possibilidade facilitaria a identificação da probabilidade que uma pessoa possui em ser afetada pela doença de Alzheimer anos antes, muito mais cedo do que podemos obter hoje, abrindo uma janela crucial para proteger a saúde do cérebro através da dieta e do estilo de vida.

Saiba mais sobre o chamado "eixo intestino-cérebro"

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